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Arquivo da Categoria Copas Nacionais

quarta-feira, 26 de setembro de 2012 Copas Nacionais | 11:29

Recanto de jovens e renegados

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Mesmo sem conquistar um título de elite há 57 anos, o Newcastle não investirá tanto na Copa da Liga, agora também conhecida como Capital One Cup (a companhia americana Capital One, especializada em cartões de crédito, é o sétimo patrocinador do torneio). O técnico Alan Pardew tirou a competição da lista de prioridades para a temporada e indicou que alguns jogadores serão preservados na estreia, às 15h45, contra o Manchester United em Old Trafford.

Essa atitude relapsa não é exclusividade do Newcastle. Ninguém simplesmente desiste de disputar a Copa da Liga, mas as escalações dos times da primeira divisão costumam excluir o máximo possível de titulares, mantendo no limite a chance de classificação à fase seguinte. Ontem, em Manchester City 2 x 4 Aston Villa, Roberto Mancini escalou Lescott, Tevez, sete reservas imediatos e dois garotos. Até Paul Lambert poupou Bent, que passou 120 minutos (incluindo a prorrogação) no banco.

Boselli, senhor Copa da Liga

É por isso que as eliminações de Manchester City e Everton (perdeu para o Leeds) não devem ser qualificadas como surpreendentes. Com as escalações utilizadas, o risco era grande mesmo. Particularmente nas primeiras eliminatórias, quando vários times são negligentes além da conta, a Capital One Cup é o recanto de jovens e renegados.

No grupo dos garotos, chamam atenção Suso e Nick Powell, que podem ser titulares de Liverpool e Manchester United. Considerado um prodígio da base há muito tempo, porém ofuscado pela meteórica ascensão de Sterling, Suso ganhou espaço na última semana, com boas atuações diante de Young Boys e Manchester United. Hoje, deve aparecer como armador principal contra o West Brom. Powell, que já marcou gol na Premier League, na goleada sobre o Wigan, tende a receber mais 90 minutos na meia central.

Entre os renegados, quem melhor aproveita a Copa da Liga é Mauro Boselli, artilheiro da Libertadores em 2009 e um fracasso na Inglaterra desde 2010. O atacante argentino marcou duas vezes ontem, na goleada por 4 a 1 do Wigan sobre o West Ham. Agora são quatro gols no futebol inglês, todos marcados em partidas da Copa da Liga. Boselli, que andou emprestado a Genoa e Estudiantes nas últimas temporadas, recebeu apoio do técnico Roberto Martínez, que ainda acredita nele. “Ter um goleador satisfeito é algo muito bom”, afirmou.

Também podem ressurgir Andrei Arshavin, que deixou de ser útil ao Arsenal desde que a preguiça dominou o talento, e Michael Dawson, sem espaço no Tottenham com a contratação de Vertonghen e o retorno de Caulker. A Copa da Liga talvez não seja a tábua de salvação para todos eles, como pode ter sido para Boselli, mas representa a oportunidade de participar de uma competição, conseguir um bom contrato em outro lugar. É o que tem para hoje.

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segunda-feira, 16 de abril de 2012 Copas Nacionais, Premier League | 09:25

FA Cup e corrida pelo título

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Herói improvável. Embora trabalhe bastante pelo time, Andy Carroll não terá seu esforço reconhecido pela opinião pública enquanto não melhorar sua deprimente média de gols. Mas existe um lado bom nessa história: como ninguém espera mais nada dele, qualquer participação decisiva é surpreendente e, portanto, provoca reações exageradas. O gol que eliminou o Everton e pôs o Liverpool em outra decisão de copa lhe rendeu dois elogios de peso. Jamie Carragher considera, hiperbolicamente, que o gol justificou os £35 milhões investidos nele em janeiro do ano passado. Ídolo dos Reds, Kevin Keegan o qualificou como “o melhor cabeceador dos últimos 20 anos”. Calma, gente.

Chelsea e seu lethal touch. Lethal touch (“toque letal”), para quem não sabe, é a qualidade atribuída àquela equipe que consegue aproveitar bem suas oportunidades de gol. O Chelsea não jogou para golear o Tottenham e ainda contou com ajuda da arbitragem, mas foi eficiente demais na outra semifinal da FA Cup. O time de Roberto Di Matteo teve 49% de posse de bola, finalizou 16 vezes e marcou cinco gols (quatro, na verdade). Fundamental, agora, é repetir isso contra o Barcelona, que não deve conceder muitas chances. A questão é: com Lampard e Drogba, goleadores prolíficos, ou com jogadores em melhores condições físicas?

Cudicini se desespera, e a FIFA preserva o "charme" de um futebol sem tecnologia. Até quando?

Arbitragem. Ainda que haja diferentes graus, não existe time apenas beneficiado ou apenas prejudicado. No entanto, a situação da arbitragem na Inglaterra beira o insustentável. Em seus últimos três jogos, o Manchester United foi ajudado quatro vezes e lesado outras três em lances capitais. Na FA Cup, Juan Mata marcou um gol-fantasma. Existem soluções urgentes de caráter global, da (in)competência da FIFA, mas a Football Association também pode agir. Diretrizes mais claras aos árbitros e testes físicos mais rigorosos (Phil Dowd, 49, sofre para correr) são medidas bem viáveis.

Desespero, parte 1. Para Patrick Vieira, chamar Paul Scholes de volta foi um ato de desespero do Manchester United. Na vitória por 4 a 0 sobre o Aston Villa, Scholes foi novamente preciso, completando 63 de 67 tentativas de passe. São dez vitórias do United em dez partidas dele como titular desde o retorno da aposentadoria. Estas coisas são incalculáveis, mas parece evidente que, se Scholes não tivesse voltado, a corrida pelo título da Premier League teria outro líder. Moral da história: tome decisões movido pelo desespero.

Desespero, parte 2. No caso de Tevez, a quem Alex Ferguson recorreu para responder às declarações de Vieira, havia o risco adicional de danos ao ambiente do clube, mas essa fase já passou. Na vitória do Manchester City por 6 a 1 sobre o Norwich, o rebelde argentino marcou três gols e deu uma assistência a Agüero, com quem faz a melhor parceria possível no ataque do City. Finalmente, o time de Roberto Mancini tem uma sequência de ótimas atuações e dá sinais de que pode ganhar todos os jogos até o fim da temporada. Difícil é acreditar que será suficiente para o título.

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sexta-feira, 13 de abril de 2012 Copas Nacionais, Everton, Liverpool | 16:58

Cinco motivos para acordar cedo amanhã

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Liverpool e Everton decidem amanhã, às 8h30 de Brasília, uma vaga na final da FA Cup. O horário é ingrato, mas vale a pena assistir. Veja por que você não deve perder o Merseyside derby mais importante do século XXI:

Não tem todo dia. Liverpool e Everton se encontraram pela última vez em Wembley há 23 anos, numa decisão memorável de FA Cup, cinco semanas após a tragédia de Hillsborough, que matou 96 torcedores dos Reds. O Liverpool vencia por 1 a 0 até os 89 minutos, quando Stuart McCall empatou. Na prorrogação, apesar de McCall ter marcado novamente, Ian Rush, que havia começado no banco, fez dois gols e determinou a vitória vermelha por 3 a 2. O maior artilheiro da história dos Reds já havia sido essencial na outra decisão de copa contra o Everton, em 1986, quando também marcou duas vezes. Kenny Dalglish comandou o Liverpool em ambas as finais e jogou na de 86.

Ambiente do Liverpool. O Liverpool é uma gangorra de emoções. Nesta semana, perdeu mais um goleiro (Brad Jones e o resgatado Peter Gulacsi serão os convocados), venceu o Blackburn com gol de Andy Carroll numa partida insana e viu seu diretor de futebol, Damien Comolli, ex-Arsenal e Tottenham, ser demitido. A saída de Comolli representa não apenas a insatisfação da cúpula com o trabalho de observação dele, mas também o fracasso, ainda que parcial, de contratações indicadas pelo francês e aprovadas por Dalglish. Enfim, a decisão pode resvalar em gente como Carroll, Downing e no próprio Dalglish, que precisa administrar a situação.

Jelavic pode encerrar uma dinastia de fracassos ofensivos no Everton

O Everton tem um atacante decente. Contratado em janeiro, Nikica Jelavic foi fundamental na classificação do Everton às semifinais da FA Cup e tem agradado também na Premier League. Com uma marca registrada de finalização, sempre perto da marca do pênalti completando cruzamento da esquerda, o croata tem cinco gols em dez jogos e enfim acrescenta a um meio-campo sólido que carecia há muito tempo de um finalizador competente. O técnico de Jelavic na seleção, o bom Slaven Bilic, prevê sucesso para ele em Goodison Park.

Relação de forças. O Everton, sétimo colocado com 47 pontos, está uma posição e um ponto acima do Liverpool no campeonato. A única temporada em que os Toffees superaram o rival na Premier League foi 2004-05, mas a façanha seria ofuscada pelo épico título europeu dos Reds de Rafa Benítez. Desta vez, apesar das derrotas dentro e fora de casa em 2011-12, o Everton está em melhor fase e pode, sim, terminar a liga à frente, eliminar o Liverpool da copa e tentar seu primeiro título em 17 anos.

Imponderável. O Liverpool perdeu seis dos últimos nove jogos na Premier League e segue sofrendo demais para marcar gols até quando cria chances em escala industrial. No entanto, o primeiro trimestre de 2012 também teve bons momentos. Além do título da Carling Cup, os Reds venceram justamente o Everton por 3 a 0. Tudo bem que era um Everton combalido, que preservava parte do time para cuidar da FA Cup, mas o hat-trick de Steven Gerrard, em temporada discreta, foi tão memorável quanto inesperado. Clássicos distorcem, para o bem e para o mal. Clichê cretino, porém verdadeiro.

*O jogo terá transmissão da ESPN Brasil e do Esporte Interativo

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domingo, 26 de fevereiro de 2012 Copas Nacionais, Premier League | 19:28

Recapitulando

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No sábado, o Manchester City chegou a 18 vitórias consecutivas em jogos da Premier League no Etihad Stadium. A turma de Roberto Mancini aprendeu a lição do United, que perdeu apenas dois pontos em casa na temporada passada, e parece até mais soberana. Com Yaya Touré, de volta da Copa Africana de Nações, marcando e articulando à perfeição, as partidas contra equipes frágeis ficam ainda mais simples. A atuação dominante nos 3 a 0 sobre o Blackburn, que por sinal venceu seu compromisso em Old Trafford, explica a liderança do favorito ao título. No domingo, embora o Norwich tenha dominado, o United respondeu vencendo por 2 a 1 com gols de Scholes e Giggs. Sim, em 2012.

O Sunderland desapareceu nesta rodada. Após uma sequência impressionante, o time de Martin O’Neill caiu diante do West Brom: 4 a 0. A recuperação de Odemwingie, autor de dois gols, foi determinante para a vitória dos Baggies, mas o próprio O’Neill assumiu que sua equipe errou demais. Os gatos pretos têm muito para agradecer ao novo treinador, porém apagões como este ainda devem acontecer. O elenco não tem, por exemplo, atacantes realmente bons, o que obriga o deslocamento de Sessegnon para frente. E mesmo o Aston Villa de O’Neill falhava eventualmente, como quando perdeu para o Chelsea de Carlo Ancelotti por 7 a 1.

O sábado foi mágico para o atual, o West Brom, e também para um dos ex-times de Roy Hodgson, o Fulham. Se Woy é ídolo no Craven Cottage, o mesmo não se pode dizer sobre Mark Hughes, que trocou o cargo de técnico no clube por um ano sabático. Antes mesmo de completar esse período, ele aceitou o convite do Queens Park Rangers, vizinho (vizinho mesmo) do Fulham em Londres. A vitória por 1 a 0 dos Cottagers sobre o QPR, no Loftus Road, foi especial ainda porque Bobby Zamora, de relação estremecida com o treinador Martin Jol, migrou para o rival. E quem marcou o gol? Pogrebnyak, contratado justamente para substituir Zamora.

O Liverpool quase reeditou o Arsenal de 2011, mas Gerrard fez o que não fazia há seis anos

E o Arsenal, hein? Todos os setores da equipe – menos o do excepcional único atacante, van Persie – ainda agonizam, mas o time mostrou muito caráter hoje. Virar o placar de 0 a 2 para 5 a 2 contra um Tottenham muito mais confiável (ainda que estranhamente apático no segundo tempo) pode representar um sopro de confiança para o resto da temporada. Mas só para o resto da temporada. Não é possível acreditar que Rosicky, um dos melhores em campo no Emirates, deva comandar o meio-campo do Arsenal em 2012-13.

A final da Carling Cup foi espetacular e pode ser interpretada de várias formas. O título do Liverpool deveria ter sido mais simples, é bem verdade, mas é justo realçar a dedicação defensiva do Cardiff em vez da incapacidade dos Reds de transformar em gols o tradicional bombardeio de bolas paradas, cruzamentos e finalizações. A Copa da Liga, por si só, pode não valer tanto, porém a festa pela conquista após a abstinência de seis anos vale demais. Alguém, depois que Anthony Gerrard perdeu o pênalti, pensou “ah, o Liverpool está na Liga Europa”? Certamente não. Importante, mesmo, é o troféu.

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sábado, 28 de janeiro de 2012 Copas Nacionais, Man Utd | 19:38

Red Devils

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Um desfalcado Manchester United teve nos pés a classificação à quinta fase da FA Cup. O fatal cochilo de Patrice Evra aos 43 do segundo tempo gerou o gol da vitória do Liverpool e impediu um replay em que os Red Devils seriam claramente favoritos. Isso à parte, perder em Anfield ainda é normal. Pior é a sequência de eliminações que resumiu a temporada do United a Premier e Europa Leagues.

Para quem sempre flerta com doubles e trebles, 2011-12 já é, de certa forma, uma temporada amarga. É claro que a satisfação do torcedor depende de como terminar a corrida pelo título nacional contra o Manchester City, mas a raiva de Alex Ferguson após as derrotas para Crystal Palace (Carling Cup), Basel (Champions League) e Liverpool (FA Cup) sinaliza que esses fracassos não estavam no script.

Reggie, o simpático mascote do Crawley Town, garantiu a alegria da classe neste sábado

A reforma do United tem sido mais dolorosa do que esperávamos por conta da sequência de lesões, apostas que ainda não deram certo, como David De Gea, e o baixo rendimento de quem contribuía bem mais, como Chicharito Hernández. Porém, embora não impressione em campo, a campanha na liga é excepcional na tabela, com 77% de aproveitamento, mais do que os 70 do último título. Ferguson tem de trabalhar os atributos psicológicos de sua nova (nem tanto por Scholes e Giggs) equipe, mas não há nada irreparável em Old Trafford.

Crawley Town
Enquanto isso, no KC Stadium, um diabo vermelho fez festa. O KC, para quem não lembra, é a casa do Hull City, sexto colocado da segunda divisão e hoje eliminado da FA Cup pelo Crawley Town. O Crawley, que tem o mesmo mascote do Manchester United, é o terceiro colocado da quarta divisão. A vitória por 1 a 0 sobre o Hull levou o clube provinciano às oitavas de final da copa pela segunda vez consecutiva.

A diferença é que, na temporada passada, o Crawley não estava sequer na Football League. Era time da Conferência Nacional, equivalente à quinta divisão. Há um ano, o blog tratou dessa jornada, que, curiosamente, terminou com uma derrota por 1 a 0 para o Manchester United em Old Trafford. Desta vez, o diabo vermelho mais bem-sucedido na FA Cup vem do Broadfield Stadium.

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quinta-feira, 26 de janeiro de 2012 Cardiff, Copas Nacionais, Liverpool | 00:24

Cinco motivos para assistir a Cardiff x Liverpool

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Cardiff e Liverpool garantiram seus bilhetes para Wembley ao eliminarem, respectivamente, Crystal Palace e Manchester City. Veja por que você deve assistir à final da Carling Cup, em 26 de fevereiro:

O Bellamy do Liverpool já é melhor que o do Cardiff

Prazer, Wembley. Curiosamente, o Cardiff já foi ao Wembley reconstruído. Em 2008, o ótimo Portsmouth de Harry Redknapp derrotou os galeses por 1 a 0, com gol de Nwankwo Kanu, e conquistou a FA Cup. O Liverpool, ainda não. A decisão da FA Cup em 2006, que gerou o último título dos Reds, aconteceu no Millennium Stadium (em Cardiff!), que devolveria os grandes eventos a Wembley já na temporada seguinte.

O coração de um galês. Craig Bellamy nasceu em Cardiff e garante que, na infância, torcia pelo Liverpool e pelo clube da cidade. Na temporada passada, foi emprestado pelo Manchester City ao Cardiff, realizando um sonho pessoal. Apesar de não ter levado os Bluebirds à Premier League, dá para dizer que ele se divertiu bastante, com direito a golaço contra o rival Swansea no Liberty Stadium. Será uma final especial para o atacante.

A família Gerrard. Steven encontrará seu primo Anthony. Formado na base do Everton, o defensor de 25 anos não é brilhante como o capitão do Liverpool, mas tem uma carreira ascendente. Após quatro anos de Walsall, perambulando entre League Two e League One, ele chegou ao Cardiff, arrebentou quando emprestado ao Hull e voltou cheio de moral a Gales. Anthony, embora nascido em Liverpool, ainda pretende defender a seleção irlandesa.

Um título para Kenny Dalglish. Você pode não gostar do atual trabalho de Dalglish no Liverpool, mas há de reconhecer que o status de maior ídolo da história do clube permanece intacto. O último título de King Kenny foi a épica Premier League de 1994-95 com o Blackburn. As lágrimas do treinador com a vaga na decisão certamente serão multiplicadas em caso de conquista. O entusiasmo dele é emocionante.

A propensão à zebra. O título também pode ir para Cardiff. Em 1927, os Bluebirds venceram o Arsenal e, como foi divulgado à época, “tiraram a FA Cup da Inglaterra”. Para conquistar a Copa da Liga pela primeira vez, a equipe galesa tem onde se apoiar. O ano passado mostrou um Birmingham astuto na exploração dos erros de um Arsenal pressionado por seis anos sem título, mesmo tamanho da fila do Liverpool. Na terceira posição da Championship, o Cardiff tem bola para incomodar.

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segunda-feira, 28 de novembro de 2011 Copas Nacionais | 23:34

50 horas

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Dalglish e Mancini: ontem em Liverpool, amanhã em Londres

Apesar de congestionar o calendário inglês, a Football League Cup costuma ser vista como uma competição conveniente. Os treinadores dos grandes clubes podem aproveitá-la para oferecer experiência a jogadores jovens e, com um pouco de sorte nos emparelhamentos, até para levantar uma taça. Ninguém superestima uma eliminação e, dependendo das circunstâncias, muita gente valoriza a conquista. A Copa da Liga de 2008, por exemplo, é o único título do Tottenham neste século.

O problema é que a Football League resolveu admitir o status de “competição do rodízio” da pior forma possível. Apenas 50 horas depois de se encontrarem em Anfield, Liverpool e Manchester City visitam, respectivamente, Chelsea e Arsenal na terça-feira. A escala das quartas de final é absurda, pois transforma o que seria uma medida cautelosa em obrigação de preservar a condição física dos atletas. Kenny Dalglish e Roberto Mancini não devem repetir boa parte das escalações do domingo.

O efeito sobre o City deve ser reduzido, considerando que o elenco é mais rico e provavelmente seria explorado mesmo que a partida tivesse sido marcada para quarta-feira. O maior prejuízo fica para o Liverpool, que mantinha o discurso de realmente tentar vencer as copas nacionais. Quando saíram as datas, Dalglish fez críticas ferozes à tabela. “Pedir a um time que faça dois jogos em alta intensidade num espaço de dois dias é uma piada”, esbravejou.

Para repetir o mínimo possível do time titular, o Liverpool iria a Stamford Bridge com Doni; Carragher, Coates, Wilson; Kelly, Spearing, Henderson, Maxi, Fábio Aurélio; Bellamy, Carroll. Complica, não? No Chelsea, André Villas-Boas já disse que pretende usar a Copa da Liga para amadurecer três jovens (Oriol Romeu, McEachran e Lukaku), mas, se assim preferir, pode manter a base titular. Vale registrar que os Blues enfrentaram o Wolverhampton no sábado.

Com Manchester United x Crystal Palace na quarta-feira, fica muito difícil entender o prejuízo em dar três dias de descanso para Liverpool e Manchester City. Oferecer competição aos jovens é uma coisa, mas praticamente impedir que dois clubes valorizem o torneio é outra, equivocada e bem diferente. Os Reds, por exemplo, passaram pelo Stoke nas oitavas porque Luis Suárez virou o confronto. O uruguaio pode não enfrentar o Chelsea porque a tabela é uma ofensa ao bom senso.

Quartas de final da Copa da Liga
Terça, 17h45 – Cardiff x Blackburn
17h45 – Chelsea x Liverpool
18h – Arsenal x Man City
Quarta, 17h45 – Man Utd x Crystal Palace

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domingo, 7 de agosto de 2011 Copas Nacionais, Man Utd | 18:20

Olá, muito prazer

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De Gea, Jones e Young são a espinha dorsal de uma renovação que vai muito além deles

20, 21, 23, 19, 21, 26, 22, 23, 25, 26 e 21. A sequência, bastante repetida há algumas horas, traz as idades dos titulares do Manchester United na parte final da Supercopa da Inglaterra, contra o Manchester City. Foram eles que transformaram uma desvantagem de 2 a 0 em mais um título para os Red Devils, que venceram por incríveis 3 a 2. O fato de Ashley Young (26) ser o vovô de um time que reagiu assim a um rival forte e experimentado representa bem mais do que uma piada pronta.

Antes da entrada de Berbatov, a dois minutos do fim, Alex Ferguson havia recorrido a quatro das seis substituições permitidas. Sem Giggs desde o início, trocou os experientes Ferdinand, Vidic, Evra e Carrick (que, outra vez, apareceu de surpresa em uma Community Shield) pelos jovens Evans, Jones, Rafael (capitão do time!) e Cleverley. Não foi preciso mudar tanto para chegar à sequência do começo do texto. São os novos tempos em Old Trafford, que nos levam a alguns comentários:

1) Aquele problema ainda existe. A imagem de Messi entre o meio-campo e a defesa do United na final da Champions ainda deve incomodar Ferguson. Hoje, o gol de Dzeko deixou claro que a ausência de um volante defensivo contra adversários difíceis e com alguém no setor (até não foi o caso de Yaya em boa parcela do jogo, é bem verdade) expõe os zagueiros perigosamente. A diferença é que não havia quem pudesse fazer essa proteção na temporada passada. Hoje tem: o polivalente Phil Jones.

2) Combinação letal. O primeiro gol de Nani, batizado por aí de “gol de Barcelona”, mostrou o nível de fluidez a que o jogo do United pode chegar. Muito disso se deve à ousadia de Ferguson, que tem insistido em escalar Young e o próprio Nani abertos no meio-campo. Quando eles chegam ao ataque tabelando com Rooney e mais um (hoje Welbeck), a defesa adversária tem muitos problemas.

Você enxergava um bom lateral-direito aí?

3) Iniesta inglês. Para ter fluidez, alguém precisa vir de trás com qualidade. A entrada de Tom Cleverley, que também participou do golaço de Nani, foi determinante para a virada e até fez Anderson crescer. Cleverley volta do empréstimo ao Wigan confiante e com status de “futuro Iniesta” para vários torcedores. Funciona melhor como meia central do que aberto pela direita, função que lhe foi delegada por Stuart Pearce na Euro sub-21. Tem tudo para ser muito utilizado.

4) Defesa versátil. Na pré-temporada, Ferguson testou todos os seus zagueiros jovens (Smalling, Jones e Evans) nas laterais. Agora, a gente entende por que O’Shea e Brown não ficaram. É claro que ninguém pode depender de Evans para nada, mas as opções legitimam a presença de apenas três laterais de ofício no elenco. Uma das boas surpresas da Community Shield foi o poder ofensivo de Smalling, hoje lateral-direito.

5) De Gea. O goleiro espanhol de 20 anos falhou nos dois gols do City, mas é cedo demais para tachá-lo de novo Taibi, Bosnich, Barthez ou Howard. O ex-colchonero tem talento e precisa se adaptar ao ambiente, às novas responsabilidades e até à fluência no idioma. Por exemplo, em entrevista ao blog, o brasileiro Adriano Basso, agora no Hull, revelou que as dificuldades iniciais com a língua o forçaram a uma transferência para o minúsculo Woking por conta da tarefa de organizar a defesa.

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sábado, 6 de agosto de 2011 Copas Nacionais, Man City, Man Utd | 15:50

Um dérbi para começar

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Yaya foi o cara do último dérbi e deve ser uma das preocupações táticas de Ferguson

Não poderia haver confronto melhor para abrir a temporada da elite inglesa. Amanhã, às 10h30, Wembley recebe o dérbi entre Manchester United e Manchester City pela Community Shield, a Supercopa da Inglaterra. Será a primeira vez desde 1956 que eles disputam o título inaugural do ano.

Com retornos de empréstimos e gastos distribuídos entre três bons reforços, o atual campeão inglês parece preparado para enfrentar as ausências de van der Sar e Scholes. Na despedida deste, contra o ressurgido New York Cosmos ontem, Alex Ferguson deu pistas de como vai escalar seu United, uma vez que pouco mudou em relação a outros amistosos.

Ainda que seja um grande vencedor da Community Shield, Ferguson não se importa em fazer experiências e priorizar a preparação para a temporada de fato. Assim, não são improváveis as presenças de várias novas caras. Com base na pré-temporada, existe a tendência de que os contratados David De Gea, Phil Jones e Ashley Young e os resgatados Tom Cleverley e Danny Welbeck ganhem muitos minutos no jogo de amanhã.

A expectativa é de uma abordagem agressiva do United, que tem atuado com Nani e Young abertos no meio-campo de quatro homens. Com Carrick e Hernández excluídos do dérbi, as dúvidas óbvias são os parceiros de Giggs na volância e de Rooney no ataque. Há ainda a curiosidade sobre a escalação e a função de Jones. O ex-defensor e primeiro volante do Blackburn seria uma boa resposta a Yaya Touré, que, entre os meias centrais e os zagueiros adversários, dominou a semifinal da última FA Cup.

Campeão da copa, o City não terá seu ainda capitão Tevez, que segue descansando após a Copa América e umas traquinagens nos bastidores. A estreia do ótimo reforço Sergio Agüero é incerta, mas a pré-temporada indica que Roberto Mancini pode escalar dois atacantes propriamente ditos, mesmo sem abrir mão do trio de meio-campistas, possivelmente com De Jong, Milner e Yaya.

Se finalmente concluir que Milner briga por posição com Barry, Mancini ganha um jogador mais ativo no meio e uma vaga no ataque. David Silva é nome quase certo por ali, partindo da ponta, fechando com a posse de bola e auxiliando Yaya na criação. Caso Mancio siga o modelo da vitória contra a Inter, o revezamento entre Dzeko e Balotelli na área e na ponta pode lhes dar mais confiança.

Na defesa, Kompany oferece segurança a quaisquer parceiros. É provável que Richards, Lescott e Clichy o acompanhem na forte retaguarda de Mancini. Mesmo assim, Community Shield e placar baixo não combinam. Até por sinalizar menos alterações em relação à temporada passada, o City parece ter certa vantagem para amanhã, mas nada que transforme uma eventual vitória do United em zebra.

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domingo, 15 de maio de 2011 Copas Nacionais, Debates, Man City | 14:10

O próximo passo

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A quinta copa nacional de Mancini pode ser o bilhete para sua permanência

O erro básico que se comete ao tentar entender o Manchester City é associá-lo ao caso de riqueza do Chelsea como se não existisse qualquer diferença entre eles. Antes do título da FA Cup, o City havia enfrentado Tony Pulis, hoje técnico do Stoke, pela última vez em 1999. Eram os play-offs da terceira divisão*.

Enquanto isso, o Chelsea de Zola, Poyet e Desailly terminava a Premier League no terceiro lugar. A seguir, foi quadrifinalista da Liga dos Campeões. A renovação do elenco dos Blues foi pesada logo nas primeiras temporadas de Roman Abramovich, mas o caminho a percorrer era bem mais curto. Lampard e Terry, os grandes do clube na década, estavam lá antes do russo.

Sim, o atual status do Chelsea é atrelado a Abramovich, só que a tarefa dele foi um tanto diferente da do Abu Dhabi United. O grupo que comprou o Manchester City há três temporadas recebeu um clube até ambicioso após um ano sob administração do tailandês Thaksin Shinawatra, mas sem troféus em três décadas e ainda se estabilizando na elite.

Quando Abramovich chegou a Londres, em 2003, o Chelsea já estava na Champions. A tão celebrada classificação do City veio somente após três anos de gastos do Abu Dhabi United. A FA Cup, que os Citizens festejaram ontem, foi conquistada pelos Blues duas vezes entre 1997 e 2000. O investimento do grupo do xeque Mansour chega a incríveis £400 milhões em três temporadas.

O Manchester City remou para atingir o patamar que o Chelsea já tinha com Ken Bates, predecessor de Abramovich. Não financeiro, mas na relação de forças com os outros. A questão agora é a postura que será adotada. O título da FA Cup encerra uma série de 34 temporadas em branco e redimensiona, na prática, um clube que é apenas o 12º colocado geral desde a criação da Premier League.

Quando Tim Cahill diz que seu Everton, carrasco do City de Mancini, tem um espírito coletivo que não pode ser comprado, ele ensina uma lição. Não que “dinheiro não traga felicidade”. É só um sinal de que a reconstrução do clube de Manchester chegou a uma nova fase. O título da Copa e a vaga na Champions servem como um marco para isso.

O ótimo Yaya Touré é símbolo de um time que pede uma chance para brilhar na próxima temporada

O City não pode comprar um espírito coletivo, mas tem tudo para criar as condições adequadas. Renovar grande parte do elenco a cada agosto, emprestando uma série de renegados e virando as costas à base, não é o caminho. Com um grupo já muito forte, é hora de fazer reparos para a Champions e manter o que tem dado certo.

Carlos Alberto Torres pode ser otimista por acreditar no prata da casa Micah Richards como “o futuro do futebol inglês”, mas ele tem feito grandes jogos e merece um voto de confiança do clube. Kompany é irrepreensível, De Jong se revelou importante, e não faltam opções pelas pontas e no ataque. O novo Yaya Touré é o herói do título.

Para impressionar a Europa e pensar em títulos maiores, é hora de contratar com base nas carências do elenco e criar um ambiente de continuidade que permita a ascensão de quem já está lá. E Roberto Mancini? De novo associando ao Chelsea, pode haver quem se espelhe no que aconteceu em Stamford Bridge após a demissão do também italiano Claudio Ranieri, antecessor de Mourinho. Mas os objetivos alcançados deveriam dar a ele o direito de seguir trabalhando.

Stoke
Jogou no limite, com Etherington e depois Pennant sacrificados, e impôs dificuldades na medida do possível. Pulis merece os elogios que tem recebido. Que o Stoke faça bom papel na Liga Europa.

West Ham
Com a derrota de virada por 3 a 2 para o concorrente direto Wigan, o West Ham está rebaixado à segunda divisão. Durante a semana, mais sobre a queda e a briga dos outros para evitá-la.

*Saiba mais sobre esse jogo na página do Leonardo Bertozzi

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