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Arquivo da Categoria Liverpool

terça-feira, 10 de maio de 2011 Jogadores, Liverpool, Treinadores | 09:26

A reinvenção do Liverpool

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King Kenny, agora ainda mais rei

O técnico Kenny Dalglish assumiu o Liverpool em 8 de janeiro. O ídolo escocês se viu diante de um time inseguro em casa e, porque só perdia, regular fora de Anfield. A 12ª posição e a margem de quatro pontos para a zona de rebaixamento lhe apontavam uma missão bem clara: não passar sustos. E ele com isso?

Em 16 jogos, foram 33 pontos (68,7% contra 41,7 de Hodgson), o melhor ataque, a segunda defesa e a vice-liderança da Premier League no período. O Liverpool não deve ir à Champions, mas o impacto desses quatro meses é suficiente para lutar por Liga Europa e, com os prováveis ajustes, iniciar 2011-12 pensando até em título. A eliminação continental é a única frustração.

A permanência de Dalglish não é certa, mas a pressão sobre o proprietário John W. Henry pela oferta de um contrato tem aumentado. Mesmo com vários problemas num elenco que já nasceu defeituoso, o Liverpool só melhora. Tentemos entender:

Carisma e competência. Dalglish é um sujeito cativante para os atletas e a torcida. É também o melhor jogador da história do Liverpool. Como técnico, não custa lembrar que foi campeão inglês até com o Blackburn em 1995. A década sabática e os primeiros resultados justificavam um pé atrás, mas ele era a melhor escolha para o momento do clube. A confiança do grupo subiu demais.

Dalglish não trabalha sozinho. O diretor de futebol, Damien Comolli, não titubeou na hora de contratar Luis Suárez. Em seu tempo no Tottenham, o executivo francês errou, mas acertou mais ao garimpar Bale, Modric e Berbatov. O técnico de campo, Steve Clarke, também merece muito crédito. Comolli e Clarke chegaram ao clube, respectivamente, em novembro de 2010 e janeiro de 2011.

A base. O elenco do Liverpool tem uma série de problemas. Os maiores são as lesões, a fragilidade dos reservas da defesa e a ausência de bons wingers autênticos, um Ashley Young. Dalglish superou as dificuldades usando a base, que ele conhece bem porque já estava no clube antes de virar técnico. Para fugir de Kyrgiakos, efetivou John Flanagan (18 anos), que tem jogado nas duas laterais.

Com todos os três laterais do primeiro time no DM, até o canhoto Jack Robinson (17) teve de atuar. A contusão de Gerrard abriu espaço a Jay Spearing (22), quase ignorado pelos outros treinadores, incrivelmente melhor sob Dalglish e de contrato renovado. Jonjo Shelvey (19), revelado pelo Charlton, mas ainda muito novo, também joga. Não fosse assim, os intragáveis Poulsen e Jovanovic estariam lá.

O 7 de hoje e o de ontem: Suárez também deve marcar época em Anfield

O 7 de hoje e o de ontem: Suárez também deve marcar época em Anfield

O joio e o trigo. Fala-se de Kyrgiakos, Poulsen e Jovanovic, só que Dalglish não poderia descartar todo mundo que estava mal – o elenco restrito não permite. Ele viu em Maxi Rodríguez, com sete gols e dois hat-tricks nos últimos três jogos, uma peça importante para o time. O argentino joga só porque a ausência de Carroll empurra Kuyt ao ataque, mas melhorou muito sob Kenny.

Suárez. Dalglish e Clarke têm de improvisar (Meireles como winger é o melhor exemplo), mas fazem todo mundo render ao máximo. E a melhor maneira de explorar Suárez é não limitá-lo a uma faixa do campo. Quem assistiu a Fulham 2 x 5 Liverpool percebeu que ele atormentou a defesa adversária (que vinha em ótima fase!) em todos os pontos e de todas as formas. Suárez é absurdo.

A tardia seleção da rodada
Van der Sar (Man Utd); Johnson (Liverpool), Distin (Everton), Shawcross (Stoke), Baines (Everton); Park (Man Utd), Carrick (Man Utd), Giggs (Man Utd), Maxi (Liverpool); Suárez (Liverpool), Fletcher (Wolves)

Atualização em 12 de maio: Dalglish fica.

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segunda-feira, 9 de maio de 2011 Curiosidades, Liverpool | 08:26

Maestro Webb

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No dia em que comandou o decisivo Manchester United x Chelsea, Howard Webb pode ter sido exposto a mais uma polêmica. Já é sucesso na internet o vídeo em que, supostamente, o árbitro da final da última Copa aparece regendo o hino do Liverpool, o You’ll Never Walk Alone. O episódio teria acontecido durante uma convenção de árbitros há dois anos. Note que Mike Dean, colega no quadro da Premier League, está na plateia.

Curiosamente, Webb era rotulado de “torcedor do Manchester United”. O fato mais controverso envolvendo o árbitro de Rotherham havia ocorrido em janeiro, no confronto entre United e Liverpool pela FA Cup. Ele assinalou um pênalti (inexistente) em Berbatov e expulsou (corretamente) Gerrard na vitória mancuniana por 1 a 0. Ryan Babel, então no Liverpool, postou em seu Twitpic uma montagem para satirizá-lo. A indicação dele para ontem foi obviamente polêmica.

You’ll Never Walk Alone foi criada para outros fins e embala torcidas de vários clubes pelo mundo. Tudo era festa na convenção, mas o sentido da música no futebol inglês é bem claro…

Championship
Vale registrar a manutenção dos pontos do QPR. Assim, os Hoops garantiram o título da segunda divisão. Os londrinos e o Norwich já estão promovidos à Premier League. Os primeiros confrontos dos play-offs para a terceira vaga, que vão ser discutidos por aqui, são Swansea x Nottingham Forest e Cardiff x Reading.

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quinta-feira, 31 de março de 2011 Brasileiros, Jogadores, Liverpool | 16:33

A notável recuperação de Lucas

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Em cinco meses, Lucas foi de rejeitado a ídolo em Anfield

A renovação do contrato de Lucas com o Liverpool parece natural agora, mas o volante só se achou na quarta temporada em Anfield. A ascensão dele, brevemente mencionada há 11 dias, não foi nada simples.

Bola de Ouro da Placar no Brasileiro de 2006, Lucas, então com 20 anos, transferiu-se do Grêmio para o Liverpool por £5 milhões. A disputa de cinco jogadores (Gerrard, Xabi Alonso, Mascherano, Sissoko e o próprio Lucas) por duas vagas deixava claro que ele precisaria de tempo para achar seu espaço.

Atuando esporadicamente, Lucas mostrou pouco, mas Rafa Benítez confiava nele. Isso ficou evidente em janeiro de 2008, quando o clube vendeu Sissoko à Juventus. Um ano depois, assim que Robbie Keane foi devolvido ao Tottenham, Benitez implantou o 4-2-3-1, alinhando Xabi e Mascherano e deixando Gerrard próximo a Torres. Lucas já era reserva imediato.

O Liverpool terminou 2008-09 no segundo lugar, mas com campanha de campeão (86 pontos, número do Chelsea na temporada passada). A expectativa pelo primeiro título do clube na Premier League só aumentava. A saída de Cristiano Ronaldo do Manchester United fez muita gente pensar: “é agora”. Na contramão, o dínamo do time, Xabi Alonso, deixava Anfield. O substituto era o ex-romanista Alberto Aquilani, que chegou lesionado e fracassou.

Após duas temporadas, Lucas enfim tinha status de titular, mas não do jeito certo. A parceria com Mascherano estava fadada ao insucesso, já que a tarefa de organizar o time não poderia recair sobre nenhum deles. Lucas e o Liverpool tiveram um 2009-10 terrível. A torcida vaiava sistematicamente o brasileiro, que ganhou a enorme (e imprópria) responsabilidade de substituir Alonso e nunca havia atingido seu potencial.

O poder do Kop: aplausos são mais bem recebidos

Em agosto, um inseguro Lucas era possível reforço do Stoke. Acabou ficando e, mais uma vez, não começou bem a temporada. No entanto, a primeira partida do Liverpool sob o novo proprietário John Henry, o clássico contra o Everton em Goodison Park, foi também o último jogo fraco do brasileiro, que parecia ser caso perdido no futebol inglês.

Adaptado à velocidade do jogo e à função mais defensiva, Lucas manda prender e soltar e parece estar em muitos lugares ao mesmo tempo. Ele sofreu demais até conquistar a torcida, mas a perseverança valeu a pena. Hoje, é um dos preferidos de Kenny Dalglish e merece, de fato, ser titular da seleção brasileira. Renovar o contrato, diz ele, foi uma “decisão fácil”. Depois de cinco meses assim, o Liverpool também não pensou duas vezes.

No início do mês, Lucas concedeu ótima e franca entrevista (em inglês) à TV do Liverpool. Ele fala sobre a comparação com Xabi Alonso, como lidava com as pesadas críticas e aponta a importância de Rafa Benítez em seu desenvolvimento.

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domingo, 6 de março de 2011 Liverpool, Premier League | 22:10

Com a bênção do artilheiro

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Rush observa Suárez e Carroll, o ataque mais promissor do Liverpool desde Fowler e Owen

Há um mês, o árbitro Phil Dowd deixou o abusado Joey Barton (fazer) deitar e rolar no confronto entre Newcastle e Arsenal. A permissividade com Carragher não surpreendeu. Na grande vitória sobre o Manchester United, novidade, mesmo, foi a presença da nova dupla de ataque do Liverpool. Suárez foi tão fantástico, que ofuscou o hat-trick de Kuyt, escalado ao lado do uruguaio por Kenny Dalglish. A Carroll, que começou no banco, sobraram os holofotes da estreia e o status de britânico mais caro da história.

Das bancadas, um discreto Ian Rush observava tudo. Trata-se do maior artilheiro da história do clube. Seus 346 gols em 660 jogos o transformaram numa espécie de consultor para a mídia quando o assunto é ataque. O eterno camisa 9 é o padrinho de uma linha de sucessores. Fowler, Owen e Torres foram apoiados por ele e sempre apareciam ao lado do ex-bigodão. Assim que os Reds perderam Torres e ganharam Carroll e Suárez, o ex-atacante galês foi convocado a falar. “São duas contratações sensacionais. Agora, é um time mais completo”, diz ele.

O show de Suárez ainda não havia terminado quando Carroll foi chamado para o jogo. Quem as câmeras buscaram? Rush, é claro. Ele aplaudiu a entrada e esfregou as mãos. Certamente, não apenas pelo herdeiro da 9. A dupla é o que mais o entusiasma. Um pivô goleador e um dos mais completos atacantes do mundo podem ser a base para a reconstrução de um time ainda instável, mas que tem resgatado sua grandeza.

Seleção do fim de semana: Mignolet (Sunderland); Mensah (Sunderland), Jagielka (Everton), Gary Cahill (Bolton), Baines (Everton); Duff (Fulham), Parker (West Ham), Modric (Tottenham), Kuyt (Liverpool); Suárez (Liverpool), Defoe (Tottenham).

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sábado, 5 de março de 2011 Blackburn, Curiosidades, História, Liverpool, Man Utd, West Ham | 17:19

No mesmo dia, Dalglish perdeu em Anfield e superou o United

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No histórico 14 de maio de 1995, o Blackburn de Dalglish e o Liverpool conciliaram seus interesses

A última rodada da Premier League em 1994-95 foi memorável. O (nem tão) surpreendente Blackburn, treinado por Kenny Dalglish, liderava com dois pontos de vantagem sobre o Manchester United, que vinha de dois títulos consecutivos. Os Rovers visitaram o Liverpool, clube em que Dalglish se consagrara. O United foi até a casa do West Ham, que não tinha mais o que fazer na temporada. Além da vitória em Londres, os Red Devils precisavam que o Blackburn perdesse pontos em Anfield.

Se na temporada passada os Reds não se esforçaram para derrotar o Chelsea, que também disputava o título com o Manchester United, em 1994-95 o conjunto treinado por Roy Evans ignorou a rivalidade com os mancunianos e batalhou pelo resultado.

Garantido na Copa da UEFA via Copa da Liga, o Liverpool buscava a vitória apenas para terminar bem colocado e consolidar seu time promissor, de Fowler, Redknapp e McManaman. Um dos maiores jogadores da história do clube, o left winger John Barnes, que teve participação fundamental naquela partida, afirmou que os Reds tinham “o compromisso de abordar o confronto de forma profissional, ainda que ninguém ali quisesse ver o United campeão”.

Aquele Blackburn era ótimo por ter as pessoas certas com o poder de investimento suficiente. Por exemplo, a dupla de ataque, formada por Shearer e Sutton, fez 49 gols na liga. Shearer, aliás, foi quem marcou primeiro em Anfield. Mesmo assim, o Liverpool teve força para virar o jogo com Barnes e Jamie Redknapp e ajudar o Manchester United. Mas o United não se ajudou. O goleiro tcheco Ludek Miklosko, do West Ham, foi espetacular e limitou o time de Ferguson a um empate por 1 a 1. O Blackburn comemorou seu terceiro título inglês em 14 de maio de 1995, o dia em que ninguém chorou em Anfield.

Assista ao review dessa sensacional rodada. Repare no momento em que o banco do Blackburn, que tinha acabado de sofrer o gol de Jamie Redknapp (filho de Harry Redknapp, então técnico do West Ham), é avisado do resultado final em Londres:

Faz tempo
A rivalidade entre os escoceses Dalglish e Ferguson é antiga. No início dos anos 70, Kenny jogava no Celtic e costumava marcar contra o Falkirk, do atacante Alex Ferguson. O clássico resistiu ao tempo. Quando Ferguson treinava o Aberdeen, o meia-atacante Dalglish, já no Liverpool, o atormentou pela Copa Europeia. Os dois ainda se enfrentaram em confrontos do Manchester United contra Liverpool, Blackburn e Newcastle. No retorno de Dalglish aos Reds, há dois meses, o United venceu por 1 a 0 na FA Cup. Amanhã, depois de muito tempo, eles medem forças em Anfield: rivalidade, história e respeito mútuo nos bancos.

Scott Parker é o cara

O melhor de fevereiro já impressiona em março
O meia central Scott Parker, do West Ham, foi eleito o Jogador do Mês de fevereiro na Premier League. Hoje, na vitória dos Hammers por 3 a 0 sobre o Stoke, ele voltou a jogar demais. Após defender Charlton, Chelsea e Newcastle, Parker vive o melhor momento na carreira e na temporada. O West Ham marcou dez pontos nos últimos cinco jogos e, finalmente, deixou a zona de rebaixamento. Um pouco por Demba Ba, Avram Grant e o retorno de Hitzlsperger. Muito por Parker, certamente o jogador mais importante para um time em toda a liga.

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sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011 Curiosidades, Liverpool, Temporada | 21:00

A obsessão da primeira-dama

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Dalglish tem agradado a Linda Pizzuti e John W. Henry, que apreciam um bom clean sheet

Entre 2006 e 2008, Pepe Reina, do Liverpool, levou para casa três Golden Gloves consecutivos. É a luva de ouro, prêmio oferecido ao goleiro com mais clean sheets (jogos sem sofrer gol) na liga inglesa. Longe do troféu há duas temporadas, Reina tem desfrutado o início de trabalho de Kenny Dalglish, cujo grande mérito é a melhora da defesa. Os Reds sofreram apenas um gol nos últimos sete jogos. Aliás, Steve Gohouri, do Wigan, parecia estar em posição irregular quando balançou as redes em Anfield, há duas semanas.

Mas não é só Reina quem comemora. Em sua página no Facebook, o proprietário do Liverpool, o norte-americano John W. Henry, disse estar “extremamente feliz com o progresso, a determinação e o trabalho da comissão técnica” por conta do que chamou de “um total empenho do time”. E John, acredite, não é a pessoa mais empolgada. Figura carimbada nos jogos em Anfield, a esposa dele, Linda Pizzuti, tem obsessão por clean sheets. Sempre que o Liverpool consegue um, ela rapidamente se manifesta em seu perfil no Twitter.

Dia desses, mencionando @Linda_Pizzuti, fiz uma observação sobre a adoração dela por clean sheets. Muito atenciosa, a primeira-dama de Anfield confirmou, por mensagem direta, esse interessante gosto: “sou definitivamente vidrada em clean sheets. Adoro o termo (não o utilize nos Estados Unidos), e fico muito feliz quando o Liverpool consegue um”. Linda é norte-americana de ascendência italiana, e o grupo do marido dela administra também o Boston Red Sox, franquia da Major League Baseball.

Ainda que Linda prefira a “folha limpa”, tradução literal de clean sheet, a expressão usada na América é shutout. No beisebol, o pitcher ganha um quando arremessa durante todo o jogo e não cede nenhuma corrida ao adversário. Uma façanha, assim como no futebol. Pelo menos para Linda Pizzuti, que faz a abordagem da boa fase de Kelly, Carragher, Skrtel, Agger e Johnson ficar bem mais interessante.

Jonjo Heuerman
Lembra-se dele? No Twitter, alguém da família (provavelmente a mãe de Jonjo, Donna) anunciou que o garoto cumpriu o primeiro dia da caminhada rumo ao Boleyn Ground. “Um menino muito feliz, porém muito cansado”. Vale lembrar que a jornada termina no domingo, pouco antes de West Ham x Liverpool. Jonjo presenciará, infelizmente para ele, mais um clean sheet dos Reds?

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domingo, 6 de fevereiro de 2011 Chelsea, Liverpool, Premier League | 21:33

Dalglish venceu o Chelsea

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Mesmo em sua posição natural, Torres foi tímido e perdeu o duelo contra os três zagueiros do Liverpool. Foto: EFE

O segundo estágio de Kenny Dalglish no Liverpool começou em 2009. Rafa Benítez o convidou a assumir a coordenação das categorias de base e o posto de embaixador do clube. Ele nunca perdeu Anfield de vista, mas passou a frequentar mais o estádio desde o retorno. Dalglish, que também vivia o cotidiano dos Reds, acumulava observações e as guardava consigo. Quando se viu treinador, tinha moral histórica e conhecimento de causa para propor mudanças.

O time inovador a que assistimos em Stamford Bridge já havia ensaiado. O deslocamento de Johnson à esquerda, para cobrir uma posição sem dono e abrir espaço a Kelly na direita, aconteceu logo no segundo jogo de Dalglish, contra o Blackpool. Avançar Raul Meireles também era uma necessidade imediata na visão do novo manager, e ele não demorou a fazê-lo. Na quarta-feira, quando recebeu o Stoke, o Liverpool foi armado com três zagueiros, a mesma estratégia que travou o Chelsea.

Solução conveniente. Ainda sem Suárez totalmente integrado e o lesionado Carroll, Dalglish sabia que precisaria de Gerrard e Meireles trabalhando próximos a Kuyt, isolado à frente. Os três zagueiros permitiriam isso sem afetar o equilíbrio do time. Do outro lado, Ancelotti voltava a armar o meio-campo do Chelsea em losango para viabilizar a estreia de Fernando Torres, a quem preferiu não oferecer a ponta direita. Era um 4-3-1-2, com Mikel protegendo a defesa, Essien e Lampard na meia central e Anelka na ligação.

Os Blues tinham uma artilharia pesada, mas não eram fortes pelos flancos. Dalglish reagiu com um sagaz 3-4-2-1, concentrando suas peças na faixa central, com Meireles e Gerrard à frente de Maxi e Lucas, e dando as alas a Kelly e Johnson. Em atuação monstruosa dos zagueiros do Liverpool e de seus protetores, Torres e Drogba mal tocaram a bola. Quando a defesa do Chelsea falhou (aliás, que jornada para os amigos Cech e Ivanovic, hein?), o avançado Meireles estava lá para marcar seu quarto gol na temporada, todos nos últimos cinco jogos. Além do português, Carragher e Lucas foram particularmente impressionantes. Tachado de ultrapassado até duas semanas atrás, Dalglish venceu o Chelsea do hoje sonolento Fernando Torres.

A propósito, depois de quatro vitórias seguidas (com quatro clean sheets), já podemos dizer que King Kenny fica para a próxima temporada? “A decisão é dos proprietários. Ele é um herói para mim e Gerrard. Se você me pergunta, posso dizer que quero muito que ele permaneça”, disse Jamie Carragher ao site do Liverpool.

O imediatismo venceu o West Bromwich

Roberto Di Matteo foi demitido. O West Bromwich perdeu 13 dos últimos 18 jogos. Desfazer-se do treinador italiano pareceu conveniente ao presidente Jeremy Peace, que alegou buscar a melhor forma de evitar a queda ao Championship. No entanto, quem assiste a um jogo dos Baggies certamente identifica um time bem armado, insinuante (com um Brunt em grande temporada) e capaz de encher a paciência dos grandes.

Di Matteo sempre manteve o WBA fora da zona de rebaixamento e o entrega à beira dela, na 17ª posição. O Blackpool, que só perde há cinco rodadas, não pensa em dispensar Ian Holloway. Peace, ao contrário, copia a fórmula do rebaixado Hull City, que resolveu demitir Phil Brown a dois meses do fim da temporada passada. Uma reedição também do resultado não será surpresa.

Seleção da rodada: Hennesey (Wolves); Walker (Aston Villa), Carragher (Liverpool), Agger (Liverpool), Elokobi (Wolves); McCarthy (Wigan), Lucas (Liverpool), Meireles (Liverpool), Barton (Newcastle); Tévez (Manchester City), Saha (Everton).

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segunda-feira, 31 de janeiro de 2011 Liverpool, Mercado, Newcastle | 13:01

Andy Carroll e o mercado inflacionado

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Andy Carroll: valorizado pelo deadline

O último dia para transferências no mercado de inverno europeu é dominado por possíveis movimentações na Inglaterra. Quando falo em movimentações, não me refiro, necessariamente, a transferências. Até o paradeiro de Fernando Torres é cercado por mistério. Especulava-se que o espanhol teria deixado Liverpool em um helicóptero. Não, nada tão épico. A informação foi desmentida, mas o acerto com o Chelsea, talvez por mais de £50 milhões, ainda é provável.

Provável, mas aparentemente condicionado à contratação de um substituto. É aí que entra Andy Carroll, atacante de 22 anos do Newcastle. Carroll foi um dos grandes jogadores do primeiro turno do campeonato. Mesmo lesionado há quatro rodadas, o imponente centroavante é o terceiro artilheiro da Premier League, com 11 gols. Ele se aproveita da altura (1.91m) também para colecionar assistências. Foram seis até agora, a maioria com a cabeça. A contribuição dele, no entanto, não pode ser convertida apenas em números. Muito forte, Andy enche a paciência dos zagueiros adversários. Ian Holloway, treinador do Blackpool, avalia-o como o “melhor atacante da liga”.

Pois bem. O Liverpool ofereceu £30 milhões pelo rapaz. Carroll é mesmo ótimo e deve ser titular da Seleção Inglesa por três, quatro ciclos. Mas ainda não vale e provavelmente nunca valerá tudo isso. É um autêntico goalscorer, com todas as qualidades descritas, mas sem o traquejo de um Ibrahimovic, mais alto que ele. Os Reds tentam comprar um potencial. No entanto, esse preço é composto também por uma boa dose de desespero. Mesmo assim, Mike Ashley, proprietário fanfarrão dos Magpies, rejeitou a proposta inicial. Das três uma: a) o clube é ambicioso e não pretende vender seu melhor jogador; b) há um sério erro de avaliação; c) o Newcastle arrasta o negócio para conseguir ainda mais grana, como parece ser.

Havia um mês inteiro para transferências, mas os clubes costumam segurar ao máximo para obter as melhores barganhas, aproveitando-se da necessidade alheia, para vender ou para comprar. O Real Madrid, que não tinha mais o que fazer com van der Vaart, mandou o holandês para o Tottenham, em 31 de agosto, por apenas £8 milhões. Hoje, o meia é o artilheiro dos Spurs na temporada. Carroll, se for para o Liverpool, tem tudo para ser um sucesso. Mas não do tamanho do valor que os Reds pretendem pagar por ele.

O mercado de transferências na Inglaterra fecha apenas às 21h de Brasília. Até lá, Liverpool e Newcastle devem tentar arrancar mais dinheiro por Torres e Carroll. Em breve, o blog vai repercutir os negócios fechados.

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sexta-feira, 28 de janeiro de 2011 Jogadores, Liverpool, Premier League | 16:39

O que muda no Liverpool de Luis Suárez

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O Ajax aceitou, agora há pouco, a proposta do Liverpool pelo atacante Luis Suárez, que deve ter a transferência confirmada nas próximas horas. Seu histórico na Copa do Mundo e em copas europeias, bem como o que ele representava na Holanda (o Ajax era praticamente um one-man team), indicam que o uruguaio justifica o esforço financeiro de £23 milhões. Entre os atacantes que conseguiram números impressionantes na Eredivisie e foram contratados por clubes ingleses, Suárez certamente está mais para van Nistelrooy do que para Afonso Alves. Vejamos o que muda no Liverpool com ele:

Companhia para Torres. Mesmo após o retorno de Fernando Torres, Hodgson apostou em N’Gog em várias ocasiões, deixando o Liverpool com dois atacantes. Mas a tendência de Dalglish é isolar o espanhol, com Raul Meireles no suporte a ele. Se o clube mantiver a posição de segurar El Niño, aparentemente firme, é óbvio que, em jogos importantes, o treinador escocês vai escalar os dois. Suárez até pode jogar aberto, mas tudo sugere que Torres terá, pela primeira vez após o retorno de Robbie Keane ao Tottenham, uma ótima companhia regular.

Menos minutos para David N’Gog. Suárez não será apenas o parceiro de Torres. Pode ser também uma alternativa a ele. As frequentes lesões do espanhol aterrorizam os torcedores do Liverpool, que, eventualmente, precisam lidar com a incômoda presença do limitado francês à frente. N’Gog até melhorou seu jogo em relação à temporada passada, mas não pode, em circunstâncias normais, assumir a responsabilidade de comandar o ataque de um dos maiores clubes do mundo.

Luis Suárez celebra um de seus 110 gols pelo Ajax. Em 2009-10, foram 49 em 48 jogos

Concorrência no meio-campo. Suárez provavelmente será aproveitado perto do gol, e o meio-campo do Liverpool deve ser reduzido a quatro homens. Kuyt parece ser intocável. Na meia central, a excelente fase de Raul Meireles pode lhe garantir uma vaga. Isso significa que Lucas perderá o posto no time? Não necessariamente.

Dalglish pode reeditar a ideia de Capello para que Gerrard e Lampard jogassem juntos na Seleção Inglesa: o capitão do Liverpool foi aberto pela esquerda. Nas eliminatórias para a Copa, deu muito certo. Como Maxi Rodríguez está longe de ser unanimidade, ele é o favorito a perder o lugar no time. Tudo isso, é claro, desconsiderando a ainda possível chegada de Charlie Adam.

A nova temporada. Apesar dos últimos clean sheets (para a alegria de Linda Pizzuti, primeira-dama de Anfield), a defesa do Liverpool está longe de ser segura. Mas o maior problema do time é a produção ofensiva. O índice de 11 gols em 12 jogos fora de casa deixa o Liverpool com um patético aproveitamento de 22% longe de Anfield. Com Suárez (e Torres, espera-se), os Reds podem agredir o adversário sem necessariamente ouvir 40 mil pessoas cantando You’ll Never Walk Alone. O desfalcado Sunderland, hoje na sexta posição, já é um alvo bem realista na tabela.

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quarta-feira, 26 de janeiro de 2011 Curiosidades, Fulham, Jogadores, Liverpool, Premier League | 14:00

O papel da sogra num casamento infeliz

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Boselli, Jovanovic, Ireland. Muitas contratações do mercado de verão fracassaram na primeira metade da temporada inglesa, mas o caso mais palpitante é o de Paul Konchesky, do Liverpool. No processo da transferência do Fulham para os Reds, o treinador Roy Hodgson, que também deixava o Craven Cottage em direção a Anfield, preferiu Konchesky ao mexicano Carlos Salcido, que, curiosamente, foi para o Fulham. Após bom começo, o ex-lateral do PSV teve uma quebra de forma por conta de lesão no tornozelo, mas está claro que os londrinos levaram vantagem.

Titular absoluto de Hodgson, Konchesky falhava demais, e quem caía pelo setor dele costumava fazer a festa. Lee Chung-Young, Lennon e tantos outros que o digam. Ofensivamente, também não produzia muito. No primeiro jogo após a compra do Liverpool pelo New England Sports Ventures, o dérbi contra o Everton, ele aprontou isto (preste atenção à reação da torcida do Everton):

Não, não foi um passe de trivela para Babel

Irritada com os constantes comentários de torcedores do Liverpool que criticavam o lateral após a derrota por 2 a 0 para o Stoke, a mãe dele, Carol Konchesky, resolveu desgastá-lo ainda mais com os fãs e extravasou em sua página no Facebook:

Carol disse que Paul não era o único que cometia erros e que os torcedores do Liverpool, a quem se refere como “escória”, deveriam parar de “viver do passado”. Foi tanta a repercussão na Inglaterra, que alguém criou um perfil para satirizar Carol Konchesky no Twitter, o @koncheskysmum, que diz morar “em qualquer lugar, menos Liverpool”.

Curiosamente, os comentários de Carol, já retirados do Facebook, vieram à tona justamente na semana que antecederia Liverpool x Fulham. Para a sorte de Paul, o jogo foi, assim como outros seis da 18ª rodada, adiado em função do mau tempo. Liverpool e Fulham jogam hoje, às 18h de Brasília. Konchesky, mesmo bem fisicamente, não deve atuar. Dalglish tem escalado Kelly na lateral direita e Johnson na esquerda e, eventualmente, deixa o ex-titular fora do banco, dando preferência a Fábio Aurélio.

A propósito, Konchesky retornou a Anfield após o episódio eclodir: contra o Wolverhampton, na derrota do Liverpool por 1 a 0. Fábio Aurélio entrou na vaga dele no segundo tempo. A substituição foi aplaudida.

De volta ao Facebook, Carol ainda escreveu que Paul “nunca deveria ter deixado o Fulham”. Nesse ponto, ela e os torcedores do Liverpool parecem concordar.

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