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sábado, 18 de junho de 2011 Áudio, Review | 10:04

A temporada: Debate

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Na quarta-feira, eu e o Léo Macario gravamos um debate para fechar a conta e passar a régua no review da temporada inglesa. A conversa rendeu muito (mesmo) e, por isso, foi dividida em três partes. Aproveite se e como quiser:

Primeira parte: Blackpool, Wolverhampton, Stoke, West Brom, Aston Villa, Birmingham, Sunderland, West Ham, Newcastle, Blackburn, Wigan, Bolton e Fulham

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Segunda parte: Everton, Liverpool, Tottenham e Arsenal

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Terceira parte: Manchester City, Chelsea, Manchester United e promovidos

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Seleção da temporada por Léo Macario: Hart; Ivanovic, Cahill, Vidic, Baines; Nani, Adam, Wilshere, Bale; Tevez e van Persie

Seleção da temporada por Daniel Leite: Cech; Sagna, Kompany, Vidic, Baines; Nani, Parker, Adam, Nasri; Tevez e van Persie

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terça-feira, 14 de junho de 2011 Listas, Review | 17:56

A temporada: As piores contratações

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Contagioso: no Wolfsburg, Steve McClaren transmite seu espírito vencedor a Dzeko

Após as melhores contratações, fique com a lista dos piores negócios da temporada inglesa:

7) Edin Dzeko, do Wolfsburg para o Manchester City por £27 milhões em janeiro. A ideia foi perfeita. Dzeko era bom demais para brigar contra o rebaixamento na Bundesliga, e o City precisava de complemento e alternativa a Tevez. Só que ele não jogou nada. Foram seis gols por todas as competições, mas apenas dois em 15 jogos na Premier League. Será mais cobrado em 2011-12. Ocupa o lugar que seria de Balotelli.

6) Aliaksandr Hleb, do Barcelona para o Birmingham por empréstimo. O bielorrusso era o cara a oferecer fantasia a um time ajustado, de padrão bem definido, porém muito previsível. Com a piora do Birmingham em relação à temporada passada, o ex-meia do Arsenal preferiu se esconder e argumentar que “o estilo de jogo não o favorecia” a assumir responsabilidade. Um pouco por conta de lesões, nem titular absoluto foi. É símbolo do rebaixamento.

5) Mauro Boselli, do Estudiantes para o Wigan por £6,5 milhões. A política do clube de contratar latino-americanos dá certo: Figueroa, Palacios, Valencia e Rodallega são os melhores exemplos. No entanto, o argentino, artilheiro e campeão da Libertadores pelo Estudiantes em 2009, foi um autêntico flop. Marcou só contra o Swansea, pela Carling Cup. Na Premier League, passou em branco e perdeu até pênalti, defendido por Rob Green. Foi emprestado ao Genoa em janeiro.

4) Stephen Ireland, do Manchester City para o Aston Villa. A transferência de Milner não foi um grande negócio, mas até que, para se livrar de Ireland, ela serviu. O irlandês foi o melhor jogador do Manchester City em 2008-09. Depois, a carreira desandou. O desinteresse à Balotelli não estimulou Gérard Houllier, que não confiou nele nem quando o Villa passou por uma crise terrível de lesões na meia central. O empréstimo ao Newcastle fez Ireland criar notável intimidade com os médicos de lá.

3) Bébé, do Vitória de Guimarães para o Manchester United por £7 milhões. A ascensão do português, um dia sem-teto, é bem legal: de torneios de rua a Old Trafford. O futebol na temporada de estreia é que foi fraco. Bébé até marcou um gol na Champions, contra o Bursaspor, mas não chegou a justificar a aposta. Ferguson, que nunca o tinha visto jogar, foi apresentado a um winger atrapalhado e tímido até diante do Crawley Town, da quinta divisão, pela FA Cup.

Sem traquejo: Fernando Torres e Bébé

2) A turma do Liverpool. Tem de ser assim, coletivo. Individualizados, eles dominariam a lista. Paul Konchesky (Fulham, £3,5 milhões), Christian Poulsen (Juventus, £4,5 milhões), Milan Jovanovic (última herança de Benítez, livre do Standard Liège) e Joe Cole (livre do Chelsea) chegaram para jogar e fracassaram. Konchesky até foi titular na primeira parte da temporada, o que só expôs o erro. O lateral foi emprestado ao Nottingham Forest.

1) Fernando Torres, do Liverpool para o Chelsea por £50 milhões em janeiro. Três temporadas prolíficas em Anfield, mercado interno e desespero dos Blues inflacionaram o preço do espanhol. A contratação era discutível, mas a má fase dos atacantes em Bridge fez muita gente interpretá-la como um passo tardio de reconstrução, que também teve a chegada de David Luiz. O problema é que um Torres travado viveu o pior semestre de sua carreira e fez um negócio aceitável parecer totalmente bizarro. Foram 18 jogos e um gol. Não tem jeito: o Chelsea tem de manter a aposta.

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sexta-feira, 10 de junho de 2011 Listas, Review | 10:16

A temporada: As melhores contratações

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Em sua versão "amigo da onça", Tioté tira Elano da Copa do Mundo

Na continuação do review da temporada, o blog fala dos sete grandes negócios de 2010-11 na Premier League. Discorde à vontade:

7) Raul Meireles, do Porto para o Liverpool por £11,5 milhões. Incorretamente rotulado de “substituto de Mascherano”, o meia se revelou uma boa opção ofensiva. Era tímido e subutilizado por Hodgson, mas, com Dalglish, foi adiantado e chegou a marcar cinco gols numa sequência de seis jogos. Na reta final, ainda supriu a carência do Liverpool pelos lados do meio-campo. Tem lugar no processo de reconstrução do clube.

6) David Luiz, do Benfica para o Chelsea por £21 milhões em janeiro. O melhor de 2009-10 em Portugal foi uma ótima jogada dos Blues. O zagueiro brasileiro fez 24 anos há pouco, já é titular absoluto e será o líder natural da defesa pós-Terry. Só precisa conciliar sua contribuição ofensiva com mais prudência e concentração lá atrás. Tem todos os fundamentos para isso.

5) Cheik Tioté, do Twente para o Newcastle por £3,5 milhões. Campeão holandês no time de Steve McClaren, o marfinense foi o ponto de equilíbrio no meio-campo dos Magpies. Tioté deu mais liberdade a Nolan e deixou Barton jogar à vontade, aberto pela direita. Proclamado como o “Essien do Newcastle”, o volante chamou a atenção de gigantes europeus, mas, já em fevereiro, renovou por seis anos. Foi o algoz de Elano na Copa.

4) Rafael van der Vaart, do Real Madrid para o Tottenham por £8 milhões. Uma negociação que levaria o holandês ao Bayern por £18 milhões fracassou a um dia do fechamento do mercado, disse Harry Redknapp e desmentiu o Real Madrid. Van der Vaart caiu na metade final da temporada, mas seus 13 gols e nove assistências na liga deixam claro que os Spurs acertaram em cheio. No suporte a atacante único, foi uma das peças-chave do time em 2010-11.

Com foco e vontade impressionantes, Suárez é um dos jogadores mais competitivos da liga

3) Luis Suárez, do Ajax para o Liverpool por £23 milhões em janeiro. É difícil falar em barganha por esse preço, mas o uruguaio já provou, em quatro meses, que poderia ter custado bem mais: um atacante extremamente habilidoso, incansável e que não guarda posição. Os quatro gols e cinco assistências não representam bem o tamanho da contribuição dele para a ressurreição do Liverpool, que fica com um jogador fantástico de 24 anos.

2) Peter Odemwingie, do Lokomotiv Moscou para o West Brom por £1 milhão. A carreira desse nigeriano nascido na União Soviética não andava legal. Apesar do papel importante na seleção da Nigéria, seu rendimento na Rússia havia caído bastante. Por um preço irrisório, o WBA ganhou seu melhor jogador: 15 gols como atacante isolado (não é sua posição natural) de Di Matteo e Hodgson e dois prêmios de Jogador do Mês na Premier League.

1) Javier Hernández, do Chivas para o Manchester United por £8 milhões. Show de captura, sobretudo por ter sido antes da Copa do Mundo. Os elementos que o fazem revelação servem também para explicar por que ele é a contratação do ano na Inglaterra.

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quarta-feira, 8 de junho de 2011 Jovens, Listas, Review | 16:17

A temporada: Revelações

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Goleador na equipe B, Fábio abriu a contagem no primeiro time contra Wigan e Arsenal

A temporada foi produtiva. Brasileiro, surpresas e até protagonistas deste mercado de transferências estão entre as revelações de 2010-11 na Inglaterra. O blog separou sete:

7) Fábio, Manchester United. Criado lateral-esquerdo, foi deslocado à direita no terço final da temporada. Agradou tanto, que Ferguson não hesitou em escalá-lo nos grandes jogos. Fábio ainda não fez 21 anos, mas o sucesso precoce do irmão Rafael e a escassez de chances contra Evra colocavam sua carreira no United em xeque. Bobagem: ele é ótimo e joga em qualquer uma das quatro posições laterais.

6) Phil Jones, Blackburn. Ainda com 18 anos, foi deslocado ao meio-campo por Sam Allardyce. É zagueiro de origem, posição em que funciona melhor e onde mais se destacou no Blackburn. Hoje aos 19, Jones forma com Smalling dupla defensiva muito promissora na Inglaterra sub-21. O Manchester United está próximo de contratá-lo por £17 milhões.

5) Jordan Henderson, Sunderland. O Liverpool chegou a acordo com o Sunderland para levá-lo a Anfield. Seriam £13 milhões mais N’Gog. Se for isso mesmo, os Reds aproveitam a carência ofensiva dos Black Cats e fazem um ótimo negócio. O meia central de 20 anos, que se consolidou em 2010-11, é o organizador da Inglaterra sub-21 e tem notável visão de jogo. Sua origem como winger também pode oferecer opção interessante a Dalglish. Henderson já jogou ao lado de Gerrard: contra a França pela seleção principal, para a qual mereceu a convocação.

4) Daniel Sturridge, Bolton. Galvão Bueno não diria: “Robinho é famoso, mas quem joga é Sturridge, amigo”. Ainda muito novo, em 2008-09, o atacante inglês acumulou atuações mais interessantes que as da estrela brasileira no Manchester City. No entanto, a transferência para o Chelsea lhe fez mal. Em uma temporada e meia, jogou pouco e, quando entrou, foi tímido. O empréstimo ao Bolton em janeiro mudou sua carreira: oito gols em 12 jogos. Ali estava um atacante dinâmico, de finalização letal e que, de repente, pode ser importante em Stamford Bridge. Tem 21 anos.

Wilshere é titular da seleção inglesa e o inglês mais absoluto do Arsenal

3) Séamus Coleman, Everton. O jovem de 22 anos foi uma grata surpresa. Captura de Moyes em 2009, Coleman atuava no Sligo Rovers, de sua Irlanda. Na temporada passada, fez bons jogos no Everton e durante empréstimo ao Blackpool. Previa-se que pudesse resolver o problema da lateral direita nos Toffees, que teve uma década com o limitado Tony Hibbert. Mas foi como right winger que ele brilhou. O Bale destro fez seis gols e foi indicado ao prêmio da PFA de melhor jovem do ano.

2) Javier Hernández, Manchester United. O mexicano pode aparecer em várias listas. Mesmo depois dos ótimos números no Chivas e dois gols na Copa, quando chegou a ser reserva de Guille Franco (alguém se lembra dele no West Ham?), não se esperava uma temporada de estreia tão prolífica quanto a de Solskjaer em 1996-97. Chicharito, de 23 anos, virou titular, marcou 20 gols e se notabilizou por finalização e senso de colocação impressionantes.

1) Jack Wilshere, Arsenal. Incontestável. O empréstimo ao Bolton na temporada passada sinalizava que Wilshere poderia ter algum impacto no Arsenal. Mas titular absoluto como volante dos Gunners e da seleção inglesa? O meio-campista de 19 anos é ótimo em posicionamento, passe e marcação e joga como se tivesse uma década de profissional. Se aprender a marcar gols, vai marcar época também.

Havia mais opções, é claro. Acha que faltou alguém?

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terça-feira, 7 de junho de 2011 Blackburn, Liverpool, Review | 18:51

A temporada: Sob nova direção

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Epic Swindle, é? O homem do charuto aí, John W. Henry, não estava para brincadeira

Para os novos padrões, a temporada não viu tantas trocas de proprietários em clubes da Premier League. Houve duas, número moderado diante das cinco (três só no Portsmouth) de 2009-10. Entretanto, a batalha pela compra do Liverpool e as trapalhadas dos indianos que chegaram ao Blackburn pedem espaço no review de 2010-11.

Pressionados pela torcida após três anos de más decisões e acúmulo de dívidas, os norte-americanos Tom Hicks e George Gillett colocaram o Liverpool à venda em abril de 2010. A condução do processo foi atribuída a diretores independentes, e o clube viu o débito com o Royal Bank of Scotland chegar a 285 milhões de libras.

O RBS estabeleceu um prazo para o pagamento antes de tomar o controle dos Reds. Se não cumprido, o banco colocaria o clube em leilão ou o levaria à concordata. A última alternativa provocaria a perda de nove pontos, o mesmo que aconteceu com o Portsmouth na temporada passada. O time, que já agonizava em campo, iria a três pontos negativos na liga. Mas aí apareceu o também ianque New England Sports Ventures (NESV), que teve sua proposta de 300 milhões de libras aceita pela diretoria independente.

Hicks e Gillett, que não simpatizam com o NESV (hoje Fenway Sports Group) e queriam mais, tentaram barrar a venda e até trocar os diretores por apadrinhados. A Alta Corte de Londres negou, o negócio foi concluído na data-limite, 15 de outubro, e a dívida foi zerada. Os antigos proprietários chamaram o resultado de Epic Swindle (algo como “épica fraude”, que os torcedores julgaram ser uma gíria do sul dos Estados Unidos) e ainda buscaram, sem sucesso, deslocar a decisão a um tribunal do Texas.

John W. Henry, o sócio majoritário do Fenway, levou só alegria a Anfield: confiança, saúde financeira, perspectiva de investimento, um staff competente (Damien Comolli, Kenny Dalglish e Steve Clarke), Carroll (ainda veremos se será bom mesmo), Suárez, vitórias e uma primeira-dama legal. A sexta posição ficou de bom tamanho. Para a próxima temporada, anuncia-se uma pesada aplicação em jovens (será assunto aqui) e, sem jogar na Europa, a busca até do título doméstico.

Henry é um herói do mundo moderno. No momento em que tudo sugeria uma tragédia administrativa, um ianque cheio de ambição e de sucesso no beisebol com o Boston Red Sox assumiu o controle. O exemplo do Liverpool escancarou o lado B do futebol de oportunidades na Inglaterra, que deixa quase qualquer um explorar um clube. Crescimento e queda repentinos são sempre possíveis nesse cenário.

Descaminho das Índias: Balaji e Venkatesh Rao se perderam

Utopia indiana
A compra do Blackburn não teve drama. Por 23 milhões de libras, em 19 de novembro, o indiano Venky’s tomou conta do clube. A família Rao, proprietária do grupo, é de ótimos negociadores, os maiores produtores asiáticos de aves. No futebol, entretanto, eles parecem meio lunáticos. Com mania de grandeza, demitiram o técnico Sam Allardyce em dezembro. A decisão soou estúpida para todo mundo, inclusive para o elenco.

O treinador do futebol feio foi substituído pelo inexperiente Steve Kean, transformado em efetivo pela necessidade. Uma tímida sequência de vitórias empolgou os Rao, que queriam uma “estrela brasileira” para liderar a revolução do clube. Era o simbolismo fracassado da ida de Robinho para o Manchester City. Só que a realidade se revelou dura com uma série de derrotas, e o time deixou de sonhar para tentar não cair. O Blackburn se salvou na bacia das almas. Que a lição tenha sido aprendida.

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segunda-feira, 6 de junho de 2011 Brasileiros, Curiosidades, Review | 11:09

A temporada: O carisma de David Luiz

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Contratado pelo Chelsea em janeiro, David Luiz merece capítulo à parte no review da temporada. O zagueiro brasileiro ignorou o tempo de adaptação, e a mudança de Portugal para a Inglaterra foi bem tranquila. David levou o prêmio de Jogador do Mês da Premier League em março, marcou gols contra os dois times de Manchester e impressionou pela técnica e intensidade. Ele ainda falhou em momentos importantes, mas o saldo de seu primeiro semestre é muito positivo.

David, que ganhou música em pouco tempo, destacou-se também pelo ótimo humor. Em março, longe de dominar o idioma, o brasileiro contou com a ajuda de Paulo Ferreira para uma mensagem inicial em inglês:

Em abril, o zagueiro zombou de Fernando Torres e Frank Lampard. Mesmo sem entender muito, ele concordou com todas as afirmações de uma entrevista após Chelsea 3 x 0 West Ham, jogo do único gol do espanhol pelos Blues. David, vale lembrar, marcou mais do que Torres no novo clube (2 a 1):

Já em maio, ele começou a importunar uma repórter da Chelsea TV, que falava sobre a possível decisão da Premier League contra o Manchester United:

Na abertura da premiação dos melhores do ano, David provou ser referência. Didier Drogba copiou seu estilo para incomodar a mesma repórter. O zagueiro fechou a temporada com uma breve aparição:

*Com a colaboração de Francisco De Laurentiis

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quarta-feira, 1 de junho de 2011 Review, Temporada, Treinadores | 19:39

A temporada: Os técnicos de Glasgow

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Os amigos Ferguson e Dalglish reacendem uma rivalidade que começou há quatro décadas

O auge da crise de qualidade dos técnicos ingleses aconteceu entre 2006 e 2007, quando o mais promissor deles, Steve McClaren, foi incapaz de levar uma ótima seleção à Euro 2008. A FA desistiu, e os clubes acompanharam a tendência à resignação. Dos 20 treinadores que concluíram a temporada na Premier League, apenas cinco são ingleses: Harry Redknapp, Roy Hodgson, Steve Bruce, Alan Pardew e Ian Holloway.

O índice fica mais assustador quando comparado à presença de managers de Glasgow. A maior cidade escocesa e seus arredores ofereceram à liga seis de seus técnicos até maio: Alex Ferguson, Kenny Dalglish, David Moyes, Owen Coyle, Alex McLeish e Steve Kean. A produção da Escola de Glasgow é histórica (Matt Busby, Jock Stein, George Graham…), mas seu impacto atual nos obriga a uma análise do que tem acontecido e do desempenho deles na temporada.

A estabilidade é um dos pontos. Há quase 25 anos no cargo, Alex Ferguson já é o técnico mais duradouro do Manchester United. A conquista da Premier League foi sua 12ª. Jock Stein, seu mentor, também era de Glasgow. Antes de substituí-lo na seleção da Escócia, Ferguson, que ficou devastado pela morte do mestre, fez trabalho longo e brilhante no Aberdeen, com quem quebrou pela última vez a sequência de títulos escoceses de Celtic e Rangers.

Essa propensão se confirma com David Moyes, no Everton há nove anos. Habitualmente tímidos no mercado, os Toffees contam com uma espécie de família Moyes. Ele aposta na manutenção de peças essenciais por muito tempo e se notabiliza por pegar no tranco na metade final da temporada. Osso duro para os grandes roerem, o Everton supera o Aston Villa em consistência e é a sétima (colocação em 2010-11) força do futebol inglês por conta de seu comandante, que iniciou a carreira no Preston.

Moyes, entretanto, não é o treinador mais bem-sucedido em Liverpool. O retorno de Kenny Dalglish revitalizou os Reds. Apesar de o ótimo aproveitamento a partir de janeiro ser atribuído especialmente à identificação dele com o clube, Dalglish já experimentou outros ambientes e ratificou sua competência ao levantar a Premier League pelo Blackburn em 1995. Aliás, é em Ewood Park que está o mais cru dos escoceses: Steve Kean, que sofreu mais do que deveria para manter o Blackburn na elite.

Os outros dois têm uma relação muito íntima. Alex McLeish treinou Owen Coyle no Motherwell. Na temporada passada, McLeish foi brilhante com um Birmingham de defesa forte e que quase não mudava o time. Nesta, com dinheiro e sem um ataque decente (37 gols, menos do que Cristiano Ronaldo em La Liga), nem a defesa aguentou, e o clube caiu logo no ano em que levou a Carling Cup.

McLeish e Coyle: o mestre ensinou mais do que gostaria

Coyle repetia McLeish ao escalar sempre o mesmo Bolton enquanto as lesões não vinham. Assim, ele deu a um time rústico um estilo muito mais técnico. Apesar da péssima reta final, que levou os Trotters à 14ª posição da liga, Coyle, ainda com 44 anos, consolidou-se como o nome mais promissor da Escola de Glasgow. McLeish, que lhe passou muito do que sabe, foi treinado por Alex Ferguson no Aberdeen. A cultura de o mestre transmitir ao aprendiz também conta.

Por que Glasgow?
A gente sabe que a escola produz muito, mas por quê? À BBC, o ex-jogador Pat Nevin, nascido em Glasgow, afirma que esses treinadores “se cobram muito, trabalham duro e são determinados a provar que os outros estão errados, especialmente os ingleses”. Além da ponta de rivalidade, McLeish considera que o sotaque “rude” inspira uma “autoridade natural”. Moyes, por sua vez, fala no ambiente de Glasgow, que o fazia pensar só em futebol.

A região perde McLeish na próxima Premier League, mas ganha Paul Lambert. Aos 41 anos, ele levou o Norwich a dois acessos consecutivos. Enquanto isso, o Sunderland não evolui sob Steve Bruce, ex-promissor entre os ingleses. Da geração de Redknapp e Hodgson, Neil Warnock, de 62 anos, sobe com o QPR e sinaliza que a renovação na Inglaterra, em contraste com a de Glasgow, é tão preocupante quanto o atual cenário.

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