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Arquivo da Categoria Bolton

quarta-feira, 10 de outubro de 2012 Bolton, Treinadores | 15:41

A derrocada de Coyle

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Há 18 meses, Coyle era especulado em grandes clubes. Hoje, precisa repensar seus métodos

Dos três clubes rebaixados à segunda divisão na temporada passada, dois mantiveram seus treinadores. No entanto, como se diz na Itália, nenhum deles comerá o panetone. O desgaste entre Blackburn e Steve Kean, que passou um ano inteiro recebendo vaias dos torcedores, levou a relação a um fim natural, com o pedido de demissão do técnico. Mas curioso mesmo é o caso do Bolton, que ontem dispensou Owen Coyle.

Outrora tratado como uma divindade no Burnley, Coyle correu riscos quando assumiu o Bolton, há três temporadas. Com o campeonato em andamento, ele trocou a estabilidade no clube que reconduziu à primeira divisão depois de 33 anos pela efervescência de um Bolton destruído pelo péssimo trabalho de Gary Megson. Coyle escapou do rebaixamento e, em sua primeira temporada completa, levou o clube à semifinal da FA Cup com menos bolas longas e mais trocas de passes, estilo que lhe rendeu vários elogios. Resta entender como um treinador promissor e cativante caiu tanto em apenas 18 meses.

Na verdade, o auge marcou o início da queda. A semifinal da FA Cup foi trágica para o Bolton, goleado por 5 a 0 pelo Stoke City em Wembley. Coyle, que não contava com o volante Holden para aquela partida, poderia ter feito uma troca simples (Mark Davies, por exemplo), mas decidiu recuar Elmander, seu centroavante, para o meio-campo. O time perdeu a capacidade de recuperar a bola e organizar-se, deixou os atacantes Klasnic e Kevin Davies isolados e sofreu três gols em 19 minutos. O revés abalou demais o Bolton, que terminou 2010-11 com cinco derrotas consecutivas e a 14ª posição na liga.

Na pré-temporada seguinte, o elenco perdeu por lesões gravíssimas o winger sul-coreano Lee Chung-Yong, peça-chave nos dois anos anteriores, e o lateral Mears, recém-contratado. Eles se juntaram a Holden, outro jogador para lá de importante, no departamento médico, onde passaram mais de 90% do ano. Além das contusões, a tabela foi “madrasta”: Manchester City, Liverpool, Manchester United, Arsenal e Chelsea nas sete rodadas iniciais. Sem solidez, o Bolton perdeu 13 dos primeiros 16 jogos, ensaiou uma recuperação no segundo turno, viveu o drama de Muamba e não evitou o rebaixamento.

Sob Coyle, Wilshere foi excepcional no Bolton

O início na segunda divisão também foi titubeante, com cinco derrotas e uma incômoda 18ª posição após dez partidas. A defesa frouxa, que sofreu 16 gols, ainda é o calcanhar de Aquiles (na temporada passada, em 38 jogos, foram 77 gols dos adversários). Desde o colapso na FA Cup, Coyle não conseguia montar um time seguro e parecia não se esforçar para isso. A diretoria, que havia perdoado o rebaixamento, perdeu a paciência e decidiu demiti-lo.

A impressão é de que Coyle precisa de um período sabático para rever conceitos (por exemplo, não existe uma lei que o obrigue a escalar, invariavelmente, dois centroavantes) e recomeçar em grande estilo. Aos 46 anos, ele carrega com orgulho um trabalho brilhante no Burnley e uma mudança de filosofia no Bolton, que deu certo até aquela semifinal da FA Cup. A partir dali, o time perdeu 32 de 54 partidas de liga. Inegavelmente, foi um marco negativo.

Coyle ainda é um dos bons alunos da escola escocesa de treinadores. Ainda é o homem que devolveu o sorriso a Andy Cole, com quem trabalhou no Burnley. “Seu entusiasmo me transformou novamente num garoto de 21 anos”, diz o ex-atacante. Ainda é uma referência para desenvolver jogadores jovens – Chelsea e Arsenal lhe emprestaram Sturridge e Wilshere, respectivamente. Coyle ainda tem salvação.

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domingo, 18 de março de 2012 Bolton | 10:21

Força, Muamba

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Muamba (33) perde apenas para James Milner (46) em partidas pela Inglaterra sub-21

“O senhor Wenger perguntou se eu estava nervoso. Expliquei ao treinador que não costumo ficar nervoso antes de partidas. Então, ele sorriu para mim e disse para eu desfrutar o jogo”. Assim Fabrice Muamba resumiu a conversa com Arsène Wenger antes de sua estreia como profissional, aos 17 anos, em 25 de outubro de 2005. Os adversários eram o Sunderland e 47 mil pessoas no Stadium of Light pela Copa da Liga. O Arsenal, com Muamba e Alex Song no meio-campo titular, venceu por 3 a 0.

Muamba nasceu na República Democrática do Congo, mas virou inglês aos 11 anos, quando seu pai levou a família para o Reino Unido à procura de asilo político.

Quando ele passou a treinar com o elenco profissional do Arsenal, em 2005, Patrick Vieira trocou Londres por Turim para se juntar à Juventus de Fabio Capello. Fisicamente semelhante a Vieira e figurinha carimbada na seleção inglesa sub-17, Muamba era moldado por Wenger para ser o substituto natural do francês.

O dinâmico volante, entretanto, fez apenas dois jogos pelo Arsenal, ambos em 2005-06. Ele deixou boa impressão e, aos 18 anos, foi emprestado ao Birmingham para ganhar experiência. Com um repertório de passes precisos e muita energia no meio-campo, Muamba arrebentou no St Andrew’s, foi eleito pelos torcedores o Jogador Jovem do Ano e comprado definitivamente por £4 milhões. Certamente não foi a melhor escolha para Muamba, considerando o rebaixamento do Birmingham em sua primeira temporada, mas seu nível era bom demais para que ele não ficasse na Premier League.

O Bolton apareceu na carreira de Muamba com £5 milhões pagos ao Birmingham e quatro anos de contrato. Ele já está em sua quarta temporada no Reebok Stadium e, sem a pieguice que o momento poderia gerar, é o jogador mais regular do clube nesse período. Em 2010-11, quando os Trotters adotaram um estilo menos direto com Owen Coyle, a parceria entre ele e o norte-americano Stuart Holden foi a principal razão para o ótimo desempenho do Bolton.

Muamba tem apenas 23 anos e é um talento que, se tiver a chance, realmente pode se desenvolver a ponto de defender um grande clube na Inglaterra. Com 33 jogos pela sub-21, a convocação para a seleção principal seria questão de tempo e evolução nas próximas temporadas. Mas, agora, sua luta é pela vida. O blog descreveu o atleta, por vezes subestimado, e deixa que Robin van Persie fale da pessoa: “Que grande sujeito! Sempre com um sorriso no rosto. Por favor, Fabrice, traga aquele sorriso de volta. Meus pensamentos estão com você e sua amável família!”.

Leia sobre o mal súbito de Fabrice Muamba.

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quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012 Blackburn, Bolton, QPR, Wigan, Wolves | 13:53

Os desesperados

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Steve Kean resume sua temporada

A classificação da Premier League é muito clara. A menos que um time como Aston Villa ou West Bromwich caia vertiginosamente pela tabela, a luta contra o rebaixamento está restrita a cinco clubes:

Os emergentes do Loftus Road. O Queens Park Rangers tem dinheiro, um bom técnico (sim, Mark Hughes é bom) e agora tem até um ataque decente, com Zamora e o precoce Djibril Cissé, que marcou na estreia e foi expulso no segundo jogo. Os outros setores, porém, não são consistentes. A defesa ganhou Onuoha e Taiwo em janeiro, mas ainda agoniza. Sem o argentino Faurlín até o fim da temporada, Hughes tem de quebrar a cabeça para acertar o meio-campo. Mesmo assim, as eventuais boas atuações de Barton, Wright-Phillips e dos atacantes devem salvar os Hoops.

Os hindus do Ewood Park. É incrível que o Blackburn esteja fora da zona de rebaixamento. Proprietários (indianos) trapalhões e omissos, torcedores pedindo a cabeça do técnico e contratações pífias compõem a mistura dos Rovers em 2011-12. Os destaques individuais, ao menos, decidem alguns jogos. E não são apenas Yakubu, o homem dos gols, e Hoilett, o garoto da correria. O volante N’Zonzi e a dupla titular de zagueiros (Dann e, quando disposto, Samba) são boas compensações à bagunça que ainda deve derrubar o time.

Os impacientes do Molineux. Mick McCarthy pode ser medíocre, mas salvar time do rebaixamento, ele sabe. Foi assim com os Wolves nas últimas duas temporadas, aliás. Por isso, a recente demissão de MM é um flerte promissor com a segunda divisão. Para escapar, o ainda desconhecido substituto (pode ser Steve Bruce, que atrasou a vida do Sunderland) precisa arrumar uma defesa que, mesmo sob a liderança de Roger Johnson, sofreu 12 gols nos últimos quatro jogos e tirar o melhor de Steven Fletcher, o artilheiro e grande jogador da equipe na temporada. Não será fácil.

Os periclitantes do Reebok Stadium. Em sequência, o Bolton venceu o Liverpool, eliminou o Swansea da FA Cup with Budweiser (é o nome oficial do torneio mesmo) e empatou com o Arsenal. E aí? Quando parecia estar em evolução, o time, já sem Gary Cahill, cometeu novamente os erros do primeiro turno. Perder para o Norwich no Carrow Road era normal, mas para o lanterna Wigan, em casa, foi inaceitável. O Reebok Stadium, onde a turma de Owen Coyle perdeu nove de 13 jogos, já não representa mais nada. Ataque apático (N’Gog titular, para a alegria do amigo Frederico Maranhão) e defesa à Chelsea podem rebaixar um clube que prometia, porém não cumpriu.

Os impopulares do DW Stadium. Quase sem público, time e esperança, o Wigan não deve mais desafiar a lógica. Há sete anos na elite, os Latics nunca haviam disputado a Premier League com um elenco tão inexpressivo quanto este. Ainda aparecem vitórias improváveis, mas com menos frequência. Desta vez, não há Lee Cattermole, Jimmy Bullard, Wilson Palacios, Antonio Valencia ou até Emile Heskey para assumir a responsabilidade. Mesmo que Roberto Martínez incentive a equipe a passar a bola, a impressão que fica é de que o Wigan sempre está um nível abaixo dos demais.

Stuart Pearce convocou a primeira seleção inglesa pós-Capello. Veja aqui.

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sexta-feira, 30 de dezembro de 2011 Bolton | 13:53

Tchau, Bolton?

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Enfim, livre: Cahill tem tudo para ser titular no Chelsea

O Bolton aceitou a proposta do Chelsea por Gary Cahill. Do ponto de vista dos Blues, ótimo negócio. Cahill é seguro, ainda tem possibilidade de evolução aos 26 anos e resolve a maior deficiência do elenco. Na perspectiva dos Trotters, uma medida de proteção para não perder o jogador gratuitamente no meio de 2012, mas também uma venda que expõe um erro e aumenta a chance de rebaixamento à segunda divisão.

O contrato do zagueiro da seleção inglesa com o Bolton termina no fim desta temporada. Hoje, está claro que ele deveria ter sido liberado em agosto. Em alguns meses, o valor de Cahill diminuiu consideravelmente, com a imprensa inglesa especulando uma oferta do Chelsea na região de £7 milhões, mais ou menos metade do que se cogitava no mercado de verão. Arrecadando mais, seria possível tapar os inúmeros buracos do elenco sem precisar mudá-lo no meio do caminho.

O Bolton tem uma série de problemas, como um meio-campo viúvo dos ausentes por lesão (Lee e Holden) e má fase dos atacantes, mas o maior deles é um sistema defensivo que sofreu 41 gols em 18 jogos. Sem Cahill, a situação pode piorar. Como Boyata, emprestado pelo Manchester City, tem sido utilizado na lateral, os zagueiros titulares devem ser Knight e Wheater. Para terminar o filme de terror, Paul Robinson (não o goleiro do Blackburn) volta a ganhar espaço com a lesão de Marcos Alonso.

A quatro pontos de sair da zona do rebaixamento (não é tão simples: conquistou apenas três em seu estádio), o Bolton se vê favorito à queda sem seu quase ex-principal jogador. A esperança pode estar num passado recente, quando o time goleou o Stoke ou dominou o Blackburn no primeiro tempo de um jogo decisivo. Janeiro até costuma ser um ótimo mês para Coyle, que tem um histórico de empréstimos bem interessante, com Weiss, Wilshere e Sturridge nos últimos anos. Mas, agora, tudo é mais difícil.

19ª rodada
Sexta, 17h45 – Liverpool x Newcastle (RedeTV!, ESPN Brasil, ESPN HD)
Sábado, 10h45 – Man Utd x Blackburn (ESPN Brasil, ESPN HD)
13h – Arsenal x QPR (ESPN Brasil)
13h – Bolton x Wolves
13h – Chelsea x Aston Villa (ESPN, ESPN HD)
13h – Norwich x Fulham
13h – Stoke x Wigan
13h – Swansea x Tottenham
Domingo, 10h30 – WBA x Everton
13h – Sunderland x Man City (ESPN Brasil, ESPN HD)

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sábado, 17 de setembro de 2011 Bolton, Premier League | 20:08

Dados malditos

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"Zonal Whoever", Coyle? Francamente...

Você conhece o Zonal Marking? Se não, fica a dica de mais um espaço interessante para quem gosta de tática em futebol. Apesar de ser referência na Inglaterra, o trabalho independente de Michael Cox não é muito popular no Reebok Stadium. Talvez seja porque, ao fim de 2010-11, ele tentou rebater, com um estudo detalhado, a ideia de que “o Bolton jogou um futebol atrativo sob Owen Coyle”.

Os Trotters tiveram baixos índices de posse de bola, passes completados e passes curtos, além de recorrerem com frequência a bolas longas e altas e serem o time mais faltoso da liga. Está tudo aqui. Em entrevista à revista FourFourTwo, o técnico Owen Coyle desmentiu o artigo sem nenhuma sutileza (veja ao lado). Ele tinha o direito e até a razão em dizer que “nada supera o olho nu no futebol”, mas esqueceu a polidez ao chamar o espaço de Cox de Zonal Whoever e, depois, Zonal Whatever.

O Zonal Marking conclui o texto da discórdia assumindo que havia exibido “gráficos crus” e “a satisfação dos torcedores é mais importante”, como pensa Coyle, que não deve ter lido o artigo. Apesar da 14ª posição no fim, o Bolton pôde sorrir pelo que fez. Coyle conseguiu resultados melhores que os de Gary Megson, seu antecessor, e a bola foi mais bem tratada. Isso se deve muito a atuações dos wingers Lee e Petrov e a emprestados como Wilshere e Sturridge. O puro futebolton não lhes servia mais, só que as peças-chave se revelaram mais relevantes do que a mudança de estilo, que às vezes esbarra em limitações.

Em seus últimos dez jogos na Premier League (cinco em 2010-11), o Bolton perdeu nove. Tem três pontos em 2011-12, os da goleada sobre o QPR. O time agonizou sem Stuart Holden no fim da temporada passada e coleciona problemas nesta: Ricketts, Mears (reforço), Lee (importantíssimo para quebrar defesas), Holden, Gardner, Sean Davis e Marcos Alonso, todos fora. Hoje, a derrota que quebrou o mito da tabela difícil. Após perder para City, Liverpool e United, o Bolton caiu em casa para o Norwich por 2 a 1. O líder da primeira rodada pode começar a semana na zona de rebaixamento.

O próprio blog já elogiou muito Coyle e mantém tudo isso. Só o fato de ele encorajar, com sucesso, a equipe a abandonar o futebol inglês de 40 anos atrás já justifica aplausos. No entanto, um pé no chão, como o que faltou na FA Cup da temporada passada, cairia bem. Afinal, o Bolton sofreu 13 gols nos últimos quatro jogos. Os números do Zonal Marking não dizem tudo sobre o time, mas lembram que, ainda mais sem tanta gente importante, ele não pode simplesmente confiar em São Gary Cahill e só pensar em atacar (o que explica Muamba no banco?). É hora de parar e refletir.

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domingo, 24 de abril de 2011 Bolton, Treinadores | 18:17

Empreste ao Bolton…

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Owen Coyle, que já ajudou o Arsenal, vai presentear o Chelsea com um Sturridge bem mais confiante

…Pelo menos enquanto Owen Coyle estiver lá. O ótimo treinador sabe trabalhar com jovens. Na vitória sobre o Arsenal, Coyle repetiu a postura suicida da tragédia na FA Cup, inclusive com Elmander no meio. Mas teve uma diferença: em vez de Klasnic, foi Sturridge quem acompanhou Davies no ataque, deixando o time bem mais leve.

Ou simplesmente melhor. Emprestado pelo Chelsea, o atacante de 21 anos só não é mais importante que o grande zagueiro Gary Cahill. Em Stamford Bridge, ele parecia sem confiança. Daí a necessidade desses seis meses longe de uma concorrência pesada. No Bolton, são sete gols em nove jogos. Coyle transformou o patinho feio no atacante dos Blues em melhor fase.

Em 2009-10, o técnico contribuiu muito para o desenvolvimento do eslovaco Weiss, do Manchester City, e de Wilshere, cedidos ao Bolton nos mesmos moldes de Sturridge. Weiss estava emprestado ao Rangers e fazia boa temporada. Wilshere, aplaudido no Reebok Stadium, é titular da seleção inglesa e o melhor jovem do ano.

Coyle tem um quê de Wenger. No fim de 2009, quando ainda comandava o Burnley, já tentava articular o empréstimo de Wilshere. E foi trabalhando com vários garotos que o escocês levou esse clube à Premier League. Jay Rodriguez, de ascendência espanhola, é a melhor herança que ele deixou no Turf Moor. O winger de 21 anos pode reconduzir os Clarets à elite ainda em 2011.

No entanto, ele não exclui os mais experientes de sua pauta. Por exemplo, teve dois ótimos anos com o quase quarentão Graham Alexander, especialista em cobranças de pênaltis que chegou a 1000 jogos como profissional em abril. Tanto é que, por empréstimo, Coyle recebeu até Andy Cole no Burnley em 2007-08. O ex-atacante fez mais gols com ele do que com qualquer outro em suas últimas temporadas.

Portanto, se for necessário desenvolver ou recuperar um jogador, não hesite: empreste ao Bolton.

Sábado insano
O Sunderland venceu pela primeira vez desde 22 de janeiro. Com o placar marcando 1 a 1 contra o Wigan, Welbeck e Gyan já tinham saído por lesão. Como não havia atacantes no banco (Fraizer Campbell está fora da temporada), Sessegnon e o ótimo Henderson tiveram de resolver: 4 a 2, com três gols em 11 minutos e sem ataque. E houve muito mais: gols de Joe Cole e Lovenkrands, Torres provocando edição de site e hat-trick de Maxi Rodríguez

Seleção do fim de semana
Howard (Everton); Simpson (Newcastle), Cahill (Bolton), Jagielka (Everton), Cole (Chelsea); Valencia (Man Utd), Henderson (Sunderland), Lampard (Chelsea), Maxi (Liverpool); Suárez (Liverpool), Chicharito (Man Utd)

*Bacana demais, a homenagem de Tamir Cohen ao pai Avi na comemoração do gol da vitória do Bolton. O zagueiro Avi Cohen foi o primeiro israelense a atuar na Inglaterra (Liverpool, 1979-81) e, há quatro meses, faleceu após acidente de moto

*Excelente Páscoa aos leitores!

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domingo, 17 de abril de 2011 Bolton, Copas Nacionais, Debates, Stoke City | 21:17

O Bolton ofereceu, o Stoke aceitou

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A loucura de Coyle: no primeiro tempo, Elmander parecia um boxeador golpeado

O Bolton entregou o ouro ao Stoke, classificado à final da FA Cup contra o Manchester City. Owen Coyle não tinha Holden, fora da temporada, e Sturridge, que havia atuado pelo Chelsea. Foi o suficiente para ele tomar duas decisões infelizes: escalar Klasnic ao lado de Kevin Davies e o atacante Elmander como volante.

Após a chegada de Sturrrige, em janeiro, Coyle manteve o 4-4-2 e deslocou Elmander ao lado direito. Dá certo porque o atacante emprestado pelo Chelsea se movimenta muito, e a equipe se mantém protegida pelo meio com dois autênticos volantes. Na semana passada, Elmander de fato jogou ao lado de Muamba, mas sem o paradão Klasnic à frente e contra um time que também se expõe demais, o West Ham de Avram Grant.

Não é motivo para crucificar Coyle, um treinador de mão cheia, ou mesmo para minimizar os 5 a 0 do Stoke, que aproveitou a oferta do Bolton. Os Potters vinham de resultados terríveis fora de casa, mas os torcedores responderam ao pedido de Tony Pulis e transformaram metade do Wembley no Britannia. Além da vaga na final, esse obstinado time praticamente se garante na Liga Europa.

A goleada sobre um Bolton incrivelmente frágil na defesa também serve para enterrar preconceitos tolos. Ainda que o Stoke tenha um estilo de jogo muito físico, os estereótipos não podem encobrir as outras qualidades do time. É verdade que Delap joga sobretudo por conta de seus arremessos laterais para a área, um recurso como tantos outros, mas a equipe tem muito mais que isso.

Pennant vai mandar a bola para a área... com o pé

O zagueiro Huth ressuscita sua carreira com uma notável habilidade para marcar gols – já são nove na temporada, mesmo número de Fernando Torres. Seu parceiro Shawcross, o capitão do time, é ótimo e, ao lado de Piqué, do Barcelona, poderia formar uma defesa para vários anos no Manchester United, que avaliou mal os dois enquanto eles estavam em Old Trafford.

Pulis tem dois jogadores em ótima fase no meio: os wingers Pennant e Etherington. O primeiro, instável no Liverpool e problemático no Zaragoza, quebra as defesas adversárias, como quando serviu Kenwyne Jones no terceiro gol dos Potters. Etherington é mais técnico, mas também impõe correria quando necessário. À frente deles, Walters e Jones não marcam tantos gols, só que atormentam defesas e seguram bem a bola.

Relativamente tranquilo na tabela, o Stoke já vai para sua quarta temporada consecutiva na elite. Quase sempre era apontado como candidato ao rebaixamento, mas Pulis usou todos os recursos (inclusive e não somente Delap) que poderia para tornar seu time um adversário complicado para qualquer um, especialmente no Britannia. Silenciosamente, o clube se desenvolve, contrata para reduzir suas carências e não poderia ter resultados melhores. Ensiná-los a jogar é uma bobagem.

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sábado, 12 de março de 2011 Bolton, Temporada, Treinadores | 20:33

Pés e bola no chão

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Dizem que Owen Coyle poderia fazer um cosplay mal-acabado de George Clooney

Responsável pelo remodelado Bolton, Owen Coyle é outro ótimo treinador da linha de produção escocesa. Aos 44 anos, nada deve a Alex McLeish e David Moyes. Para chegar a esse patamar, ele teve de trabalhar muito em pouco tempo.

Em 2005, o ex-atacante começou a nova carreira no St. Johnstone, então na segunda divisão de seu país. O time de Perth, que se arrastava nas temporadas anteriores, conseguiu dois segundos lugares consecutivos sob o comando dele. Coyle não levou os Saints à Premier League local, mas tem seu espaço na história do clube. Com ele, o St. Johnstone venceu o Rangers em Glasgow pela primeira vez em 35 anos.

O escocês chegou à Inglaterra pela porta do Burnley. Bastaram duas temporadas para os Clarets retornarem à elite após 33 anos, razão para vários torcedores divinizarem o treinador: “Owen Coyle é Deus“, dizia uma página no Facebook. Seu Burnley fazia bom papel na primeira divisão até janeiro de 2010, quando o técnico atraiu o interesse do Bolton, que havia demitido Gary Megson. A oportunidade profissional e a identificação com o time pelo qual marcou seus gols de 1993 a 1995 o fizeram aceitar a proposta.

Coyle pagou caro do ponto de vista emocional. Em Burnley, foi de Deus a Judas. Ele também corria o risco de se afundar. Se caísse com os Clarets, tudo certo. Cedo ou tarde, teria outra chance na Premier League. No novo clube, não era bem assim. Os Trotters não visitam a segunda divisão desde 2001. Por pior que fosse a herança deixada por Megson, o escocês poderia ser demitido e perder mercado. Após algum sofrimento, um Bolton titubeante conseguiu a manutenção.

McLeish treinou Coyle no Motherwell. Como o Birmingham de 2009-10, o Bolton tem o esquema e os titulares bem definidos

Para 2010-11, Coyle mudou tudo. Num claro 4-4-2, o estadunidense Holden ganhou espaço e faz parceria interessante com Muamba. Eles passaram a acionar mais os velozes wingers Lee e Petrov, que começaram muito bem a temporada antes de caírem um pouco. Elmander sai da área, marca gols e dá assistências como nunca. O parceiro Kevin Davies lidera o time e recebe menos cartões. O goleiro Jaaskelainen segue em boa forma. À frente dele, Knight e o ótimo Gary Cahill dão o recado. Nem os laterais Steinsson e Robinson comprometem.

A obsessão por bolas longas e o suposto jogo sujo, que inspiraram ódio pelo clube mesmo nos grandes momentos da era Allardyce, ficaram para trás. Até os empréstimos de Weiss, Wilshere (temporada passada) e Sturridge sinalizam isso. O novo estilo foi recompensado oficialmente em novembro, quando Coyle ganhou o prêmio de Treinador do Mês.

Após a chegada de Sturridge, Elmander, o homem mais alto do ataque, tem jogado à direita do meio-campo. Antes, seria um desperdício. É claro que o time pode recorrer a bolas altas, como na vitória sobre o Birmingham na FA Cup. Mas a abordagem mudou. Na sétima posição da liga e nas semifinais da Copa, Coyle é novamente divino.

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