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segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014 Chelsea, Liverpool, Man Utd | 09:25

A estratégia e o talento

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A associação do talento à solidez coletiva quase sempre aproxima um time do sucesso. Um dos mestres dessa negociação entre criatividade e segurança é Carlo Ancelotti, campeão europeu com Pirlo, Seedorf, Rui Costa, Shevchenko e Inzaghi no Milan de 2002-03. Hoje no Real Madrid, deve ser o técnico dos sonhos de Florentino Pérez, pela capacidade de criar sistemas seguros (às vezes rotulados de defensivos!) mesmo com vários jogadores mais talentosos com a bola do que sem ela. Mas o antecessor dele em Madri não trabalha exatamente assim.

É obvio que José Mourinho aprecia jogadores talentosos, mas o raciocínio dele passa muito mais por “como eles podem se adaptar a minha estratégia?” do que “como vou adaptar minha estratégia a eles?”. Na Internazionale, o português elegeu Diego Milito seu centroavante e transformou Samuel Eto’o num winger disciplinado, função que o camaronês não imaginava que poderia executar. E às vezes não há lugar para todo mundo. Não houve para Luka Modric no Real Madrid, assim como Juan Mata se deteriorou no banco do Chelsea em 2013-14.

Não parece haver tanto mistério no processo que levou à venda de Mata ao Manchester United. Mourinho pensa que Oscar é, por ser mais trabalhador e dinâmico, uma opção mais interessante do que o espanhol para a meia central do 4-2-3-1. E também não identificou motivos para escalar Mata na ponta direita, considerando alternativas mais rápidas e disciplinadas para a posição Willian, Schürrle e agora Mohamed Salah, contratado para substituí-lo – o egípcio ex-Basel é muito diferente dele, mas ocupa sua vaga no elenco.

Há também o debate sobre a decisão de reforçar um rival. Mourinho nunca vai admitir publicamente, mas, além das razões óbvias (o Manchester United não é candidato ao título e não joga mais contra o Chelsea na liga em 13-14), ele talvez não preveja um impacto tão grande assim do playmaker em Old Trafford. Pelo menos não equivalente aos £37 milhões investidos. A questão é: o excelente espanhol vai acrescentar criatividade ao United, mas não resolve o principal problema do time e ainda cria um dilema tático para David Moyes.

Mata sempre será ótima aposta para quem contratá-lo, mas não era a principal necessidade do United

Mata representa uma mensagem aos rivais (algo como “ainda estamos aqui”), deve garantir alguns pontos adicionais nesta temporada e pode ser a principal estrela do United nos próximos anos. No entanto, há uma lacuna bem clara no time titular que não foi preenchida, a do parceiro de Carrick no meio-campo. Cleverley agoniza em 2013-14, e Fellaini inexiste desde que deixou o Everton. A contratação que Moyes deveria ter feito – o primeiro alvo, para impulsionar uma recuperação até o quarto lugar – está no Paris Saint-Germain: Yohan Cabaye, que fazia tudo no meio-campo do Newcastle.

Cabaye teria um espaço óbvio na equipe, o que não é o caso de Mata. Sua posição preferencial, como número 10, é de Rooney. Moyes não parece disposto a uma alteração drástica (como escalar três zagueiros ou um losango no meio-campo), o que praticamente garante que, com todo mundo saudável, o ex-ídolo do Chelsea sempre jogará partindo da direita para o centro. Isso não o impede de influenciar jogos (pense em Silva, Ben Arfa, Hazard, Coutinho, Nasri e Cazorla, playmakers que já jogaram muito bem mesmo deslocados a um dos lados do campo), mas cria uma dificuldade.

Existe ainda uma questão que nos faz retornar aos primeiros parágrafos do artigo. A presença de Mata não deveria resultar na perda de espaço da grande novidade do time na temporada, Adnan Januzaj, relegado ao banco nos últimos jogos. Ao investir £37 milhões no playmaker, Moyes se propôs o desafio e até a obrigação de tornar viável uma formação que inclua Mata, Januzaj, Rooney e van Persie. Não há tempo, nem pontos a perder para uma equipe que quebra um recorde negativo atrás do outro.

Hoje, o mais óbvio seria a conversão a um 4-2-2-2 semelhante ao do Manchester City (quando jogam Silva e Nasri abertos), com bastante apoio dos laterais e Mata e Januzaj livres para criar por dentro quando o time tem a bola. É uma mudança radical em relação ao modelo de jogo que consagrou e notabilizou o Manchester United nas últimas décadas, mas algo claramente precisa ser feito. A atuação pálida contra o Stoke no sábado mostra que a próxima aposta que Moyes deve fazer é no talento.

A flexibilidade de Brendan Rodgers

Brendan Rodgers não abre mão do talento. O Liverpool é tema para outro texto, mas vale listar as soluções que Rodgers já tentou para garantir que Coutinho, Suárez, Sturridge e, mais recentemente, Sterling estejam na equipe:

– 3-4-1-2. Três zagueiros, um armador central à frente dos volantes e alas e dois atacantes que precisavam se movimentar muito para compensar a teórica desvantagem numérica pelos lados. Sterling era reserva;

 – 4-4-2. Coutinho à esquerda, Sterling (após melhorar demais nos últimos meses) à direita e os dois atacantes com liberdade. O sistema se revelou frágil quando Lucas e Allen se lesionaram e Gerrard virou o volante mais recuado;

 – 4-1-4-1. Com os mesmos jogadores, Rodgers remodelou o time nas últimas rodadas (deu muito certo contra o Everton, mas nem tanto diante do WBA). Coutinho e Henderson se posicionam à frente de Gerrard, e Sterling oferece sua velocidade à direita. Suárez e Sturridge se revezam entre os papéis de centroavante e ponta esquerda.

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terça-feira, 25 de junho de 2013 Liverpool | 11:00

Além do óbvio

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Depois que Luis Suárez mordeu Branislav Ivanovic e foi suspenso pela Football Association, o Liverpool venceu três partidas, empatou uma e marcou dez gols. Era mesmo necessário minimizar a sensação de dependência, pois o time caminhará sem o uruguaio nos seis primeiros jogos de 2013-14, que completam sua segunda longa punição desde que chegou à Inglaterra. Para piorar, ele vive sugerindo em entrevistas que pretende deixar a liga inglesa, criando uma cortina de fumaça sobre seu simples e direto desejo de jogar no Real Madrid.

Há seis meses, o Liverpool se resumia a Suárez. Ficar sem ele, definitivamente ou não, deveria ser um cenário devastador para quem precisa começar a temporada com um bom aproveitamento – a corrida pelo top four exigirá isso do time, sobretudo porque a tabela não foi “madrasta” como nas primeiras rodadas da temporada passada. Mas não é bem assim. Conforme indicaram as últimas partidas de 2012-13, Coutinho e Sturridge podem perfeitamente tomar conta do ataque.

Lançamento de Coutinho, gol de Sturridge®

O brasileiro é um ótimo condutor de bola e raramente erra o passe decisivo. Sturridge é muito rápido e costuma ganhar duelos individuais. Isso explica por que Brendan Rodgers abriu mão do tiki-taka e apostou mais em transições rápidas no fim da temporada. No entanto, Coutinho e Sturridge não são – e nem poderiam ser – os únicos motivos para o Liverpool marcar gols sem que Suárez tenha de pari-los. Até porque o inglês adora passar uns tempos no departamento médico e pode perder as primeiras rodadas de 2013-14.

A ideia de construir um ataque flexível foi uma das razões pelas quais, entre os dois meias da Internazionale que estavam disponíveis no mercado de inverno, Rodgers contratou Coutinho e deixou Sneijder para o Galatasaray. Sneijder teria de ser o “10”. Coutinho terminou a temporada como “10”, mas começou no Liverpool aberto pela esquerda, marcando lateral e ainda com fôlego para desiquilibrar à frente, numa linha que tinha Suárez por dentro e Downing à direita, todos atrás de Sturridge quando não havia lesionados.

Na parte final da campanha, essa flexibilidade dos jogadores de ataque fez Suárez atuar nas quatro posições ofensivas do 4-2-3-1 habitual de Rodgers. O uruguaio sempre fazia a diferença, mas não tinha mais uma função definida como na metade inicial da temporada, quando ele era a referência. A equipe aprendeu a não jogar necessariamente em função de Suárez. Numa comparação superficial com o Atlético Mineiro de Cuca, os quatro jogadores de ataque assumiam seus compromissos defensivos, mas poderiam “bagunçar” (para citar Ronaldinho) quando tivessem a bola.

Aspas acerta cabeçada em Carlos Marchena. Em algum ponto, ele substitui Suárez

Com ou sem Suárez, esse modelo deve se aperfeiçoar na próxima temporada. Rodgers, que fala castelhano fluente, começou o verão atacando o mercado espanhol. Já estão em Melwood Luis Alberto (20 anos), que passou a última temporada emprestado ao Barcelona B pelo Sevilla, e Iago Aspas (25), maior ídolo recente do Celta de Vigo. Para contratá-los, o Liverpool investiu £14 milhões, menos do que os £15 milhões que o West Ham pagou por Andy Carroll, que jamais se ajustaria à estratégia dos Reds.

Ao site do Liverpool, o jornalista Ben Hayward elogiou a capacidade que Luis Alberto tem de ler o jogo, além de sua versatilidade (foi “falso” centroavante no Barça B, mas ele mesmo afirma que não tem uma posição predileta) e visão para assistências – foram 18 na segunda divisão espanhola. De acordo com Andreas Vou, especialista em La Liga, Aspas tem o estilo de Giuseppe Rossi e o comportamento de Craig Bellamy. Se essas características se confirmarem, Rodgers terá o jogador que tentava contratar: não será um dos melhores da liga, mas é tecnicamente hábil para jogar em todas as posições de ataque e competitivo ao extremo.

Contratar dois jogadores cujos melhores momentos foram na segunda divisão espanhola não é a solução para todos os problemas do Liverpool, mas mostra que o clube deixou de ser preguiçoso na observação de talentos. Rodgers vê muito futebol, em todos os níveis, e não hesita em contratar um jogador que admira, mesmo que ele esteja longe de holofotes. Foi assim com Coutinho e Sturridge, e está sendo assim no mercado de verão. Ainda vale lembrar os jovens. Se o Liverpool não está desesperado atrás de wingers, é porque confia no desenvolvimento dos muito promissores Raheem Sterling e Jordon Ibe. Além deles, o criativo Suso faz ótimo Mundial sub-20 pela Espanha.

Mas o que fazer com Suárez? Tentar mantê-lo, claro. Ele é brilhante, embora seja também uma bomba-relógio, e tem mais quatro temporadas de um contrato assinado há menos de um ano. No entanto, se não houver acordo com o uruguaio, o clube não precisa mais ser refém dele. O único cuidado é não deixar a venda para as últimas horas da janela para transferências. Rodgers tem na manga uma lista de jogadores para reinvestir o dinheiro, entre os quais está o meia armênio Henrikh Mkhitaryan, do Shakhtar. O Liverpool foge do óbvio e está pronto para, com ou sem Suárez, melhorar o elenco.

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sábado, 18 de maio de 2013 Liverpool | 16:04

A temporada possível

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Rodgers sempre menciona as tradições e os valores do Liverpool. Mais do que um clube de futebol, é um modo de vida, diz

A temporada do Liverpool foi ruim ou boa, dependendo de quem a interpreta. Na perspectiva mais pessimista, o clube subiu apenas uma posição em relação a 2011-12 – de 8º a 7º na Premier League – e fracassou de maneira retumbante nas copas. Os otimistas podem buscar números menos importantes, mas que ajudam a traçar o novo perfil do time. Por exemplo, o saldo positivo de 27 gols, inferior apenas aos dos quatro primeiros colocados da liga, ou os 38 gols marcados fora de casa, um recorde neste campeonato.

O Liverpool, que encerra sua campanha contra o Queens Park Rangers amanhã em Anfield, perdeu nove partidas na liga, seis nas últimas 32 rodadas. Nada impressionante, mas indica um time menos frágil e previsível que o da temporada passada, derrotado 14 vezes no campeonato porque sangrava para marcar gols – foram 47 contra 70 (mais os que provavelmente serão marcados diante do QPR) de 2012-13.

Entretanto, números não definem precisamente a temporada do Liverpool, sobretudo porque o Fenway Sports Group, administrador do clube, escolheu a mudança no verão passado. Quando demitiu Kenny Dalglish, entregou o time a Brendan Rodgers e recusou-se a reforçar o elenco com jogadores para curto prazo (Clint Dempsey foi um exemplo), mesmo que isso tenha limitado demais as alternativas do treinador, o FSG bancou um projeto e desistiu da temporada.

O ano seria apenas um intervalo de tempo no qual Rodgers desenvolveria uma ideia de ruptura com o britanismo de Kenny Dalglish, ajustaria o elenco e tentaria provar, com alguns resultados e jogos marcantes, que está no caminho certo. Admitindo isso, Rodgers fez bom ano de estreia, com o bônus de ter desenvolvido garotos da base como Suso, Sterling e Wisdom e ainda recuperado jogadores que pareciam casos perdidos.

Henderson fez grande segunda metade de temporada, após um péssimo 2011-12, e Downing trabalhou até virar titular, ainda que deva perder a posição a partir de agosto, com novos reforços. Além deles, um Gerrard praticamente livre de problemas físicos se redescobriu como uma espécie de deep-lyng playmaker, trabalhando mais na organização do time do que na finalização de jogadas.

A falta de criatividade no primeiro mercado de transferências de Rodgers, que contratou os antigos conhecidos Allen e Borini, foi compensada pela sagacidade na janela de inverno, quando o Liverpool começou a resolver problemas de fato. As capturas de Sturridge e Coutinho em janeiro não foram golpes de sorte, mas a confirmação de que, com tempo para avaliar o próprio elenco, Rodgers sabia exatamente o que estava fazendo e de que tipo de jogador precisava.

Entrevistas de diretores e do próprio Rodgers indicam que o próximo mercado seguirá o mesmo modelo. A ideia é contratar jogadores jovens, talentosos, ainda não tratados como fenômenos (por isso mais baratos) e que possam se desenvolver no clube. Tudo sem preconceitos ou clichês.

Sturridge, que teve algumas atuações espetaculares, mostrou que nem todo inglês contratado pelo Liverpool é superestimado. A nacionalidade nada tem a ver com seu talento, mal explorado pelo Chelsea. Outro grande exemplo é Philippe Coutinho, incrível durante o empréstimo ao Espanyol, subavaliado pela Internazionale, que cometeu um enorme equívoco ao vendê-lo por apenas £8,5 milhões, e considerado precipitadamente uma promessa frustrada – ele tem só 20 anos! O brasileiro é o melhor jogador do Liverpool desde que foi contratado.

Ídolo precoce, Coutinho já virou até peça de Lego

No próximo verão, seguindo a lógica de contratar para setores carentes, o Liverpool deve acrescentar ao elenco um zagueiro para substituir Carragher, que está se aposentando, um lateral-esquerdo para competir com José Enrique, um meia versátil e criativo (outro Coutinho) e um winger mais eficiente do que Downing. Manter Suárez é parte importante do projeto, mas uma eventual saída não é o apocalipse, desde que haja reinvestimento. Nas vitórias enfáticas sobre Newcastle (6 x 0) e Fulham (3 x 1), o Liverpool provou que a ausência de seu melhor jogador não pesa tanto quanto há cinco meses.

Sagaz no mercado, Rodgers também evoluiu do ponto de vista tático. No início da temporada, ele vivia falando em “matar (adversários) pela posse de bola”. Contudo, para se tornar menos previsível, o Liverpool incorporou outros estilos a seu jogo de controle e marcação adiantada. Contra Newcastle e Fulham, média de apenas 49% de posse de bola e vários gols marcados em transições rápidas, aproveitando a criatividade de Coutinho e a velocidade de Sturridge.

O principal obstáculo a Rodgers será a exigência natural de resultados, que aumenta à medida que a mudança de patamar se confirma. Em 2012-13, a avaliação não passará somente pela “sensação de progresso”, mas também pelo “progresso de fato”, aquele dos números e objetivos alcançados. Não se trata de atrelar a manutenção do emprego do norte-irlandês à classificação para a Champions League 2014-15, porém o Liverpool tem de flertar com os 70 pontos.

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sábado, 9 de março de 2013 Liverpool, Tottenham | 16:42

Bale x Suárez

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Nos primeiros meses da temporada, Gareth Bale e Luis Suárez eram criticados por conta dos excessivos “mergulhos”, que ocupavam mais páginas de jornal do que o talento deles. A dupla não perdeu repentinamente o hábito de tentar ganhar faltas, mas a discussão agora é bem mais relevante. Com a queda recente de Robin van Persie, que precisa descansar (não participou de apenas duas partidas da liga até agora), a sensação é de que o galês e o uruguaio disputam, sem outros rivais, o prêmio de Jogador do Ano na Inglaterra.

Pedigree galês

Disputam o prêmio e têm “confronto direto” amanhã, às 13h de Brasília, quando o Liverpool receberá o Tottenham. O melhor cabo eleitoral de Bale, que levou o prêmio há dois anos, é a brilhante campanha dos Spurs, na terceira posição e em curva ascendente. O time de AVB só melhora, e a influência do galês sobre essa evolução é inegável. Bale marcou 10 dos últimos 15 gols do Tottenham e resgatou a fase do segundo semestre de 2010, com direito a números melhores e sequências mais consistentes de ótimas atuações.

No entanto, é injusta a referência ao Tottenham como one-man team. Além dos outros destaques individuais (Vertonghen e Dembele, por exemplo, foram excelentes contratações), as virtudes coletivas ajudam Bale a brilhar. Não é coincidência que o melhor momento dele seja simultâneo ao amadurecimento do trabalho de AVB. O galês de fato decide jogos, mas a equipe permite que isso aconteça mais frequentemente.

Como escreve Jonathan Wilson, a formação mais compacta dos Spurs beneficia o número 11, que sempre tem diversas opções de passe. Geralmente, essas opções ocupam os defensores adversários, e o galês ganha espaço para decidir por conta própria. Não por acaso, Bale marca tantos gols, mas tem apenas uma assistência no campeonato. Vale lembrar que o Tottenham passou por uma crise no ataque enquanto Adebayor estava na Copa Africana de Nações, e Defoe tinha problemas físicos. Bale resolveu.

El Pistolero

Há algum tempo, o craque de 21 gols na temporada era tratado como possível moeda de troca para contratar Stewart Downing e, acredite, defensor flop. Mas, quando falamos de progresso, não podemos esquecer Suárez. A genialidade do uruguaio é conhecida desde a época de Ajax, porém esta é a primeira temporada da Premier League em que ele consegue associá-la a uma eficiência espantosa. O número 7 do Liverpool, impreciso até o ano passado, já ganhou dois troféus de artilharia em 2012-13: foi o primeiro a marcar 10 e 20 gols (foto ao lado). Hoje, é o goleador da liga com 21 (são 28 por todas as competições).

Suárez é perfeito para o sistema de Brendan Rodgers, mas as condições oferecidas a ele não eram as ideais na primeira metade da temporada. Mais adaptado a circular pelo campo com liberdade, o uruguaio foi o único atacante saudável do Liverpool de setembro a janeiro e teve de ser referência. Em algumas rodadas, o 4-3-3 (às vezes 4-2-3-1) de Rodgers tinha nas pontas Sterling e Suso, dois talentos, mas que estavam na academia de formação dos Reds até o ano passado. Suárez assumiu a responsabilidade e atingiu um status que, entre jogadores não formados em Anfield, é incomparável nas últimas duas décadas.

Agora é diferente. Com as contratações de Coutinho e Sturridge, Suárez atua como “número 10”, pode explorar sua criatividade sem deixar de finalizar e sempre tem opções de passe que dão sequência a suas jogadas. Não à toa, o Liverpool melhorou. Mesmo que, em situação mais favorável, ele tenha sido brilhante nas últimas rodadas, é impossível afirmar que este é o melhor momento do uruguaio. Não há melhor momento: a temporada inteira é fantástica. Em relação a Bale, no campeonato, Suárez marcou mais gols (21 x 16), tem mais assistências (6 x 1) e criou mais chances (78 x 57). Por enquanto, é o Jogador do Ano.

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quarta-feira, 30 de janeiro de 2013 Liverpool | 14:17

Coutinho no Liverpool

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Coutinho herda a 10 de Joe Cole, mas precisa jogar muito mais do que o antecessor

O planejamento do Liverpool para o mercado de janeiro incluía a contratação de um número 10 que tornasse a equipe mais criativa. Há menos de duas semanas, o sonho de vários torcedores (e Steven Gerrard) ainda era Wesley Sneijder, que pouco depois acertou sua transferência para o Galatasaray. A um dia do fechamento da janela de inverno, o Liverpool anunciou a chegada de outro ex-interista, o brasileiro Philippe Coutinho, de 20 anos.

Repare no vídeo que, antes de falar sobre Sneijder, Gerrard indica que o time precisava de “um número 10, ou outro jogador de ataque, que pudesse atuar também pelos lados”. Embora a conversa tenha se direcionado ao holandês, a descrição coincide muito mais com Coutinho. A questão é que Brendan Rodgers não pretende formar um time apenas criativo, mas também flexível em suas opções ofensivas. Salário e idade certamente não foram os únicos fatores considerados para não insistir em Sneijder e apostar em Coutinho.

Ao contrário de Sneijder, que se estabilizou há muito como meia-atacante central, Coutinho atua aberto sem problema. Especialmente quando jogou à esquerda do ataque do Espanyol, para onde foi emprestado no primeiro semestre de 2012, rendeu demais, explorando os dribles em velocidade. Aliás, é com o Coutinho da liga espanhola que o Liverpool espera contar. O da Inter fez boas partidas esporádicas, entre uma contusão e outra, um treinador e outro. O do Espanyol brilhou regularmente, enfim mostrou o potencial conhecido desde a base do Vasco e marcou cinco gols em 16 jogos.

Meio-campo e ataque do Liverpool com Coutinho, baseado no sistema adotado na goleada sobre o Norwich

É evidente que este modelo deve sofrer variações de acordo com as circunstâncias, mas a estratégia adotada na vitória por 5 a 0 sobre o Norwich, na rodada passada da Premier League, indica como Coutinho pode ser aproveitado. O Liverpool foi escalado num sistema híbrido, que teve Sturridge como centroavante, Suárez atrás dele (com liberdade quase total para fazer o que bem entendesse em campo), Downing à direita e Henderson variando entre a ponta esquerda e a meia central. Nesse caso, Coutinho poderia perfeitamente ocupar a vaga de Henderson.

Coutinho é muito talentoso, faz o perfil Kaká de bom comportamento e parece ter a inteligência tática (ou, no mínimo, a disposição para aprender) para se adequar à ideia de jogo do Liverpool. Pela faixa de preço especulada (entre £8 e £10 milhões), é um investimento válido, que pode dar enorme retorno.

Por outro lado, o brasileiro tem bastante a provar. Após as oscilações na Inter, a batalha contra as lesões e as exigências físicas da Premier League serão desafios consideráveis. Ainda mais porque ele é contratado na semana da derrota para o Oldham na FA Cup, quando se questiona a capacidade do Liverpool de lidar com a imposição física de certos adversários – enfrentar o Stoke City, por exemplo, é sempre um drama. Para que o talento fale mais alto, Coutinho precisa estar resistente, confiante e jogando regularmente. O trabalho do staff comandado por Brendan Rodgers será essencial.

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quarta-feira, 19 de dezembro de 2012 Liverpool | 21:19

Mercado antecipado

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De acordo com o Times e outros veículos confiáveis, o Liverpool deve anunciar nos primeiros dias de 2013 as contratações do atacante Daniel Sturridge, do Chelsea, e do winger Tom Ince, do Blackpool. Sturridge, que perdeu espaço em Stamford Bridge desde a demissão de André Villas-Boas, custaria £12 milhões. Ironicamente revelado na base do Liverpool, Ince seria contratado por £6 milhões. Considerando as necessidades do elenco e o suposto orçamento de £20 milhões disponibilizado a Brendan Rodgers para o mercado de janeiro, são apostas válidas.

Sturridge é um nome que gera mais dúvidas do que certezas. Aos 23 anos, o garoto que surgiu muito bem no Manchester City ainda não se estabilizou e convenceu apenas dois treinadores em sua carreira: Villas-Boas, que aparentemente pretendia levá-lo ao Tottenham, e Owen Coyle, para quem marcou oito gols em 12 jogos de Premier League durante o empréstimo ao Bolton, em 2011. No entanto, há elementos que o tornam um alvo interessante para o Liverpool.

Quando assistimos a uma partida dos Reds, pensamos “se Luis Suárez falhar, quem marcará gols para este time?”. Sturridge não é exatamente um ás das finalizações, mas pode contribuir bastante. Sua excelente movimentação sem a bola e a capacidade de, atuando aberto pela direita, invadir a área e finalizar com o pé esquerdo são características que Rodgers certamente procura para completar o ataque, uma vez que o técnico pretende manter Suárez centralizado.

Desde a estreia na Premier League, ainda aos 17 anos, Sturridge marca um gol a cada 172 minutos em campo, índice superior até ao de Suárez – 203 minutos por gol. Toda vez que ganhou uma sequência de jogos (particularmente em 2011, por Bolton e Chelsea), cumpriu muito bem sua função. Ele tem agilidade para ser ponta direita no 4-3-3, como aconteceu no Chelsea de AVB e deve ser o caso no Liverpool, mas também pode ser alternativa a Suárez como centroavante.

Previsão do Liverpool com Ince e Sturridge

A principal tarefa de Rodgers no desenvolvimento de Sturridge será ajudá-lo na hora de tomar decisões em campo. O instinto de tentar o gol a qualquer custo às vezes impede que ele passe a bola, e isso é quase imperdoável na cartilha purista do treinador. O ego supostamente inflado de Sturridge, que deve disputar posição com o italiano Fabio Borini, é outro ponto a considerar. Ainda assim, o Liverpool pode representar a oportunidade ideal para fazer sua carreira progredir.

Ince Jr.
Tom Ince, de 20 anos, é filho de Paul Ince, jogador do Liverpool entre 1997 e 1999. Criado em Anfield, ele pediu para sair em agosto do ano passado. No Blackpool, que pagou uma irrisória compensação de £250.000 aos Reds, evoluiu demais sob o comando de Ian Holloway, hoje técnico do Crystal Palace. Nesta temporada da Championship, é o terceiro artilheiro com 13 gols e o segundo assistente com nove passes decisivos.

Canhoto, ágil e versátil (atua nas duas pontas e também já jogou centralizado na seleção sub-21), Ince é uma boa aposta para qualquer clube inglês. Entretanto, no caso do Liverpool, fica a inevitável frustração por precisar pagar £6 milhões por um talento que estava no clube há um ano e meio. É óbvio que a oportunidade de jogar regularmente no Blackpool foi fundamental para o crescimento de Ince, mas para isso servem os empréstimos.

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quarta-feira, 28 de novembro de 2012 Liverpool, Tottenham | 11:40

Estágios diferentes

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André Villas-Boas e Brendan Rodgers se conhecem há oito anos. Em 2004, José Mourinho assumiu o Chelsea e convidou a dupla para fazer parte de seu staff. Por escrever relatórios detalhados dos adversários, AVB representava “os olhos e ouvidos” de Mourinho, como o próprio manager definiu. Rodgers, o menos britânico dos técnicos britânicos, juntou-se às categorias de base. Ainda antes da passagem por Stamford Bridge, o norte-irlandês viajou pela Europa, aprendeu a língua espanhola e absorveu diferentes métodos sobre como treinar uma equipe.

Hoje, às 17h45 de Brasília, o Tottenham de Villas-Boas recebe o Liverpool de Rodgers. Em sua entrevista pré-jogo, AVB comentou a trajetória do antigo colega e elogiou seu trabalho em Anfield, ainda que o Liverpool esteja na 11ª posição, com 16 pontos. Há, sem dúvida, uma empatia entre os técnicos. A idade (AVB tem 35 anos; Rodgers, 39), a cruzada por um estilo de futebol menos britânico e a pressão que enfrentam em clubes ambiciosos os aproximam.

No entanto, há diferenças consideráveis entre as atuais condições de trabalho. Villas-Boas pode ser mais cobrado nesta temporada. Na sétima posição com 20 pontos, o Tottenham encerrou uma sequência de três derrotas na liga quando venceu o West Ham por 3 a 1 na última rodada. Era inevitável a sensação de que o emprego de AVB estava em xeque, embora este Tottenham ainda não tenha, por falta de peças, as características que o técnico português mais aprecia.

A saída de Modric, o fracasso da negociação com João Moutinho e ausência de um jogador como Hulk (ou mesmo Sturridge) impossibilitam o 4-3-3 com foco em posse de bola e pressão implacável sobre o adversário, como o que fez tanto sucesso há duas temporadas no Porto. Os Spurs foram montados no 4-2-3-1, com uma proposta de jogo muito mais direta.

A peça mais importante do meio-campo é o recém-contratado Dembele, que ainda está invicto no Tottenham e deve retornar ao time titular contra o Liverpool. Atacante transformado em meia central por Martin Jol no Fulham, o belga é onipresente em campo, ataca e defende com intensidade, mas não é exatamente um substituto direto para Modric. Este seria Moutinho. Mesmo assim, AVB tem Defoe marcando gols, Bale e Lennon correndo pelos flancos e Dempsey (que interessava ao Liverpool) como número 10. Não são o time e o estilo que ele planejava, porém os recursos estão lá.

Rodgers e AVB na temporada passada

Em Anfield, Rodgers busca soluções criativas para compensar o elenco curto. Com as lesões de Borini e Lucas (este volta em breve), não há disponíveis um “primeiro volante” e uma alternativa a Suárez. Allen tem sido o meio-campista mais recuado. Na Europa League, quando geralmente preserva o atacante uruguaio, Rodgers escalou Shelvey como falso centroavante. Até Joe Cole reapareceu.

As soluções táticas não param por aí. A carência de jogadores capazes de marcar gols transformou José Enrique em ponta esquerda. Rodgers identificou o lateral espanhol como uma possível fonte de gols e o empurrou para perto de Suárez nas últimas três rodadas. No empate contra o Swansea, o Liverpool teve uma escalação inusitada, com Enrique na ponta e Downing na lateral. Uma sacada (que, neste caso, fez sentido) de fazer inveja a Adílson Batista.

Rodgers está invicto há oito jogos na liga. Empatou cinco, é verdade, mas também tornou a equipe mais sólida e recuperou-se do início desastroso no que diz respeito a resultados. Por enquanto, a coragem para promover garotos e a perspicácia tática para superar a coleção de problemas definem o trabalho de Rodgers melhor do que a incômoda 11ª posição. Não à toa, o emprego dele parece mais seguro.

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segunda-feira, 5 de novembro de 2012 Liverpool, Man Utd | 13:07

Robin e Luis

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Semana após semana, Robin van Persie e Luis Suárez se consolidam como os melhores atacantes da Premier League. No sábado, o holandês do Manchester United assumiu a artilharia isolada, com oito gols, ao marcar (e não comemorar) contra o Arsenal. Ontem, o uruguaio chegou a sete num lance de rara beleza, que deixou a crítica a seus pés e garantiu o empate do Liverpool com o Newcastle.

Agora contra André Santos, van Persie se divertiu em Old Trafford

Com participação direta em 42% dos gols do United, van Persie é fundamental para o novo clube, ainda que esteja em Old Trafford há menos de três meses. A contratação foi perfeita, pois acrescentou ao sistema um atacante quase infalível, no auge da carreira e aparentemente livre da tendência a lesões.

O gol marcado contra os ex-patrões foi um símbolo do que ele representa para o United. Embora seja excelente também fora da área, van Persie não precisa, a toda hora, buscar o jogo e criar suas próprias oportunidades. A bola se oferece com mais frequência para o artilheiro finalizar, geralmente com precisão cirúrgica. Ele é a cereja do cupcake.

No Arsenal, van Persie era bem mais do que a cereja. Sua influência sobre os gols dos Gunners na temporada passada foi de 58%. É inevitável pensar que, não fosse por ele, o Arsenal teria fracassado na busca por uma vaga na Champions League pela primeira vez na era Wenger. Houve outras peças importantes, como Alex Song (outro que deixou o Emirates), principal assistente de van Persie, mas o holandês, com seus 30 gols e 13 assistências em 38 partidas, era incomparável.

Sterling, 17, é o melhor coadjuvante de Suárez

Situação parecida vive Suárez. De acordo com a Opta, se os gols marcados e assistidos pelo uruguaio fossem excluídos, o Liverpool seria o último colocado da Premier League, com apenas dois pontos. Ele participou diretamente de nove dos 13 gols do time, ou seja, 69%. Pudera! Suárez é o único atacante com mais de 20 anos disponível no elenco. Borini, de 21, começou mal em Anfield e está lesionado.

É evidente que a excessiva concentração dos gols em Suárez tem mais contras do que prós. A tabela, que mostra o Liverpool em 12º, está aí para comprovar. Por outro lado, também parece claro que o time de Brendan Rodgers pode melhorar demais caso tenha um mercado produtivo em janeiro, o que é bem provável pelo discurso do treinador.

Suárez amadureceu e está pronto para liderar o Liverpool. O compromisso do clube é construir seu ataque em torno do uruguaio, com opções além dos ótimos teenagers Suso e Sterling. É o caminho inverso do percorrido pelo Manchester United, que inseriu um atacante fantástico numa engrenagem que já funcionava antes dele.

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sábado, 27 de outubro de 2012 Chelsea, Everton, Liverpool, Man Utd | 20:05

Azul e vermelho

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Quis a tabela da Premier League que nosso domingo eleitoral fosse repleto de grandes jogos na Inglaterra. São quatro partidas marcadas para amanhã, com direito a clássico de Liverpool e um confronto direto pelo título. O blog prevê os dois embates:

Everton x Liverpool, às 11h30 (BSB).
O confronto impõe aos clubes de Merseyside um cenário bem diferente em relação aos últimos anos. Enquanto este Everton, quarto colocado antes do início da rodada, tem potencial para ser o melhor da era David Moyes (desde 2002), o Liverpool passa por uma temporada de transição, na qual rompe com o “britanismo” de Kenny Dalglish e oferece papéis importantes a garotos. Amanhã, por exemplo, os teenagers Wisdom, Suso e Sterling, que ainda disputavam campeonatos de base no primeiro semestre, podem ser titulares.

Em circunstâncias normais, até pelas ótimas atuações recentes em casa, o Everton seria favorito. Mas a suspensão de Pienaar, que, assim como Mirallas, tem sido fundamental para abastecer os atacantes, deve equilibrar o confronto. O segredo para desestabilizar a defesa do Liverpool, bem mais segura nos últimos jogos, pode ser o apoio de Baines, uma vez que Suso (habitualmente escalado na ponta direita por Brendan Rodgers) tende a centralizar e não vai incomodá-lo tanto. O jogador-chave do Liverpool é Sterling. Qualquer que seja seu marcador (Hibbert ou Coleman), ele é favorito no one-on-one.

Chelsea x Manchester United, às 14h.
É o primeiro encontro entre verdadeiros candidatos ao título. A desvantagem de quatro pontos em relação a seu adversário deixa o United com a obrigação de não perder em Stamford Bridge. Por outro lado, é a oportunidade do Chelsea de preparar o terreno para uma sequência que pode não parecer, mas certamente é bem complicada: Swansea (fora), Liverpool (casa), WBA (f) e Manchester City (c).

Taticamente, a questão fundamental é a possibilidade de Alex Ferguson apostar outra vez na formação “diamante”, que deu tão certo contra o Newcastle, em St. James’ Park, há três semanas. Particularmente em Stamford Bridge, faz sentido o meio-campo em losango (como aparece no campinho ao lado), pois as chances contra o Chelsea passam por tirar a bola dele (o que aconteceu nos primeiros minutos diante do Newcastle) e congestionar as posições centrais, obrigando o deslocamento dos armadores às laterais do campo. No Chelsea, é interessante notar que Lampard e Terry, lesionado e suspenso, não fazem tanta falta quanto em outros tempos.

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sexta-feira, 5 de outubro de 2012 Liverpool | 15:21

Atenção!

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Na última rodada da Premier League, o Liverpool quebrou sua sequência de resultados negativos com uma convincente vitória por 5 a 2, fora de casa, sobre o Norwich. A reação foi interrompida ontem, com a derrota por 3 a 2 para a Udinese, em Anfield, pela Europa League. Como o torneio continental não é a prioridade na temporada, as observações valem mais do que o resultado em si.

Rodgers admite defesa frágil

Primeiro, é preciso registrar a assimilação da filosofia de Brendan Rodgers, que faz o time se comportar sempre da mesma maneira, independentemente da escalação. Ainda que com oito reservas (dos titulares habituais, Reina, Johnson e Allen foram escalados), o Liverpool teve 71% de posse de bola e 14 finalizações certas.

Por outro lado, a partida deixa uma pergunta intrigante: por que todo esse domínio não foi suficiente para vencer? Rodgers, com razão, atribuiu a derrota à falta de concentração no segundo tempo. Os gols da Udinese saíram, nesta ordem, de um domínio errado de Johnson, uma cabeçada de Coates contra a própria baliza e uma passividade incrível diante de Di Natale, que controlou a bola à vontade até oferecê-la a Pasquale, que marcou o terceiro dos italianos.

A defesa sofreu 20 gols em 11 jogos na temporada (descontando a primeira etapa da Liga Europa, contra o Gomel, da Bielorrússia). Em média, o Liverpool precisa marcar três gols para vencer uma partida. É evidente que os Reds têm de evoluir coletivamente, coordenando melhor a pressão sobre a saída de bola adversária e posicionando corretamente as linhas de marcação, entre as quais sempre há espaço. No entanto, são as distrações e falhas individuais que oferecem mais gols aos adversários.

Se nos lembrarmos do trabalho de Rodgers no Swansea, é possível afirmar que sua filosofia pode ser compatível com solidez defensiva. Na temporada passada, por exemplo, os Swans sofreram apenas 18 gols em casa, menos de um por partida. O segredo era não errar passes e manter o oponente sempre distante do gol. Em nove dos 19 jogos no Liberty Stadium, o goleiro Michel Vorm não foi vazado.

Na falha mais clara da temporada, Skrtel ofereceu o gol a Tevez, do Man. City

No Liverpool, a capacidade de manter a posse de bola já é satisfatória. Allen e Sahin, por exemplo, dificilmente erram passes tolos. Para melhorar ainda mais, Rodgers também transforma Suso, mais um ótimo passador, em titular. Na goleada sobre o Norwich, o meia espanhol de 18 anos atuou aberto pela direita no 4-3-3 (à la David Silva no Manchester City), explorando seu habilidoso pé esquerdo na construção das jogadas.

O aspecto que precisa evoluir mesmo são os fundamentos defensivos, ironicamente a única virtude da equipe na temporada passada. Tecnicamente, os zagueiros Agger e Skrtel, ambos de contrato renovado, formam ótima dupla, mas o resto tem de melhorar: laterais, proteção à defesa (Lucas faz bastante falta nesse sentido) e, especialmente, concentração. Enquanto sofrer os chamados “gols fáceis”, o Liverpool terá seu progresso limitado.

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