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segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013 Arsenal, Copas Europeias | 13:52

Arsenal x Bayern

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Arsène Wenger acredita. Afirmou em entrevista coletiva que confia “na qualidade, no espírito e na força mental” do Arsenal para o confronto da Champions League contra o Bayern Munique, que começa amanhã no Emirates. É difícil falar em espírito e força mental dois dias após perder em Londres para o Blackburn e ser eliminado da FA Cup, tratada como a maior chance de conquistar um troféu que não vem há quase oito anos. Mas Wenger insiste: “vivemos numa democracia de experts e opiniões, e há vários experts que não estão exatamente certos”.

Para silenciar os experts, o Arsenal precisa fazer frente ao melhor Bayern dos últimos anos. Os números domésticos do time que Jupp Heynckes entregará a Pep Guardiola são incríveis. O aproveitamento na Bundesliga é de 86%. O saldo é de 50 gols – 57 marcados e sete sofridos. Como visitantes, os bávaros foram vazados apenas uma vez, pelo Nuremberg, em novembro de 2012.

O Bayern que perdeu o título europeu para o Chelsea ainda não tinha Dante, Javi Martínez e Mandzukic, reforços do mercado de verão. Eles se distribuíram por três dos quatro setores do 4-2-3-1 de Heynckes: o brasileiro oferece mais segurança à defesa, o espanhol garante estabilidade e saída de bola qualificada, e o croata aproveitou a lesão de Gómez para assumir o posto de centroavante titular. O outro setor, dos meias, teve a consolidação do excelente Kroos e a recuperação de Müller, que não fazia uma grande temporada desde a Copa do Mundo de 2010.

Possíveis escalações. Arsenal pode ter Ramsey para proteger o lado direito. Batalha do meio-campo, com Arteta-Wilshere-Cazorla x Martínez-Schweinsteiger-Kroos, promete.

Além do adversário em ótima fase e da lembrança da derrota para o Blackburn, o Arsenal tem de lidar com um problema sério em seu lado esquerdo. Gibbs está lesionado, André Santos foi emprestado ao Grêmio (o que restringe as opções, mas não é necessariamente ruim), e o recém-contratado Monreal não pode atuar porque já defendeu o Málaga na Champions. Wenger deve ser obrigado a deslocar Vermaelen à posição. Não é o melhor cenário, pois indica que Mertesacker será titular e um lateral improvisado ficará exposto a Müller (ou Robben) e dependerá demais da ajuda de Podolski no combate a Lahm.

Mas nem tudo é tragédia. Com cuidado no passe e velocidade, o Arsenal pode explorar a confiança do Bayern. Se o time alemão adiantar suas linhas e pressionar, haverá Wilshere, Cazorla e Walcott para responder em contra-ataques. Aliás, especula-se que Wenger abrirá mão de Giroud para priorizar a velocidade e a movimentação (provavelmente com Walcott adiantado) em detrimento de uma referência na área. Seria uma mensagem clara de como ele pretende abordar o jogo.

Pela situação das equipes, o confronto lembra muito o de dois anos atrás, quando o Arsenal enfrentou o Barcelona, também nas oitavas de final da Champions. Os catalães avançaram, mas perderam a primeira partida por 2 a 1, no Emirates. Jack Wilshere foi o grande jogador daquela noite. É nele que o Arsenal deve apostar de novo.

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segunda-feira, 31 de dezembro de 2012 Arsenal | 16:12

Assina, Walcott

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Ao menos no discurso, a resistência de Theo Walcott em assinar um novo contrato com o Arsenal não envolve questões financeiras. Ele está farto de atuar como ponta direita no 4-2-3-1 de Arsène Wenger e quer a garantia de que poderá ficar mais perto do gol. “Fui contratado (aos 16 anos) como atacante e pretendo jogar à frente dos meias”, diz. No sábado, ao marcar três gols contra o Newcastle, Walcott ganhou um argumento para colocar sobre a mesa durante as negociações.

Wenger não pretende perder Walcott justamente após a melhor temporada dele

Por outro lado, a atuação de sábado não indica que Walcott seja necessariamente “o novo Thierry Henry”, como Wenger sugeriu há três dias. Theo jogou 74 minutos como centroavante, marcou um gol em contra-ataque, outro ao aproveitar uma sobra na área e perdeu algumas boas chances. Nos 16 minutos finais, quando a entrada de Giroud o obrigou a retornar à meia direita do 4-2-3-1, Walcott ofereceu dois gols ao centroavante francês e marcou seu terceiro. Todos os lances com a assinatura de um autêntico winger, partindo da ponta.

Os apoiadores da campanha de Walcott podem apontar a evolução dele como finalizador: marcou 14 gols em 2012-13, mais do que em qualquer outra temporada completa. Quando um jogador tem virtudes ofensivas raras para sua posição, sempre alguém sugere uma mudança de função, o que não é obrigatoriamente uma boa ideia. Por exemplo, o fato de Cristiano Ronaldo ser um dos grandes finalizadores das últimas décadas não o transforma num centroavante. Paulo Bento sabe que ele precisa jogar de frente para o gol e escala Hélder Postiga (veja bem) na seleção portuguesa.

O debate se estende a defensores. Laterais que apoiam bem devem ser convertidos em pontas? Não há uma reposta certa. Glen Johnson é um ótimo lateral quando carrega a bola e surpreende sistemas defensivos, mas não um bom winger. Se ainda fosse lateral, Gareth Bale seria muito subutilizado no Tottenham, pois ele é uma ameaça consistente aos marcadores adversários, sem precisar aparecer como surpresa. Alan Pardew, do Newcastle, deve enfrentar esse dilema com o lateral-direito francês Mathieu Debuchy, praticamente certo para a janela de janeiro.

No caso de David Luiz, a transformação em meio-campista pode ser interessante, ainda que tenha sido motivada mais pela carência de volantes no elenco do Chelsea do que por qualquer outro fator. As virtudes do zagueiro David (antecipação, saída de bola qualificada, ótimos lançamentos etc.) seguem válidas, e o tão criticado posicionamento deixa de ser um problema.

Retomando o debate principal, a impressão ainda é de que Walcott tem mais credenciais de winger do que de centroavante, especialmente quando observamos o excelente link entre ele e Giroud nos minutos finais de Arsenal 7 x 3 Newcastle. A tendência é que Wenger trate a hipótese de utilizá-lo à frente como uma alternativa, não como uma solução definitiva. Resta saber se isso e as políticas comparações com Henry serão suficientes para convencê-lo a prorrogar o contrato, que termina já nesta temporada.

*Grande 2013 aos amigos!

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sexta-feira, 14 de dezembro de 2012 Arsenal | 16:49

Há discussão

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O Bradford City, quarto colocado da quarta divisão inglesa, eliminou o Arsenal da Copa da Liga e reacendeu o debate sobre o futuro de Arsène Wenger. Na verdade, a queda na Capital One Cup é apenas outro pretexto para avaliar o trabalho e questionar se vale a pena insistir nele. Sem troféus há quase oito anos, Wenger se defende com o argumento de que a vaga na Champions League, objetivo que ele sempre alcançou em 15 temporadas completas no Arsenal, “é como um título”.

Hora da despedida? A discussão nunca havia sido tão válida. Nem na temporada passada

Wenger é um técnico brilhante, que mudou a história do clube através do estilo, e um manager que oferece estabilidade financeira. Mas a crença ou mesmo a ambição de que pode conquistar títulos importantes, ele aparentemente perdeu. A última manifestação de resistência do treinador foi a determinação em manter Fàbregas, assediado pelo Barcelona e pelo discurso apelativo de Xavi (“ele está sofrendo na Inglaterra”) desde que se tornou capitão do Arsenal. Em 2011, ele desistiu. No mesmo mercado, vendeu Nasri e Clichy ao Manchester City e, no ano seguinte, Song ao Barcelona e van Persie ao Manchester United.

A tentativa de reconstrução em 2012-13 foi interessante, com as contratações de Podolski, Cazorla e Giroud. No entanto, a lesão de Diaby (que, aliás, passa mais tempo no DM do que à disposição), fundamental para substituir Song e oferecer energia ao meio-campo, interrompeu uma sequência de atuações satisfatórias no início da campanha, especialmente contra Liverpool e Manchester City. A defesa, que tinha evoluído com os treinamentos específicos do auxiliar Steve Bould, voltou a falhar.

Além dos problemas técnicos, o Arsenal parece viver uma crise de confiança. Ninguém mais trata os Gunners como o “time do futuro”. A perspectiva, ao contrário, é de estagnação (ou, para quem vê o copo meio cheio, de estabilidade). Até a linguagem corporal dos atletas revela desânimo em certas situações de jogo. Pela primeira vez em 16 anos de Wenger, é impossível imaginar o Arsenal evoluindo naturalmente, ou seja, o clube precisa de um fato novo para sair da inércia.

Mal comparando, Wenger virou o Jerry Sloan (comandante do Utah Jazz, da NBA, de 1988 a 2011) da Premier League. Sloan criou no Jazz um estilo agradável de basquete e levou dois títulos da Conferência Oeste enquanto tinha John Stockton e Karl Malone. Mas, em algum momento, a estabilidade decorrente da longevidade se transformou em campanhas apenas regulares, inércia, desavença com o craque da franquia (Deron Williams) e no pedido de demissão dele.

Ao menos para manter o status de Champions League, o Arsenal precisa tirar dois pontos de diferença e saltar da sétima à quarta posição. Antes de maio, é improvável que qualquer decisão drástica seja tomada pela diretoria. Wenger é grande demais na história do clube para sair no meio da temporada. Mas o contrato, que expira em 2014, não deve ser automaticamente renovado e pode até ser rompido no próximo verão. Há muito a ponderar.

Guardiola
Bayern, Milan, Manchester United, Manchester City, Chelsea? Não. De acordo com o Goal.com, Pep Guardiola prefere assumir o Arsenal após seu ano sabático. Sem dúvida, é bem mais simples decidir encerrar o ciclo de Wenger quando o melhor treinador dos últimos anos quer trabalhar para você. Guardiola é quase unanimidade como técnico, mas não poderia repetir tantos equívocos no mercado. Nada de Keirrison, Henrique, Hleb, Cáceres, Chygrynskiy ou investimento descomunal em Ibrahimovic.

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sexta-feira, 17 de agosto de 2012 Arsenal, Chelsea, Man City, Man Utd | 13:41

Guia da temporada (parte 5)

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Arsenal, Chelsea, Manchester City e Manchester United fecham o guia da temporada:

Santi Cazorla, substituto tardio de Cesc Fàbregas

Arsenal. A venda de Robin van Persie ao Manchester United revolta, porém não mata o Arsenal. Não fosse a saída do holandês, o mercado de Arsène Wenger estaria perfeito, com as ótimas contratações de Giroud, Podolski e Santi Cazorla. Há certa desconfiança sobre os dois primeiros, mas, se eles reproduzirem no Emirates Stadium o que fizeram por Montpellier e Köln, Wenger não precisa se preocupar com o ataque. O criativo Cazorla, um ás das bolas paradas, foi simplesmente uma das grandes contratações europeias de 2011-12 – basta ver o que ele acrescentou ao Málaga e como o Villarreal desmoronou após a transferência. Para realmente progredir em relação à temporada passada, o Arsenal ainda tem de garantir a permanência de Song (ou encontrar um substituto à altura) e a recuperação física de Wilshere. Na defesa, seria interessante buscar peças de reposição. Previsão para a temporada: 4ª.

Chelsea. Com as contratações de Hazard, Oscar e Marin, o Chelsea congestionou seu grupo de meias ofensivos e criou um impasse para Roberto Di Matteo, que – esqueçamos – não deve abrir mão de Ramires aberto pela direita. Ao menos, ninguém vai reclamar de falta de criatividade, um dos grandes defeitos da equipe na temporada passada. Em outros setores, o elenco ainda tem carências, especialmente de um volante defensivo (Mikel terminou 2011-12 bem, mas não é exatamente unanimidade), um lateral-direito e um atacante para manter Fernando Torres acordado mesmo após a saída definitiva de Drogba e o empréstimo de Lukaku. O título europeu tira algumas toneladas das costas de Roman Abramovich, porém não resolve todos os problemas do Chelsea. Previsão para a temporada: 3º.

Manchester City. O desafio dos atuais campeões não é simples. O único clube além do Manchester United a conquistar um bicampeonato consecutivo na era Premier League foi o Chelsea de José Mourinho, em 2005 e 2006. Para se unir a esse grupo, o Manchester City aposta na manutenção da base e na boa vontade de Tevez, que deve reeditar com Agüero a parceria da reta final da temporada passada, determinante para o título inglês. Com a chegada de Rodwell, o elenco oferece a Roberto Mancini ótimos titulares e bons reservas em todos os setores. Para superar um Manchester United ferido e fortalecido em relação a 2011-12, o City precisa da evolução de Nasri, que pode fazer mais no segundo ano em Eastlands, e da regularidade de Silva, que oscilou demais entre janeiro e abril, não à toa a fase mais crítica da última campanha. Previsão para a temporada: 2º.

Manchester United. O United recuperou Vidic e ganhou Kagawa e van Persie. Ninguém questiona a melhora da equipe, porém inegavelmente existe incerteza sobre como ela será escalada. Rooney e van Persie vão formar uma das melhores parcerias de ataque do mundo, mas onde entra Kagawa? No clássico e rígido sistema de Ferguson, o japonês seria naturalmente o atacante com mais liberdade para circular, mas a contratação de van Persie deve obrigá-lo a ganhar a vida no meio-campo – talvez aberto por um dos flancos, talvez adaptado à meia central. Isso depende também do tamanho da responsabilidade que Ferguson pretende atribuir a Scholes, Giggs e Cleverley nesta temporada, uma vez que os três são possíveis parceiros de Carrick. Embora haja várias dúvidas importantes, é certo que o United vai batalhar muito para resgatar o título. Previsão para a temporada: 1º.

Fantasy
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segunda-feira, 23 de julho de 2012 Arsenal, Man City, Man Utd | 16:44

Quanto vale van Persie?

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A trágica Euro da Holanda não desvalorizou van Persie

Alex Ferguson enfim admitiu que o Manchester United está interessado em Lucas, mas negou que já tenha chegado a um acordo com o São Paulo para a transferência do brasileiro de 19 anos. Há três dias, o técnico escocês revelou também que tentou, ainda sem sucesso, contratar Robin van Persie. O Arsenal exige ao menos £30 milhões, quatro a mais do que o clube pode pagar pelo reserva de Hulk na seleção olímpica.

Considerando que uma contratação exclui a outra, não há dúvida de que o investimento no holandês é melhor. Mesmo que Lucas seja aposta válida para o futuro (não por £26 milhões), Ferguson não deve dispensar a chance de enfim ter o sucessor de Ruud van Nistelrooy, alguém que ele procurou e não encontrou em Dimitar Berbatov. Longe de problemas físicos há quase dois anos, van Persie representa retorno imediato e, ao lado de Wayne Rooney, seria a chave para desafiar o Manchester City, prioridade do United para 2012-13.

Além do United, existe o interesse justamente do Manchester City, que pode fazer sentido à medida que a única certeza do ataque para a próxima temporada é Sergio Agüero. A concorrência e a perspectiva de vê-lo no principal adversário tornam van Persie mais desejado e, portanto, mais caro, mesmo a um ano do fim de um contrato que, como o próprio jogador divulgou, não será renovado.

Apesar do risco de perdê-lo em 2013 sem compensação financeira, o Arsenal está certo em pedir £30 milhões por van Persie. Há uma temporada, o Manchester City pagou £25 milhões por Samir Nasri, também com contrato expirante. Embora seja quatro anos mais novo, Nasri não tinha sequer metade da relevância do holandês, que marcou 37 gols e distribuiu 15 assistências em 2011-12. Na Premier League, o capitão participou de 58% (43 de 74) dos gols do Arsenal. Não é pouca coisa.

Talvez haja uma hipótese de van Persie ser liberado por uma proposta menor: a Juventus. Farto de perder seus talentos para o mercado interno, Wenger pode explorar o interesse da campeã italiana para não reforçar nenhum de seus rivais domésticos. No entanto, a aposta que se fazia há uma semana, de que £15 milhões seriam suficientes para tirá-lo do Emirates, não parece certa.

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sexta-feira, 6 de julho de 2012 Arsenal | 11:14

Clube do futuro

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Dos últimos quatro capitães do Arsenal, três eram as principais referências técnicas do elenco. Thierry Henry, líder entre 2005 e 2007, e Cesc Fàbregas, de 2008 a 2011, foram vendidos ao Barcelona e obrigaram Arsène Wenger a reconstruir o time em torno de outras peças. Depois de apenas um ano como capitão, Robin van Persie também vai embora. Autor de 37 gols na temporada passada, o holandês anunciou esta semana que não renovará seu contrato, válido até 2013.

Van Persie é o mais recente personagem de um ciclo irritante para os torcedores: a antiga estrela é vendida, uma nova estrela emerge e pede para sair. Em comunicado oficial aos Gunners, o capitão afirma que não estenderá sua carreira no Arsenal devido a “divergências sobre a forma como o clube deve seguir em frente”. Basicamente, o teor da carta é semelhante ao discurso de Samir Nasri e Gael Clichy, que deixaram o Emirates há quase um ano: não fico porque quero disputar títulos.

Adeus, capitães

A insatisfação extrapola o elenco. Acionista do clube, o uzbeque Alisher Usmanov também escreveu uma carta na qual critica o modelo vigente no Arsenal. “Como consequência desta política, que é vendida como um planejamento financeiro prudente e de responsabilidade do treinador, a dívida do estádio (Emirates, inaugurado em 2006) é paga pela venda dos melhores jogadores, que são substituídos por opções mais baratas. Tudo isso, naturalmente, atrapalha o desempenho em campo”, esbravejou.

Fica claro que as palavras de Usmanov são, de certa forma, uma reação ao comunicado de van Persie. A saída do holandês, que pode acontecer agora por uma venda ou daqui a um ano via Lei de Bosman, tem mais significado simbólico do que técnico. Com novas opções ofensivas em Lukas Podolski e Olivier Giroud e o retorno de Jack Wilshere, Wenger vai reconstruir o Arsenal novamente e até flertar com as primeiras posições. O problema é que não dá mais para comprar o projeto de uma equipe vencedora em médio prazo.

Se você forma, desenvolve jogadores e eles necessariamente saem quando atingem alto nível, não há time do futuro, mas estagnação. O Arsenal tem uma das finanças mais saudáveis do mundo, com sucessivos lucros que contrastam com sistemáticos prejuízos dos principais rivais de Premier League (observe a impressionante lista dos balanços financeiros de 2009-10). A questão é que a empresa, muito bem administrada, não é capaz de manter o ritmo que o time imprimiu no início dos anos 2000, especialmente por conta da insana concorrência imposta por outros proprietários endinheirados.

Mesmo o fair-play financeiro da UEFA pode não ser suficiente para mudar o quadro na Inglaterra, pois ele oferece brechas a clubes mais gastadores, como a possibilidade de os donos “absorverem” parte dos prejuízos, exclusão de salários de jogadores contratados antes de junho de 2010 e abatimento a partir de despesas com categorias de base.

O legado de Arsène Wenger para seu sucessor será muito mais a estabilidade do que um elenco excepcional. Isso porque, ao contrário do que ele planejava, a equipe de hoje não tem nada a ver com a de três anos atrás, quando jogavam Almunia; Sagna, Touré, Gallas, Clichy; Song, Denílson; Nasri, Fàbregas, van Persie; Adebayor. Se van Persie sair agora, sobram dois titulares. Como é prudente e não mantém suas estrelas, o Arsenal deixou de ser o time do futuro para ser apenas o clube do futuro.

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quinta-feira, 3 de maio de 2012 Arsenal | 11:33

A dois passos do paraíso

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Ontem, o Newcastle de Papiss Cissé silenciou Stamford Bridge, e o Tottenham de Luka Modric passou com autoridade pelo Bolton. A duas rodadas do fim, esses resultados equilibraram a corrida pela Champions League. O Arsenal, na terceira posição, tem 66 pontos, contra 65 de Tottenham, quarto colocado, e Newcastle, que sempre levará desvantagem no primeiro critério de desempate por conta do baixo saldo de gols. O Chelsea, com 61, está virtualmente fora da disputa via campeonato.

A 36ª rodada pressionou demais o Arsenal, que empatou com o Stoke e perdeu o direito de falhar na reta final. Está certo que o Newcastle tem Manchester City e Everton pela frente, mas o Tottenham deve superar Aston Villa e Fulham. Vale lembrar que, se o Chelsea conquistar a Champions League, o quarto lugar oferecerá nada além de partidas sonolentas (os ingleses tornam as partidas sonolentas) da Europa League às quintas e um calendário congestionado pela Premier League às segundas.

Se vencer seus dois próximos jogos, o Arsenal pode garantir essa parceria

No sábado, o Arsenal recebe o Norwich. Ainda que Paul Lambert e companhia não vivam boa fase, a recente vitória dos Canaries sobre o Tottenham em Londres evidencia a habilidade do treinador escocês em preparar o time para explorar o nervosismo alheio. O Wigan, que ganhou no Emirates há duas semanas, é o modelo para ele. Na última rodada, deve ser ainda mais difícil vencer o West Brom no Hawthorns, onde os Baggies não perderam para Chelsea e Manchester City. Será a despedida de Roy Hodgson do WBA.

Na busca pelo terceiro lugar, o Arsenal não deve ter os titulares Arteta e Walcott, além de Wilshere, habitué do departamento médico. A confiança passa por Vermaelen, Song, van Persie e – que rufem os tambores – Rosicky. Sim, o Pequeno Mozart reapareceu no fim da temporada e tem sido fundamental. A assistência dele para van Persie contra o Stoke dá uma boa dimensão do papel do tcheco na equipe.

Ironicamente, Rosicky tem de ser a solução nesta temporada para que não precise ser na próxima. As constantes lesões e mesmo a irregularidade durante as raras fases saudáveis mostram que o Arsenal não pode depender de seu número 7, que, na esteira de uma boa sequência de jogos, já renovou contrato. E não depender dele passa por ganhar os dois jogos, assegurar a terceira posição e salvar uma temporada que se anunciava desastrosa.

Tudo porque o poder de barganha do Arsenal está bastante ligado a um posto na Champions, o que Arsène Wenger sempre conseguiu. O rebaixamento à Europa League seria um golpe para quem precisa criar alternativas. Uma delas é o já contratado Lukas Podolski, mas a função dele ainda não está definida. Se o Arsenal fracassar agora, Podolski pode virar substituto de van Persie, que espera o fim da campanha para decidir se renova ou não o contrato até além de 2013. Nem Podolski quer isso.

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terça-feira, 17 de abril de 2012 Arsenal | 19:40

Sorriso discreto

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Retorno de Wilshere nesta temporada poderia comprometer os planos de Wenger

Jack Wilshere está fora da temporada. Em janeiro, era uma possibilidade que o Arsenal queria afastar. Hoje, uma notícia que não faz Arsène Wenger perder sequer um minuto de sono. É claro que a delicada recuperação do tornozelo de Wilshere é uma questão para lá de relevante no Emirates, mas um retorno imediato não agregaria tanto ao time e provavelmente prejudicaria a preparação dele para 2012-13.

Apesar da derrota para um impressionante Wigan ontem à noite, o Arsenal está bem, com nove vitórias em 11 jogos e uma parceria segura entre Alex Song e Mikel Arteta. Um Wilshere sem ritmo nas últimas rodadas certamente não seria o fator a garantir a vaga na Champions League. Além disso, se voltasse agora, o meio-campista de 20 anos retornaria também ao radar da seleção inglesa que disputará a Euro.

Mas não seria esse o caminho natural para um garoto que, quando jogou, transformou o Arsenal e a seleção inglesa em equipes melhores? Não para Wenger, preocupado com a condição física de Wilshere desde a temporada passada. Sem saber que o tornozelo dele traria tantos problemas, o francês liderou uma campanha para que Stuart Pearce não o convocasse à Euro sub-21 de 2011. Wenger venceu a queda de braço, mas perdeu o meia por ironia do destino. Agora, quer garantir que, ausente da Euro 2012, ele tenha férias e faça pré-temporada completa.

Os Jogos de Londres, que terminam em 11 de agosto para o futebol (a Premier League começa na semana seguinte), também assustavam. Quem não for convocado à Euro estará apto a defender a seleção britânica. Wilshere naturalmente seria uma das estrelas do time. Sem oferecer garantias, porém, a tendência é que ele seja descartado também do torneio olímpico. O jogador, a Inglaterra e o Reino Unido lamentam, mas Wenger abre um sorriso discreto porque sabe que a próxima temporada do Arsenal passa muito por um Wilshere saudável.

Drogba ou Torres?
Ontem, o blog mencionou implicitamente esse dilema de Roberto Di Matteo. No Guardian, Dominic Fifield traz a discussão sobre qual deles deve ser escalado contra o Barcelona. Vale lembrar que Torres descansou contra o Tottenham.

Premier League, 20 anos
Você já pode homenagear a Premier League, que em maio completará sua 20ª temporada. Escolha aqui entre os melhores jogos, gols, comemorações e defesas e escale o time ideal destas duas décadas. A seleção do blog tem Peter Schmeichel; Gary Neville, Tony Adams, Rio Ferdinand, Ashley Cole; Cristiano Ronaldo, Paul Scholes, Steven Gerrard, Ryan Giggs; Alan Shearer, Thierry Henry.

We are going up
Mesmo após vender ao West Bromwich Shane Long, seu principal jogador na temporada passada, o Reading é o primeiro promovido à Premier League 2012-13. A vitória por 1 a 0 sobre o Nottingham Forest levou os Royals aos 88 pontos, oito a mais do que o West Ham, terceiro colocado, com apenas mais duas rodadas para jogar. O trabalho feito no Madejski é muito sólido, mas o que garantiu mesmo o acesso foi a espetacular arrancada final: 15 vitórias, um empate e uma derrota nos últimos 17 jogos.

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sábado, 3 de março de 2012 Arsenal | 17:22

Dependência ou morte

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Walcott dá a nota para a temporada de van Persie

Na temporada passada, os torcedores de West Ham e Blackpool depositavam quase todas as esperanças em Scott Parker e Charlie Adam, respectivamente. Os dois clubes acabaram rebaixados à segunda divisão, mas Parker e Adam, premiados pelo ótimo desempenho, continuaram na Premier League. É natural que equipes menores tenham uma referência a quem entreguem todas as responsabilidades. Estranho é que isso aconteça no Arsenal.

E como acontece! Robin van Persie decidiu de novo. O Arsenal foi dominado pelo Liverpool no clássico de hoje, mas um par de toques do holandês silenciou Anfield. Van Persie agora tem incríveis 25 gols em 27 partidas na Premier League. Associando-os às oito assistências dele, chegamos a uma participação direta em 33 dos 55 gols marcados pelos Gunners, exatamente 60%.

A excelência do atacante aponta dois caminhos. O primeiro, mais imediato, é que van Persie pode, com uma bela ajuda do Chelsea, levar o Arsenal a uma improvável vaga na Champions. O outro, de médio prazo, é a saída dele, considerando que as discussões para a renovação do contrato (o atual vai até 2013) foram adiadas pelo próprio jogador e que ele está muito acima do nível médio do elenco.

De qualquer maneira, a facilidade dele para marcar gols, desenvolvida por Arsène Wenger (pense no RvP de três anos atrás), é um trunfo inestimável para o Arsenal. Na temporada mais difícil do treinador francês, van Persie já evitou vários surtos de crise. De importância comparável à que ele tem hoje para o time, talvez haja Ba no Newcastle, Dempsey no Fulham e Yakubu no Blackburn, não mais que isso.

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sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012 Arsenal, Cardiff, Liverpool, Tottenham | 18:53

Arsenal, Liverpool e a Copa da Liga

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Além de inspirar sopas de letrinhas mundo afora, o polonês Wojciech Szczesny adora provocar o Tottenham e seus torcedores. As últimas 16 edições da Premier League, aliás, são um ótimo argumento para o goleiro titular do Arsenal, considerando que os Gunners terminaram acima dos Spurs em todas elas. Mas, como diria o filósofo, nada é para sempre. Em 2011-12, o Tottenham é muito mais confiável e, a 13 rodadas do fim do campeonato, já tem dez pontos de vantagem sobre seu rival do norte de Londres. Esta deve ser a primeira vez que Arsène Wenger come poeira na disputa particular.

Se o Arsenal ainda tem uma chance mínima de superar o Tottenham, ela está necessariamente atrelada ao dérbi de domingo, no Emirates. Hoje, os visitantes são melhores em todos os setores do campo e do aspecto emocional. Pode não parecer, mas esse novo status dos Gunners passa pelo que aconteceu em 27 de fevereiro de 2011, há quase um ano. Foi quando Wembley recebeu um Arsenal cheio de confiança e um Birmingham combalido, de temporada decepcionante. O azarão venceu a Copa da Liga, e o favorito manteve a sala de troféus sem novidades desde 2005. Daí algumas estrelas insatisfeitas saíram, a remontagem foi feita às pressas, e o clube desceu alguns degraus.

Bellamy pôs o Liverpool na decisão e pode derrubar o time de sua cidade

No domingo, além do dérbi londrino, a Inglaterra assistirá à final de outra Copa da Liga. O enredo é bem parecido. O Liverpool, sem títulos há quase seis anos (mesmo jejum do Arsenal à época da decisão de 2011), precisa vencer o Cardiff, da segunda divisão, para dar um passo à frente em seu processo de reconstrução sob novos proprietários. Ah, mas é só a Carling Cup, você poderia dizer. Ainda assim, a opinião na Inglaterra é quase unânime: esse troféu seria um divisor de águas para o Liverpool, como teria sido para o Arsenal. O resgate do hábito de comemorar conquistas é um reforço moral do qual o clube não pode prescindir.

Ademais, o peso leve da competição contrasta com o caminho percorrido pelo Liverpool até chegar pela primeira vez ao Novo Wembley. Os primeiros quatro adversários – Exeter City, Brighton, Stoke e Chelsea – foram eliminados fora de Anfield. Para atingirem a final, os Reds ainda superaram em dois jogos o Manchester City, que abordou o torneio seriamente. Sem tanto para comemorar na Premier League, o time demonstraria força ao conquistar uma competição que não lhe ofereceu nenhuma facilidade e pavimentaria a estrada para novas taças. Uma derrota, por outro lado, seria devastadora.

O obstáculo é um Cardiff que costuma marcar e sofrer muitos gols. Apesar disso, os galeses têm um déficit ofensivo considerável em relação à temporada passada, quando Bellamy (que jogará a final pelo Liverpool) e Bothroyd estavam lá. Kenny Miller, o eterno atacante único do esquema da seleção escocesa, sabe se virar, mas não mantém o nível. Para repetir o Birmingham do ano passado, os Bluebirds precisam de muita dedicação e um dia infeliz do ataque do Liverpool, o que, convenhamos, tem acontecido com certa frequência. No domingo, veremos.

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