Publicidade

Arquivo da Categoria Man Utd

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014 Chelsea, Liverpool, Man Utd | 09:25

A estratégia e o talento

Compartilhe: Twitter

A associação do talento à solidez coletiva quase sempre aproxima um time do sucesso. Um dos mestres dessa negociação entre criatividade e segurança é Carlo Ancelotti, campeão europeu com Pirlo, Seedorf, Rui Costa, Shevchenko e Inzaghi no Milan de 2002-03. Hoje no Real Madrid, deve ser o técnico dos sonhos de Florentino Pérez, pela capacidade de criar sistemas seguros (às vezes rotulados de defensivos!) mesmo com vários jogadores mais talentosos com a bola do que sem ela. Mas o antecessor dele em Madri não trabalha exatamente assim.

É obvio que José Mourinho aprecia jogadores talentosos, mas o raciocínio dele passa muito mais por “como eles podem se adaptar a minha estratégia?” do que “como vou adaptar minha estratégia a eles?”. Na Internazionale, o português elegeu Diego Milito seu centroavante e transformou Samuel Eto’o num winger disciplinado, função que o camaronês não imaginava que poderia executar. E às vezes não há lugar para todo mundo. Não houve para Luka Modric no Real Madrid, assim como Juan Mata se deteriorou no banco do Chelsea em 2013-14.

Não parece haver tanto mistério no processo que levou à venda de Mata ao Manchester United. Mourinho pensa que Oscar é, por ser mais trabalhador e dinâmico, uma opção mais interessante do que o espanhol para a meia central do 4-2-3-1. E também não identificou motivos para escalar Mata na ponta direita, considerando alternativas mais rápidas e disciplinadas para a posição Willian, Schürrle e agora Mohamed Salah, contratado para substituí-lo – o egípcio ex-Basel é muito diferente dele, mas ocupa sua vaga no elenco.

Há também o debate sobre a decisão de reforçar um rival. Mourinho nunca vai admitir publicamente, mas, além das razões óbvias (o Manchester United não é candidato ao título e não joga mais contra o Chelsea na liga em 13-14), ele talvez não preveja um impacto tão grande assim do playmaker em Old Trafford. Pelo menos não equivalente aos £37 milhões investidos. A questão é: o excelente espanhol vai acrescentar criatividade ao United, mas não resolve o principal problema do time e ainda cria um dilema tático para David Moyes.

Mata sempre será ótima aposta para quem contratá-lo, mas não era a principal necessidade do United

Mata representa uma mensagem aos rivais (algo como “ainda estamos aqui”), deve garantir alguns pontos adicionais nesta temporada e pode ser a principal estrela do United nos próximos anos. No entanto, há uma lacuna bem clara no time titular que não foi preenchida, a do parceiro de Carrick no meio-campo. Cleverley agoniza em 2013-14, e Fellaini inexiste desde que deixou o Everton. A contratação que Moyes deveria ter feito – o primeiro alvo, para impulsionar uma recuperação até o quarto lugar – está no Paris Saint-Germain: Yohan Cabaye, que fazia tudo no meio-campo do Newcastle.

Cabaye teria um espaço óbvio na equipe, o que não é o caso de Mata. Sua posição preferencial, como número 10, é de Rooney. Moyes não parece disposto a uma alteração drástica (como escalar três zagueiros ou um losango no meio-campo), o que praticamente garante que, com todo mundo saudável, o ex-ídolo do Chelsea sempre jogará partindo da direita para o centro. Isso não o impede de influenciar jogos (pense em Silva, Ben Arfa, Hazard, Coutinho, Nasri e Cazorla, playmakers que já jogaram muito bem mesmo deslocados a um dos lados do campo), mas cria uma dificuldade.

Existe ainda uma questão que nos faz retornar aos primeiros parágrafos do artigo. A presença de Mata não deveria resultar na perda de espaço da grande novidade do time na temporada, Adnan Januzaj, relegado ao banco nos últimos jogos. Ao investir £37 milhões no playmaker, Moyes se propôs o desafio e até a obrigação de tornar viável uma formação que inclua Mata, Januzaj, Rooney e van Persie. Não há tempo, nem pontos a perder para uma equipe que quebra um recorde negativo atrás do outro.

Hoje, o mais óbvio seria a conversão a um 4-2-2-2 semelhante ao do Manchester City (quando jogam Silva e Nasri abertos), com bastante apoio dos laterais e Mata e Januzaj livres para criar por dentro quando o time tem a bola. É uma mudança radical em relação ao modelo de jogo que consagrou e notabilizou o Manchester United nas últimas décadas, mas algo claramente precisa ser feito. A atuação pálida contra o Stoke no sábado mostra que a próxima aposta que Moyes deve fazer é no talento.

A flexibilidade de Brendan Rodgers

Brendan Rodgers não abre mão do talento. O Liverpool é tema para outro texto, mas vale listar as soluções que Rodgers já tentou para garantir que Coutinho, Suárez, Sturridge e, mais recentemente, Sterling estejam na equipe:

– 3-4-1-2. Três zagueiros, um armador central à frente dos volantes e alas e dois atacantes que precisavam se movimentar muito para compensar a teórica desvantagem numérica pelos lados. Sterling era reserva;

 – 4-4-2. Coutinho à esquerda, Sterling (após melhorar demais nos últimos meses) à direita e os dois atacantes com liberdade. O sistema se revelou frágil quando Lucas e Allen se lesionaram e Gerrard virou o volante mais recuado;

 – 4-1-4-1. Com os mesmos jogadores, Rodgers remodelou o time nas últimas rodadas (deu muito certo contra o Everton, mas nem tanto diante do WBA). Coutinho e Henderson se posicionam à frente de Gerrard, e Sterling oferece sua velocidade à direita. Suárez e Sturridge se revezam entre os papéis de centroavante e ponta esquerda.

Autor: Tags:

sexta-feira, 10 de maio de 2013 Everton, Man Utd | 11:03

A sucessão

Compartilhe: Twitter

A aposentadoria de Sir Alex Ferguson é daqueles eventos em que, antes de acontecer, ninguém acredita – à exceção do Telegraph, primeiro jornal a indicar a saída do manager após quase 27 anos no comando do Manchester United. Como sugeriu o artigo anterior desta coluna, o discurso de Ferguson não sinalizava aposentadoria. Não à toa, as especulações praticamente inexistiam, ou pelo menos eram bem mais leves do que temporadas atrás.

Acredite: Ferguson passou o bastão

No entanto, há aspectos lógicos na decisão. A menos que fosse motivado por um problema de saúde ou algo parecido, ele jamais escolheria sair em um cenário negativo. O 20º título do United no campeonato, 13º de Ferguson, é o melhor encerramento possível do ponto de vista moral, sobretudo por ser um incontestável contra-ataque à conquista do Manchester City em 2011-12. Além disso, quando justificou a aposentadoria, o manager reiterou o bom estado (qualidade e média de idade) do elenco que entregará a seu sucessor.

Aliás, o sucessor escolhido por Ferguson e aprovado pelo clube é a melhor manifestação de que o United não pretende promover alterações drásticas. Se existe alguém capaz de preservar o legado, sem a vaidade de apressar mudanças e deixar sua “assinatura” no clube imediatamente, é o escocês (outro, após Matt Busby e Ferguson) David Moyes, de 50 anos. Há 11 temporadas em Goodison Park, Moyes treinará o Everton nas duas rodadas restantes da Premier League e, em seguida, assumirá o que foi batizado de “trabalho impossível”.

Nem tanto, convenhamos. O contrato de seis anos oferecido pelo United atesta a confiança depositada em Moyes (quase um Alan Pardew, a quem o Newcastle entregou precipitadamente um contrato de oito temporadas), que há muito é um dos treinadores mais respeitados da liga. Respeito adquirido por conta da construção de um Everton sustentável e competitivo, que superou elencos mais caros e sempre foi um adversário difícil para qualquer time em qualquer estádio.

É equivocado afirmar que Moyes nunca gastou ou que sempre montou times contratando free agents, mas é correto vincular esse investimento a vendas importantes. Se um dia o Everton comprou Jagielka, Baines, Fellaini, Pienaar e Mirallas, é porque fez muito mais dinheiro com Rooney, Lescott, Rodwell, Andy Johnson (sim, Moyes o vendeu ao Fulham por £13 milhões) e Arteta. Lembra Simon Kuper, do Financial Times, que o Everton tem apenas a 10ª folha salarial da liga e sempre terminou entre os oito primeiros desde 2007.

Moyes não é um técnico purista como Jürgen Klopp ou Pep Guardiola, de estilos inconfundíveis. O Manchester United certamente não será um time tão intenso e rápido quanto o Dortmund ou um praticante do tiki-taka como o Barcelona 2008-2012. O novo chefe em Old Trafford é bem mais maleável e adapta-se ao que tem à disposição para competir. Há quatro ou cinco anos, as pessoas reclamavam de um Everton sem atacantes – na verdade, com Tim Cahill ocupando o espaço correspondente. Hoje, reclamam dos dois postes à frente, Fellaini e Anichebe.

Apesar da flexibilidade, é possível usar como referência o Everton de 2012-13. Particularmente no início da temporada, quando tinha Pienaar e Jelavic em grande fase, Moyes montou uma equipe empolgante, sobretudo nos jogos em casa. Fellaini dominava partidas, Mirallas era um azougue à direita, Baines avançava no espaço abandonado por Pienaar, e Osman controlava o meio-campo. Se recuperar os wingers e contratar os jogadores certos (enfim, dinheiro não será problema), ele pode reproduzir esse tipo de futebol em Old Trafford, com jogadores mais decisivos e confiáveis.

Uma ressalva que precisa ser feita é a ausência de títulos de elite no currículo de Moyes, campeão apenas da terceira divisão com o Preston North End, em 2000. No Everton, sem troféus há 18 anos, a pressão era minimizada pela consistência da equipe e pelo título imaginário de “terminar a liga acima do Liverpool”, algo que Moyes conseguiu em 2005, 2012 e tem tudo para repetir em 2013.

Apesar disso, é bobagem recorrer a um daqueles clichês, como “Moyes é técnico de time sem ambição”. Faltou a chancela de um título, mas ele cumpriu seu papel no Everton e até excedeu as expectativas. A questão agora é conviver com outro tipo de pressão. No United pós-1990, conquistas vêm de maneira natural e são resultado também da excelente gestão Ferguson, uma raposa em campo e hábil no relacionamento com a diretoria e os jogadores. A ética de trabalho de Moyes o transformou no candidato ideal para continuar esse processo.

Autor: Tags: , , ,

quinta-feira, 2 de maio de 2013 Debates, Man Utd | 19:01

O Bayern inglês

Compartilhe: Twitter

SAF não diminui o ritmo

A hegemonia do Manchester United na Premier League esteve realmente ameaçada apenas uma vez, quando as três temporadas de 2003 a 2006 foram dominadas pela melhor versão do Arsenal de Wenger e pelo excelente Chelsea de Mourinho. Mas a resposta a esse período foi imediata. Associado a um ótimo desempenho na Europa, o tricampeonato de 2007-08-09 reiterou a soberania do United na era moderna do futebol inglês.

O título de 2012-13, antecipado há bastante tempo e confirmado na semana passada, foi mais uma demonstração da capacidade de Alex Ferguson de preservar o ethos vencedor em Old Trafford, sempre com ajustes pontuais de uma temporada para outra. Por enquanto, houve três elementos capazes de combater o United desde a fundação da Premier League, em 1992: Alan Shearer (título do Blackburn, em 1994-95), Arsène Wenger e o investimento pesado de Chesea e Manchester City. Os Devils sempre contra-atacaram.

Por conta da quantidade de boas e ótimas equipes (ainda superior, por exemplo, à da Bundesliga), a Premier League transmite uma sensação de competividade, mas está claro que o Manchester United é o Bayern Munique da Inglaterra. Candidatos a concorrentes não faltam, mas ele sempre está na corrida pelo título e habitualmente ganha (13 de 21, ou seja, 62% das edições da Premier League).

As mudanças drásticas pelas quais o futebol inglês passou não atingiram Ferguson, que jamais mereceu o rótulo de ultrapassado. Ainda que faça escolhas questionáveis, como relegar Rooney ao banco no jogo da eliminação na Champions League, e mude demais o time durante a temporada, o manager sempre se atualizou como estrategista e manteve total controle sobre o vestiário. Em Old Trafford, ninguém pode ser ou sentir-se maior do que SAF.

O amor recíproco entre Mourinho e Chelsea: que seja infinito enquanto dure

Ferguson é a combinação perfeita entre sagacidade, liderança e imposição de respeito a adversários e arbitragens. Avesso à palavra “aposentadoria” e no comando de um clube que fecha um contrato milionário atrás do outro, ele está na posição ideal para seguir dominando o futebol inglês. A questão é: quem pode minimizar o sucesso do United nos próximos anos?

As respostas mais óbvias são Manchester City e Chelsea, mas o dinheiro precisa ser associado a decisões certas. Para muita gente, os lampejos do City no fim da temporada, como a vitória sobre o United em Old Trafford, justificam um voto de confiança a Roberto Mancini. Outra interpretação é de que o técnico italiano fracassou por não tirar o melhor do time de maneira consistente. O fato é que, apesar do provável título na FA Cup, a temporada é fraca e reflexo de um trabalho confuso, que incluiu contratações que não acrescentaram nada ao elenco.

No caso do Chelsea, a esperança está totalmente depositada no iminente retorno de José Mourinho. A volta do português seria ótima para o clube e para a liga, mas vale lembrar que ele e Roman Abramovich não são propensos a longas parcerias – o período de Mourinho nos Blues (2004-2007) é o máximo que ele permaneceu num clube e também o trabalho mais longo de um treinador sob o comando do russo. Na Premier League, o pós-Mourinho foi decepcionante, com um título e vários anos longe do United.

Entretanto, a conversa não precisa ficar restrita a Manchester City e Chelsea. O notável exemplo do Borussia Dortmund, bicampeão alemão (2011 e 2012) e finalista da atual edição da Champions League, mostra que investimento descomunal não é o único caminho para tornar-se uma potência, embora ele facilite e acelere esse processo. Mas isso é assunto para outro artigo, em breve.

Autor: Tags: , ,

quinta-feira, 11 de abril de 2013 Man Utd | 19:16

Por que Falcao?

Compartilhe: Twitter

A hipótese de Radamel Falcao García jogar em Old Trafford parece bem realista. Guillem Balagué, jornalista da Sky Sports que se notabilizou por antecipar e desmentir negociações ligadas a clubes ingleses e espanhóis, informa que o Manchester United já pagou ao Atlético Madrid uma espécie de adiantamento para assegurar a contratação do atacante colombiano.

"I'm still here"

Apesar da inegável capacidade de Falcao de decidir partidas por conta própria, é estranha a suposta disposição do clube em investir tanto nele (o Atlético pagou €40 milhões há dois anos). Mesmo que Kagawa e Welbeck sejam aproveitados em outros papéis, não há carência de atacantes no elenco de Rooney, Hernández, van Persie e Henríquez – estes dois comprados em 2012 para garantir, respectivamente, o presente e o futuro do United na posição. Por isso, o blog indica cinco jogadores, para cinco funções diferentes, que o United deveria contratar antes de cogitar torrar em Falcao uma considerável parcela do orçamento:

Luka Modric. Seria a contratação ideal de um deep-lying playmaker (algo como um “volante criativo”), papel para o qual o United resgatou Paul Scholes em janeiro do ano passado, após sete meses de aposentadoria. É verdade que Alex Ferguson aposta em Cleverley, mas está claro que ele não pode ser a única opção confiável para acompanhar Carrick no meio-campo (Giggs deve ser encarado como um bônus). Modric, excepcional em quatro temporadas de Premier League, não é um sonho impossível porque rendeu bem menos do que o Real Madrid esperava depois de pagar £33 milhões ao Tottenham: é um reserva de luxo, chamado quando José Mourinho precisa abrir defesas bem fechadas.

Gareth Bale. Se alguém justifica um investimento de £50, £60 milhões no contexto do United, este é Bale. Como os wingers do elenco – Valencia ,Young e Nani – estão em má fase, Ferguson pensa em novas opções para a função e já garantiu Wilfried Zaha, do Crystal Palace, para a próxima temporada. Mas Bale representaria um passo à frente, pois pode ser um winger à Cristiano Ronaldo em seus anos de Old Trafford. O galês provou nesta temporada que causa pânico em qualquer setor do ataque. Se tivesse no United a mesma liberdade que transformou o português numa máquina de marcar gols em 2007-08, a estrela do Tottenham seria ainda mais fenomenal.

Isco. A moda entre grandes clubes da Inglaterra é contratar meias versáteis, criativos (Oscar, Hazard, Coutinho…) e, se possível, espanhóis (Mata, Cazorla, Silva…). Em algum momento, Ferguson deve se render a um desses especialistas em assistências. Assim como o Arsenal aproveitou os problemas financeiros do Málaga para capturar Cazorla e Monreal, o United poderia buscar um dos prodígios do futebol espanhol: Isco, grande destaque da campanha do time andaluz na Champions League.

Toby Alderweireld. É mais um da fábrica de bons zagueiros belgas do Ajax que interessam a clubes ingleses, que já produziu Vermaelen e Vertonghen. Alderweireld, que tem seu nome ligado ao Liverpool, seria ótima aposta não apenas pela qualidade, mas também pelo preço. Como o contrato termina em 2014, a tendência é que os holandeses o liberem por, digamos, £7 milhões. Se Ferguson efetivar Phil Jones como meio-campista, seria importante ter à disposição outro defensor no momento em que Vidic e Ferdinand envelhecem. Bem como Brown e O’Shea, que deixaram Old Trafford em 2011, pode atuar ainda na lateral direita, com o bônus de ser tecnicamente superior aos dois.

Victor Wanyama. Se Jones virar zagueiro, aí seria mais interessante correr atrás do queniano do Celtic. O jovem de 21 anos, um grande ladrão de bolas, rapidamente se tornou ídolo em Glasgow pela intensidade e também pela capacidade de organizar o time após desarmar o adversário. Autor de um dos gols da vitória histórica sobre o Barcelona na Champions League, Wanyama é uma opção segura, sem tanto prejuízo técnico, para jogos em que a prioridade é travar o meio-campo oponente. Na controversa lista do Guardian com os 100 melhores jogadores do mundo, ficou em 81º.

Autor: Tags: , , , , ,

quarta-feira, 6 de março de 2013 Copas Europeias, Man Utd | 08:57

Do kung-fu a Modric

Compartilhe: Twitter

Acabou para o Manchester United. E está acabando para a Inglaterra, que, na Champions League, deve ter apenas a despedida do Arsenal em Munique e a honra de sediar a decisão. A provável ausência de representantes ingleses nas quartas de final é a sequência natural do que foi discutido no blog em dezembro do ano passado. No entanto, como até José Mourinho admitiu (“o melhor time perdeu”), os Red Devils poderiam ter derrubado o Real Madrid. O blog enumera cinco episódios que determinaram a derrota por 2 a 1 e a eliminação do United em Old Trafford:

Ferguson dispensou a entrevista coletiva após o jogo. Não é difícil entender por quê

A expulsão de Nani. O lance capital do confronto, mais do que qualquer um dos cinco gols. Sem intenção, Nani aplicou em Arbeloa um golpe de kung-fu e foi expulso pelo árbitro Cuneyt Cakir, que, enquanto o português estava deitado, teve alguns segundos para pensar no que faria. Um cartão amarelo teria punido Nani com correção, condenando a imprudência sem ignorar o caráter acidental do lance. Até a expulsão, o United controlava bem o jogo e não dava sinais de que sofreria gols.

A ausência de Jones. O quebra-galho do elenco, que perdeu por lesão a partida decisiva, teria sido importante demais. Não apenas para assessorar Rafael no combate a Ronaldo, sua principal função no jogo de Madrid, mas especialmente para fechar espaços e oferecer mais energia depois da expulsão de Nani. Alonso, Modric, Özil e Kaká circulavam à vontade contra meio-campistas desgastados e sem a força de Jones, que, como Sam Allardyce descobriu há duas temporadas no Blackburn, é capaz de proteger muito bem a área.

A apatia de van Persie. Ainda que a fase não seja brilhante, o holandês poderia ter feito mais no confronto. Na primeira partida, faltou a precisão habitual quando ele perdeu uma oportunidade clara diante de Diego López. Na segunda, faltou tudo a van Persie, que se aproximou bastante de sua versão pálida da Euro 2012.

A decisão de Ferguson. Ferguson relegou Rooney ao banco com o argumento de que Welbeck seria mais eficiente em atrapalhar Xabi Alonso. De fato, Welbeck foi enérgico sem a bola e limitou a passes burocráticos o articulador do Real Madrid, que costuma ser letal nos lançamentos. Mas Rooney vive ótima fase técnica e, embora não tenha o fôlego de Welbeck, também está habituado a cumprir papéis defensivos que contrariem sua “natureza”. Teria sido mais simples perseguir Alonso do que fechar o lado direito, como no primeiro jogo. É inevitável pensar na falta que Rooney fez nos momentos em que o United dominava. Não aproveitar Kagawa, que vinha de hat-trick no sábado, foi outra opção questionável.

A entrada de Modric. O ex-dínamo do Tottenham ainda não encontrou espaço no sistema de Mourinho, que mantém Khedira e Özil nas posições que ele poderia ocupar. Mas a atmosfera de um estádio inglês fez bem ao croata, um dos grandes da Premier League até a temporada passada. Chamado logo após a expulsão de Nani, Modric mostrou seu repertório em meia hora. Além do gol que pôs o Real Madrid em situação favorável, os passes precisos e a excelente movimentação minaram o sistema defensivo do United. Foi o melhor do jogo.

Página do blog no Facebook

Autor: Tags: , , , , , , ,

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013 Copas Europeias, Man Utd | 15:59

Real Madrid x Manchester United

Compartilhe: Twitter

O confronto entre Manchester United e Real Madrid é a típica ironia de sorteio da UEFA Champions League. Segundo colocado no grupo do United, o Galatasaray enfrenta nas oitavas de final um Schalke 04 em péssima fase. A Alex Ferguson, as bolinhas reservaram José Mourinho e Cristiano Ronaldo. Mesmo que a liderança da chave não tenha sido recompensada com um adversário simples, ninguém reclamou da sorte. Certamente é a partida que todos querem jogar, ainda que precocemente.

É improvável que a crise de vestiário do Real Madrid facilite o confronto. À parte algumas atuações tétricas na liga espanhola, as últimas semanas mostraram que, quando concentrado, o time de Mourinho pode destruir bons oponentes. Ainda em janeiro, o Valencia levou 5 a 0 em casa, com todos os gols no primeiro tempo. No sábado, um brilhante Cristiano Ronaldo garantiu 4 a 1 sobre o Sevilla.

Embora a temporada do United indique que o ataque sempre compensa as falhas da defesa, o caminho para sair vivo do Santiago Bernabéu passa por esperar e não oferecer espaço para as transições rápidas do Real Madrid. O quarto gol contra o Sevilla foi a perfeita demonstração de como o contra-ataque madridista é letal e não deve ser permitido. O time da Andaluzia cobrou falta no campo de ataque e, exatamente 15 segundos depois, sofreu o gol. Ronaldo iniciou e concluiu a jogada.

Possíveis escalações. Base do United é a formação utilizada contra o Tottenham, em 20 de janeiro, com Rooney no lugar de Kagawa

Aliás, Ronaldo não pode ser marcado apenas por Rafael. Ferguson teve esse cuidado quando enfrentou Bale, na visita ao Tottenham há três semanas. Para evitar a exposição do lateral brasileiro às arrancadas do galês, Phil Jones, o quebra-galho do elenco, foi escalado no meio-campo e dobrou a marcação sobre Bale. A tendência é que ele repita o expediente em Madrid. Não à toa, havia certa apreensão sobre a condição física de Jones, substituído por precaução na última rodada da Premier League. Contra o Tottenham, deu certo. Na quarta-feira, pode sobrar espaço para outros jogadores decisivos – daí a importância, por exemplo, de Carrick no combate a Özil.

Outra peça-chave para o United é Rooney, que deve ligar contra-ataques, abastecer van Persie e eventualmente finalizar. A versatilidade do número 10 oferece flexibilidade à equipe. Ferguson pode orientá-lo a incomodar Xabi Alonso, sua função habitual, ou mesmo a fechar o lado esquerdo, como aconteceu no fim de semana contra o Everton. No entanto, sem esquecer a necessidade de marcar gols em Madrid, é fundamental que Rooney sempre se aproxime da área quando o United tiver a bola.

Como o Real Madrid contra-ataca sem piedade, é praticamente questão de sobrevivência para o United um placar aceitável no Santiago Bernabéu. A eliminação de dez anos atrás (vitórias do Real por 3 a 1 em Madrid e do United por 4 a 3 em Manchester, com hat-trick de Ronaldo Fenômeno), mesmo com personagens diferentes, serve de lição: quando você tem de correr atrás do resultado, sempre haverá um Ronaldo do outro lado para derrubá-lo.

Página do blog no Facebook

Autor: Tags: ,

sábado, 8 de dezembro de 2012 Man City, Man Utd | 16:53

Imprevisível

Compartilhe: Twitter

Ferguson e Mancini não parecem ter um plano, mas vão disputar o título de novo

Em confronto direto pelo título, o Manchester City recebe o Manchester United amanhã, às 11h30 de Brasília. Sem recorrer a qualquer clichê, podemos afirmar que o clássico é imprevisível. A pergunta não é “quem vai ganhar?”, mas “a que tipo de jogo vamos assistir?”. Não sabemos. City e United contam com vários dos jogadores mais talentosos da Premier League e por isso devem bipolarizar a disputa pelo título, porém nenhum deles tem exatamente uma identidade. As escalações, os sistemas e as ideias de Roberto Mancini e Alex Ferguson são inconsistentes.

A inconsistência, nesse caso, não pode ser confundida com capacidade de adaptação aos adversários. Mancini, por exemplo, equivocou-se quando escalou três zagueiros em jogos que exigiam mais segurança pelas laterais. Ademais, em função do interminável rodízio promovido pelo italiano, nem sequer conhecemos os atacantes titulares do City.

Do lado vermelho de Manchester, Ferguson recorreu algumas vezes à formação diamante (4-3-1-2), para tentar ganhar a batalha do meio-campo ou simplesmente para reunir o maior número possível de meias e atacantes. O diamante permite que Cleverley, Kagawa, Rooney, van Persie e Hernández joguem ao mesmo tempo, mas, por conta da lesão de Kagawa e do alto número de wingers no elenco, não virou o sistema favorito em Old Trafford.

No dérbi das escalações imprevisíveis, o deslocamento de Rafael ao meio-campo, com Jones na lateral, seria uma resposta à lesão de Valencia e aos problemas defensivos do United. No City, Balotelli e Agüero jogaram apenas meia hora contra o Dortmund, na quarta-feira, e podem aparecer entre os titulares amanhã.

Sem sequência ou estilos definidos, é quase impossível descrever City e United. Como times, na acepção da palavra, a dupla de Manchester tem de evoluir bastante. No dérbi de amanhã, a tendência é que os jogadores sejam muito mais importantes do que os técnicos. Foi assim nos 6 a 1 dos visitantes em Old Trafford na temporada passada, quando Evans foi expulso, e os meias e atacantes do City, sobretudo Silva, aproveitaram os espaços que apareceram naturalmente.

Aliás, as últimas atuações do United no dérbi foram trágicas. Na derrota por 1 a 0 no Etihad, confronto que encaminhou o título do City na temporada passada, o desempenho coletivo talvez tenha sido até pior do que na goleada de Old Trafford. Desde a semifinal da FA Cup de 2010-11, os Red Devils não conseguem lidar com Yaya Touré. Amanhã, terão de lidar também com seus problemas defensivos. Mesmo na liderança da liga, o United foi vazado incríveis 21 vezes em 15 jogos, dez a mais do que o City.

O péssimo histórico recente no clássico, os desfalques (na pior das hipóteses, entre Cleverley, Kagawa, Valencia, Anderson e Vidic, ninguém joga) e a crise defensiva dão a Ferguson o direito de acreditar que uma eventual vitória no Etihad seria uma das melhores de sua carreira. Ainda que Mancini esteja perdido, não será fácil, especialmente se David Silva estiver disponível. O City tem boas chances de vencer e atingir os mesmos 36 pontos do United na liderança.

Consulte a lista de lesões e suspensões da Premier League.

Autor: Tags: ,

segunda-feira, 5 de novembro de 2012 Liverpool, Man Utd | 13:07

Robin e Luis

Compartilhe: Twitter

Semana após semana, Robin van Persie e Luis Suárez se consolidam como os melhores atacantes da Premier League. No sábado, o holandês do Manchester United assumiu a artilharia isolada, com oito gols, ao marcar (e não comemorar) contra o Arsenal. Ontem, o uruguaio chegou a sete num lance de rara beleza, que deixou a crítica a seus pés e garantiu o empate do Liverpool com o Newcastle.

Agora contra André Santos, van Persie se divertiu em Old Trafford

Com participação direta em 42% dos gols do United, van Persie é fundamental para o novo clube, ainda que esteja em Old Trafford há menos de três meses. A contratação foi perfeita, pois acrescentou ao sistema um atacante quase infalível, no auge da carreira e aparentemente livre da tendência a lesões.

O gol marcado contra os ex-patrões foi um símbolo do que ele representa para o United. Embora seja excelente também fora da área, van Persie não precisa, a toda hora, buscar o jogo e criar suas próprias oportunidades. A bola se oferece com mais frequência para o artilheiro finalizar, geralmente com precisão cirúrgica. Ele é a cereja do cupcake.

No Arsenal, van Persie era bem mais do que a cereja. Sua influência sobre os gols dos Gunners na temporada passada foi de 58%. É inevitável pensar que, não fosse por ele, o Arsenal teria fracassado na busca por uma vaga na Champions League pela primeira vez na era Wenger. Houve outras peças importantes, como Alex Song (outro que deixou o Emirates), principal assistente de van Persie, mas o holandês, com seus 30 gols e 13 assistências em 38 partidas, era incomparável.

Sterling, 17, é o melhor coadjuvante de Suárez

Situação parecida vive Suárez. De acordo com a Opta, se os gols marcados e assistidos pelo uruguaio fossem excluídos, o Liverpool seria o último colocado da Premier League, com apenas dois pontos. Ele participou diretamente de nove dos 13 gols do time, ou seja, 69%. Pudera! Suárez é o único atacante com mais de 20 anos disponível no elenco. Borini, de 21, começou mal em Anfield e está lesionado.

É evidente que a excessiva concentração dos gols em Suárez tem mais contras do que prós. A tabela, que mostra o Liverpool em 12º, está aí para comprovar. Por outro lado, também parece claro que o time de Brendan Rodgers pode melhorar demais caso tenha um mercado produtivo em janeiro, o que é bem provável pelo discurso do treinador.

Suárez amadureceu e está pronto para liderar o Liverpool. O compromisso do clube é construir seu ataque em torno do uruguaio, com opções além dos ótimos teenagers Suso e Sterling. É o caminho inverso do percorrido pelo Manchester United, que inseriu um atacante fantástico numa engrenagem que já funcionava antes dele.

Autor: Tags: , , ,

sábado, 27 de outubro de 2012 Chelsea, Everton, Liverpool, Man Utd | 20:05

Azul e vermelho

Compartilhe: Twitter

Quis a tabela da Premier League que nosso domingo eleitoral fosse repleto de grandes jogos na Inglaterra. São quatro partidas marcadas para amanhã, com direito a clássico de Liverpool e um confronto direto pelo título. O blog prevê os dois embates:

Everton x Liverpool, às 11h30 (BSB).
O confronto impõe aos clubes de Merseyside um cenário bem diferente em relação aos últimos anos. Enquanto este Everton, quarto colocado antes do início da rodada, tem potencial para ser o melhor da era David Moyes (desde 2002), o Liverpool passa por uma temporada de transição, na qual rompe com o “britanismo” de Kenny Dalglish e oferece papéis importantes a garotos. Amanhã, por exemplo, os teenagers Wisdom, Suso e Sterling, que ainda disputavam campeonatos de base no primeiro semestre, podem ser titulares.

Em circunstâncias normais, até pelas ótimas atuações recentes em casa, o Everton seria favorito. Mas a suspensão de Pienaar, que, assim como Mirallas, tem sido fundamental para abastecer os atacantes, deve equilibrar o confronto. O segredo para desestabilizar a defesa do Liverpool, bem mais segura nos últimos jogos, pode ser o apoio de Baines, uma vez que Suso (habitualmente escalado na ponta direita por Brendan Rodgers) tende a centralizar e não vai incomodá-lo tanto. O jogador-chave do Liverpool é Sterling. Qualquer que seja seu marcador (Hibbert ou Coleman), ele é favorito no one-on-one.

Chelsea x Manchester United, às 14h.
É o primeiro encontro entre verdadeiros candidatos ao título. A desvantagem de quatro pontos em relação a seu adversário deixa o United com a obrigação de não perder em Stamford Bridge. Por outro lado, é a oportunidade do Chelsea de preparar o terreno para uma sequência que pode não parecer, mas certamente é bem complicada: Swansea (fora), Liverpool (casa), WBA (f) e Manchester City (c).

Taticamente, a questão fundamental é a possibilidade de Alex Ferguson apostar outra vez na formação “diamante”, que deu tão certo contra o Newcastle, em St. James’ Park, há três semanas. Particularmente em Stamford Bridge, faz sentido o meio-campo em losango (como aparece no campinho ao lado), pois as chances contra o Chelsea passam por tirar a bola dele (o que aconteceu nos primeiros minutos diante do Newcastle) e congestionar as posições centrais, obrigando o deslocamento dos armadores às laterais do campo. No Chelsea, é interessante notar que Lampard e Terry, lesionado e suspenso, não fazem tanta falta quanto em outros tempos.

Autor: Tags: , , ,

segunda-feira, 8 de outubro de 2012 Man Utd, Newcastle | 15:22

À italiana

Compartilhe: Twitter

Formações iniciais em Newcastle 0 x 3 MU

A vitória por 3 a 0 sobre o Newcastle, em St. James’ Park, marcou a melhor atuação do Manchester United na temporada. O conjunto de Alex Ferguson contou com dois gols a partir de escanteios para decidir o confronto, mas o placar foi mais um prêmio à pressão exercida nos primeiros minutos do que uma casualidade. No início da partida, o United flertou com 80% de posse de bola.

Ferguson buscava exatamente isso quando montou o time no 4-3-1-2, com um losango (ou diamante) à italiana no meio-campo. Foi a primeira vez que o United atuou assim no campeonato, mas a formação já havia sido testada nos confrontos contra Newcastle, na Capital One Cup, e Cluj, na Champions League. Ao site do clube, o treinador apontou a possibilidade de o diamante ser utilizado com alguma frequência nesta temporada.

O 4-3-1-2 dá certo no United, mas vale sempre lembrar que uma formação é “melhor” do que outra apenas em determinados contextos. O losango no meio-campo passa a ser uma alternativa em Old Trafford porque permite a Ferguson escalar Kagawa, Rooney, van Persie e, quando for o caso, um atacante extra ao mesmo tempo. Além disso, a falta dos pontas tem sido compensada pelos avanços do lateral-direito Rafael, que, apesar das peripécias nos Jogos Olímpicos, começou muito bem a temporada.

RvP e Kagawa oferecem novas opções

Ainda assim, há outros pontos a considerar. A opção pelo diamante tem a ver também com a trágica atuação em St. James’ Park na temporada passada, quando o United foi derrotado por 3 a 0 numa partida completamente dominada por Tioté e Cabaye. Desta vez, o United mandou prender e soltar no centro do meio-campo e correu riscos pelas laterais, de onde vários cruzamentos abasteceram Ba e Cissé, sobretudo no início do segundo tempo.

O sucesso no jogo de ontem também está relacionado à fragilidade do Newcastle, que teve Harper, Santon, Perch, Williamson e Ferguson, ou seja, quatro reservas na defesa, um enorme prejuízo para Alan Pardew. Além disso, os pontas dos Magpies, Ben Arfa e Gutiérrez na formação inicial, não costumam atacar tanto os laterais adversários. Pontas mais agressivos causariam mais danos. Há menos de uma semana, houve uma partida em que o time que explorou as laterais dominou aquele que concentrou seus jogadores na faixa central: Porto 1 x 0 PSG.

As atuações recentes incentivam Ferguson a utilizar o losango outras vezes, mas essa opção certamente não é definitiva. Por exemplo, uma peça fundamental para o United nas últimas temporadas não se adapta tão bem a esse esquema: Antonio Valencia, em tese, precisa jogar pela faixa direita do campo. Muito além de apenas uma formação, a capacidade de variar seu estilo de jogo passa a ser a grande arma do Manchester United.

Autor: Tags: , , ,

  1. Primeira
  2. 1
  3. 2
  4. 3
  5. 4
  6. 5
  7. Última