Publicidade

sexta-feira, 10 de maio de 2013 Everton, Man Utd | 11:03

A sucessão

Compartilhe: Twitter

A aposentadoria de Sir Alex Ferguson é daqueles eventos em que, antes de acontecer, ninguém acredita – à exceção do Telegraph, primeiro jornal a indicar a saída do manager após quase 27 anos no comando do Manchester United. Como sugeriu o artigo anterior desta coluna, o discurso de Ferguson não sinalizava aposentadoria. Não à toa, as especulações praticamente inexistiam, ou pelo menos eram bem mais leves do que temporadas atrás.

Acredite: Ferguson passou o bastão

No entanto, há aspectos lógicos na decisão. A menos que fosse motivado por um problema de saúde ou algo parecido, ele jamais escolheria sair em um cenário negativo. O 20º título do United no campeonato, 13º de Ferguson, é o melhor encerramento possível do ponto de vista moral, sobretudo por ser um incontestável contra-ataque à conquista do Manchester City em 2011-12. Além disso, quando justificou a aposentadoria, o manager reiterou o bom estado (qualidade e média de idade) do elenco que entregará a seu sucessor.

Aliás, o sucessor escolhido por Ferguson e aprovado pelo clube é a melhor manifestação de que o United não pretende promover alterações drásticas. Se existe alguém capaz de preservar o legado, sem a vaidade de apressar mudanças e deixar sua “assinatura” no clube imediatamente, é o escocês (outro, após Matt Busby e Ferguson) David Moyes, de 50 anos. Há 11 temporadas em Goodison Park, Moyes treinará o Everton nas duas rodadas restantes da Premier League e, em seguida, assumirá o que foi batizado de “trabalho impossível”.

Nem tanto, convenhamos. O contrato de seis anos oferecido pelo United atesta a confiança depositada em Moyes (quase um Alan Pardew, a quem o Newcastle entregou precipitadamente um contrato de oito temporadas), que há muito é um dos treinadores mais respeitados da liga. Respeito adquirido por conta da construção de um Everton sustentável e competitivo, que superou elencos mais caros e sempre foi um adversário difícil para qualquer time em qualquer estádio.

É equivocado afirmar que Moyes nunca gastou ou que sempre montou times contratando free agents, mas é correto vincular esse investimento a vendas importantes. Se um dia o Everton comprou Jagielka, Baines, Fellaini, Pienaar e Mirallas, é porque fez muito mais dinheiro com Rooney, Lescott, Rodwell, Andy Johnson (sim, Moyes o vendeu ao Fulham por £13 milhões) e Arteta. Lembra Simon Kuper, do Financial Times, que o Everton tem apenas a 10ª folha salarial da liga e sempre terminou entre os oito primeiros desde 2007.

Moyes não é um técnico purista como Jürgen Klopp ou Pep Guardiola, de estilos inconfundíveis. O Manchester United certamente não será um time tão intenso e rápido quanto o Dortmund ou um praticante do tiki-taka como o Barcelona 2008-2012. O novo chefe em Old Trafford é bem mais maleável e adapta-se ao que tem à disposição para competir. Há quatro ou cinco anos, as pessoas reclamavam de um Everton sem atacantes – na verdade, com Tim Cahill ocupando o espaço correspondente. Hoje, reclamam dos dois postes à frente, Fellaini e Anichebe.

Apesar da flexibilidade, é possível usar como referência o Everton de 2012-13. Particularmente no início da temporada, quando tinha Pienaar e Jelavic em grande fase, Moyes montou uma equipe empolgante, sobretudo nos jogos em casa. Fellaini dominava partidas, Mirallas era um azougue à direita, Baines avançava no espaço abandonado por Pienaar, e Osman controlava o meio-campo. Se recuperar os wingers e contratar os jogadores certos (enfim, dinheiro não será problema), ele pode reproduzir esse tipo de futebol em Old Trafford, com jogadores mais decisivos e confiáveis.

Uma ressalva que precisa ser feita é a ausência de títulos de elite no currículo de Moyes, campeão apenas da terceira divisão com o Preston North End, em 2000. No Everton, sem troféus há 18 anos, a pressão era minimizada pela consistência da equipe e pelo título imaginário de “terminar a liga acima do Liverpool”, algo que Moyes conseguiu em 2005, 2012 e tem tudo para repetir em 2013.

Apesar disso, é bobagem recorrer a um daqueles clichês, como “Moyes é técnico de time sem ambição”. Faltou a chancela de um título, mas ele cumpriu seu papel no Everton e até excedeu as expectativas. A questão agora é conviver com outro tipo de pressão. No United pós-1990, conquistas vêm de maneira natural e são resultado também da excelente gestão Ferguson, uma raposa em campo e hábil no relacionamento com a diretoria e os jogadores. A ética de trabalho de Moyes o transformou no candidato ideal para continuar esse processo.

Autor: Tags: , , ,

6 comentários | Comentar

  1. 26 Claudio Roberto 13/05/2013 10:24

    Que temporada do United.
    Ferguson se aposentando, Scholes se retirando novamente, Rooney pediu pra sair…

    Responder
  2. 25 Palhoça 12/05/2013 23:34

    Simplesmente o motivo pra eu torcer pro United.

    Eu acompanho muito aqui e tenho que falar: já viram como tem jogado o Coutinho no Liverpool?

    Responder
  3. 24 bel 12/05/2013 20:46

    Saudades do Sir…técnicos como ele não se fazem mais. Hoje a homenagem que fizeram pra ele foi muito bonita.
    Estava vendo aqui uma entrevista dele para o esporte espetacular e o senhor fora que ele deu no Tino Marcos, que como todo jornalista puxa-saco,queria que ele babasse o Neymala,mas não funcionou! kkkk A cara de vou comer seu fígado do Ferguson + a cara de por favor me desculpe do repórter,foi a melhor parte! kkk
    https://www.youtube.com/watch?v=Z0KZ0B81KrE
    SAF FOREVER!!

    Responder
  4. 23 bel 10/05/2013 21:10

    Vamos ver se vai prestar…trocar um cara que em quase 27 anos ganhou tudo por outro que em 10 não ganhou nada. Uma hora Sir Alex tinha que se aposentar,então o United está mais do que certo em pensar em um nome pros próximos 5-10 anos. Muita gente pensava que ia ser o Mourinho,mas ele não tem esse perfil. O Moyes tem.
    Sem querer comparar os times e os investimentos de cada um…mas dar um Aston Martin pra quem está acostumado a dirigir um gol…

    Responder
    • Luiz Souza 12/05/2013 0:59

      Relaxa Bel.
      Moyes é trabalho para muitos anos.

      A torcida terá que ser paciente com ele por algum tempo.
      Ele só andou de Gol, mas não quer dizer que não seja suficiente bom para dirigir um Aston Martin.

  5. 22 Fred 10/05/2013 12:04

    A torcida se mostrou receptiva, quero ver também se serão pacientes.

    Responder
  6. 21 Claudio Roberto 10/05/2013 11:31

    Cara, ainda estou pensando como vai ser tudo isso.
    Primeiramente, eu fiquei mto chateado, pra mim quarta feira foi um dia mto triste e tedioso.
    A aposentadoria do SAF a gente saberia que um dia iria chegar, mas somente quando chega o dia, a ficha cai.
    Nem vou ficar falando muito do SAF aqui, porque se naõ daria um topico enorme, mas agradeço por muito que vi desde 2002, eu daqui nunca contestei sua qualidade!

    Quanto a Moyes, isso estava evidente ja fazia um tempao.
    Mas muitos acreditavam em guardiolae mourinho, e eu digo mais, Wenger não assumiu a bagaça, porque é topetudo e ja teve desavenças com o SAF se não, eu nao duvidaria do francês dirigir o United!

    Moyes por enquanto deverá ficar com a parte de treinos e tudo mais, as contratações e categoria e base nao serao entregues em seu comando ainda, isso creio que de 3 ou 4 anos.

    Responder
  1. ver todos os comentários
 

Antes de escrever seu comentário, lembre-se: o iG não publica comentários ofensivos, obscenos, que vão contra a lei, que não tenham o remetente identificado ou que não tenham relação com o conteúdo comentado. Dê sua opinião com responsabilidade!

* Campos obrigatórios


 

Responder comentário


* Campos obrigatórios