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Arquivo da Categoria Copas Europeias

quarta-feira, 6 de março de 2013 Copas Europeias, Man Utd | 08:57

Do kung-fu a Modric

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Acabou para o Manchester United. E está acabando para a Inglaterra, que, na Champions League, deve ter apenas a despedida do Arsenal em Munique e a honra de sediar a decisão. A provável ausência de representantes ingleses nas quartas de final é a sequência natural do que foi discutido no blog em dezembro do ano passado. No entanto, como até José Mourinho admitiu (“o melhor time perdeu”), os Red Devils poderiam ter derrubado o Real Madrid. O blog enumera cinco episódios que determinaram a derrota por 2 a 1 e a eliminação do United em Old Trafford:

Ferguson dispensou a entrevista coletiva após o jogo. Não é difícil entender por quê

A expulsão de Nani. O lance capital do confronto, mais do que qualquer um dos cinco gols. Sem intenção, Nani aplicou em Arbeloa um golpe de kung-fu e foi expulso pelo árbitro Cuneyt Cakir, que, enquanto o português estava deitado, teve alguns segundos para pensar no que faria. Um cartão amarelo teria punido Nani com correção, condenando a imprudência sem ignorar o caráter acidental do lance. Até a expulsão, o United controlava bem o jogo e não dava sinais de que sofreria gols.

A ausência de Jones. O quebra-galho do elenco, que perdeu por lesão a partida decisiva, teria sido importante demais. Não apenas para assessorar Rafael no combate a Ronaldo, sua principal função no jogo de Madrid, mas especialmente para fechar espaços e oferecer mais energia depois da expulsão de Nani. Alonso, Modric, Özil e Kaká circulavam à vontade contra meio-campistas desgastados e sem a força de Jones, que, como Sam Allardyce descobriu há duas temporadas no Blackburn, é capaz de proteger muito bem a área.

A apatia de van Persie. Ainda que a fase não seja brilhante, o holandês poderia ter feito mais no confronto. Na primeira partida, faltou a precisão habitual quando ele perdeu uma oportunidade clara diante de Diego López. Na segunda, faltou tudo a van Persie, que se aproximou bastante de sua versão pálida da Euro 2012.

A decisão de Ferguson. Ferguson relegou Rooney ao banco com o argumento de que Welbeck seria mais eficiente em atrapalhar Xabi Alonso. De fato, Welbeck foi enérgico sem a bola e limitou a passes burocráticos o articulador do Real Madrid, que costuma ser letal nos lançamentos. Mas Rooney vive ótima fase técnica e, embora não tenha o fôlego de Welbeck, também está habituado a cumprir papéis defensivos que contrariem sua “natureza”. Teria sido mais simples perseguir Alonso do que fechar o lado direito, como no primeiro jogo. É inevitável pensar na falta que Rooney fez nos momentos em que o United dominava. Não aproveitar Kagawa, que vinha de hat-trick no sábado, foi outra opção questionável.

A entrada de Modric. O ex-dínamo do Tottenham ainda não encontrou espaço no sistema de Mourinho, que mantém Khedira e Özil nas posições que ele poderia ocupar. Mas a atmosfera de um estádio inglês fez bem ao croata, um dos grandes da Premier League até a temporada passada. Chamado logo após a expulsão de Nani, Modric mostrou seu repertório em meia hora. Além do gol que pôs o Real Madrid em situação favorável, os passes precisos e a excelente movimentação minaram o sistema defensivo do United. Foi o melhor do jogo.

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segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013 Arsenal, Copas Europeias | 13:52

Arsenal x Bayern

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Arsène Wenger acredita. Afirmou em entrevista coletiva que confia “na qualidade, no espírito e na força mental” do Arsenal para o confronto da Champions League contra o Bayern Munique, que começa amanhã no Emirates. É difícil falar em espírito e força mental dois dias após perder em Londres para o Blackburn e ser eliminado da FA Cup, tratada como a maior chance de conquistar um troféu que não vem há quase oito anos. Mas Wenger insiste: “vivemos numa democracia de experts e opiniões, e há vários experts que não estão exatamente certos”.

Para silenciar os experts, o Arsenal precisa fazer frente ao melhor Bayern dos últimos anos. Os números domésticos do time que Jupp Heynckes entregará a Pep Guardiola são incríveis. O aproveitamento na Bundesliga é de 86%. O saldo é de 50 gols – 57 marcados e sete sofridos. Como visitantes, os bávaros foram vazados apenas uma vez, pelo Nuremberg, em novembro de 2012.

O Bayern que perdeu o título europeu para o Chelsea ainda não tinha Dante, Javi Martínez e Mandzukic, reforços do mercado de verão. Eles se distribuíram por três dos quatro setores do 4-2-3-1 de Heynckes: o brasileiro oferece mais segurança à defesa, o espanhol garante estabilidade e saída de bola qualificada, e o croata aproveitou a lesão de Gómez para assumir o posto de centroavante titular. O outro setor, dos meias, teve a consolidação do excelente Kroos e a recuperação de Müller, que não fazia uma grande temporada desde a Copa do Mundo de 2010.

Possíveis escalações. Arsenal pode ter Ramsey para proteger o lado direito. Batalha do meio-campo, com Arteta-Wilshere-Cazorla x Martínez-Schweinsteiger-Kroos, promete.

Além do adversário em ótima fase e da lembrança da derrota para o Blackburn, o Arsenal tem de lidar com um problema sério em seu lado esquerdo. Gibbs está lesionado, André Santos foi emprestado ao Grêmio (o que restringe as opções, mas não é necessariamente ruim), e o recém-contratado Monreal não pode atuar porque já defendeu o Málaga na Champions. Wenger deve ser obrigado a deslocar Vermaelen à posição. Não é o melhor cenário, pois indica que Mertesacker será titular e um lateral improvisado ficará exposto a Müller (ou Robben) e dependerá demais da ajuda de Podolski no combate a Lahm.

Mas nem tudo é tragédia. Com cuidado no passe e velocidade, o Arsenal pode explorar a confiança do Bayern. Se o time alemão adiantar suas linhas e pressionar, haverá Wilshere, Cazorla e Walcott para responder em contra-ataques. Aliás, especula-se que Wenger abrirá mão de Giroud para priorizar a velocidade e a movimentação (provavelmente com Walcott adiantado) em detrimento de uma referência na área. Seria uma mensagem clara de como ele pretende abordar o jogo.

Pela situação das equipes, o confronto lembra muito o de dois anos atrás, quando o Arsenal enfrentou o Barcelona, também nas oitavas de final da Champions. Os catalães avançaram, mas perderam a primeira partida por 2 a 1, no Emirates. Jack Wilshere foi o grande jogador daquela noite. É nele que o Arsenal deve apostar de novo.

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terça-feira, 12 de fevereiro de 2013 Copas Europeias, Man Utd | 15:59

Real Madrid x Manchester United

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O confronto entre Manchester United e Real Madrid é a típica ironia de sorteio da UEFA Champions League. Segundo colocado no grupo do United, o Galatasaray enfrenta nas oitavas de final um Schalke 04 em péssima fase. A Alex Ferguson, as bolinhas reservaram José Mourinho e Cristiano Ronaldo. Mesmo que a liderança da chave não tenha sido recompensada com um adversário simples, ninguém reclamou da sorte. Certamente é a partida que todos querem jogar, ainda que precocemente.

É improvável que a crise de vestiário do Real Madrid facilite o confronto. À parte algumas atuações tétricas na liga espanhola, as últimas semanas mostraram que, quando concentrado, o time de Mourinho pode destruir bons oponentes. Ainda em janeiro, o Valencia levou 5 a 0 em casa, com todos os gols no primeiro tempo. No sábado, um brilhante Cristiano Ronaldo garantiu 4 a 1 sobre o Sevilla.

Embora a temporada do United indique que o ataque sempre compensa as falhas da defesa, o caminho para sair vivo do Santiago Bernabéu passa por esperar e não oferecer espaço para as transições rápidas do Real Madrid. O quarto gol contra o Sevilla foi a perfeita demonstração de como o contra-ataque madridista é letal e não deve ser permitido. O time da Andaluzia cobrou falta no campo de ataque e, exatamente 15 segundos depois, sofreu o gol. Ronaldo iniciou e concluiu a jogada.

Possíveis escalações. Base do United é a formação utilizada contra o Tottenham, em 20 de janeiro, com Rooney no lugar de Kagawa

Aliás, Ronaldo não pode ser marcado apenas por Rafael. Ferguson teve esse cuidado quando enfrentou Bale, na visita ao Tottenham há três semanas. Para evitar a exposição do lateral brasileiro às arrancadas do galês, Phil Jones, o quebra-galho do elenco, foi escalado no meio-campo e dobrou a marcação sobre Bale. A tendência é que ele repita o expediente em Madrid. Não à toa, havia certa apreensão sobre a condição física de Jones, substituído por precaução na última rodada da Premier League. Contra o Tottenham, deu certo. Na quarta-feira, pode sobrar espaço para outros jogadores decisivos – daí a importância, por exemplo, de Carrick no combate a Özil.

Outra peça-chave para o United é Rooney, que deve ligar contra-ataques, abastecer van Persie e eventualmente finalizar. A versatilidade do número 10 oferece flexibilidade à equipe. Ferguson pode orientá-lo a incomodar Xabi Alonso, sua função habitual, ou mesmo a fechar o lado esquerdo, como aconteceu no fim de semana contra o Everton. No entanto, sem esquecer a necessidade de marcar gols em Madrid, é fundamental que Rooney sempre se aproxime da área quando o United tiver a bola.

Como o Real Madrid contra-ataca sem piedade, é praticamente questão de sobrevivência para o United um placar aceitável no Santiago Bernabéu. A eliminação de dez anos atrás (vitórias do Real por 3 a 1 em Madrid e do United por 4 a 3 em Manchester, com hat-trick de Ronaldo Fenômeno), mesmo com personagens diferentes, serve de lição: quando você tem de correr atrás do resultado, sempre haverá um Ronaldo do outro lado para derrubá-lo.

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quarta-feira, 5 de dezembro de 2012 Copas Europeias, Debates | 23:59

Europa menos inglesa

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McKayla não está impressionada pelo desempenho inglês na Champions League

Até 1997, a Champions League era disputada apenas por campeões nacionais. Assim, o único representante inglês em 1995-96 foi o Blackburn, que havia conquistado a Premier League na temporada anterior. Foi um desastre. No grupo de Rosenborg, Legia Varsóvia e Spartak Moscou, os Rovers perderam quatro partidas, empataram uma e derrotaram o Rosenborg na última rodada, quando já estavam eliminados. Aquela ficou marcada como a pior campanha inglesa na história da Champions.

O recorde negativo do Blackburn sobreviveu a 16 temporadas. Agora ele é do Manchester City, que encerrou sua participação no Grupo D com deprimentes três pontos. Sistematicamente, empatou os jogos em casa e foi derrotado em todas as visitas, a Real Madrid, Ajax e Dortmund. Roberto Mancini, porém, afirmou que não está envergonhado. Há um mês, quando o cenário já indicava eliminação na primeira fase, o técnico italiano foi intelectualmente desonesto para justificar o fracasso continental.

É assustador que Mancini considere naturais esses vexames. Em menos de dois anos, além das duas eliminações na fase de grupos da Champions, seu time caiu diante de Dynamo Kiev e Sporting na Europa League. Desta vez, apesar da escalação respeitável utilizada ontem, contra o Dortmund, a atitude relapsa dos jogadores passou a impressão de que ninguém ali queria garantir a terceira posição na chave e o direito (interpretado por Mancini como dever) de jogar a Europa League. Com a derrota na Alemanha, a vaga ficou com o Ajax.

Fracasso chama fracasso. Afastado da Europa, o City não melhora seu coeficiente na UEFA, e a tendência é que seja novamente castigado por um grupo difícil na próxima Champions. Entretanto, o exemplo do atual campeão inglês pode não ser o único. É evidente que as campanhas do Manchester City têm sido particularmente desastrosas, mas outros clubes do país também precisam refletir sobre seu desempenho em competições europeias.

Não existe mais aquele domínio de 2007-08, quando Manchester United, Chelsea, Liverpool e um pálido Barcelona foram semifinalistas da Champions. Em 2009-10, não houve ingleses nas semifinais. Nas últimas duas temporadas, apenas dois avançaram à segunda fase – Chelsea e Arsenal em 2011-12 e Manchester United e Arsenal em 2012-13. A eliminação do Chelsea nesta edição é incontestável, pois Juventus e Shakhtar foram simplesmente melhores.

Outplayed by Dortmund, Napoli, Athletic…
A imprensa inglesa adora a expressão outplayed by, que, nesse contexto, significa dominado por. Ela tem sido bastante utilizada para descrever partidas em que times ingleses foram dominados por estrangeiros, não necessariamente no placar, mas sobretudo no volume de jogo. Em 2012-13, o Dortmund controlou o Manchester City nos dois jogos. Shakhtar e Juventus deram aulas ao Chelsea. Na temporada passada, o City foi vítima do Napoli. Mesmo campeão, o Chelsea não foi soberano em nenhuma das eliminatórias, contra Napoli, Benfica, Barcelona e Bayern. O Arsenal sofreu 4 a 0 do Milan na Itália. O Manchester United sucumbiu ao Athletic Bilbao na Europa League.

Não há qualquer indício de enfraquecimento da liga inglesa, que ainda pode ser considerada a melhor do mundo em vários aspectos. No entanto, não se justifica esse sentimento de soberba que os clubes ingleses parecem alimentar. O calendário doméstico desgastante, o choque com outros estilos (os três zagueiros de Napoli e Juventus, o futebol total do Athletic, a postura implacável do Dortmund…) e às vezes a falta de repertório dos treinadores têm atrapalhado as campanhas na Europa. Até a segunda posição no ranking da UEFA já é ameaçada pela Alemanha. Não há que se falar em nova Itália, mas é preciso abrir os olhos.

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quarta-feira, 24 de outubro de 2012 Chelsea, Copas Europeias | 11:41

Tic-tac

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Torres ganha um título atrás do outro e até marca gols, mas simplesmente não convence

A merecida derrota para o Shakhtar Donetsk deixa o Chelsea sob pressão na Champions League. Diante da campanha impecável dos ucranianos, o atual campeão europeu está obrigado a superar a Juventus – e ainda há confronto direto em Turim – para evitar o vexame de uma eliminação na primeira fase. O fato é que, com apenas uma vitória em quatro partidas continentais, a equipe de Roberto Di Matteo não reproduz na Europa as boas atuações domésticas. Único centroavante puro do elenco, Fernando Torres não marcou gol na Supercopa e na Champions e tem sido responsabilizado pelo pobre desempenho.

O Torres de 2012-13 pode ser interpretado de formas distintas. Os seis gols em 13 jogos sugerem que ele evoluiu, mas a prática desmente. Até a temporada passada, de alguma maneira, era possível rebater os números, argumentando que sua movimentação contribuía bastante, o estilo de jogo não o favorecia, ou mesmo que a sombra de Drogba o travava. Mas esses fatores não existem mais.

Contra o Shakhtar, por exemplo, Torres matou uma série de jogadas do Chelsea, até esgotar a paciência do treinador e ser trocado por Sturridge. Aliás, Sturridge é quem mais se aproxima de uma alternativa ao espanhol no elenco, pois Di Matteo perdeu Drogba, emprestou Lukaku e não repôs as saídas. Em síntese, intencionalmente ou não, fez tudo para que Torres se sentisse confortável. Ainda contratou Hazard e Oscar e montou um trio de armadores para abastecê-lo. O número de gols aumentou, assim como a sensação de que ele destoa da equipe.

Frequentemente incapaz de manter a bola sob controle, Torres tem até janeiro para eliminar sua crise de confiança. Parece claro que, com o mercado de inverno batendo à porta, o Chelsea planeja contratar alguém que acompanhe o ritmo dos armadores e defina melhor os lances de ataque – não necessariamente Falcao García. Pode ser uma questão de sobrevivência na temporada. O tempo está acabando para o atacante de £50 milhões e 0,22 gol por partida.

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quinta-feira, 20 de setembro de 2012 Brasileiros, Chelsea, Copas Europeias | 13:40

O compromisso de Oscar

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A legião brasileira do Chelsea apressa a adaptação de Oscar

Oscar foi brilhante em sua estreia como titular no Chelsea. Escalado como armador central por Roberto Di Matteo, o brasileiro realizou um provável sonho de infância ao marcar dois gols (o segundo, espetacular) em seus primeiros 33 minutos de Champions League. A Juventus ainda buscou o empate por 2 a 2, mas não tirou de Oscar a certeza de que ele foi o dono da noite.

Quando aceitou o Chelsea, há dois meses, Oscar assumiu um enorme desafio. Apesar da rápida ascensão na seleção brasileira, o que é evidentemente uma referência para quem contrata, o ex-jogador do Inter teria de contrariar a lógica para conquistar um lugar na equipe em curto prazo. Com raras exceções, não deve haver espaço para Hazard, Mata e Oscar ao mesmo tempo, pois Di Matteo exige um carregador de bola (no caso, Ramires) em seu 4-2-3-1.

Com o impacto instantâneo de Hazard, que passa a ser imprescindível ao Chelsea, está aberta a disputa entre Oscar e Mata, líder em assistências do time na temporada passada. O espanhol é mais experiente e estabilizado no futebol europeu, mas o brasileiro pode ganhar terreno gradualmente – e não somente pelo talento descomunal.

Da partida contra a Juventus, ficam marcados os gols, especialmente pela raridade do segundo. No entanto, há outro aspecto que torna a atuação de Oscar ainda mais notável. Antes do confronto, o brasileiro não foi designado apenas para armar o time, mas também para atrapalhar o principal jogador adversário. Tinha de perseguir Pirlo, que sempre organiza a Juventus de uma posição bem próxima à defesa, o que dificulta demais a marcação sobre ele. Oscar executou esse trabalho perfeitamente, limitando a ação do regista.

A eficiência na recomposição defensiva certamente foi fundamental para que Oscar se tornasse titular absoluto da seleção. É a antítese de PH Ganso, que tem cara e disposição de ontem. No Chelsea, a concorrência é mais pesada, mas não há motivo para apostar contra ele. Se associar o talento a esse compromisso tático, que Di Matteo fez questão de exaltar na entrevista pós-jogo, Oscar pode ser titular bem antes do que acreditávamos.

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quinta-feira, 30 de agosto de 2012 Copas Europeias, Man City | 23:36

Flashback

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Balotelli reencontra José Mourinho, seu treinador na Inter, logo na estreia

Mario Balotelli destruiu o Manchester City na Europa League há duas temporadas. O italiano foi expulso contra o Dynamo Kiev e impediu a classificação às quartas de final. Na ocasião, o time de Roberto Mancini buscava não apenas o título, mas também uma escalada no ranking da UEFA, para chegar às edições seguintes da Champions League, o que aconteceria naturalmente, em melhores condições. Nada feito. No sorteio do ano passado, o City ficou no terceiro pote, fez companhia a Bayern, Villarreal e Napoli na fase de grupos e foi eliminado.

Hoje, na definição dos grupos desta temporada da Champions, o City pagou novamente por seus fracassos internacionais. A campanha continental em 2011-12, que terminou com a eliminação para o Sporting nas oitavas de final da Europa League, até foi suficiente para “promover” o clube ao segundo pote, mas não evitou outro sorteio desagradável. No Grupo D, os Citizens enfrentam os campeões nacionais Real Madrid, Borussia Dortmund e Ajax.

Em tese, Madrid, Dortmund e Ajax são, respectivamente, ainda mais perigosos do que Bayern, Napoli e Villarreal. Para superar ao menos dois de seus três oponentes, o City tem o compromisso de ser mais preciso em casa. Não basta reproduzir na Champions as exibições da Premier League, que em 2011-12 renderam uma campanha caseira de 18 vitórias e um empate. Na mesma temporada, uma estreia sonolenta contra o Napoli no Etihad Stadium resultou num ótimo empate para os italianos e foi determinante para a eliminação dos ingleses na UCL.

É necessário entender que a competição, especialmente quando tratamos de uma chave tão apertada, exige mais concentração e uma atmosfera diferente. O grupo tende a não perdoar também o rodízio de titulares, prática que Mancini adotou à exaustão no fiasco de 2011-12, com revezamento de laterais e Agüero relegado ao banco no confronto decisivo, novamente diante do Napoli, no San Paolo.

Desta vez, a pressão será menor na estreia, pois não há a obrigação – embora seja interessante – de tirar pontos do Real Madrid no Santiago Bernabéu. O “Napoli” deste ano é o Dortmund, contra quem o City precisa vencer o confronto direto, admitindo que o Madrid confirme seu status de favorito e o Ajax não surpreenda. Resta saber qual turma vai amadurecer e finalmente superar seu bloqueio na Europa: a de Roberto Mancini ou a de Jürgen Klopp. Vacinado, o campeão inglês parece pronto para o desafio.

Também na Champions
Grupo B: Arsenal, Schalke, Olympiacos e Montpellier
Grupo E: Chelsea, Shakhtar, Juventus e Nordsjaelland
Grupo H: Manchester United, Braga, Galatasaray e Cluj

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domingo, 20 de maio de 2012 Chelsea, Copas Europeias | 13:45

Putsch de Munique

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Londres, Roman Abramovich e os senadores do elenco do Chelsea. Toda essa turma, enfim, conquistou a Europa. Em outra atuação disciplinada e baseada num sistema defensivo sólido, o sexto colocado da Inglaterra derrubou o Bayern em Munique, levou a Champions, garantiu vaga na próxima edição e relegou o Tottenham à Europa League. Petr Cech e Didier Drogba brilharam durante o empate por 1 a 1 e na disputa por pênaltis.

O Chelsea reeditou o Liverpool de 1984 e levantou a taça na casa do adversário

A caminhada até o título foi espetacular. Houve pelo menos três momentos em que tudo parecia perdido: a derrota por 3 a 1 para o Napoli no San Paolo, a expulsão de John Terry no Camp Nou e o gol de Thomas Müller na Allianz Arena. A dramática conquista é um prêmio à geração de Terry, Lampard e Drogba, que viveu o auge logo no início, em 2004-05 com José Mourinho, mas que também sobreviveu ao tempo, rejeitou André Villas-Boas e possivelmente aproveitou sua última chance de glória continental.

Tudo muito legal, mas o calendário indica que a próxima temporada começa daqui a menos de três meses. Portanto, o Chelsea não pode ignorar seus problemas. Arquiteto do título europeu, Roberto Di Matteo tem todos os argumentos para reivindicar sua efetivação como treinador. No entanto, precisaria fazer um trabalho completamente distinto do que levou o clube às conquistas da FA Cup e, especialmente, da Champions League.

Di Matteo mostrou habilidade tática ao travar Barcelona e Bayern e habilidade administrativa ao reanimar o elenco, mas jamais teve – e, diante de seu status de interino, nem deveria ter – compromisso com o futuro. Com a demissão de Villas-Boas, o processo de reforma do Chelsea foi adiado por um ano em benefício da possibilidade de, com a velha guarda no comando, salvar uma temporada que se anunciava desastrosa. Agora, o clube tem de voltar ao trilho certo.

Roman Abramovich já pode dormir em paz

Embora tenha ganhado confrontos impensáveis, o Chelsea foi mal na liga doméstica, mesmo com Di Matteo, que venceu cinco jogos, empatou três e perdeu outros três, aproveitamento pior que o de Villas-Boas. Ainda que a concentração na Champions fosse natural, é errado dizer que os Blues abriram mão da Premier League. As derrotas para Newcastle e Manchester City e até os empates com Tottenham e Fulham foram indigestos para quem tentava atingir a quarta posição. O Chelsea simplesmente falhou.

Para gerir a urgente reconstrução do elenco, Di Matteo tem uma vantagem e uma desvantagem em relação a qualquer outro nome. A ótima relação com a velha guarda pode lhe dar a liberdade que ninguém mais teria para renovar, mas também o excessivo apego aos senadores que impediria a reforma. Não é preciso eliminar Terry, Lampard ou Drogba. Necessário é alterar o paradigma de “jogadores no controle” e, no momento certo, redimensionar o papel deles no grupo.

Como disse Alan Pardew, técnico do Newcastle, em março, esse modelo “fez a Inglaterra perder um grande técnico jovem”. Não foi só o modelo, pois Villas-Boas também errou, mas a sexta posição na liga é um alerta e tanto para a necessidade de mudar. Se não abrir os olhos, o Chelsea repetirá a Internazionale, campeã europeia há dois anos e agonizante nas últimas duas temporadas.

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sexta-feira, 18 de maio de 2012 Chelsea, Copas Europeias | 15:36

Missão possível

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Bosingwa deve marcar Ribéry. O que pode dar errado?

O pior Chelsea da era Roman Abramovich chega a Munique para realizar o grande sonho de seu proprietário. Amanhã, às 15h45 de Brasília, os Blues enfrentam o Bayern e uma pulsante Allianz Arena na tentativa de conquistar a primeira Champions League para a cidade de Londres. Há quatro anos, em Moscou, o título escapou diante do Manchester United numa final dramática.

Os bávaros são largamente apontados como favoritos, mas os ingleses têm caminhos para surpreender. Se o sexto colocado da Premier League não conta com os suspensos Ivanovic, Terry, Meireles e Ramires, o Bayern sofre sérios danos no sistema defensivo com as ausências de Badstuber, Alaba e Luiz Gustavo. Eis o que o time de Roberto Di Matteo precisa fazer para, depois de eliminar o Barcelona, derrubar outro gigante:

Controlar Robben e Ribéry. Jogar pelas pontas sempre é a principal arma deste Bayern de Jupp Heynckes. Diante de um Chelsea propenso a uma postura defensiva, deve ser ainda mais. À esquerda, Ashley Cole está em grande forma e será páreo para Robben. À direita, sem Ivanovic, Bosingwa terá de se superar contra Ribéry. Como os laterais do Bayern – Rafinha e Lahm ou Lahm e Contento – também devem atacar muito, a marcação pelas pontas precisa começar lá na frente. Na ausência de Ramires, Di Matteo pode considerar a escalação de dois legítimos wingers para acompanhá-los: Kalou pela direita e, apesar da temporada fraca, Malouda pela esquerda.

Igualar a disputa no meio-campo. Especulou-se durante a semana a possibilidade de Di Matteo escalar Drogba e Torres desde o início. Apesar das deficiências defensivas do Bayern, não parece prudente. Sem Luiz Gustavo, o meio-campo bávaro pode até ter problemas para recuperar a bola, mas tende a ser muito técnico, com Kroos e Schweinsteiger na volância e Müller por dentro na linha dos três meias. Trabalhar com três jogadores em funções centrais do meio-campo – Mikel, Lampard e Mata são os candidatos óbvios – é importante para que ninguém sobre por ali.

Expulso na decisão de 2008, Drogba é a principal esperança para Di Matteo

Evitar jogadores fora de forma. Essien seria naturalmente titular em condições normais, especialmente na ausência de Meireles. No entanto, a forma física dele não parece confiável, como a atuação na derrota por 4 a 1 para o Liverpool denunciou. O ganês teve bastante tempo para reconquistar espaço na equipe, mas jamais esteve bem após seu último longo período de lesão. Com David Luiz e Cahill, é diferente: mesmo que estejam fora de forma, a necessidade obriga a aposta neles.

Usar e abusar de Drogba. O marfinense foi soberbo contra o Barcelona. Será interessante ver o que ele pode fazer contra um adversário que vai permitir ao Chelsea mais minutos de posse de bola. Drogba deve ser uma ameaça permanente a Boateng e Tymoschuk, que, convenhamos, não são exatamente uma dupla de defesa segura. Sem Luiz Gustavo e com menos obrigações defensivas em relação ao confronto com o Barça, Mata tem o compromisso de jogar melhor e oferecer mais bolas a Drogba.

Reeditar a eficiência da semifinal contra o Barcelona. Em 180 minutos, o Chelsea finalizou 11 vezes e marcou três gols, aproveitamento de 27%. Simples, não?

Possível escalação: Cech; Bosingwa, Cahill, David Luiz, Cole; Mikel, Lampard; Kalou, Mata, Malouda; Drogba.

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terça-feira, 24 de abril de 2012 Chelsea, Copas Europeias | 20:18

Ramires, Terry e o milagre de Barcelona

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O Chelsea de John Terry definhava no Camp Nou. Levou 1 a 0, viu seu capitão ser estupidamente expulso e Iniesta praticamente sacramentar a classificação do Barcelona à final da Champions League. Até que entrou em campo o Chelsea de Ramires. Já em clima de eliminação e de um iminente chocolate blaugrana, o brasileiro, sacrificado na lateral direita, marcou um golaço para recolocar os ingleses no caminho para a decisão, de onde eles não mais saíram. O empate por 2 a 2 foi um milagre.

Pouco antes do intervalo, o Chelsea perdia por 2 a 0 para o melhor time desta geração, tinha um jogador a menos, Ramires na lateral direita, Bosingwa como zagueiro e Drogba circulando pela defesa para cortar quantas bolas pudesse. O Barcelona e Lionel Messi foram muito incompetentes, mas, diante desse cenário, nada tira o mérito do Chelsea pelo esforço para congestionar a área, garantir a vaga na final e ainda empatar o jogo.

Ramires não é mano do Mano, mas é o melhor brasileiro na Inglaterra

Roberto Di Matteo fez questão de atribuir a conquista aos jogadores, destacando que a “paixão valeu mais do que a tática”. Ramires, o mais apaixonado, foi o craque de uma classificação conquistada pela disciplina e a frieza para aproveitar as raras chances. Este fluminense de Barra do Piraí é versátil, rápido, técnico e extremamente aplicado, como se tivesse sido moldado para jogar na Inglaterra. Hoje, sem nenhum exagero, já caminha para ser o melhor brasileiro de todos os tempos no futebol inglês.

Enquanto Ramires decidia o jogo, Terry chorava as pitangas no vestiário. É inaceitável que a maior referência do clube, que já carregava uma tonelada nas costas por ter falhado na decisão de 2008, tenha agredido Alexis Sánchez daquela maneira. O capitão, o suposto role model do Chelsea, famoso pela estupidez no cotidiano, desta vez foi um irresponsável também em campo. A milagrosa classificação o salvou de outra culpa eterna, mas não da ausência na final de Munique, em 19 de maio.

Além de Terry, serão desfalques Ivanovic, Raúl Meireles e Ramires, aquele que mais merecia a ocasião. Di Matteo já deve pensar em Cech; Bosingwa, Cahill (Romeu), David Luiz, Cole; Mikel, Essien; Kalou (Sturridge), Lampard, Mata; Drogba. O banco não terá tantas opções, mas o time que vai a campo pode desafiar Bayern ou Real Madrid, especialmente com David Luiz e Gary Cahill saudáveis.

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