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sexta-feira, 16 de agosto de 2013 Everton, Norwich, Southampton, Tottenham | 09:49

Eu quero ver

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Na véspera da abertura da Premier League, o blog retorna para tratar dos times que mais despertam curiosidade antes da temporada:

Norwich. Após evitar o rebaixamento na primeira temporada sem Paul Lambert, o Norwich de Chris Hughton pode ir mais longe em 2013-14 por conta dos bons investimentos. Chegaram a Carrow Road cinco potenciais titulares: Martin Olsson, lateral-esquerdo ofensivo para disputar posição com Garrido; Leroy Fer, bom meia central do Twente; Nathan Redmond, winger da seleção sub-21 que evoluiu bastante na última temporada; uma nova dupla de ataque: Gary Hooper e Ricky van Wolfswinkel.

As contratações e o perfil de Chris Hughton indicam o 4-4-2. Os Canaries, que dependiam da truculência de Grant Holt para marcar gols, desta vez podem confiar em dois atacantes que se completam. Talvez você já tenha assistido a este vídeo, em que um garoto relata seu drama como torcedor do Sporting. Entre tantos outros pontos, ele questiona o 4-3-3 adotado pelos portugueses, afirmando que “o Wolfswinkel, lá sozinho, não mete medo a ninguém”. Agora ao lado de Hooper, de ótimos números no Celtic, o bom holandês ficará mais confortável em campo. Também vale prestar atenção a Robert Snodgrass, que deve produzir mais em melhores companhias.

Everton. As alterações no elenco não são tão significativas – foram contratados dois jogadores do Wigan e Gerard Deulofeu por empréstimo, enquanto ninguém saiu –, mas o estilo deve mudar drasticamente. Se David Moyes era um técnico flexível, que se reinventava diante de cada adversário, Roberto Martínez é convicto e ataca todo mundo. O espanhol ensaia reproduzir no Everton o 3-4-3 criado no Wigan, sistema que, por sua ótima execução, foi diretamente responsável por um milagre em 2011-12 e um título da FA Cup em 2012-13, ainda que não tenha evitado o rebaixamento.

Até que ponto Martínez vai arriscar?

O Everton precisa de ajustes para não se perder em meio às modificações, mas até tem recursos para se adaptar. Os alas Coleman e Baines podem desfrutar mais liberdade, Fellaini se adequa perfeitamente a uma função mais defensiva que a da temporada passada, e os pontas – provavelmente Mirallas e Deulofeu – prometem aterrorizar laterais. O problema é a ausência de zagueiros (além de Jagielka) e atacantes centrais confiáveis, com Jelavic inconstante desde 2012-13 e Koné precisando provar que não é meramente um amigo de Bob Martínez, com quem trabalhou no Wigan.

Southampton. Por ora, o mercado trouxe dois novos titulares para fazer enorme diferença: Dejan Lovren, croata do Lyon que deve ser absoluto numa defesa que não transmitia confiança, e Victor Wanyama, queniano que era um monstro no meio-campo do Celtic. O time criado por Nigel Adkins e herdado por Mauricio Pochettino não tem pontos fracos aparentes para quem pretende fazer campanha tranquila. Coletivamente, é moderno, sobe a marcação e deve fazer várias vítimas no St. Mary’s, onde impôs derrotas por 3 a 1 a Liverpool e Manchester City na parte final da última temporada.

Individualmente, destaque para os ótimos laterais jovens – Nath Clyne e Luke Shaw –, meio-campistas completos em Wanyama, Jack Cork e Morgan Schneiderlin (o uruguaio Gaston Ramírez é talentoso, mas pode perder a posição se for tão inconsistente quanto em 12-13) e opções de ataque bem interessantes. Adam Lallana e Rickie Lambert são fundamentais desde a época da terceira divisão e provaram capacidade na Premier League. Jay Rodriguez, pelo desempenho nas últimas rodadas da temporada, também promete para 13-14.

Tottenham. As cartadas do Tottenham no mercado sugerem que André Villas-Boas vai implantar seu esquema predileto, o 4-3-3. No meio-campo, Etienne Capoue disputa posição com Sandro para fazer a proteção à defesa, com Paulinho e Moussa Dembele responsáveis pela transição ao ataque. O meio-campo está bem definido, mas falta um jogador como era João Moutinho no Porto de AVB. Paulinho e Dembele são excelentes, porém muito parecidos, pela intensidade e a capacidade de carregar a bola, exatamente como o colombiano Fredy Guarín no primeiro grande time de Villas-Boas.

A contratação de Roberto Soldado garante aos Spurs o goleador que Emmanuel Adebayor não foi na temporada passada. O belga Nacer Chadli, ex-Twente, também é aposta interessante para fazer o lado esquerdo do ataque, com Aaron Lennon tentando se manter à direita. Hoje, é difícil imaginar onde entraria Lewis Holtby, que ficou bem abaixo do esperado em seu primeiro semestre em Londres. E ainda há certo Gareth Bale no elenco. Está claro que AVB projeta o time sem ele – e parece gastar à vontade, pensando na venda ao Real Madrid –, mas não seria absurda a permanência do galês insatisfeito, ao lado de um elenco menos dependente de seus gols improváveis.

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terça-feira, 22 de janeiro de 2013 Southampton | 11:17

O certo pelo duvidoso

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O Southampton subiu da 22ª posição da terceira divisão à 15ª da Premier League em dois anos e quatro meses. A incrível ascensão de 51 degraus na pirâmide do futebol inglês foi impulsionada pela gestão do banqueiro italiano Nicola Cortese (com o suporte financeiro da família do suíço Markus Liebherr), que tirou o clube das ruínas, mas é facilmente associada a outro nome: Nigel Adkins. O treinador de 47 anos fez trabalho brilhante no St. Mary’s, do primeiro ao último dia.

Adkins entrega a Pochettino um Southampton confiante e em boa fase

Brilhante porque criou rapidamente um grupo competitivo para a terceira divisão, soube reinvestir o dinheiro da venda de Oxlade-Chamberlain ao Arsenal, retornou à elite na primeira tentativa e aprendeu a jogar a Premier League antes que fosse tarde demais. O time inseguro e vulnerável das rodadas iniciais desapareceu. Os Saints são bem mais sólidos desde novembro, saíram da zona de rebaixamento e não perdem há seis partidas. Mas a última delas, ontem, não teve Adkins à beira do campo.

Quem procurou o antigo treinador, demitido por Cortese sem qualquer explicação, encontrou Mauricio Pochettino durante o empate por 0 a 0 com o Everton em casa. Dispensado pelo Espanyol em novembro de 2012, o técnico argentino, de 40 anos e inglês macarrônico, assumiu a cadeira de Adkins.

A lógica de Cortese é indecifrável. O time estava evoluindo e conquistando pontos improváveis, como o do empate por 2 a 2 com o Chelsea em Londres. De repente, a diretoria demitiu o treinador, competente, personagem importante na história do clube e idolatrado por torcedores e jogadores. O substituto, que fazia péssima temporada no Espanyol até novembro, não domina o idioma. Tudo isso no meio da campanha, quando a única tarefa do Southampton para evitar o rebaixamento era manter o nível apresentado nas últimas rodadas, sem precisar de ruptura para “causar impacto” ou qualquer clichê equivalente.

O estádio cantou o nome de Adkins na primeira partida pós-demissão, mas evitou hostilizar Pochettino. A classe dos torcedores é uma bênção para o argentino, pois a reação à saída involuntária de uma lenda do clube, com a contratação imediata de um substituto, poderia ter sido destrutiva. Classe que o próprio Adkins havia demonstrado quando deixou a seus jogadores uma mensagem singela e emocionante. “Continuem sorrindo, tenham a convicção de que estão fazendo a coisa certa e sempre tentem melhorar”, escreveu num bloquinho.

Ninguém entenderá Cortese, mas a impressão é de que existe uma tentativa de reduzir a influência britânica sobre o clube. Ainda em agosto, a surpreendente contratação do uruguaio Gastón Ramírez, que era especulado em vários grandes clubes ingleses e italianos, foi um sinal de que a gestão adotaria um perfil heterodoxo. A chegada de Pochettino, que em algum momento foi considerado um dos nomes promissores da escola espanhola, é outro passo nessa direção.

É válido fugir do óbvio. Quando mergulhou na política de contratar apenas britânicos, o Liverpool foi vítima do mercado interno inflacionado, gastou muito dinheiro e construiu um time incapaz de superar defesas fechadas. Criatividade faz bem, mas especialmente quando acompanhada de bom senso, para manter o que dá certo ou, no mínimo, esperar o fim da temporada para fazer mudanças drásticas e impopulares.

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sexta-feira, 18 de janeiro de 2013 Southampton, Tottenham | 17:44

Lições aprendidas

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“Acho que poderia ter continuado, mas estou completamente convencido de que trocar o técnico era a única maneira de conseguir um impacto imediato em resultados”. Quem diz é André Villas-Boas, em entrevista à France Football, sobre sua saída do Chelsea, há dez meses. O treinador português lidou bem com o fracasso na primeira experiência inglesa e aprendeu lições para aplicá-las no Tottenham.

Sem Modric e van der Vaart, negociados no mercado de verão, o Tottenham se ajustou após um início inconsistente e ocupa a quarta posição da Premier League, com 40 pontos. No domingo, em White Hart Lane, o clube pode completar o double (vitórias nas duas partidas da liga) sobre o Manchester United, o primeiro desde 1989-90 e apenas o quarto em todos os tempos. Associadas a uma bem viável vaga na Champions League, vitórias marcantes, como os 3 a 2 em Old Trafford no primeiro turno, transformariam a temporada num sucesso absoluto.

Sucesso especialmente para AVB, pois o primeiro ano no Tottenham lhe impôs o maior desafio possível para um treinador com fama de geek e convicções bem definidas: abrir mão dos próprios conceitos para se adaptar ao elenco. Claramente, ele cogitou contratar dois tipos que permitiriam um 4-3-3 semelhante ao da época do Porto, seu sistema favorito – um organizador para substituir Modric, como João Moutinho*, e um atacante para jogar aberto, como Hulk.

No confronto contra o QPR de Redknapp, semana passada, o Tottenham de AVB era o time mais ortodoxo

As negociações travaram, e AVB não tentou forjar um 4-3-3 sem ter as peças certas para isso. Pelo contrário. O atual sistema do Tottenham é o mais ortodoxo possível: 4-4-2 com um volante defensivo (Parker deve assumir o lugar de Sandro, fora da temporada), um box-to-box (Dembele, que já é fundamental para o time) e dois wingers bastante agressivos. Mais simples do que a versão da temporada passada, comandada por Harry Redknapp.

O Tottenham é um time corajoso, assim como serão todas as equipes formadas por Villas-Boas. Por exemplo, quando perdeu por 5 a 2 para o Arsenal com um jogador a menos desde o primeiro tempo (Adebayor foi expulso), não abdicou do ataque e acabou pagando caro por isso. Por outro lado, AVB se ajustou às condições do elenco e montou um time que sabe também defender com as linhas retraídas (o que era impensável no Chelsea) e contra-atacar com eficiência, explorando a transição rápida de Dembele e a velocidade de Lennon, Bale e Defoe. Além do que se vê em campo, a relação com o elenco parece bem mais tranquila do que nos tempos de Chelsea.

*Para 2013-14, o Tottenham já garantiu a contratação de Lewis Holtby, do Schalke 04. Pode não ser exatamente um substituto para Modric, mas é um meia-atacante criativo para acrescentar bastante ao time.

Nigel Adkins
Nigel Adkins foi demitido pelo Southampton. Sim, o mesmo técnico que, em 28 meses, levou o clube da 22ª posição da terceira divisão à 15ª da Premier League. A equipe tinha evoluído muito, e os últimos cinco resultados na liga podem ser considerados bons – os Saints vêm de empate contra o Chelsea em Londres. A demissão é uma das mais absurdas em vários anos no futebol inglês, pois não havia necessidade de causar “impacto imediato” ou coisa parecida. O argentino Mauricio Pochettino, ex-treinador do Espanyol, é o substituto.

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sexta-feira, 16 de novembro de 2012 QPR, Southampton | 10:53

Quem fica em pé?

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O site de apostas Sky Bet retrata precisamente a situação delicada de Mark Hughes e Nigel Adkins, comandantes de Queens Park Rangers e Southampton, 20º e 19º colocados da Premier League. Se você acertar que Mark Hughes será o próximo treinador a perder o cargo na primeira divisão inglesa, o Sky Bet lhe paga apenas £2 para cada libra apostada. No caso de Adkins, o retorno é de £2,75. Por ironia do destino, QPR e Southampton se encontram amanhã em Londres, na partida que pode determinar a primeira demissão de um técnico na temporada.

Possíveis formações de QPR e Southampton

A ameaça a Hughes parece mesmo maior. O QPR tinha expectativas superiores à mera permanência na Premier League, está abaixo até do Southampton na tabela, não venceu nenhum e perdeu sete de seus 11 jogos. O discurso do proprietário Tony Fernandes tem sido de apoio irrestrito ao técnico, mas, logo após a derrota do último sábado para o Stoke, ele deixou clara a obrigatoriedade de uma vitória sobre o Southampton. “Precisamos minimizar erros. Um erro determinou a derrota. Temos de aproveitar nossas chances (…) e vencer a próxima partida (…)”, afirmou via Twitter.

Fernandes é bastante elogiado pela postura racional com que dirige o clube. No entanto, o empreendedor malaio pode cruzar uma linha perigosa e bem estreita, que separa a paciência da inércia. Na temporada passada, por exemplo, os indianos do Blackburn foram passivos demais na condução da crise com o técnico Steve Kean, que definhava no comando do time, era sempre vaiado pelos torcedores e sobrevivia porque a diretoria aderiu à filosofia de Zeca Pagodinho. Até pelo exemplo negativo do Blackburn, que obviamente acabou rebaixado e viu Kean pedir demissão nas primeiras rodadas da segunda divisão, é possível que Fernandes não perdoe um empate em casa contra o Southampton.

Em relação a Adkins, Hughes perde ainda em outro aspecto: ele não tem qualquer relação com o progresso do QPR nos últimos anos. Sparky substituiu Neil Warnock na temporada passada para evitar o rebaixamento, meta atingida, mesmo depois de um produtivo mercado de inverno, com muito sacrifício. Adkins, por sua vez, faz parte de um grupo de treinadores que redimensionaram seus clubes (aí temos, entre outros, Paul Lambert no Norwich e Brendan Rodgers no Swansea). Ele teve o suporte de uma ótima administração, que realmente investiu no clube, mas foi fundamental para os dois acessos consecutivos e o retorno à Premier League após sete anos.

O Southampton não é uma equipe mal treinada, especialmente do ponto de vista ofensivo. Há quase dois meses, derrotou o Aston Villa por 4 a 1 com uma excelente atuação no segundo tempo. Falta competitividade pela ausência de defensores sólidos (culpa também de Adkins, que concentrou £20 milhões do orçamento para transferências em Ramírez e Rodriguez e contratou mal para a defesa). Na rodada passada, por exemplo, o zagueiro japonês Maya Yoshida simplesmente entregou a bola a Nathan Dyer, do Swansea, que empatou um jogo que o Southampton deveria ter vencido. Os Saints sofreram, em 11 rodadas, incríveis 29 gols, pelo menos nove a mais do que qualquer outra equipe.

Apesar da defesa frágil, uma eventual decisão de dispensar Adkins precisa ser muito bem analisada, especialmente porque não há uma verdade absoluta sobre os efeitos da demissão de um técnico ligado ao progresso recente do clube. O West Bromwich se beneficiou da troca de Roberto Di Matteo por Roy Hodgson, em 2011. Mas o Hull City cavou a própria cova quando, há dois anos, mandou embora Phil Brown, responsável pelo primeiro acesso à Premier League da história do clube.

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quarta-feira, 12 de setembro de 2012 Southampton | 14:55

A aposta em Ramírez

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Ramírez e Southampton: grande risco para ambos

Reforço do Southampton, o meio-campista uruguaio Gastón Ramírez foi a contratação mais curiosa do mercado inglês de verão. Após duas temporadas pelo Bologna, Ramírez atraiu o interesse de boa parte da Europa, inclusive de grandes clubes italianos que tentaram mantê-lo na Serie A. Particularmente na Inglaterra, o uruguaio de 21 anos foi especulado com mais ênfase em Liverpool e Manchester City. Ainda assim, fechou por quatro anos com um candidato ao rebaixamento, o que, entre tantos outros aspectos, pode ser interpretado como uma demonstração de força da Premier League.

A transferência de Ramírez ao St Mary’s foi inegavelmente positiva para a liga, mas até que ponto jogador e clube saem ganhando? O Southampton pagou £12 milhões para contar com o trequartista, um investimento que põe pressão sobre o reforço. Claramente, o clube recém-promovido vê o uruguaio como uma espécie de “vantagem” em relação a outros candidatos à queda, alguém que justificasse um sacrifício financeiro. Apesar da ótima experiência na Itália, Ramírez pode não estar pronto para tanto.

Na seleção uruguaia, ele ainda não se consolidou, mesmo que tenha características únicas. Entre os volantes fundamentalmente marcadores (Pérez, Arévalo, Gargano) e os atacantes (Forlán, Suárez, Cavani), Ramírez é um contraste interessante, para oferecer criatividade, encontrar espaços. Ontem, contra o Equador pelas Eliminatórias para a Copa, até foi titular, mas não jogou bem. Mesmo no fracasso olímpico do Uruguai, viveu de lampejos, em velocidade mais lenta do que as partidas exigiam.

Justamente a dinâmica de Ramírez é a maior preocupação, considerando que não são raros os exemplos de jogadores que sofrem na adaptação ao frenético ritmo da Premier League. Sobretudo o uruguaio, que oscilou até num torneio sub-23, gera certa desconfiança, pois não deve haver paciência para uma temporada de transição, à qual ele teria direito em outros clubes. Nos Saints, Ramírez tem de ser imediatamente protagonista, talvez já em sua estreia, sábado, contra o Arsenal no Emirates.

Possível Southampton em 2012-13

Apesar de ter feito boas partidas, o Southampton perdeu todos os três jogos na liga e não pode esperar. De qualquer maneira, não é pertinente duvidar do talento, abundante no pé esquerdo de Ramírez, ótimo cobrador de faltas (marcou um gol assim nos Jogos de Londres, contra os Emirados Árabes) e autor de oito gols na Serie A em 2011-12.

O desafio do técnico Nigel Adkins é montar um time ofensivo e eficiente, que utilize bem os principais reforços (além de Ramírez, Jay Rodriguez) e as antigas referências (Lallana e Lambert). Guardadas as devidas proporções, a esperança é de que Adkins ofereça ao artilheiro Rickie Lambert condições semelhantes às que o Chelsea dá a Fernando Torres nesta temporada, para que ele renda mais. Torres conta com a preciosa ajuda dos meias Hazard, Mata e Ramires. Lambert, que tem sido um finalizador mais preciso do que o espanhol, pode ter Lallana, Rodriguez e o Ramírez uruguaio.

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sexta-feira, 10 de agosto de 2012 Norwich, Reading, Southampton, Wigan | 15:40

Guia da temporada (parte 1)

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Roberto Martínez: pronto para mais um milagre?

Faltam apenas oito dias para o início da Premier League 2012-13, razão pela qual a coluna publica a primeira parte do guia da temporada. As previsões não são científicas, mas baseadas em impressões. Começamos com Norwich, Wigan, Reading e Southampton:

Norwich. Chris Hughton, novo treinador dos Canaries, pretende provar que o clube pode sobreviver sem Paul Lambert, responsável por tirar o Norwich da terceira divisão e levá-lo até a 12ª posição da primeira. Lambert montou quase todo o elenco e conhece profundamente suas limitações e virtudes. Hughton tem o compromisso de alterar o mínimo possível em relação à temporada passada, manter o artilheiro Holt satisfeito e fazer o time evoluir gradativamente. Seu principal reforço é Snodgrass, ex-meia do Leeds United. Snod, que era ídolo em Elland Road, pode aproveitar o entrosamento de longa data com Howson, seu companheiro durante quase quatro anos em Leeds. Previsão para a temporada: 20º.

Wigan. Os Latics assombraram a Inglaterra com uma sequência de ótimos resultados e atuações na reta final da temporada passada, porém o cenário não é exatamente animador. O Wigan ainda não perdeu titulares no mercado, mas Diamé e Rodallega, contratados por West Ham e Fulham, eram nomes relevantes no grupo. Moses, jogador mais valioso do elenco, também pode sair. A boa notícia é a permanência de Roberto Martínez, que flertava com Liverpool e Tottenham há algumas semanas. No entanto, a quarta temporada do técnico espanhol no DW Stadium deve ser a mais difícil. Embora não seja prudente apostar contra o Wigan, a equipe terá de trabalhar muito para não sucumbir à maior competitividade de 2012-13. Previsão para a temporada: 19º.

Reading. O campeão da segunda divisão adotou um modelo sagaz de contratações, gastando pouco nas transferências e muito nos salários. Guthrie e Pogrebnyak são os principais reforços, mas é preciso destacar também o fortalecimento da defesa. Shorey (que retorna ao Reading), Mariappa e Gunter (nomes confiáveis na Championship que merecem a chance na Premier League) oferecem segurança e profundidade. De qualquer maneira, para escapar do rebaixamento, o Reading depende demais da consistência do trabalho de Brian McDermott, que soube administrar o elenco mesmo nos momentos em que o clube arrecadava bem mais em vendas do que investia em compras. O time, porém, tem enfrentado muitos problemas nos amistosos. Previsão para a temporada: 18º.

Southampton. O desempenho dos Saints beirou a perfeição no último biênio, com dois acessos diretos consecutivos. A administração segura do proprietário Nicola Cortese e o trabalho irretocável do técnico Nigel Adkins dão confiança para enfrentar a Premier League, assim como fez o Norwich na temporada passada. A grande expectativa fica em torno do desempenho de nomes como Adam Lallana, Rickie Lambert e o brasileiro Guly do Prado, que foram dominantes em divisões inferiores e agora precisam competir em outro nível. Eles têm o apoio de Steven Davis e Jay Rodriguez, dois ótimos reforços. Previsão para a temporada: 17º.

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quarta-feira, 25 de julho de 2012 Portsmouth, Southampton | 15:43

A gangorra da costa sul

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Há quatro anos, o Portsmouth conquistou a FA Cup. Na temporada seguinte, o Southampton foi rebaixado à terceira divisão. A grande rivalidade da costa sul da Inglaterra segue desequilibrada, mas hoje pende para o outro lado. Não existe mais aquele Porstmouth capaz de reunir Glen Johnson, Lass Diarra, Sulley Muntari e Jermain Defoe. O Southampton, que se limitava a formar jogadores e fracassar em campo, obteve dois acessos consecutivos e retornou à Premier League depois de sete anos.

A involução do Portsmouth está completamente relacionada ao caos administrativo. Contratações e folha salarial imprudentes, dívidas impagáveis e trocas sucessivas de proprietários levaram o clube do G10 do futebol inglês à beira da falência. Em duas das últimas três temporadas, o time perdeu pontos por entrar em concordata. A dedução de dez pontos em 2011-12 determinou a queda à terceira divisão. O cenário caótico, que se arrasta há três anos, chegou ao limite com outro rebaixamento.

Como no mapa, Southampton está novamente acima de Portsmouth no futebol

Um dos atuais administradores do Portsmouth, Trevor Birch afirmou à BBC que, “se não houver significativo progresso até 10 de agosto, a única opção será a falência”. Ao menos oito jogadores processam o clube por salários não pagos. Ironicamente, um deles é o nigeriano Nwankwo Kanu, autor do gol do título da FA Cup de 2008. O chefe-executivo da associação de jogadores profissionais da Inglaterra, Gordon Taylor, considera que a única maneira de o Portsmouth sobreviver é a mobilização de todas as partes: atletas, administradores e os possíveis novos proprietários (dois grupos estariam interessados).

Harry Redknapp, treinador da conquista da FA Cup, garantiu que conversaria com Kanu e fez um apelo aos credores, para que eles aceitem negociar e prorrogar a dívida, o que é necessário para uma sobrevida. “Se o clube fechar, aí é que não vão receber nenhum centavo”, ponderou Redknapp. Hoje, o Portsmouth tem sete jogadores no elenco que, em caso de sobrevivência, disputará a terceira divisão a partir de 18 de agosto.

Enquanto isso, o técnico do Southampton, Nigel Adkins, aproveita o novo orçamento do clube para reforçá-lo. Por ora, são cinco contratações para a Premier League, com destaque para o defensor Nathaniel Clyne, do Crystal Palace, o meia Steven Davis, do falido Rangers, e especialmente o atacante Jay Rodriguez, do Burnley. Rodriguez, que também interessava a Everton e Fulham, custou £7 milhões e transformou-se na transferência mais cara da história do Southampton.

Na temporada passada, o Portsmouth comemorou dois empates com o Southampton

Apesar dos necessários reforços ao elenco, a filosofia do Southampton é bem parecida com a do Norwich, que também obteve dois acessos consecutivos. As principais referências do grupo devem ser os mesmos jogadores que ajudaram o clube a progredir desde a disputa da terceira divisão em 2010-11. Rickie Lambert, Adam Lallana, o francês Morgan Schneiderlin e o brasileiro Guly do Prado tendem a seguir no comando.

Além do ótimo trabalho em campo, a constante produção de grandes jogadores ajudou o clube a reagir. Ao contrário do Portsmouth, que gastou muito dinheiro entre 2006 e 2008, o Southampton arrecadou bastante com as vendas de Theo Walcott, Gareth Bale e, mais tarde, Alex Oxlade-Chamberlain. Ao todo, foram £28 milhões, decisivos na estabilização do balanço financeiro e nos ajustes que definiram o retorno à primeira divisão.

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quarta-feira, 28 de março de 2012 Championship, Southampton | 09:16

Venda ambiciosa

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O atacante Billy Sharp, do Southampton, já traçou a meta do clube para o resto da temporada: conquistar a Championship. O time está bem há tanto tempo, que o acesso à elite deixou de ser objetivo para se transformar em certeza. Os Saints, que subiram da terceira divisão em 2010-11, têm todos os argumentos para repetirem o feito do Norwich, que foi da League One à Premier League num intervalo de dois anos. Nas últimas nove rodadas, o Southampton somou sete vitórias e dois empates. A sete jogos do fim do campeonato, são seis pontos de vantagem para o terceiro colocado.

Enquanto o West Ham agoniza e o Reading desperta tardiamente na tabela, o Southampton mantém a consistência da primeira parte da temporada, quando o blog elogiou o trabalho do técnico Nigel Adkins, e se vê confortável na liderança. Mas como isso é possível para um clube que acaba de chegar da terceira divisão? Além do ótimo trabalho em campo, o zelo com as categorias de base e a boa vontade da diretoria são fatores determinantes.

Mesmo longe do St. Mary's, Chamberlain é decisivo para a temporada do Southampton

Para quem não se lembra, o Southampton foi a primeira casa de Gareth Bale e Theo Walcott. A terceira das grandes revelações recentes, Alex Oxlade-Chamberlain, despertou no início da temporada o interesse do Arsenal. A cúpula dos Saints não cedeu facilmente, e Arsène Wenger teve de oferecer £12 milhões fixos e mais £3 milhões em bônus para tirar do St. Mary’s o winger de 18 anos. O presidente Nicola Cortese não relaxou com o negócio e reinvestiu o dinheiro da maior venda da história do clube.

Pense no Southampton que, na última rodada, venceu o Doncaster por 2 a 0. Cinco jogadores contratados com o dinheiro de Chamberlain foram titulares: o ex-Chelsea Jack Cork, o belga Steve De Ridder, o ótimo lateral escocês Danny Fox, o zagueiro holandês Jos Hooiveld e o atacante Billy Sharp, aquele do início do artigo. Vale registrar que a diretoria agiu também no mercado de inverno, quando as vitórias eram raras, para fechar três contratações. Não por acaso, o time não perde na liga desde janeiro.

A decisão de vender Chamberlain foi certeira também porque Adam Lallana, outra boa revelação do Southampton, ganhou mais espaço para brilhar. Outro que já estava lá e garante vários pontos é o artilheiro Rickie Lambert, que segue fazendo pelos Saints o que Grant Holt fez pelo Norwich nas divisões de acesso. Ainda assim, entre recém-contratados e velhos conhecidos, ninguém pode se esquecer de Chamberlain, importante para o Arsenal e, mesmo sem defendê-lo, para o Southampton.

Sobre terça-feira
– Champions: Em atuação soberba de David Luiz, o Chelsea cozinhou o Benfica na Luz. Di Matteo escalou um time mais corredor, com Ramires novamente aberto pela direita, Raul Meireles, Fernando Torres e Kalou titulares. As decisões foram para lá de discutíveis (Paulo Ferreira também atuou…), mas deram certo pela vitória por 1 a 0. Ainda que os encarnados possam fazer 2 a 1 em Stamford Bridge, é improvável que o Chelsea não avance às semifinais para enfrentar Barcelona ou Milan.

– FA Cup: Haverá dois dérbis em Wembley. Ontem, grande vitória do Everton sobre o Sunderland por 2 a 0, no Stadium of Light. O croata Nikica Jelavic, que marcou um dos gols, segue passando a impressão de que resolveu o problema crônico do ataque dos Toffees. A semifinal contra o Liverpool não tem favorito. O Tottenham, por sua vez, superou o Bolton e também deve fazer semifinal equilibrada com o Chelsea.

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segunda-feira, 19 de setembro de 2011 Championship, Southampton | 22:34

O líder da revolução

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Adkins tem sido para o Southampton o que Paul Lambert é para o Norwich

Com Scolari, Luxemburgo e tantos outros, o futebol brasileiro é prova de que um jogador discreto pode virar um grande treinador. Não é exagero dizer que o tradicional Southampton deve seu ressurgimento a um desses personagens. Ele é Nigel Adkins, ex-goleiro que encerrou a carreira de atleta exercendo dupla função (também era técnico) no galês Bangor City.

Adkins, de 46 anos, passou dez sem trabalhar como treinador após deixar Bangor. Voltou pelo Scunthorpe em 2006. Em 2010, assumiu o desafio de tirar o Southampton do buraco da League One (terceira divisão). Bastou um ano para ele mudar tudo. No domingo, teve quatro razões para comemorar: a vitória por 4 a 1 sobre o Birmingham, a liderança da Championship (segunda divisão), o primeiro aniversário no St. Mary’s e a 100ª vitória na carreira de técnico.

Não há nada de mais no novo Southampton, que revelou Bale, Walcott e Oxlade-Chamberlain recentemente. Apenas um trabalho bem feito, algumas contratações sagazes e um pouco de boa vontade do presidente Nicolas Cortese, ainda mais importante depois da morte do proprietário suíço Markus Liebherr há uma temporada. Com a boa gestão de Adkins, a curva dos Saints é ascendente pela primeira vez desde a aposentadoria do leal e habilidoso meia Matt Le Tissier, ídolo do clube e referência para Xavi, do Barcelona.

O brasileiro Guilherme Guly do Prado (ex-Portuguesa Santista), o carequinha Richard Chaplow, o artilheiro Rickie Lambert (seis gols) e o ainda promissor Adam Lallana (quatro gols e quatro assistências) são os destaques do líder da Championship, que acumula ótimos 18 pontos após sete rodadas. Mérito também de Adkins, que tem tirado o máximo deles e aproveitado o embalo.

Sim, o embalo. O Southampton chama a atenção por ter permanecido por 27 anos na elite (1978 a 2005) e buscar a recuperação agora, mas é só mais um a fazer boa campanha na Championship na temporada seguinte ao acesso da terceira divisão. Em 2010-11, Norwich (2º, promovido e bem na atual Premier League), Leeds (7º) e Millwall (9º) impressionaram. Desta vez, os Saints (1º), o Brighton de Gus Poyet (3º) e o Peterborough de Darren Ferguson (10º) confirmam que o caminho entre League One e Premier League ficou mais curto.

Fantasy
Por enquanto, ninguém tira o FC United of Santana (Claudio Roberto) da liderança da liga God Save the Ball. Confira a classificação atualizada.

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