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quarta-feira, 5 de dezembro de 2012 Copas Europeias, Debates | 23:59

Europa menos inglesa

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McKayla não está impressionada pelo desempenho inglês na Champions League

Até 1997, a Champions League era disputada apenas por campeões nacionais. Assim, o único representante inglês em 1995-96 foi o Blackburn, que havia conquistado a Premier League na temporada anterior. Foi um desastre. No grupo de Rosenborg, Legia Varsóvia e Spartak Moscou, os Rovers perderam quatro partidas, empataram uma e derrotaram o Rosenborg na última rodada, quando já estavam eliminados. Aquela ficou marcada como a pior campanha inglesa na história da Champions.

O recorde negativo do Blackburn sobreviveu a 16 temporadas. Agora ele é do Manchester City, que encerrou sua participação no Grupo D com deprimentes três pontos. Sistematicamente, empatou os jogos em casa e foi derrotado em todas as visitas, a Real Madrid, Ajax e Dortmund. Roberto Mancini, porém, afirmou que não está envergonhado. Há um mês, quando o cenário já indicava eliminação na primeira fase, o técnico italiano foi intelectualmente desonesto para justificar o fracasso continental.

É assustador que Mancini considere naturais esses vexames. Em menos de dois anos, além das duas eliminações na fase de grupos da Champions, seu time caiu diante de Dynamo Kiev e Sporting na Europa League. Desta vez, apesar da escalação respeitável utilizada ontem, contra o Dortmund, a atitude relapsa dos jogadores passou a impressão de que ninguém ali queria garantir a terceira posição na chave e o direito (interpretado por Mancini como dever) de jogar a Europa League. Com a derrota na Alemanha, a vaga ficou com o Ajax.

Fracasso chama fracasso. Afastado da Europa, o City não melhora seu coeficiente na UEFA, e a tendência é que seja novamente castigado por um grupo difícil na próxima Champions. Entretanto, o exemplo do atual campeão inglês pode não ser o único. É evidente que as campanhas do Manchester City têm sido particularmente desastrosas, mas outros clubes do país também precisam refletir sobre seu desempenho em competições europeias.

Não existe mais aquele domínio de 2007-08, quando Manchester United, Chelsea, Liverpool e um pálido Barcelona foram semifinalistas da Champions. Em 2009-10, não houve ingleses nas semifinais. Nas últimas duas temporadas, apenas dois avançaram à segunda fase – Chelsea e Arsenal em 2011-12 e Manchester United e Arsenal em 2012-13. A eliminação do Chelsea nesta edição é incontestável, pois Juventus e Shakhtar foram simplesmente melhores.

Outplayed by Dortmund, Napoli, Athletic…
A imprensa inglesa adora a expressão outplayed by, que, nesse contexto, significa dominado por. Ela tem sido bastante utilizada para descrever partidas em que times ingleses foram dominados por estrangeiros, não necessariamente no placar, mas sobretudo no volume de jogo. Em 2012-13, o Dortmund controlou o Manchester City nos dois jogos. Shakhtar e Juventus deram aulas ao Chelsea. Na temporada passada, o City foi vítima do Napoli. Mesmo campeão, o Chelsea não foi soberano em nenhuma das eliminatórias, contra Napoli, Benfica, Barcelona e Bayern. O Arsenal sofreu 4 a 0 do Milan na Itália. O Manchester United sucumbiu ao Athletic Bilbao na Europa League.

Não há qualquer indício de enfraquecimento da liga inglesa, que ainda pode ser considerada a melhor do mundo em vários aspectos. No entanto, não se justifica esse sentimento de soberba que os clubes ingleses parecem alimentar. O calendário doméstico desgastante, o choque com outros estilos (os três zagueiros de Napoli e Juventus, o futebol total do Athletic, a postura implacável do Dortmund…) e às vezes a falta de repertório dos treinadores têm atrapalhado as campanhas na Europa. Até a segunda posição no ranking da UEFA já é ameaçada pela Alemanha. Não há que se falar em nova Itália, mas é preciso abrir os olhos.

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segunda-feira, 3 de dezembro de 2012 Premier League | 14:47

Conclusões da rodada (XV)

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Veja aqui os resultados da 15ª rodada da Premier League (obviamente, ainda sem o Newcastle x Wigan de hoje). O blog repercute alguns pontos:

Número 3: em Anfield, apenas Gerrard e Suárez são mais idolatrados do que Lucas

Retorno de Lucas beneficia o time inteiro. Na vitória por 1 a 0 sobre o Southampton, enfim o Liverpool teve Lucas Leiva, que, por conta de duas graves lesões, havia atuado em apenas 71 minutos de Premier League neste ano. No sábado, ele suportou 87 minutos e, bem além dos oito desarmes e 88 passes certos (foi o melhor da partida nos dois quesitos), permitiu que outros jogadores atacassem mais do que o habitual. Allen, Gerrard, José Enrique e Johnson participaram bastante de um jogo que o Liverpool deveria ter vencido com mais conforto. Na Inglaterra, ninguém executa melhor do que Lucas a função Busquets, de proteger a defesa, iniciar as jogadas de ataque e liberar laterais e meias. Para quem simplesmente não se encontrava nas três primeiras temporadas no clube, é impressionante.

Rafael ainda não aprendeu a lição. A falha e a indolência durante a decisão dos Jogos Olímpicos deixaram uma péssima impressão de Rafael ao público brasileiro, especialmente à parcela que não acompanha o futebol inglês. Mas o lateral-direito reagiu rapidamente para fazer, por ora, sua melhor temporada no Manchester United. Há três dias, o zagueiro Jonny Evans o elogiou sem medo: “pode ser o melhor do mundo na posição”. No sábado, porém, Rafael lidou muito mal com a substituição ainda no primeiro tempo da partida contra o Reading. Após sofrer três gols, Alex Ferguson decidiu trocá-lo por Smalling para tornar a defesa mais alta, como ele mesmo justificou. Quando tentou cumprimentá-lo, o técnico escocês foi ignorado. Se realmente pretende tomar conta da lateral direita em Old Trafford, o ótimo brasileiro de 22 anos precisa associar seu jogo a certa dose de maturidade.

Big Sam de fato transformou o West Ham no antigo Bolton. A grande qualidade dos melhores times de Sam Allardyce é a exata noção do que fazer. Você pode acusá-lo de incentivar um tipo rústico de futebol, mas jamais de não ter um plano de jogo. Com a intensidade de Diamé, a velocidade de Jarvis e a força de Carlton Cole, o West Ham atropelou o Chelsea no segundo tempo do dérbi londrino de sábado. A atuação na vitória por 3 a 1 e a campanha que põe os Hammers na oitava posição lembram demais o antigo Bolton de Allardyce: futebol rústico, direto e muito competitivo, sobretudo em casa. Não à toa, estão em Upton Park Nolan, Taylor, O’Brien e Jaaskelainen, figuras daquele Bolton.

Swansea pode chegar à Europa. Não existe mais o Swansea que somou três derrotas consecutivas e patinou bastante entre a terceira e a nona rodada. O time de Michael Laudrup não perde há seis jogos e assumiu uma postura arrogante. Arrogante a ponto de controlar o jogo e finalizar mais do que o Arsenal no Emirates. Derrotar os Gunners em Londres é uma coisa; dominá-los, criar uma avalanche de oportunidades, como fez o Swansea, é outra, da qual poucos times ingleses são capazes. Se evitarem novas oscilações, Ki, Pablo, Michu e companhia são reais candidatos a uma vaga continental.

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sexta-feira, 30 de novembro de 2012 Curiosidades | 12:40

Spain United

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Arsenal e Swansea se enfrentam amanhã, pela 15ª rodada da Premier League. É possível que o confronto seja definido por um passe de Arteta, um lampejo de Cazorla, um cruzamento de Pablo Hernández, ou uma finalização precisa de Michu. Se Arsène Wenger e Michael Laudrup mantiverem as escalações da rodada anterior, serão seis espanhóis em campo. Além dos principais candidatos a decidir a partida, o Swansea deve ter o lateral-direito Rangel e o zagueiro Chico Flores.

Michu é um sucesso no Swansea, que foi buscá-lo no Rayo Vallecano

A invasão espanhola a ligas inglesas não se resume a Arsenal e Swansea. É um fenômeno bem consistente. De acordo com o Diário AS, além dos 33 na Premier League, há 16 espanhóis na Championship, a segunda divisão.

Equipes como o Brighton explicam por que a Inglaterra tende a importar tantos jogadores do país que virou modelo de futebol nas últimas temporadas. O treinador uruguaio Gus Poyet, meio-campista de Chelsea e Tottenham entre 1997 e 2004, é uma figura conhecida também na Espanha, sua porta de entrada para a Europa e onde defendeu o Zaragoza por sete anos. Como técnico, a predileção de Poyet por espanhóis é evidente: são cinco no elenco do Brighton, incluindo o ex-Valencia Vicente Rodríguez, bicampeão espanhol sob Rafa Benítez.

Benítez, aliás, é o pai da invasão espanhola. Apenas em seu primeiro ano no Liverpool, contratou Josemi, Nunez, Morientes, Luis García e Xabi Alonso. Os dois últimos foram bem; os três primeiros fracassaram. Outro técnico influente é Roberto Martínez, que espanholizou o Swansea, entre 2007 e 2009, e o Wigan, nas últimas três temporadas. Laudrup, que jogou e treinou na Espanha, retomou esse processo no clube galês.

O caso de Cazorla também chama atenção. O Málaga precisava vendê-lo, mas Santi não teria espaço no Real Madrid e no Barcelona. Então, apareceu uma oferta do Arsenal, o lugar perfeito para ele brilhar. Há ainda vários exemplos de jogadores que, muito jovens, trocam a Espanha pela Inglaterra por conta de boas propostas salariais e da expectativa de serem mais bem aproveitados do que nos clubes formadores. Somente da base do Barcelona, podemos lembrar Cesc Fàbregas, Fran Mérida, Oriol Romeu, Gerard Piqué, Rubén Rochina e Daniel Pacheco.

A seleção espanhola da Premier League é impressionante. A defesa não é brilhante, mas o meio-campo controlaria qualquer adversário. É possível imaginar uma escalação com Pepe Reina (Liverpool); Azpilicueta (Chelsea), Cuéllar (Sunderland), Chico (Swansea), José Enrique (Liverpool); Javi García (Man City), Arteta (Arsenal); Silva (Man City), Cazorla (Arsenal), Mata (Chelsea); Michu (Swansea). Até um time reserva é viável: De Gea (Man Utd); Rangel (Swansea), Ramis (Wigan), Romeu (Chelsea; foi zagueiro na base do Barcelona), Garrido (Norwich); Granero (QPR), Jordi Gómez (Wigan); Pablo (Swansea), Suso (Liverpool), Crusat (Wigan); Torres (Chelsea). Se disputasse a Premier League, do que esse elenco seria capaz?

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quarta-feira, 28 de novembro de 2012 Liverpool, Tottenham | 11:40

Estágios diferentes

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André Villas-Boas e Brendan Rodgers se conhecem há oito anos. Em 2004, José Mourinho assumiu o Chelsea e convidou a dupla para fazer parte de seu staff. Por escrever relatórios detalhados dos adversários, AVB representava “os olhos e ouvidos” de Mourinho, como o próprio manager definiu. Rodgers, o menos britânico dos técnicos britânicos, juntou-se às categorias de base. Ainda antes da passagem por Stamford Bridge, o norte-irlandês viajou pela Europa, aprendeu a língua espanhola e absorveu diferentes métodos sobre como treinar uma equipe.

Hoje, às 17h45 de Brasília, o Tottenham de Villas-Boas recebe o Liverpool de Rodgers. Em sua entrevista pré-jogo, AVB comentou a trajetória do antigo colega e elogiou seu trabalho em Anfield, ainda que o Liverpool esteja na 11ª posição, com 16 pontos. Há, sem dúvida, uma empatia entre os técnicos. A idade (AVB tem 35 anos; Rodgers, 39), a cruzada por um estilo de futebol menos britânico e a pressão que enfrentam em clubes ambiciosos os aproximam.

No entanto, há diferenças consideráveis entre as atuais condições de trabalho. Villas-Boas pode ser mais cobrado nesta temporada. Na sétima posição com 20 pontos, o Tottenham encerrou uma sequência de três derrotas na liga quando venceu o West Ham por 3 a 1 na última rodada. Era inevitável a sensação de que o emprego de AVB estava em xeque, embora este Tottenham ainda não tenha, por falta de peças, as características que o técnico português mais aprecia.

A saída de Modric, o fracasso da negociação com João Moutinho e ausência de um jogador como Hulk (ou mesmo Sturridge) impossibilitam o 4-3-3 com foco em posse de bola e pressão implacável sobre o adversário, como o que fez tanto sucesso há duas temporadas no Porto. Os Spurs foram montados no 4-2-3-1, com uma proposta de jogo muito mais direta.

A peça mais importante do meio-campo é o recém-contratado Dembele, que ainda está invicto no Tottenham e deve retornar ao time titular contra o Liverpool. Atacante transformado em meia central por Martin Jol no Fulham, o belga é onipresente em campo, ataca e defende com intensidade, mas não é exatamente um substituto direto para Modric. Este seria Moutinho. Mesmo assim, AVB tem Defoe marcando gols, Bale e Lennon correndo pelos flancos e Dempsey (que interessava ao Liverpool) como número 10. Não são o time e o estilo que ele planejava, porém os recursos estão lá.

Rodgers e AVB na temporada passada

Em Anfield, Rodgers busca soluções criativas para compensar o elenco curto. Com as lesões de Borini e Lucas (este volta em breve), não há disponíveis um “primeiro volante” e uma alternativa a Suárez. Allen tem sido o meio-campista mais recuado. Na Europa League, quando geralmente preserva o atacante uruguaio, Rodgers escalou Shelvey como falso centroavante. Até Joe Cole reapareceu.

As soluções táticas não param por aí. A carência de jogadores capazes de marcar gols transformou José Enrique em ponta esquerda. Rodgers identificou o lateral espanhol como uma possível fonte de gols e o empurrou para perto de Suárez nas últimas três rodadas. No empate contra o Swansea, o Liverpool teve uma escalação inusitada, com Enrique na ponta e Downing na lateral. Uma sacada (que, neste caso, fez sentido) de fazer inveja a Adílson Batista.

Rodgers está invicto há oito jogos na liga. Empatou cinco, é verdade, mas também tornou a equipe mais sólida e recuperou-se do início desastroso no que diz respeito a resultados. Por enquanto, a coragem para promover garotos e a perspicácia tática para superar a coleção de problemas definem o trabalho de Rodgers melhor do que a incômoda 11ª posição. Não à toa, o emprego dele parece mais seguro.

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segunda-feira, 26 de novembro de 2012 Premier League | 17:02

Números mentem

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Do ponto de vista matemático, o rendimento dos clubes que ocupam as últimas posições da Premier League não apresenta qualquer novidade em relação a outras temporadas. O Southampton, 17º colocado e primeiro time acima da zona de rebaixamento, ganhou 28% dos pontos que disputou. Em 2011-12, 37 pontos, ou 32,5% de aproveitamento, foram suficientes para garantir a permanência do Queens Park Rangers. A tabela passa a impressão de que escapar da queda é simples em 2012-13.

Apenas impressão. Quando acrescentamos aos números uma dose de contexto, fica evidente que não existem muitos candidatos à queda e, na perspectiva de quem tenta evitá-la, esta temporada é muito cruel. Em parte, porque Norwich e Wigan podem contrariar as previsões e afastar precocemente a possibilidade de rebaixamento, aumentando a relação candidato / vaga (na Premier League 2013-14).

Surpresa! Paul Lambert sofre mais sem o Norwich do que o Norwich sem Paul Lambert

Chris Hughton melhorou a defesa do Norwich de maneira inimaginável: nos sete primeiros jogos, a média de gols sofridos era de 2,43; nos últimos seis, caiu para 0,33. O empate por 1 a 1 com o Everton em Liverpool confirmou o grande momento defensivo e deu aos Canários uma vantagem de cinco pontos sobre a zona de rebaixamento. O Wigan abriu quatro ao derrotar o Reading com um improvável hat-trick de Jordi Gómez, que há duas semanas não era sequer titular de Roberto Martínez. Os Latics jogam com uma segurança inédita para esta fase da temporada e não devem ter problemas para conquistar 40 pontos.

Em péssima forma, o Newcastle está entre Norwich e Wigan na tabela, mas tende a subir quando Cabaye retornar, talvez ainda em 2012. Imediatamente abaixo do Wigan, aparece o Sunderland, que sofre de um inesperado bloqueio criativo e perdeu por 4 a 2 para o West Bromwich no sábado. Mesmo com o trabalho de Martin O’Neill em xeque, parece precipitado afirmar que uma equipe tão talentosa, de Adam Johnson, Seb Larsson e Sessegnon, corre algum risco.

Os realmente ameaçados são Reading, Aston Villa, Southampton e QPR. Quatro candidatos por (uma) vaga na Premier League 2013-14. O Reading venceu apenas uma vez, quando foi dominado pelo Everton em boa parte do confronto. O Villa ainda faz os jogos mais sonolentos do campeonato, como o empate por 0 a 0 com o Arsenal, no sábado. O cenário mais animador é o do Southampton, que ontem derrotou o Newcastle por 2 a 0, derrubou a média de gols sofridos e tem Lallana e Ramírez finalmente desequilibrando partidas.

No caso do QPR, é questionada até a hipótese de a equipe efetivamente lutar contra o rebaixamento, após quatro empates, nove derrotas e uma demissão. Harry Redknapp assume o QPR com um déficit de cinco pontos para o Reading, seis para o Aston Villa e sete para o Southampton. Nenhum deles é insuperável, mas a reação tem de ser imediata. Para repetir os 37 pontos da temporada passada, os Hoops precisam obter um aproveitamento de 44% até o fim da liga mais competitiva dos últimos anos.

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sábado, 24 de novembro de 2012 Stoke City, West Bromwich | 19:31

Missões ingratas

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Kompany tenta transpor o exército de defensores do Stoke

A primeira parte da 13ª rodada da Premier League ratificou a solidez do Stoke e a fase impressionante do West Bromwich. O blog trata de ambas:

Não é simples marcar um gol no Britannia Stadium
O Stoke tem campanha simétrica. Após vencer o Fulham por 1 a 0 em casa, o time de Tony Pulis está na 11ª posição e soma três vitórias, sete empates e três derrotas. O saldo é nulo: 11 gols marcados e 11 sofridos. A segurança da defesa, a segunda melhor do campeonato, compensa a habitual pobreza do ataque. Em seis partidas no Britannia Stadium, os Potters levaram um gol, marcado pelo Manchester City na quarta rodada.

Sempre foi difícil marcar em Stoke-on-Trent, mas Pulis de fato aprimorou o sistema defensivo em 2012-13. Geoff Cameron, zagueiro norte-americano que tem sido escalado nas laterais (contra o Fulham, à esquerda), torna a linha de defesa mais confiável e se consolida como uma das boas contratações do verão. A proteção aos zagueiros também melhorou, com três jogadores centrais no meio-campo: Whelan, Adam e, sobretudo, N’Zonzi, rebaixado com o Blackburn, mas brilhante no Stoke. Ademais, continuam lá o goleiro Begovic e o capitão Shawcross, que poderiam estar em qualquer clube da Premier League.

Derrotar o WBA, em qualquer lugar, também é tarefa ingrata
Provisoriamente na terceira posição, o West Bromwich abriu a rodada com uma vitória por 4 a 2 sobre o Sunderland no Stadium of Light, a quarta consecutiva no campeonato. Mesmo sem o lesionado Mulumbu, desfalque para lá de relevante, a equipe de Steve Clarke sempre passou a impressão de que venceria. O blog tem elogiado bastante o sistema defensivo e as atuações do volante argentino Yacob (que, sem Mulumbu a seu lado, foi mais exigido e não decepcionou), mas outro fator importante é a eficiência do ataque, letal em 2012-13. Por enquanto, são 23 gols marcados em 13 jogos.

Ao contrário (por exemplo) do Liverpool, que concentra seus gols em Luis Suárez, o WBA tem vários jogadores que podem marcar a qualquer momento. O atacante titular Long tem excelente movimentação sem a bola e aproveita boa parte das chances; Lukaku, seu reserva, está bem mais confiante do que em sua primeira temporada na Inglaterra; Odemwingie tem sido o meia direita no 4-2-3-1, mas sempre invade a área e finaliza bem; Gera e Morrison têm ótimo chute de média distância. Em Sunderland, marcaram Gera, Long, Lukaku e Fortuné. Tudo dá certo para o WBA.

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quinta-feira, 22 de novembro de 2012 Chelsea | 13:57

Benítez, interino

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Benítez derrubou Juventus, Chelsea e Milan na Champions League em 2005

Ainda que tenha assinado um contrato de 18 meses, como garante Tony Barrett (Times), Rafa Benítez foi oficialmente anunciado como “treinador interino” do Chelsea. Ou Roman Abramovich tentou expressar seu desejo de contar em breve com Pep Guardiola, ou finalmente admitiu que a interinidade é uma condição inerente a qualquer técnico dos Blues.

Afastado do futebol há dois anos, desde que foi dispensado pela Internazionale, o novo treinador enfrenta resistência dos torcedores. É impossível ignorar as várias batalhas contra o Liverpool, especialmente intensas entre 2005 e 2009, quando Benítez trabalhava em Anfield e encontrou o Chelsea dez vezes na Champions League. A desconfiança passa também pelo melancólico último ano do espanhol na Inglaterra e as contratações questionáveis enquanto manager do Liverpool.

Entretanto, ele é inegavelmente vencedor. Ninguém ganha por acaso duas ligas nacionais com o Valencia e uma Champions League com uma versão limitada do Liverpool. Benítez perdeu apenas dois dos 38 jogos da Premier League em 2008-09. Em seis anos de Anfield, Rafa virou ídolo dos torcedores porque tornou o time competitivo em qualquer cenário, como na semana em que venceu Real Madrid por 4 a 0 e Manchester United por 4 a 1, em março de 2009.

O Chelsea de Benítez deve ser mais consistente

Benítez faz radiografias de seus adversários, estuda-os detalhadamente antes de cada partida, característica que o torna tão eficiente em copas, sobretudo as europeias. O sistema do Chelsea não deve mudar, pois Rafa é um adepto convicto do 4-2-3-1. No entanto, a depender do oponente, a estratégia será diferente. É possível, por exemplo, que um dos armadores dê lugar a Ramires na linha dos meias, por conta do péssimo momento defensivo do Chelsea e da predileção do espanhol por equipes mais consistentes.

E Fernando Torres? Há quem interprete a aposta em Benítez como uma espécie de cartada final para que o centroavante se recupere. Até pela falta de alternativas confiáveis, é provável que Rafa dê nova chance a Torres, de quem ele extraiu o máximo durante sua passagem pelo Liverpool. Contudo, a crise do ex-artilheiro engloba vários aspectos: é física, técnica e de confiança. Assim, Benítez precisa incluir um atacante (além de um ou mais volantes para aprimorar o 4-2-3-1) em sua lista de compras para o mercado de janeiro.

Aliás, as futuras aventuras de Benítez no mercado realmente preocupam os torcedores. Mas, apesar dos inúmeros flops (N’Gog, Babel, Morientes, González, Keane, Aquilani e por aí vai), ele ainda é o técnico que contratou Skrtel, Agger, Mascherano, Alonso, Torres, Suso e Sterling. E também não sabemos até que ponto Abramovich lhe dará autonomia para tomar decisões estratégicas. De qualquer maneira, para aceitar ser chamado de “interino”, Rafa certamente estava muito determinado em retornar à Inglaterra. A rejeição da torcida, a excentricidade do proprietário, o vestiário e o passado tornam o desafio ingrato. Motivado, Benítez tem capacidade para enfrentá-lo.

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terça-feira, 20 de novembro de 2012 Chelsea | 22:22

Panetone ameaçado

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Ontem à noite, eu conversava com uma amiga no Twitter: “Di Matteo ganha o panetone?*”, ela me perguntou. Respondi que sim, sem tanta convicção. Hoje, minha resposta seria ainda menos convicta. A derrota incontestável para a Juventus em Turim deixa o Chelsea em apuros na Champions League. Além de superar o Nordsjaelland na última rodada, o atual campeão precisa de uma vitória do Shakhtar sobre a Juve para avançar às oitavas de final. Caso contrário, será o primeiro defensor de título eliminado na fase de grupos da Champions.

À beira do fracasso na Europa, o Chelsea falha também na Premier League. Sem vencer há quatro partidas, o time de Roberto Di Matteo caiu para a terceira posição. Na próxima rodada, quando o Manchester City visitar Stamford Bridge, repare como a transmissão deve cortar várias vezes para Di Matteo e, em seguida, Roman Abramovich, esparramado no camarote. Mas foi a derrota para a Juventus que expôs, em menos de duas horas, todos os problemas de uma temporada mal planejada.

RDM e sua expressão indecifrável

Di Matteo desistiu de Torres, inventou Hazard como centroavante e abriu o lateral Azpilicueta à direita, na linha de três meias. Para quem gastou £75 milhões no verão, é inacreditável que não haja sequer uma alternativa confiável a um atacante que não marca gols regularmente há mais de dois anos. Em Turim, o Chelsea contra-atacava, especialmente com Oscar, e não finalizava com precisão. Hazard e Mata tentaram, mas a bola parecia procurar os pés ausentes e agora chineses de Didier Drogba.

Outro erro imperdoável do mercado foi a negligência com a proteção à defesa. Mikel, Romeu, Lampard e Ramires (estes dois adaptados a funções mais defensivas) são os únicos “volantes” do elenco. Na temporada passada, Mikel funcionou enquanto a equipe era um exército de defensores, mas sofreu entre agosto e março, quando André Villas-Boas deixava o time mais exposto. Sem catenaccio, a defesa de Di Matteo é uma peneira em 2012-13: levou nove gols em cinco jogos na Champions. Não faltam torcedores saudosos de Claude Makelele.

Não há mais Drogba e Makelele, nem quem possa substituí-los. Entre o título da Champions e o anúncio de Di Matteo como treinador permanente do Chelsea, houve um intervalo de dois meses. É inevitável a impressão de que Abramovich conduziu o mercado do Chelsea a seu bel-prazer, simplesmente para tornar o time mais “agradável”. É por isso que ele não deveria, mas pode demitir Di Matteo. Você duvida?

*Expressão que indica a permanência de um treinador no cargo até o fim do ano

Atualização, às 9h10 de quarta-feira. Di Matteo foi demitido após a derrota para a Juventus. Até para Abramovich, cedo demais.

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domingo, 18 de novembro de 2012 Premier League | 22:05

Conclusões da rodada (XII)

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Veja aqui os resultados da 12ª rodada da Premier League (obviamente, ainda sem o West Ham x Stoke de amanhã). O blog repercute alguns pontos:

Ninguém contratou melhor do que o WBA. Após 12 rodadas, o West Bromwich tem incríveis 64% de aproveitamento e está na zona de classificação à Champions League. Ontem, vitória por 2 a 1 sobre o Chelsea e outra atuação segura no Hawthorns. À medida que Long e Odemwingie marcam gols, o time vence partidas, pois o sistema defensivo é sólido demais. Obra do recém-contratado técnico Steve Clarke, o melhor da temporada até agora. Entre jogadores, a grande captura de 2012-13 também é dos Baggies. Van Persie, Cazorla e Hazard têm sido ótimos, mas ninguém a ponto de superar o volante argentino Claudio Yacob, que estava no Racing de Avellaneda, foi contratado de graça e domina o meio-campo do WBA ao lado de Mulumbu.

Walcott e Giroud impulsionam o Arsenal. É evidente que a vitória por 5 a 2 sobre o Tottenham foi condicionada à expulsão de Adebayor, ainda no primeiro tempo. Mas também ficou claro que, quando Cazorla (que foi brilhante) não precisa fazer tudo sozinho, o Arsenal é um time bem mais perigoso no terço final do campo. Walcott, cujo contrato expira nesta temporada, fez bons jogos nas últimas semanas, recuperou seu lugar na equipe e foi fundamental no dérbi de ontem, com correria, gol e assistência. Assim como Giroud, que compensa a limitação técnica com um trogloditismo à Mario Gomez, baseado em imposição física e oportunismo. Por todas as competições, o ex-centroavante do Montpellier tem sete gols e cinco assistências. Não é, definitivamente, um novo Chamakh.

Chris Hughton acertou a mão no Norwich. Em casa, há sete rodadas, o Norwich levou 5 a 2 do Liverpool. Também no Carrow Road, num intervalo inferior a um mês, venceu Arsenal, Stoke e Manchester United, todos por 1 a 0. Nas últimas cinco rodadas, os Canários sofreram apenas um gol, contra 17 sofridos nas sete primeiras partidas. Chris Hughton acertou a defesa de modo notável e, não menos importante, resgatou ao time titular o irlandês Hoolahan, o melhor criador de jogadas do elenco e ideal para atuar atrás de Holt. Por isso o Norwich é 13º colocado, com 14 pontos.

Finalmente, Fletcher ganhou companhia

Alan Pardew perdeu a mão no Newcastle. A derrota por 2 a 1 para o Swansea foi a segunda consecutiva em St. James’ Park (na semana passada, 1 a 0 para o West Ham). Das referências de 2011-12, ninguém além de Demba Ba manteve o nível. Cabaye (lesionado, não jogou ontem) não é tão dominante, Papiss Cissé (também ausente) simplesmente não marca gols, e Ben Arfa perdeu parte da inspiração. Além disso, Anita, contratado para ser backup na defesa e no meio-campo, sempre entra e nunca vai bem. Pardew ainda não encontrou alternativas para resolver os problemas. Sorte dele é que, quando tudo funcionava muito bem, a diretoria estendeu seu contrato até 2020. Sim, 2020.

Adam Johnson e Sessegnon, fundamentais para o Sunderland. Steven Fletcher marcou novamente e chegou a seis dos dez gols do Sunderland na Premier League. No entanto, a vitória por 3 a 1 sobre o Fulham (que teve Hangeland expulso no primeiro tempo) em Craven Cottage mostrou que o time de Martin O’Neill pode ir além do centroavante escocês. Adam Johnson, que há uma semana marcou seu primeiro gol pelo novo clube, hoje deu duas assistências. Sessegnon, melhor jogador da equipe em 2011-12 e uma negação em 2012-13, ressurgiu das cinzas para decidir a partida com um golaço. Até ontem, o Sunderland mal finalizava e era uma das grandes decepções da temporada. Se Johnson e Sessegnon consolidarem a reação e ajudarem Fletcher, isso deve mudar.

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sexta-feira, 16 de novembro de 2012 QPR, Southampton | 10:53

Quem fica em pé?

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O site de apostas Sky Bet retrata precisamente a situação delicada de Mark Hughes e Nigel Adkins, comandantes de Queens Park Rangers e Southampton, 20º e 19º colocados da Premier League. Se você acertar que Mark Hughes será o próximo treinador a perder o cargo na primeira divisão inglesa, o Sky Bet lhe paga apenas £2 para cada libra apostada. No caso de Adkins, o retorno é de £2,75. Por ironia do destino, QPR e Southampton se encontram amanhã em Londres, na partida que pode determinar a primeira demissão de um técnico na temporada.

Possíveis formações de QPR e Southampton

A ameaça a Hughes parece mesmo maior. O QPR tinha expectativas superiores à mera permanência na Premier League, está abaixo até do Southampton na tabela, não venceu nenhum e perdeu sete de seus 11 jogos. O discurso do proprietário Tony Fernandes tem sido de apoio irrestrito ao técnico, mas, logo após a derrota do último sábado para o Stoke, ele deixou clara a obrigatoriedade de uma vitória sobre o Southampton. “Precisamos minimizar erros. Um erro determinou a derrota. Temos de aproveitar nossas chances (…) e vencer a próxima partida (…)”, afirmou via Twitter.

Fernandes é bastante elogiado pela postura racional com que dirige o clube. No entanto, o empreendedor malaio pode cruzar uma linha perigosa e bem estreita, que separa a paciência da inércia. Na temporada passada, por exemplo, os indianos do Blackburn foram passivos demais na condução da crise com o técnico Steve Kean, que definhava no comando do time, era sempre vaiado pelos torcedores e sobrevivia porque a diretoria aderiu à filosofia de Zeca Pagodinho. Até pelo exemplo negativo do Blackburn, que obviamente acabou rebaixado e viu Kean pedir demissão nas primeiras rodadas da segunda divisão, é possível que Fernandes não perdoe um empate em casa contra o Southampton.

Em relação a Adkins, Hughes perde ainda em outro aspecto: ele não tem qualquer relação com o progresso do QPR nos últimos anos. Sparky substituiu Neil Warnock na temporada passada para evitar o rebaixamento, meta atingida, mesmo depois de um produtivo mercado de inverno, com muito sacrifício. Adkins, por sua vez, faz parte de um grupo de treinadores que redimensionaram seus clubes (aí temos, entre outros, Paul Lambert no Norwich e Brendan Rodgers no Swansea). Ele teve o suporte de uma ótima administração, que realmente investiu no clube, mas foi fundamental para os dois acessos consecutivos e o retorno à Premier League após sete anos.

O Southampton não é uma equipe mal treinada, especialmente do ponto de vista ofensivo. Há quase dois meses, derrotou o Aston Villa por 4 a 1 com uma excelente atuação no segundo tempo. Falta competitividade pela ausência de defensores sólidos (culpa também de Adkins, que concentrou £20 milhões do orçamento para transferências em Ramírez e Rodriguez e contratou mal para a defesa). Na rodada passada, por exemplo, o zagueiro japonês Maya Yoshida simplesmente entregou a bola a Nathan Dyer, do Swansea, que empatou um jogo que o Southampton deveria ter vencido. Os Saints sofreram, em 11 rodadas, incríveis 29 gols, pelo menos nove a mais do que qualquer outra equipe.

Apesar da defesa frágil, uma eventual decisão de dispensar Adkins precisa ser muito bem analisada, especialmente porque não há uma verdade absoluta sobre os efeitos da demissão de um técnico ligado ao progresso recente do clube. O West Bromwich se beneficiou da troca de Roberto Di Matteo por Roy Hodgson, em 2011. Mas o Hull City cavou a própria cova quando, há dois anos, mandou embora Phil Brown, responsável pelo primeiro acesso à Premier League da história do clube.

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