Publicidade

Arquivo da Categoria Sunderland

sexta-feira, 19 de outubro de 2012 Chelsea, Newcastle, Sunderland, Tottenham | 13:51

Razões para acordar cedo amanhã

Compartilhe: Twitter

Tottenham e Chelsea se enfrentam amanhã, às 8h45 de Brasília, em White Hart Lane. É o grande jogo da oitava rodada da Premier League, aquele que você não deve perder. O blog apresenta os motivos:

Possíveis formações de Tottenham e Chelsea. Lampard retorna de lesão e pode ficar no banco

AVB x Chelsea. O reencontro entre Villas-Boas e Chelsea não terá valor de revanche, garante o técnico do Tottenham. No entanto, nada que ele diga vai amenizar a sensação de rivalidade no confronto, entre treinadores e equipes. Seu ex-auxiliar e sucessor Di Matteo, comandante dos títulos da FA Cup e da Champions League, rompeu com a filosofia e os métodos que ele tentava implementar em Stamford Bridge, além de estabelecer uma relação bem mais amigável com os jogadores. À demissão traumática, somou-se o fato de AVB ter assumido o Tottenham, clube que perdeu a vaga na Champions League por conta do título europeu do Chelsea.

Destino do Tottenham na temporada. O Chelsea tem problemas claros na montagem do elenco (a saber: número limitado de volantes e centroavantes), mas, com campanha quase perfeita até agora, indica que vai mesmo lutar pelo título. A impressão é de que a partida importa mais para o Tottenham, quinto colocado, a cinco pontos da liderança. Uma vitória sobre o Chelsea seria a quinta consecutiva no campeonato e outra para marcar positivamente o início de trabalho de AVB, que já derrotou o Manchester United em Old Trafford. Se acumular bons resultados em jogos-chave, o Tottenham, mesmo sem Modric, pode pensar além da vaga na Champions League.

Sandro x Oscar. Em entrevista ao site da Premier League, o ex-defensor Lee Dixon apontou o Chelsea como favorito e elogiou, particularmente, Oscar. Não é segredo que o número 10 da Seleção teve impacto imediato em Stamford Bridge, mas seu provável marcador (imaginando que as formações habituais sejam mantidas) neste sábado também faz ótima temporada até agora. Sandro aproveita bem a ausência de Parker por lesão e tem sido o ponto de equilíbrio do time, papel que, em trabalhos anteriores de AVB, o também brasileiro Fernando exerceu no Porto e Obi Mikel não conseguiu fazer no Chelsea. Sandro x Oscar promete (identifique outros prováveis duelos no campinho).

Possíveis formações de Sunderland e Newcastle

Teste para os três armadores do Chelsea. Se Di Matteo mantiver o trio de armadores (Mata, Oscar e Hazard) contra o Tottenham, será o melhor teste para esta formação, pois a equipe de AVB ataca demais pelas laterais. A medida mais conservadora seria substituir Mata por um volante e abrir Ramires à direita, para assessorar Ivanovic no combate a Bale. Mas o técnico italiano parece acreditar no esquema com três meias criativos, uma vez que escalou todos eles contra o Arsenal, no Emirates, há duas rodadas. Vale ver.

Domingo também!
No domingo, às 10h30, outro dérbi importante: Sunderland x Newcastle, no Stadium of Light. Na temporada passada, eles se encontraram neste estádio na segunda rodada, com vitória do Newcastle por 1 a 0, resultado que abasteceu o ótimo início de campanha dos Magpies.

O Sunderland ainda deve aos torcedores uma grande atuação em 2012-13 e precisa diversificar seus gols – Steven Fletcher marcou todos os cinco do time no campeonato. No Newcastle, alívio pelo provável retorno de três defensores titulares: Krul, Coloccini e Steven Taylor. O Sunderland está na 13ª posição, com sete pontos em seis jogos. O Newcastle é o décimo, com nove pontos em sete partidas.

Autor: Tags: , , , , , ,

quarta-feira, 3 de outubro de 2012 Sunderland | 18:58

Operação Fletcher

Compartilhe: Twitter

Fletcher tem início espetacular no Sunderland

Steven Fletcher é um sucesso no futebol inglês, mas não defende a seleção escocesa há dois anos. Em fevereiro de 2011, por mensagem de texto, Fletcher avisou à Federação que não participaria de um confronto contra a Irlanda do Norte, para o qual havia sido convocado. O técnico Craig Levein afirmou, então, que nunca mais o chamaria. Ontem, ele quebrou a promessa. Autor de cinco gols em quatro jogos pelo Sunderland na Premier League, Fletcher foi incluído na lista para as partidas contra Gales e Bélgica.

No fim de 2010, quando nasceu o atrito entre Fletcher e Levein (o atacante reclamou publicamente por não ter sido convocado para partidas das Eliminatórias da Euro), o então centroavante do Wolverhampton ainda não era unanimidade. Dois anos depois, a ausência dele virou uma enorme distorção. Enquanto Fletcher se tornou um dos mais prolíficos atacantes britânicos, a Escócia continuou sofrendo com Kenny Miller (reforço do Vancouver Whitecaps, da Major League Soccer), de 32 anos, isolado e correndo para todos os lados no ataque, geralmente sem êxito.

No entanto, antes de afirmar que a presença de Fletcher redimensiona a seleção escocesa, é necessário ponderar algo importante. Quando o Sunderland investiu £14 milhões em sua contratação, muita gente perguntou se ele vale tudo isso. A resposta era “depende”. Individualmente, Fletcher não valeria £14 milhões, mas atende tão bem à necessidade do Sunderland, que o investimento se justifica.

O meio-campo do Sunderland trabalha para que Fletcher marque gols

Fletcher não é tecnicamente um primor, mas compensa com um oportunismo notável, o que faltava à equipe de Martin O’Neill. Eficiente sobretudo com a cabeça e o pé esquerdo, ele é o autêntico “poacher”, que completa lançamentos e cruzamentos com precisão. E o Sunderland, como já foi discutido neste espaço, sempre cria muitas chances. Não à toa, Fletcher é vice-artilheiro da liga tendo jogado em apenas quatro das seis rodadas.

No caso da seleção escocesa, ele não terá tanta criatividade para abastecê-lo. Muito pelo contrário. Se ganhar a disputa com Miller e Jordan Rhodes (do Blackburn) por um lugar no time, a tendência é que seja o atacante único de um retraído 4-1-4-1, caso Levein não mude a maneira de a equipe atuar. Assim, as limitações de Fletcher devem ficar mais expostas, e as virtudes, mais escondidas. Com ou sem o artilheiro do Sunderland, a Escócia, que empatou em casa com Sérvia e Macedônia, não vem ao Brasil em 2014.

Champions
A segunda rodada da fase de grupos foi relativamente tranquila para três dos quatro clubes ingleses; todos enfrentaram campeões nacionais. Na terça-feira, apesar de desnecessários sustos no segundo tempo, o Chelsea se impôs ao Nordsjaelland por 4 a 0 na Dinamarca, jogo importante para consolidar a recuperação de Juan Mata, que fazia temporada pálida até a semana passada. Na Romênia, Robin van Persie marcou duas vezes para decidir a vitória do Manchester United sobre o Cluj, por 2 a 1.

Hoje, o Arsenal superou o Olympiacos, 3 a 1, com ótima atuação de Gervinho. Em confronto decisivo para a classificação, o Manchester City foi dominado pelo Borussia Dortmund de Mario Götze e Marco Reus, mas conseguiu o empate por 1 a 1 a duras penas. Joe Hart foi o melhor em campo.

Autor: Tags: , ,

segunda-feira, 13 de agosto de 2012 Aston Villa, Fulham, QPR, Sunderland | 14:46

Guia da temporada (parte 3)

Compartilhe: Twitter

Aston Villa, Queens Park Rangers, Fulham e Sunderland estão na terceira parte do nosso guia:

Aston Villa. A temporada passada do Villa foi uma tragédia. A contratação de Alex McLeish resultou em futebol agonizante e revolta dos torcedores, que não assimilaram a presença de um ex-treinador do Birmingham. É por isso que o novo técnico, Paul Lambert, está em situação confortável. Para superar McLeish, basta a Lambert fazer o time jogar algo parecido com futebol e eliminar rapidamente a possibilidade de rebaixamento. Com um mercado tímido, de contratações baratas, o Aston Villa acredita na evolução de bons jogadores da base, como Clark, Albrighton, Bannan e Weimann, para fazer campanha decente. Previsão para a temporada: 12º.

QPR. O elenco dos Hoops inegavelmente melhorou para a próxima temporada. Você pode questionar a aposta em jogadores experientes (Rob Green, Ryan Nelsen, Park Ji-Sung e Andy Johnson), mas é difícil acreditar em rebaixamento, com todos os setores do grupo bem reforçados. O QPR garantiu ainda duas excelentes capturas de jogadores jovens: o empréstimo de Fábio da Silva, que vai bem nas duas laterais, e a contratação definitiva de Junior Hoilett, um oásis no Blackburn em 2011-12. Além de colocar essa turma em campo, Mark Hughes precisa controlar os ânimos do vestiário, que tem os fios desencapados Barton e Taarabt. Previsão para a temporada: 11º.

Recém-convocado à seleção turca, Kerim Frei é o futuro do Fulham

Fulham. Demorou, mas o processo de renovação enfim chegou a Craven Cottage. Para conduzi-lo, Martin Jol tem uma ótima safra de jovens que podem ganhar mais minutos em 2012-13, com destaque para o suíço Kasami, o sueco Kacaniklic e o turco Kerim Frei, este particularmente promissor. Ainda assim, o clube tem de prestar atenção a outros pontos do elenco. Se não mantiver Dempsey, seu melhor jogador, o Fulham não pode perder Dembele, que se tornou fundamental quando adaptado à função de meia central. O ataque também requer cuidados, pois os reforços Petric e Rodallega e o garoto italiano Marcello Trotta são as únicas opções para o setor, admitindo que Dempsey não deve ficar. Finalmente, o meia Bryan Ruíz, contratado a peso de ouro há um ano, precisa acordar. Previsão para a temporada: 10º.

Sunderland. Não obstante a queda de rendimento na reta final da temporada passada, o técnico Martin O’Neill deve fazer apenas uma extravagância no mercado, para garantir que não lhe falte um bom centroavante. E ele tem ótimos argumentos para convencer um atacante a jogar no Sunderland. Afinal, o meio-campo dos Black Cats tem a intensidade de Cattermole e Gardner, a velocidade de McClean, os lançamentos precisos de Larsson e a criatividade de Sessegnon, elementos que facilitam a vida de um goleador. Apesar do desempenho pobre nos amistosos, O’Neill pode aproveitar bem sua primeira pré-temporada completa no clube e fazer ano consistente. Previsão para a temporada: 9º.

Autor: Tags: , , ,

quarta-feira, 8 de agosto de 2012 Sunderland | 14:25

Os centroavantes de Martin O’Neill

Compartilhe: Twitter

O técnico do Sunderland, Martin O’Neill, é amplamente respeitado na Inglaterra há bastante tempo pela consistência de seus trabalhos. No entanto, as equipes comandadas por ele têm deficiências bem peculiares. Por algum motivo, o treinador costuma sofrer muito em março (mês de seu aniversário), quando seus times caem de rendimento e raramente vencem. Além disso, sempre falta um atacante confiável, alguém que ofereça ao menos um gol a cada dois jogos.

É verdade que O’Neill treinou Henrik Larsson durante sua passagem pelo escocês Celtic, mas na Inglaterra a história é bem diferente. Seu primeiro grande trabalho, no Leicester City, teve um ainda jovem Emile Heskey (ele mesmo) como principal opção de ataque. No início da carreira, Heskey disfarçava melhor suas limitações através de movimentação e vigor físico, porém obviamente não era um goleador. Antes de deixar o clube, O’Neill o vendeu ao Liverpool por impressionantes £11 milhões.

Emile Heskey, uma lenda do Leicester

Com dois títulos da League Cup pelo Leicester, O’Neill abandonou a Inglaterra em 2000 para treinar o Celtic. Ele retornaria em 2006, no Aston Villa. O norte-irlandês tirou o clube do buraco com uma defesa firme e uma das melhores linhas de meio-campo da Premier League. O Villa sobreviveu até à venda de Barry ao Manchester City, quando passou a ter Downing à direita, Milner e Petrov (com quem O’Neill trabalhou no Celtic) no centro e Ashley Young à esquerda.

Entretanto, as fragilidades ofensivas estavam lá. Agbonlahor corria bastante, mas quem marcava os gols? Embora até tenha sido o artilheiro da equipe em três temporadas, John Carew destoava do time. Talvez por isso, em janeiro de 2009, O’Neill decidiu retomar a parceria com Heskey após dez anos. Foi um desastre. Em 110 jogos no Villa Park, Emile marcou 14 gols. Ironicamente, no mercado seguinte ao pedido de demissão do técnico, a diretoria enfim contratou Darren Bent, que teria sido a cereja no bolo de O’Neill.

Até janeiro de 2011, Bent era fundamental no Sunderland, exatamente o time que O’Neill assumiu em dezembro do ano passado. Na temporada anterior, o elenco ainda tinha Gyan e Welbeck, mas todo mundo foi embora. Bendtner e os garotos Wickham e Ji Dong-Won eram os atacantes à disposição do treinador, que em algumas partidas chegou a improvisar como centroavante o nanico Sessegnon, seu jogador mais habilidoso.

Steven Fletcher, a solução para Martin O'Neill

Como o empréstimo de Bendtner terminou, a urgência por um atacante no Sunderland é enorme. O’Neill corre atrás de Steven Fletcher, por quem teria oferecido £12 milhões ao rebaixado Wolverhampton. Fletcher é ótimo finalizador, mas não vale todo esse dinheiro em condições normais. Para o possível investimento dar certo especificamente no caso do Sunderland, o desafio é tirar o máximo dos criativos McClean, Seb Larsson e Sessegnon, que podem fazer o escocês funcionar e finalmente libertar O’Neill dessa maldição.

Autor: Tags: , , ,

sexta-feira, 20 de abril de 2012 Aston Villa, Sunderland | 14:24

Por trás das vaias

Compartilhe: Twitter

Durante sua coletiva de apresentação no Aston Villa, em agosto de 2006, Martin O’Neill sonhou alto. “É absolutamente fantástico estar de volta (ao futebol inglês). É um grande desafio. Conheço bem a história deste clube. Tentar resgatar os melhores dias dela será um longo caminho, mas por que não tentar? Faz quase 25 anos que o Villa venceu a Copa Europeia, mas este é o sonho”, afirmou.

Nada seria mais constrangedor do que deixar O'Neill em situação desconfortável no Villa Park

Amanhã, O’Neill retorna ao Villa Park pela primeira vez desde que pediu demissão, em agosto de 2010. O agora treinador do Sunderland não sabe como será recebido: com aplausos, vaias, ambos? Este não é um espaço para pautar comportamento de torcedor (a menos que envolva violência), mas a relação entre Villa e O’Neill é diferente e diz bastante sobre o que os fãs esperam do clube.

A torcida já hostilizou, nesta temporada, Ashley Young e Stewart Downing, que forçaram transferências para Manchester United e Liverpool no mercado de verão. Normal, faz parte. No entanto, O’Neill não merece um lugar nesse grupo. Em quatro anos de Villa Park, ele caminhava gradual e solidamente para cumprir a promessa de sua apresentação. Pediu demissão apenas por reproduzir a insatisfação dos próprios torcedores com o proprietário Randy Lerner, que se apresentou como um entrave a essa reconstrução do clube.

Lerner, como todo fã de futebol inglês sabe, adotou uma política essencialmente vendedora, sem orçamento para reinvestir o dinheiro de negociações como as de Gareth Barry e James Milner para o Manchester City. Era como se o trabalho de evolução do clube, brilhantemente conduzido pelo treinador, não servisse para nada além de três anos confortáveis, sempre na sexta posição. Não haveria continuidade. Tanto que a mediocridade e o medo do rebaixamento estão de volta com Alex McLeish e uma equipe que depende excessivamente de jogadores formados em casa.

O’Neill transformou um time que lutava para não cair na sexta força da Inglaterra e parece estar no mesmo caminho no comando do Sunderland. Vaias a ele legitimariam a política vendedora e decadente de Lerner. Aplausos manifestariam descontentamento e saudade de quando o Villa tentava chegar à Champions League. Desta vez, o comportamento da torcida representa muito mais do que a empatia por uma personalidade.

Amanhã tem rodada da Premier League. Então, atualize seu time no Fantasy.

Veja a classificação e os jogos da 35ª rodada.

Autor: Tags: , ,

terça-feira, 6 de março de 2012 Newcastle, Sunderland | 14:44

Dérbi à parte

Compartilhe: Twitter

Expulsão no Tyne-Wear derby não é exatamente uma surpresa

Não à toa, o Tyne-Wear derby do domingo foi especialmente disputado. Empatados por 1 a 1 no St. James’ Park, Newcastle e Sunderland podem, pela primeira vez desde a distante temporada 1954-55, terminar juntos na metade superior da tabela. O Newcastle está dez pontos e seis posições acima, mas parece claro que essa não é a diferença real entre os times. Tanto que, curiosamente, o saldo de gols do Sunderland é melhor (4-0). A coluna, então, tenta descobrir quem de fato leva vantagem no Nordeste da Inglaterra:

Apesar do momento favorável, os plantéis de Newcastle e Sunderland não são exatamente primorosos. O primeiro agonizou quando perdeu Tioté por lesões e para a Copa Africana. Na defesa, há um problema sério de reposição. Uma derrota em dezembro por 4 a 2 para o Norwich, que construiu todos os gols pelo alto, foi consequência de uma terrível dupla central formada por Simpson e Perch, que nem zagueiros são.

O Sunderland jamais chegou a esse ponto, mas tem um ataque deficiente, uma vez que o baixinho Sessegnon, um criador de jogadas na essência, foi isolado algumas vezes na frente. Se Bendtner, emprestado pelo Arsenal, se mantiver saudável e humilde (difícil), a questão é parcialmente resolvida. No frigir dos ovos, o time titular* do Newcastle é ligeiramente melhor por contar com mais jogadores de primeira classe (Tioté, Cabaye, Ba e Cissé), embora o Sunderland tenha mais peças de reposição.

Você deve ter reparado que todas as estrelas dos Magpies são contratações recentes. Se a administração de Mike Ashley é contestável, ao menos a equipe de observadores de Graham Carr é ótima e já poupou muito dinheiro do clube. No Sunderland, que trocou os comandos técnico e administrativo há pouco tempo, as contratações também costumam ser sagazes. Vale lembrar que Onuoha, Henderson, Bent, Welbeck e Gyan, todos fundamentais na temporada passada, foram embora, o que obrigou uma rápida remontagem. Ainda que tenha falhado em campo, Steve Bruce foi bem nesse aspecto, sempre gastando menos do que qualquer outro que estivesse em sua posição.

De técnico, aliás, ninguém pode reclamar. Martin O’Neill, torcedor de infância do Sunderland, causou impacto imediato ao substituir Bruce: foram conquistados 22 dos primeiros 30 pontos em disputa. O’Neill perde apenas para Alex Ferguson entre os treinadores britânicos e deve fazer no Stadium of Light o que fez no Villa Park: colocar o clube entre os oito melhores do país. No Newcastle, Alan Pardew realiza trabalho notável. Seu estilo mais direto de futebol, quase sempre com dois centroavantes, não é lá muito popular, mas tem saído melhor que a encomenda.

Com boa capacidade de investimento, o Sunderland pavimenta um futuro até mais promissor que o do Newcastle. Se O’Neill ficar no clube, além de contratar, ele ainda poderá assistir à evolução de gente como James McClean, Ji Dong-Won e Connor Wickham, todos garimpados pelo clube no início desta temporada. O Newcastle, por sua vez, deve continuar investindo na observação detalhada de talentos subestimados para evitar um fiasco como o da geração de Owen, Duff e Geremi, que culminou em rebaixamento.

Se a pergunta fosse “quem tem mais chances de superar o rival na próxima temporada?”, a resposta seria “Sunderland”.

*Time atual do Newcastle: Krul; Simpson, Steven Taylor, Coloccini, Santon; Ryan Taylor, Tioté, Cabaye, Jonás; Ba, Cissé.

Time atual do Sunderland: Mignolet; Bardsley, Brown, O’Shea, Richardson; Larsson, Cattermole, Gardner, McClean; Sessegnon; Bendtner.

Autor: Tags: ,

domingo, 5 de fevereiro de 2012 Chelsea, Sunderland | 22:40

Fernando Torres e James McClean

Compartilhe: Twitter

Com dois gols e duas assistências na liga, McClean já virou ídolo no Stadium of Light

Há um ano, Fernando Torres se transformou no jogador mais caro da história do futebol inglês. Também há um ano, James McClean era destaque do Derry City, que participa da primeira divisão irlandesa. Torres não marca no campeonato há 19 horas e tem mais cartões amarelos (quatro) do que gols (três) em um ano de Premier League pelo Chelsea. McClean, por sua vez, tem nove jogos pelo Sunderland e decidiu a vitória por 1 a 0 sobre o Stoke, no sábado.

Torres foi razoável no empate por 3 a 3 contra o Manchester United, com destaque para a precisa assistência ao golaço de Mata. Mas, como quase sempre desde que se transferiu a Stamford Bridge, hesitou na hora de marcar seu próprio gol. O espanhol parece fisicamente bem e conta com apoio irrestrito de elenco, técnico e torcedores. Por enquanto, contudo, tem a autoconfiança de um Keirrison depois de 2009. Nem o conforto pela ausência de Drogba, na Copa Africana de Nações, ajuda.

McClean ignorou a neve do Britannia Stadium e, como autêntico left winger que é, costurou o lado direito da defesa do Stoke. Este norte-irlandês que ninguém conhecia até há pouco foi contratado em agosto, ainda com Steve Bruce no comando, por £350 mil. Se Bruce não o aproveitou, Martin O’Neill identificou nele um dos caminhos para resgatar o Sunderland, que ganhou 22 de 30 pontos possíveis desde que o novo treinador assumiu o barco. O craque é Sessegnon, mas o achado é McClean.

O’Neill disse que a ascensão dele poupou ao menos £10 milhões dos cofres do Sunderland. É só mais uma prova de como a observação (aí, é mérito da equipe de Bruce), mesmo a ligas periféricas como a irlandesa, pode garantir bons resultados. Enquanto isso, lá em Bridge, Torres tenta se encontrar. Para quem custou 143 vezes o preço de McClean, o tempo urge.

Autor: Tags: , , ,

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012 Blackburn, Sunderland, Wigan | 10:49

Times de caráter

Compartilhe: Twitter

O gol de Ji Dong-Won fez O'Neill levitar no Estádio da Luz

A frequência de resultados inesperados durante a maratona de ano-novo na Premier League tem um motivo especial: o caráter mostrado por algumas equipes. Sunderland, Wigan e Blackburn, para citar três, têm extraído forças de onde a gente nem imagina:

Sunderland. Quando assumiu os Black Cats, Martin O’Neill diagnosticou falta de confiança no vestiário, mas deixou claro que a “paixão”, como dizem os ingleses, ainda estava lá. Com alguns ajustes e o entusiasmo de sempre (a comemoração após o gol sobre o Manchester City foi qualquer coisa), o norte-irlandês tirou a equipe do buraco, marcou dez pontos em cinco partidas e celebrou uma grande vitória, pela qual os jogadores batalharam demais, sobre o líder do campeonato no primeiro dia de 2012. A notável atuação do capitão Lee Cattermole é o símbolo do novo Sunderland.

Wigan. Apesar de ainda estar na zona de rebaixamento e ter o pior saldo de gols da liga, o Wigan de Roberto Martínez não para de surpreender. O elenco mais frágil da elite inglesa tem arrancado resultados improváveis: nas últimas sete rodadas, houve vitórias fora de casa sobre Sunderland (ocasionando a demissão de Steve Bruce) e West Bromwich e empates contra Chelsea, Liverpool e Stoke. Este, conquistado no sábado, veio de forma heroica. Após sofrer a virada, com um jogador a menos, os Latics ganharam um pênalti no Britannia Stadium. Ben Watson entrou a quatro minutos do fim só para cobrá-lo e dar o empate ao, segundo Martínez, “inacreditável” Wigan.

Blackburn. Quem imaginava que, após perderem em Ewood Park para o Bolton, os Rovers levariam quatro pontos de Anfield e Old Trafford? No “clássico do porão”, há três rodadas, os torcedores locais pareciam querer uma derrota do Blackburn, para que o técnico Steve Kean fosse demitido. O Bolton ganhou, mas Kean, de forma até surpreendente, permaneceu no cargo. A partir daí, os jogadores se superaram, limitando o Liverpool a um gol e marcando três vezes contra o Manchester United, sempre longe de casa. A lanterna não está mais com eles.

Seleção da rodada
Simon Mignolet (Sunderland); Craig Gardner (Sunderland), Per Mertesacker (Arsenal), James Collins (Aston Villa), Leighton Baines (Everton); Scott Sinclair (Swansea), Steven Gerrard (Liverpool), Lee Cattermole (Sunderland), Craig Bellamy (Liverpool); Stephen Ireland (Aston Villa); Yakubu (Blackburn)

20ª rodada
Segunda-feira, 13h – Aston Villa x Swansea
13h – Blackburn x Stoke
13h – QPR x Norwich
13h – Wolves x Chelsea (ESPN, ESPN HD)
15h30 – Fulham x Arsenal (ESPN Brasil, ESPN HD)
Terça-feira, 17h45 – Tottenham x WBA
17h45 – Wigan x Sunderland
18h – Man City x Liverpool (RedeTV!, ESPN, ESPN HD)
Quarta-feira, 18h – Everton x Bolton
18h – Newcastle x Man Utd (ESPN Brasil, ESPN HD)

Autor: Tags: , , , , ,

terça-feira, 6 de dezembro de 2011 Sunderland | 15:27

Enfim, um novo desafio

Compartilhe: Twitter

O'Neill chega ao Sunderland com o mesmo projeto de evolução executado no Aston Villa

Martin O’Neill é o Paulo Autuori do futebol inglês. Desde que deixou o Aston Villa, há um ano e meio, ele era especulado em qualquer clube que demitisse treinador. Os rumores eram reconhecimento a quem levantou duas Copas da Liga com o Leicester na década de 90 e recolocou o Villa nos trilhos de 2006 a 2010. Agora, o norte-irlandês enfim abandona o passado e assume um Sunderland que tem feito bem menos do que pode e deve fazer.

Recém-empossado presidente do clube, Ellis Short fez duas escolhas certas. A demissão de Steve Bruce já estava madura por conta das decepções nas últimas temporadas e ficou quase inevitável depois da derrota em casa para o time mais frágil do campeonato, o Wigan. O acerto com O’Neill poderia ser difícil pelo status que o técnico ganhou na Inglaterra, mas, uma vez concretizado, parece ser o caminho para o Sunderland crescer.

Durante sua temporada sabática, O’Neill resistiu várias vezes à tentação de começar um novo trabalho. Se ele aceitou a proposta do Sunderland, certamente é porque vê no Stadium of Light o ambiente para revitalizar o clube, como no Aston Villa. Em quatro temporadas, ele transformou um time habituado à 16ª posição na sexta força da Inglaterra, chegando à mesma colocação em suas últimas três temporadas no Villa Park.

É exatamente o percurso que o Sunderland quer e pode fazer. Bruce fracassou, mas o objetivo de médio prazo ainda é disputar competições europeias. Para começar, Short deve disponibilizar a O’Neill um orçamento de £20 milhões para contratações em janeiro. A mão aberta é necessária porque, embora tenha se reforçado muito no último mercado, o Sunderland perdeu peças importantes e ainda procura novas referências, sobretudo ofensivas.

A troca de Bent, Gyan e Welbeck por Bendtner, Ji e Wickham não caiu bem aos gatos pretos, que têm, no máximo, o ataque do futuro. No presente, são apenas 16 gols marcados em 14 rodadas, pouco para quem tem criadores de jogadas como Sessegnon e Sebastian Larsson. A última referência tática de O’Neill é promissora nesse sentido. No Villa, ele não mediu esforços na criação de alternativas para agredir o adversário.

Em 2009-10, por exemplo, o norte-irlandês fez um ajuste muito interessante a seu time. Mesmo com Ashley Young, Milner e um Albrighton em desenvolvimento, ele buscou mais um jogador para atuar pelas laterais do campo. A contratação de Downing reposicionou Milner, que passou a exercer uma função central. A equipe se fortaleceu nas pontas, ficou mais inteligente no centro e, mesmo com atacantes limitados, o Villa chegou até a ameaçar os líderes antes de perder muito fôlego na reta final.

O Aston Villa na última temporada de O'Neill

O possível Sunderland de O'Neill

Aquele padrão tático dá uma ideia do que O’Neill pode fazer no Sunderland. Enquanto não contrata, algumas mudanças seriam interessantes para criar uma ameaça mais constante pelos lados e garantir mais qualidade no meio-campo. Larsson poderia, como Milner no Aston Villa, exercer uma função central, e o incisivo Richardson, deixar a lateral para ganhar liberdade para atacar pela ala esquerda.

O fato é que O’Neill tem várias opções e deve quebrar a cabeça após assistir, no estádio Molineux, à derrota do Sunderland para o Wolverhampton por 2 a 1. Por ora, o que podemos esperar é uma ligeira melhora do pífio aproveitamento de 26%, que pôs os gatos pretos na 17ª posição, à beira da zona de rebaixamento. Adiante, com mais tempo para trabalhar e dinheiro para gastar, o novo treinador deve ter mais sucesso do que Steve Bruce.

Autor: Tags: , , , ,

quinta-feira, 22 de setembro de 2011 Newcastle, Sunderland | 13:58

Silêncio e estardalhaço

Compartilhe: Twitter

Cabaye é o maior expoente de uma revolução francesa que ainda tem Obertan, Marveaux, Abeid e Ben Arfa

O Newcastle teve um verão bem complicado, todo mundo sabe. O lateral-esquerdo José Enrique e o meia Joey Barton criticaram a postura da controversa administração Mike Ashley, que realmente deu motivo. Jogadores-chave, ambos foram embora. A diretoria pouco gastou na recomposição do elenco, não atendeu a alguns pedidos do técnico Alan Pardew, e muita gente passou a temer o segundo rebaixamento em quatro anos. Bobagem.

É cedo para profetizar como será a temporada dos Magpies, mas Pardew já merece elogios pelo que tem conseguido. Após cinco jogos, desfruta invencibilidade, a melhor defesa e a quarta posição na Premier League. A péssima reação generalizada à demissão de Chris Hughton, em dezembro do ano passado, e a última experiência de elite do substituto, um fracasso no West Ham com Tevez e Mascherano, haviam ampliado uma pressão que seria naturalmente grande. As respostas a ela são as melhores possíveis.

Pardew, de quem muitos desconfiavam (eu, inclusive), lidera uma revolução silenciosa e cheia de franceses – veja na legenda acima. Gastando apenas £12 milhões no verão, ele introduz ao time um agressivo e técnico Yohan Cabaye, candidato a contratação da temporada, e um Demba Ba que ainda pode melhorar muito, além de apostar na recuperação de jovens como Gabriel Obertan, que até começou bem em St. James’ Park, e Davide Santon. O Newcastle ainda conta com o retorno de Hatem Ben Arfa, que atuou na vitória sobre o Nottingham Forest pela Carling Cup.

Mesmo sem tanto apoio dos superiores, Pardew já assina um time que dominou o Aston Villa na última rodada e é bem favorito para vencer o Blackburn no sábado. Se o fizer, chega a um aproveitamento de dois pontos por jogo, que não poderia ser mantido por muito tempo, mas representaria um inesperado sucesso inicial do novo projeto.

Enquanto isso, ali no rival
Steve Bruce está aliviado. Seu Sunderland, que também mudou bastante, agonizava na Premier League antes de golear o Stoke por 4 a 0 no último domingo. O problema é que ele se empolgou com o resultado: “este é o melhor elenco com que já trabalhei por aqui”, disse o treinador, há mais de duas temporadas no Stadium of Light.

Com o ataque todo trocado (Bent, Welbeck e Gyan foram substituídos por Bendtner, Wickham e Ji) e um início ruim, Bruce se colocou contra a parede com a declaração. O clube investe muito desde que ele chegou e tem sido paciente com campanhas aquém do esperado: 13ª e 10ª posições, com apagões de dezembro a março, nos primeiros anos. Esta pode ser a última chance dele. Depois de assumir que tem ovos, o técnico precisa fazer a omelete.

Autor: Tags: , , , ,

  1. Primeira
  2. 1
  3. 2
  4. Última