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segunda-feira, 25 de março de 2013 Inglaterra | 21:57

A batalha de Podgorica

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A Inglaterra não pode falhar contra Montenegro no Leste Europeu. Dois pontos abaixo do adversário de amanhã, a seleção de Roy Hodgson tentará, no confronto direto, assumir a liderança do Grupo H das Eliminatórias para a Copa do Mundo do ano que vem. A visita a Podgorica não é simples. Nas Eliminatórias para a Euro 2012, por exemplo, houve empate por 2 a 2 numa partida dramática, com expulsão de Rooney e confirmação da classificação inglesa.

O cenário desta terça-feira é mais perigoso. Ainda que as seleções precisem se enfrentar em Wembley (onde, nas Eliminatórias para a Euro 2012, a Inglaterra foi travada e não saiu do 0 a 0) daqui a sete meses, a vantagem na tabela oferece aos montenegrinos a possibilidade de jogar como eles gostam. Em declaração publicada hoje pelo Guardian, o técnico Branko Brnovic assumiu que “talvez estacione um ônibus na defesa e tenha duas Ferraris no ataque”.

As duas Ferraris são Stevan Jovetic, da Fiorentina, e Mirko Vucinic, da Juventus, atacantes ótimos e flexíveis que podem aproveitar eventuais espaços. Defesa disciplinada e ataque autossuficiente, marcas registradas dos montenegrinos, costumam ser um terror para a Inglaterra, que nos últimos ciclos mostra impressionante falta de traquejo para propor o jogo, algo que será necessário amanhã.

A Inglaterra foi incapaz de vencer Montenegro nas Eliminatórias para a Euro 2012. Desta vez, empatar não basta

Mas há um alento. O time que entregou a bola ao adversário e se limitou a contra-ataques em amistosos, na Euro e nas Eliminatórias parece ter percebido que precisaria mudar para evitar um fiasco na busca por uma vaga em 2014. Não pela goleada por 8 a 0 sobre San Marino, na sexta-feira, mas especialmente pela atuação no amistoso contra o Brasil, no início de fevereiro. Foi quando o 4-1-4-1 de Hodgson avançou a marcação e causou problemas constantes à defesa de Scolari. Por outro lado, a ausência do lesionado Wilshere atrapalha a execução de um “futebol moderno” em Montenegro.

É claro que a partida em San Marino não serve de parâmetro em função da debilidade do oponente, mas houve um ponto interessante na postura da Inglaterra. Diante de um adversário que não representava ameaça, Baines foi escalado na função “Jordi Alba”. Alba se transformou em peça fundamental para a Espanha durante a Euro porque, embora estivesse listado como defensor, era ele quem avançava pela esquerda e oferecia uma rara opção por um dos lados do campo. Exatamente o que fez um participativo Baines contra San Marino.

A presença do lateral do Everton, em vez de Ashley Cole, seria um indício de que Hodgson está preparado para atacar Montenegro e superar uma defesa que deve congestionar a faixa central. Mas este será apenas um dos testes para um time obrigado a agredir. A Inglaterra não tem o direito de repetir o péssimo desempenho dos empates contra Ucrânia e Polônia.

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terça-feira, 5 de fevereiro de 2013 Inglaterra | 22:39

Inglaterra x Brasil

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Prováveis escalações de Inglaterra e Brasil

A primeira partida da Inglaterra depois do 150º aniversário da Football Association não poderia ser mais interessante. Ainda que os últimos anos indiquem o contrário, sobrevive no imaginário inglês a ideia de que os brasileiros praticam um tipo especial de futebol. “Jogar como o Brasil”, expressão consagrada no Reino Unido, remete a um estilo ofensivo e agradável aos olhos.

Na visita da seleção de Scolari a Wembley, será escrito outro capítulo de uma história desfavorável à Inglaterra. Em 23 jogos, foram três vitórias, nove empates e 11 derrotas diante do Brasil. O blog lista pontos importantes do amistoso de amanhã:

A centésima vez de Cole. Aos 32 anos, Ashley Cole será o sétimo jogador a completar 100 partidas pela seleção inglesa. Embora seja uma figura controversa, o lateral-esquerdo do Chelsea fez carreira brilhante e certamente merece a marca. O problema é que, enquanto ele estiver em campo, Leighton Baines estará no banco. Cole ainda é confiável, mas Baines extrapolou há alguns meses a condição de melhor lateral inglês. Em 2012-13, não é exagero dizer que o defensor (que ataca como poucos) do Everton é um dos grandes jogadores da liga. Roy Hodgson terá de tomar uma decisão difícil em breve, e o tempo não está a favor de Cole.

Comportamento de Johnson contra Neymar. Se o Brasil for escalado no 4-2-3-1, parece inevitável um duelo direto entre Glen Johnson e Neymar. O lateral do Liverpool evoluiu bastante na marcação e, ainda que precise de ajuda para segurar o santista, não deve ser um oponente tão simples. Mas Johnson não é meramente defensor. Caso Hodgson lhe dê a mesma liberdade que ele tem com Brendan Rodgers, Neymar terá de acompanhá-lo para proteger Adriano, que já precisa vigiar Walcott.

Atuação de Gerrard. Steven Gerrard é o único meio-campista ou atacante que não perdeu sequer um minuto de Premier League em 2012-13. Apesar de participar de vários gols do Liverpool, ele está mais longe do ataque, com mais responsabilidades defensivas e de organizar o time a partir da saída de bola. Amanhã, num meio-campo com Wilshere e Cleverley, a tendência é que Gerrard seja ainda mais exigido no confronto direto com Ronaldinho. Mas vale o alerta: se o meia do Atlético não participar do sistema de marcação, o capitão inglês aproveitará os espaços quando tiver a bola.

Chance de Walcott. No melhor momento da carreira, Theo Walcott tem a oportunidade de consolidar seu lugar na seleção. Em sua posição natural, aberto à direita, ele tem sido uma ameaça constante aos laterais adversários. A experiência como atacante no Arsenal também pode ser interessante para aprimorar as finalizações. Considerando a tendência de Hodgson a escalar sempre um winger mais defensivo (no caso, James Milner), é fundamental que ele jogue bem para permanecer acima de Lennon, Young e Chamberlain na hierarquia do treinador.

Postura da seleção inglesa. Com Capello e Hodgson, a Inglaterra teve algumas atuações letárgicas em Wembley. Mesmo as vitórias tiveram pontos negativos. Por exemplo, o amistoso contra a Bélgica, na preparação para a Euro 2012, foi agonizante: 41% de posse de bola e apenas um chute certo (contra seis dos belgas), o do único gol do jogo, marcado por Danny Welbeck. Para o confronto com o Brasil, a escalação pode até sugerir uma abordagem defensiva (Rooney isolado no ataque), mas o meio-campo é técnico o bastante para ao menos tentar manter a bola por mais tempo.

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terça-feira, 13 de novembro de 2012 Inglaterra | 22:04

Baile de debutantes

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Zaha é especulado até no Real Madrid

Estar na segunda divisão não é um obstáculo definitivo entre um jogador e a seleção inglesa. Há dois anos, o atacante Jay Bothroyd, de capacidade discutível, atuava no Cardiff e foi convocado por Fabio Capello. É raro, mas aconteceu de novo. Às vésperas do amistoso contra a Suécia (amanhã, em Estocolmo), Roy Hodgson perdeu cinco jogadores lesionados e decidiu chamar o winger Wilfried Zaha, do Crystal Palace.

A primeira chance a Zaha, ao contrário da malsucedida aposta em Bothroyd, faz sentido. Ele é destaque do líder da Championship, jogou bem pela seleção sub-21 e tem sido monitorado por grandes clubes da Premier League. Nem que seja como um projeto de longo prazo, a decisão de convocá-lo é válida.

Convicto de que Zaha é fundamental para o possível retorno à primeira divisão, o Palace o trata como um tesouro. O coproprietário Steve Parish sugere que £20 milhões não seriam suficientes para tirá-lo do Selhurst Park. Toda essa bajulação, associada à convocação por Hodgson, abastece sua autoconfiança. “Nunca observo alguém e penso ‘ele é melhor do que eu’, a menos que seja Ronaldo ou Messi. Quando entro em campo, é meu momento”, afirmou ao Guardian.

Zaha tem 1.80m e passadas largas. Não vem, portanto, da fábrica inglesa de wingers de baixa estatura e meramente velozes, como Lennon e Wright-Phillips. Embora tenha mais a oferecer, o talentoso garoto do Palace precisa melhorar seus números para justificar o discurso à Balotelli. Em 110 jogos como profissional, foram apenas 14 gols e dez assistências (quatro gols e três assistências nesta temporada). Agora sob comando de Ian Holloway, treinador competente e de tendência claramente ofensiva, Zaha deve aprimorar vários aspectos de seu jogo.

Nascido na Costa do Marfim, país que deixou aos quatro anos, ele poderia atuar também na seleção africana, o que talvez tenha apressado sua convocação à inglesa. Além de Zaha, outros dois jogadores ainda sem partidas pela Inglaterra têm dupla nacionalidade: Raheem Sterling (Jamaica, Liverpool) e Carl Jenkinson (Finlândia, Arsenal). O zagueiro Steven Caulker (Tottenham), o goleiro Fraser Forster (Celtic; responsável por “parar o Barcelona”) e o meia Leon Osman (Everton) também podem debutar pela seleção amanhã.

Osman é 14 anos mais velho do que Sterling

Sim, Leon Osman, convocado pela primeira vez aos 31 anos. Houve um caso recente envolvendo Kevin Davies, atacante do Bolton que estreou na seleção aos 33 (o debutante mais velho da Inglaterra desde 1950), mas o de Osman é mais especial. Silenciosamente, o meia central do Everton manteve o sonho de defender a seleção principal desde que chegou a Goodison Park, em 1997, e era convocado para a sub-16, entre 97 e 98. Há oito anos, quando virou titular de David Moyes, seu único marketing é a bola.

Eventualmente, o blog se refere a Osman como o jogador mais subestimado da Premier League. O estilo low profile, dentro e fora de campo, sempre o afastou dos relatórios dos técnicos da seleção. Mesmo à crítica, ele nunca se vendeu muito bem. Em defesa dos técnicos que não o convocaram, a concorrência na posição de fato foi intensa na última década, e Osman não era exatamente um prodígio: estreou no time principal do Everton aos 21 anos e passou a jogar regularmente aos 23, após ser emprestado ao Derby. No entanto, é certo que, mesmo quando ele já tinha parado de procurar seu nome nas listas (embora ainda tivesse esperança, garante), a oportunidade tardia é merecida para o dono do meio-campo dos Toffees.

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quarta-feira, 17 de outubro de 2012 Home Nations, Inglaterra | 14:52

Conclusões da pausa internacional

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Hodgson deve explicações a seus amigos do metrô

A Inglaterra é a mesma da Euro. O empate por 1 a 1 com a Polônia, em Varsóvia, expôs os problemas de sempre. Quando abriu vantagem no primeiro tempo, com gol de Rooney, a Inglaterra se retraiu e, por várias vezes, posicionou seus 11 jogadores atrás da linha da bola, sem qualquer disposição para avançar a marcação. A Polônia aceitou o convite inglês, pressionou bastante no segundo tempo e mereceu o empate, que deixa a Inglaterra com oito pontos em quatro partidas.

Os vizinhos continuam frágeis. A Inglaterra é a única possível representante do Reino Unido em 2014. Gales tem algum talento, mas depende excessivamente de suas três referências (Bale, Allen e Ramsey) e abalou-se pela morte do ex-técnico Gary Speed, em novembro do ano passado. Superou a Escócia, porém em seguida perdeu um jogo-chave para a Croácia e tem apenas três pontos em quatro rodadas.

Os escoceses, treinados pelo muito conservador Craig Levein, somam dois empates e duas derrotas – nem os retornos de Darren e Steven Fletcher resolveram. A Irlanda do Norte se defendeu bravamente e arrancou um empate de Portugal no Porto, mas não venceu nenhuma de três partidas até agora. Mesmo a Inglaterra corre riscos: a batalha com Montenegro, que deu trabalho nas Eliminatórias para a Euro, promete equilíbrio novamente.

Roy Hodgson não é bom negociador. O winger Alexander Kacaniklic, do Fulham, dá os primeiros passos na Suécia. Contra Ilhas Faroe, na sexta-feira, marcou um gol fundamental para a vitória de sua seleção. Ontem, diante da Alemanha, entrou após o intervalo. Com direito a assistência dele, os escandinavos transformaram uma derrota por 4 a 0 num empate por 4 a 4 que deixou Berlim perplexa. Em Craven Cottage, o sueco de 21 anos também ganha espaço: participou de todas as sete partidas do Fulham na liga.

Kacaniklic é cria do Liverpool, onde ficou de 2007 a 2010. Ele não está mais lá porque, há dois anos, o então treinador Roy Hodgson o envolveu na compra de Paul Konchesky, que pertencia ao clube de Londres. Em troca do limitadíssimo lateral, hoje no Leicester City, Hodgson pagou £4 milhões e cedeu Kacaniklic. Um dos grandes negócios do Fulham, outro entre tantos erros recentes do Liverpool.

Kompany e Benteke marcaram contra a Escócia

Base “inglesa” carrega a Bélgica. Mesmo com Hazard no banco por muito tempo, os belgas radicados na Inglaterra continuam impressionando a Europa. Na sexta, venceram a Sérvia por 3 a 0, com gols de De Bruyne (emprestado pelo Chelsea ao Werder Bremen), Benteke (Aston Villa) e Mirallas (Everton). Ontem, nos 2 a 0 sobre a Escócia, Kompany (Manchester City) e Benteke marcaram. A tarefa da Bélgica não é tão simples, com a Croácia de Jelavic (Everton) também na luta pela liderança da chave, mas a chance de vir ao Brasil em 2014 é para lá de considerável.

A UEFA precisa combater, de fato, o racismo. A Inglaterra garantiu presença na fase final da Euro sub-21, que será disputada em Israel em junho do ano que vem. Na partida decisiva para a qualificação, a seleção de Stuart Pearce derrotou a Sérvia por 1 a 0, em Krusevac. A nota lamentável vai para o tumulto no fim do jogo. Danny Rose, lateral-esquerdo do Sunderland, foi expulso por reagir a insultos racistas dos torcedores. Detalhe: a reação dele foi um mero pontapé na bola em direção à arquibancada. A UEFA deveria (provavelmente não vai) aplicar uma punição exemplar à Federação Sérvia, e não outra das multas irrisórias com as quais costuma “reprimir” esses casos.

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sábado, 13 de outubro de 2012 Inglaterra | 12:03

Nova Inglaterra

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Vencer os semiprofissionais de San Marino por 5 a 0, com 37 finalizações e 86% de posse de bola, não significa absolutamente nada para a Inglaterra. A escalação foi mais importante do que a partida em si. Com média de idade inferior a 25 anos, a seleção inglesa indica que tem apenas três lugares cativos entre os titulares: os de Joe Hart, Wayne Rooney e Steven Gerrard, que, suspenso, não enfrentou os samarineses ontem. O deste último, aliás, está garantido mais pela faixa de capitão do que por qualquer outra coisa.

O aspecto que mais chamou atenção contra San Marino foi a presença de Leighton Baines como titular na lateral esquerda, território dominado por Ashley Cole há mais de dez anos. Está certo que o rebaixamento de Cole ao banco de reservas pode estar relacionado à peripécia que ele aprontou recentemente, mas a preferência de Roy Hodgson pelo defensor do Everton não deixa de ser um sinal de que a grife vale menos do que em outros tempos.

Cole é um personagem da geração nascida entre 1978 e 1980, que mandou na seleção durante a década passada. Até a Copa de 2014, essa geração precisa ser completamente substituída, salvo raras exceções. Esse processo começou precocemente com Michael Owen, deteriorado pelas lesões, passou por Rio Ferdinand, em declínio, e já chegou a John Terry (oficialmente aposentado da seleção), cujas polêmicas superam a contribuição que ele pode oferecer. Por razões distintas, mas que também resvalam na idade avançada, nenhum deles deve retornar. Os próximos serão, possivelmente nesta ordem, Frank Lampard, Cole e Gerrard.

Baines parece um Beatle, mas é o melhor lateral-esquerdo inglês

O caso de Baines é emblemático porque mostra como a Inglaterra resiste a mudanças. Há pelo menos quatro temporadas, ele é fundamental no Everton e, para ser bem cético, está no mesmo nível de Ashley Cole. Ainda assim, no ciclo para a Copa de 2010, Baines era o quarto lateral-esquerdo na hierarquia de Fabio Capello. Wayne Bridge teria sido reserva de Cole, não fosse uma fatídica e famosa intriga passional com Terry. Sem contar com a alternativa habitual ao titular, Capello chamou Stephen Warnock, do Aston Villa.

No entanto, o lateral do Everton parece aproveitar bem aquele que, provavelmente, é o melhor momento para jogadores antes marginalizados ganharem espaço na seleção. Outro exemplo interessante é o de Michael Carrick, também titular ontem. Embora já tenha 31 anos, o volante do Manchester United vê, talvez pela primeira vez, sinal verde para lutar por vaga na equipe. As atuações dele pelo clube, associadas à condição física duvidosa de Scott Parker e Jack Wilshere, oferecem-lhe essa chance.

Além dos marginalizados, há os garotos. Tom Cleverley e Danny Welbeck têm sido utilizados com frequência. Até Jonjo Shelvey estreou na Inglaterra ontem, o que também indica conexão entre as seleções de base e a principal – o meia do Liverpool fazia ótimo trabalho na sub-21. Roy Hodgson não tem apenas a obrigação de classificar a Inglaterra à Copa de 2014. Tem ainda o compromisso de encontrar novas referências.

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segunda-feira, 10 de setembro de 2012 Inglaterra | 14:40

Vale a pena ver de novo

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O debate Gerrard/Lampard chega a seu último capítulo, no caminho para a Copa de 2014

Oito anos após a última partida de Paul Scholes pela seleção, o debate mais persistente do futebol inglês recuperou fôlego: Frank Lampard e Steven Gerrard podem jogar no mesmo time? A discussão retornou à tona porque Roy Hodgson os escalou na goleada por 5 a 0 sobre a Moldávia, pela primeira rodada das Eliminatórias para a Copa do Mundo.

Há sete temporadas, quando Lampard e Gerrard apareceram entre os três mais votados para receber a Bola de Ouro da France Football, a associação deles no meio-campo era um problema crônico. Ambos desfrutavam liberdade e eram capazes de prover gols e assistências em grande escala para seus clubes. Enquanto isso, a engessada Inglaterra de Eriksson atuava com dois meias centrais, matando as principais virtudes da dupla, que assumia responsabilidades defensivas para as quais não estava preparada.

O cenário atual, porém, é bem diferente. Apesar dos dois gols marcados na Moldávia, Lampard abandonou o rótulo de meia ofensivo desde que Roberto Di Matteo assumiu o Chelsea, passando a atuar confortavelmente à frente da defesa e organizando jogadas a partir dali. Gerrard, por sua vez, exerceu na Euro o papel do meia enérgico, box-to-box, como no início da carreira. Por isso, de alguma maneira, a parceria entre eles faz mais sentido agora do que há dois, três ciclos.

Diante da Moldávia, Roy Hodgson lançou mão de seu já habitual 4-4-1-1, mas desta vez com um meia menos agressivo atrás do atacante. Tom Cleverley foi, como o próprio Hodgson definiu, o “Fàbregas” do dia, com menos obrigações defensivas em relação a Gerrard e Lampard, que guardavam suas posições. No entanto, ainda que a mecânica de jogo tenha funcionado, um adversário tão frágil não pode servir de parâmetro.

A diferença fundamental é que, a esta altura dos acontecimentos, caso a parceria não dê certo por algum motivo, o treinador não precisa criar qualquer artifício para resolver o problema. Não há motivo para tratar Lampard e Gerrard como imprescindíveis para um projeto que mira 2014, quando eles terão, respectivamente, 36 e 34 anos. Com Scott Parker e Jack Wilshere saudáveis, haverá muito mais competição por lugares na equipe titular.

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terça-feira, 26 de junho de 2012 Debates, Inglaterra | 23:29

Reduzir para crescer

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Apesar das duras críticas a suas atuações, a seleção inglesa fez uma Euro decente diante dos obstáculos que enfrentou. Entretanto, quando pensamos de maneira mais ampla, é impossível estar satisfeito com a produção local de talentos. Há ótimos jogadores em diversas posições, mas o país não tem formado um tipo específico: o organizador de jogadas, o chamado playmaker. Para os mais exigentes, o último foi Paul Scholes. A próxima esperança é Jack Wilshere, 18 anos mais novo.

A FA pretende fabricar versões inglesas de Pirlo e Xavi

A seleção que controla o futebol mundial desde 2008 apresenta a exata antítese do cenário inglês. Entre os titulares da Espanha, há cinco brilhantes playmakers: Alonso, Xavi, Iniesta, Silva e Fàbregas. A manutenção da bola é tão relevante para eles, que o treinador substitui o centroavante (Torres) por alguém capaz de participar da troca de passes (Fàbregas). E o banco ainda tem Mata e Cazorla. O estilo dá sono? Pode ser, mas também dá títulos.

Na Euro, a Inglaterra foi a última vítima de Pirlo, mais um playmaker de ponta. Enquanto os outros pensam, os ingleses correm atrás, com meias enérgicos (que às vezes sabem passar a bola, a exemplo de Gerrard, Lampard e Carrick) e uma fábrica infinita de wingers rápidos, porém ineficientes quando não têm espaço para atuar. Mesmo quem faz parte da equipe admite isso. “Precisamos trabalhar tanto para recuperar a bola depois de desperdiçá-la, que ficamos cansados demais para atacar”, analisou Glen Johnson.

Quando um titular assume que o time não passa a bola direito, você compreende a postura defensiva e reflete sobre o que pode ser feito. A Football Association também pensa no assunto. Há um mês, a entidade aprovou, com 87% dos votos, medidas para melhorar a formação de jogadores na Inglaterra. A partir de 2014, as crianças vão jogar com menores times, menores campos e menores balizas. No modelo atual, são adotadas as mesmas condições dos profissionais desde a categoria sub-11.

As partidas de hoje são assim: 22 meninos de 10 a 11 anos, num campo de 100 metros por 70, tentando acertar um alvo de 7,32 por 2,44. Sobra espaço e falta fôlego. Resultado? Os garotos aprendem a correr muito, mas não aprimoram a precisão nas finalizações e, especialmente, nos passes. Com a mudança, as regras passam a ser as mesmas dos seniores apenas a partir do sub-13, ainda um ano mais cedo do que na Espanha. Do sub-7 ao sub-12, o número de jogadores, o tamanho do campo e a dimensão da baliza aumentam gradualmente. Os ajustes são questão de bom senso.

O diretor de desenvolvimento da FA, Sir Trevor Brooking, é fã do futebol espanhol e, apesar de negar qualquer “imitação”, certamente gostaria que os ingleses praticassem algo semelhante. Responsável pelas categorias de base, Nick Levett afirmou que “as menores versões do jogo vão permitir mais toques, dribles, duelos individuais, envolvimento e diversão, o que melhora o nível dos garotos”. Farta de ser coadjuvante, a Inglaterra se movimenta para mudar seu destino. Não é tudo, mas é um começo.

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segunda-feira, 25 de junho de 2012 Euro 2012, Inglaterra | 10:54

Dever cumprido

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A eliminação da Inglaterra na Euro 2012 teve um cenário até certo ponto previsível. Apesar do início promissor, a seleção de Roy Hodgson se limitou a travar a Itália e obteve números tímidos: 36% de posse de bola e apenas nove finalizações em 120 minutos, contra 35 dos italianos. O empate por 0 a 0 levou a decisão do semifinalista aos pênaltis. E assim, você sabe, a Inglaterra já havia fracassado nas Copas de 1990, 1998 e 2006 e nas edições da Euro de 1996 e 2004. Por que 2012 seria diferente?

Embora as circunstâncias da eliminação sejam semelhantes às de outros grandes torneios, a seleção inglesa pode lembrar sua campanha sem qualquer constrangimento. A Inglaterra superou os inúmeros desfalques, executou bem sua proposta defensiva e não perdeu. A trajetória na Copa de 2006, por exemplo, também foi invicta, mas aquela equipe não teve sequer uma atuação elogiável: mal contra Paraguai, Trinidad & Tobago, Suécia, Equador e Portugal. O fracasso era anunciado.

Don't worry, be happy

O time de 2012 fez o possível e, fosse competente para manter a vantagem nos pênaltis, estaria nas semifinais. O rótulo de underachiever (aquele estudante que não atinge seu potencial) não cabe à seleção pela primeira vez desde 1998. É claro que as expectativas baixas contribuíram para isso, mas não houve covardia (a despeito da proposta defensiva), desequilíbrio ou negligência com a competição. Os jogadores, ao contrário, desfrutaram o verão no Leste Europeu e realmente se esforçaram por uma boa campanha.

Depois de bastante tempo, a Inglaterra sai de um grande torneio com legado positivo. Contratado há apenas 54 dias, Roy Hodgson terá apoio quase irrestrito da FA e da opinião pública. Ele fez um rápido trabalho de reorganização, venceu os dois amistosos que disputou e extraiu o máximo da equipe na Euro. Não haverá rumores de troca no comando técnico nos próximos meses.

Hodgson tem contrato até 2016. Não se pode esperar dele a formação de um time espetacular: solidez é a palavra-chave sobre o estilo. A novidade que a FA deve exigir é o aproveitamento de jogadores jovens. Logo após a eliminação, o próprio Hodgson citou o exemplo alemão. Vale lembrar que Neuer, Boateng, Hummels, Khedira e Özil foram titulares na vitória por 4 a 0 sobre a Inglaterra na final da Euro sub-21 de 2009. A nova geração inglesa não é tão brilhante, mas tem potencial.

A velha guarda terá espaço à medida que os desempenhos individuais nos clubes sejam satisfatórios. Gerrard, de ótima Euro, já anunciou que pretende continuar como capitão enquanto o quiserem na seleção. No entanto, a capitania não pode virar argumento irrefutável para que ele seja titular absoluto. A política de Hodgson, especialmente com a turma representada por Terry, Cole, Parker, Lampard e Gerrard, tem de ser a meritocracia.

O grupo da Inglaterra nas eliminatórias para a Copa de 2014 tem Montenegro, Ucrânia, Polônia, Moldávia e San Marino. Se a solidez e o compromisso forem próximos aos apresentados na Euro, com mais tempo e menos lesões, não há o que temer.

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sábado, 23 de junho de 2012 Euro 2012, Inglaterra | 17:53

Euro 2012: Inglaterra x Itália

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Campeã do Grupo D da Euro, a Inglaterra escapou da Espanha, mas ainda assim faz confronto difícil com a Itália amanhã, às 15h45, para tentar contrariar as expectativas iniciais e atingir a fase semifinal. Enquanto Cesare Prandelli se distancia do típico perfil defensivista de técnicos italianos, Roy Hodgson abraça a estratégia de apenas reagir aos erros dos adversários, mesmo quando eles são teoricamente inferiores. Em Kiev, a Itália vai atacar. Quando e se possível, a Inglaterra responde.

Possíveis formações de Inglaterra e Itália. A da Azzurra é um mistério.

Nos dois primeiros jogos, contra Espanha e Croácia, a Itália utilizou três zagueiros, uma reforma tardia para corrigir os erros cometidos nos amistosos. Diante da Irlanda de Trapattoni, a Azzurra resgatou o tradicional 4-3-1-2, para ter mais opções de ataque e controle do jogo. A Gazzetta dello Sport antecipa que Prandelli deve manter o esquema da última partida, pois pretende agredir os ingleses sem abrir mão de um elemento de ligação, o popular trequartista.

Na Inglaterra, não deve haver novidades. À exceção de 15 minutos de apagão contra a Suécia, os defensores têm se comportado muito bem. Hodgson tende a insistir na mesma linha de meio-campo, com Milner, Gerrard, Parker e Young, ainda que os pontas estejam bastante abaixo do nível apresentado pelos meias centrais na primeira fase. No ataque, não há por que quebrar a parceria entre Rooney e Welbeck, com a ressalva de que eles precisam tabelar mais para causar problemas aos italianos.

Os ingleses têm a vantagem da estabilidade da equipe, que superou as incontáveis ausências e, com a prevista entrada de Rooney na terceira rodada, mantém a base desde a estreia. A Itália, por sua vez, trocou o esquema e pode ainda trocar outras peças. Chiellini, certamente o melhor zagueiro do grupo, será desfalque. Também há a questão do trequartista, que retornou à tona contra a Irlanda e se transformou em dilema para Prandelli. Insistir em Thiago Motta? Resgatar Montolivo? Dar uma chance a Diamanti? São várias opções, nenhuma plenamente confiável.

Na partida de amanhã, o maior desafio da Inglaterra será a marcação pela faixa central do campo, onde se concentram os meias da Itália, que dispensa os chamados wingers. Craque da última Serie A, Pirlo organiza o time a partir de uma posição bem próxima à defesa, o que deve forçar Hodgson a articular alguma pressão sobre a saída italiana. Por outro lado, podem faltar à seleção de Prandelli respostas às subidas dos laterais ingleses. De Rossi, por exemplo, vai se ocupar com o ídolo Gerrard.

Balotelli, criança de 1.88 m

Outra atração da partida é Balotelli, com boas chances de recuperar a vaga que, no confronto com a Irlanda, perdeu para Di Natale. Companheiro de Hart, Lescott e Milner, o atacante do Manchester City é previsivelmente imprevisível. Após dizer que “Mario tem um lado bom e outro ruim”, Milner não ficou sem resposta: “sorte dele, que conhece dois Balotellis”, brincou o folclórico italiano.

Mais informações sobre a seleção italiana estão no Tripletta.

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terça-feira, 19 de junho de 2012 Euro 2012, Inglaterra | 20:35

Autêntico capitão

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Na seleção, o grito de Gerrard nunca havia sido tão imponente

Steven Gerrard dominou a bola na intermediária, observou a passagem de Glen Johnson e errou um passe de cinco metros. Segundos depois, o diretor da transmissão cortou a imagem para o capitão inglês, que, furioso, esbravejava contra si mesmo. Atitude de quem se envolve com a partida e conhece a própria capacidade.

Apesar do erro que tanto o incomodou, Gerrard teve, na vitória por 1 a 0 sobre a Ucrânia, que classificou os ingleses às quartas de final da Euro, outra atuação de almanaque. O número 4 da Inglaterra acertou 90,5% dos passes, desarmou cinco vezes e criou três chances, inclusive a que gerou sua terceira assistência na Euro 2012.

Antes da Euro, além da delicada reorganização do time sob nova direção, havia a questão da capitania, órfã após a destituição de John Terry. O treinador interino Stuart Pearce entregou a faixa a Scott Parker, mas o permanente Roy Hodgson elegeu Steven Gerrard, com quem trabalhou no Liverpool durante um semestre.

As críticas à decisão de Hodgson se baseavam não na liderança, mas na temporada oscilante de Gerrard, que seria titular na Euro apenas pelo status de capitão. Ledo engano. Mesmo com mais responsabilidades defensivas do que gostaria, o meia do Liverpool é o melhor jogador inglês no torneio. Além da coleção de desarmes, foi decisivo em três dos cinco gols marcados pela Inglaterra, sempre se deslocando à ponta direita para acertar um cruzamento. Hoje, com direito a um drible espetacular antes da assistência.

Se não é exatamente um role model, Gerrard tem postura de líder, um histórico quase nulo de confusões e é o capitão de seu clube há nove anos, desde os 23. Na Copa de 2010, ele herdou a faixa da seleção, mas não era a opção inicial de Fabio Capello. Agora, Gerrard sabe que é a primeira escolha, chama a responsabilidade e faz Euro irrepreensível. A Inglaterra tem um autêntico capitão.

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