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Arquivo da Categoria Brasileiros

quinta-feira, 20 de setembro de 2012 Brasileiros, Chelsea, Copas Europeias | 13:40

O compromisso de Oscar

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A legião brasileira do Chelsea apressa a adaptação de Oscar

Oscar foi brilhante em sua estreia como titular no Chelsea. Escalado como armador central por Roberto Di Matteo, o brasileiro realizou um provável sonho de infância ao marcar dois gols (o segundo, espetacular) em seus primeiros 33 minutos de Champions League. A Juventus ainda buscou o empate por 2 a 2, mas não tirou de Oscar a certeza de que ele foi o dono da noite.

Quando aceitou o Chelsea, há dois meses, Oscar assumiu um enorme desafio. Apesar da rápida ascensão na seleção brasileira, o que é evidentemente uma referência para quem contrata, o ex-jogador do Inter teria de contrariar a lógica para conquistar um lugar na equipe em curto prazo. Com raras exceções, não deve haver espaço para Hazard, Mata e Oscar ao mesmo tempo, pois Di Matteo exige um carregador de bola (no caso, Ramires) em seu 4-2-3-1.

Com o impacto instantâneo de Hazard, que passa a ser imprescindível ao Chelsea, está aberta a disputa entre Oscar e Mata, líder em assistências do time na temporada passada. O espanhol é mais experiente e estabilizado no futebol europeu, mas o brasileiro pode ganhar terreno gradualmente – e não somente pelo talento descomunal.

Da partida contra a Juventus, ficam marcados os gols, especialmente pela raridade do segundo. No entanto, há outro aspecto que torna a atuação de Oscar ainda mais notável. Antes do confronto, o brasileiro não foi designado apenas para armar o time, mas também para atrapalhar o principal jogador adversário. Tinha de perseguir Pirlo, que sempre organiza a Juventus de uma posição bem próxima à defesa, o que dificulta demais a marcação sobre ele. Oscar executou esse trabalho perfeitamente, limitando a ação do regista.

A eficiência na recomposição defensiva certamente foi fundamental para que Oscar se tornasse titular absoluto da seleção. É a antítese de PH Ganso, que tem cara e disposição de ontem. No Chelsea, a concorrência é mais pesada, mas não há motivo para apostar contra ele. Se associar o talento a esse compromisso tático, que Di Matteo fez questão de exaltar na entrevista pós-jogo, Oscar pode ser titular bem antes do que acreditávamos.

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terça-feira, 10 de julho de 2012 Brasileiros, Chelsea, Man Utd | 20:29

Oscar e Lucas

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A seleção brasileira sub-20 de 2011 é bem íntima dos tabloides ingleses. Há um ano, Neymar era o sonho de consumo do Chelsea. Casemiro foi especulado no Arsenal. Bruno Uvini deu um pulo no Tottenham. E, finalmente, Henrique ficou a um visto de trabalho do Queens Park Rangers. As bolas da vez são Oscar, que estaria bem perto do Chelsea, e Lucas, cortejado pelo Manchester United. São contratações que podem mesmo acontecer, mas precisam ser analisadas criticamente.

Oscar corre dois riscos no Chelsea. O primeiro, natural para um jogador de 20 anos, é o da reserva. Particularmente em Stamford Bridge, o cenário não é animador, ainda que o brasileiro seja versátil (no Inter, por conta de D’Alessandro, habitualmente atua aberto pela direita) e Roberto Di Matteo tenda a manter o 4-2-3-1 da temporada passada. Hazard, Mata e Ramires não devem frequentar banco. Ninguém que, por idade, precise ser substituído nos próximos anos.

Lucas e Oscar, amigos desde a base do São Paulo

O outro risco é o da mudança de posição, em função do congestionamento de meias ofensivos no elenco – e isso inclui o ascendente brasileiro Lucas Piazon. Oscar pode ser preparado para, em médio prazo, substituir Lampard, adaptado por Di Matteo a um posicionamento mais defensivo, de saída de bola. Capacidade e consciência tática para isso, ele tem. É uma questão de disposição para aprender e esperar.

Assim, o maior desafio de Oscar é controlar a pressa de ser protagonista, quesito em que ele falha, como indica o litígio com o São Paulo. Em síntese (quem se aventura no Football Manager vai entender): no Tottenham, onde também foi especulado, Oscar seria sucessor de Modric, um “jogador importante da equipe principal”; no Chelsea, ao menos na primeira temporada, será usado num “sistema de rotação do plantel”.

Mais estranha do que a aproximação do Chelsea a Oscar é o flerte do United com Lucas. No tradicional 4-4-2 (ou 4-4-1-1) de Alex Ferguson, onde você imagina que ele vai jogar? A princípio, há apenas uma posição pela qual o brasileiro pode brigar: lado direito do meio-campo. Lucas seria concorrente direto do ótimo Antonio Valencia, que recebeu de Ferguson o místico número 7. Quando atuou à esquerda, na seleção, ele não foi bem.

Para usar uma referência do futebol inglês, Lucas é parecido com Theo Walcott, e não apenas fisicamente. Apesar da saída de Park, com Young, Nani e Valencia no elenco, o clube deveria ter outras prioridades para aplicar os £32 milhões que estariam reservados ao garoto do São Paulo. Em Old Trafford, mesmo com as contratações de Powell e Kagawa, faltam opções centrais e sobram velocistas. Como se não bastasse, Lucas é daqueles que reclamam de marcar o lateral adversário.

Curiosamente, faria muito mais sentido o United correr atrás de Oscar, assim como Lucas está mais relacionado à necessidade do Chelsea.

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segunda-feira, 18 de julho de 2011 Brasileiros, Jogadores | 19:07

Fórmula de insucesso

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Caçapa: saudades no Lyon e nos adversários do Newcastle

Precisa de reforços? Vá buscá-los na Inglaterra. Alguns clubes brasileiros têm seguido esse caminho. O São Paulo acertou o empréstimo do volante Denílson, do Arsenal. O Corinthians tenta chegar a um acordo com o Manchester City pelo rebelde argentino Carlos Tevez. A imprensa gaúcha noticiou há pouco o interesse do Internacional por outro atacante do City, o brasileiro Jô.

Em 2008-09, na casa dos 21 anos, Denílson fez 51 jogos pelo Arsenal. Esse número desabou para uma média de 30 partidas nas últimas temporadas devido a problemas físicos, o crescimento de Jack Wilshere e uma evidente estagnação em seu desenvolvimento. Jô quase não joga no City. A exceção é Tevez, o melhor da Premier League 2010-11 para o blog.

Ainda que o argentino seja a única contratação plenamente segura (em campo, é claro), todos eles podem dar boas respostas no Brasil. O problema é que várias das capturas “inglesas” fracassaram por aqui. O blog recapitula os exemplos recentes, bons e ruins:

Belletti, do Chelsea para o Fluminense em 2010. Apesar do salário alto, era difícil prever a lamentável relação custo / benefício de Belletti no Flu. O último ano no Chelsea não foi dos piores, com o brasileiro participando, geralmente como alternativa a Ballack, de alguns jogos das campanhas vitoriosas na Premier League e na FA Cup. Foi mais importante em Bridge do que nas Laranjeiras.

Caçapa, do Newcastle para o Cruzeiro em 2009. As duas temporadas de Caçapa em St James’ Park foram fracas. Atabalhoado, não parecia o zagueiro seguro que capitaneou o Lyon por cinco anos. O relativo insucesso na Toca da Raposa não chegou a surpreender.

Deco, do Chelsea para o Fluminense em 2010. Talvez a grande decepção da lista. Deco não era um dos favoritos de Ancelotti, mas foi titular, por exemplo, no jogo decisivo para o título do Chelsea em 2009-10, a vitória por 2 a 1 sobre o Manchester United em Old Trafford. Ele até se lesionava bastante em Stamford Bridge, porém a tendência a problemas físicos ficou mais evidente no Fluminense.

Gilberto, do Tottenham para o Cruzeiro em 2009. Em Londres, Gilberto anunciou ao mundo (Dunga não pegou) que não era mais lateral-esquerdo. Foram 18 meses quase nulos em White Hart Lane, com o brasileiro perdendo a concorrência para Assou-Ekotto, Bale, Chimbonda… No Cruzeiro, rendeu bem mais como meia de ligação.

Umbabarauma, homem-gol

Ilan, do West Ham para o Inter em 2010. Ilan, acredite, marcou gols importantes na bem-sucedida luta dos Hammers contra o rebaixamento. O semestre na Inglaterra anunciava algo melhor do que uma passagem melancólica pelo Inter.

Robinho, do Manchester City para o Santos em 2010. Após um começo horroroso de temporada, Robinho chegou a ser a sexta opção de ataque no City (atrás de Tevez, Adebayor, Bellamy, Santa Cruz e Benjani). O empréstimo ao Santos foi bom para o contrariado atacante, que se revigorou e preparou o terreno para um ótimo ano de estreia no Milan.

Rodrigo Possebon, do Manchester United para o Santos em 2010. Havia grandes expectativas sobre o volante revelado pelo Internacional, mas uma entrada insana do nada saudoso Pogatetz, então no Middlesbrough, foi um golpe na carreira dele. A perna fraturada voltou ao normal. No entanto, Possebon falhou na tentativa de impressionar Ferguson e, ofuscado pelo ótimo Danilo, ainda não conseguiu emplacar na Vila Belmiro.

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quinta-feira, 30 de junho de 2011 Aston Villa, Brasileiros, Liverpool | 10:06

Vale a pena apostar em Diego?

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Diego quer a Inglaterra, mas certamente reza para não trabalhar de novo com Steve McClaren

Depois de sete temporadas, três países e quatro clubes na Europa, o brasileiro Diego quer jogar na Inglaterra. “É o meu sonho”, disse ao Independent. O meia do Wolfsburg não chegaria à Premier League com o status que o levou a Porto e Juventus. O antigo parceiro de Robinho precisa reconstruir a carreira após dois anos sem brilho. No Werder Bremen, ele foi bem. Seria um time inglês o melhor lugar para tentar de novo?

Diego é especulado em Liverpool e Aston Villa. Kenny Dalglish tem sido apontado como um de seus admiradores, e Alex McLeish também estaria interessado. O brasileiro afirma que “começou a conversar” com alguns clubes, sem especificá-los. É tudo rumor, mas os eleitos possíveis destinos do meia servem para entender por que os termos do contrato não devem ser o único critério para a decisão dele.

A primeira dificuldade aparece na posição de Diego, que rende mais como um meia de ligação com liberdade para criar. A função tem se tornado frequente na Inglaterra, mas inexiste em várias equipes. Dependendo de seu novo clube, o brasileiro pode ter de se adaptar a um papel com mais responsabilidades defensivas, como o de Modric no Tottenham. Não seria um começo promissor.

No Liverpool, Diego enfrentaria concorrência muito pesada. São opções pelo meio Gerrard, Meireles (pode sair), Henderson, Lucas, Spearing, Shelvey (pode sair) e, provavelmente, Charlie Adam. Com Suárez e Carroll a princípio absolutos, o esquema fica sem tantas variações pela conveniência da dupla de ataque. A figura do meia de ligação perde espaço, sugerindo que Diego não é o jogador de que o time precisa. Pelo menos, não para ser titular de cara.

Apesar da suposta preferência de McLeish pelo 4-4-2 ortodoxo (esquema que não permitiria a Diego jogar em sua posição natural), a situação no Aston Villa seria mais confortável. A formação mais utilizada por Houllier na última temporada tinha um meia de ligação: Ashley Young, adaptado a uma função central. Como Young foi vendido ao Manchester United, Diego seria seu substituto, com dois pontas e Darren Bent para municiar e dois volantes (Makoun e Petrov?) que lhe dariam liberdade.

Por £10 milhões, Diego é aposta válida para qualquer clube que tenha a real intenção de aproveitá-lo onde ele funciona. Vale lembrar que o brasileiro nunca foi um Samir Nasri, que pode jogar nas duas pontas, como meia ofensivo e até como volante no Arsenal, de acordo com a necessidade. Se de fato houver algumas propostas da Inglaterra, qual a melhor opção: Liverpool, Aston Villa, outro? Depende da disposição dele para brigar por espaço, mas o Villa parece ser um destino mais seguro.

Lembrete
A temporada começa hoje para o Fulham, que, classificado pelo Fair Play, abre a participação inglesa na Liga Europa. Veja a prévia do confronto contra o NSI Runavik. O trabalho é dos amigos do Fulham Brasil.

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segunda-feira, 6 de junho de 2011 Brasileiros, Curiosidades, Review | 11:09

A temporada: O carisma de David Luiz

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Contratado pelo Chelsea em janeiro, David Luiz merece capítulo à parte no review da temporada. O zagueiro brasileiro ignorou o tempo de adaptação, e a mudança de Portugal para a Inglaterra foi bem tranquila. David levou o prêmio de Jogador do Mês da Premier League em março, marcou gols contra os dois times de Manchester e impressionou pela técnica e intensidade. Ele ainda falhou em momentos importantes, mas o saldo de seu primeiro semestre é muito positivo.

David, que ganhou música em pouco tempo, destacou-se também pelo ótimo humor. Em março, longe de dominar o idioma, o brasileiro contou com a ajuda de Paulo Ferreira para uma mensagem inicial em inglês:

Em abril, o zagueiro zombou de Fernando Torres e Frank Lampard. Mesmo sem entender muito, ele concordou com todas as afirmações de uma entrevista após Chelsea 3 x 0 West Ham, jogo do único gol do espanhol pelos Blues. David, vale lembrar, marcou mais do que Torres no novo clube (2 a 1):

Já em maio, ele começou a importunar uma repórter da Chelsea TV, que falava sobre a possível decisão da Premier League contra o Manchester United:

Na abertura da premiação dos melhores do ano, David provou ser referência. Didier Drogba copiou seu estilo para incomodar a mesma repórter. O zagueiro fechou a temporada com uma breve aparição:

*Com a colaboração de Francisco De Laurentiis

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terça-feira, 24 de maio de 2011 Brasileiros, Jogadores, Liverpool | 09:46

Parabéns, Lucas

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Não foi fácil, mas ele se levantou

Rejeitado até a temporada passada, Lucas foi eleito pelos torcedores o Jogador do Ano no Liverpool. O prêmio é um presente à fantástica recuperação do brasileiro, comentada pelo blog há dois meses. Na lista com os melhores e os piores da Premier League 2010-11, o volante titular da seleção de Mano Menezes foi considerado o jogador que mais evoluiu em relação à temporada passada.

Lucas recebeu 40% dos votos. Kuyt, Reina, Meireles e Suárez completaram o Top Five. A escolha é discutível, mas está longe de ser equivocada. Apesar do bom segundo semestre, a temporada do Liverpool foi repleta de altos e baixos também individualmente. Mesmo sem nenhum dos prêmios mensais concedidos pelo patrocinador, Lucas é ótimo desde novembro.

O brasileiro, que fez só um gol, é o terceiro do Liverpool com mais jogos em 2010-11. Suas 47 atuações perdem apenas para as 50 de Reina e as 49 de Skrtel. Gerrard penou com problemas físicos e jogou só 24 vezes. Suárez, o grande responsável em campo pela recuperação do time, dificilmente seria eleito com quatro meses de casa. Kuyt (artilheiro dos Reds), Reina e Meireles tiveram temporada equivalente à de Lucas, que mereceu o prêmio até pela evolução.

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sexta-feira, 20 de maio de 2011 Brasileiros, Chelsea, Curiosidades, Jogadores | 07:50

Gol de ouro

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Eram 46 minutos do segundo tempo de Chelsea x Manchester City, em 20 de março, quando Ramires recebeu a bola de Essien. O brasileiro passou facilmente por Lescott e Kolarov. Barry, como contra Özil na Copa, só corria atrás. A finalização foi indefensável até para Joe Hart. O golaço de Ramires, que selou a vitória dos Blues por 2 a 0, foi eleito o mais bonito do clube na temporada*. Assista:

O evento de ontem, que marcou o fim da temporada decepcionante do Chelsea, premiou também o goleiro Petr Cech (o melhor para os torcedores), o lateral-esquerdo Ashley Cole (o melhor para os jogadores) e o meia Josh McEachran (revelação). Ramires não foi o grande homenageado da festa, mas o troféu de Gol do Ano prepara o terreno para um sucesso quase certo em Stamford Bridge.

A dupla brasileira, que encantava Lisboa, já justificou o investimento

Em parte porque ele conquistou o grupo. Quem não se lembra da comemoração coletiva do primeiro gol do brasileiro pelo clube? Ontem, Ancelotti brincou após a entrega do prêmio: “quero agradecer a todos pelo Ramires porque ele não falou nada (em inglês)”. Bem-humorado, o meia disse que está “aprendendo rápido”.

Depois e principalmente porque ele é muito bom: meio-campista raro, box-to-box, técnico e incansável. Todo mundo sabe que o início foi difícil e que ele falhou em ocasiões importantes, como no jogo do primeiro turno contra o Manchester City. No entanto, a recuperação e a adaptação ao ritmo inglês vieram cedo.

A despeito da temporada abaixo da média de Obi Mikel, o brasileiro teve de conquistar seus 41 jogos em 2010-11, 33 como titular. Quando Ancelotti precisou abrir mão do meio-campo com três peças, em tese mais adequado para Lampard e Ramires, o ex-cruzeirense virou right winger e foi muito bem. Além de ótimo, é versátil.

Não é segredo: a história dos brasileiros na Inglaterra ainda é muito pobre em relação a outras grandes ligas europeias. O melhor deles foi Juninho Paulista, que teve três passagens pelo Middlesbrough e foi brilhante em 1996-97. Se continuar evoluindo e aumentar sua média de gols (foram só dois na primeira temporada), Ramires, convocado ontem para a Copa América, tem boas chances de chegar lá.

*Belletti levou o mesmo prêmio em 2007-08

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quinta-feira, 31 de março de 2011 Brasileiros, Jogadores, Liverpool | 16:33

A notável recuperação de Lucas

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Em cinco meses, Lucas foi de rejeitado a ídolo em Anfield

A renovação do contrato de Lucas com o Liverpool parece natural agora, mas o volante só se achou na quarta temporada em Anfield. A ascensão dele, brevemente mencionada há 11 dias, não foi nada simples.

Bola de Ouro da Placar no Brasileiro de 2006, Lucas, então com 20 anos, transferiu-se do Grêmio para o Liverpool por £5 milhões. A disputa de cinco jogadores (Gerrard, Xabi Alonso, Mascherano, Sissoko e o próprio Lucas) por duas vagas deixava claro que ele precisaria de tempo para achar seu espaço.

Atuando esporadicamente, Lucas mostrou pouco, mas Rafa Benítez confiava nele. Isso ficou evidente em janeiro de 2008, quando o clube vendeu Sissoko à Juventus. Um ano depois, assim que Robbie Keane foi devolvido ao Tottenham, Benitez implantou o 4-2-3-1, alinhando Xabi e Mascherano e deixando Gerrard próximo a Torres. Lucas já era reserva imediato.

O Liverpool terminou 2008-09 no segundo lugar, mas com campanha de campeão (86 pontos, número do Chelsea na temporada passada). A expectativa pelo primeiro título do clube na Premier League só aumentava. A saída de Cristiano Ronaldo do Manchester United fez muita gente pensar: “é agora”. Na contramão, o dínamo do time, Xabi Alonso, deixava Anfield. O substituto era o ex-romanista Alberto Aquilani, que chegou lesionado e fracassou.

Após duas temporadas, Lucas enfim tinha status de titular, mas não do jeito certo. A parceria com Mascherano estava fadada ao insucesso, já que a tarefa de organizar o time não poderia recair sobre nenhum deles. Lucas e o Liverpool tiveram um 2009-10 terrível. A torcida vaiava sistematicamente o brasileiro, que ganhou a enorme (e imprópria) responsabilidade de substituir Alonso e nunca havia atingido seu potencial.

O poder do Kop: aplausos são mais bem recebidos

Em agosto, um inseguro Lucas era possível reforço do Stoke. Acabou ficando e, mais uma vez, não começou bem a temporada. No entanto, a primeira partida do Liverpool sob o novo proprietário John Henry, o clássico contra o Everton em Goodison Park, foi também o último jogo fraco do brasileiro, que parecia ser caso perdido no futebol inglês.

Adaptado à velocidade do jogo e à função mais defensiva, Lucas manda prender e soltar e parece estar em muitos lugares ao mesmo tempo. Ele sofreu demais até conquistar a torcida, mas a perseverança valeu a pena. Hoje, é um dos preferidos de Kenny Dalglish e merece, de fato, ser titular da seleção brasileira. Renovar o contrato, diz ele, foi uma “decisão fácil”. Depois de cinco meses assim, o Liverpool também não pensou duas vezes.

No início do mês, Lucas concedeu ótima e franca entrevista (em inglês) à TV do Liverpool. Ele fala sobre a comparação com Xabi Alonso, como lidava com as pesadas críticas e aponta a importância de Rafa Benítez em seu desenvolvimento.

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segunda-feira, 28 de março de 2011 Brasileiros, Debates, Jogadores | 12:15

Neymar e os ingleses

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Neymar apavora defesa de Premier League no Emirates. "Palhinha", diz ele

Neymar arrebentou em competições domésticas e estreou na seleção brasileira, longe da Europa, com gol sobre os Estados Unidos. Só assim, atraiu o interesse do Chelsea, que ofereceu £25 milhões por ele em agosto. Depois, abusou do poder no Santos, liderou o time no Brasileiro, acabou com o Sul-Americano sub-20 e, enfim, apresentou-se de fato aos ingleses no amistoso de ontem contra a Escócia, em Londres.

As vaias recebidas só ratificam o novo peso do brasileiro no Reino Unido. Neymar manteve o costume de forçar faltas e ganhou a antipatia dos escoceses, mas foram os dois gols e o pesadelo que impôs à defesa adversária que atraíram as atenções. Só é preciso não confundir o episódio de racismo, individual (e ainda não esclarecido), com as aceitáveis vaias, coletivas. Afora isso, ele conquistou todos.

Rio Ferdinand, por exemplo, elogiou Neymar e o comparou a Cristiano Ronaldo mais jovem. Ao Globoesporte.com, o atacante do Santos disse não saber se a atuação foi “cartão de visitas”, mas chamou de “palhinha”. Mano Menezes aprovou uma eventual transferência do brasileiro à Premier League. Ainda em Londres, Neymar pode conhecer (se ainda não o fez) as instalações do Chelsea, que certamente já enxerga um investimento seguro. Mais maduro e compatível com qualquer esquema tático, ele vai para onde preferir.

A linha de defesa da Escócia era toda da Premier League: Hutton (Tottenham), Caldwell (Wigan), Berra (Wolves), e Crainey (Blackpool). Podem não ser parâmetro para muito, mas são potenciais adversários. O único problema, o cai-cai, foi levantado pelo ex-jogador escocês Pat Nevin, que passou por Chelsea e Everton: “vive num universo paralelo”. Se quiser a Inglaterra, Neymar vai precisar de um tempo para se livrar das vaias de quem perseguiu, por exemplo, Eduardo da Silva por inventar um pênalti. Do primeiro quarteto da Premier League, ele já se livrou.

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terça-feira, 22 de março de 2011 Brasileiros, Entrevistas, Jogadores, Wolves | 17:58

Entrevista: Adriano Basso, do Wolverhampton

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Em 2007, Basso ganhou até prêmio regional da BBC: o jogador que mais se destacou no oeste da Inglaterra

No tumultuado mercado de inverno inglês, um brasileiro realizou um sonho à sombra das caras transferências de Torres, Carroll, Dzeko, Suárez e David Luiz. Há sete temporadas na Inglaterra, o goleiro Adriano Basso, de 35 anos, chegou discretamente à Premier League pela porta do Wolverhampton, atual 18º colocado.

A trajetória de Adriano chama muito a atenção. Paulista de Jundiaí, o goleiro atuou na Ponte Preta e no Atlético Paranaense. Em 2003, foi à Inglaterra para se casar. A noiva, Alessandra, fazia intercâmbio no país. O plano não era ficar, mas uma surpreendente chance no Arsenal, onde treinou por três meses, mudou tudo.

Depois, foram seis anos em divisões inferiores. Basso passou pelo pequenino Woking, foi ídolo no Bristol City e eleito o melhor jogador do clube em 2007-08.  Nos Wolves, o brasileiro ainda busca seu espaço. Hennessey e Hahnemann, no Molineux há mais tempo, são as primeiras opções.

Em entrevista ao blog, o goleiro fala das dificuldades iniciais, os ótimos anos em Bristol, o segredo dos Wolves para vencer os grandes e diferenças entre o futebol brasileiro e o inglês. Leia mais »

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