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quarta-feira, 14 de março de 2012 Debates, Liverpool | 14:55

O príncipe

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Steven Gerrard ignora a lógica. Sua temporada já teve duas lesões sérias e outros tantos problemas físicos menores, ele havia retornado ao time com uma atuação pálida contra o Sunderland no fim de semana e, definitivamente, não parecia estar em boa forma. Sem qualquer sinal que sugerisse uma recuperação, Gerrard subiu ontem ao gramado de Anfield como se fosse meramente um dos 22 titulares do Merseyside Derby. Duas horas depois, voltava para casa na companhia da bola com a qual, de maneira brilhante, marcou todos os gols da vitória do Liverpool por 3 a 0 sobre o Everton.

Gerrard é capitão, bandeira do clube, craque e indispensável a este elenco, ou seja, reúne todas as características para ser venerado pelos torcedores. A título de exemplo, Jamie Carragher, contemporâneo de Gerrard e também ídolo em Liverpool, é apenas bandeira, ainda que seja exemplo de dedicação e serviços prestados nos últimos 15 anos. O colunista não pretende diminuir a dimensão de Carra na história do clube, mas posicionar Gerrard no lugar que ele merece.

Gerrard leva a criança para casa

Mas que lugar seria este? Bem, há seis anos, o site do Liverpool organizou uma pesquisa em que os torcedores apontaram os 100 melhores jogadores da história do clube. Gerrard ficou na segunda posição, atrás apenas do atual treinador, Kenny Dalglish, ídolo máximo em Anfield nas vitoriosas décadas de 1970 e 1980. À época, o capitão tinha apenas 26 anos e acabara de, com atuações sensacionais, conduzir o Liverpool às conquistas da Champions League de 2005 e da FA Cup de 2006.

É natural que a eleição tenha sido influenciada pelo momento brilhante de Gerrard e até pela perspectiva do que ele ainda poderia fazer pelo clube. A partir dali, os títulos rarearam, é bem verdade, mas o nível do capitão não caiu. Aliás, o ápice da carreira dele aconteceu em 2008-09, quando a Premier League quase voltou para Anfield. Na semana em que o Liverpool venceu Real Madrid por 4 a 0 na Champions e Manchester United por 4 a 1, Zinedine Zidane tratou de qualificá-lo como “o melhor do mundo”.

Ian Rush, John Barnes, Kevin Keegan e Graeme Souness atuaram numa época muito mais gloriosa para o clube, mas o protagonista dessas gerações, Kenny Dalglish, já é devidamente reconhecido como “o rei”. Quando falamos de Gerrard, a capacidade de executar todos os fundamentos em campo, certamente superior à de seus rivais históricos, a força mental que já tirou vários milagres da cartola e a fidelidade ao clube dão crédito à eleição de seis anos atrás: mesmo neste Liverpool problemático, Gerrard se consolida como o segundo melhor de todos os tempos em Anfield. E, como ele fez questão de esclarecer ontem, sua carreira ainda não acabou.

Mais sobre Steven Gerrard.

Mais sobre Kenny Dalglish.

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sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012 Arsenal, Cardiff, Liverpool, Tottenham | 18:53

Arsenal, Liverpool e a Copa da Liga

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Além de inspirar sopas de letrinhas mundo afora, o polonês Wojciech Szczesny adora provocar o Tottenham e seus torcedores. As últimas 16 edições da Premier League, aliás, são um ótimo argumento para o goleiro titular do Arsenal, considerando que os Gunners terminaram acima dos Spurs em todas elas. Mas, como diria o filósofo, nada é para sempre. Em 2011-12, o Tottenham é muito mais confiável e, a 13 rodadas do fim do campeonato, já tem dez pontos de vantagem sobre seu rival do norte de Londres. Esta deve ser a primeira vez que Arsène Wenger come poeira na disputa particular.

Se o Arsenal ainda tem uma chance mínima de superar o Tottenham, ela está necessariamente atrelada ao dérbi de domingo, no Emirates. Hoje, os visitantes são melhores em todos os setores do campo e do aspecto emocional. Pode não parecer, mas esse novo status dos Gunners passa pelo que aconteceu em 27 de fevereiro de 2011, há quase um ano. Foi quando Wembley recebeu um Arsenal cheio de confiança e um Birmingham combalido, de temporada decepcionante. O azarão venceu a Copa da Liga, e o favorito manteve a sala de troféus sem novidades desde 2005. Daí algumas estrelas insatisfeitas saíram, a remontagem foi feita às pressas, e o clube desceu alguns degraus.

Bellamy pôs o Liverpool na decisão e pode derrubar o time de sua cidade

No domingo, além do dérbi londrino, a Inglaterra assistirá à final de outra Copa da Liga. O enredo é bem parecido. O Liverpool, sem títulos há quase seis anos (mesmo jejum do Arsenal à época da decisão de 2011), precisa vencer o Cardiff, da segunda divisão, para dar um passo à frente em seu processo de reconstrução sob novos proprietários. Ah, mas é só a Carling Cup, você poderia dizer. Ainda assim, a opinião na Inglaterra é quase unânime: esse troféu seria um divisor de águas para o Liverpool, como teria sido para o Arsenal. O resgate do hábito de comemorar conquistas é um reforço moral do qual o clube não pode prescindir.

Ademais, o peso leve da competição contrasta com o caminho percorrido pelo Liverpool até chegar pela primeira vez ao Novo Wembley. Os primeiros quatro adversários – Exeter City, Brighton, Stoke e Chelsea – foram eliminados fora de Anfield. Para atingirem a final, os Reds ainda superaram em dois jogos o Manchester City, que abordou o torneio seriamente. Sem tanto para comemorar na Premier League, o time demonstraria força ao conquistar uma competição que não lhe ofereceu nenhuma facilidade e pavimentaria a estrada para novas taças. Uma derrota, por outro lado, seria devastadora.

O obstáculo é um Cardiff que costuma marcar e sofrer muitos gols. Apesar disso, os galeses têm um déficit ofensivo considerável em relação à temporada passada, quando Bellamy (que jogará a final pelo Liverpool) e Bothroyd estavam lá. Kenny Miller, o eterno atacante único do esquema da seleção escocesa, sabe se virar, mas não mantém o nível. Para repetir o Birmingham do ano passado, os Bluebirds precisam de muita dedicação e um dia infeliz do ataque do Liverpool, o que, convenhamos, tem acontecido com certa frequência. No domingo, veremos.

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segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012 Liverpool | 18:19

A obrigação de tentar

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A última participação do Liverpool na Champions League, em 2009-10, foi trágica. O time de Rafa Benítez, que acabava de perder Xabi Alonso e agonizava para se adaptar a Aquilani, caiu ainda na primeira fase num grupo com Lyon, Fiorentina e Debrecen. Desde então, os Reds não passaram nem perto de retornar à Europa pela porta da frente. Curiosamente, um 2011-12 medíocre oferece ao clube a melhor chance de voltar a uma competição que se confunde com sua história.

Com pobres 39 pontos em 25 jogos, o Liverpool coleciona empates em casa (oito de doze possíveis) e atuações preguiçosas que levam o time ao sétimo lugar da Premier League. Mas Newcastle, Chelsea e Arsenal, os outros concorrentes à quarta posição, não estão tão distantes na tabela quanto poderiam. As últimas semanas, aliás, serviram para expor a fragilidade dos postulantes à vaga na Champions.

Primeiro, no campeonato, o Newcastle foi atropelado pelo Tottenham: 5 a 0 em Londres. Em seguida, o Arsenal levou seis gols e marcou nenhum nas derrotas para Milan e Sunderland em Champions e FA Cup, respectivamente. E, também na Copa da Inglaterra, o Chelsea foi forçado a um improvável replay contra o Birmingham após sonolento empate por 1 a 1 em casa.

Enquanto Downing e Carroll fracassarem, o Liverpool não deve ter sucesso

Enquanto isso, o Liverpool contou com o fogo amigo da defesa do Brighton para vencê-lo por 6 a 1 em Anfield. A atuação não foi fantástica (o primeiro tempo mostrou aqueles antigos problemas de criação e conversão de chances), mas deixou a receita para o time melhorar seu aproveitamento: foi a primeira vez que Downing e Carroll jogaram bem ao mesmo tempo, cenário mais do que fundamental para este Liverpool funcionar.

Downing, que no domingo finalmente conseguiu sua primeira assistência pelo Liverpool, é o único winger do elenco e ainda não foi metade daquele jogador que superou até Ashley Young no Aston Villa da temporada passada. A importância e o potencial dele são óbvios. Falta é confiança para passar pelo lateral adversário, acertar o cruzamento e arriscar alguma coisa diferente que, embora não pareça, ele sabe fazer.

Com Carroll minimamente bem, Suárez também ganha muito. Ora aberto pela direita, ora como segundo atacante, ele jogou demais contra o Brighton. Sim, era o Brighton, mas o segundo tempo serve de modelo para ainda tentar uma vaga que já foi mais difícil. Se o Liverpool tomar vergonha, pode ir além de uma boa temporada nas copas e uma provável classificação para a Europa League, que será garantida em caso de vitória sobre o Cardiff no próximo domingo.

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sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012 Liverpool, Man Utd | 15:21

Prova de maturidade

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Patrice Evra administrou bem apenas até certo ponto as vaias que recebeu em Anfield há duas semanas. No decisivo confronto contra o Liverpool pela FA Cup, um lapso do lateral francês determinou a derrota do Manchester United. Amanhã, a Premier League nos reserva o outro lado desta história. Luis Suárez, que cumpriu suspensão de oito partidas por ofensas interpretadas como racistas a Evra, vai a Old Trafford pela primeira vez na carreira.

O desafio do uruguaio é um tanto diferente. Se Evra precisava manter a concentração para não oferecer chances ao Liverpool, Suárez terá de controlar seu temperamento, que já é explosivo em qualquer circunstância, diante de mais de 70 mil vozes vorazmente contrárias a ele. O discurso dEl Pistolero é de que as vaias vão, na verdade, ajudá-lo. Seu compromisso é canalizar o sangue quente para correr ainda mais, e não para se envolver em disputas como a que nocauteou Scott Parker há quatro dias, no sonolento Liverpool x Tottenham.

As câmeras não vão dar paz a Evra e Suárez

Suárez tem outra razão para pisar no freio. Phil Dowd, árbitro de United x Liverpool, é uma espécie de Marcelo de Lima Henrique inglês. Ele mostrou 95 cartões amarelos em 24 jogos na temporada, quase quatro por partida. Caso passe no teste e não se transforme na quarta expulsão de Dowd em 2011-12, o atacante pode dar um passo à frente na carreira, provando que suas inesperadas férias serviram para uma reflexão de como ele é muito importante com a cabeça no lugar.

O equilíbrio mental ainda tem de reservar espaço a um Suárez decisivo, como o da vitória em Anfield na temporada passada. O jogo é fundamental para o Liverpool, que depende dos três pontos para não se afastar perigosamente da quarta posição. Mas o favorito é o United, que, em circunstâncias normais, perderá o clássico apenas com uma atuação de gala dos visitantes, o que passa quase necessariamente pelo irritadiço uruguaio.

Confira os jogos da 25ª rodada e a classificação da Premier League. Para a programação na TV, consulte o Papo de Bola, do incansável Edu Cesar.

Não se esqueça de atualizar seu time no Fantasy.

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quinta-feira, 26 de janeiro de 2012 Cardiff, Copas Nacionais, Liverpool | 00:24

Cinco motivos para assistir a Cardiff x Liverpool

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Cardiff e Liverpool garantiram seus bilhetes para Wembley ao eliminarem, respectivamente, Crystal Palace e Manchester City. Veja por que você deve assistir à final da Carling Cup, em 26 de fevereiro:

O Bellamy do Liverpool já é melhor que o do Cardiff

Prazer, Wembley. Curiosamente, o Cardiff já foi ao Wembley reconstruído. Em 2008, o ótimo Portsmouth de Harry Redknapp derrotou os galeses por 1 a 0, com gol de Nwankwo Kanu, e conquistou a FA Cup. O Liverpool, ainda não. A decisão da FA Cup em 2006, que gerou o último título dos Reds, aconteceu no Millennium Stadium (em Cardiff!), que devolveria os grandes eventos a Wembley já na temporada seguinte.

O coração de um galês. Craig Bellamy nasceu em Cardiff e garante que, na infância, torcia pelo Liverpool e pelo clube da cidade. Na temporada passada, foi emprestado pelo Manchester City ao Cardiff, realizando um sonho pessoal. Apesar de não ter levado os Bluebirds à Premier League, dá para dizer que ele se divertiu bastante, com direito a golaço contra o rival Swansea no Liberty Stadium. Será uma final especial para o atacante.

A família Gerrard. Steven encontrará seu primo Anthony. Formado na base do Everton, o defensor de 25 anos não é brilhante como o capitão do Liverpool, mas tem uma carreira ascendente. Após quatro anos de Walsall, perambulando entre League Two e League One, ele chegou ao Cardiff, arrebentou quando emprestado ao Hull e voltou cheio de moral a Gales. Anthony, embora nascido em Liverpool, ainda pretende defender a seleção irlandesa.

Um título para Kenny Dalglish. Você pode não gostar do atual trabalho de Dalglish no Liverpool, mas há de reconhecer que o status de maior ídolo da história do clube permanece intacto. O último título de King Kenny foi a épica Premier League de 1994-95 com o Blackburn. As lágrimas do treinador com a vaga na decisão certamente serão multiplicadas em caso de conquista. O entusiasmo dele é emocionante.

A propensão à zebra. O título também pode ir para Cardiff. Em 1927, os Bluebirds venceram o Arsenal e, como foi divulgado à época, “tiraram a FA Cup da Inglaterra”. Para conquistar a Copa da Liga pela primeira vez, a equipe galesa tem onde se apoiar. O ano passado mostrou um Birmingham astuto na exploração dos erros de um Arsenal pressionado por seis anos sem título, mesmo tamanho da fila do Liverpool. Na terceira posição da Championship, o Cardiff tem bola para incomodar.

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sábado, 21 de janeiro de 2012 Liverpool | 23:06

A fúria de Dalglish

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Até ontem, jogar no Liverpool era garantia de uma vida sem estresse. Ainda que houvesse pressão externa, o treinador tratava de absorver todas as críticas e protegia seus atletas com unhas e dentes vorazes. “Andy (Carroll) tem sido fantástico” e “Stewart (Downing) é melhor do que eu pensava” são frases recentes de Kenny Dalglish que atentam contra a inteligência do torcedor. Mas, hoje, a ternura ficou bem de lado.

Dalglish enojado, cena rara que denuncia a qualidade da atuação do time

A derrota por 3 a 1 para o Bolton foi a pior atuação de um Liverpool que já colecionava exibições preguiçosas e complacentes contra equipes supostamente mais fracas. Até Dalglish, ferrenho defensor de um ambiente leve no vestiário, percebeu que seus jogadores haviam cruzado o limite entre lapsos naturais de um time em formação e total falta de atitude diante de um adversário faminto.

Quem cobre futebol na Inglaterra garante que nunca havia visto um Dalglish tão revoltado, sem interesse em defender seus jogadores, como na entrevista depois da partida. Abaixo, alguns trechos que confirmam a tese:

Atuando assim, alguns jogadores não vão vestir a camisa vermelha por muito tempo.

Este clube sempre respeitou as outras pessoas e teve a filosofia de que o próximo jogo é o mais importante – não os que vêm depois (em clara referência à semifinal da Carling Cup, contra o Manchester City, e à quarta fase da FA Cup, contra o Manchester United, compromissos do Liverpool na próxima semana).

Não estávamos preparados para o jogo.

Se eles (jogadores) pensam que podem conquistar o resultado de qualquer maneira, sem igualarem o esforço e o comprometimento do adversário, então tiveram uma lição hoje.

Esta não é a forma correta de representar este clube de futebol.

Palavras de quem conhece o clube. O Liverpool precisa de muito mais – de outras contratações (de preferência do mercado externo) em janeiro e do retorno de Suárez – para retomar o trilho certo, mas o fim da camaradagem que criava uma perigosa zona de conforto já é um primeiro passo. Dalglish, que tem errado em campo, finalmente acertou fora dele.

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segunda-feira, 26 de dezembro de 2011 Liverpool | 20:59

Máquina de empates

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De Newcastle a Liverpool, nível de Andy Carroll cai cerca de 80%, apontaria estudo

O Liverpool é a grande decepção de um surpreendente Boxing Day. A campanha em Anfield já provocava certa desconfiança, mas seu pior capítulo aconteceu hoje, no 1 a 1 contra o Blackburn, último colocado da liga. Foi o sexto empate dos Reds em nove jogos em casa. Além dos Rovers, os também azarões Sunderland, Norwich e Swansea voltaram de lá sorrindo à toa.

A maioria dos tropeços tem um componente em comum: o time domina, cria inúmeras chances e esbarra na imprecisão dos atacantes ou em atuações brilhantes dos goleiros adversários. Ruddy, Vorm e Bunn (reserva de Robinson no Blackburn), por exemplo, saíram consagrados de Anfield. De qualquer maneira, o Liverpool precisa se investigar para tentar resolver o problema antes que a corrida pela Champions fique inviável.

Por enquanto, não é correto atribuir a Kenny Dalglish e Steve Clarke o pobre aproveitamento de 55% em Anfield. Vale lembrar que a mesma dupla revitalizou a equipe na temporada passada através de atuações empolgantes em casa, com destaque para as enfáticas vitórias sobre Manchester United, Manchester City, Birmingham e Newcastle.

A grande questão é o fracasso de algumas apostas desta temporada. Recuperado da sequência de lesões que o atormentava, Carroll deixou de ser titular absoluto e, quando joga, não é sequer sombra do centroavante que dominava a área pelo Newcastle. Melhor jogador do Aston Villa na temporada passada, Downing oscila demais e ainda não tem gols ou assistências com a camisa vermelha. Na hora de finalizar, até Suárez vai mal.

A reforma dos Reds precisa ir além. A temporada prova que a contratação de Downing passa longe de satisfazer plenamente a maior carência do elenco: jogadores de lado de campo. Portanto, o mercado de janeiro tem de levar a Anfield, no mínimo, velocidade para criar chances ainda mais claras e frieza nas finalizações. O Liverpool, melhor defesa da Premier League, marcou apenas cinco gols a mais do que Robin van Persie. E o holandês ainda vai jogar na 18ª rodada, em casa, contra o Wolverhampton.

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quarta-feira, 21 de dezembro de 2011 Liverpool | 13:50

Suco de maracujá

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Certa vez, Luis Suárez disse que Marco van Basten, seu ex-treinador no Ajax, foi o responsável por transformá-lo em um jogador muito mais coletivo e, portanto, pronto para dar um salto (sem trocadilho com a cidade natal do uruguaio) na carreira. Agora, o futebol inglês lhe impõe um novo desafio. A suspensão de oito jogos e a multa de 40 mil libras pelas supostas ofensas racistas a Patrice Evra são uma punição pesada, mas devem ser vistas também como uma oportunidade para rever conceitos.

Rei do "quase" na Premier League, Suárez chutou outras duas bolas na trave no último domingo

Pouca gente crê que o atacante seja, de fato, racista. Nem sequer Evra pensa assim, como manifestou na acusação ao uruguaio. A defesa do Liverpool tenta reforçar essa tendência ao mencionar que um avô de Suárez era negro, que ele é colega de vários jogadores negros na seleção e capitaneava um time do Ajax com perfil “multicultural”. O comunicado é falho pela argumentação pobre e também porque nada disso pesa sobre o que houve, particularmente, naquele Liverpool 1 x 1 Manchester United.

O próprio Suárez explicou que o uso da palavra negrito (o termo da discórdia entre Evra e o uruguaio) não faz, em Língua Espanhola, qualquer referência a discriminação por cor de pele. Mas aí mora o problema: o fato de ele precisar explicar. No mínimo, Suárez dá sopa para o azar ao “interagir” dessa maneira com o lateral francês, assim como o fez quando dirigiu gestos supostamente obscenos a torcedores do Fulham há pouco mais de duas semanas ou nos frequentes chiliques contra a arbitragem.

Seria, assim, bastante discutível qualquer medida de punição ou absolvição que viesse da FA – e ele ainda pode pagar pelo incidente em Craven Cottage. De qualquer maneira, o camisa 7 vive flertando com a imprudência. E não apenas na Inglaterra. A chegada de Suárez a Anfield aconteceu apenas dois meses depois de ele literalmente morder Otman Bakkal, do PSV. O Liverpool sabia que estava contratando um jogador de potencial fantástico, mas também que seu temperamento precisava ser administrado ou mesmo corrigido.

Um ano depois, Suárez passar janeiro na geladeira (o Liverpool tem duas semanas para recorrer) será péssimo no curto prazo para o clube, que depende muito dele, mas pode ser surpreendentemente bom para o uruguaio. Ele terá um tempo para descansar (vem de duas “férias” preenchidas por Copa do Mundo e Copa América), refletir sobre sua postura e até seu jogo, que deve ser mais produtivo para o Liverpool sem as constantes crises nervosas e com mais concentração no momento de marcar um gol.

Vale lembrar que Suárez pode jogar contra o Wigan hoje à noite.

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domingo, 20 de novembro de 2011 Liverpool | 19:49

Maestro Charlie

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Em 26 de outubro de 2008, um chute despretensioso de Xabi Alonso quebrou a incrível invencibilidade de 86 jogos do Chelsea em Stamford Bridge: 1 a 0 para o Liverpool. No fim daquela temporada, o espanhol foi embora, deixando a recordação do gol histórico e um vácuo criativo no meio-campo de Rafa Benítez. Três anos depois, de dono, técnico e estrelas novos, os Reds venceram outra vez em Bridge por conta de Charlie Adam, substituto tardio de Alonso.

Ainda no Rangers, Adam sabia aonde queria chegar

No lance que gerou o primeiro gol, Adam foi perfeito ao roubar a bola de Mikel e entregá-la a Bellamy. No do segundo, enxergou Johnson e uma avenida à frente dele antes de fazer um belo lançamento ao lateral. Bem ou mal, o escocês é o arquiteto que o Liverpool não tinha há duas temporadas e, por isso, a contratação que Kenny Dalglish sempre quis fazer.

Em janeiro deste ano, o Liverpool tentou tirá-lo do Blackpool mesmo sabendo que, até seis meses atrás, a Inglaterra leiga nem sequer o conhecia. Por £7.5 milhões, Adam foi o negócio mais sagaz do clube no último verão. Mas por quê?

1) Porque é o parceiro ideal para Lucas na dupla de volantes do Liverpool. Cerebral e preciso nos passes, ele reduz as responsabilidades do brasileiro quando o time tem a bola. Se houver uma seleção dos piores momentos do ex-gremista em Anfield, Javier Mascherano estará ao lado dele na maior parte do tempo, justamente quando Lucas precisava organizar a equipe.

2) Porque o Liverpool não tinha um lançador para aproveitar os deslocamentos e a velocidade de Luis Suárez ou mesmo a bola alta de Andy Carroll. A equipe ainda pede mais jogadores velozes (Junior Hoilett, do Blackburn, cairia muito bem em Anfield) e boas atuações do jovem centroavante, mas esse recurso para quebrar defesas já existe com o escocês, de visão privilegiada.

3) Porque o time carecia de um especialista em bolas paradas. As cobranças de escanteio de Adam em Stamford Bridge foram ridículas, mas, acredite, ele é muito bom no fundamento e já criou três gols para o Liverpool a partir de set-pieces.

Adam ainda alterna atuações muito boas, como a de hoje, e outras bem mais discretas. Não foi o início perfeito (teve até expulsão contra o Tottenham), mas está claro que o Liverpool ganhou essa aposta.

Seleção do fim de semana
John Ruddy (Norwich); Micah Richards (Manchester City), Rio Ferdinand (Manchester United), Jonas Olsson (WBA), Glen Johnson (Liverpool); Theo Walcott (Arsenal), Michael Carrick (Manchester United), Charlie Adam (Liverpool), Jerome Thomas (WBA); Heidar Helguson (QPR), Robin van Persie (Arsenal).

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quinta-feira, 27 de outubro de 2011 Liverpool | 10:25

Suárez pode ser mais decisivo

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Nas oitavas de final da Carling Cup, tudo caminhava para mais um fracasso do Liverpool no Britannia Stadium. O Stoke havia marcado primeiro, as chances perdidas eram incontáveis já ao intervalo (como no confronto da Premier League, aliás), e Luis Suárez estava com insatisfação acumulada desde o empate contra o Norwich no sábado. No segundo tempo, porém, o uruguaio transformou a raiva em um gol espetacular, ainda marcou outro e deu uma importante classificação ao Liverpool, cujo discurso é tentar vencer pelo menos uma das copas nacionais.

Boa tentativa, Shawcross

Suárez foi o herói de ontem e tem sido, disparado, o melhor jogador do clube em 2011, seu primeiro ano em Anfield. Ninguém que assista às partidas do Liverpool pode cobrá-lo apenas por gols, pois a produção dele passa também por tirar chances da cartola para os outros. Em 25 jogos na nova casa, o craque da Copa América tem 11 gols e oito assistências. Os números são ótimos, especialmente quando você vê o que ele faz em campo. Mas, acredite, Suárez pode ser ainda mais importante para o Liverpool.

Antes de decidir ontem, o uruguaio vivia outra noite frustrante. Ele perdeu, no primeiro tempo, duas chances claras, criadas pelos volantes Lucas e Spearing. Contra o Norwich, Suárez finalizou 11 vezes e não conseguiu marcar. São 39 finalizações e quatro gols nos nove jogos da Premier League, como se ele precisasse chutar dez bolas até que uma enfim balançasse a rede. Dzeko, por exemplo, marca um gol a cada quatro chutes.

É claro que Suárez não tem um David Silva ao lado dele, mas a disparidade é significativa e expõe a necessidade de ele aperfeiçoar esse fundamento para ser completo e ainda mais decisivo. A gente já sabe que seus 111 gols em 159 jogos pelo Ajax não saíram da fábrica holandesa que produziu Afonso Alves e Mateja Kezman. Afinal, aos 24 anos, ele tem 22 gols pela seleção uruguaia e já caminha a passos largos para roubar de Diego Forlán o posto de maior artilheiro da Celeste. Se puder ser mais preciso, El Pistolero provavelmente estará em breve entre os dez, cinco melhores jogadores do mundo.

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