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Arquivo da Categoria Man Utd

terça-feira, 12 de abril de 2011 Copas Europeias, Jogadores, Man Utd | 19:42

O Benjamin Button do futebol*

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Profissional há duas décadas, esse exterminador de recordes virou o melhor meia central do United

Em 29 de novembro de 1987, Alex Ferguson deu seus passos mais importantes. Acompanhado pelo olheiro Joe Brown, o manager foi à casa do garoto Ryan Wilson, que completava 14 anos exatamente naquele dia. Ryan frequentava a escola de base do Manchester City, mas Ferguson conseguiu persuadi-lo. O adolescente galês se juntou ao United com o compromisso de que se tornaria profissional em três anos, quando já teria adotado o sobrenome de solteira da mãe: Giggs.

Uma geração depois, a visita ainda faz efeito. Ele deu todas as assistências para os três gols que eliminaram o Chelsea da Champions League. A definição do jornalista Ben Smith*, do britânico The Times, é muito pertinente. À medida que Benjamin Button rejuvenesce, Giggs se reinventa, ajuda Ferguson onde ele precisa e, aos 37 anos, solidifica seu lugar entre os grandes do futebol europeu em todos os tempos.

Nascido winger, Giggs não dispara pela esquerda como nos anos 90. Hoje, ele é fundamental de outro jeito. Se há um setor em que o Manchester United leva desvantagem em relação a clubes equivalentes na Inglaterra, este é a meia central. Embora tenha se recuperado no confronto contra o Chelsea, Carrick faz temporada fraca. Gibson não se revelou uma opção confiável. Scholes teve um agosto sublime, mas caiu demais. Fletcher e Anderson sofrem com lesões. Por ora, o playmaker que Ferguson vê em Sneijder é Giggs.

Como meia central, Giggs assume novos compromissos defensivos, mas se movimenta muito com a bola. Prova disso é que as três assistências partiram, nesta ordem, da esquerda, da direita e do centro. O galês tem sido fantástico em horas cruciais, encontrando espaços e tacando a bola como num jogo de sinuca. No épico dérbi de setembro de 2009, ele criou o gol para Owen. Mentalmente forte e ainda decisivo, Giggs desfruta seus 37 anos como nenhum outro jogador de linha no mundo.

Na semana passada, o personagem foi Wayne Rooney

Em breve, o Chelsea será assunto no blog

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quarta-feira, 6 de abril de 2011 Copas Europeias, Jogadores, Man Utd | 19:23

As facetas de Wayne Rooney

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Após um tempo jogado às traças, Rooney* está definitivamente de volta

O tabu de Stamford Bridge acabou, mas ainda há confronto. A história recente mostra que o Chelsea pode, mesmo em Old Trafford, reverter a derrota por 1 a 0. No entanto, a vantagem do Manchester United é obviamente relevante. Ela é fruto do conjunto mais sólido, da melhor partida de Carrick na temporada e, especialmente, do trabalho de um revigorado Wayne Rooney.

Entre o ótimo atual momento e a brilhante temporada passada, Rooney fracassou na Copa, pediu para sair e ficou um mau tempo sem marcar. A recuperação tem de ser valorizada. Apesar das derrapadas extracampo, o atacante se aproxima da plena maturidade, é um dos jogadores mais coletivistas do mundo e, após a saída de Ronaldo, abraçou o papel de protagonista.

Desde então, ele se reinventou duas vezes. No primeiro ano sem Ronaldo, Rooney marcou 34 gols, dez dos quais de cabeça. Nas cinco temporadas anteriores, haviam sido só três pelo alto. Agora, ele deixa a área adversária para Berbatov e Chicharito, atua recuado, dá mais assistências (11 só na liga) e combate como um leão.

Mesmo assim, os gols aparecem à medida que os jogos vão ficando mais decisivos. Desde o início de fevereiro, com o afunilamento da temporada, Rooney marcou nove vezes. De agosto a janeiro, foram apenas quatro gols. Dos dez jogos em que ele balançou a rede, o Manchester United venceu nove – perdeu apenas para o Chelsea, pela Premier League, em março.

A explosão do Shrek torna ainda mais natural o desabafo dele em frente a uma câmera no último sábado. A atitude, que deve tirá-lo de pelo menos dois jogos domésticos, foi individual e sem dano ao adversário, motivos pelos quais a punição (ao clube) parece exagerada. Uma multa faria mais sentido. Afinal, quando ele pisa na bola no âmbito social, as consequências têm de doer no bolso.

*Rooney apareceu assim no comercial da Nike para a Copa do Mundo

*LeBron James é reforço do Liverpool

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terça-feira, 15 de março de 2011 Copas Europeias, Jogadores, Man Utd | 20:06

Quê de Solskjaer

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Chicharito repete Solskjaer e abre os braços: ao lado de van der Vaart, do Tottenham, a barganha da temporada

O Olympique de Marselha impôs muitas dificuldades a um Manchester United desfalcado na defesa e sonolento no meio-campo. Carrick acertou quase todos os passes (93%, segundo a Opta Sports), mas segue transmitindo a impressão de que esqueceu seu jogo. Mesmo assim, o time do ótimo Didier Deschamps caiu em Old Trafford. E quem derrubou? Ele, Chicharito Hernández, com mais dois gols decisivos.

O status pode até ser temporário, mas Chicharito é titular do Manchester United. O mexicano capitalizou a queda de Berbatov por ter sido impressionante vindo do banco. Hernández já marcou 16 gols na temporada, dez no campeonato. Por enquanto, tem a melhor média da história da Premier League: um gol a cada 96 minutos. Thierry Henry, o grande jogador da última década na Inglaterra, precisava de 121 para comemorar.

Atributos objetivos (posicionamento, finalização) e subjetivos (estrela em jogos decisivos, empatia com a torcida) nos levam a uma óbvia comparação, já discutida na Inglaterra, com o norueguês Ole Gunnar Solskjaer, no clube de 1996 a 2007. Solskjaer chegou a Old Trafford com 23 anos, ligeiramente mais velho que Chicharito. Também marcou na estreia e impressionou muito na primeira temporada: 18 gols na liga, 19 em todas as competições.

Solskjaer era praticamente desconhecido fora da Noruega. Quando fechou com o Manchester United, três meses antes da Copa, Chicharito também não tinha muitos admiradores longe do México. Ambas as transferências custaram pouco e foram mérito do staff de observadores. No mesmo ritmo de Solskjaer, Hernández ganhou espaço durante a temporada. Mas, pela menor concorrência, tem tudo para ir além e dar ainda mais orgulho aos olheiros. Em pouco tempo, a comparação pode ser outra.

Le Blog du Foot, de Bruno Pessa, comenta a exibição dos franceses.

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sábado, 5 de março de 2011 Blackburn, Curiosidades, História, Liverpool, Man Utd, West Ham | 17:19

No mesmo dia, Dalglish perdeu em Anfield e superou o United

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No histórico 14 de maio de 1995, o Blackburn de Dalglish e o Liverpool conciliaram seus interesses

A última rodada da Premier League em 1994-95 foi memorável. O (nem tão) surpreendente Blackburn, treinado por Kenny Dalglish, liderava com dois pontos de vantagem sobre o Manchester United, que vinha de dois títulos consecutivos. Os Rovers visitaram o Liverpool, clube em que Dalglish se consagrara. O United foi até a casa do West Ham, que não tinha mais o que fazer na temporada. Além da vitória em Londres, os Red Devils precisavam que o Blackburn perdesse pontos em Anfield.

Se na temporada passada os Reds não se esforçaram para derrotar o Chelsea, que também disputava o título com o Manchester United, em 1994-95 o conjunto treinado por Roy Evans ignorou a rivalidade com os mancunianos e batalhou pelo resultado.

Garantido na Copa da UEFA via Copa da Liga, o Liverpool buscava a vitória apenas para terminar bem colocado e consolidar seu time promissor, de Fowler, Redknapp e McManaman. Um dos maiores jogadores da história do clube, o left winger John Barnes, que teve participação fundamental naquela partida, afirmou que os Reds tinham “o compromisso de abordar o confronto de forma profissional, ainda que ninguém ali quisesse ver o United campeão”.

Aquele Blackburn era ótimo por ter as pessoas certas com o poder de investimento suficiente. Por exemplo, a dupla de ataque, formada por Shearer e Sutton, fez 49 gols na liga. Shearer, aliás, foi quem marcou primeiro em Anfield. Mesmo assim, o Liverpool teve força para virar o jogo com Barnes e Jamie Redknapp e ajudar o Manchester United. Mas o United não se ajudou. O goleiro tcheco Ludek Miklosko, do West Ham, foi espetacular e limitou o time de Ferguson a um empate por 1 a 1. O Blackburn comemorou seu terceiro título inglês em 14 de maio de 1995, o dia em que ninguém chorou em Anfield.

Assista ao review dessa sensacional rodada. Repare no momento em que o banco do Blackburn, que tinha acabado de sofrer o gol de Jamie Redknapp (filho de Harry Redknapp, então técnico do West Ham), é avisado do resultado final em Londres:

Faz tempo
A rivalidade entre os escoceses Dalglish e Ferguson é antiga. No início dos anos 70, Kenny jogava no Celtic e costumava marcar contra o Falkirk, do atacante Alex Ferguson. O clássico resistiu ao tempo. Quando Ferguson treinava o Aberdeen, o meia-atacante Dalglish, já no Liverpool, o atormentou pela Copa Europeia. Os dois ainda se enfrentaram em confrontos do Manchester United contra Liverpool, Blackburn e Newcastle. No retorno de Dalglish aos Reds, há dois meses, o United venceu por 1 a 0 na FA Cup. Amanhã, depois de muito tempo, eles medem forças em Anfield: rivalidade, história e respeito mútuo nos bancos.

Scott Parker é o cara

O melhor de fevereiro já impressiona em março
O meia central Scott Parker, do West Ham, foi eleito o Jogador do Mês de fevereiro na Premier League. Hoje, na vitória dos Hammers por 3 a 0 sobre o Stoke, ele voltou a jogar demais. Após defender Charlton, Chelsea e Newcastle, Parker vive o melhor momento na carreira e na temporada. O West Ham marcou dez pontos nos últimos cinco jogos e, finalmente, deixou a zona de rebaixamento. Um pouco por Demba Ba, Avram Grant e o retorno de Hitzlsperger. Muito por Parker, certamente o jogador mais importante para um time em toda a liga.

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quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011 Copas Europeias, Man Utd | 20:54

Deschamps está certo

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O também goleiro John O'Shea é símbolo de um Manchester United dedicado e vencedor

“Talvez esse Manchester United tenha um pouco menos de fantasia do que no passado”, sentenciou Didier Deschamps, técnico do Olympique de Marselha. Embora tenha admitido que os Red Devils ainda são muito perigosos, o treinador vice-campeão europeu em 2004 não hesitou em soltar essa antes de enfrentar Alex Ferguson. O fato é que a análise de Deschamps, baseada no jogo minimalista dos ingleses, teve sua validade comprovada há pouco, no empate por 0 a 0 no Vélodrome.

Quando falamos em fantasia, quase toda comparação que se faça com o United dos anos 90 será ingrata. Afinal, a força motriz daquele time era um meio-campo com Beckham, Scholes, Roy Keane e Giggs, quatro dos grandes jogadores do clube em todos os tempos. A formação inicial de hoje, um tanto diferente da habitual, teve Carrick, Gibson e Fletcher.

Aliás, ainda bem que havia o escocês para compensar as pobres atuações dos dois primeiros. O próprio Carrick admitiu que a equipe não passou a bola direito. Isso se deve muito a ele e Gibson. O irlandês, aconselhado por Giovanni Trapattoni (seu treinador na seleção irlandesa) a deixar o Manchester United, não é o novo Scholes.

É também importante entender a cabeça de Ferguson em grandes jogos. O tímido 4-3-3, com Rooney longe do gol, é mais uma mostra de que ele prioriza a defesa nessas circunstâncias. Mesmo com ótimos zagueiros – e Smalling está nesse bolo -, se tiver de escolher entre explorar uma deficiência e anular uma virtude, ele certamente ficará com a segunda opção. Por exemplo, Ferguson prescindiu de Rafael, que poderia encher a paciência de Heinze, em benefício de O’Shea, que teve de conter Ayew.

Sim, boring, boring United. Mas também vencedor. O próprio Deschamps deixou claro que o seu Olympique de Marselha de 1993, por quem foi campeão europeu como jogador, não era o mais legal dos times. Ainda que antes do pleno retorno de Antonio Valencia, a tendência é que, com equilíbrio, Nani, Rooney e Berbatov liquidem a fatura. O que não pode acontecer é uma excessiva retração. Em marcha lenta após abrir ótima vantagem, o Manchester United caiu diante do Bayern no ano passado e cavou a ausência de clubes ingleses nas semifinais da Champions. Desta vez, se ousar um pouco em casa, Ferguson deve contribuir para levar pelo menos três da Premier League às quartas.

Le Blog du Foot, de Bruno Pessa, repercute aqui o empate na perspectiva dos franceses.

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segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011 Copas Europeias, Curiosidades, Man Utd | 00:36

Teatro dos pesadelos

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Nossa tendência a mitificar aqueles que se despedem pode superestimar a contribuição de um jogador ao futebol. Mas, a Ronaldo, não há homenagem que seja excessiva. Por isso, relembro uma das mais espetaculares atuações do melhor atacante de sua geração. Em 23 de abril de 2003, o Old Trafford se levantou para aplaudir o responsável pela eliminação do Manchester United na Champions League. O Real Madrid do Fenômeno ganhou o primeiro jogo daquela quarta-de-final por 3 a 1. Na volta, em Manchester, um sensacional hat-trick de Ronaldo inutilizou a vitória dos Red Devils por 4 a 3. Divirta-se:

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sábado, 12 de fevereiro de 2011 Man City, Man Utd, Premier League | 14:51

Questão de ethos

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A acrobacia de Rooney decidiu um jogo que pendia para o Manchester City. Foto: AP

Em Sociologia, o conceito de ethos está ligado aos costumes de um povo. É a medida da identidade social, que diferencia esse grupo dos demais. Aqui mesmo, na semana passada, o leitor Luiz Souza fez uma observação interessante sobre o Manchester City. Ele disse, em outras palavras, que faltava ao clube uma espécie de espírito vencedor, que lhe permitisse ganhar grandes jogos mesmo em circunstâncias adversas. É o ethos, ainda escasso para um elenco que se renova a cada agosto.

Ethos que sobrou ao Manchester United no dérbi. Quando David Silva (ou Dzeko, se você preferir) empatou o clássico, o City dominava. Kompany era soberano, Yaya Touré mandava no meio-campo, o reaparecido Wright-Phillips surpreendentemente ateou fogo no jogo, e um Tévez mais móvel incomodava os zagueiros. Mesmo assim, Rooney arrumou um movimento espetacular após o cruzamento desviado de Nani, fez o gol mais bonito da carreira e enterrou as chances de título dos rivais.

Apesar da derrota por 2 a 1, a postura inicial de Roberto Mancini foi correta em linhas gerais. O único senão do 4-3-3 retraído foi a presença de Kolarov na ponta esquerda, com Zabaleta deslocado à lateral e, sem sucesso, correndo atrás de Nani. No segundo tempo, valia a pena se abrir com Dzeko, que tomou a vaga de Milner. Este, aliás, ainda não emplacou de azul. Mesmo centralizado, como se destacara na temporada passada com o Aston Villa, ficou novamente aquém da fortuna investida nele.

Por outro lado, a (falta de) atitude de Ferguson na escalação ao prescindir de Berbatov, com 19 gols na liga, não pareceu adequada para um jogo em Old Trafford. Ainda assim, a grande jornada de Nani (o melhor jogador do United na temporada) e Giggs compensou a pobre presença ofensiva dos líderes. Aliás, Giggs e Scholes ainda são as primeiras opções de Ferguson para grandes jogos. Não apenas porque são brilhantes, mas especialmente por serem elementos essenciais à identidade de um time que vence mesmo em marcha lenta, mesmo de bicicleta. Questão de ethos.

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quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011 Championship, Man Utd, Premier League | 14:15

Invencibilidade decorativa

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Com o ótimo triunfo por 3 a 1 sobre o Aston Villa em Old Trafford, o Manchester United igualou o próprio recorde de invencibilidade da liga: 29 jogos. Após a derrota para o Chelsea, em abril do ano passado, foram 19 vitórias e dez empates. O United da temporada anterior perdeu sete vezes. O desta temporada tem mais 14 jogos para se tornar o terceiro campeão inglês invicto da história.

Em julho, o clube recebeu Smalling, para se proteger de eventuais crises defensivas, e Chicharito Hernández, com um quê de Solskjaer para gols decisivos, mas logo perdeu o lesionado Valencia até março. O atual United não é claramente melhor que o da temporada passada. É, no entanto, um adversário mais duro de ser batido em circunstâncias difíceis, como em clássicos ou jogos fora de casa. Após 24 rodadas em 2009-10, o time acumulava 53 pontos e cinco derrotas. Hoje, tem um ponto a mais e ainda não perdeu. Os mancunianos mantiveram seu aproveitamento. O Chelsea, campeão em maio por um ponto, tem sido incapaz de fazê-lo.

Ferguson e a preocupação com a simbólica invencibilidade

Das sete derrotas da temporada passada, os Red Devils já escaparam de três em 2010-11: Fulham (fora), Everton (fora) e Aston Villa (casa). Ainda falta enfrentar Chelsea (casa e fora) e Liverpool (fora). O outro revés de 2009-10 aconteceu no Turf Moor, contra o rebaixado Burnley, então comandado por Owen Coyle. Por baixo do pano da invencibilidade, o Manchester United lidera o campeonato com certo conforto. São cinco pontos de vantagem para o Arsenal, nove para o Manchester City e dez para o Chelsea.

A curva de desempenho do time costuma atingir o topo entre dezembro e janeiro, meses mais densos do calendário inglês. Alex Ferguson sabe que precisa de novidades para manter o United forte em todas as vertentes até maio. E começou a investir nisso ao desafiar Rooney a equiparar sua contribuição à de Berbatov. Resultado do trabalho psicológico ou não, o Shrek foi fantástico na vitória sobre o Villa, com duas finalizações clínicas.

O retorno da Champions League em fevereiro deve impor a Ferguson a necessidade de um rodízio mais amplo, viabilizado justamente pela vantagem no campeonato. Com mais de um terço da liga pela frente, não perder significa, meramente, pontuar. Os jogos ainda não são como o memorável encontro entre Arsenal e Leicester City de sete anos atrás. A única finalidade daquela partida, na perspectiva do já campeão Arsenal, invencível por 37 jogos, era não perder. Tudo para fazer mais uma festa.

O Manchester United pode ser campeão inglês invicto. Mas não é hora de tratar um simbolismo como objetivo em uma temporada que ainda precisa ser ganha. Rio Ferdinand, por exemplo, já disse que não se importa. Se o título fosse para quem perde menos, o Liverpool de Rafa Benítez teria levado a liga há dois anos.

Paul Jewell: eternamente um Ram

A casa de Paul Jewell

O Ipswich Town escolheu Paul Jewell para substituir Roy Keane, técnico demitido há pouco menos de um mês. Jewell foi o treinador que levou o Wigan à elite. Em meados de 2007-08, ele assumiu o Derby County, que fazia campanha horrorosa na Premier League. E manteve o padrão: não ganhou nenhum jogo até o fim daquela temporada. Paul conseguiu 12 vitórias após o rebaixamento e ficou no Derby, equipe que comandou em 52 partidas, até dezembro de 2008.

Ontem, Jewell retornou ao Pride Park, estádio do Derby County, para enfrentá-lo pela 29ª rodada do Championship. O Ipswich venceu por 2 a 1: sim, Jewell comemorou uma vitória no Pride Park, fato raríssimo em sua passagem pelos Rams. Pior para o treinador do Derby, Nigel Clough, filho de Brian Clough. “Damned Jewell!”, teriam profanado Nigel e os torcedores locais.

Atualização às 19h11min: Gary Neville anunciou a aposentadoria. Parou tarde demais. No entanto, a imagem que deve ser registrada não é a dos últimos anos, de um lateral-direito se arrastando e se revezando com jovens e improvisados. Neville faz parte de um grupo de jogadores que mudou o patamar do Manchester United em escala global. Nunca foi brilhante, mas prestou sólidos e longos serviços aos Red Devils. Na caixa de comentários, o companheiro Roberto Júnior fala mais a respeito do antecessor de Rafael.

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quinta-feira, 27 de janeiro de 2011 Fulham, Jogadores, Man Utd | 16:24

A década irrepreensível de van der Sar

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Recordista em exibições pela Seleção Holandesa, melhor goleiro da Europa aos 24 anos e, já na Juventus, condenado a abrir espaço a Gianluigi Buffon. Ainda jovem, aos 30 anos, Edwin van der Sar decidiu se juntar ao recém-promovido Fulham. Era um presente inesperado para a Premier League, pelas portas de um clube que estreava na elite remodelada, pós-1992.

O frio e esguio holandês, que chegou à Inglaterra em 2001, certamente é o grande goleiro da liga na última década. Desde 2005 no Manchester United, van der Sar, o primeiro a amenizar a saudade de Peter Schmeichel, vai deixar o futebol aos emblemáticos 40 anos. Até o fim da temporada, ainda deve jogar muito e tem ótima chance de levar seu quarto título inglês com os Red Devils.

A média de gols sofridos pelo Manchester United em 2010-11 não impressiona tanto. Foram 21 em 23 jogos na Premier League. Com van der Sar em Old Trafford, esse índice costuma passar muito longe de um gol por partida ao fim da temporada. A escrita é mantida, quase no limite. A melhor defesa do campeonato é a do Chelsea, com 19 gols. No balanço entre setores, os Red Devils são aparentemente mais fortes no ataque. O time tem 51 gols na liga, 19 de Berbatov.

O primeiro ato de uma década: quatro anos no Fulham, seis no Manchester United

No entanto, está claro que, números à parte, a diferença fundamental entre o conjunto de Ferguson e os adversários reside na defesa. Isso foi observado em momentos críticos da temporada. Por exemplo, quando o United não sofreu gols contra Tottenham (duas vezes), Manchester City e Arsenal. Dos quatro clean sheets, o mais marcante foi o de White Hart Lane, quando Rafael foi expulso a 20 minutos do fim. A manutenção da invencibilidade, naquele momento, acabou com a ilusão de que os Spurs brigavam pelo título e simbolizou como será difícil – para qualquer time – superar os Red Devils nesta temporada.

Se a defesa falha em ocasiões como a da última terça-feira, em Blackpool, é uma rocha quando o ataque não pode compensar esses equívocos. Isso não é, evidentemente, apenas sobre van der Sar. A dupla Vidic-Ferdinand é a melhor do mundo no setor, e as oportunidades concedidas aos adversários costumam ser limitadas. É aí que entra o holandês. Você pode dizer que ele falhou feio, por exemplo, no empate caseiro por 2 a 2 contra o West Bromwich, em outubro. Mas é difícil contestar alguns números relevantes de um goleiro que atuou em 21 das 23 partidas de liga do United na temporada.

O site do Manchester United publicou hoje um levantamento comparativo entre van der Sar e seus substitutos recentes, Tomasz Kuszczak, Ben Foster, hoje no Birmingham, e Ben Amos, emprestado ao Oldham. O estudo é feito em duas amplitudes: desde 2008-09 e limitado a esta temporada. Nos últimos dois anos e meio, van der Sar conseguiu 59 clean sheets em 103 jogos por todas as competições (índice de 57%), contra 22 em 53 partidas de seus substitutos (41%). Nesse tempo, o goleiro holandês sofreu 77 gols (0.74 por jogo) contra 48 (0.9 por partida) de Kuszczak, Foster e Amos combinados.

Em 2010-11, van der Sar também leva vantagem (desta vez, sobre Kuszczak e Amos) – veja mais detalhes no site do clube. Com um time que costuma controlar os jogos e uma defesa tão sólida, a participação do goleiro não é tão ampla como, por exemplo, a de Joe Hart na temporada passada, quando, no Birmingham, foi o melhor da posição. As chances de se destacar, de fazer a diferença, são reduzidas. E van der Sar ainda consegue. Por isso, não é cascata o fato de a aposentadoria ser motivada por questões familiares, e não físicas ou de desempenho.

Van der Sar, pronto para defender o pênalti de Anelka e comemorar sua segunda Champions

Sempre consistente, mas com alguns pontos ainda mais altos na carreira (como em 2008, ano de seu segundo título europeu), van der Sar deixará saudade. O debate agora gira em torno de seu substituto em Manchester: Kuszczak, Lindegaard, De Gea? Ainda é cedo para cravar. Certo é que, líder de uma das maiores defesas da história do clube, o goleiro de 1.97m encerra a carreira no lugar de onde vê o mundo: lá em cima.

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