Publicidade

Arquivo da Categoria Jogadores

segunda-feira, 18 de julho de 2011 Brasileiros, Jogadores | 19:07

Fórmula de insucesso

Compartilhe: Twitter

Caçapa: saudades no Lyon e nos adversários do Newcastle

Precisa de reforços? Vá buscá-los na Inglaterra. Alguns clubes brasileiros têm seguido esse caminho. O São Paulo acertou o empréstimo do volante Denílson, do Arsenal. O Corinthians tenta chegar a um acordo com o Manchester City pelo rebelde argentino Carlos Tevez. A imprensa gaúcha noticiou há pouco o interesse do Internacional por outro atacante do City, o brasileiro Jô.

Em 2008-09, na casa dos 21 anos, Denílson fez 51 jogos pelo Arsenal. Esse número desabou para uma média de 30 partidas nas últimas temporadas devido a problemas físicos, o crescimento de Jack Wilshere e uma evidente estagnação em seu desenvolvimento. Jô quase não joga no City. A exceção é Tevez, o melhor da Premier League 2010-11 para o blog.

Ainda que o argentino seja a única contratação plenamente segura (em campo, é claro), todos eles podem dar boas respostas no Brasil. O problema é que várias das capturas “inglesas” fracassaram por aqui. O blog recapitula os exemplos recentes, bons e ruins:

Belletti, do Chelsea para o Fluminense em 2010. Apesar do salário alto, era difícil prever a lamentável relação custo / benefício de Belletti no Flu. O último ano no Chelsea não foi dos piores, com o brasileiro participando, geralmente como alternativa a Ballack, de alguns jogos das campanhas vitoriosas na Premier League e na FA Cup. Foi mais importante em Bridge do que nas Laranjeiras.

Caçapa, do Newcastle para o Cruzeiro em 2009. As duas temporadas de Caçapa em St James’ Park foram fracas. Atabalhoado, não parecia o zagueiro seguro que capitaneou o Lyon por cinco anos. O relativo insucesso na Toca da Raposa não chegou a surpreender.

Deco, do Chelsea para o Fluminense em 2010. Talvez a grande decepção da lista. Deco não era um dos favoritos de Ancelotti, mas foi titular, por exemplo, no jogo decisivo para o título do Chelsea em 2009-10, a vitória por 2 a 1 sobre o Manchester United em Old Trafford. Ele até se lesionava bastante em Stamford Bridge, porém a tendência a problemas físicos ficou mais evidente no Fluminense.

Gilberto, do Tottenham para o Cruzeiro em 2009. Em Londres, Gilberto anunciou ao mundo (Dunga não pegou) que não era mais lateral-esquerdo. Foram 18 meses quase nulos em White Hart Lane, com o brasileiro perdendo a concorrência para Assou-Ekotto, Bale, Chimbonda… No Cruzeiro, rendeu bem mais como meia de ligação.

Umbabarauma, homem-gol

Ilan, do West Ham para o Inter em 2010. Ilan, acredite, marcou gols importantes na bem-sucedida luta dos Hammers contra o rebaixamento. O semestre na Inglaterra anunciava algo melhor do que uma passagem melancólica pelo Inter.

Robinho, do Manchester City para o Santos em 2010. Após um começo horroroso de temporada, Robinho chegou a ser a sexta opção de ataque no City (atrás de Tevez, Adebayor, Bellamy, Santa Cruz e Benjani). O empréstimo ao Santos foi bom para o contrariado atacante, que se revigorou e preparou o terreno para um ótimo ano de estreia no Milan.

Rodrigo Possebon, do Manchester United para o Santos em 2010. Havia grandes expectativas sobre o volante revelado pelo Internacional, mas uma entrada insana do nada saudoso Pogatetz, então no Middlesbrough, foi um golpe na carreira dele. A perna fraturada voltou ao normal. No entanto, Possebon falhou na tentativa de impressionar Ferguson e, ofuscado pelo ótimo Danilo, ainda não conseguiu emplacar na Vila Belmiro.

Autor: Tags: , , , , , , , , ,

quarta-feira, 13 de julho de 2011 Jogadores, Mercado | 18:30

Persistência deles, coragem dos clubes

Compartilhe: Twitter

Woodgate é recebido sob nuvens de desconfiança em Stoke-on-Trent

Em fevereiro de 2007, os frequentadores de departamento médico Jonathan Woodgate, Owen Hargreaves e Kieron Dyer foram convocados à seleção inglesa por Steve McClaren. A ocasião era um amistoso com a Espanha em Manchester.

Hargreaves se cortou “para não arriscar sua condição física”. Woodgate e Dyer foram titulares. A Inglaterra cumpriu as expectativas e perdeu. Apesar de convocações esporádicas até 2008, o trio desapareceu depois. Nos últimos dois anos, as lesões os limitaram, juntos, a 33 jogos (27 só de Dyer) por seus clubes. Fim da linha para eles?

Nada disso. Nesta semana, Stoke e Queens Park Rangers anunciaram, respectivamente, o zagueiro Woodgate (31) e o meia Dyer (32), que ficam na Premier League. O volante Hargreaves (30), que há pouco divulgou uma série de vídeos a fim de provar aos clubes sua aptidão para jogar, atraiu o interesse do Leicester, da segunda divisão.

Woodgate pode dar certo no Stoke. Como o ex-capitão Faye é mais um dos antigos pupilos de Sam Allardyce a reforçar o West Ham, o time precisava mesmo de nova alternativa a Shawcross e Huth. O ex-zagueiro do Tottenham, assim como Hargreaves e Dyer, estava livre. O contrato de risco protege o clube. Boa sacada de Tony Pulis, que, se conseguir colocá-lo em campo, ganha um ótimo defensor.

A contratação do QPR é bem mais questionável. Taarabt (se ficar), Faurlín e Smith ocupam o espaço de Dyer, só que, mesmo como opção secundária, o ex-meia do West Ham nada fez para merecer um lugar na Premier League. Foi nulo nos Hammers quando conseguiu jogar e não marca um gol há mais de quatro anos – quando ainda estava no Newcastle! Dyer era uma estrela no início da carreira, mas pode agradecer a chance oferecida por Neil Warnock, que dá um tiro no escuro e na própria ambição.

Até pela força de vontade, Hargreaves, que atuou por cinco minutos em 2010-11, merece ser testado após deixar o Manchester United. Embora não tenha certeza sobre o desejo do jogador, Sven-Goran Eriksson, que o comandou na Copa de 2006, parece determinado a lhe oferecer essa oportunidade no Leicester. O técnico só precisa ficar de olho na quantidade de apostas no passado: seu elenco já tem Vassell, Konchesky e Nugent. O West Bromwich também estaria interessado em Hargreaves.

Autor: Tags: , , , , ,

sábado, 2 de julho de 2011 Inglaterra, Jogadores, Jovens | 10:55

Talento familiar

Compartilhe: Twitter

Wright-Phillips, Lennon, Walcott, Oxlade-Chamberlain... Sterling pode ser o melhor deles

Classificada às quartas de final da Copa do Mundo sub-17, a Inglaterra tem agradado no México. Alguns talentos despontam bem: o capitão Nathaniel Chalobah, zagueiro do Chelsea, é líder natural e passa segurança; o meia central Nick Powell, do Crewe, tem boa média de gols pela seleção e um quê de Frank Lampard; e, apesar do jeitão de James Beattie (que teve uma fantástica temporada pelo Southampton e depois sumiu), Hallam Hope, do Everton, é um centroavante promissor.

Houve ainda uma surpresa coletiva. O time jogou bem abaixo do potencial e, mesmo assim, eliminou uma pobre Argentina nos pênaltis. Ponto para uma seleção que, em vários níveis, adora desafiar a noção de fracasso (ok, a própria sub-17 foi campeã europeia há um ano). Mas nem tudo mudou. Jordan Pickford, do Sunderland, tomou gol do arqueiro canadense na primeira fase, falhou feio contra a Argentina e, embora tenha sido herói nos pênaltis, conserva a tradição de goleiros atrapalhados.

No entanto, Chalobah, Powell, Hope, as besteiras de Pickford e até a chance do inédito título mundial são ofuscados por Raheem Sterling, o craque do time. O winger de 16 anos marcou dois gols em três jogos (foi poupado contra o Uruguai) e mostrou o repertório de arrancadas, dribles e finalizações de longe. Sterling é o último dos wingers ingleses destros, rápidos, dribladores e geralmente baixos. Já é uma indústria: Wright-Phillips, Lennon, Walcott, Oxlade-Chamberlain…

Contratado por 500 mil libras do Queens Park Rangers no ano passado, Sterling é o grande destaque da base do Liverpool. Por isso e pelo local de nascimento (Kingston, Jamaica), é apontado por alguns torcedores como “o novo John Barnes”. Talvez não seja para tanto, mas, dependendo de sua evolução, ele pode se tornar um jogador mais completo do que seus colegas de posição na Inglaterra.

O garoto é abusado, veloz e driblador como os outros, mas tem algo especial: a facilidade para fazer gols. Apto a atuar nos dois lados (na Inglaterra, John Peacock o escala à esquerda), Sterling trabalha bem com o lateral e é uma arma nos chutes de fora ou mesmo em conclusões mais simples. O menino que faz a seleção sub-17 concentrar as ações ofensivas pela esquerda já até marcou cinco vezes num jogo. Criando as próprias chances, pelo Liverpool, ele acabou com o Southend na FA Cup sub-18:

Autor: Tags: , , , , , , ,

sábado, 4 de junho de 2011 Curiosidades, Jogadores, Man Utd | 11:55

Hair we go

Compartilhe: Twitter

A sensação de saudade foi fundamental na decisão de Rooney

Suspenso nas Eliminatórias da Euro, Wayne Rooney aproveitou a folga da seleção para resolver um problema. Ele confirmou na manhã de hoje que fez implante capilar em uma clínica londrina. “Estava ficando careca aos 25 anos. Por que não? Estou satisfeito com o resultado. Ainda está um pouco inchado, mas, quando ficar legal, vocês serão os primeiros a ver”, disparou a seus mais de 700 mil seguidores no Twitter.

Bem-humorado, Rooney ainda pediu uma recomendação de gel e se empenhou em colocar um sagaz hair we go entre os assuntos mais comentados da rede social. Até o fechamento do post, o camisa 10 do Manchester United havia conseguido levar a expressão ao segundo lugar no Reino Unido. Apesar da empolgação pelo implante, Rooney não se esqueceu dos colegas de seleção e previu gol de Darren Bent para o jogo contra a Suíça. Nada feito. Empate por 2 a 2, e Bent perdeu uma chance clara.

Autor: Tags: , ,

terça-feira, 24 de maio de 2011 Curiosidades, Debates, Jogadores, Man Utd | 15:02

Perdedores

Compartilhe: Twitter

O segredo, tal qual a sensação de liberdade, era falso

O blog já falou da transformação da vida pessoal dos jogadores em objeto de patrulhamento pelos tabloides ingleses. A coluna aborda agora a postura da imprensa após a divulgação do nome de Ryan Giggs como o do jogador que obteve um mandado para impedir a exploração de sua aventura extraconjugal. O levantamento foi feito pelo Guardian.

O Independent se referiu ao caso como o “segredo mais conhecido” da Grã-Bretanha (é, todo mundo já sabia). O editorial do Guardian fez uma reflexão: “Há uma semana, quem poderia prever que uma crise constitucional entre o Parlamento e os tribunais seria provocada por um jogador de futebol que traiu a esposa?”.

A postura racional dessas publicações contrasta com a dos extravagantes The Sun e Daily Mirror. O primeiro intitulou sua matéria com um objetivo “É Giggs”. O editor do tabloide considerou que a “liberdade venceu”. O Mirror, que qualificou a atitude do meia galês como um “ridículo gol contra”, ainda chamou a figura do Manchester United de “Bed Devil” (essa, pelo menos, foi bem engraçada).

O Daily Mail foi além e questionou se a “paciente esposa Stacey irá perdoá-lo”. O editor do jornal pediu uma lei de privacidade mais “adequada ao século XXI”. Vanessa Feltz, do Daily Express, afirmou que a ex-BB Imogen Thomas, com quem Giggs se envolveu, até parece “quase simpática” depois disso tudo.

A afirmação mais feliz foi a de Clive Anderson, colunista do Telegraph. “Ninguém sai bem desse tipo de mandado judicial”. A liberdade de expressão realmente venceu? E a individual? Existe um lado certo nessa história?

*Sugestão do Daniel Tozzi

*A série “Rumo a Wembley” já volta

Autor: Tags: , , ,

Brasileiros, Jogadores, Liverpool | 09:46

Parabéns, Lucas

Compartilhe: Twitter

Não foi fácil, mas ele se levantou

Rejeitado até a temporada passada, Lucas foi eleito pelos torcedores o Jogador do Ano no Liverpool. O prêmio é um presente à fantástica recuperação do brasileiro, comentada pelo blog há dois meses. Na lista com os melhores e os piores da Premier League 2010-11, o volante titular da seleção de Mano Menezes foi considerado o jogador que mais evoluiu em relação à temporada passada.

Lucas recebeu 40% dos votos. Kuyt, Reina, Meireles e Suárez completaram o Top Five. A escolha é discutível, mas está longe de ser equivocada. Apesar do bom segundo semestre, a temporada do Liverpool foi repleta de altos e baixos também individualmente. Mesmo sem nenhum dos prêmios mensais concedidos pelo patrocinador, Lucas é ótimo desde novembro.

O brasileiro, que fez só um gol, é o terceiro do Liverpool com mais jogos em 2010-11. Suas 47 atuações perdem apenas para as 50 de Reina e as 49 de Skrtel. Gerrard penou com problemas físicos e jogou só 24 vezes. Suárez, o grande responsável em campo pela recuperação do time, dificilmente seria eleito com quatro meses de casa. Kuyt (artilheiro dos Reds), Reina e Meireles tiveram temporada equivalente à de Lucas, que mereceu o prêmio até pela evolução.

Autor: Tags: , , , ,

segunda-feira, 23 de maio de 2011 Debates, Jogadores | 21:48

Patrulhamento

Compartilhe: Twitter

Condecorado com a Ordem do Império Britânico, Giggs já experimentou o lado bom da fama

O blog interrompe a minissérie sobre a final da Champions para falar brevemente de um assunto desagradável. Trata-se da repercussão do caso extraconjugal de Ryan Giggs. Não, a atitude do galês do Manchester United não será avaliada. O problema que nos interessa é o do patrulhamento pelos tabloides.

Hoje, Giggs foi mencionado pelo parlamentar John Hemming como o jogador misterioso que obteve um mandado judicial para proibir a divulgação pela imprensa do caso com a ex-BB Imogen Thomas. A jogada foi um fiasco porque, ainda que os jornais tivessem de se calar, a relação extraconjugal e o nome de Giggs vazaram no Twitter, o que gerou uma reação estabanada dele.

Hemming é um defensor incondicional da liberdade de expressão e contrário a esse tipo de mandado. Muito legal, mas até que ponto acontecimentos meramente pessoais justificam esse patrulhamento? O debate é antigo, e a proporção de “notícias” envolvendo a intimidade dos atletas só cresce: Terry, Crouch, Ashley Cole, Essien… É um caso atrás do outro na Inglaterra.

A condução desastrada do processo por Giggs revela o tamanho do medo dos jogadores na Inglaterra quando saem da linha na vida pessoal. Tudo é notícia. O timing foi o pior possível: a confusão atinge o auge na semana da decisão da Champions. O galês de 37 anos parecia inabalável, de forma que sua intimidade não costumava ser assunto recorrente. Agora ele erra em casa e, ao fim de uma temporada brilhante, pode pagar em campo. Está certo?

Autor: Tags: , ,

sexta-feira, 20 de maio de 2011 Brasileiros, Chelsea, Curiosidades, Jogadores | 07:50

Gol de ouro

Compartilhe: Twitter

Eram 46 minutos do segundo tempo de Chelsea x Manchester City, em 20 de março, quando Ramires recebeu a bola de Essien. O brasileiro passou facilmente por Lescott e Kolarov. Barry, como contra Özil na Copa, só corria atrás. A finalização foi indefensável até para Joe Hart. O golaço de Ramires, que selou a vitória dos Blues por 2 a 0, foi eleito o mais bonito do clube na temporada*. Assista:

O evento de ontem, que marcou o fim da temporada decepcionante do Chelsea, premiou também o goleiro Petr Cech (o melhor para os torcedores), o lateral-esquerdo Ashley Cole (o melhor para os jogadores) e o meia Josh McEachran (revelação). Ramires não foi o grande homenageado da festa, mas o troféu de Gol do Ano prepara o terreno para um sucesso quase certo em Stamford Bridge.

A dupla brasileira, que encantava Lisboa, já justificou o investimento

Em parte porque ele conquistou o grupo. Quem não se lembra da comemoração coletiva do primeiro gol do brasileiro pelo clube? Ontem, Ancelotti brincou após a entrega do prêmio: “quero agradecer a todos pelo Ramires porque ele não falou nada (em inglês)”. Bem-humorado, o meia disse que está “aprendendo rápido”.

Depois e principalmente porque ele é muito bom: meio-campista raro, box-to-box, técnico e incansável. Todo mundo sabe que o início foi difícil e que ele falhou em ocasiões importantes, como no jogo do primeiro turno contra o Manchester City. No entanto, a recuperação e a adaptação ao ritmo inglês vieram cedo.

A despeito da temporada abaixo da média de Obi Mikel, o brasileiro teve de conquistar seus 41 jogos em 2010-11, 33 como titular. Quando Ancelotti precisou abrir mão do meio-campo com três peças, em tese mais adequado para Lampard e Ramires, o ex-cruzeirense virou right winger e foi muito bem. Além de ótimo, é versátil.

Não é segredo: a história dos brasileiros na Inglaterra ainda é muito pobre em relação a outras grandes ligas europeias. O melhor deles foi Juninho Paulista, que teve três passagens pelo Middlesbrough e foi brilhante em 1996-97. Se continuar evoluindo e aumentar sua média de gols (foram só dois na primeira temporada), Ramires, convocado ontem para a Copa América, tem boas chances de chegar lá.

*Belletti levou o mesmo prêmio em 2007-08

Autor: Tags: , , ,

terça-feira, 10 de maio de 2011 Jogadores, Liverpool, Treinadores | 09:26

A reinvenção do Liverpool

Compartilhe: Twitter

King Kenny, agora ainda mais rei

O técnico Kenny Dalglish assumiu o Liverpool em 8 de janeiro. O ídolo escocês se viu diante de um time inseguro em casa e, porque só perdia, regular fora de Anfield. A 12ª posição e a margem de quatro pontos para a zona de rebaixamento lhe apontavam uma missão bem clara: não passar sustos. E ele com isso?

Em 16 jogos, foram 33 pontos (68,7% contra 41,7 de Hodgson), o melhor ataque, a segunda defesa e a vice-liderança da Premier League no período. O Liverpool não deve ir à Champions, mas o impacto desses quatro meses é suficiente para lutar por Liga Europa e, com os prováveis ajustes, iniciar 2011-12 pensando até em título. A eliminação continental é a única frustração.

A permanência de Dalglish não é certa, mas a pressão sobre o proprietário John W. Henry pela oferta de um contrato tem aumentado. Mesmo com vários problemas num elenco que já nasceu defeituoso, o Liverpool só melhora. Tentemos entender:

Carisma e competência. Dalglish é um sujeito cativante para os atletas e a torcida. É também o melhor jogador da história do Liverpool. Como técnico, não custa lembrar que foi campeão inglês até com o Blackburn em 1995. A década sabática e os primeiros resultados justificavam um pé atrás, mas ele era a melhor escolha para o momento do clube. A confiança do grupo subiu demais.

Dalglish não trabalha sozinho. O diretor de futebol, Damien Comolli, não titubeou na hora de contratar Luis Suárez. Em seu tempo no Tottenham, o executivo francês errou, mas acertou mais ao garimpar Bale, Modric e Berbatov. O técnico de campo, Steve Clarke, também merece muito crédito. Comolli e Clarke chegaram ao clube, respectivamente, em novembro de 2010 e janeiro de 2011.

A base. O elenco do Liverpool tem uma série de problemas. Os maiores são as lesões, a fragilidade dos reservas da defesa e a ausência de bons wingers autênticos, um Ashley Young. Dalglish superou as dificuldades usando a base, que ele conhece bem porque já estava no clube antes de virar técnico. Para fugir de Kyrgiakos, efetivou John Flanagan (18 anos), que tem jogado nas duas laterais.

Com todos os três laterais do primeiro time no DM, até o canhoto Jack Robinson (17) teve de atuar. A contusão de Gerrard abriu espaço a Jay Spearing (22), quase ignorado pelos outros treinadores, incrivelmente melhor sob Dalglish e de contrato renovado. Jonjo Shelvey (19), revelado pelo Charlton, mas ainda muito novo, também joga. Não fosse assim, os intragáveis Poulsen e Jovanovic estariam lá.

O 7 de hoje e o de ontem: Suárez também deve marcar época em Anfield

O 7 de hoje e o de ontem: Suárez também deve marcar época em Anfield

O joio e o trigo. Fala-se de Kyrgiakos, Poulsen e Jovanovic, só que Dalglish não poderia descartar todo mundo que estava mal – o elenco restrito não permite. Ele viu em Maxi Rodríguez, com sete gols e dois hat-tricks nos últimos três jogos, uma peça importante para o time. O argentino joga só porque a ausência de Carroll empurra Kuyt ao ataque, mas melhorou muito sob Kenny.

Suárez. Dalglish e Clarke têm de improvisar (Meireles como winger é o melhor exemplo), mas fazem todo mundo render ao máximo. E a melhor maneira de explorar Suárez é não limitá-lo a uma faixa do campo. Quem assistiu a Fulham 2 x 5 Liverpool percebeu que ele atormentou a defesa adversária (que vinha em ótima fase!) em todos os pontos e de todas as formas. Suárez é absurdo.

A tardia seleção da rodada
Van der Sar (Man Utd); Johnson (Liverpool), Distin (Everton), Shawcross (Stoke), Baines (Everton); Park (Man Utd), Carrick (Man Utd), Giggs (Man Utd), Maxi (Liverpool); Suárez (Liverpool), Fletcher (Wolves)

Atualização em 12 de maio: Dalglish fica.

Autor: Tags: , , , , , ,

segunda-feira, 18 de abril de 2011 Debates, Jogadores | 18:15

Bale, Wilshere e Nani

Compartilhe: Twitter

Bale é fantástico, mas não mereceu o prêmio

A Associação dos Futebolistas Profissionais (PFA) da Inglaterra anunciou os melhores da temporada segundo os próprios jogadores. Gareth Bale, do Tottenham, leva o prêmio geral, e Jack Wilshere, do Arsenal, é o melhor jovem. Há uma semana, a coluna se posicionou sobre isso. Bale entra no restrito grupo de galeses que receberam o troféu: Ian Rush, Mark Hughes e Ryan Giggs são os outros. Não é pouco, não.

O problema é que o prêmio a ele não faz sentido. Até Nani, que nem sequer foi indicado, merecia mais. Bale teve três meses brilhantes, mas caiu muito. O português, por sua vez, faz temporada bem mais sólida. Em 2009-10, o Manchester United utilizava à exaustão o esquema com ele e Valencia. Após a lesão do equatoriano, Nani passou a ser o único do time capaz de quebrar defesas com jogadas individuais.

Como, à exceção de Giggs, ninguém faz boa temporada entre os meio-campistas, o luso teve de abraçar todas as responsabilidades de criar jogadas. Ele respondeu à pressão com nove gols e incríveis 18 assistências na liga. Bale, da mesma posição, marcou sete vezes e tem só um passe decisivo. Números podem iludir, mas, neste caso, ajudam muito na hora de estabelecer o tamanho da contribuição de um jogador a seu time.

Dois problemas na escolha são bem claros: a eleição é feita em março (dois meses antes do fim da temporada, portanto), e os jogadores tendem a votar em quem causou mais impacto. Ora, quem teve as melhores atuações individuais do futebol inglês em 2010-11? Bale, é claro. Só que uma lesão nas costas interrompeu aquela excelente forma que a gente viu especialmente nos confrontos contra a Internazionale pela Champions. Ele não tem nenhum jogo espetacular neste ano.

No prêmio de melhor jovem, há outra controvérsia. Wilshere é, certamente, a “revelação” do ano. Mas qual é o conceito da votação? Nani, com 24 anos, concorreu porque tinha 23 ao início da temporada. Foi mais importante que Wilshere, mas nada tem de revelação. Pelo visto, não se elege simplesmente o melhor, mas aquele que despontou ou, em último caso, evoluiu muito em relação ao ano anterior. Daí, não seria o caso de derrubar a idade-limite?

As incoerências não param aí, mas a coluna vai deixar outras considerações para o fim de 2010-11.

Autor: Tags: , , ,

  1. Primeira
  2. 1
  3. 2
  4. 3
  5. 4
  6. Última