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segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014 Chelsea, Liverpool, Man Utd | 09:25

A estratégia e o talento

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A associação do talento à solidez coletiva quase sempre aproxima um time do sucesso. Um dos mestres dessa negociação entre criatividade e segurança é Carlo Ancelotti, campeão europeu com Pirlo, Seedorf, Rui Costa, Shevchenko e Inzaghi no Milan de 2002-03. Hoje no Real Madrid, deve ser o técnico dos sonhos de Florentino Pérez, pela capacidade de criar sistemas seguros (às vezes rotulados de defensivos!) mesmo com vários jogadores mais talentosos com a bola do que sem ela. Mas o antecessor dele em Madri não trabalha exatamente assim.

É obvio que José Mourinho aprecia jogadores talentosos, mas o raciocínio dele passa muito mais por “como eles podem se adaptar a minha estratégia?” do que “como vou adaptar minha estratégia a eles?”. Na Internazionale, o português elegeu Diego Milito seu centroavante e transformou Samuel Eto’o num winger disciplinado, função que o camaronês não imaginava que poderia executar. E às vezes não há lugar para todo mundo. Não houve para Luka Modric no Real Madrid, assim como Juan Mata se deteriorou no banco do Chelsea em 2013-14.

Não parece haver tanto mistério no processo que levou à venda de Mata ao Manchester United. Mourinho pensa que Oscar é, por ser mais trabalhador e dinâmico, uma opção mais interessante do que o espanhol para a meia central do 4-2-3-1. E também não identificou motivos para escalar Mata na ponta direita, considerando alternativas mais rápidas e disciplinadas para a posição Willian, Schürrle e agora Mohamed Salah, contratado para substituí-lo – o egípcio ex-Basel é muito diferente dele, mas ocupa sua vaga no elenco.

Há também o debate sobre a decisão de reforçar um rival. Mourinho nunca vai admitir publicamente, mas, além das razões óbvias (o Manchester United não é candidato ao título e não joga mais contra o Chelsea na liga em 13-14), ele talvez não preveja um impacto tão grande assim do playmaker em Old Trafford. Pelo menos não equivalente aos £37 milhões investidos. A questão é: o excelente espanhol vai acrescentar criatividade ao United, mas não resolve o principal problema do time e ainda cria um dilema tático para David Moyes.

Mata sempre será ótima aposta para quem contratá-lo, mas não era a principal necessidade do United

Mata representa uma mensagem aos rivais (algo como “ainda estamos aqui”), deve garantir alguns pontos adicionais nesta temporada e pode ser a principal estrela do United nos próximos anos. No entanto, há uma lacuna bem clara no time titular que não foi preenchida, a do parceiro de Carrick no meio-campo. Cleverley agoniza em 2013-14, e Fellaini inexiste desde que deixou o Everton. A contratação que Moyes deveria ter feito – o primeiro alvo, para impulsionar uma recuperação até o quarto lugar – está no Paris Saint-Germain: Yohan Cabaye, que fazia tudo no meio-campo do Newcastle.

Cabaye teria um espaço óbvio na equipe, o que não é o caso de Mata. Sua posição preferencial, como número 10, é de Rooney. Moyes não parece disposto a uma alteração drástica (como escalar três zagueiros ou um losango no meio-campo), o que praticamente garante que, com todo mundo saudável, o ex-ídolo do Chelsea sempre jogará partindo da direita para o centro. Isso não o impede de influenciar jogos (pense em Silva, Ben Arfa, Hazard, Coutinho, Nasri e Cazorla, playmakers que já jogaram muito bem mesmo deslocados a um dos lados do campo), mas cria uma dificuldade.

Existe ainda uma questão que nos faz retornar aos primeiros parágrafos do artigo. A presença de Mata não deveria resultar na perda de espaço da grande novidade do time na temporada, Adnan Januzaj, relegado ao banco nos últimos jogos. Ao investir £37 milhões no playmaker, Moyes se propôs o desafio e até a obrigação de tornar viável uma formação que inclua Mata, Januzaj, Rooney e van Persie. Não há tempo, nem pontos a perder para uma equipe que quebra um recorde negativo atrás do outro.

Hoje, o mais óbvio seria a conversão a um 4-2-2-2 semelhante ao do Manchester City (quando jogam Silva e Nasri abertos), com bastante apoio dos laterais e Mata e Januzaj livres para criar por dentro quando o time tem a bola. É uma mudança radical em relação ao modelo de jogo que consagrou e notabilizou o Manchester United nas últimas décadas, mas algo claramente precisa ser feito. A atuação pálida contra o Stoke no sábado mostra que a próxima aposta que Moyes deve fazer é no talento.

A flexibilidade de Brendan Rodgers

Brendan Rodgers não abre mão do talento. O Liverpool é tema para outro texto, mas vale listar as soluções que Rodgers já tentou para garantir que Coutinho, Suárez, Sturridge e, mais recentemente, Sterling estejam na equipe:

– 3-4-1-2. Três zagueiros, um armador central à frente dos volantes e alas e dois atacantes que precisavam se movimentar muito para compensar a teórica desvantagem numérica pelos lados. Sterling era reserva;

 – 4-4-2. Coutinho à esquerda, Sterling (após melhorar demais nos últimos meses) à direita e os dois atacantes com liberdade. O sistema se revelou frágil quando Lucas e Allen se lesionaram e Gerrard virou o volante mais recuado;

 – 4-1-4-1. Com os mesmos jogadores, Rodgers remodelou o time nas últimas rodadas (deu muito certo contra o Everton, mas nem tanto diante do WBA). Coutinho e Henderson se posicionam à frente de Gerrard, e Sterling oferece sua velocidade à direita. Suárez e Sturridge se revezam entre os papéis de centroavante e ponta esquerda.

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quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013 Chelsea | 23:39

O brinquedo de Roman

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Rafael Benítez lavou as mãos. Após eliminar o Middlesbrough da FA Cup, o (ainda) técnico do Chelsea reclamou de tudo, desde os torcedores que o perseguem até o título de “interino”, atribuído a ele em cada esquina da Inglaterra. Está sempre lá, na escalação do Chelsea apresentada pela transmissão da Premier League: Rafael Benítez, interim manager. O espanhol também confirmou – como se precisasse – que não estará em Stamford Bridge em 2013-14. A temporada do Chelsea é um desastre.

Os títulos conquistados por Roberto Di Matteo na temporada passada reforçaram a ideia de que a política trituradora de técnicos (segundo a qual todos eles são, por essência, interinos) promovida por Roman Abramovich é um sucesso. Pode não ser lucrativa por conta dos infinitos pagamentos a que os treinadores demitidos têm direito, mas é um sucesso do ponto de vista esportivo. É?

Aproveitamento do Chelsea na Premier League durante a era Abramovich

Não é. Apesar do título da Champions League, o Chelsea claramente regride (veja o gráfico ao lado) no campeonato nacional, índice mais preciso para avaliar o desenvolvimento de um clube. Desde 2010, ano do último título, a equipe não supera o aproveitamento da primeira temporada de Abramovich, quando Claudio Ranieri ainda era o técnico e escalava Geremi, Gronkjaer e Mutu. Em relação às campanhas de José Mourinho (2004-07), existe um abismo constrangedor.

Sobretudo nos últimos anos, Abramovich raramente delega decisões estratégicas a um treinador. A autossuficiência do proprietário ficou evidente no último verão. Parte do planejamento para a temporada – incluindo a contratação de Eden Hazard – foi feita enquanto o Chelsea estava sem técnico. Di Matteo assinou um contrato de dois anos (que foram cinco meses) apenas em 13 de junho, quase um mês depois do título da Champions.

É impossível associar o Chelsea a uma filosofia de futebol. Abramovich se declara admirador do “jogo bonito” (com todas as restrições que a expressão merece) e sonha há anos com Guardiola, mas sempre contratou treinadores de perfil pragmático, como Mourinho, Scolari, Ancelotti e Di Matteo. Villas-Boas, deteriorado na temporada de pior aproveitamento na era Abramovich, é a exceção que confirma a regra.

O Chelsea vive um período de transição, de substituição de figuras históricas, mas o processo não é bem conduzido. O agora quarto colocado da Premier League nem sequer ameaça lutar por um título que, a despeito de todo o investimento, ficará ainda mais distante caso Abramovich continue tratando o clube como um brinquedo. O Chelsea precisa de uma ideia e de um Jurgen Klopp (por uma série de motivos que podem ser discutidos outro dia, o técnico ideal) para aplicá-la, com a autonomia e a estabilidade que inexistem em Stamford Bridge há muito tempo, bem antes de Benítez chutar o balde.

Mas também precisa recuperar sua imagem, péssima no mercado de técnicos. Na temporada passada, Brendan Rodgers rejeitou prontamente a hipótese de treinar o Chelsea. “Estou tentando construir uma carreira, não destruí-la”, afirmou o então manager do Swansea, que já trabalhou na base dos Blues. O próprio Klopp afastou essa possibilidade para o próximo ano. Se quiser ter alternativas ao velho amigo José Mourinho, que parece ser a única opção viável para 2013-14, Abramovich deve assumir o compromisso de mudar e provar isso para todo mundo.

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quarta-feira, 12 de dezembro de 2012 Chelsea | 15:48

O Mundial do Chelsea

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Campeão mundial e logo depois demitido pela Inter, Benítez tenta repetir no Chelsea a primeira parte dessa história

O Mundial de Clubes interrompe a temporada doméstica do Chelsea logo no mês mais relevante do calendário inglês. Entre 1º de dezembro e 1º de janeiro, a Premier League tem sete rodadas programadas. Associada ao baixo nível técnico da maioria dos participantes, a “inconveniência” do torneio faz a crítica britânica tratá-lo com certo desdém.

Até pela concentração de jogos às vésperas da viagem ao Japão, era natural que o Chelsea não antecipasse a discussão sobre o Mundial, como o Corinthians faz há meses. Também não existe obsessão (não confundir com interesse, vontade) em conquistar um torneio que, tal qual a Copa das Confederações no âmbito de seleções, não serve para medir o real patamar de um clube. Dizer que o Mazembe foi a segunda melhor equipe de 2010 equivale a afirmar que o Taiti (que vem ao Brasil para a Copa das Confederações) está entre as oito grandes seleções do mundo. É desonestidade intelectual.

Ainda assim, o Monterrey não deve enfrentar um Chelsea desinteressado amanhã. Após atuações sonolentas nos três primeiros jogos sob o comando de Rafa Benítez, contra Manchester City, Fulham e West Ham, as vitórias sobre Nordsjaelland e Sunderland mostraram sinais de que o time está se adaptando a um estilo mais direto, com transição rápida da defesa ao ataque. Os jogos no Japão devem ser aproveitados também para que a equipe amadureça nesse aspecto e retorne mais competitiva à Inglaterra, como se o torneio fosse uma intertemporada.

Existem ainda as motivações individuais. Em corrida contra o tempo para satisfazer Roman Abramovich antes do mercado de inverno, Fernando Torres deve abordar o Mundial como uma chance de embalar sua melhor sequência de gols pelo Chelsea – foram quatro nas últimas duas partidas. Azpilicueta, Ivanovic e Cahill lutam por lugares numa defesa que, sem Terry, ainda não tem contornos definitivos para Benítez. Com Romeu fora da temporada, também é importante dar ritmo a Lampard, que retornou de lesão contra o Sunderland. No fim das contas, o Mundial não é assim tão inconveniente.

Além dos argumentos mais pragmáticos, há ainda o caráter inédito do torneio para o Chelsea e os jogadores, aquela rara oportunidade de ser proclamado “campeão mundial”. Não apenas os brasileiros do elenco entendem e valorizam isso. Pelo menos no discurso, todos os entrevistados tentaram passar a mensagem de que a ocasião é, sim, muito relevante para eles e para o clube.

Juan Mata resumiu bem. “Há muitos grandes jogadores que nunca tiveram a chance de participar desse torneio. Agora, por conta do nosso título na Champions League, teremos essa oportunidade e não queremos desperdiçá-la. Você nunca sabe quando jogará a competição de novo!”, escreveu o melhor jogador do Chelsea nas últimas semanas.

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quinta-feira, 22 de novembro de 2012 Chelsea | 13:57

Benítez, interino

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Benítez derrubou Juventus, Chelsea e Milan na Champions League em 2005

Ainda que tenha assinado um contrato de 18 meses, como garante Tony Barrett (Times), Rafa Benítez foi oficialmente anunciado como “treinador interino” do Chelsea. Ou Roman Abramovich tentou expressar seu desejo de contar em breve com Pep Guardiola, ou finalmente admitiu que a interinidade é uma condição inerente a qualquer técnico dos Blues.

Afastado do futebol há dois anos, desde que foi dispensado pela Internazionale, o novo treinador enfrenta resistência dos torcedores. É impossível ignorar as várias batalhas contra o Liverpool, especialmente intensas entre 2005 e 2009, quando Benítez trabalhava em Anfield e encontrou o Chelsea dez vezes na Champions League. A desconfiança passa também pelo melancólico último ano do espanhol na Inglaterra e as contratações questionáveis enquanto manager do Liverpool.

Entretanto, ele é inegavelmente vencedor. Ninguém ganha por acaso duas ligas nacionais com o Valencia e uma Champions League com uma versão limitada do Liverpool. Benítez perdeu apenas dois dos 38 jogos da Premier League em 2008-09. Em seis anos de Anfield, Rafa virou ídolo dos torcedores porque tornou o time competitivo em qualquer cenário, como na semana em que venceu Real Madrid por 4 a 0 e Manchester United por 4 a 1, em março de 2009.

O Chelsea de Benítez deve ser mais consistente

Benítez faz radiografias de seus adversários, estuda-os detalhadamente antes de cada partida, característica que o torna tão eficiente em copas, sobretudo as europeias. O sistema do Chelsea não deve mudar, pois Rafa é um adepto convicto do 4-2-3-1. No entanto, a depender do oponente, a estratégia será diferente. É possível, por exemplo, que um dos armadores dê lugar a Ramires na linha dos meias, por conta do péssimo momento defensivo do Chelsea e da predileção do espanhol por equipes mais consistentes.

E Fernando Torres? Há quem interprete a aposta em Benítez como uma espécie de cartada final para que o centroavante se recupere. Até pela falta de alternativas confiáveis, é provável que Rafa dê nova chance a Torres, de quem ele extraiu o máximo durante sua passagem pelo Liverpool. Contudo, a crise do ex-artilheiro engloba vários aspectos: é física, técnica e de confiança. Assim, Benítez precisa incluir um atacante (além de um ou mais volantes para aprimorar o 4-2-3-1) em sua lista de compras para o mercado de janeiro.

Aliás, as futuras aventuras de Benítez no mercado realmente preocupam os torcedores. Mas, apesar dos inúmeros flops (N’Gog, Babel, Morientes, González, Keane, Aquilani e por aí vai), ele ainda é o técnico que contratou Skrtel, Agger, Mascherano, Alonso, Torres, Suso e Sterling. E também não sabemos até que ponto Abramovich lhe dará autonomia para tomar decisões estratégicas. De qualquer maneira, para aceitar ser chamado de “interino”, Rafa certamente estava muito determinado em retornar à Inglaterra. A rejeição da torcida, a excentricidade do proprietário, o vestiário e o passado tornam o desafio ingrato. Motivado, Benítez tem capacidade para enfrentá-lo.

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terça-feira, 20 de novembro de 2012 Chelsea | 22:22

Panetone ameaçado

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Ontem à noite, eu conversava com uma amiga no Twitter: “Di Matteo ganha o panetone?*”, ela me perguntou. Respondi que sim, sem tanta convicção. Hoje, minha resposta seria ainda menos convicta. A derrota incontestável para a Juventus em Turim deixa o Chelsea em apuros na Champions League. Além de superar o Nordsjaelland na última rodada, o atual campeão precisa de uma vitória do Shakhtar sobre a Juve para avançar às oitavas de final. Caso contrário, será o primeiro defensor de título eliminado na fase de grupos da Champions.

À beira do fracasso na Europa, o Chelsea falha também na Premier League. Sem vencer há quatro partidas, o time de Roberto Di Matteo caiu para a terceira posição. Na próxima rodada, quando o Manchester City visitar Stamford Bridge, repare como a transmissão deve cortar várias vezes para Di Matteo e, em seguida, Roman Abramovich, esparramado no camarote. Mas foi a derrota para a Juventus que expôs, em menos de duas horas, todos os problemas de uma temporada mal planejada.

RDM e sua expressão indecifrável

Di Matteo desistiu de Torres, inventou Hazard como centroavante e abriu o lateral Azpilicueta à direita, na linha de três meias. Para quem gastou £75 milhões no verão, é inacreditável que não haja sequer uma alternativa confiável a um atacante que não marca gols regularmente há mais de dois anos. Em Turim, o Chelsea contra-atacava, especialmente com Oscar, e não finalizava com precisão. Hazard e Mata tentaram, mas a bola parecia procurar os pés ausentes e agora chineses de Didier Drogba.

Outro erro imperdoável do mercado foi a negligência com a proteção à defesa. Mikel, Romeu, Lampard e Ramires (estes dois adaptados a funções mais defensivas) são os únicos “volantes” do elenco. Na temporada passada, Mikel funcionou enquanto a equipe era um exército de defensores, mas sofreu entre agosto e março, quando André Villas-Boas deixava o time mais exposto. Sem catenaccio, a defesa de Di Matteo é uma peneira em 2012-13: levou nove gols em cinco jogos na Champions. Não faltam torcedores saudosos de Claude Makelele.

Não há mais Drogba e Makelele, nem quem possa substituí-los. Entre o título da Champions e o anúncio de Di Matteo como treinador permanente do Chelsea, houve um intervalo de dois meses. É inevitável a impressão de que Abramovich conduziu o mercado do Chelsea a seu bel-prazer, simplesmente para tornar o time mais “agradável”. É por isso que ele não deveria, mas pode demitir Di Matteo. Você duvida?

*Expressão que indica a permanência de um treinador no cargo até o fim do ano

Atualização, às 9h10 de quarta-feira. Di Matteo foi demitido após a derrota para a Juventus. Até para Abramovich, cedo demais.

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sábado, 27 de outubro de 2012 Chelsea, Everton, Liverpool, Man Utd | 20:05

Azul e vermelho

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Quis a tabela da Premier League que nosso domingo eleitoral fosse repleto de grandes jogos na Inglaterra. São quatro partidas marcadas para amanhã, com direito a clássico de Liverpool e um confronto direto pelo título. O blog prevê os dois embates:

Everton x Liverpool, às 11h30 (BSB).
O confronto impõe aos clubes de Merseyside um cenário bem diferente em relação aos últimos anos. Enquanto este Everton, quarto colocado antes do início da rodada, tem potencial para ser o melhor da era David Moyes (desde 2002), o Liverpool passa por uma temporada de transição, na qual rompe com o “britanismo” de Kenny Dalglish e oferece papéis importantes a garotos. Amanhã, por exemplo, os teenagers Wisdom, Suso e Sterling, que ainda disputavam campeonatos de base no primeiro semestre, podem ser titulares.

Em circunstâncias normais, até pelas ótimas atuações recentes em casa, o Everton seria favorito. Mas a suspensão de Pienaar, que, assim como Mirallas, tem sido fundamental para abastecer os atacantes, deve equilibrar o confronto. O segredo para desestabilizar a defesa do Liverpool, bem mais segura nos últimos jogos, pode ser o apoio de Baines, uma vez que Suso (habitualmente escalado na ponta direita por Brendan Rodgers) tende a centralizar e não vai incomodá-lo tanto. O jogador-chave do Liverpool é Sterling. Qualquer que seja seu marcador (Hibbert ou Coleman), ele é favorito no one-on-one.

Chelsea x Manchester United, às 14h.
É o primeiro encontro entre verdadeiros candidatos ao título. A desvantagem de quatro pontos em relação a seu adversário deixa o United com a obrigação de não perder em Stamford Bridge. Por outro lado, é a oportunidade do Chelsea de preparar o terreno para uma sequência que pode não parecer, mas certamente é bem complicada: Swansea (fora), Liverpool (casa), WBA (f) e Manchester City (c).

Taticamente, a questão fundamental é a possibilidade de Alex Ferguson apostar outra vez na formação “diamante”, que deu tão certo contra o Newcastle, em St. James’ Park, há três semanas. Particularmente em Stamford Bridge, faz sentido o meio-campo em losango (como aparece no campinho ao lado), pois as chances contra o Chelsea passam por tirar a bola dele (o que aconteceu nos primeiros minutos diante do Newcastle) e congestionar as posições centrais, obrigando o deslocamento dos armadores às laterais do campo. No Chelsea, é interessante notar que Lampard e Terry, lesionado e suspenso, não fazem tanta falta quanto em outros tempos.

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quarta-feira, 24 de outubro de 2012 Chelsea, Copas Europeias | 11:41

Tic-tac

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Torres ganha um título atrás do outro e até marca gols, mas simplesmente não convence

A merecida derrota para o Shakhtar Donetsk deixa o Chelsea sob pressão na Champions League. Diante da campanha impecável dos ucranianos, o atual campeão europeu está obrigado a superar a Juventus – e ainda há confronto direto em Turim – para evitar o vexame de uma eliminação na primeira fase. O fato é que, com apenas uma vitória em quatro partidas continentais, a equipe de Roberto Di Matteo não reproduz na Europa as boas atuações domésticas. Único centroavante puro do elenco, Fernando Torres não marcou gol na Supercopa e na Champions e tem sido responsabilizado pelo pobre desempenho.

O Torres de 2012-13 pode ser interpretado de formas distintas. Os seis gols em 13 jogos sugerem que ele evoluiu, mas a prática desmente. Até a temporada passada, de alguma maneira, era possível rebater os números, argumentando que sua movimentação contribuía bastante, o estilo de jogo não o favorecia, ou mesmo que a sombra de Drogba o travava. Mas esses fatores não existem mais.

Contra o Shakhtar, por exemplo, Torres matou uma série de jogadas do Chelsea, até esgotar a paciência do treinador e ser trocado por Sturridge. Aliás, Sturridge é quem mais se aproxima de uma alternativa ao espanhol no elenco, pois Di Matteo perdeu Drogba, emprestou Lukaku e não repôs as saídas. Em síntese, intencionalmente ou não, fez tudo para que Torres se sentisse confortável. Ainda contratou Hazard e Oscar e montou um trio de armadores para abastecê-lo. O número de gols aumentou, assim como a sensação de que ele destoa da equipe.

Frequentemente incapaz de manter a bola sob controle, Torres tem até janeiro para eliminar sua crise de confiança. Parece claro que, com o mercado de inverno batendo à porta, o Chelsea planeja contratar alguém que acompanhe o ritmo dos armadores e defina melhor os lances de ataque – não necessariamente Falcao García. Pode ser uma questão de sobrevivência na temporada. O tempo está acabando para o atacante de £50 milhões e 0,22 gol por partida.

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sexta-feira, 19 de outubro de 2012 Chelsea, Newcastle, Sunderland, Tottenham | 13:51

Razões para acordar cedo amanhã

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Tottenham e Chelsea se enfrentam amanhã, às 8h45 de Brasília, em White Hart Lane. É o grande jogo da oitava rodada da Premier League, aquele que você não deve perder. O blog apresenta os motivos:

Possíveis formações de Tottenham e Chelsea. Lampard retorna de lesão e pode ficar no banco

AVB x Chelsea. O reencontro entre Villas-Boas e Chelsea não terá valor de revanche, garante o técnico do Tottenham. No entanto, nada que ele diga vai amenizar a sensação de rivalidade no confronto, entre treinadores e equipes. Seu ex-auxiliar e sucessor Di Matteo, comandante dos títulos da FA Cup e da Champions League, rompeu com a filosofia e os métodos que ele tentava implementar em Stamford Bridge, além de estabelecer uma relação bem mais amigável com os jogadores. À demissão traumática, somou-se o fato de AVB ter assumido o Tottenham, clube que perdeu a vaga na Champions League por conta do título europeu do Chelsea.

Destino do Tottenham na temporada. O Chelsea tem problemas claros na montagem do elenco (a saber: número limitado de volantes e centroavantes), mas, com campanha quase perfeita até agora, indica que vai mesmo lutar pelo título. A impressão é de que a partida importa mais para o Tottenham, quinto colocado, a cinco pontos da liderança. Uma vitória sobre o Chelsea seria a quinta consecutiva no campeonato e outra para marcar positivamente o início de trabalho de AVB, que já derrotou o Manchester United em Old Trafford. Se acumular bons resultados em jogos-chave, o Tottenham, mesmo sem Modric, pode pensar além da vaga na Champions League.

Sandro x Oscar. Em entrevista ao site da Premier League, o ex-defensor Lee Dixon apontou o Chelsea como favorito e elogiou, particularmente, Oscar. Não é segredo que o número 10 da Seleção teve impacto imediato em Stamford Bridge, mas seu provável marcador (imaginando que as formações habituais sejam mantidas) neste sábado também faz ótima temporada até agora. Sandro aproveita bem a ausência de Parker por lesão e tem sido o ponto de equilíbrio do time, papel que, em trabalhos anteriores de AVB, o também brasileiro Fernando exerceu no Porto e Obi Mikel não conseguiu fazer no Chelsea. Sandro x Oscar promete (identifique outros prováveis duelos no campinho).

Possíveis formações de Sunderland e Newcastle

Teste para os três armadores do Chelsea. Se Di Matteo mantiver o trio de armadores (Mata, Oscar e Hazard) contra o Tottenham, será o melhor teste para esta formação, pois a equipe de AVB ataca demais pelas laterais. A medida mais conservadora seria substituir Mata por um volante e abrir Ramires à direita, para assessorar Ivanovic no combate a Bale. Mas o técnico italiano parece acreditar no esquema com três meias criativos, uma vez que escalou todos eles contra o Arsenal, no Emirates, há duas rodadas. Vale ver.

Domingo também!
No domingo, às 10h30, outro dérbi importante: Sunderland x Newcastle, no Stadium of Light. Na temporada passada, eles se encontraram neste estádio na segunda rodada, com vitória do Newcastle por 1 a 0, resultado que abasteceu o ótimo início de campanha dos Magpies.

O Sunderland ainda deve aos torcedores uma grande atuação em 2012-13 e precisa diversificar seus gols – Steven Fletcher marcou todos os cinco do time no campeonato. No Newcastle, alívio pelo provável retorno de três defensores titulares: Krul, Coloccini e Steven Taylor. O Sunderland está na 13ª posição, com sete pontos em seis jogos. O Newcastle é o décimo, com nove pontos em sete partidas.

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quinta-feira, 20 de setembro de 2012 Brasileiros, Chelsea, Copas Europeias | 13:40

O compromisso de Oscar

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A legião brasileira do Chelsea apressa a adaptação de Oscar

Oscar foi brilhante em sua estreia como titular no Chelsea. Escalado como armador central por Roberto Di Matteo, o brasileiro realizou um provável sonho de infância ao marcar dois gols (o segundo, espetacular) em seus primeiros 33 minutos de Champions League. A Juventus ainda buscou o empate por 2 a 2, mas não tirou de Oscar a certeza de que ele foi o dono da noite.

Quando aceitou o Chelsea, há dois meses, Oscar assumiu um enorme desafio. Apesar da rápida ascensão na seleção brasileira, o que é evidentemente uma referência para quem contrata, o ex-jogador do Inter teria de contrariar a lógica para conquistar um lugar na equipe em curto prazo. Com raras exceções, não deve haver espaço para Hazard, Mata e Oscar ao mesmo tempo, pois Di Matteo exige um carregador de bola (no caso, Ramires) em seu 4-2-3-1.

Com o impacto instantâneo de Hazard, que passa a ser imprescindível ao Chelsea, está aberta a disputa entre Oscar e Mata, líder em assistências do time na temporada passada. O espanhol é mais experiente e estabilizado no futebol europeu, mas o brasileiro pode ganhar terreno gradualmente – e não somente pelo talento descomunal.

Da partida contra a Juventus, ficam marcados os gols, especialmente pela raridade do segundo. No entanto, há outro aspecto que torna a atuação de Oscar ainda mais notável. Antes do confronto, o brasileiro não foi designado apenas para armar o time, mas também para atrapalhar o principal jogador adversário. Tinha de perseguir Pirlo, que sempre organiza a Juventus de uma posição bem próxima à defesa, o que dificulta demais a marcação sobre ele. Oscar executou esse trabalho perfeitamente, limitando a ação do regista.

A eficiência na recomposição defensiva certamente foi fundamental para que Oscar se tornasse titular absoluto da seleção. É a antítese de PH Ganso, que tem cara e disposição de ontem. No Chelsea, a concorrência é mais pesada, mas não há motivo para apostar contra ele. Se associar o talento a esse compromisso tático, que Di Matteo fez questão de exaltar na entrevista pós-jogo, Oscar pode ser titular bem antes do que acreditávamos.

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sexta-feira, 17 de agosto de 2012 Arsenal, Chelsea, Man City, Man Utd | 13:41

Guia da temporada (parte 5)

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Arsenal, Chelsea, Manchester City e Manchester United fecham o guia da temporada:

Santi Cazorla, substituto tardio de Cesc Fàbregas

Arsenal. A venda de Robin van Persie ao Manchester United revolta, porém não mata o Arsenal. Não fosse a saída do holandês, o mercado de Arsène Wenger estaria perfeito, com as ótimas contratações de Giroud, Podolski e Santi Cazorla. Há certa desconfiança sobre os dois primeiros, mas, se eles reproduzirem no Emirates Stadium o que fizeram por Montpellier e Köln, Wenger não precisa se preocupar com o ataque. O criativo Cazorla, um ás das bolas paradas, foi simplesmente uma das grandes contratações europeias de 2011-12 – basta ver o que ele acrescentou ao Málaga e como o Villarreal desmoronou após a transferência. Para realmente progredir em relação à temporada passada, o Arsenal ainda tem de garantir a permanência de Song (ou encontrar um substituto à altura) e a recuperação física de Wilshere. Na defesa, seria interessante buscar peças de reposição. Previsão para a temporada: 4ª.

Chelsea. Com as contratações de Hazard, Oscar e Marin, o Chelsea congestionou seu grupo de meias ofensivos e criou um impasse para Roberto Di Matteo, que – esqueçamos – não deve abrir mão de Ramires aberto pela direita. Ao menos, ninguém vai reclamar de falta de criatividade, um dos grandes defeitos da equipe na temporada passada. Em outros setores, o elenco ainda tem carências, especialmente de um volante defensivo (Mikel terminou 2011-12 bem, mas não é exatamente unanimidade), um lateral-direito e um atacante para manter Fernando Torres acordado mesmo após a saída definitiva de Drogba e o empréstimo de Lukaku. O título europeu tira algumas toneladas das costas de Roman Abramovich, porém não resolve todos os problemas do Chelsea. Previsão para a temporada: 3º.

Manchester City. O desafio dos atuais campeões não é simples. O único clube além do Manchester United a conquistar um bicampeonato consecutivo na era Premier League foi o Chelsea de José Mourinho, em 2005 e 2006. Para se unir a esse grupo, o Manchester City aposta na manutenção da base e na boa vontade de Tevez, que deve reeditar com Agüero a parceria da reta final da temporada passada, determinante para o título inglês. Com a chegada de Rodwell, o elenco oferece a Roberto Mancini ótimos titulares e bons reservas em todos os setores. Para superar um Manchester United ferido e fortalecido em relação a 2011-12, o City precisa da evolução de Nasri, que pode fazer mais no segundo ano em Eastlands, e da regularidade de Silva, que oscilou demais entre janeiro e abril, não à toa a fase mais crítica da última campanha. Previsão para a temporada: 2º.

Manchester United. O United recuperou Vidic e ganhou Kagawa e van Persie. Ninguém questiona a melhora da equipe, porém inegavelmente existe incerteza sobre como ela será escalada. Rooney e van Persie vão formar uma das melhores parcerias de ataque do mundo, mas onde entra Kagawa? No clássico e rígido sistema de Ferguson, o japonês seria naturalmente o atacante com mais liberdade para circular, mas a contratação de van Persie deve obrigá-lo a ganhar a vida no meio-campo – talvez aberto por um dos flancos, talvez adaptado à meia central. Isso depende também do tamanho da responsabilidade que Ferguson pretende atribuir a Scholes, Giggs e Cleverley nesta temporada, uma vez que os três são possíveis parceiros de Carrick. Embora haja várias dúvidas importantes, é certo que o United vai batalhar muito para resgatar o título. Previsão para a temporada: 1º.

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Nossa liga foi reativada no Fantasy. Para quem quiser participar, o código é 482983-248915.

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