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Arquivo da Categoria Euro 2012

segunda-feira, 25 de junho de 2012 Euro 2012, Inglaterra | 10:54

Dever cumprido

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A eliminação da Inglaterra na Euro 2012 teve um cenário até certo ponto previsível. Apesar do início promissor, a seleção de Roy Hodgson se limitou a travar a Itália e obteve números tímidos: 36% de posse de bola e apenas nove finalizações em 120 minutos, contra 35 dos italianos. O empate por 0 a 0 levou a decisão do semifinalista aos pênaltis. E assim, você sabe, a Inglaterra já havia fracassado nas Copas de 1990, 1998 e 2006 e nas edições da Euro de 1996 e 2004. Por que 2012 seria diferente?

Embora as circunstâncias da eliminação sejam semelhantes às de outros grandes torneios, a seleção inglesa pode lembrar sua campanha sem qualquer constrangimento. A Inglaterra superou os inúmeros desfalques, executou bem sua proposta defensiva e não perdeu. A trajetória na Copa de 2006, por exemplo, também foi invicta, mas aquela equipe não teve sequer uma atuação elogiável: mal contra Paraguai, Trinidad & Tobago, Suécia, Equador e Portugal. O fracasso era anunciado.

Don't worry, be happy

O time de 2012 fez o possível e, fosse competente para manter a vantagem nos pênaltis, estaria nas semifinais. O rótulo de underachiever (aquele estudante que não atinge seu potencial) não cabe à seleção pela primeira vez desde 1998. É claro que as expectativas baixas contribuíram para isso, mas não houve covardia (a despeito da proposta defensiva), desequilíbrio ou negligência com a competição. Os jogadores, ao contrário, desfrutaram o verão no Leste Europeu e realmente se esforçaram por uma boa campanha.

Depois de bastante tempo, a Inglaterra sai de um grande torneio com legado positivo. Contratado há apenas 54 dias, Roy Hodgson terá apoio quase irrestrito da FA e da opinião pública. Ele fez um rápido trabalho de reorganização, venceu os dois amistosos que disputou e extraiu o máximo da equipe na Euro. Não haverá rumores de troca no comando técnico nos próximos meses.

Hodgson tem contrato até 2016. Não se pode esperar dele a formação de um time espetacular: solidez é a palavra-chave sobre o estilo. A novidade que a FA deve exigir é o aproveitamento de jogadores jovens. Logo após a eliminação, o próprio Hodgson citou o exemplo alemão. Vale lembrar que Neuer, Boateng, Hummels, Khedira e Özil foram titulares na vitória por 4 a 0 sobre a Inglaterra na final da Euro sub-21 de 2009. A nova geração inglesa não é tão brilhante, mas tem potencial.

A velha guarda terá espaço à medida que os desempenhos individuais nos clubes sejam satisfatórios. Gerrard, de ótima Euro, já anunciou que pretende continuar como capitão enquanto o quiserem na seleção. No entanto, a capitania não pode virar argumento irrefutável para que ele seja titular absoluto. A política de Hodgson, especialmente com a turma representada por Terry, Cole, Parker, Lampard e Gerrard, tem de ser a meritocracia.

O grupo da Inglaterra nas eliminatórias para a Copa de 2014 tem Montenegro, Ucrânia, Polônia, Moldávia e San Marino. Se a solidez e o compromisso forem próximos aos apresentados na Euro, com mais tempo e menos lesões, não há o que temer.

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sábado, 23 de junho de 2012 Euro 2012, Inglaterra | 17:53

Euro 2012: Inglaterra x Itália

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Campeã do Grupo D da Euro, a Inglaterra escapou da Espanha, mas ainda assim faz confronto difícil com a Itália amanhã, às 15h45, para tentar contrariar as expectativas iniciais e atingir a fase semifinal. Enquanto Cesare Prandelli se distancia do típico perfil defensivista de técnicos italianos, Roy Hodgson abraça a estratégia de apenas reagir aos erros dos adversários, mesmo quando eles são teoricamente inferiores. Em Kiev, a Itália vai atacar. Quando e se possível, a Inglaterra responde.

Possíveis formações de Inglaterra e Itália. A da Azzurra é um mistério.

Nos dois primeiros jogos, contra Espanha e Croácia, a Itália utilizou três zagueiros, uma reforma tardia para corrigir os erros cometidos nos amistosos. Diante da Irlanda de Trapattoni, a Azzurra resgatou o tradicional 4-3-1-2, para ter mais opções de ataque e controle do jogo. A Gazzetta dello Sport antecipa que Prandelli deve manter o esquema da última partida, pois pretende agredir os ingleses sem abrir mão de um elemento de ligação, o popular trequartista.

Na Inglaterra, não deve haver novidades. À exceção de 15 minutos de apagão contra a Suécia, os defensores têm se comportado muito bem. Hodgson tende a insistir na mesma linha de meio-campo, com Milner, Gerrard, Parker e Young, ainda que os pontas estejam bastante abaixo do nível apresentado pelos meias centrais na primeira fase. No ataque, não há por que quebrar a parceria entre Rooney e Welbeck, com a ressalva de que eles precisam tabelar mais para causar problemas aos italianos.

Os ingleses têm a vantagem da estabilidade da equipe, que superou as incontáveis ausências e, com a prevista entrada de Rooney na terceira rodada, mantém a base desde a estreia. A Itália, por sua vez, trocou o esquema e pode ainda trocar outras peças. Chiellini, certamente o melhor zagueiro do grupo, será desfalque. Também há a questão do trequartista, que retornou à tona contra a Irlanda e se transformou em dilema para Prandelli. Insistir em Thiago Motta? Resgatar Montolivo? Dar uma chance a Diamanti? São várias opções, nenhuma plenamente confiável.

Na partida de amanhã, o maior desafio da Inglaterra será a marcação pela faixa central do campo, onde se concentram os meias da Itália, que dispensa os chamados wingers. Craque da última Serie A, Pirlo organiza o time a partir de uma posição bem próxima à defesa, o que deve forçar Hodgson a articular alguma pressão sobre a saída italiana. Por outro lado, podem faltar à seleção de Prandelli respostas às subidas dos laterais ingleses. De Rossi, por exemplo, vai se ocupar com o ídolo Gerrard.

Balotelli, criança de 1.88 m

Outra atração da partida é Balotelli, com boas chances de recuperar a vaga que, no confronto com a Irlanda, perdeu para Di Natale. Companheiro de Hart, Lescott e Milner, o atacante do Manchester City é previsivelmente imprevisível. Após dizer que “Mario tem um lado bom e outro ruim”, Milner não ficou sem resposta: “sorte dele, que conhece dois Balotellis”, brincou o folclórico italiano.

Mais informações sobre a seleção italiana estão no Tripletta.

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terça-feira, 19 de junho de 2012 Euro 2012, Inglaterra | 20:35

Autêntico capitão

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Na seleção, o grito de Gerrard nunca havia sido tão imponente

Steven Gerrard dominou a bola na intermediária, observou a passagem de Glen Johnson e errou um passe de cinco metros. Segundos depois, o diretor da transmissão cortou a imagem para o capitão inglês, que, furioso, esbravejava contra si mesmo. Atitude de quem se envolve com a partida e conhece a própria capacidade.

Apesar do erro que tanto o incomodou, Gerrard teve, na vitória por 1 a 0 sobre a Ucrânia, que classificou os ingleses às quartas de final da Euro, outra atuação de almanaque. O número 4 da Inglaterra acertou 90,5% dos passes, desarmou cinco vezes e criou três chances, inclusive a que gerou sua terceira assistência na Euro 2012.

Antes da Euro, além da delicada reorganização do time sob nova direção, havia a questão da capitania, órfã após a destituição de John Terry. O treinador interino Stuart Pearce entregou a faixa a Scott Parker, mas o permanente Roy Hodgson elegeu Steven Gerrard, com quem trabalhou no Liverpool durante um semestre.

As críticas à decisão de Hodgson se baseavam não na liderança, mas na temporada oscilante de Gerrard, que seria titular na Euro apenas pelo status de capitão. Ledo engano. Mesmo com mais responsabilidades defensivas do que gostaria, o meia do Liverpool é o melhor jogador inglês no torneio. Além da coleção de desarmes, foi decisivo em três dos cinco gols marcados pela Inglaterra, sempre se deslocando à ponta direita para acertar um cruzamento. Hoje, com direito a um drible espetacular antes da assistência.

Se não é exatamente um role model, Gerrard tem postura de líder, um histórico quase nulo de confusões e é o capitão de seu clube há nove anos, desde os 23. Na Copa de 2010, ele herdou a faixa da seleção, mas não era a opção inicial de Fabio Capello. Agora, Gerrard sabe que é a primeira escolha, chama a responsabilidade e faz Euro irrepreensível. A Inglaterra tem um autêntico capitão.

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segunda-feira, 18 de junho de 2012 Euro 2012, Inglaterra | 14:24

Euro 2012: Inglaterra x Ucrânia

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A Inglaterra chega à última rodada do Grupo D da Euro 2012 exatamente como planejava: ambiente tranquilo, Wayne Rooney livre da suspensão e vantagem do empate para avançar às quartas de final. Amanhã, às 15h45 de Brasília, a seleção de Roy Hodgson tenta capitalizar esse cenário favorável no confronto direto com a Ucrânia, que tem de vencer na Donbass Arena, em Donetsk, para se classificar.

A confirmação do retorno de Rooney impõe a Hodgson a decisão de escalar Danny Welbeck ou Andy Carroll. Embora o jogo aéreo de Carroll sempre ofereça muitas opções à Inglaterra, a vantagem do empate indica que Welbeck tem mais chances de ser titular. Além do entrosamento com Rooney e Ashley Young no Manchester United, a necessidade de um centroavante mais hábil para aproveitar contra-ataques favorece o autor do gol da vitória inglesa sobre a Suécia.

4-4-1-1 x 4-4-1-1: Prováveis formações de Inglaterra e Ucrânia

Young, aliás, tem a oportunidade de finalmente atingir o nível que se esperava dele antes do torneio. Após atuações pálidas contra França e Suécia, o número 11 inglês deve explorar o setor de Oleh Husiev, lateral-direito da Ucrânia. Husiev é originalmente meio-campista e não costuma guardar posição. Se a Inglaterra recuperar a bola com eficiência, Young poderá recebê-la com o espaço que lhe faltou nos dois primeiros jogos, quando foi travado por Alou Diarra e Granqvist.

Outra questão importante é o desempenho de James Milner, que tem se limitado à recomposição defensiva. É claro que fechar espaços será prioridade para Hodgson, mas a ausência de um escape ofensivo pelo lado direito foi péssima para a Inglaterra nos primeiros 60 minutos contra a Suécia. Basta lembrar o impacto que a entrada de Walcott teve. De qualquer maneira, é difícil acreditar que Hodgson abra mão de Milner, uma vez que a Ucrânia ataca bastante pelos flancos.

Além dos embates nas laterais do campo, Rooney x Tymoshchuk e Parker x Voronin devem ser duelos-chave para a definição da partida. Também não custa alertar a defesa para a ameaça de Shevchenko, que contraria as expectativas e faz ótima Euro até agora. Apesar da pressão do estádio pela classificação ucraniana, com os devidos cuidados e sem abdicar do ataque, a Inglaterra pode até ir além do empate e lutar com a França pela liderança da chave.

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sábado, 16 de junho de 2012 Euro 2012, Inglaterra | 00:00

Euro 2012: Suécia 2 x 3 Inglaterra

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Suécia 2 x 3 Inglaterra – Mellberg 49’, 59’; Carroll 23’, Walcott 64’, Welbeck 78’

*Roy Hodgson mudou o time para ter mais opções ofensivas e, de certa maneira, preparar o retorno de Rooney. Chamberlain cedeu lugar a Carroll, que trabalhou no ataque ao lado de Welbeck. Young voltou a sua posição natural, aberto pela esquerda na linha de meio-campo. O comportamento no primeiro tempo foi ótimo, com mais controle e contundência em relação à partida contra a França e sem oferecer muito espaço à Suécia de Ibrahimovic.

*Carroll justificou sua presença entre os convocados. O contestado centroavante do Liverpool não está lá para ser titular absoluto, mas para atender a demandas específicas. A Suécia, que vinha sofrendo gols de cabeça sistematicamente desde os amistosos, era perfeita para ele. No primeiro gol inglês, Carroll aproveitou o preciso cruzamento de 40 metros executado por Gerrard, que chegou à segunda assistência no torneio.

*No começo do segundo tempo, a defesa inglesa se comportou como a sueca. A sonolência e os lapsos após o intervalo renderam dois gols a Mellberg e colocaram a turma de Hodgson em situação desconfortável, com a obrigação de empatar o jogo. E assumir as rédeas da partida, a gente sabe, não é exatamente a especialidade da equipe. Falhas não serão perdoadas em fases agudas.

Agora é contigo, Rooney

*Quando recorre a Walcott, você sabe que tudo pode acontecer, inclusive nada. Hodgson estava com sorte, pois ontem era o dia do número 7. Está certo que o gol de empate inglês foi fortuito, com uma finalização que Walcott não costuma acertar e uma falha que nem Isaksson está habituado a cometer. No entanto, a agressividade do jogador do Arsenal de fato determinou a vitória da Inglaterra. A assistência ao gol da virada foi tão brilhante quanto a finalização de Welbeck.

*Contra a Ucrânia, na última rodada do grupo, basta um empate para sacramentar a classificação. Contudo, a corrida pelo primeiro lugar pode ser relevante, considerando que a Espanha é favorita a vencer o Grupo C, que cruzará com o D na próxima fase. Hodgson terá o retorno de Rooney e não deve correr riscos diante da seleção da casa, mas, para desafiar a França pela liderança da chave, talvez seja o caso de ponderar a troca de Milner por Walcott desde o início. Atacar o lateral adversário e tão importante quanto marcá-lo.

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quarta-feira, 13 de junho de 2012 Euro 2012 | 09:02

Pobre Irlanda

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*Como 20 dos 23 jogadores da Irlanda atuam na Inglaterra, o blog pede licença para falar da seleção de Giovanni Trapattoni:

A Euro 2012 é o primeiro grande torneio da seleção irlandesa desde a Copa de 2002. Há dez anos, os destaques da equipe comandada por Mick McCarthy eram Shay Given, Damien Duff e Robbie Keane. Sim, os mesmos de hoje. Amanhã, o trio de confiança de Giovanni Trapattoni pode novamente parar na Espanha, algoz da Irlanda em 2002. A partida contra os atuais campeões europeus e mundiais tornou-se decisiva para os Boys in Green após a derrota por 3 a 1 para a Croácia na estreia.

O desempenho irlandês no domingo foi lamentável. Era normal que a Croácia controlasse o jogo, mas, além de oferecer a bola ao adversário, o time de Trap falhou demais na defesa e produziu algumas das piores atuações individuais da primeira rodada. O zagueiro Richard Dunne, que cometeu seis faltas, e o lateral-esquerdo Stephen Ward, que entregou o segundo gol croata a Jelavic, foram particularmente mal. Juntos, eles erraram 26 dos 71 passes que tentaram – dois defensores!

Quando a Irlanda leva desvantagem nas bolas paradas e sofre dois gols de cabeça, a derrota é certa. Coletivamente, não há respostas a um adversário mais técnico, como a Croácia. No Grupo C, em que Modric, Xavi e Pirlo dominam o meio-campo, os irlandeses não veem a bola.

Trapattoni tem sido brilhante para a seleção (a Irlanda não ia à Euro desde 1988…), mas carrega parcela de culpa pela pobreza da equipe. A excessiva preocupação com o nível de experiência dos titulares atrapalha. É claro que os dogmas irlandeses têm de ser defesa forte e disciplina tática, mas o time deveria ser mais criativo, perigoso pelos flancos e preciso nas finalizações. Isso passa pela entrada de três jogadores: Darron Gibson, James McClean e Shane Long, todos reservas de Trap.

Preste atenção à comemoração irlandesa. Afinal, pode não acontecer de novo.

Mesmo sem deixar saudade em Old Trafford, Gibson, agora no Everton, tem muito mais criatividade do que os volantes titulares Keith Andrews e Glenn Whelan e ainda finaliza bem de longe. Com Andrews e Whelan, a Irlanda é pobre pelo centro, depende demais dos pontas e vira uma versão piorada do Stoke City.

Sensação do Sunderland, McClean é rápido, azougue e capaz de quebrar defesas. Não faz sentido manter Damien Duff, muito burocrático a esta altura da carreira. Aiden McGeady pode jogar à direita, com McClean do outro lado.

Long é um finalizador superior ao titular Kevin Doyle, que a cada temporada nos Wolves veste mais a carapuça do “atacante trabalhador que não marca gols”. O centroavante do West Bromwich certamente seria um complemento melhor a Robbie Keane.

No entanto, deve ser tarde para tudo isso. Para ter chances de surpreender, a Irlanda não podia perder para a Croácia. Somar pelo menos quatro pontos contra Espanha e Itália não parece estar ao alcance deste time, mesmo que Trap abra algum espaço ao talento em detrimento da experiência.

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segunda-feira, 11 de junho de 2012 Euro 2012, Inglaterra | 16:55

Euro 2012: França 1 x 1 Inglaterra

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França 1 x 1 Inglaterra – Lescott 30′, Nasri 39′

Lescott scores! Duas das três finalizações inglesas foram de defensores

*Em relação à prévia publicada ontem, a única surpresa nas escalações foi Alex Oxlade-Chamberlain. O garoto do Arsenal teve atuação correta, com boas arrancadas, mas sofreu demais para marcar o lateral ofensivo Mathieu Debuchy e recebeu cartão amarelo. No fim das contas, Debuchy atacou mais do que Chamberlain, para reforçar a sugestão de que James Milner deveria atuar à esquerda.

*A ocupação de espaços da Inglaterra foi ótima, com a óbvia exceção do lance do gol da França, em que sete jogadores se concentraram dentro da área e ofereceram liberdade a Samir Nasri, que finalizou muito bem. Toda a defesa foi segura, e Joleon Lescott ainda apareceu no ataque. A seleção de Roy Hodgson desarmou 28 vezes, por enquanto mais do que qualquer outra na primeira rodada.

*Os meias centrais foram muito bem. Além da assistência a Lescott, Steven Gerrard mandou no meio-campo, especialmente para recuperar a bola. Ainda assim, o capitão poderia ter sido um tanto mais preciso nos passes de média distância. Mesmo longe de sua melhor forma, Scott Parker teve grande atuação, disputando todos os lances com intensidade impressionante.

*Danny Welbeck trabalhou pelo time, movimentou-se bastante, recuperou e segurou a bola. No entanto, não finalizou sequer uma vez, ponto relacionado ao fraco desempenho de Ashley Young. Era fundamental que Young fizesse a ligação ao ataque, mas o posicionamento dele, distante do meio-campo, descaracterizou o 4-4-1-1 inglês e limitou a participação do jogador-chave da equipe.

*Os números eram previsíveis. A Inglaterra finalizou apenas três vezes (contra 19 da França, que arriscou demais de longa distância) e, conforme a prévia indicava, teve 40% de posse de bola. Nada saiu do planejado, e o empate foi justo. Para os confrontos com Suécia e Ucrânia, a Inglaterra precisa, sobretudo, finalizar mais. Mas isso é assunto para depois.

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domingo, 10 de junho de 2012 Euro 2012, Inglaterra | 15:25

Euro 2012: França x Inglaterra

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Beckham falhou, e Zidane decidiu: em 2004, a França venceu por 2 a 1

Em Lisboa, há oito anos, a Inglaterra fez 1 a 0 sobre a França, perdeu um pênalti e, nos três minutos finais, sofreu dois gols de Zinedine Zidane. Aquela derrota na estreia da Euro 2004 determinou o cruzamento com os portugueses nas quartas de final e, indiretamente, a eliminação da turma de Sven-Goran Eriksson diante da seleção da casa. Após nem sequer disputar a edição de 2008, a Inglaterra retorna à Euro com a chance de estrear contra o mesmo adversário e apagar a frustração de oito anos atrás.

Amanhã, às 13h de Brasília, Inglaterra e França se enfrentam na Donbass Arena, em Donetsk. Da seleção inglesa de 2004, sobraram Ashley Cole, Gerrard, Terry e Rooney. Lateral-direito titular há oito anos, Gary Neville agora é assistente de Roy Hodgson. Entre os franceses, não há remanescentes. Então, a maior semelhança com a Euro 2004 é mesmo a relevância do confronto. Ninguém tem convicção de que a Inglaterra vai superar Suécia e a anfitriã Ucrânia, os outros adversários no grupo. Além disso, se avançar na segunda posição, a Espanha pode ser a oponente nas quartas.

Por enquanto, é melhor pensar na França. A seleção reativa de Roy Hodgson, que espera o adversário errar para agredi-lo, tem pela frente um time bem mais capaz de controlar a partida. O jogo de amanhã deve, assim, seguir a tendência dos amistosos contra Noruega e Bélgica: posse de bola inglesa em torno de 40%, linhas de marcação rígidas e transição rápida com Ashley Young.

Prováveis formações de França e Inglaterra

A suspensão de Rooney deixa o ataque sem dono. Aquele que melhor se adaptar às condições da partida tende a ganhar a posição. Contra a França, este é Welbeck. A defesa de Laurent Blanc atua bem adiantada, e a dupla formada por Rami e Mexès é muito lenta. Koscielny, do Arsenal, parecia ser uma alternativa interessante para minimizar a questão, mas Blanc prefere os zagueiros de Valencia e Milan. A agilidade de um ataque com Young no suporte a Welbeck pode ser a chave para uma improvável vitória inglesa.

Do meio para frente, em compensação, a França é ótima. Ainda que M’Vila seja provável desfalque para a estreia, Alou Diarra pode substituí-lo em alto nível. Para que o meio-campo francês não sobre, Young precisa incomodar Diarra, deixando Gerrard e Parker livres para o combate a Cabaye e Malouda. No ataque, Nasri à direita e Ribéry à esquerda devem centralizar para criar jogadas. O centroavante Benzema vem de ótima temporada no Real Madrid e exigirá muito de Terry e Lescott.

Os laterais franceses também terão papel decisivo. Os avanços de Debuchy devem obrigar Hodgson a escalar Milner no lado esquerdo do meio-campo. O duelo com Evra (Blanc também poderia optar por Clichy, que foi melhor no Manchester City), de temporada inconstante no Manchester United, é boa oportunidade para Walcott se libertar da má fase e oferecer à Inglaterra uma opção válida de ataque pela ponta direita.

Em Wembley, há quase dois anos, a França venceu um amistoso por 2 a 1, com gols de Benzema, Valbuena e Crouch. A Inglaterra estava bem desfalcada (Gibbs e Henderson foram titulares), e o trabalho de Blanc evoluiu demais de lá para cá. Hoje, a França é melhor e tende a passar pelo Grupo D com mais segurança. Ainda assim, a seleção inglesa tem armas para equilibrar o confronto.

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sexta-feira, 8 de junho de 2012 Euro 2012, Inglaterra | 20:35

Inglaterra na Euro: Defeitos

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Depois das virtudes, aí vão os defeitos da seleção inglesa:

Desfalques. Com algumas improvisações, é possível montar um time bem interessante apenas com jogadores lesionados: Ruddy; Walker, Cahill, Dawson, Smalling; Rodwell, Barry; Cleverley, Lampard, Wilshere; Bent. Ainda tem Ferdinand, excluído em benefício de Terry. Pelo menos Defoe, que perdeu o pai há dois dias, deve retornar à Polônia antes da estreia. As ausências afetam a equipe titular, mas especialmente as opções de banco, outro grave defeito da seleção inglesa.

Reservas limitados. A Inglaterra perde. Roy Hodgson coça a cabeça, olha para os reservas e se depara com Kelly, Henderson e Downing, três dos seis jogadores do Liverpool que ele convocou. Também pelos incontáveis desfalques, o banco inglês é frágil demais. Para que se tenha uma ideia, o melhor game changer (aquele jogador capaz de entrar e mudar a partida) do grupo tem 18 anos. Chamberlain é promissor, mas não deveria carregar tanta responsabilidade agora.

Terry agonizou contra a Alemanha há dois anos

Transição difícil. Enquanto a geração de Terry e Gerrard prepara sua despedida, aparece a de Phil Jones, Chamberlain e Welbeck. E entre elas, na faixa etária que deveria concentrar as referências da seleção, há quem? Não fosse por Rooney e Young, a Inglaterra não teria jogadores confiáveis de 26 a 30 anos. A seleção conta com figuras decadentes, jovens promissores e, com raras exceções, um buraco entre esses grupos.

Terry à direita. A ausência de Gary Cahill é bem relevante. Não apenas por critérios técnicos, mas também por uma peculiaridade da nova parceria, entre Terry e Lescott. Canhoto, o zagueiro do Manchester City tem de jogar à esquerda para se sentir confortável. O problema é que o capitão do Chelsea também se acostumou a atuar por ali. Com Lescott na equipe, ele é deslocado à direita, exatamente onde foi desastroso na derrota por 4 a 1 para a Alemanha em 2010 (Matthew Upson ficou à esquerda). Nesse ponto, a Inglaterra começa a Euro como terminou a Copa.

Falta de criatividade. A Inglaterra não seria criativa nem se estivesse completa, mas a lesão de Lampard agravou a deficiência. Sem ele, Gerrard perde liberdade de se aproximar da área, onde rende mais, porque precisa compor a segunda linha e articular jogadas a partir do próprio campo, o que passa longe de ser sua especialidade. Para piorar, os wingers estão em má fase e não oferecem um escape confiável pelos lados. Tudo isso reforça a dependência de Young, sobretudo durante a suspensão de Rooney.

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quinta-feira, 7 de junho de 2012 Euro 2012, Inglaterra | 20:34

Inglaterra na Euro: Virtudes

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Mesmo sem despertar entusiasmo e confiança, a seleção inglesa, que estreia na Euro 2012 contra a França na próxima segunda-feira, tem suas virtudes*. O blog as relaciona abaixo:

Consciência. Com Sven-Goran Eriksson e Fabio Capello, havia a impressão de que a Inglaterra não sabia o que fazer. Na era Steven McClaren, havia essa certeza. Roy Hodgson, ao menos, tem um plano e provou nos amistosos preparatórios que pode executá-lo. Esta seleção reconhece que não está entre as melhores, não pretende dominar as ações, fecha espaços e contra-ataca rapidamente. A Bélgica teve 59% de posse de bola no sábado, em Wembley? Sim, mas a Inglaterra venceu.

Expectativa muito baixa. Embora seja mais uma vantagem do que uma virtude, pode fazer efeito em campo. O cenário de ceticismo não vai transformar Carroll num atacante habilidoso ou imunizar Terry de atitudes grotescas, mas tende a deixar o grupo à vontade. De acordo com Jamie Carragher, a seleção jogou torneios “com medo”. É melhor não esperar nada. No mínimo, ninguém se decepciona.

Após uma série de peripécias de goleiros questionáveis, Hart impõe respeito

Seleção camaleônica. Apesar da escassez de boas peças de reposição, a Inglaterra pode se adequar a diversas situações. Por exemplo, são três tipos de centroavante: o ganhador de bolas no alto (Carroll), o que se desloca bem (Welbeck) e o finalizador puro (Defoe). Para bloquear laterais adversários, Milner se transforma em ótima opção. Phil Jones é defensor, mas atuará no meio-campo se Hodgson precisar de um volante extra para perseguir um meia adversário – contra a Espanha, há sete meses, ele travou Xavi.

Joe Hart. Em relação a outras grandes competições, é uma melhora inestimável. Depois de tanto agonizar com David James, Paul Robinson e Rob Green, a Inglaterra tem em Hart um goleiro confiável, vencedor em seu clube e de personalidade forte. Acima de Lloris, Pyatov e Isaksson, ele é o melhor da posição no Grupo D e um dos quatro mais respeitados da Euro, a ponto de desafiar Cech, Neuer e Casillas. Tudo isso aos 25 anos.

Ashley Young. Será o jogador-chave nas duas primeiras partidas, para as quais Rooney está suspenso. Ele não ganhou esse status porque joga no Manchester United, mas por conta do alto nível na seleção desde o ano passado. Em suas últimas dez aparições, marcou seis vezes. Os amistosos contra Noruega e Bélgica indicam que os gols ingleses passarão pelo número 11. Com liberdade para atuar entre o meio-campo e o centroavante, Young enfim recebe o selo de protagonista que merece e está pronto para fazer ótimo papel em seu primeiro grande torneio pela Inglaterra.

*Depois das virtudes, virão os defeitos.

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