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quinta-feira, 27 de janeiro de 2011 Fulham, Jogadores, Man Utd | 16:24

A década irrepreensível de van der Sar

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Recordista em exibições pela Seleção Holandesa, melhor goleiro da Europa aos 24 anos e, já na Juventus, condenado a abrir espaço a Gianluigi Buffon. Ainda jovem, aos 30 anos, Edwin van der Sar decidiu se juntar ao recém-promovido Fulham. Era um presente inesperado para a Premier League, pelas portas de um clube que estreava na elite remodelada, pós-1992.

O frio e esguio holandês, que chegou à Inglaterra em 2001, certamente é o grande goleiro da liga na última década. Desde 2005 no Manchester United, van der Sar, o primeiro a amenizar a saudade de Peter Schmeichel, vai deixar o futebol aos emblemáticos 40 anos. Até o fim da temporada, ainda deve jogar muito e tem ótima chance de levar seu quarto título inglês com os Red Devils.

A média de gols sofridos pelo Manchester United em 2010-11 não impressiona tanto. Foram 21 em 23 jogos na Premier League. Com van der Sar em Old Trafford, esse índice costuma passar muito longe de um gol por partida ao fim da temporada. A escrita é mantida, quase no limite. A melhor defesa do campeonato é a do Chelsea, com 19 gols. No balanço entre setores, os Red Devils são aparentemente mais fortes no ataque. O time tem 51 gols na liga, 19 de Berbatov.

O primeiro ato de uma década: quatro anos no Fulham, seis no Manchester United

No entanto, está claro que, números à parte, a diferença fundamental entre o conjunto de Ferguson e os adversários reside na defesa. Isso foi observado em momentos críticos da temporada. Por exemplo, quando o United não sofreu gols contra Tottenham (duas vezes), Manchester City e Arsenal. Dos quatro clean sheets, o mais marcante foi o de White Hart Lane, quando Rafael foi expulso a 20 minutos do fim. A manutenção da invencibilidade, naquele momento, acabou com a ilusão de que os Spurs brigavam pelo título e simbolizou como será difícil – para qualquer time – superar os Red Devils nesta temporada.

Se a defesa falha em ocasiões como a da última terça-feira, em Blackpool, é uma rocha quando o ataque não pode compensar esses equívocos. Isso não é, evidentemente, apenas sobre van der Sar. A dupla Vidic-Ferdinand é a melhor do mundo no setor, e as oportunidades concedidas aos adversários costumam ser limitadas. É aí que entra o holandês. Você pode dizer que ele falhou feio, por exemplo, no empate caseiro por 2 a 2 contra o West Bromwich, em outubro. Mas é difícil contestar alguns números relevantes de um goleiro que atuou em 21 das 23 partidas de liga do United na temporada.

O site do Manchester United publicou hoje um levantamento comparativo entre van der Sar e seus substitutos recentes, Tomasz Kuszczak, Ben Foster, hoje no Birmingham, e Ben Amos, emprestado ao Oldham. O estudo é feito em duas amplitudes: desde 2008-09 e limitado a esta temporada. Nos últimos dois anos e meio, van der Sar conseguiu 59 clean sheets em 103 jogos por todas as competições (índice de 57%), contra 22 em 53 partidas de seus substitutos (41%). Nesse tempo, o goleiro holandês sofreu 77 gols (0.74 por jogo) contra 48 (0.9 por partida) de Kuszczak, Foster e Amos combinados.

Em 2010-11, van der Sar também leva vantagem (desta vez, sobre Kuszczak e Amos) – veja mais detalhes no site do clube. Com um time que costuma controlar os jogos e uma defesa tão sólida, a participação do goleiro não é tão ampla como, por exemplo, a de Joe Hart na temporada passada, quando, no Birmingham, foi o melhor da posição. As chances de se destacar, de fazer a diferença, são reduzidas. E van der Sar ainda consegue. Por isso, não é cascata o fato de a aposentadoria ser motivada por questões familiares, e não físicas ou de desempenho.

Van der Sar, pronto para defender o pênalti de Anelka e comemorar sua segunda Champions

Sempre consistente, mas com alguns pontos ainda mais altos na carreira (como em 2008, ano de seu segundo título europeu), van der Sar deixará saudade. O debate agora gira em torno de seu substituto em Manchester: Kuszczak, Lindegaard, De Gea? Ainda é cedo para cravar. Certo é que, líder de uma das maiores defesas da história do clube, o goleiro de 1.97m encerra a carreira no lugar de onde vê o mundo: lá em cima.

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quarta-feira, 26 de janeiro de 2011 Chelsea, Curiosidades | 18:00

Excuse me

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Apesar dos comprometedores meses de novembro e dezembro (quatro vitórias em 12 jogos, por todas as competições), o habitualmente imediatista Roman Abramovich manteve Carlo Ancelotti como treinador do Chelsea. No entanto, em outro aspecto, Carletto foi educadamente removido de seu posto em Stamford Bridge. Na partida entre Chelsea e Arsenal pela FA Cup sub-18, na última quinta-feira, uma torcedora dos Gunners fez valer seu direito de ocupar o lugar estabelecido no ingresso:

Para Ancelotti, tudo terminou bem. Os Blues venceram por 2 a 1, com dois gols da revelação eslovaca Milan Lalkovic.

Dica do Rafael Almeida.

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Curiosidades, Fulham, Jogadores, Liverpool, Premier League | 14:00

O papel da sogra num casamento infeliz

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Boselli, Jovanovic, Ireland. Muitas contratações do mercado de verão fracassaram na primeira metade da temporada inglesa, mas o caso mais palpitante é o de Paul Konchesky, do Liverpool. No processo da transferência do Fulham para os Reds, o treinador Roy Hodgson, que também deixava o Craven Cottage em direção a Anfield, preferiu Konchesky ao mexicano Carlos Salcido, que, curiosamente, foi para o Fulham. Após bom começo, o ex-lateral do PSV teve uma quebra de forma por conta de lesão no tornozelo, mas está claro que os londrinos levaram vantagem.

Titular absoluto de Hodgson, Konchesky falhava demais, e quem caía pelo setor dele costumava fazer a festa. Lee Chung-Young, Lennon e tantos outros que o digam. Ofensivamente, também não produzia muito. No primeiro jogo após a compra do Liverpool pelo New England Sports Ventures, o dérbi contra o Everton, ele aprontou isto (preste atenção à reação da torcida do Everton):

Não, não foi um passe de trivela para Babel

Irritada com os constantes comentários de torcedores do Liverpool que criticavam o lateral após a derrota por 2 a 0 para o Stoke, a mãe dele, Carol Konchesky, resolveu desgastá-lo ainda mais com os fãs e extravasou em sua página no Facebook:

Carol disse que Paul não era o único que cometia erros e que os torcedores do Liverpool, a quem se refere como “escória”, deveriam parar de “viver do passado”. Foi tanta a repercussão na Inglaterra, que alguém criou um perfil para satirizar Carol Konchesky no Twitter, o @koncheskysmum, que diz morar “em qualquer lugar, menos Liverpool”.

Curiosamente, os comentários de Carol, já retirados do Facebook, vieram à tona justamente na semana que antecederia Liverpool x Fulham. Para a sorte de Paul, o jogo foi, assim como outros seis da 18ª rodada, adiado em função do mau tempo. Liverpool e Fulham jogam hoje, às 18h de Brasília. Konchesky, mesmo bem fisicamente, não deve atuar. Dalglish tem escalado Kelly na lateral direita e Johnson na esquerda e, eventualmente, deixa o ex-titular fora do banco, dando preferência a Fábio Aurélio.

A propósito, Konchesky retornou a Anfield após o episódio eclodir: contra o Wolverhampton, na derrota do Liverpool por 1 a 0. Fábio Aurélio entrou na vaga dele no segundo tempo. A substituição foi aplaudida.

De volta ao Facebook, Carol ainda escreveu que Paul “nunca deveria ter deixado o Fulham”. Nesse ponto, ela e os torcedores do Liverpool parecem concordar.

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terça-feira, 25 de janeiro de 2011 Brasileiros | 20:36

Uma tendência, um Brasil mais inglês

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Anderson e Lucas: personagens de mesma origem e da mesma tendência

Mano Menezes pode, embora não deva, escalar quatro ingleses no meio-campo que enfrenta a França, em Paris, daqui a 15 dias. Além de Gomes, goleiro do Tottenham, e Rafael, lateral-direito do Manchester United, Mano chamou Sandro, Lucas, Ramires e Anderson para o amistoso. Destas convocações, a do ex-colorado é a mais discutível. Afinal, a lesão de Huddlestone só lhe abriu espaço no banco do Tottenham. Quem joga, naturalmente, é o hondurenho Palacios. No entanto, quando o treinador da Seleção Brasileira convoca seis jogadores (quatro em apenas um setor) que atuam na Inglaterra, nada é mais importante.

Depois de o ex-atacante Mirandinha, no Newcastle entre 1987 e 1989, supostamente abrir as portas do futebol inglês para os brasileiros, os meias centrais – os nossos volantes – engordam (e muito) a lista de jogadores do país na Premier League. De 1992 para cá, 42 brasileiros passaram pela divisão de elite na Inglaterra, sendo 17 volantes. Edu Gaspar, por exemplo, chegou ao Arsenal em 2000, mas foi particularmente após a Copa de 2002 que muitos treinadores de clubes ingleses passaram a enxergar nos meio-campistas brasileiros, geralmente nos mais jovens, as características para se destacar na posição. É aquela história de marcar e sair para o jogo.

Os quatro convocados no setor seriam cinco se Mano tivesse chamado Denílson, que, ao contrário de Sandro, não pode ir a Londres-2012 por idade. O ex-capitão da seleção sub-20 já foi titular do Arsenal, mas, especialmente pela ascensão de Wilshere, hoje é apenas alternativa. Sandro, um ano mais jovem, ainda é o terceiro na escala para acompanhar Modric no meio-campo do Tottenham. Pelo correto clichê do tempo de adaptação ao futebol inglês e a forte concorrência, é natural.

Lucas, há três anos e meio no Liverpool, passou por isso. No começo, ele, Gerrard, Xabi Alonso, Mascherano e Sissoko postulavam duas vagas – à época, Benítez preferia o 4-4-2. Até pouco tempo atrás, Lucas ainda tinha problemas com jogos mais físicos e de marcação mais apertada. Agora, com mais responsabilidades defensivas, achou-se e é peça importante. Vale ressaltar que ele segurou a onda e não se acovardou diante de duras e justas críticas. Mesmo o mais talentoso Anderson, recuado por Ferguson no Manchester United, demorou para pegar no tranco. Se sobreviveu a um forte desentendimento com o treinador escocês, foi porque, aos 22 anos, ainda é extremamente promissor.

No entanto, aquele que tem mais potencial para se dar bem na Inglaterra é Ramires. Rápido, dinâmico e habilidoso, o fluminense de Barra do Piraí parece ser o mais completo, de Edu, passando por Gilberto Silva, até Anderson. O gol dele contra o Bolton, o primeiro pelo Chelsea, não foi tão festejado (foto AFP) à toa. Todos ali sabem que o brasileiro é especial. Ramires oscilou demais nos primeiros jogos e ainda não é titular, mas são poucos os que não apostam nele.

Ao deixar o Benfica, o ex-cruzeirense foi corajoso. Escolheu a camisa 7 do Chelsea, que foi recentemente de Bogarde, Mutu, Maniche e Shevchenko. Todos decepcionaram muito em Stamford Bridge, e o número virou uma espécie de maldição. Mas a camisa não faz o jogador. É o jogador quem deve fazer a camisa. Tarefa plenamente alcançável para Ramires, já bem melhor no Chelsea e titular absoluto na Seleção Brasileira mais inglesa de todos os tempos.

Agora há pouco, dois jogos atrasados da Premier League. O Manchester United esteve a ponto de perder a invencibilidade para o Blackpool, em Bloomfield Road. O primeiro tempo de Charlie Adam, pretendido pelo Liverpool, impulsionou os 2 a 0 dos Tangerines. Mas o segundo tempo de Berbatov, on fire, e do ainda fundamental Giggs, que entrou no intervalo, deixaram os Red Devils cinco pontos à frente do Arsenal. A nota triste do jogo foi a lesão de Rafael, que põe em xeque sua presença no amistoso contra a França. Fora de casa, o novo Aston Villa superou o Wigan por 2 a 1 e abriu seis pontos para a zona de rebaixamento. Na Copa da Liga, o Arsenal venceu o Ipswich por 3 a 0 e fará a final contra o vencedor entre Birmingham e West Ham, que se enfrentam amanhã.

No mercado de transferências, Adebayor se junta ao Real Madrid por empréstimo até o fim da temporada. Se o Manchester City conseguir os estipulados 15 milhões de euros após a experiência, sairá bem dessa história. No Chelsea, um bom sinal. A pesada proposta de £52 milhões por Godín e Agüero foi rejeitada pelo Atlético de Madrid, mas manifesta o desejo de Abramovich de auxiliar Ancelotti na tarefa de melhorar um elenco ainda incapaz de fazer um banco forte. Do Liverpool, Babel foi de fato para o Hoffenheim. Os Reds não recuperam o investimento, mas arrecadam fundos para futuros reforços e perdem um jogador que ainda poderia dar certo, mas que gastou muito a paciência de todo mundo em Anfield.

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segunda-feira, 24 de janeiro de 2011 Premier League | 20:20

Recap – Rodada 24

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Redknapp, num banco de Old Trafford: 10 pontos separam United e Tottenham

Antes de Bolton x Chelsea, o minuto de absoluto silêncio no Reebok Stadium, em homenagem ao ex-atacante Nat Lofthouse (falecido há nove dias), marcou o encerramento da jornada da Premier League, agora há pouco. Nat só jogou pelos Trotters (entre 1946 e 1960, 255 gols) e tem uma das melhores médias goleadoras pela Inglaterra: 30 gols em 33 jogos.

A torcida do Bolton fez barulho por um tempo, mas o silêncio voltou à cena depois de o Chelsea, sem Lampard, controlar o jogo e abrir vantagem com Drogba, Malouda e Anelka, como nos nem tão velhos tempos. Vale a menção também ao ascendente Ramires, que fechou os 4 a 0 e teve o gol muito festejado. Até pela má fase dos atacantes, o Bolton perdeu força. Já o Chelsea, a sete pontos da liderança, ainda pode falar em título.

A 24ª rodada da Premier League – 24º jogo para cinco privilegiados – foi mais uma demonstração de força do líder Manchester United, que goleou pela segunda vez na temporada, com o terceiro hat-trick de Berbatov em 2010-11. Passemos, rapidamente, pelos confrontos:

Wolverhampton 0 x 3 Liverpool. Defesa segura e combinação entre Meireles e Torres garantiram o troco dos Reds sobre os Wolves. Detalhe para o primeiro clean sheet do Liverpool após sete jogos domésticos.

Arsenal 3 x 0 Wigan. Van Persie perdeu um pênalti, mas saiu do Emirates com um hat-trick. Foi a confirmação de que os Gunners voltam a ter um atacante eficiente para retomar de vez o posto de anti-United.

Blackpool 1 x 2 Sunderland. No primeiro jogo sem Bent, os Black Cats, que ficam também sem Welbeck até março, contaram com uma assistência do isolado Gyan e dois gols de Richardson para abrir vantagem no ótimo sexto lugar.

Everton 2 x 2 West Ham. A vida sem Cahill, na Copa da Ásia, segue complicada para David Moyes, que se vira e roda com Anichebe, Saha e Beckford. A propósito, Bilyaletdinov e Fellaini asseguraram o difícil empate em casa.

Fulham 2 x 0 Stoke City. Os dois gols de Dempsey frustraram a estreia de John Carew pelos Potters e deram a Mark Hughes a alegria de não empatar pela 12ª vez em 23 jogos.

Manchester United 5 x 0 Birmingham. O time de Alex McLeish, muito menos definido do que na temporada passada, não resistiu à avalanche do United, quase perfeito em casa e com a liderança muito segura.

Newcastle 1 x 1 Tottenham. Na estreia de Pienaar, o Tottenham abandonou de vez a corrida pelo título. Hora de mobilizar esforços pelo quarto lugar e preparar o time para explorar os falhos laterais do Milan na Champions.

Aston Villa 1 x 0 Manchester City. O City pressionou muito, mas Friedel precisou apenas de duas defesas para assegurar o clean sheet. Bom para o novo Villa, estranho para quem tem Tévez e Dzeko.

Blackburn 2 x 0 West Bromwich. Paul Robinson teve de jogar muito contra o WBA, mas é inegável que os Rovers de Steve Kean já ofuscam o que Big Sam fez no Ewood Park. O que não anula o erro dos proprietários indianos na demissão de Allardyce.

Seleção da rodada: Robinson (Blackburn); O’Shea (Man Utd), Collins (Villa), Hangeland (Fulham), Clark (Villa); Meireles (Liverpool), Fellaini (Everton), Richardson (Sunderland), Giggs (Man Utd); Van Persie (Arsenal), Berbatov (Man Utd).

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Aston Villa, Liverpool, Premier League | 14:50

Dalglish e Bent ao resgate

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Olá, amigos. Com muita satisfação, inicio um novo trabalho no iG, grupo que há vários anos assume a responsabilidade de acompanhar os esportes de perto e em duas vertentes: informando e trazendo discussões à tona. A partir de hoje, esta página será frequentemente atualizada com análises e curiosidades envolvendo as disputas, os clubes e os personagens que, de alguma forma, contribuem à construção do cotidiano do futebol inglês. Espero fazer jus à importância do espaço, tão bem conduzido pelo Rogério Andrade nos últimos anos.

Para iniciar, vamos repercutir os primeiros indícios de que Liverpool e Aston Villa devem passar longe da corrida contra o rebaixamento da Premier League.

Em Anfield, o espírito do treinador Kenny Dalglish é adequado às necessidades do time. “Sinto-me privilegiado por ter sido convidado. Se eu puder ajudar o Liverpool em uma fração do quanto este clube ajudou a mim e à minha família, ficarei satisfeito”, disse o escocês, antes do recomeço, há duas semanas. Dalglish é o maior jogador da história dos Reds e, quando chegou ao Merseyside, em 1977, já era um dos grandes do Celtic em todos os tempos.

Kenny Dalglish e Alex Ferguson: velhos conhecidos

Como treinador, Kenny conquistou os três últimos campeonatos nacionais do Liverpool e, em 1995, desbancou o United de Ferguson com o Blackburn de Sutton e Shearer. Por ora, nada disso pode lhe tirar o estigma de treinador ultrapassado, que não exercia a função há 11 anos. Mas abre espaço para, em contraste com a humildade e o entusiasmo característicos diante dos microfones, agir firmemente e fazer as mudanças necessárias. Sim, o Liverpool que perdeu para o Blackpool e empatou com o Everton já era o time de Dalglish. Assim como o que passou por cima do Wolverhampton (para quem perdeu em Anfield, com Hodgson), no Molineux, após 13 dias de trabalho.

Sem Gerrard, os reparos foram providenciais. Konchesky era um desastre, e Raul Meireles, subutilizado como volante defensivo. Dalglish promoveu o ótimo jovem lateral-direito Martin Kelly, deslocou Glen Johnson à esquerda e adiantou Meireles para aproveitar sua precisão nas assistências e em finalizações longas. A defesa, ainda que sujeita a velhos lapsos, está mais segura, e o português, o grande jogador dos Reds na semana passada, impulsionou também a melhora de Torres. Com 29 pontos e na 11ª posição, o Liverpool ainda parece precisar dos três reforços especulados (Warnock, Adam e Suárez) para brigar por Europa, mas o rebaixamento deve ser descartado em breve.

Com O'Neill, Bent teria sido a diferença entre Liga Europa e Champions

A situação do Aston Villa, com quatro pontos a menos, não é tão simples. No entanto, após o esforço financeiro por Darren Bent (que pode chegar a £24 milhões), Houllier ganha opções e o melhor atacante do clube desde Dwight Yorke. Se mantiver a formação ofensiva que batalhou muito para vencer o Manchester City no sábado, o treinador francês montará um time ainda mais rápido que o de Martin O’Neill na temporada passada. Quando Downing chegou a Birmingham, O’Neill deslocou Milner à meia central, ao lado de Petrov, e abriu Ashley Young e o próprio Downing. Contra o City, Downing foi quem jogou com Petrov, enquanto Albrighton e Agbonlahor foram os wingers. Com Young livre para atacar e Bent na área, saiu o gol da primeira grande vitória de Houllier no Villa Park.

A defesa, longe daquela que foi a melhor da liga por algum tempo em 2009-10 (antes de sucumbir em Stamford Bridge), e o elenco curto, sobretudo na meia central, são entraves significativos a uma eventual grande reação. Por enquanto, o objetivo mais realista é abrir vantagem para a zona de rebaixamento. Mas, com Bent e muita velocidade, Houllier pode dormir mais tranquilo, sem a necessidade de, toda semana, jogar a garotada ao fogo.

Volto mais tarde.

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