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segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014 Chelsea, Liverpool, Man Utd | 09:25

A estratégia e o talento

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A associação do talento à solidez coletiva quase sempre aproxima um time do sucesso. Um dos mestres dessa negociação entre criatividade e segurança é Carlo Ancelotti, campeão europeu com Pirlo, Seedorf, Rui Costa, Shevchenko e Inzaghi no Milan de 2002-03. Hoje no Real Madrid, deve ser o técnico dos sonhos de Florentino Pérez, pela capacidade de criar sistemas seguros (às vezes rotulados de defensivos!) mesmo com vários jogadores mais talentosos com a bola do que sem ela. Mas o antecessor dele em Madri não trabalha exatamente assim.

É obvio que José Mourinho aprecia jogadores talentosos, mas o raciocínio dele passa muito mais por “como eles podem se adaptar a minha estratégia?” do que “como vou adaptar minha estratégia a eles?”. Na Internazionale, o português elegeu Diego Milito seu centroavante e transformou Samuel Eto’o num winger disciplinado, função que o camaronês não imaginava que poderia executar. E às vezes não há lugar para todo mundo. Não houve para Luka Modric no Real Madrid, assim como Juan Mata se deteriorou no banco do Chelsea em 2013-14.

Não parece haver tanto mistério no processo que levou à venda de Mata ao Manchester United. Mourinho pensa que Oscar é, por ser mais trabalhador e dinâmico, uma opção mais interessante do que o espanhol para a meia central do 4-2-3-1. E também não identificou motivos para escalar Mata na ponta direita, considerando alternativas mais rápidas e disciplinadas para a posição Willian, Schürrle e agora Mohamed Salah, contratado para substituí-lo – o egípcio ex-Basel é muito diferente dele, mas ocupa sua vaga no elenco.

Há também o debate sobre a decisão de reforçar um rival. Mourinho nunca vai admitir publicamente, mas, além das razões óbvias (o Manchester United não é candidato ao título e não joga mais contra o Chelsea na liga em 13-14), ele talvez não preveja um impacto tão grande assim do playmaker em Old Trafford. Pelo menos não equivalente aos £37 milhões investidos. A questão é: o excelente espanhol vai acrescentar criatividade ao United, mas não resolve o principal problema do time e ainda cria um dilema tático para David Moyes.

Mata sempre será ótima aposta para quem contratá-lo, mas não era a principal necessidade do United

Mata representa uma mensagem aos rivais (algo como “ainda estamos aqui”), deve garantir alguns pontos adicionais nesta temporada e pode ser a principal estrela do United nos próximos anos. No entanto, há uma lacuna bem clara no time titular que não foi preenchida, a do parceiro de Carrick no meio-campo. Cleverley agoniza em 2013-14, e Fellaini inexiste desde que deixou o Everton. A contratação que Moyes deveria ter feito – o primeiro alvo, para impulsionar uma recuperação até o quarto lugar – está no Paris Saint-Germain: Yohan Cabaye, que fazia tudo no meio-campo do Newcastle.

Cabaye teria um espaço óbvio na equipe, o que não é o caso de Mata. Sua posição preferencial, como número 10, é de Rooney. Moyes não parece disposto a uma alteração drástica (como escalar três zagueiros ou um losango no meio-campo), o que praticamente garante que, com todo mundo saudável, o ex-ídolo do Chelsea sempre jogará partindo da direita para o centro. Isso não o impede de influenciar jogos (pense em Silva, Ben Arfa, Hazard, Coutinho, Nasri e Cazorla, playmakers que já jogaram muito bem mesmo deslocados a um dos lados do campo), mas cria uma dificuldade.

Existe ainda uma questão que nos faz retornar aos primeiros parágrafos do artigo. A presença de Mata não deveria resultar na perda de espaço da grande novidade do time na temporada, Adnan Januzaj, relegado ao banco nos últimos jogos. Ao investir £37 milhões no playmaker, Moyes se propôs o desafio e até a obrigação de tornar viável uma formação que inclua Mata, Januzaj, Rooney e van Persie. Não há tempo, nem pontos a perder para uma equipe que quebra um recorde negativo atrás do outro.

Hoje, o mais óbvio seria a conversão a um 4-2-2-2 semelhante ao do Manchester City (quando jogam Silva e Nasri abertos), com bastante apoio dos laterais e Mata e Januzaj livres para criar por dentro quando o time tem a bola. É uma mudança radical em relação ao modelo de jogo que consagrou e notabilizou o Manchester United nas últimas décadas, mas algo claramente precisa ser feito. A atuação pálida contra o Stoke no sábado mostra que a próxima aposta que Moyes deve fazer é no talento.

A flexibilidade de Brendan Rodgers

Brendan Rodgers não abre mão do talento. O Liverpool é tema para outro texto, mas vale listar as soluções que Rodgers já tentou para garantir que Coutinho, Suárez, Sturridge e, mais recentemente, Sterling estejam na equipe:

– 3-4-1-2. Três zagueiros, um armador central à frente dos volantes e alas e dois atacantes que precisavam se movimentar muito para compensar a teórica desvantagem numérica pelos lados. Sterling era reserva;

 – 4-4-2. Coutinho à esquerda, Sterling (após melhorar demais nos últimos meses) à direita e os dois atacantes com liberdade. O sistema se revelou frágil quando Lucas e Allen se lesionaram e Gerrard virou o volante mais recuado;

 – 4-1-4-1. Com os mesmos jogadores, Rodgers remodelou o time nas últimas rodadas (deu muito certo contra o Everton, mas nem tanto diante do WBA). Coutinho e Henderson se posicionam à frente de Gerrard, e Sterling oferece sua velocidade à direita. Suárez e Sturridge se revezam entre os papéis de centroavante e ponta esquerda.

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1 comentário | Comentar

  1. 21 Juan 05/02/2014 14:47

    Limpando as teias de aranha….

    Toni Kroos seria um bom parceiro para Carrick? Nani e Young ainda podem ter esperanças no United?

    Responder
    • Daniel Leite 09/02/2014 15:32

      Seria, mas o ideal é alguém como Cabaye ou Strootman;
      Não acredito, não.

  2. Seu comentário está aguardando moderação.

    20 Ronaldo 04/02/2016 19:14

    Achei este vídeo sobre o Leicester que é muito legal, se liguem.

    https://youtu.be/ZAmkWAeH7H0

    Responder
 

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