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Arquivo da Categoria QPR

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012 QPR | 12:18

Cemitério inglês de elefantes

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Harry Redknapp chutou o balde. Uma semana depois da primeira vitória do Queens Park Rangers na temporada da Premier League, o técnico atacou a política salarial do clube e, indiretamente, a autoestima do elenco. Irritado pela derrota por 1 a 0 para o Newcastle, que manteve o QPR a cinco pontos da porta de saída da zona de rebaixamento, Redknapp afirmou publicamente que “há vários jogadores que ganham demais por sua capacidade e pelo que oferecem ao time”.

O bode expiatório é o lateral-direito Bosingwa. Multado por recusar a reserva na partida contra o Fulham, há uma semana, o português teve o salário ridicularizado e exposto por Redknapp: £65.000 semanais. É possível que o clima no vestiário fique insustentável, e a temporada, definitivamente comprometida. Por outro lado, a crítica é a oportunidade ideal para o QPR rever conceitos.

Cissé e Bosingwa podem cair abraçados

Bosingwa é o símbolo da fracassada política de atrair jogadores com carreiras consolidadas, longe do auge e sem espaço em seus clubes. O QPR é o lugar perfeito para eles, pois cede a todos os caprichos dos agentes, mantém (ou até melhora) o antigo padrão salarial e oferece a chance de atuar regularmente. Por que Júlio César, Bosingwa e Zamora escolheriam permanecer em Internazionale, Chelsea e Fulham? Não há razão.

O QPR não contrata por necessidade, mas por ocasião. O que explica o acordo com Júlio César um mês após a chegada de Robert Green? Mesmo antes de Tony Fernandes e Mark Hughes assumirem seus cargos, quando não se gastava tanto em Loftus Road, havia decisões estranhas. A contratação de Kieron Dyer, um ano atrás, foi uma delas. O meio-campista agonizava no departamento médico do West Ham, jogou apenas sete minutos pelo QPR na temporada passada e, sem qualquer justificativa, teve o vínculo renovado.

Além de Dyer, o elenco tem outros jogadores propensos a lesões – os chamados injury-prone –, como Andy Johnson, que pode não retornar em 2012-13, e Bobby Zamora, afastado pelo menos até fevereiro. Resultado? O único centroavante disponível é Djibril Cissé, ironicamente outro injury-prone. É curioso, embora não surpreendente, que Joe Cole, ganhando £90.000 semanais e quase sempre lesionado no Liverpool, seja especulado para o mercado de janeiro. Você sabe como é: há mais de uma década, Cole trabalhou com Redknapp no West Ham.

Enquanto isso, Wayne Routledge passa pela melhor fase da carreira no Swansea. Routledge foi emprestado pelo Newcastle ao QPR em 2011 e teve papel fundamental no acesso à primeira divisão, mas os Hoops decidiram não contratá-lo. Talvez o dinheiro já estivesse reservado ao salário de Dyer…

Aliás, é no Swansea, que subiu na mesma temporada e jamais passou sustos na Premier League, que Tony Fernandes deve se inspirar, especialmente pelas contratações que respeitam, acima de qualquer aspecto, as carências do time. Perderam Sigurdsson, Allen e Sinclair? Sem alarde, buscaram Michu, Ki e Pablo e mantiveram intacta a filosofia do clube.

O QPR até agregou qualidade ao elenco, mas criou um modelo de contratações por grife e salários inflacionados que favorece um ambiente de acomodação entre os jogadores. Redknapp sentiu que o choque era necessário para extrair mais do elenco. Resta saber como ele vai reagir.

*Feliz Natal a todos!

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sexta-feira, 16 de novembro de 2012 QPR, Southampton | 10:53

Quem fica em pé?

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O site de apostas Sky Bet retrata precisamente a situação delicada de Mark Hughes e Nigel Adkins, comandantes de Queens Park Rangers e Southampton, 20º e 19º colocados da Premier League. Se você acertar que Mark Hughes será o próximo treinador a perder o cargo na primeira divisão inglesa, o Sky Bet lhe paga apenas £2 para cada libra apostada. No caso de Adkins, o retorno é de £2,75. Por ironia do destino, QPR e Southampton se encontram amanhã em Londres, na partida que pode determinar a primeira demissão de um técnico na temporada.

Possíveis formações de QPR e Southampton

A ameaça a Hughes parece mesmo maior. O QPR tinha expectativas superiores à mera permanência na Premier League, está abaixo até do Southampton na tabela, não venceu nenhum e perdeu sete de seus 11 jogos. O discurso do proprietário Tony Fernandes tem sido de apoio irrestrito ao técnico, mas, logo após a derrota do último sábado para o Stoke, ele deixou clara a obrigatoriedade de uma vitória sobre o Southampton. “Precisamos minimizar erros. Um erro determinou a derrota. Temos de aproveitar nossas chances (…) e vencer a próxima partida (…)”, afirmou via Twitter.

Fernandes é bastante elogiado pela postura racional com que dirige o clube. No entanto, o empreendedor malaio pode cruzar uma linha perigosa e bem estreita, que separa a paciência da inércia. Na temporada passada, por exemplo, os indianos do Blackburn foram passivos demais na condução da crise com o técnico Steve Kean, que definhava no comando do time, era sempre vaiado pelos torcedores e sobrevivia porque a diretoria aderiu à filosofia de Zeca Pagodinho. Até pelo exemplo negativo do Blackburn, que obviamente acabou rebaixado e viu Kean pedir demissão nas primeiras rodadas da segunda divisão, é possível que Fernandes não perdoe um empate em casa contra o Southampton.

Em relação a Adkins, Hughes perde ainda em outro aspecto: ele não tem qualquer relação com o progresso do QPR nos últimos anos. Sparky substituiu Neil Warnock na temporada passada para evitar o rebaixamento, meta atingida, mesmo depois de um produtivo mercado de inverno, com muito sacrifício. Adkins, por sua vez, faz parte de um grupo de treinadores que redimensionaram seus clubes (aí temos, entre outros, Paul Lambert no Norwich e Brendan Rodgers no Swansea). Ele teve o suporte de uma ótima administração, que realmente investiu no clube, mas foi fundamental para os dois acessos consecutivos e o retorno à Premier League após sete anos.

O Southampton não é uma equipe mal treinada, especialmente do ponto de vista ofensivo. Há quase dois meses, derrotou o Aston Villa por 4 a 1 com uma excelente atuação no segundo tempo. Falta competitividade pela ausência de defensores sólidos (culpa também de Adkins, que concentrou £20 milhões do orçamento para transferências em Ramírez e Rodriguez e contratou mal para a defesa). Na rodada passada, por exemplo, o zagueiro japonês Maya Yoshida simplesmente entregou a bola a Nathan Dyer, do Swansea, que empatou um jogo que o Southampton deveria ter vencido. Os Saints sofreram, em 11 rodadas, incríveis 29 gols, pelo menos nove a mais do que qualquer outra equipe.

Apesar da defesa frágil, uma eventual decisão de dispensar Adkins precisa ser muito bem analisada, especialmente porque não há uma verdade absoluta sobre os efeitos da demissão de um técnico ligado ao progresso recente do clube. O West Bromwich se beneficiou da troca de Roberto Di Matteo por Roy Hodgson, em 2011. Mas o Hull City cavou a própria cova quando, há dois anos, mandou embora Phil Brown, responsável pelo primeiro acesso à Premier League da história do clube.

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quinta-feira, 6 de setembro de 2012 QPR | 19:26

Time virtual

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Não há na Inglaterra clube mais consumista do que o Queens Park Rangers. A qualidade dos produtos nem sempre é prioridade, mas ninguém o supera em quantidade de compras nos últimos meses. Em média, a cada cinco dias do mercado de transferências, o QPR fechou uma contratação. Entre 1º de julho e 31 de agosto, foram 12 apresentações de jogadores em Loftus Road. Por enquanto, o clima de transição é flagrante, com duas derrotas e um empate para a equipe de Mark Hughes na liga.

O QPR não contrata pontualmente, mas aproveita “certas oportunidades”. O caso dos goleiros é bem emblemático. Titular no West Ham até a temporada passada, Rob Green decidiu aceitar a proposta dos Hoops. Bastou uma atuação insegura na estreia para que o brasileiro Júlio César desembarcasse em Loftus Road, certamente para destronar Green. A negociação pelo ex-goleiro da Internazionale foi intermediada por Kia Joorabchian (sim, ele mesmo), também agente de Mark Hughes.

Não é simples prever como será este QPR, mas é certo que Hughes precisa tomar decisões melhores. É, por exemplo, bastante questionável a escalação do par Andy Johnson e Zamora, como ocorreu na derrota para o Manchester City no último sábado, quando você pode diversificar seu ataque com a velocidade e a criatividade de Hoilett. Este, contratado após ótima temporada no Blackburn, mofou no banco durante toda a partida. Enquanto isso, um improdutivo Shaun Wright-Phillips foi titular. Até o inacreditável Kieron Dyer, que vem de um ano no departamento médico, apareceu no segundo tempo.

Possível QPR para 2012-13, com oito recém-contratados e mais fluidez no ataque, mas ainda inspirando cuidados defensivos

Outra incógnita no QPR 2012-13 é o sistema defensivo. O meio-campo, com Faurlín e Granero, promete muito na organização das jogadas, porém pode sofrer para recuperar a bola (Diakité, mais defensivo, é alternativa a eles). Nas laterais, Bosingwa e Fábio abandonam suas posições sem compromisso e são um prato cheio para contragolpes adversários. A entrada de Mbia no centro da defesa pode ajudar, mas a tendência é que Júlio César trabalhe muito. Nos primeiros três jogos da liga, sem o brasileiro, os Hoops levaram nove gols.

Apesar de ter transferido o abacaxi Joey Barton para Marseille, Hughes ainda tem de decidir o que fazer com Taarabt, que em julho ganhou o histórico número 10 do QPR e um contrato válido até 2016. O marroquino foi fantástico há duas temporadas, o que justificou o voto de confiança, porém péssimo em 2011-12. Contra o City, não ficou sequer no banco, de acordo com Mark Hughes, “por razões táticas”. Em tese, a menos que Taarabt desista de si mesmo, vale a pena apostar nele.

Ainda que tenha feito várias contratações aleatórias, o QPR tem material para formar um time interessante, mas que precisa ser bem treinado para resolver suas deficiências. Tem de ressurgir o Hughes do Blackburn, onde o galês passou a impressão de que seria um treinador de ponta.

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segunda-feira, 13 de agosto de 2012 Aston Villa, Fulham, QPR, Sunderland | 14:46

Guia da temporada (parte 3)

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Aston Villa, Queens Park Rangers, Fulham e Sunderland estão na terceira parte do nosso guia:

Aston Villa. A temporada passada do Villa foi uma tragédia. A contratação de Alex McLeish resultou em futebol agonizante e revolta dos torcedores, que não assimilaram a presença de um ex-treinador do Birmingham. É por isso que o novo técnico, Paul Lambert, está em situação confortável. Para superar McLeish, basta a Lambert fazer o time jogar algo parecido com futebol e eliminar rapidamente a possibilidade de rebaixamento. Com um mercado tímido, de contratações baratas, o Aston Villa acredita na evolução de bons jogadores da base, como Clark, Albrighton, Bannan e Weimann, para fazer campanha decente. Previsão para a temporada: 12º.

QPR. O elenco dos Hoops inegavelmente melhorou para a próxima temporada. Você pode questionar a aposta em jogadores experientes (Rob Green, Ryan Nelsen, Park Ji-Sung e Andy Johnson), mas é difícil acreditar em rebaixamento, com todos os setores do grupo bem reforçados. O QPR garantiu ainda duas excelentes capturas de jogadores jovens: o empréstimo de Fábio da Silva, que vai bem nas duas laterais, e a contratação definitiva de Junior Hoilett, um oásis no Blackburn em 2011-12. Além de colocar essa turma em campo, Mark Hughes precisa controlar os ânimos do vestiário, que tem os fios desencapados Barton e Taarabt. Previsão para a temporada: 11º.

Recém-convocado à seleção turca, Kerim Frei é o futuro do Fulham

Fulham. Demorou, mas o processo de renovação enfim chegou a Craven Cottage. Para conduzi-lo, Martin Jol tem uma ótima safra de jovens que podem ganhar mais minutos em 2012-13, com destaque para o suíço Kasami, o sueco Kacaniklic e o turco Kerim Frei, este particularmente promissor. Ainda assim, o clube tem de prestar atenção a outros pontos do elenco. Se não mantiver Dempsey, seu melhor jogador, o Fulham não pode perder Dembele, que se tornou fundamental quando adaptado à função de meia central. O ataque também requer cuidados, pois os reforços Petric e Rodallega e o garoto italiano Marcello Trotta são as únicas opções para o setor, admitindo que Dempsey não deve ficar. Finalmente, o meia Bryan Ruíz, contratado a peso de ouro há um ano, precisa acordar. Previsão para a temporada: 10º.

Sunderland. Não obstante a queda de rendimento na reta final da temporada passada, o técnico Martin O’Neill deve fazer apenas uma extravagância no mercado, para garantir que não lhe falte um bom centroavante. E ele tem ótimos argumentos para convencer um atacante a jogar no Sunderland. Afinal, o meio-campo dos Black Cats tem a intensidade de Cattermole e Gardner, a velocidade de McClean, os lançamentos precisos de Larsson e a criatividade de Sessegnon, elementos que facilitam a vida de um goleador. Apesar do desempenho pobre nos amistosos, O’Neill pode aproveitar bem sua primeira pré-temporada completa no clube e fazer ano consistente. Previsão para a temporada: 9º.

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sábado, 12 de maio de 2012 Man City, QPR | 17:24

Inimigo familiar

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Hughes e Mancini protagonizaram uma polêmica troca de treinadores

Quando o Manchester City venceu o Sunderland por 4 a 3, Mark Hughes não comemorou. Em 19 de dezembro de 2009, o técnico galês apenas esperava pela demissão, tratada como inevitável diante da campanha medíocre de seu City na Premier League. A saída teve requinte de crueldade. Hughes foi dispensado imediatamente após a partida e, ainda naquele sábado, a direção anunciou Roberto Mancini como substituto. Tudo estava planejado.

Amanhã, Mancini e Hughes, hoje treinador do Queens Park Rangers, se reencontram no Etihad Stadium para o último jogo da temporada. Uma vitória dá o título inglês ao Manchester City. Se empatar, o QPR escapa do rebaixamento. Hughes agora tem de atrapalhar seu ex-clube, mas, de alguma maneira, ele contribuiu para a provável conquista de amanhã. Ainda que seu trabalho no City tenha sido fraco, o galês formou boa parte do grupo que lidera a Premier League.

A passagem de Hughes pelo Manchester City, entre 2008 e 2009, coincidiu com um período de transição, em que era difícil conhecer a identidade daquele clube que tinha dinheiro à vontade para gastar, mas ainda não conseguia atrair qualquer jogador que desejasse. Dos habituais titulares do City neste fim de temporada, Hughes contratou cinco: Zabaleta, Kompany, Lescott, Barry e Tevez. Como nem tudo é perfeito, também era ele o treinador na época da contratação de Robinho.

Os negócios de mercado interno eram relativamente seguros, mas os outros sempre envolvem um risco adicional. É por isso que Hughes merece crédito por ter fechado uma das melhores contratações da história do clube, a do capitão Vincent Kompany, que estava no Hamburgo, por apenas £6 milhões. Hoje, o belga é o melhor defensor do futebol inglês e tem valor incalculável para a equipe.

O técnico rejeitado pelo Manchester City há três anos disse não pensar em revanche, mas apenas no ponto de que o QPR precisa para garantir a permanência na primeira divisão. Se perder, Hughes ao menos pode alegar que é responsável por uma parcela do título. Talvez até consiga beijar o troféu.

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sexta-feira, 30 de março de 2012 QPR | 11:07

Efervescência

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Joey Barton teme pelo futuro do elenco do Queens Park Rangers, na zona de rebaixamento da Premier League. De acordo com o capitão do QPR, “carreiras estarão em jogo” quando o time enfrentar o Arsenal amanhã, no Loftus Road. Barton talvez tenha exagerado, mas é indiscutível que existem no grupo dos Hoops figuras que deterioram as próprias carreiras. Às vezes, é difícil definir se o histórico (in)disciplinar e a atitude rebelde são causas ou consequências da temporada decepcionante.

Seja como for, você deve se lembrar do Bahia de 2011. O elenco reuniu estrelas controversas como Carlos Alberto, Souza, Ricardinho e Jóbson. O QPR de 2011-12 é mais ou menos assim, com Adel Taarabt, Joey Barton e Djibril Cissé. O Bahia também lutou contra o rebaixamento no Campeonato Brasileiro e precisou de um novo treinador para apagar o incêndio na reta final. O equivalente a Joel Santana no QPR é Mark Hughes, que há quase três meses substituiu Neil Warnock e tem de administrar um vestiário efervescente.

Craque da Championship na temporada passada, Taarabt afirmou durante a semana que os seis cartões vermelhos recebidos pelo QPR na Premier League (um recorde) podem derrubar o time de volta à segunda divisão. Djibril Cissé, contratado em janeiro, engordou as estatísticas. Em seus cinco primeiros jogos, marcou três gols e foi diretamente expulso duas vezes. Em função do estopim curto, perde pelo menos sete das 16 rodadas das quais poderia participar.

Pode acreditar: Taarabt foi capitão do QPR na temporada passada. Barton puxou seu tapete em 2011-12

É irônico que Taarabt tenha adotado discurso moralista. Na temporada passada, o jovem marroquino marcou 19 gols e distribuiu 16 assistências. Nesta, não marcou e deu só dois passes decisivos. É claro que o nível de exigência mudou, mas a atitude mimada contribui para que esta versão de Taarabt seja bem mais próxima daquela que fracassou no Tottenham. Na derrota por 6 a 0 para o Fulham, no primeiro turno, foi substituído no intervalo e decidiu voltar para casa de ônibus bem antes de o dérbi terminar.

O próprio capitão, a gente sabe, não é exemplo para nada. Apesar de um suposto amadurecimento, a temporada de Barton tem seis cartões amarelos, um vermelho, declarações enfáticas que tumultuam o ambiente e fortes emoções a cada tweet. Também pelo Twitter, Federico Macheda, que já retornou ao Manchester United, fez comentários homofóbicos que lhe renderam uma multa de 15 mil libras.

O modelo de contratação do QPR diz muito sobre a filosofia do clube: jogador experiente e encostado ou brigado com o treinador / diretoria do antigo time. Bobby Zamora, Taye Taiwo, Kieron Dyer, Djibril Cissé, Joey Barton e Shaun Wright-Phillips são exemplos. A administração de Tony Fernandes é melhor e bem menos negligente que a do ex-sócio majoritário Bernie Ecclestone, mas ainda precisa aprender muito. É possível que o aprendizado continue na segunda divisão.

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quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012 Blackburn, Bolton, QPR, Wigan, Wolves | 13:53

Os desesperados

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Steve Kean resume sua temporada

A classificação da Premier League é muito clara. A menos que um time como Aston Villa ou West Bromwich caia vertiginosamente pela tabela, a luta contra o rebaixamento está restrita a cinco clubes:

Os emergentes do Loftus Road. O Queens Park Rangers tem dinheiro, um bom técnico (sim, Mark Hughes é bom) e agora tem até um ataque decente, com Zamora e o precoce Djibril Cissé, que marcou na estreia e foi expulso no segundo jogo. Os outros setores, porém, não são consistentes. A defesa ganhou Onuoha e Taiwo em janeiro, mas ainda agoniza. Sem o argentino Faurlín até o fim da temporada, Hughes tem de quebrar a cabeça para acertar o meio-campo. Mesmo assim, as eventuais boas atuações de Barton, Wright-Phillips e dos atacantes devem salvar os Hoops.

Os hindus do Ewood Park. É incrível que o Blackburn esteja fora da zona de rebaixamento. Proprietários (indianos) trapalhões e omissos, torcedores pedindo a cabeça do técnico e contratações pífias compõem a mistura dos Rovers em 2011-12. Os destaques individuais, ao menos, decidem alguns jogos. E não são apenas Yakubu, o homem dos gols, e Hoilett, o garoto da correria. O volante N’Zonzi e a dupla titular de zagueiros (Dann e, quando disposto, Samba) são boas compensações à bagunça que ainda deve derrubar o time.

Os impacientes do Molineux. Mick McCarthy pode ser medíocre, mas salvar time do rebaixamento, ele sabe. Foi assim com os Wolves nas últimas duas temporadas, aliás. Por isso, a recente demissão de MM é um flerte promissor com a segunda divisão. Para escapar, o ainda desconhecido substituto (pode ser Steve Bruce, que atrasou a vida do Sunderland) precisa arrumar uma defesa que, mesmo sob a liderança de Roger Johnson, sofreu 12 gols nos últimos quatro jogos e tirar o melhor de Steven Fletcher, o artilheiro e grande jogador da equipe na temporada. Não será fácil.

Os periclitantes do Reebok Stadium. Em sequência, o Bolton venceu o Liverpool, eliminou o Swansea da FA Cup with Budweiser (é o nome oficial do torneio mesmo) e empatou com o Arsenal. E aí? Quando parecia estar em evolução, o time, já sem Gary Cahill, cometeu novamente os erros do primeiro turno. Perder para o Norwich no Carrow Road era normal, mas para o lanterna Wigan, em casa, foi inaceitável. O Reebok Stadium, onde a turma de Owen Coyle perdeu nove de 13 jogos, já não representa mais nada. Ataque apático (N’Gog titular, para a alegria do amigo Frederico Maranhão) e defesa à Chelsea podem rebaixar um clube que prometia, porém não cumpriu.

Os impopulares do DW Stadium. Quase sem público, time e esperança, o Wigan não deve mais desafiar a lógica. Há sete anos na elite, os Latics nunca haviam disputado a Premier League com um elenco tão inexpressivo quanto este. Ainda aparecem vitórias improváveis, mas com menos frequência. Desta vez, não há Lee Cattermole, Jimmy Bullard, Wilson Palacios, Antonio Valencia ou até Emile Heskey para assumir a responsabilidade. Mesmo que Roberto Martínez incentive a equipe a passar a bola, a impressão que fica é de que o Wigan sempre está um nível abaixo dos demais.

Stuart Pearce convocou a primeira seleção inglesa pós-Capello. Veja aqui.

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quarta-feira, 11 de janeiro de 2012 QPR | 20:22

O retorno de Hughes

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A princípio, a mudança de dono fez bem ao Queens Park Rangers. Embora o clube tenha continuado nas mãos de um magnata da Fórmula 1, o mandachuva da Caterham, Tony Fernandes, comprou os 67% pertencentes a Bernie Ecclestone (os outros 33% são do riquíssimo Lakshmi Mittal) e parece mais interessado em fazer o QPR progredir.

O clube se apressou e contratou bastante no fim do mercado de verão. Era o suficiente para escapar do antes provável rebaixamento. Era. Com problemas de ambiente, de campo e de lesões, o QPR conquistou apenas dois dos últimos 24 pontos disputados. O desgaste de Neil Warnock com a cúpula terminou na demissão do experiente treinador, que entrega o time na 17ª posição.

Agora, é com Mark Hughes. Escolhido para tocar o barco, o técnico galês transformou sua temporada sabática em semestre sabático. Ele havia deixado o Fulham porque, de acordo com seu agente, Kia Joorabchian, precisava trabalhar em outra praça para “sustentar suas ambições”. Vale lembrar que o QPR, curiosamente, perdeu para o Fulham por 6 a 0 no dérbi do primeiro turno.

Hughes tem o desafio pessoal de fazer um trabalho estável e abandonar o nomadismo dos últimos anos

Isso à parte, Hughes pode fazer bom trabalho. Primeiro porque, de imediato, terá o direito de gastar £20 milhões para iniciar a reforma que se anuncia no Loftus Road. Além de pensar em médio prazo, o novo manager tem de substituir Alejandro Faurlín, que se lesionou e está fora da temporada, em caráter urgente. Se não atuar rapidamente, Hughes condenará o QPR a um rebaixamento desastroso para quem tem tantos recursos e retornou à elite após 15 temporadas.

Outro ponto é a administração do vestiário. Adel Taarabt deve ser o foco do trabalho psicológico de Hughes, pois a queda dele em relação à temporada passada (mesmo considerando a mudança de nível) e o péssimo comportamento não são normais. E ainda tem Joey Barton, que deve seguir como capitão, mas claramente tem de reconsiderar sua conduta em campo após a infantil expulsão na rodada passada, contra o Norwich. Com alguma sorte, seu recém-nascido primogênito pode lhe oferecer um pouco de juízo.

Hughes também precisa fazer o QPR ganhar em casa. Até agora, a única vitória em dez partidas foi um presente do árbitro Chris Foy, que deixou o Chelsea com nove jogadores ainda no primeiro tempo. Mais uma vez, para avaliar se o galês é capaz, esqueça o trabalho no Manchester City. A referência é o Blackburn, onde ele reconstruiu o elenco com um orçamento bem mais limitado e se estabilizou facilmente na primeira metade da tabela.

Futebol na quarta-feira
Na primeira partida da semifinal da Carling Cup, o Liverpool superou o Manchester City, no Etihad, por 1 a 0. As referências ausentes do City (Kompany, Yaya Touré e Silva) fizeram tanta falta quanto as do Liverpool (Lucas e Suárez). Na Premier League, o Tottenham pagou seu jogo atrasado com vitória sobre o Everton por 2 a 0. Os Spurs chegam aos mesmos 45 pontos do Manchester United, com quem dividem a vice-liderança. A 18 rodadas do fim, a vaga na Champions já está muito bem encaminhada.

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quarta-feira, 27 de julho de 2011 Mercado, QPR | 12:33

Perguntar não ofende

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Dyer? Aquele? Agora vai!

A temporada 2010-11 foi perfeita para o Queens Park Rangers. A campanha irrepreensível na segunda divisão devolveu o clube à elite após 15 anos, e uma vitória nos bastidores impediu que a controversa compra do argentino Alejandro Faurlín, em 2009, barrasse essa promoção. Associado às promessas de investimento e à habilidade do marroquino Adel Taarabt, o ótimo trabalho do técnico Neil Warnock parecia ser a receita para o sucesso na Premier League. Nada podia deter os Rangers.

A menos que o próprio clube estragasse tudo. Proprietário de um terço do QPR, o indiano Lakshmi Mittal tem fortuna comparável à de Mansour Al Nahyan, manda-chuva do Manchester City, mas quase não investe. Contar com os outros sócios é inútil. Bernie Ecclestone e, desde que despachado da presidência, Flavio Briatore não existem para todos os efeitos. Um dos potenciais protagonistas do mercado virou um coadjuvante atrapalhado e sem grife.

Genro de Mittal, Amit Bhatia se demitiu da vice-presidência ainda em maio por não concordar com os rumos do clube. Até Warnock havia perdido força, e o nome de Claudio Ranieri (aquele mesmo) chegou a ser ventilado para substituí-lo. Ecclestone, que não faz nada, recusa-se a vender sua parte no QPR, de 62%. O resultado é um mercado apático, desastroso para um time sólido na segunda divisão, mas que não sobreviverá sem se reforçar direito. Por ora, são três contratações sem custos e certamente ineficazes: Kieron Dyer, Daniel Gabbidon e Jay Bothroyd.

Em quatro anos de West Ham, Dyer esteve quase sempre machucado e, mesmo quando jogou, não justificou seu salário. Gabbidon, também nos Hammers, ratificou o status de defensor limitado e ainda arrumou confusão. Bothroyd começou bem na segunda divisão pelo Cardiff e foi convocado à seleção inglesa por Fabio Capello durante uma crise de lesões entre os atacantes, mas desapareceu. O único alento é a intenção de manter Taarabt. Perguntar não ofende: aonde o QPR acha que vai assim?

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