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quinta-feira, 17 de maio de 2012 Blackpool, Championship, West Ham | 14:01

Próxima parada: Premier League

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Por Lucas Leite*

No próximo sábado, quando todos os olhos do mundo estarão voltados para a final da Champions League em Munique, outro duelo vai chamar a atenção dos amantes do futebol inglês. Em Wembley, palco de consagrou o Barcelona em 2011, West Ham e Blackpool lutam a partir das 11h de Brasília para retornar à Premier League uma temporada após o rebaixamento de ambos. Reading e Southampton, campeão e vice da segunda divisão, não precisaram disputar os play-offs e já estão garantidos na elite em 2012-13.

Allardyce e Holloway: choque de estilos

Apesar da vantagem histórica do Blackpool (15 triunfos em 26 jogos), os encontros da temporada regular apontam favoritismo do West Ham. Em Upton Park, o garoto Sam Baldock comandou a vitória dos Hammers por 4 a 0. No Bloomfield Road, Nick Maynard e Ricardo Vaz Te, grandes contratações de Sam Allardyce na janela de inverno, confirmaram o melhor momento do time na competição com ótimas atuações em outra goleada, desta vez por 4 a 1, com direito à presença do meia Henri Lansbury como goleiro por quase todo o segundo tempo.

Tendo o melhor de seus elencos à disposição, Allardyce e Ian Holloway utilizarão estratégias distintas. Big Sam deve manter o pragmatismo que o acompanhou por toda a temporada e se concentrar primeiro em anular o adversário para só depois explorar os cruzamentos de Matthew Taylor na criação de jogadas. Holloway, por sua vez, tem um time que busca manter o controle da posse de bola e atacar durante os 90 minutos.

Desde 1981 longe de Wembley, os Hammers apostam em um meio campo sólido e no faro de gol de Carlton Cole e Vaz Te, autores de 25 gols na temporada, para confirmar seu favoritismo. Apesar da queda brusca durante a temporada, Kevin Nolan exerce um papel fundamental na meia central, assim como Mark Noble, que assumiu muito bem a lacuna deixada pela venda de Scott Parker.

Já os Seasiders têm como ponto forte seu sistema defensivo, o mesmo que garantiu a promoção em 2010, e a velocidade de seu ataque. Jogador mais regular da temporada, Matt Gilks não lembra aquele arqueiro do rebaixamento de 2011 e, apoiado por Ian Evatt e o versátil Angel Martínez, garantiu impressionantes 14 clean sheets.

No que diz respeito à parte ofensiva, Matt Phillips e Tom Ince, até pelas excelentes atuações diante do Birmingham, se credenciam ao papel de heróis, mas Stephen Dobbie não pode ser esquecido. O escocês, que tenta o recorde de promoções seguidas (três) à Premier League via play-offs, vem sendo decisivo desde sua chegada por empréstimo ao ponto de barrar até o experiente Kevin Phillips, artilheiro dos Tangerines na temporada, com 17 gols.

Mesmo após falhar no objetivo da promoção direta, o West Ham deu mostras de seu poderio ao passar sem dificuldades pelo Cardiff e segue como favorito escancarado, mas, diante de um Blackpool acostumado a frequentar mata-matas pós-temporada (será o sétimo em 21 anos), tudo pode acontecer. Promessa de grande jogo na terra da Rainha.

*Lucas Leite escreve para o Football League Brasil

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quinta-feira, 19 de maio de 2011 Blackpool, Debates, Man Utd, Premier League | 11:28

Déjà vu

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Hoje no Santos, Possebon defendeu o Manchester United na última rodada de 2009

Há quatro meses, o Blackpool foi multado por preservar jogadores contra o Aston Villa. A atitude do técnico Ian Holloway foi, para o blog, legítima. Agora, a polêmica volta à tona antes mesmo da suposta “infração”. Com título garantido e final da Champions League seis dias depois, o Manchester United deve poupar titulares contra os Tangerines na última rodada.

O Blackpool, que está na zona de rebaixamento, pode ganhar e cair, mas também perder e ficar na Premier League. As inusitadas possibilidades não relativizam a importância do jogo de domingo em Old Trafford. É por isso que, como era esperado, tudo se concentra em Holloway, sempre muito sincero.

O técnico do Blackpool está indignado com a posição da Premier League de que o United pode não se esforçar e será multado caso preserve todos os titulares e perca. Steve Morgan, proprietário do Wolverhampton, que também luta contra a queda e já foi punido por dar descanso a seus principais jogadores, incentivou a multa. Surpreendente…

É difícil não se divertir com a coincidência de dois anos atrás. Já campeão inglês e pensando na final da Champions de 2009 contra o Barcelona, Ferguson poupou o time inteiro diante do ameaçado Hull City. Olha a escalação: Kuszczak; Rafael (Eckersley), Neville, Brown, De Laet (o santista Possebon); Nani, Fletcher – fora da final –, Gibson, Welbeck (Tosic); Martin, Macheda.

Holloway, essa figuraça, tem de ser levado a sério

O United venceu por 1 a 0, e o Hull não caiu porque o Newcastle fez questão de ir em seu lugar. Como o resultado conveio, ninguém se manifestou. À sua maneira, Holloway está certo. Não tinha de dizer que “a Premier League ficaria aliviada” com o rebaixamento do Blackpool (à BBC, um porta-voz negou que haja preferência), mas a multa em janeiro foi mesmo equivocada, e as insinuações desta semana são desrespeitosas.

Ferguson nunca abriria mão de tentar ganhar. O Blackpool, com cinco vitórias fora de casa, merece ser respeitado como a equipe mais atrevida da temporada. Um improvável triunfo do visitante em Old Trafford, contra qualquer formação, seria fantástico e inédito no campeonato. O United já trocou o time quase inteiro mesmo quando não podia falhar. Scholes, Berbatov, Nani e outros provaram que mantêm a equipe competitiva.

O Blackpool tem elenco em tese incompatível com a Premier League, orçamento muito restrito e começou a temporada com vários problemas envolvendo o presidente Karl Oyston. Mesmo assim, ganhou cinco vezes fora de casa, transformou o playmaker Charlie Adam num dos grandes jogadores da liga e viu o limitado DJ Campbell marcar 13 gols. Permanecendo ou não, que ninguém conteste os méritos desse time.

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sábado, 26 de março de 2011 Blackpool, Jogadores | 10:48

Olho nele, Mano

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O canhoto Adam tem só oito jogos pela seleção, mas faz temporada brilhante

O meia escocês Charlie Adam, de 25 anos, tinha uma carreira errante. Começou no Rangers, onde não foi além de uma boa temporada, perambulou emprestado pela Escócia e foi parar no Blackpool. Ian Holloway, o ótimo e extravagante treinador que o contratou, pode se orgulhar das irrisórias 500 mil libras que pagou por ele. Em temporada superior até à do ausente Fletcher, Adam é o melhor jogador da seleção escocesa, que enfrenta o Brasil em Londres amanhã.

A trajetória na Inglaterra é meteórica. Na temporada passada, o meia carregou o clube até a Premier League. As previsões, não custa lembrar, apontavam o Blackpool como candidato a retornar à terceira divisão. Em 2010-11, Adam é capitão, organizador e peça imprescindível de um time que luta contra a queda, mas que joga de modo atrativo e venceu mais fora de casa que o Manchester United (5 a 4).

Adam busca o jogo à frente dos zagueiros, dosa o ritmo, troca passes, lança os atacantes, manda nas bolas paradas e já fez até gol olímpico em 2010-11. Na Premier League, são nove gols e sete assistências: líder do time nos dois quesitos. O repertório atraiu Liverpool e Tottenham, que tiveram ótimas propostas recusadas em janeiro. O escocês não deve ficar em Bloomfield Road e ainda precisa brilhar ao lado de mais gente importante, mas já se revelou bom como ninguém imaginava há dois anos. O Brasil, amanhã, vai ser um teste e tanto.

A análise em vídeo da exibição de Adam contra o Sunderland ajuda a entender a importância dele para o Blackpool.

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sexta-feira, 28 de janeiro de 2011 Blackpool, Curiosidades, Premier League | 11:27

Mais uma vítima do moralismo distorcido

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Ian Holloway esbraveja: vida difícil para quem luta contra o rebaixamento na Inglaterra

O Blackpool, do folclórico e competente técnico Ian Holloway, foi multado pela Premier League em 25 mil libras (66 mil reais) por utilizar uma formação enfraquecida no confronto contra o Aston Villa, em 10 de novembro do ano passado. Era o terceiro dos quatro jogos da liga num intervalo de 13 dias. Holloway fez dez mudanças em relação à equipe que empatou com o Everton, quatro dias antes. Por pouco, o desfigurado Blackpool não levou um ponto de Birmingham. Collins marcou, a um minuto do fim, o gol da vitória do Villa por 3 a 2.

A regra estabelecida pela Premier League obriga o treinador a selecionar os jogadores a partir do elenco pré-definido de 25. Holloway argumenta que fez isso. No entanto, a liga considera este um “caso extremo” por conta do volume de modificações em relação ao jogo anterior. Em fevereiro do ano passado, o Wolverhampton foi multado sob circunstâncias muito semelhantes. O técnico Mick McCarthy, preocupado com a partida contra o Burnley (então concorrente na corrida contra o rebaixamento), no fim de semana seguinte, decidiu fazer dez mudanças na formação que enfrentaria o Manchester United.

À época, McCarthy se sentiu intimidado e receoso em tomar a atitude novamente, caso julgasse necessário. A reação de Holloway à repercussão inicial do caso foi mais enfática: “a liga não pode me dizer qual é o meu melhor time. Eu sou o técnico e administro meu elenco como eu quiser”. O treinador do Blackpool ainda ameaçou pedir demissão se o clube fosse punido. Após o anúncio da sanção, o presidente dos Tangerines, Karl Oyston, disse que “fará de tudo para impedir que isso aconteça”.

O problema de toda essa história é a transformação das atitudes de McCarthy e Holloway em debate ético. Não havia vantagem em perder, desperdiçar a chance de pontuar. A questão é que um calendário com duas copas nacionais e sem intervalo durante a temporada exige rotação e o estabelecimento de prioridades. Os clubes grandes não fazem isso apenas em copas. Na liga, utilizam-se de um disfarce. Não precisam recorrer às “ofensivas” dez modificações porque podem poupar a conta-gotas.

O rodízio nos clubes menores precisa ser diferente. Não é recomendável poupar três, quatro atletas por jogo nas sequências mais desgastantes. O Blackpool, por exemplo, nem sequer tem um elenco compatível com a Premier League. Cumpre seu objetivo porque tem uma formação e uma abordagem (agressiva) bem definidas. E o treinador deveria ter o direito de contar com seus reservas nesses momentos, para descansar todos os titulares em apenas um jogo. Não é uma atitude louvável, mas opcional. O moralismo da punição não é falso. É distorcido, porque McCarthy e Holloway não foram antiéticos.

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