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terça-feira, 8 de maio de 2012 Blackburn | 18:58

Cronologia do fracasso

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A galinha do Ewood Park não tem o carisma do gato de Anfield

O Blackburn, um dos quatro campeões da era Premier League, está rebaixado. A previsível derrota para o Wigan confirmou uma queda que se anunciava há muito tempo, embora o time tenha esboçado reação no segundo turno. Pouco depois do título de 1994-95, os Rovers caíram em 1998-99 e passaram duas temporadas fora da elite. Se o primeiro rebaixamento após a conquista surpreendeu, o segundo é mera consequência da estupidez da diretoria.

Durante o jogo contra o Wigan, uma galinha foi lançada a campo como forma de protesto contra os proprietários. O Venky’s, grupo indiano que controla o Blackburn desde novembro de 2010, é um gigante da produção de aves no mercado asiático. A galinha e a ironia que a acompanhava representam a indignação dos torcedores com quem foi negligente e desastrado na administração de um clube que tinha tudo para crescer, mas afundou. A cronologia do rebaixamento está aí:

19 de novembro de 2010: O Venky’s compra o Blackburn por £23 milhões.
13 de dezembro de 2010: Com menos de um mês no Ewood Park, o Venky’s demite Sam Allardyce, treinador que havia sido fundamental para a recuperação do Blackburn, fazia campanha segura na Premier League e tinha apoio irrestrito de torcedores e jogadores. A promessa era trocá-lo por um treinador de ponta. Rafa Benítez foi especulado.
22 de dezembro de 2010: A diretoria admite a impossibilidade de atrair um treinador consagrado e efetiva o escocês Steve Kean, ex-assistente de Allardyce. Kean ganha um contrato até o fim da temporada para provar sua capacidade.
3 de janeiro de 2011: Em outro surto de grandeza, os indianos anunciam interesse por uma “estrela brasileira” qualquer. Ronaldinho é cogitado (imagine se ele tivesse sido contratado…).
22 de maio de 2011: O Blackburn vence o Wolverhampton por 3 a 2 no Molineux e evita o rebaixamento na última rodada. O time havia ficado dez jogos sem ganhar, entre janeiro e abril. Kean teve de administrar a insatisfação do elenco pela demissão de Allardyce. Chris Samba, o mais revoltado, chegou a perder a faixa de capitão.

Hoilett atormentou defesas e, sem contrato, vai embora de graça

Mercado de verão: A diretoria perde dois de seus melhores jogadores jovens: Phil Jones para o Manchester United e Nikola Kalinic, este inexplicavelmente, para o Dnipro. Junior Hoilett e Steve N’Zonzi, outros bons representantes da nova geração, ficam no clube. A despeito das contratações de Scott Dann e Yakubu, os outros reforços são fracos, e as promessas da diretoria viram pó. Steve Kean tem o contrato renovado por mais duas temporadas.
13 de agosto de 2011: O Blackburn perde em casa para o Wolverhampton na abertura da temporada. Tragédia anunciada.
16 de setembro de 2011: Como se fosse possível, os proprietários jogam a responsabilidade para a inconformada torcida, pedindo total apoio ao time que eles não montaram. Na partida seguinte, contra um Arsenal combalido, vitória por 4 a 3. Os indianos posam de vitoriosos no Ewood Park.
20 de dezembro de 2011: O Blackburn perde em casa para o Bolton, concorrente direto na tabela, no 17º jogo da Premier League. A campanha chega a duas vitórias, quatro empates e 11 derrotas. A diretoria se omite, e Kean enfrenta a fúria dos torcedores. Yakubu e Hoilett eram os únicos destaques do time.
4 de fevereiro de 2012: O Arsenal faz 7 a 1 no Blackburn, com três gols de van Persie, dois de Chamberlain, um de Arteta e um de Henry.
24 de fevereiro de 2012: Chris Samba é vendido ao Anzhi. O Blackburn perde sua grande referência defensiva.
7 de maio de 2012: O Wigan, de poder financeiro bem menor, vence por 1 a 0 em Ewood Park, garante a permanência na Premier League e derruba o Blackburn para a segunda divisão com uma rodada de antecedência.

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quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012 Blackburn, Bolton, QPR, Wigan, Wolves | 13:53

Os desesperados

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Steve Kean resume sua temporada

A classificação da Premier League é muito clara. A menos que um time como Aston Villa ou West Bromwich caia vertiginosamente pela tabela, a luta contra o rebaixamento está restrita a cinco clubes:

Os emergentes do Loftus Road. O Queens Park Rangers tem dinheiro, um bom técnico (sim, Mark Hughes é bom) e agora tem até um ataque decente, com Zamora e o precoce Djibril Cissé, que marcou na estreia e foi expulso no segundo jogo. Os outros setores, porém, não são consistentes. A defesa ganhou Onuoha e Taiwo em janeiro, mas ainda agoniza. Sem o argentino Faurlín até o fim da temporada, Hughes tem de quebrar a cabeça para acertar o meio-campo. Mesmo assim, as eventuais boas atuações de Barton, Wright-Phillips e dos atacantes devem salvar os Hoops.

Os hindus do Ewood Park. É incrível que o Blackburn esteja fora da zona de rebaixamento. Proprietários (indianos) trapalhões e omissos, torcedores pedindo a cabeça do técnico e contratações pífias compõem a mistura dos Rovers em 2011-12. Os destaques individuais, ao menos, decidem alguns jogos. E não são apenas Yakubu, o homem dos gols, e Hoilett, o garoto da correria. O volante N’Zonzi e a dupla titular de zagueiros (Dann e, quando disposto, Samba) são boas compensações à bagunça que ainda deve derrubar o time.

Os impacientes do Molineux. Mick McCarthy pode ser medíocre, mas salvar time do rebaixamento, ele sabe. Foi assim com os Wolves nas últimas duas temporadas, aliás. Por isso, a recente demissão de MM é um flerte promissor com a segunda divisão. Para escapar, o ainda desconhecido substituto (pode ser Steve Bruce, que atrasou a vida do Sunderland) precisa arrumar uma defesa que, mesmo sob a liderança de Roger Johnson, sofreu 12 gols nos últimos quatro jogos e tirar o melhor de Steven Fletcher, o artilheiro e grande jogador da equipe na temporada. Não será fácil.

Os periclitantes do Reebok Stadium. Em sequência, o Bolton venceu o Liverpool, eliminou o Swansea da FA Cup with Budweiser (é o nome oficial do torneio mesmo) e empatou com o Arsenal. E aí? Quando parecia estar em evolução, o time, já sem Gary Cahill, cometeu novamente os erros do primeiro turno. Perder para o Norwich no Carrow Road era normal, mas para o lanterna Wigan, em casa, foi inaceitável. O Reebok Stadium, onde a turma de Owen Coyle perdeu nove de 13 jogos, já não representa mais nada. Ataque apático (N’Gog titular, para a alegria do amigo Frederico Maranhão) e defesa à Chelsea podem rebaixar um clube que prometia, porém não cumpriu.

Os impopulares do DW Stadium. Quase sem público, time e esperança, o Wigan não deve mais desafiar a lógica. Há sete anos na elite, os Latics nunca haviam disputado a Premier League com um elenco tão inexpressivo quanto este. Ainda aparecem vitórias improváveis, mas com menos frequência. Desta vez, não há Lee Cattermole, Jimmy Bullard, Wilson Palacios, Antonio Valencia ou até Emile Heskey para assumir a responsabilidade. Mesmo que Roberto Martínez incentive a equipe a passar a bola, a impressão que fica é de que o Wigan sempre está um nível abaixo dos demais.

Stuart Pearce convocou a primeira seleção inglesa pós-Capello. Veja aqui.

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segunda-feira, 2 de janeiro de 2012 Blackburn, Sunderland, Wigan | 10:49

Times de caráter

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O gol de Ji Dong-Won fez O'Neill levitar no Estádio da Luz

A frequência de resultados inesperados durante a maratona de ano-novo na Premier League tem um motivo especial: o caráter mostrado por algumas equipes. Sunderland, Wigan e Blackburn, para citar três, têm extraído forças de onde a gente nem imagina:

Sunderland. Quando assumiu os Black Cats, Martin O’Neill diagnosticou falta de confiança no vestiário, mas deixou claro que a “paixão”, como dizem os ingleses, ainda estava lá. Com alguns ajustes e o entusiasmo de sempre (a comemoração após o gol sobre o Manchester City foi qualquer coisa), o norte-irlandês tirou a equipe do buraco, marcou dez pontos em cinco partidas e celebrou uma grande vitória, pela qual os jogadores batalharam demais, sobre o líder do campeonato no primeiro dia de 2012. A notável atuação do capitão Lee Cattermole é o símbolo do novo Sunderland.

Wigan. Apesar de ainda estar na zona de rebaixamento e ter o pior saldo de gols da liga, o Wigan de Roberto Martínez não para de surpreender. O elenco mais frágil da elite inglesa tem arrancado resultados improváveis: nas últimas sete rodadas, houve vitórias fora de casa sobre Sunderland (ocasionando a demissão de Steve Bruce) e West Bromwich e empates contra Chelsea, Liverpool e Stoke. Este, conquistado no sábado, veio de forma heroica. Após sofrer a virada, com um jogador a menos, os Latics ganharam um pênalti no Britannia Stadium. Ben Watson entrou a quatro minutos do fim só para cobrá-lo e dar o empate ao, segundo Martínez, “inacreditável” Wigan.

Blackburn. Quem imaginava que, após perderem em Ewood Park para o Bolton, os Rovers levariam quatro pontos de Anfield e Old Trafford? No “clássico do porão”, há três rodadas, os torcedores locais pareciam querer uma derrota do Blackburn, para que o técnico Steve Kean fosse demitido. O Bolton ganhou, mas Kean, de forma até surpreendente, permaneceu no cargo. A partir daí, os jogadores se superaram, limitando o Liverpool a um gol e marcando três vezes contra o Manchester United, sempre longe de casa. A lanterna não está mais com eles.

Seleção da rodada
Simon Mignolet (Sunderland); Craig Gardner (Sunderland), Per Mertesacker (Arsenal), James Collins (Aston Villa), Leighton Baines (Everton); Scott Sinclair (Swansea), Steven Gerrard (Liverpool), Lee Cattermole (Sunderland), Craig Bellamy (Liverpool); Stephen Ireland (Aston Villa); Yakubu (Blackburn)

20ª rodada
Segunda-feira, 13h – Aston Villa x Swansea
13h – Blackburn x Stoke
13h – QPR x Norwich
13h – Wolves x Chelsea (ESPN, ESPN HD)
15h30 – Fulham x Arsenal (ESPN Brasil, ESPN HD)
Terça-feira, 17h45 – Tottenham x WBA
17h45 – Wigan x Sunderland
18h – Man City x Liverpool (RedeTV!, ESPN, ESPN HD)
Quarta-feira, 18h – Everton x Bolton
18h – Newcastle x Man Utd (ESPN Brasil, ESPN HD)

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sábado, 31 de dezembro de 2011 Blackburn | 16:49

A ressurreição de Yak

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Se 2011 foi particularmente ótimo para um jogador na Inglaterra, este é Yakubu Aiyegbeni. É claro que Robin van Persie teve um ano espetacular, de 35 gols na Premier League, mas o nigeriano ressurgiu das cinzas e, no último dia do calendário, silenciou Old Trafford duas vezes para oferecer ao Blackburn uma vitória para lá de inesperada.

Yak, como é carinhosamente chamado pelos torcedores, vinha de dois, três anos fracos, estranhos para uma carreira que, ao contrário do que bastante gente pensa, notabiliza-se pela tranquilidade para marcar gols. No ano passado, quando ainda estava em péssima fase, ele virou folclore mundial por perder um dos gols mais feitos da história das Copas. A crise de confiança parecia não ter fim.

Os sempre atentos olhos de Harry Redknapp levaram Yakubu à Inglaterra

Depois de uma primeira temporada produtiva no Everton, o centroavante havia desaparecido, sucumbido à maldição de Goodison Park, onde nenhum atacante deu realmente certo após Wayne Rooney. Até que, no primeiro semestre de 2011, ele foi emprestado ao Leicester, então comandado por Sven-Goran Eriksson. Foram 11 gols em 20 partidas na Championship, números suficientes para ele retornar às manchetes.

Insuficientes, porém, para David Moyes segurá-lo no Everton. O treinador escocês preferiu o empréstimo do argentino Denis Stracqualursi, que até agora passa em branco no novo clube. Yakubu foi vendido ao Blackburn por apenas £1 milhão. A equipe vai muito mal, mas o nigeriano arrebenta. Com direito a quatro gols na partida contra o Swansea, ele já marcou 12 vezes em 14 jogos na liga. O preciso finalizador de meados da década passada não desaprendeu o ofício.

O técnico Steve Kean, que deve seu emprego a Yakubu, já o “desafiou” a romper a barreira de 20 gols. Seria um feito inédito para Yak, que passou perto em seus primeiros quatro anos na Inglaterra, entre Porstmouth (sua porta de entrada para o país, aberta por Harry Redknapp) e Middlesbrough. Há 12 meses, o nigeriano era piada. Hoje, persegue a artilharia da Premier League.

Que seu 2012 seja tão feliz quanto o 2011 de Yakubu. Ótimo ano-novo a todos!

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quarta-feira, 30 de novembro de 2011 Blackburn | 16:13

A eterna crise do Blackburn

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A Premier League acaba de conhecer a primeira demissão de treinador na temporada: Steve Bruce está fora do Sunderland. Demorou mais do que o esperado. A suposta paciência dos clubes surpreende, mas é bem improvável que todas as outras cabeças sobrevivam a dezembro. Como você percebe na foto à direita, a situação mais crítica é a de Steve Kean, do Blackburn.

Ontem, o time jogou fora o único lado bom de sua temporada até agora. Sem cinco titulares, os Rovers perderam para o Cardiff, em Gales, por 2 a 0 e foram eliminados da Copa da Liga. Kean ficou obviamente desapontado, mas se defendeu das críticas por ter preservado jogadores como Samba, Hoilett e Yakubu, que têm carregado o que resta da equipe. “Nós precisamos tratar as próximas partidas (da Premier League) como se elas fossem finais”, disse ao Guardian.

Kean prevê um dezembro daqueles. No mês mais denso do ano, o Blackburn enfrenta Swansea, Sunderland, West Brom, Bolton, Liverpool e Manchester United. O que seria uma tabela abordável virou uma batalha pela sobrevivência – do técnico e de um time que marcou sete pontos em 13 jogos (aproveitamento de 18%) e só venceu um Arsenal à época em frangalhos. O manager não aguardou a diretoria e já lançou o próprio ultimato: “o jogo contra o Swansea tem de alavancar nossa temporada”.

Não dá mesmo para esperar que essa diretoria assuma alguma postura. Os proprietários do Venky’s, ás da produção de aves no mercado asiático, não sabem lidar com futebol. Depois da inexplicável demissão de Sam Allardyce, há um ano, os indianos aparentemente se traumatizaram com o resultado dessa trapalhada e desistiram de tomar decisões importantes para os rumos do clube.

Até a líder da assembleia de Blackburn, Kate Hollern, criticou publicamente os diretores por “falta de liderança” e “sérios problemas de comunicação no clube”. Em um ano de Ewood Park, o Venky’s dispensou um técnico benquisto por todo mundo, quase viu o time cair, fez um péssimo mercado de verão e agora se limita a “pedir o apoio da torcida neste momento difícil”.

Em crise administrativa, com média de público de 70% da capacidade do estádio, treinador perdido e elenco enfraquecido, o Blackburn é favorito ao rebaixamento. Mas nem tudo é tragédia. Apesar dos resultados recentes, a equipe esboçou uma melhora nas últimas semanas. À base da velocidade de Hoilett, que pode deixar o clube no mercado de janeiro, os Rovers tiveram atuações razoáveis. Em dezembro, porém, será preciso fazer mais para largar a lanterna.

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terça-feira, 7 de junho de 2011 Blackburn, Liverpool, Review | 18:51

A temporada: Sob nova direção

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Epic Swindle, é? O homem do charuto aí, John W. Henry, não estava para brincadeira

Para os novos padrões, a temporada não viu tantas trocas de proprietários em clubes da Premier League. Houve duas, número moderado diante das cinco (três só no Portsmouth) de 2009-10. Entretanto, a batalha pela compra do Liverpool e as trapalhadas dos indianos que chegaram ao Blackburn pedem espaço no review de 2010-11.

Pressionados pela torcida após três anos de más decisões e acúmulo de dívidas, os norte-americanos Tom Hicks e George Gillett colocaram o Liverpool à venda em abril de 2010. A condução do processo foi atribuída a diretores independentes, e o clube viu o débito com o Royal Bank of Scotland chegar a 285 milhões de libras.

O RBS estabeleceu um prazo para o pagamento antes de tomar o controle dos Reds. Se não cumprido, o banco colocaria o clube em leilão ou o levaria à concordata. A última alternativa provocaria a perda de nove pontos, o mesmo que aconteceu com o Portsmouth na temporada passada. O time, que já agonizava em campo, iria a três pontos negativos na liga. Mas aí apareceu o também ianque New England Sports Ventures (NESV), que teve sua proposta de 300 milhões de libras aceita pela diretoria independente.

Hicks e Gillett, que não simpatizam com o NESV (hoje Fenway Sports Group) e queriam mais, tentaram barrar a venda e até trocar os diretores por apadrinhados. A Alta Corte de Londres negou, o negócio foi concluído na data-limite, 15 de outubro, e a dívida foi zerada. Os antigos proprietários chamaram o resultado de Epic Swindle (algo como “épica fraude”, que os torcedores julgaram ser uma gíria do sul dos Estados Unidos) e ainda buscaram, sem sucesso, deslocar a decisão a um tribunal do Texas.

John W. Henry, o sócio majoritário do Fenway, levou só alegria a Anfield: confiança, saúde financeira, perspectiva de investimento, um staff competente (Damien Comolli, Kenny Dalglish e Steve Clarke), Carroll (ainda veremos se será bom mesmo), Suárez, vitórias e uma primeira-dama legal. A sexta posição ficou de bom tamanho. Para a próxima temporada, anuncia-se uma pesada aplicação em jovens (será assunto aqui) e, sem jogar na Europa, a busca até do título doméstico.

Henry é um herói do mundo moderno. No momento em que tudo sugeria uma tragédia administrativa, um ianque cheio de ambição e de sucesso no beisebol com o Boston Red Sox assumiu o controle. O exemplo do Liverpool escancarou o lado B do futebol de oportunidades na Inglaterra, que deixa quase qualquer um explorar um clube. Crescimento e queda repentinos são sempre possíveis nesse cenário.

Descaminho das Índias: Balaji e Venkatesh Rao se perderam

Utopia indiana
A compra do Blackburn não teve drama. Por 23 milhões de libras, em 19 de novembro, o indiano Venky’s tomou conta do clube. A família Rao, proprietária do grupo, é de ótimos negociadores, os maiores produtores asiáticos de aves. No futebol, entretanto, eles parecem meio lunáticos. Com mania de grandeza, demitiram o técnico Sam Allardyce em dezembro. A decisão soou estúpida para todo mundo, inclusive para o elenco.

O treinador do futebol feio foi substituído pelo inexperiente Steve Kean, transformado em efetivo pela necessidade. Uma tímida sequência de vitórias empolgou os Rao, que queriam uma “estrela brasileira” para liderar a revolução do clube. Era o simbolismo fracassado da ida de Robinho para o Manchester City. Só que a realidade se revelou dura com uma série de derrotas, e o time deixou de sonhar para tentar não cair. O Blackburn se salvou na bacia das almas. Que a lição tenha sido aprendida.

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sábado, 5 de março de 2011 Blackburn, Curiosidades, História, Liverpool, Man Utd, West Ham | 17:19

No mesmo dia, Dalglish perdeu em Anfield e superou o United

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No histórico 14 de maio de 1995, o Blackburn de Dalglish e o Liverpool conciliaram seus interesses

A última rodada da Premier League em 1994-95 foi memorável. O (nem tão) surpreendente Blackburn, treinado por Kenny Dalglish, liderava com dois pontos de vantagem sobre o Manchester United, que vinha de dois títulos consecutivos. Os Rovers visitaram o Liverpool, clube em que Dalglish se consagrara. O United foi até a casa do West Ham, que não tinha mais o que fazer na temporada. Além da vitória em Londres, os Red Devils precisavam que o Blackburn perdesse pontos em Anfield.

Se na temporada passada os Reds não se esforçaram para derrotar o Chelsea, que também disputava o título com o Manchester United, em 1994-95 o conjunto treinado por Roy Evans ignorou a rivalidade com os mancunianos e batalhou pelo resultado.

Garantido na Copa da UEFA via Copa da Liga, o Liverpool buscava a vitória apenas para terminar bem colocado e consolidar seu time promissor, de Fowler, Redknapp e McManaman. Um dos maiores jogadores da história do clube, o left winger John Barnes, que teve participação fundamental naquela partida, afirmou que os Reds tinham “o compromisso de abordar o confronto de forma profissional, ainda que ninguém ali quisesse ver o United campeão”.

Aquele Blackburn era ótimo por ter as pessoas certas com o poder de investimento suficiente. Por exemplo, a dupla de ataque, formada por Shearer e Sutton, fez 49 gols na liga. Shearer, aliás, foi quem marcou primeiro em Anfield. Mesmo assim, o Liverpool teve força para virar o jogo com Barnes e Jamie Redknapp e ajudar o Manchester United. Mas o United não se ajudou. O goleiro tcheco Ludek Miklosko, do West Ham, foi espetacular e limitou o time de Ferguson a um empate por 1 a 1. O Blackburn comemorou seu terceiro título inglês em 14 de maio de 1995, o dia em que ninguém chorou em Anfield.

Assista ao review dessa sensacional rodada. Repare no momento em que o banco do Blackburn, que tinha acabado de sofrer o gol de Jamie Redknapp (filho de Harry Redknapp, então técnico do West Ham), é avisado do resultado final em Londres:

Faz tempo
A rivalidade entre os escoceses Dalglish e Ferguson é antiga. No início dos anos 70, Kenny jogava no Celtic e costumava marcar contra o Falkirk, do atacante Alex Ferguson. O clássico resistiu ao tempo. Quando Ferguson treinava o Aberdeen, o meia-atacante Dalglish, já no Liverpool, o atormentou pela Copa Europeia. Os dois ainda se enfrentaram em confrontos do Manchester United contra Liverpool, Blackburn e Newcastle. No retorno de Dalglish aos Reds, há dois meses, o United venceu por 1 a 0 na FA Cup. Amanhã, depois de muito tempo, eles medem forças em Anfield: rivalidade, história e respeito mútuo nos bancos.

Scott Parker é o cara

O melhor de fevereiro já impressiona em março
O meia central Scott Parker, do West Ham, foi eleito o Jogador do Mês de fevereiro na Premier League. Hoje, na vitória dos Hammers por 3 a 0 sobre o Stoke, ele voltou a jogar demais. Após defender Charlton, Chelsea e Newcastle, Parker vive o melhor momento na carreira e na temporada. O West Ham marcou dez pontos nos últimos cinco jogos e, finalmente, deixou a zona de rebaixamento. Um pouco por Demba Ba, Avram Grant e o retorno de Hitzlsperger. Muito por Parker, certamente o jogador mais importante para um time em toda a liga.

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quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011 Blackburn, Debates, Mercado, Temporada | 17:27

Quem quer ser um grande time?

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Neymar e Ganso estão entre os alvos do Blackburn. Mas o que os levaria ao Ewood Park? (Christopher) Samba?

O Venky’s, grupo indiano que comprou o Blackburn há três meses, é bom de negócio. Em 40 anos, a pequena empresa familiar se transformou no maior produtor asiático de aves. Os Rao muito conhecem de fármacos e processamento de carne de frango, mas isso não significa que já saibam como transformar os Rovers em uma potência.

Ontem, a imprensa inglesa repercutiu a obsessão do Venky’s pela contratação de um jogador brasileiro. Estariam na lista de desejos Kaká, Robinho, Neymar, Ganso, Luís Fabiano, Elano e Jucilei. Em janeiro, o Blackburn tentou, sem sucesso, capturar Ronaldinho. A discriminação dos alvos pela nacionalidade – e não pela posição em que jogam – é um sinal de que a visão de futebol dos indianos ainda é um tanto estereotipada e de que não há um projeto de time bem definido.

Quando o Venky’s chegou ao Ewood Park, a primeira atitude oficial foi a demissão de Sam Allardyce, talvez ainda mais estranha que a dispensa de Chris Hughton pelo Newcastle. Big Sam era bem aceito por jogadores, torcedores, colegas de profissão e, apesar do estilo “rude” de futebol, pela crítica. Allardyce tirou o clube do buraco em 2008-09, levou-o à primeira metade da tabela na temporada passada e, de certa forma, vinha mantendo o padrão nesta. Ninguém entendeu a saída dele.

E o substituto tinha status de interino! Felizmente para os indianos, Steve Kean melhorou seus decepcionantes resultados iniciais, o Blackburn segue longe da zona de rebaixamento, e o contrato do treinador foi renovado até 2013. O elenco, por sua vez, conserva alguns nomes interessantes. Paul Robinson, Samba, Givet, Pedersen, Kalinic e especialmente o muito promissor Phil Jones podem fazer parte dessa proposta de reconstrução.

Manter Phil Jones é uma das obrigações do Venky's

Reconstrução que não deveria ser baseada em um jogador de uma nacionalidade preestabelecida. A busca pelo reforço é tão desnorteada, que se especula a possibilidade de o clube correr atrás de um argentino “se não der certo com um brasileiro”. Essa postura lembra muito a primeira contratação do xeque Mansour no Manchester City: Robinho, nos últimos instantes da janela do verão de 2008. O investimento pesadíssimo em apenas um jogador se revelou um fracasso.

Por outro lado, a escolha do brasileiro, meio disfarçada pela impossibilidade de acertar com o Chelsea, até era compreensível. O City tinha ótimos pratas da casa (Richards, Michael Johnson, Ireland, Sturridge) e, após boa temporada com Sven-Goran Eriksson, já vinha de um processo de crescimento sob a administração do tailandês Thaksin Shinawatra. Com o Blackburn, ainda sem o poder de atrair grandes jogadores, o sonho não deve se realizar. Se quiser espalhar a marca, o Venky’s precisa, sem fantasias, montar um time forte primeiro.

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