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segunda-feira, 3 de setembro de 2012 Liverpool | 17:19

Gol é um detalhe

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A derrota por 2 a 0 para o Arsenal, em Anfield, confirmou a ausência de um finalizador no Liverpool, problema antigo que se agravou nesta temporada. As opções ofensivas são muito escassas, pois Kuyt, Bellamy, Maxi e Carroll deixaram Melwood. As contrapartidas foram as contratações de Borini e Assaidi, além de uma redução total de £23 milhões anuais na folha salarial. A diretoria planejou e pode atingir a saúde financeira, mas não se esforçou para resolver uma doença crônica do elenco. Pelo contrário.

Dempsey, sonho de uma noite de verão

Quando questionado sobre a possibilidade de Andy Carroll ser emprestado, há uma semana, o treinador Brendan Rodgers afirmou que permitiria isso apenas se um substituto fosse contratado. “Preciso de, no mínimo, três atacantes. Hoje, tenho Suárez, Carroll e Borini. Seria insano se deixasse Andy sair, a menos que haja outras soluções”, respondeu ao Guardian.

Em 30 de agosto, véspera do fechamento do mercado, Carroll foi emprestado ao West Ham. A conclusão óbvia era de que o Liverpool contrataria no deadline day, o último dia para transferências. Em afirmação publicada no site oficial do clube, Rodgers havia declarado aberta a caça a um “goleador reconhecido”. Clint Dempsey, autor de 23 gols pelo Fulham em 2011-12, era o alvo, todo mundo sabia. No entanto, não houve acordo com o Fulham, e o Liverpool não contratou ninguém.

A informação mais recorrente é de que a oferta máxima do Liverpool foi de £3 milhões, metade do oferecido pelo Tottenham, que capturou o norte-americano. A mesquinharia do clube, somada à inabilidade do diretor esportivo Ian Ayre de conduzir as negociações, determinou o caos no ataque. Ontem, Downing era a única opção ofensiva na reserva. O bastante promissor Raheem Sterling, de 17 anos, já é titular absoluto. O marroquino Oussama Assaidi deve aparecer no banco em breve. Mas todos esses são jogadores para as laterais do campo, no 4-3-3 de Rodgers. No centro, comandando o ataque, Suárez tem sido sacrificado e foi muito mal contra o Arsenal.

Repercutiu tanto o deadline day improdutivo do Liverpool, que o proprietário John W. Henry escreveu uma carta aos torcedores, publicada hoje pela manhã, na qual esclarece a política de contratações. Subentende-se que os gastos abusivos realizados até o ano passado funcionam como lições importantes, para não repeti-los. Henry ainda reiterou a ambição de resgatar os dias de glória do Liverpool, ressaltando que, com responsabilidade administrativa, isso vai levar muito tempo.

Yesil pode jogar antes do que imaginava

A carta é teoricamente perfeita, mas a negligência com um ajuste tão necessário assusta. Buscar um atacante faria uma diferença enorme para a equipe, não exigiria um grande sacrifício financeiro e facilitaria demais o trabalho de Rodgers, que teria mais peças e a chance de tirar Suárez da área, onde ele é subaproveitado.

Mesmo depois do fechamento da janela, a tendência é que, para amenizar o problema, o Liverpool seja forçado a um paliativo. Ele pode ser, por exemplo, a promoção do recém-contratado e promissor Samed Yesil para o time principal. Não é o ideal, pois o alemão de 18 anos queimaria uma etapa importante de sua adaptação à Inglaterra, mas Yesil, de seis gols e cinco assistências na Copa do Mundo sub-17 de 2011, é claramente melhor do que Adam Morgan, outro atacante da base. Rodgers também considera apelar para um jogador livre, um veterano que não tenha encontrado clube em agosto. Klasnic, Crespo, Owen e Del Piero são especulados. Acredite se quiser.

Outros problemas
*A ausência de Lucas, fora por pelo menos dois meses, pesou contra o Arsenal. Cazorla fez a festa entre as linhas de defesa e meio-campo. Joe Allen é ótimo, mas sofre com o posicionamento defensivo quando é escalado como “âncora” no meio-campo. Hoje, não há uma alternativa equivalente a Lucas.

*Pepe Reina tem falhado constantemente. Não há um goleiro reserva que o coloque sob pressão.

*Gerrard e Suárez foram muito mal ontem. Pode ser reflexo de quinta-feira, quando ambos jogaram 90 minutos contra o Hearts, na Liga Europa. Outro sinal de elenco curto.

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quarta-feira, 15 de agosto de 2012 Everton, Liverpool, Newcastle, Tottenham | 10:40

Guia da temporada (parte 4)

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A penúltima parte do guia é dedicada a Everton, Newcastle, Liverpool e Tottenham:

Everton. As campanhas do Everton seguem um padrão há pelo menos três anos. O time começa mal e flerta com o rebaixamento até David Moyes conduzi-lo à metade superior da tabela com um segundo turno irretocável. Há quem elogie a reação, há quem critique o início ruim. A boa notícia para os Toffees é que Pienaar e Jelavic, contratados em janeiro deste ano e fundamentais para a recuperação em 2011-12, estão disponíveis já a partir de agosto. Jelavic, aliás, é a grande novidade em relação a outras temporadas, nas quais o centroavante sempre destoava do restante da equipe. Embora preocupem os torcedores, as vendas de Cahill e Rodwell financiam eventuais reforços e não devem afetar tanto o desempenho do conjunto. Previsão para a temporada: 8º.

Newcastle. Os observadores e diretores ainda estão trabalhando para repetir o êxito do último mercado de verão, mas o que mais importa para o Newcastle é a manutenção de tudo que deu certo na temporada passada. Se Krul, Coloccini, Cabaye, Tioté, Ben Arfa, Ba e Cissé reeditarem as atuações de 2011-12, não há o que temer. De qualquer forma, Alan Pardew sabe que a equipe precisa de novas opções pelos flancos (que podem ser Anita e Debuchy, com quem os Magpies negociam) e na defesa para ter chance de ser top five novamente. Mesmo que o time termine abaixo da quinta posição, este tem tudo para ser o ano da consolidação dos Magpies. Previsão para a temporada: 7º.

Rodgers e AVB, representantes do grupo sub-40 de treinadores

Liverpool. A desastrosa campanha na última edição da Premier League formou o novo caráter do Liverpool. O técnico Brendan Rodgers foi contratado como um projeto de longo prazo, para reproduzir em Anfield o estilo agradável e eficiente de futebol que fez tanto sucesso no Swansea. Desta vez, calejada pelas decepções da temporada passada, a diretoria liberou um orçamento menor para transferências e descartou a obrigatoriedade de um retorno imediato à Champions League. A confiança no treinador é total (não à toa, foram contratados Borini e Allen, seus jogadores favoritos), e o Liverpool vai evoluir naturalmente, mas nada é mais importante do que transmitir aos torcedores a sensação de que o clube está, enfim, no rumo certo. Previsão para a temporada: 6º.

Tottenham. Assim como no verão passado, quando contratou Adebayor e Parker e resolveu seus problemas no último dia do mercado, o Tottenham vai esperar até 31 de agosto para descobrir com quem vai disputar o campeonato. Adebayor sempre está muito perto do retorno definitivo, mas não retorna. Modric sempre está próximo de sair, mas não sai. Até que essas negociações se confirmem, André Villas-Boas não pode fechar o time. Pelo menos os reforços já contratados, Vertonghen e Sigurdsson, são ótimos. Ainda que tenha muito mais repertório do que Harry Redknapp, Villas-Boas deve sofrer para superá-lo em seu retorno à Inglaterra. Não é a mesma pressão que ele encontrou no Chelsea, mas apenas a classificação à Champions League será suficiente para agradar a seus empregadores. Previsão para a temporada: 5º.

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sexta-feira, 27 de julho de 2012 Liverpool | 16:37

Caminho sem volta

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O Liverpool fez apenas dois amistosos na pré-temporada, com nove desfalques e sem estrear nenhuma contratação, porém já esboça uma nova identidade. O empate por 1 a 1 com o Toronto e a derrota por 2 a 1 para a Roma dizem mais sobre o comportamento do que sobre o real nível do time. Mesmo recheada de garotos e com 11 substituições nas duas partidas, a equipe evitou lançamentos longos e tentou chegar à área adversária trocando passes. Embora a mecânica das infiltrações precise melhorar, o técnico Brendan Rodgers elogiou a assimilação da filosofia pelo grupo.

Rodgers ganhou elogios do capitão Steven Gerrard

Jogar dessa maneira não é necessariamente algo positivo. Como qualquer outra ideia de futebol, o tiki-taka está fadado ao fracasso se não houver jogadores que se adaptem a ele e façam-no funcionar com eficiência no ataque e segurança na defesa. Para colocá-lo em prática, Rodgers tem o apoio irrestrito da diretoria, que até tirou a pressão pelo top four e colocou o projeto à frente dos resultados imediatos.

Por outro lado, o elenco do Liverpool tem diversos problemas, pois foi montado a peso de ouro para abusar de lançamentos longos e transição rápida (nada explica isso melhor do que as contratações de Andy Carroll e Charlie Adam). Após a maioria dos reforços fracassar e a gestão Kenny Dalglish terminar dois anos antes do previsto, o clube tenta caminhar na direção oposta. Rodgers não está lá por acaso. A diretoria foi aconselhada por vários “consultores”, que apontaram o nome do ex-técnico do Swansea.

Como não pode revolucionar o elenco de uma hora para outra, o treinador norte-irlandês se apega a quem ele conhece. A única contratação do Liverpool até agora foi Fabio Borini, que trabalhou com Rodgers na base do Chelsea e no Swansea. O jornalista inglês Michael Cox fez uma comparação interessante sobre a relação entre o técnico e o atacante italiano, que representa para Rodgers o mesmo que Pedro Rodríguez significou para Pep Guardiola no Barcelona. Em suas entrevistas, Borini costuma ressaltar a amizade deles: “sempre trocávamos mensagens de texto na temporada passada”.

Borini tem um quê de Pippo Inzaghi na hora de comemorar gols

Além de Borini, o Liverpool se interessou ainda por outros dois ex-pupilos de Rodgers no Swansea: Gylfi Sigurdsson, que preferiu o Tottenham, e Joe Allen, por quem o clube segue negociando. Em tese, Allen seria a contratação para servir de base para o novo time. Aos 22 anos, ele tem aproveitamento de passe similar aos de Xavi e Iniesta (muito em função do estilo adotado pelo Swansea), cobre boa parte do campo e tem melhorado como ladrão de bolas. Em síntese, é um projeto, ainda não finalizado, de Luka Modric.

Retomando os amistosos, foi interessante ver a participação de alguns garotos. O mais famoso é Raheem Sterling, tratado há bastante tempo como a grande promessa da base do Liverpool. Ele foi bem e chegou a participar de um gol (marcado por outro garoto, Adam Morgan), mas quem mais impressiona é Jesús Saez, o Suso. Titular da Espanha campeã europeia sub-19, Suso mostra maturidade e classe aos 18 anos. É um meia criativo, para ser observado com muita atenção.

Outro ponto é a consistência tática. Mesmo com ausências que não permitiram projetar a equipe para a temporada, Rodgers aplicou o 4-3-3 em cada um dos 180 minutos contra Toronto e Roma. O novo treinador dá sinais de que, para o bem ou para o mal, vai com suas convicções até o fim. Amanhã, o amistoso com o Tottenham (que em breve será assunto por aqui) em Baltimore, nos Estados Unidos, deve ser um teste proveitoso, com um time menos desfalcado e um rival direto, também em transição.

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quinta-feira, 12 de julho de 2012 Fulham, Liverpool | 23:58

No máximo, plano B

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Após £35 milhões e 18 meses, Andy Carroll é um projeto sem futuro no Liverpool. Em parte, por conta de atuações constrangedoras, brilhos apenas esporádicos e tímidos 11 gols em 56 jogos. A outra razão é o estilo do qual o técnico Brendan Rodgers não abre mão. Bolas longas e chuveirinhos desnecessários já estão proibidos em Anfield. Assim, o planejamento da equipe não passa pela presença de um centroavante mais aéreo do que terrestre, caso de Carroll.

O desafio do Liverpool é decidir o que fazer com ele. Se o Guardian estiver certo, o Fulham pode ajudar. Embora tenham contratado o colombiano Hugo Rodallega, os Cottagers ainda precisam criar opções ofensivas depois das saídas de Andy Johnson e Pavel Pogrebnyak. De acordo com a publicação, Martin Jol está disposto a oferecer £9 milhões mais Clint Dempsey por Carroll, explorando o conhecido interesse do Liverpool no norte-americano.

Carroll vestiu o novo uniforme, mas pode não jogar com ele

Oferta sobre a mesa, Rodgers tende a aceitar. O novo treinador, que não tem responsabilidade sobre o investimento de £35 milhões realizado há um ano e meio, deve interpretar a possível proposta do Fulham como um presente, dos mais convenientes. Ao mesmo tempo, ele teria um ótimo reforço, resolveria o problema em que Carroll se transformou e ainda financiaria outra contratação com o lucro da transferência.

Além do Fulham, estariam interessados Aston Villa, West Ham e o Milan do imortal Silvio Berlusconi. O surto de especulações foi motivado por uma entrevista em que Rodgers aprova um eventual empréstimo do centroavante. A verdade é que ele suavizou a afirmação de que Carroll não faz parte de seus planos.

Tanto não faz, que a remodelagem do Liverpool começou pelo ataque. O clube chegou a um acordo com a Roma pela contratação de Fabio Borini, que trabalhou com Rodgers na base do Chelsea e quando emprestado ao Swansea. Borini, que evoluiu demais desde que aparecia esporadicamente no banco dos Blues de Carlo Ancelotti, é o centroavante moldado para o novo Liverpool. O italiano tem agilidade e contribui para a troca de passes, sem ignorar o fundamento da finalização. Praticamente um anti-Carroll.

Mesmo que os boatos não se confirmem, Carroll não deve ser mais do que um plano B, um reserva de £35 milhões. Não é apenas uma punição ao fraco desempenho, até porque ele terminou bem a temporada passada. É uma questão de estilo. Carroll não serve a quem pretende trocar passes até a morte, controlar partidas e usar infiltrações para abrir espaços na defesa adversária. Como afirmou Loco Abreu antes de deixar o Botafogo, um jogador não pode “brigar contra uma tática”.

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sexta-feira, 1 de junho de 2012 Liverpool, Swansea | 08:49

Vale o risco

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Brendan Rodgers é o treinador do Liverpool. A negociação com Roberto Martínez não foi adiante, mas o perfil procurado pelo Fenway Sports Group (FSG), que controla o clube, ficou intacto: um técnico jovem, de mentalidade ofensiva e, na visão deles, capaz de realizar um trabalho em longo prazo para reestruturar o futebol e a filosofia em Anfield. Naturalmente, grande parcela de torcedores e analistas considera o norte-irlandês inexperiente demais para suportar a pressão inerente ao cargo.

Inexperiente, ele é mesmo. São apenas três trabalhos – dois deles curtos e inexpressivos – e 151 jogos como treinador. No entanto, a visão sobre Rodgers é distorcida quando alguém diz que os méritos dele foram, pura e simplesmente, levar o Swansea à primeira divisão e mantê-lo por lá. O também competente Paul Lambert atingiu os mesmos objetivos com o Norwich e não foi sequer cogitado. Tony Pulis converteu o Stoke num sólido time de elite, e ninguém quis levar o princípio das bolas longas a Anfield. Nesse caso, o mais importante não foi o que Rodgers fez, mas como fez.

Antes do Swansea 2011-12, ninguém acreditava que, sem um investidor poderoso, um clube recém-promovido poderia dominar partidas contra qualquer adversário. O caso dos galeses não tem precedente na Premier League. A média de 56% de posse de bola e o aproveitamento de 85% nos passes, o mesmo de Chelsea e Manchester City, dizem muito a respeito do impacto de Rodgers, que transformou até o goleiro (Michel Vorm) em peça fundamental quando a equipe tem a bola. A 11ª colocação foi ótima, mas secundária diante da postura controladora adotada durante toda a temporada. Vale registrar que o Swansea saiu aplaudido de… Anfield.

Influenciado por Johan Cruyff e José Mourinho, com quem trabalhou no Chelsea e de quem sempre recebeu elogios, Rodgers trata seus princípios como uma religião. Em entrevista ao site do Liverpool, ele os descreve como “ser criativo e ofensivo, mas também taticamente disciplinado” – o Swansea teve 14 clean sheets na temporada. Ao Guardian, metodicamente, afirma que “controlar a partida lhe dá 79% de chance de vencê-la”. O reajuste do elenco a esse método e o tempo suficiente para implementá-lo (que, custe o que custar, Rodgers precisa ter) devem criar um Liverpool mais eficiente e agradável aos olhos. Em relação à oitava posição de 2011-12, há muito a melhorar e pouco a perder.

Brendan Rodgers, ex-treinador do "Swanselona"

O Liverpool não poderia atrair um José Mourinho e nada ganharia com um Fabio Capello (que foi especulado) ou qualquer outro treinador que não assumisse compromisso com o futuro. O momento exige reconstrução, paciência e certeza do que precisa ser feito. Em Rodgers, o clube aposta num estilo e num potencial que encantaram a Premier League.

Os proprietários americanos não estão interessados em mais do mesmo. Nesse caso, pouco importa quem o britânico treinou. Mais relevantes são a visão sobre o jogo e a capacidade comprovada de fazê-la funcionar, mesmo com recursos escassos, na elite do futebol inglês. Se ele suportará a pressão, ninguém pode saber. Mas vale o risco.

*A coluna não esqueceu os outros clubes. Em breve, a movimentação do Chelsea no mercado será destaque.

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domingo, 27 de maio de 2012 Liverpool, Wigan | 11:19

Para entender o interesse em Martínez

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Martínez e Henry passeiam por Miami. Houve questionamentos à autenticidade da foto

O proprietário do Wigan, Dave Whelan, tem sido a fonte mais importante da imprensa esportiva inglesa. Atual empregador de Roberto Martínez, hoje favorito para assumir o comando técnico do Liverpool, Whelan afirma que o pentacampeão europeu já fez uma proposta formal ao espanhol. A informação mais precisa é de que o mandachuva do Fenway Sports Group (FSG, grupo que controla o Liverpool), John Henry, e Martínez de fato se encontraram em Miami na quinta-feira para a primeira rodada de negociações.

A receptividade a Martínez é ruim. Em redes sociais, torcedores se dizem contrários à escolha do ainda técnico do Wigan para substituir Kenny Dalglish. Eles alegam que contratá-lo é “pensar pequeno”. Em três anos de Premier League, a única ambição com a qual Martínez teve de lidar foi escapar do rebaixamento. No Liverpool, ainda que o clube precise remar bastante para competir entre os melhores, a exigência mínima será o quarto lugar, com vaga na Champions League.

Se acertar com o Liverpool, Martínez até pode se intimidar diante do enorme salto na carreira e fracassar. É claro que pode. Entretanto, a postura dos torcedores que o rejeitam não é compatível com o momento do clube e parece ignorar as qualidades do treinador do Wigan. Não é mistério que o FSG quer um técnico jovem, talentoso e com mentalidade ofensiva para fazer um trabalho de longo prazo. Aí entra Martínez (38), que, em cinco anos de carreira, cumpriu todos os seus objetivos e o fez com estilo.

O atual Swansea, que surpreendeu a Premier League em 2011-12 com um fantástico trabalho de Brendan Rodgers, teve influência de Martínez, responsável por reconduzir os galeses à segunda divisão após 24 anos e pela imposição de uma cultura de futebol bem jogado enquanto esteve lá, de 2007 a 2009. No Wigan, são três temporadas cumprindo a tarefa de manter na elite um time que sempre inicia o campeonato entre os prováveis rebaixados.

Há um ano, o espanhol recusou proposta do Aston Villa porque queria cumprir um ciclo de três anos no DW Stadium. O que parecia um erro se revelou um grande acerto, pois 2011-12 foi a temporada mais brilhante de Martínez. Com uma equipe titular que, mesmo sem jogadores formados no clube, custou apenas £21 milhões, ele venceu sete das últimas nove partidas da Premier League. Liverpool, United, Arsenal e Newcastle perderam para um Wigan que controlava jogos e criava várias chances.

Com esta formação, o Wigan conquistou 27 pontos em 42 possíveis. Antes dela, foram 16 em 72 possíveis.

A questão é: como Martínez transformou o time mais frágil da liga na sensação da reta final da temporada? Para atacar com muita gente sem desproteger a defesa, o Wigan adotou um 3-4-3 capaz de confundir e dominar adversários. Martínez tanto pretendia implantar o esquema, que buscou o chileno Jean Beausejour em janeiro para ganhar uma peça capaz de defender e atacar com intensidade pelo lado esquerdo.

No 3-4-3 original, Maynor Figueroa é zagueiro, Emmerson Boyce e Beausejour são alas, e Shaun Maloney ocupa o lado esquerdo. Com uma simples movimentação (veja ao lado), sem que ninguém fique desconfortável na nova posição, Figueroa e Boyce viram laterais, Beausejour avança com liberdade, e Maloney centraliza para criar jogadas numa espécie de 4-2-3-1. Na teoria, ótimo. Na prática, ainda melhor.

Martínez foi jogador de Swansea e Wigan e ainda não trabalhou como treinador num ambiente que fosse estranho para ele. No Liverpool, a pressão da torcida e a obrigação imediata de sucesso seriam um desafio e tanto. Contudo, a grande habilidade tática e a boa relação com seus grupos mostram que Roberto Martinez merece uma chance de subir. Pode não ser em Anfield, onde ele teria de trabalhar sob um diretor esportivo (Louis van Gaal é candidato a assumir a função), mas será em algum lugar. Respostas devem aparecer na próxima terça-feira.

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quarta-feira, 16 de maio de 2012 Aston Villa, Inglaterra, Liverpool | 12:49

Fator Downing

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Parece piada, mas Downing já ofuscou Ashley Young

A opinião pública diz que a lista da seleção inglesa para a Euro 2012 tem algumas controvérsias e um absurdo. As inclusões de John Terry e Andy Carroll chamam atenção, mas não tanto quanto a presença de Stewart Downing. Na Inglaterra e no Brasil, Roy Hodgson foi muito criticado pela convocação do winger do Liverpool, que, em 36 jogos na Premier League desta temporada, não marcou ou assistiu sequer um gol. Na FA Cup, dois gols e duas assistências em seis partidas.

A temporada de Downing foi uma decepção sem tamanho, pois ele chegou ao Liverpool com status de solução para uma carência evidente do elenco, a de jogadores insinuantes que pudessem atuar pelas laterais. Os £20 milhões investidos foram inegavelmente um exagero, mas o desempenho dele no Aston Villa até justificava a aposta. Em 2010-11, Downing foi eleito o melhor do time pelos torcedores, marcou sete gols e distribuiu oito assistências.

Na última edição da Premier League, já no Liverpool, acertou a trave cinco vezes e fez vários bons cruzamentos não aproveitados pelos atacantes. No entanto, azar não é argumento para quem, bem além dos números lamentáveis, simplesmente jogou mal. Portanto, convocá-lo agora é ignorar a temporada. Downing não é um jogador incapaz e até fez boas partidas pela seleção, mas se tornou viúvo do Aston Villa.

E o Aston Villa é viúvo de Downing
A temporada trágica do Villa, que quase o levou à segunda divisão, termina com uma boa notícia: a demissão de Alex McLeish. O time do escocês jogou um futebol que, de tão feio, deveria ter sido censurado pelo Ministério Público. É hora de o proprietário Randy Lerner contratar um técnico que faça a equipe trocar passes (Roberto Martínez?). A McLeish, deve sobrar um clube do tamanho dele.

Outro ponto é a contratação de jogadores mais comprometidos. Stephen Ireland, que chegou como contrapeso na transferência de Milner para o Manchester City, é um desinteressado de marca maior. Darren Bent foi ao Shopping Center durante um jogo do Villa. Charles N’Zogbia, grande esperança para a temporada, estava “mais interessado em carros do que em futebol” de acordo com McLeish.

Downing contribuiu para a demissão de Kenny Dalglish
O fraco desempenho do winger foi um dos fatores que determinaram uma temporada decepcionante para o Liverpool, apenas o oitavo colocado da Premier League com 52 pontos. A boa campanha nas copas não amenizou a insatisfação dos proprietários com o trabalho de Kenny Dalglish, demitido agora há pouco. A decisão deles é aceitável.

Para o blog, a lista ideal da seleção inglesa seria esta aqui.

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sexta-feira, 4 de maio de 2012 Chelsea, Liverpool | 10:09

A satisfação e o progresso

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Liverpool e Chelsea se encontram amanhã, às 13h15 de Brasília, para a final da FA Cup em Wembley. As escalações são incertas, mas existem pistas de como Dalglish e Di Matteo preparam seus times.

A semana do Liverpool é, de certa maneira, um resumo da temporada. Na terça-feira, derrota em casa para o Fulham na Premier League. Amanhã, decisão da FA Cup contra o Chelsea. A péssima campanha na liga, que põe o clube num embaraçoso oitavo lugar, contrasta com o êxito nas copas. Se o título da Carling Cup amenizou a sensação de fracasso em 2011-12, a perspectiva de levar a FA Cup empolga ainda mais.

Parece existir em Anfield uma necessidade doentia de provar que o clube evoluiu na temporada. Só nesta semana, o diretor Ian Ayre, o capitão Steven Gerrard e o técnico Kenny Dalglish concederam entrevistas para valorizar sucessos e minimizar fracassos. Dalglish disse que prefere a satisfação pelo possível double (títulos nas duas copas) a uma quinta posição no campeonato.

Ele está certo quando fala em “satisfação”, ainda mais se pensarmos que o Liverpool não levantava uma taça havia seis anos. Um clube desse tamanho não pode mesmo contentar-se com vaga nisso ou vaga naquilo. Títulos e finais devem fazer parte da rotina porque oferecem aos torcedores os momentos mais marcantes em sua relação com a instituição. Troféus são o que há.

Não à toa, as melhores lembranças do século XXI para os torcedores do Liverpool são o treble de 2001 (Copas da Inglaterra, da Liga e da UEFA), as duas finais de Champions com um título memorável em 2005 e a FA Cup de 2006, conquista com a assinatura de Gerrard. A emoção dessas ocasiões foi inegavelmente superior à do segundo lugar na Premier League em 2008-09, ainda que aquele time tenha sido o melhor do Liverpool nos últimos 20 anos.

No entanto, é necessário separar a ótica do torcedor da do profissional, que também tem compromissos financeiros com o clube e precisa assegurar, por exemplo, que a Champions League não se transforme numa realidade inatingível. Além de “satisfação”, outra palavra tem sido empregada com frequência lá em Anfield, inclusive por Dalglish: “progresso”. Ora, a medida do progresso tem de ser a campanha na Premier League, competição que lhe impõe um calendário longo e sem distorções.

O fraco aproveitamento de 45% e a oitava posição estão longe dos 51% e do sexto lugar da temporada passada, que, vale registrar, começou de forma trágica. Esses números significam que a política de contratações, embora fizesse sentido no começo, não deu certo e que algo precisa ser feito para a curva de desempenho voltar a subir no ano que vem. O Liverpool reaprendeu a jogar partidas decisivas e pode oferecer aos torcedores o segundo troféu da temporada, mas não evoluiu. Not at all.

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sexta-feira, 13 de abril de 2012 Copas Nacionais, Everton, Liverpool | 16:58

Cinco motivos para acordar cedo amanhã

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Liverpool e Everton decidem amanhã, às 8h30 de Brasília, uma vaga na final da FA Cup. O horário é ingrato, mas vale a pena assistir. Veja por que você não deve perder o Merseyside derby mais importante do século XXI:

Não tem todo dia. Liverpool e Everton se encontraram pela última vez em Wembley há 23 anos, numa decisão memorável de FA Cup, cinco semanas após a tragédia de Hillsborough, que matou 96 torcedores dos Reds. O Liverpool vencia por 1 a 0 até os 89 minutos, quando Stuart McCall empatou. Na prorrogação, apesar de McCall ter marcado novamente, Ian Rush, que havia começado no banco, fez dois gols e determinou a vitória vermelha por 3 a 2. O maior artilheiro da história dos Reds já havia sido essencial na outra decisão de copa contra o Everton, em 1986, quando também marcou duas vezes. Kenny Dalglish comandou o Liverpool em ambas as finais e jogou na de 86.

Ambiente do Liverpool. O Liverpool é uma gangorra de emoções. Nesta semana, perdeu mais um goleiro (Brad Jones e o resgatado Peter Gulacsi serão os convocados), venceu o Blackburn com gol de Andy Carroll numa partida insana e viu seu diretor de futebol, Damien Comolli, ex-Arsenal e Tottenham, ser demitido. A saída de Comolli representa não apenas a insatisfação da cúpula com o trabalho de observação dele, mas também o fracasso, ainda que parcial, de contratações indicadas pelo francês e aprovadas por Dalglish. Enfim, a decisão pode resvalar em gente como Carroll, Downing e no próprio Dalglish, que precisa administrar a situação.

Jelavic pode encerrar uma dinastia de fracassos ofensivos no Everton

O Everton tem um atacante decente. Contratado em janeiro, Nikica Jelavic foi fundamental na classificação do Everton às semifinais da FA Cup e tem agradado também na Premier League. Com uma marca registrada de finalização, sempre perto da marca do pênalti completando cruzamento da esquerda, o croata tem cinco gols em dez jogos e enfim acrescenta a um meio-campo sólido que carecia há muito tempo de um finalizador competente. O técnico de Jelavic na seleção, o bom Slaven Bilic, prevê sucesso para ele em Goodison Park.

Relação de forças. O Everton, sétimo colocado com 47 pontos, está uma posição e um ponto acima do Liverpool no campeonato. A única temporada em que os Toffees superaram o rival na Premier League foi 2004-05, mas a façanha seria ofuscada pelo épico título europeu dos Reds de Rafa Benítez. Desta vez, apesar das derrotas dentro e fora de casa em 2011-12, o Everton está em melhor fase e pode, sim, terminar a liga à frente, eliminar o Liverpool da copa e tentar seu primeiro título em 17 anos.

Imponderável. O Liverpool perdeu seis dos últimos nove jogos na Premier League e segue sofrendo demais para marcar gols até quando cria chances em escala industrial. No entanto, o primeiro trimestre de 2012 também teve bons momentos. Além do título da Carling Cup, os Reds venceram justamente o Everton por 3 a 0. Tudo bem que era um Everton combalido, que preservava parte do time para cuidar da FA Cup, mas o hat-trick de Steven Gerrard, em temporada discreta, foi tão memorável quanto inesperado. Clássicos distorcem, para o bem e para o mal. Clichê cretino, porém verdadeiro.

*O jogo terá transmissão da ESPN Brasil e do Esporte Interativo

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segunda-feira, 26 de março de 2012 Liverpool | 19:07

Dalglish não precisa ser demitido agora

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Numa segunda-feira de maio do ano passado, o Liverpool foi a Londres para atropelar o Fulham por 5 a 2 com três gols de Maxi Rodríguez e uma atuação sensacional de Luis Suárez. Era uma versão remendada do Liverpool, que havia frequentado a zona de rebaixamento no começo da temporada e perdido Fernando Torres no meio dela. Àquela altura, era difícil contar com um baleado Andy Carroll e impossível ter Steven Gerrard e sua virilha rebelde em campo.

Dalglish deu nova vida a Maxi Rodríguez na temporada passada

Aquele elenco, incrivelmente pobre para os padrões do clube, teve sequência de campeão num determinado período. De 22 de janeiro a 9 de maio, data da goleada sobre o Fulham, o Liverpool marcou 32 pontos em apenas 14 jogos, 76% de aproveitamento. Isso tudo com Kenny Dalglish, que chegou ao clube justamente em janeiro, improvisações (Glen Johnson na lateral esquerda e Raul Meireles aberto no meio-campo) e dois volantes defensivos (Lucas e Jay Spearing) no onze inicial. O time de Dalglish, que terminou a temporada na sexta posição, era infinitamente melhor na prática que o de Roy Hodgson, que o entregou no 12º lugar.

O 2012 do Liverpool tem sido a antítese daquele tempo: muito dinheiro gasto, elenco com mais opções (embora ainda falho em algumas posições) e resultados pífios. Mesmo com uma excelente jornada nas duas copas, o desempenho na liga, com uma sétima posição que ainda pode piorar, torna a temporada decepcionante a ponto de se discutir a estabilidade do emprego de Dalglish. No último sábado, derrota humilhante em casa para o Wigan, a quinta nos últimos seis jogos da Premier League.

Tem bastante coisa errada em Anfield, não há dúvida. A principal delas é que uma boa parcela dos reforços joga muito menos do que deve. Além disso, a desculpa de Dalglish de que o cansaço atrapalha a equipe não é válida, ainda mais se a gente lembra que a venda de Raul Meireles no último dia do mercado de verão e, portanto, a redução do elenco foram escolhas do clube, que não disputa competição internacional em 2011-12.

Ainda assim, a lembrança do que aconteceu na temporada passada serve para situar o trabalho de Dalglish. Se você reconhece que ele fez demais com um material limitadíssimo em 2010-11 e admite que, apesar de tantos pesares, este é um ano de remontagem e transição, então não é absurdo dar-lhe um voto de confiança até o fim desta temporada e, por tabela, deixá-lo planejar a próxima. Não se trata de preservar o maior ídolo da história do clube, mas de esperar um pouco para não tomar uma decisão desastrada.

Seleção da rodada
Mark Schwarzer (Fulham); Tony Hibbert (Everton), Jonny Evans (Man Utd), David Wheater (Bolton), Leighton Baines (Everton); Theo Walcott (Arsenal), Scott Parker (Tottenham), Yaya Touré (Man City), James McClean (Sunderland); Papiss Cissé (Newcastle), Peter Crouch (Stoke).

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