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Arquivo da Categoria Man Utd

domingo, 22 de janeiro de 2012 Arsenal, Man City, Man Utd, Tottenham | 23:25

Lições de Londres x Manchester

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Amor pelo gol: Bale já marcou oito vezes na liga, uma a mais do que na temporada passada

Manchester não teve a facilidade do primeiro turno, mas tornou a vencer Londres em rodada reservada a clássicos entre clubes das cidades. Um espetacular Man City 3 x 2 Tottenham e um também emocionante Arsenal 1 x 2 Man United nos deixam algumas lições:

Savic é o Squillaci do Manchester City. Empurrada pelo medo, a torcida do Arsenal costuma fazer uma conta simples: faltam quantas lesões de defensores para Squillaci entrar em campo? No City, o equivalente ao francês é Stefan Savic. Sem Kompany e Kolo Touré, Mancini é obrigado a escalar o jovem montenegrino, que já coleciona atuações inseguras. Hoje, ele ofereceu a vitória ao Tottenham. Savic precisa de tempo para levar à Premier League a confiança que, há mais de um ano, ele mostra na seleção de Montenegro.

Bale deve se movimentar, mas nem tanto. Nesta temporada, Harry Redknapp escolheu dar mais liberdade a Bale para aproveitar melhor a visão, a velocidade e o poder de decisão de seu principal jogador. O golaço no Etihad Stadium é, de certa forma, resultado disso. Ainda assim, está claro que o galês não pode abandonar completamente o corredor esquerdo, onde é letal. No fim, arrancando por ali, ele deixou Defoe diante do gol.

O Arsenal precisa se livrar de Rosicky e Arshavin. Afinal, se estiverem no Emirates, sempre vão jogar. Na derrota de hoje, ambos foram mal e protagonizaram decisões bem discutíveis de Wenger. Enquanto Ramsey foi injustamente sacado, Rosicky vegetou em campo até o fim. Arshavin, por sua vez, substituiu Chamberlain, o melhor do Arsenal na partida, e falhou no gol da vitória do United. Eles representam um passado do qual o clube tem de se libertar.

Valencia é fundamental para o United. Com um gol e uma assistência, o equatoriano foi o melhor da vitória sobre o Arsenal. Valencia está novamente em plena forma, o que é uma ótima notícia para Ferguson. Ao contrário de Nani e do lesionado Ashley Young, o ex-jogador do Wigan é winger puro, daqueles que vão à linha de fundo por princípio. Como se não bastasse, ele ainda quebra galhos na lateral direita.

Seleção da rodada
John Ruddy (Norwich); Gretar Steinsson (Bolton), Micah Richards (Man City), Zak Whitbread (Norwich), Gareth Bale (Tottenham); Nigel Reo-Coker (Bolton); Antonio Valencia (Man Utd), Stephane Sessegnon (Sunderland), James Milner (Man City), Clint Dempsey (Fulham); Robbie Keane (Aston Villa)

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domingo, 8 de janeiro de 2012 Man City, Man Utd | 18:24

Guerra psicológica empatada

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Paul Scholes troca o blazer pela camisa 22, a que vestiu há 16 anos

Uma equivocada expulsão do capitão do Manchester City, Vincent Kompany, ofereceu ao Manchester United duas boas oportunidades: a de se classificar à quarta fase da FA Cup e a de garantir uma espécie de triunfo psicológico sobre seus rivais para o restante da temporada. A primeira foi aproveitada com uma vitória por 3 a 2. A segunda, talvez igualmente importante, foi por água abaixo na etapa final.

Após ter três gols e um jogador de vantagem ao intervalo, Alex Ferguson certamente sonhava com um Etihad Stadium mais fúnebre quando a partida terminasse. A vitória não deixou de ser uma manifestação de força e poder de recuperação, pois a semana anterior havia sido trágica e o adversário parecia imbatível em casa. Porém, mais do que uma devolução dos 6 a 1 de Old Trafford, uma goleada poderia alimentar os tradicionais jogos psicológicos de bastidores com os quais Ferguson adora minar oponentes.

Em vez de elogios, Sir Alex disparou críticas contra seu time em função da “falta de cuidado” para defender a vantagem no segundo tempo. Para combater a péssima fase, ele parece querer chocar seus jogadores de alguma maneira. É claro que o muito surpreendente retorno do ex-aposentado Paul Scholes tem a ver com a crise de lesões, mas o poder de influência dele sobre o vestiário provavelmente impulsionou o convite de Ferguson.

Do outro lado, o menor dos males. A esta altura, com a liderança na liga e a necessidade de se impor sobre o United por um título mais relevante, a eliminação em si não pesa tanto para o Manchester City, atual campeão da FA Cup. A atuação no segundo tempo, que os aproximou do empate, foi suficiente para evitar um clima negativo ou mesmo o despertar de um velho complexo de inferioridade. No placar, triunfo do United. Na guerra psicológica, não houve vencedores.

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quinta-feira, 22 de dezembro de 2011 Man City, Man Utd | 16:04

Inversão de papéis

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O Manchester United resgatou ao menos parte do futebol atrativo do começo da temporada. Vitórias convincentes sobre Wolverhampton, Queens Park Rangers e, principalmente, Fulham quebraram uma sequência de jogos sonolentos que, cedo ou tarde, levariam a resultados negativos. O bônus pelas ótimas atuações é a redução da diferença para o Manchester City, agora de dois pontos. Sem dúvida, foi a melhor reação possível à eliminação na Champions.

Ignorar o United na corrida pelo título seria um erro sem tamanho. É aí que a gente recorre a Brian Kidd, assistente técnico no City, para entender a situação dessa disputa. Há exatamente um ano, com os dois clubes empatados na liderança (o United tinha duas partidas a mais para fazer), ele disse que a questão não era se o City poderia ganhar a liga, mas se o United poderia perdê-la. Mais do que uma simples vantagem matemática, Kidd reconhecia que os rivais estavam alguns degraus acima.

Alguém aí se lembra de Tevez?

A situação de hoje é muito parecida, porém os papéis estão invertidos. O United pode renovar o título, mas o City dá sinais claros de que o provável destino do troféu é o Etihad Stadium. A queda na Champions e a perda da invencibilidade não tiveram impacto sobre o time de Roberto Mancini, que voltou a vencer com segurança e, como se não bastasse, com um diferencial: já são duas partidas sem sofrer gols. Parece pouco, mas a defesa havia sido vazada em oito jogos consecutivos.

Se a retaguarda comandada pelos excelentes Hart e Kompany mantiver o ritmo, o ataque decide. São impressionantes 53 gols (mais de três por jogo) e um aproveitamento de 22% das finalizações (o do Liverpool, para você ter uma ideia, é de 9%). A temporada de estreia do artilheiro Agüero tem sido a melhor que a Premier League já viu também por conta da capacidade de Mancini para variar esquemas e sempre lhe oferecer chances. Ontem, contra o Stoke, Adam Johnson, Silva e Nasri o serviram.

Em nove partidas, a campanha caseira do City é perfeita. Ótimo para quem, no segundo turno, será visitado por United, Tottenham, Chelsea e Liverpool. O United receberá somente o Liverpool do grupo dos seis primeiros colocados. Apesar de prematuro, o favoritismo é evidente. Hoje à noite, Tottenham e Chelsea ajudam a determinar se os Red Devils serão os únicos desafiantes do óbvio.

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quarta-feira, 7 de dezembro de 2011 Arsenal, Chelsea, Copas Europeias, Man City, Man Utd | 22:37

Ups and downs

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Além da eliminação, Ferguson lamenta a lesão de Vidic, que pode ser grave

Há seis temporadas, o Manchester United deu vexame na Liga dos Campeões ao ficar na quarta posição de um grupo com Benfica, Villarreal e Lille. Classificados, portugueses e espanhóis se revelaram fortes quando eliminaram, respectivamente, Liverpool (que defendia o título) e Internazionale. O submarino amarelo, aliás, quase foi finalista. É por isso que, mesmo marcando três pontos a mais do que naquela ocasião, o papelão deste ano parece maior.

Os resultados de hoje derrubam a bancada de Manchester da Champions e a consolam amargamente com vagas na Liga Europa. O City venceu o Bayern no Etihad Stadium, mas parou na dependência de um bem improvável empate do Villarreal com o Napoli. O United fez pior: perdeu para o Basel na Suíça.

Ainda que o Benfica faça ótima temporada e o Basel tenha a nata da nova geração suíça, o aproveitamento de 50% numa chave em que também estava o romeno Otelul Galati (único adversário derrotado pelo United) é para marcar um dos maiores fiascos de Alex Ferguson.

É difícil, nos dois casos, falar em soberba. No exemplo do Manchester City, o único resultado que pode gerar críticas mais enfáticas é o empate em casa com o Napoli. Além disso, nada muito fora da curva. Talvez tenha faltado a Roberto Mancini a sensibilidade para identificar que, em momentos de vida ou morte (como era aquele jogo do San Paolo), Agüero não pode ser limitado a dez minutos e as laterais devem ter os mais confiáveis Richards e Clichy. Rodízio é legal quando se tem um grupo grande e homogêneo, mas não pode comprometer a esse ponto.

No Manchester United, a prática de trocar a escalação também foi bastante utilizada. Mesmo se o grupo fosse mais complicado, seria natural que Ferguson agisse assim em função da alta exigência de aproveitamento na Premier League. O problema é que o time ainda não achou seu ponto. No início da temporada, dava espaço demais aos adversários. Agora, mal consegue construir jogadas. O vexame surpreende em relação às expectativas iniciais, mas não pelo futebol pobre das últimas semanas.

Chelsea sólido na defesa e chilique de treinador português na coletiva: Mourinho voltou?

Londres ao resgate
Arsenal e Chelsea sustentam a Inglaterra. Garantido em primeiro com uma rodada de antecedência, o time de Arsène Wenger aproveitou a competição continental para se reconstruir. Bem ou mal, os cinco novos titulares (Mertesacker, André Santos, Arteta, Ramsey e Gervinho) foram beneficiados pela repetição na Champions da formação habitual. Nas noites europeias, a equipe fez sangrar os olhos várias vezes (Marselha 0 x 1 Arsenal foi jogo duro – de ver), mas esbanjou eficiência e ainda ganhou um ritmo que a beneficia na Premier League.

O Chelsea também venceu seu grupo. O empate com o Genk na Bélgica não foi exclusividade (ninguém ganhou lá), e a derrota para o Leverkusen na Alemanha assumiu proporções exageradas pelo momento ruim do time. A vitória de ontem, sobre o Valencia, teve vários lados bons e um ruim. Os bons são a mudança tática (linhas mais recuadas, defesa mais protegida), o resgate do melhor Drogba, a sequência de Oriol Romeu (bem mais seguro do que Mikel) e a garantia do técnico no cargo. O lado ruim é o desnecessário chilique de André Villas-Boas.

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domingo, 4 de dezembro de 2011 Man Utd | 21:22

Na conta do chá

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Manchester United 5 x 1 outros. Este é o placar agregado das últimas cinco partidas do United na Premier League. Religiosamente, um gol marcado por jogo. O único sofrido veio de um pênalti inexistente, concedido pelo árbitro Mike Jones ao Newcastle. A consequência natural da goleada do Manchester City por 6 a 1 em Old Trafford, há seis rodadas, é a cura da insônia de quem assiste ao time de Alex Ferguson.

Phil Jones é símbolo de um United que pouco joga, não deixa jogar e sempre encontra um gol - nada além de um gol

A vitória de ontem, por 1 a 0 sobre o Aston Villa em Birmingham, foi provavelmente o pior jogo da temporada. E as partidas contra Swansea, Sunderland e Everton, também recentes e vencidas por 1 a 0, não ficam muito atrás. É evidente que Ferguson tinha de se cuidar após levar seis gols em casa – e isso se manifesta, entre outros fatores, pelo resgate de Carrick aos titulares –, mas a mudança de perfil não é meramente obra do treinador.

O futebol atrativo e de ótima fluidez no ataque do início da temporada morreu com as ausências de Cleverley e Anderson (hoje lesionados, eram titulares) e o declínio técnico de Nani, Young e Rooney, este por vezes sacrificado para combater a pobreza criativa do meio-campo. Enquanto o trio perdeu fôlego à frente, a defesa ficou muito mais segura com a volta de Vidic, que aconteceu exatamente após a goleada para o City. É natural que partidas insanas, como os 3 a 1 sobre o Chelsea em Old Trafford, tenham sido substituídas por vitórias sonolentas.

Sem o cérebro de Cleverley, que se tornou fundamental de uma hora para outra, o United tem jogado por uma bola, geralmente finalizada por Chicharito. Infelizmente para Ferguson, o mexicano se junta a Cleverley e também vai perder os próximos jogos por lesão. A solução, então, é seguir ganhando na marra. Ontem, atuando no meio-campo, Jones compensou com intensidade as deficiências da equipe e, em ótima chegada à área, marcou o primeiro gol da carreira e definiu outra goleada por 1 a 0.

Não há crise em Old Trafford. Pelo contrário: os resultados domésticos, descontando a eliminação da Copa da Liga, são ótimos. O problema mesmo é o futuro. Em dezembro, o time até deve se virar sem Chicharito, com Welbeck de volta. No segundo turno, porém, o United enfrenta City (também na FA Cup), Tottenham, Chelsea, Newcastle e Arsenal longe de casa. Mesmo com os retornos, um mercado de janeiro sem novidades pode custar a briga pelo título.

Veja a classificação do campeonato.

Seleção do fim de semana
Wayne Hennessey (Wolves); Micah Richards (Man City), Phil Jones (Man Utd), Thomas Vermaelen (Arsenal), Gareth Bale (Tottenham); Daniel Sturridge (Chelsea), Yaya Touré (Man City), Scott Parker (Tottenham), Gervinho (Arsenal); Yakubu (Blackburn), Steven Fletcher (Wolves).

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terça-feira, 22 de novembro de 2011 Copas Europeias, Man City, Man Utd | 23:49

A medida do fracasso

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Há três temporadas, Agüero chegou às oitavas da Champions com o Atlético

O Manchester City está à beira do precipício em sua primeira Champions League em quatro décadas. A derrota no San Paolo condiciona a classificação a um milagre na última rodada. Para seguir adiante, o City precisa, além de uma vitória sobre o Bayern em casa, que o Villarreal tire pontos do Napoli em El Madrigal. Alemães e espanhóis têm as vidas definidas e não devem alterar a situação, desfavorável aos ingleses.

Mesmo quando você tem a bola em 70% do tempo, perder no San Paolo é aceitável. Mais ingrata é a lembrança do empate por 1 a 1 com o Napoli no Etihad Stadium, quando o City pecou pela ausência de De Jong justamente no espaço de atuação de Lavezzi e Hamsik. Os dois sempre alimentavam um Cavani inspirado e de três gols nos confrontos contra os Citizens.

A sensação, correta, é de que o Manchester City falhou além da conta nos três jogos diante de Napoli e Bayern, que praticamente eliminam da Champions a melhor equipe da Inglaterra. No entanto, os descuidos defensivos da estreia, a submissão ao adversário em Munique e as falhas capitais em Nápoles não devem sacrificar um trabalho que, de forma geral, tem sido muito bem administrado.

Afinal, o sorteio impôs ao City um Bayern precocemente encantador com Jupp Heynckes e um Napoli forte, dedicado e repleto de referências ofensivas em seu retorno à principal copa europeia. Olhar para dentro é necessário para entender que Agüero é importante demais para ser reserva durante 80 minutos numa partida decisiva ou mesmo que o rodízio de atletas precisa ter um limite, mas também é importante reconhecer que os oponentes eram muito bons.

O pior é que a iminente eliminação mal tem um lado positivo. “Ah, o City vai se dedicar à Premier League”. Até vai, mas o elenco é grande e homogêneo o bastante para anular qualquer problema de cansaço. Ainda que ameaçar o emprego de Mancini agora seja um sacrilégio, é impossível não pensar no tamanho do desperdício em ter uma equipe de 34 pontos em 36 possíveis na Inglaterra disputando a Liga Europa a partir de fevereiro. O City não deve maximizar o fracasso, porém tem muito a lamentar.

Time das pontas
Mesmo que seja improvável, quem também pode parar na Liga Europa é o Manchester United, que empatou em casa com o Benfica. A primeira colocação da chave deve ficar com os portugueses. A classificação do United depende de um empate com o Basel na Suíça, o que pode não ser tão simples.

Hoje, Ferguson não teve Cleverley e Rooney. Dá para imaginar a pobreza do meio-campo com a bola. Ashley Young atuou atrás do atacante único, como fazia em sua última temporada no Aston Villa, e foi mal. O United tem infinitas armas para atacar pelas pontas, inclusive Young, e depende demais de um garoto propenso a lesões, que retorna agora de um empréstimo ao Wigan, para criar pelo centro. Isso não está certo.

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sábado, 5 de novembro de 2011 Man Utd | 15:22

O melhor e o pior dos 25 anos de Ferguson

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Mal sabiam que o melhor estava por vir

A atuação insossa não atrapalhou a festa dos 25 anos de Sir Alex Ferguson no Manchester United. Além da vitória por 1 a 0 sobre o Sunderland, com direito a gol contra do prata da casa Wes Brown, o treinador escocês discursou, viu a tribuna norte de Old Trafford se converter em Sir Alex Ferguson Stand e ganhou a promessa de uma estátua nas imediações do estádio. O casamento chega às bodas de prata só amanhã, mas a celebração foi hoje e já justifica algumas palavras por aqui.

Ferguson levantou 37 taças como treinador do Manchester United, com destaque para 12 títulos da Premier League, dois da Champions League, cinco da FA Cup e quatro da League Cup. Contando a de hoje, foram 1410 partidas pelo clube. Na Premier League (pós-1992), Ferguson conquistou 1600 pontos, 202 a mais do que o Arsenal, segundo colocado no período. Sabe aquele prêmio de Treinador do Mês? Ele já levou 26.

Desde 1986, o elenco do Manchester United foi reconstruído pelo menos cinco vezes. A longa dinastia derrubou, como todo mundo sabe e comenta, a soberania do Liverpool em títulos nacionais. O placar que, até 1993, marcava 18 a 7 para os Reds passou a impressionantes 19 a 18 para os Red Devils. A associação deste sucesso à figura de Ferguson é mais do que justa: é necessária.

Sem invenções táticas, mas com inigualáveis paixão pelas vitórias e capacidade administrativa, este senhor de quase 70 anos é, acima de Bob Paisley, Brian Clough, Bill Shankly, Matt Busby e Bobby Robson, o maior técnico que o futebol inglês já viu. Suas bodas de prata merecem, portanto, um breve retrato do que aconteceu de melhor, pior e curioso em Old Trafford desde 6 de novembro de 1986:

Cantona é a personificação do sucesso do United em campo

Seleção dos melhores: Peter Schmeichel; Gary Neville, Jaap Stam, Nemanja Vidic, Denis Irwin; Cristiano Ronaldo, Paul Scholes, Roy Keane, Ryan Giggs; Wayne Rooney, Eric Cantona.

Seleção dos piores: Massimo Taibi; David May, Laurent Blanc, William Prunier, Quinton Fortune; Kléberson, Juan Verón, Eric Djemba-Djemba, Alan Smith; Dong Fangzhuo, David Bellion.

Melhor contratação: Eric Cantona, do Leeds United, por £1.2 milhão em 1992.

Pior contratação: Juan Verón, da Lazio, por £28.1 milhões em 2001.

Melhor temporada: 1998-99, a do treble (Champions League, Premier League e FA Cup).

Pior temporada: Ironicamente e apesar do primeiro título da era Ferguson (FA Cup), 1989-90. O Manchester United perdeu 16 vezes e encerrou o campeonato na 13ª posição.

Melhor frase: “Ao fim deste jogo, a Copa Europeia estará a dois metros de distância de vocês. Se perderem, não poderão sequer tocá-la. Muitos de vocês não chegarão tão perto dela outra vez. Não ousem voltar a campo sem darem seu máximo”. Famoso sermão de Ferguson no intervalo da final da Champions League de 1998-99. O United perdia para o Bayern por 1 a 0. Venceu por 2 a 1 com gols aos 46 e aos 48 minutos do segundo tempo.

Momento-chave: Em 7 de janeiro de 1990, a vitória por 1 a 0 sobre o Nottingham Forest na terceira fase da FA Cup. O United vinha de seis derrotas e dois empates nas oito partidas anteriores a essa. Acredita-se que o resultado tenha evitado a demissão de Ferguson, então muito pressionado pelos torcedores. Ainda técnico do Forest, Brian Clough poderia ter estragado a história do escocês em Old Trafford.

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sábado, 15 de outubro de 2011 Liverpool, Man Utd | 13:31

Cinco lições de Anfield

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Acionista do Liverpool, LeBron James debutou em Anfield

Dominante no segundo tempo, o Liverpool merecia mais do que o empate por 1 a 1 com o Manchester United, que quebra uma sequência desfavorável na casa do rival. Veja as cinco lições que tiramos do maior clássico da Inglaterra:

O Liverpool preocupa Ferguson. Não exclusivamente pelo investimento no verão, mas também pelas três vitórias consecutivas que havia conseguido contra o United em Anfield. Nos 3 a 1 da temporada passada, Ferguson escalou, do meio para frente, Nani, Carrick, Scholes, Giggs, Rooney e Berbatov numa ousada formação com os zagueiros reservas (à época, Brown e Smalling).

Desta vez, os escolhidos foram Park, Jones, Fletcher, Giggs, Young e Welbeck, com um meio-campo povoado e Nani e Rooney no banco. Ferguson preferiu preservar o atacante, em fase turbulenta, e dar espaço a Welbeck. Mas a presença do português no banco pareceu uma escolha livre de fatores extracampo, apenas para que Park lutasse contra José Enrique e Downing. O técnico acertou.

Phil Jones é, de fato, opção para o meio-campo. Na final da Champions, um dos argumentos para o passeio do Barcelona sobre o United foi a ausência de um volante entre as linhas, que minimizaria a participação de Messi. A questão é que esse jogador inexistia no elenco. Agora ele existe. Habituado ao meio-campo no Blackburn e adaptado à lateral direita por Ferguson, o zagueiro Phil Jones pode exercer várias funções. Desde que chegou a Old Trafford, foi a primeira vez dele no meio. Em grandes jogos, pode virar rotina.

Lucas ainda está sujeito a recaídas. Sem confiança, impreciso nos passes e meio perdido no centro do campo, o brasileiro esteve muito perto de deixar o Liverpool após três temporadas fracas. No entanto, a recuperação foi fantástica a ponto de ele ser eleito o melhor jogador do clube em 2010-11. Hoje, talvez cansado pela parada internacional (não enfrentou a Costa Rica, mas foi titular contra o México), Lucas lembrou sua má e velha versão, flertou com a expulsão e foi substituído por Henderson no começo do segundo tempo.

Anfield não é fácil. Na verdade, não é exatamente uma lição de hoje. De qualquer forma, os minutos finais chamaram atenção pela inoperância do United, que foi capaz de buscar o resultado, mas, mesmo programado para atacar, foi também muito pressionado pelo Liverpool após o empate. Como escreveu Michael Owen no Twitter, poucos times vão vencer em Anfield na temporada. Talvez nenhum.

Outro fator interessante foi a condução dessa pressão pelo Liverpool, que, sem alterações no fim, prescindiu de Bellamy (poderia ter substituído Downing para oferecer mais velocidade) e Carroll (mesmo sem muito moral, teria sido uma referência importante na vaga de Kuyt). O registro positivo foi a participação de Henderson, que, posicionado bem à frente de onde rende mais, quase decidiu o jogo e ganhou confiança. O United celebra a atuação impecável do não mais questionado De Gea.

Gerrard pode acertar até quando erra. O impacto do retorno dele é enorme. Não foi a melhor das atuações do capitão, titular pela primeira vez na temporada, porém o poder de influência continua grande, próximo do ataque ou, como na parte final do jogo, mais dedicado à marcação. O gol de falta parecia milimetricamente genial com a falha de Giggs, que ofereceu o espaço de que a bola precisava, mas o próprio Gerrard admitiu: “tentei bater por cima da barreira”.

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terça-feira, 27 de setembro de 2011 Copas Europeias, Man City, Man Utd | 19:20

Passaporte vencido

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Ao lado de um Ferguson boquiaberto, Mancini se protege do cheiro desta terça-feira

Supostamente absolutos na Inglaterra, os clubes de Manchester derrapam na Liga dos Campeões. Em duas rodadas ou quatro partidas, foram três míseros pontos (dois do United) e 25% de aproveitamento agregado. Enquanto um United com vários titulares sofreu para empatar por 3 a 3 com o Basel em Old Trafford, o City caiu por 2 a 0 sem incomodar o Bayern em Munique.

Aqui
Fabian (1) e Alexander (2) Frei marcaram para o Basel contra os Red Devils. Além de criarem uma piada por conta própria, os três gols dos suíços no segundo tempo já derrubaram a previsão de que o United faria 16 pontos no grupo depois de empatar com o Benfica em Lisboa. Agora, chega no máximo a 14. O resultado não é suficiente para acender sinal amarelo à classificação, mas certamente ampliou a lista de preocupações de Alex Ferguson.

Primeiro porque, com Rafael, Smalling, Evans e Vidic lesionados, ele não pôde preservar defensores. Logo na área mais crítica do time, que tem falhado muito e concedeu, mesmo no primeiro tempo, várias chances ao Basel. Depois porque os próximos jogos, contra o romeno Otelul Galati, ganharam contornos decisivos. A vantagem de ter um grupo fácil não era a classificação em si, mas a chance de concentrar-se na liga nacional. Ela não existe mais.

Não é a primeira vez que o Basel empata por 3 a 3 com um time inglês. A diferença é que, naquela ocasião, o Liverpool foi eliminado da Champions.


Que coisa estranha, o Manchester City hoje. A primeira meia hora foi normal, com o time habitual de Mancini (no 4-4-2, com Kolo Touré no lugar de Lescott) tomando a iniciativa e vendo Silva sofrer pênalti ignorado pela arbitragem. Daí em diante, especialmente a partir do primeiro gol de Mario Gomez, o City simplesmente desapareceu e não ofereceu resistência a um Bayern rápido e eficiente.

À medida que o segundo tempo passava com pleno domínio dos alemães, Roberto Mancini se encolhia, com destaque para a entrada de De Jong, que precisa ser titular em jogos assim. No frigir dos ovos, a derrota por 2 a 0 foi um presente para quem ofereceu ao forte adversário 12 finalizações no alvo. O problema é a vitória do Napoli, que já deixa o City a três pontos da segunda posição e bem pressionado a vencer duas vezes o Villarreal.

O maior prejuízo, no entanto, não aparece na tabela. Dzeko reclamou por sair e, em atitude ridícula, Tevez, que recebe 200 mil libras semanais, disse “não” ao aquecimento e à chance de participar do jogo. Com razão, Mancini descartou o argentino para sempre e alertou o bósnio. Vestiário fácil, não?

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terça-feira, 20 de setembro de 2011 Inglaterra, Man Utd | 19:48

Você levaria?

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Não é o Owen de Munique em 2001, mas pode quebrar um galho

Com uma vitória por 3 a 0 em Elland Road, o Manchester United passou facilmente pelo Leeds United na terceira fase da Carling Cup. Não por mero desprezo à competição, mas especialmente pela chance preciosa de oferecer minutos a quem não tem jogado, Alex Ferguson escalou um time bem alternativo, com volante na zaga, ponta na lateral e quatro atacantes (dois deles na linha de meio-campo). Até corria riscos com essa formação, mas um esquecido atacante tratou de resolver.

Michael Owen marcou dois gols que, de alguma forma, trouxeram à memória a vocação para a área do melhor jogador da Europa em 2001. A gente às vezes perde de vista que o ex-Golden Boy ainda tem 31 anos e, com 40 gols, é o quarto maior artilheiro da seleção inglesa em todos os tempos. O lugar-comum do “prodígio que não deu certo” é equivocado. Foi menos do que poderia por conta das lesões, perdeu uma característica importante de seu jogo (velocidade) e, readaptado, ainda pode contribuir. No United, por exemplo, tem 16 gols em 48 jogos, a maioria na reserva.

Hoje, quase tudo afasta Owen da seleção. Ele não oferece garantias físicas, não atua regularmente (escolheu isso quando renovou por mais um ano com o United), jovens concorrentes aparecem (Carroll, Welbeck…), e Capello ensaia um esquema com três meias e um atacante. É difícil saber até se, no fundo, ele tem essa pretensão. Mas levá-lo à Euro, admitindo que a Inglaterra chegue lá, faria algum sentido dependendo do que acontecer até o próximo verão europeu.

A decisão precisa passar pela análise do aproveitamento dele e de outros atacantes (Defoe, Bent, Carroll, Welbeck, Agbonlahor…) na temporada e pela pergunta “o que eu espero do meu reserva?”. Fisicamente bem, aos 32 anos, Owen seria alguém com potencial decisivo em minutos finais, como no dérbi em Old Trafford há duas temporadas, e muito motivado no adeus à seleção pela qual já calou argentinos, alemães e tantos outros. Se ele achar seu espaço no novo United, é possível.

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