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quinta-feira, 18 de abril de 2013 Cardiff, Swansea | 22:17

O desafio começa agora

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O acesso do Cardiff à Premier League, confirmado na terça-feira após um empate por 0 a 0 com o Charlton, consolidou o grande momento do futebol galês. Aquele que não é meramente o País de Bale forma outros bons jogadores, tem a segunda melhor seleção do Reino Unido e será, pela primeira vez, representado simultaneamente por Cardiff e Swansea (a propósito, campeão da Copa da Liga) na elite inglesa – para relembrar por que alguns galeses estão na pirâmide do futebol inglês, recomendo o texto de Leonardo Bertozzi.

No entanto, a conquista do Cardiff e a ascensão do Swansea não fazem parte do mesmo processo. Enquanto seu rival progride porque toma decisões certas, norteadas por uma filosofia que inclui sustentabilidade financeira e um tipo característico de futebol, promovido por todos os treinadores que lá estiveram desde Roberto Martínez, o Cardiff sobe especialmente por conta do suporte financeiro.

Apesar de o acesso ter amadurecido nos últimos anos, há mais aspectos que aproximam o Cardiff do Queens Park Rangers, que deve retornar à segunda divisão após dois anos de agonia na Premier League. Por exemplo, o processo de montagem do elenco é bem semelhante ao que levou o QPR à elite. O proprietário do clube galês, o malaio Vincent Tan (compatriota de Tony Fernandes, proprietário do QPR), preferiu construir um grupo experiente, bem comandado pelo técnico Malky Mackay e destinado a dominar a Championship, mas insuficiente para fazer bom papel na próxima temporada.

Não há nada errado em concentrar suas forças para assegurar uma vaga na Premier League, mas o desafio técnico que ela impõe na temporada seguinte, mesmo que o único objetivo seja chegar entre os 17 primeiros, é bem maior. As referências ofensivas do elenco – Bellamy (33 anos), Helguson (35), Whittingham (28) e Campbell (25) – não têm potencial para evoluir. A tendência é que particularmente os dois primeiros percam fôlego na próxima temporada. Importante para garantir o acesso, com seis gols em 11 jogos, Fraizer Campbell mal aparecia no Sunderland até janeiro, quando foi contratado.

É claro que o próprio Swansea apresentou gratas surpresas, como Ashley Williams (hoje com 28 anos) e Leon Britton (30), que conseguiram reproduzir na elite o ótimo nível mostrado em divisões inferiores. Mas essas são exceções à regra. Assim como fez o Southampton no verão passado, o Cardiff precisa investir para ser competitivo em 2013-14, com o cuidado de evitar os erros cometidos pelo QPR. Por exemplo, vale mais apostar em alguém como Jay Rodriguez, antigo destaque do Burnley que amadureceu e faz excepcional fim de temporada no Southampton, do que pagar um salário astronômico a Bobby Zamora, que criou um problema atrás do outro em Loftus Road.

O novo Cardiff tem até slogan: "fire & passion"

Outro aspecto com que o Cardiff precisa se preocupar é a excentricidade de seu proprietário. Há menos de um ano, Tan trocou o azul pelo vermelho como cor principal do clube e promoveu o dragão a mascote mais importante, em detrimento do pássaro azul. Tudo porque o vermelho e o dragão, segundo ele, melhorariam o rendimento do time em campo e tornariam a marca muito mais forte no mercado asiático. Um atentado à identidade da instituição.

Torcedor do Cardiff entre 1975 e 2012, Scott Thomas fez um depoimento ao Guardian em que relata ter desistido de apoiar o clube por conta de Tan. “Não assisto mais aos jogos do Cardiff City. Quando vi Craig Bellamy segurando um cachecol vermelho (após a promoção à Premier League), não doeu tanto quanto eu pensava. Isso confirma que tomei a decisão certa. O Cardiff City não subiu na noite passada. O Cardiff City morreu no último verão”, constatou.

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segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013 Swansea | 11:19

Mestre Laudrup

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Laudrup exibe sua maior conquista como treinador

A conquista da Copa da Liga pelo Swansea não foi milagrosa, acidental. O primeiro grande título da história dos cisnes é um prêmio ao excepcional trabalho executado – para estabelecer um marco – há oito temporadas, desde a mudança para o Liberty Stadium. É o título de Britton, que representou o clube nas quatro divisões profissionais do futebol inglês, e Michu, símbolo do progresso do Swansea.

A goleada por 5 a 0 sobre o Bradford na final reforça também a importância do técnico Michael Laudrup. Embora seja herdeiro de ótimos trabalhos, particularmente o de Brendan Rodgers, o dinamarquês reconstruiu o elenco e acrescentou ao time as qualidades que o levaram a Wembley. Michu tenta convencê-lo a ficar em Gales, mas parece evidente que Laudrup tem virtudes para treinar qualquer clube:

Mentalidade vencedora. Em série de documentários sobre grandes jogadores produzida pela ESPN, Laudrup explicou por que trocou o Barcelona pelo Real Madrid em 1994. A saída era atribuída a desentendimentos com Johan Cruyff, técnico blaugrana, mas ele garantiu que a única razão foi a perspectiva de sucesso. Na versão de Laudrup, o Barça sofreria um déficit de motivação em 1994-95, pois vinha de quatro títulos consecutivos e tinha jogadores como Romário e Stoichkov, destaques da Copa do Mundo que sofreriam uma “queda natural” de desempenho. Ele estava certo. O Real Madrid foi campeão espanhol e derrotou o Barcelona por 5 a 0 durante a campanha. Como treinador, também já é possível perceber que nada atrai Laudrup mais do que a vitória.

Visão de mercado. Laudrup buscou três jogadores com quem havia trabalhado em Mallorca e Getafe: Chico Flores, De Guzmán e Pablo Hernández, que preencheram perfeitamente os buracos do elenco. Em entrevista ao espanhol El País, ele foi questionado sobre Michu. O dinamarquês relatou que o aspecto fundamental para a contratação foi a conversa com pessoas próximas ao então meia-atacante do Rayo Vallecano, que pudessem falar sobre a personalidade dele. Alguns telefonemas, e você faz o negócio do ano na Inglaterra.

Sagacidade. O blog já tratou dos ajustes que transformaram o Swansea num time mais seguro e objetivo em relação à temporada passada. Na decisão, Laudrup também foi preciso. Sem o lesionado Chico Flores, mesmo com outros zagueiros à disposição, ele improvisou o meia Ki Sung-Yueng porque sabia que o Bradford defenderia com linhas retraídas e ofereceria espaço aos zagueiros do Swansea. A principal tarefa de Ki não era defender, mas organizar a saída de bola, o que ele faz naturalmente. Outro acerto foi a presença de três wingers – Pablo, Routledge e Dyer – para confundir a marcação.

Personalidade tranquila. Ainda na entrevista ao El País, Laudrup afirmou que dá liberdade a seus jogadores porque, “até que se prove o contrário, são adultos”. Quando Dyer foi substituído ontem, alguns minutos depois de quase armar um escândalo na tentativa de cobrar um pênalti e marcar seu terceiro gol na decisão, o treinador sorriu e o abraçou em vez de repreendê-lo. Laudrup criou um ambiente amistoso no vestiário, mas não perdeu o controle dele.

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quarta-feira, 9 de janeiro de 2013 Swansea | 23:52

De Wembley a Wembley?

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A vitória por 2 a 0 sobre o Chelsea em Stamford Bridge aproximou demais o Swansea da decisão da Copa da Liga. Desde a temporada passada, as visitas ao Liberty Stadium são penosas para qualquer equipe. Nas duas mais recentes, primeiro com André Villas-Boas e depois com Roberto Di Matteo, o Chelsea não dominou as partidas e empatou por 1 a 1. É ingrata a tarefa do time de Rafael Benítez, que precisa ao menos devolver o resultado em Gales para tentar chegar à final da Capital One Cup.

Laudrup se adaptou facilmente à Premier League

O vencedor do outro confronto, seja Bradford ou Aston Villa, não assusta para uma eventual final em Wembley. Hoje, o Swansea é favorito à Copa da Liga, que seria o primeiro título de elite dos cisnes no futebol inglês. Copas são absolutamente circunstanciais (quem não se lembra do título do Birmingham no ano do rebaixamento?), mas o clube merece o troféu como uma espécie de chancela para o fantástico trabalho executado há várias temporadas.

A partida de Stamford Bridge foi a síntese do Swansea de Michael Laudrup: defesa sólida e precisão para marcar gols. A vitória é reflexo de um mercado de verão impecável, no qual o clube perdeu peças-chave para o êxito na temporada passada (notadamente, Brendan Rodgers, Allen, Sinclair e Sigurdsson, todos devidamente substituídos) e tirou proveito dessas perdas. O Swansea ainda preza pela posse de bola, mas é uma equipe diferente, mais direta (tem, em média, 3% menos posse de bola do que na temporada passada) e eficiente.

A filosofia não muda (ainda que tenham particularidades, os ex-técnicos Roberto Martínez, Paulo Sousa e Brendan Rodgers fazem parte de um mesmo grupo), mas Laudrup fez ajustes cruciais. O time se defende melhor, sem vergonha de retrair suas linhas fora de casa e mais seguro após a chegada de Chico Flores, parceiro confiável para o ótimo Ashley Williams. O Swansea também é fatal quando contra-ataca. Ki é mais vertical do que Allen, Hernández é mais incisivo do que Sinclair, De Guzman é excelente na chamada “última bola”, e Michu não falha diante do gol.

O time da posse de bola aprendeu a jogar melhor sem ela. Não à toa, já ganhou nesta temporada em Anfield, Emirates e Stamford Bridge. Vitórias marcantes e merecidas para a gestão do presidente Huw Jenkins, uma aula de como administrar um clube, com conceitos definidos e sem excentricidades. O Swansea conquistou o acesso à primeira divisão há um ano e meio, quando venceu o Reading no play-off em Wembley. Agora pode voltar ao estádio para consolidar essa história de sucesso.

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quinta-feira, 1 de novembro de 2012 Swansea | 22:22

Laudrup assume o controle

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Os primeiros meses de Michael Laudrup no Swansea não foram definitivos para que ele conquistasse os torcedores. Com filosofia semelhante, mas elenco modificado em relação à temporada passada, os galeses têm derrapado na Premier League. Após um início empolgante, foram quatro derrotas, um empate e uma vitória a partir da quarta rodada. Não à toa, o triunfo por 3 a 1 sobre o Liverpool, que classificou o Swansea às quartas de final da Copa da Liga, deu fôlego ao trabalho de Laudrup.

Sem os lesionados Vorm e Taylor, a atual base do Swansea tem quatro espanhóis e quatro britânicos

Ontem, estavam do outro lado Brendan Rodgers e Joe Allen, essenciais na ascensão dos Swans nos últimos anos. É verdade que o Liverpool escalou dez reservas (ironicamente, Allen foi o único titular), mas teve Suárez, Gerrard e Sterling no segundo tempo. Embora não haja qualquer atrito entre os técnicos, derrotar seu antecessor foi especial para Laudrup, pois o novo Swansea já tem a assinatura dele. Até pela necessidade de trocar várias peças no elenco, o dinamarquês não é simplesmente um herdeiro de Rodgers.

Dos contratados por Laudrup, cinco são titulares habituais. Ele buscou quatro conhecidos do futebol espanhol – Michu, Pablo Hernández, De Guzman e Chico Flores – e ainda Ki Sung-Yueng, que estava no Celtic. As capturas repuseram as perdas de Allen, Sigurdsson e Sinclair e garantiram que o time pudesse manter o estilo pelo qual se notabilizou nos últimos anos. Sempre que possível, a ideia é controlar o jogo, não oferecer a bola ao adversário.

Contra um Liverpool enfraquecido, mesmo em Anfield, o Swansea teve 58% de posse de bola. No entanto, Laudrup não é tão purista quanto Rodgers. O meio-campo do Swansea tem dois excelentes passadores em Britton (chamado de Xavi inglês em 2011-12, quando teve o melhor aproveitamento de passes na liga) e Ki, mas procura a transição rápida quando encontra espaço. Ontem, os gols marcados por Dyer e De Guzman foram construídos em contra-ataques.

Aparentemente, Laudrup prepara outra mudança relevante em relação a 2011-12. Nas últimas três partidas, Danny Graham, titular absoluto de Rodgers, foi barrado. Michu, que iniciou a temporada como meia central no 4-2-3-1, passou a ser o centroavante. Faz sentido. Graham não repete o desempenho da temporada passada, e Michu é plenamente capaz de ser o principal finalizador da equipe – em 11 jogos, marcou sete gols pelo Swansea. Assim, Laudrup oferece mobilidade ao setor ofensivo, que ainda tem Routledge na melhor fase da carreira e Pablo melhorando a cada rodada.

Associando o tiki-taka de Rodgers ao estilo mais agressivo de Laudrup, o Swansea pode repetir, por exemplo, o 11º lugar de sua primeira temporada na elite, posição que ocupa atualmente. Entretanto, a liga vai cobrar consistência, mais atuações precisas como a de ontem e menos como a do empate em casa com o Reading, há quatro semanas. No sábado, o Swansea recebe o Chelsea. O jogo promete.

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sábado, 11 de agosto de 2012 Stoke City, Swansea, West Bromwich, West Ham | 22:59

Guia da temporada (parte 2)

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A segunda parte do guia da temporada traz West Bromwich, Swansea, Stoke e West Ham:

Por apenas £2 milhões, o criativo Michu é ótimo reforço para o Swansea

West Bromwich. Após trabalhos seguros de Roberto Di Matteo e Roy Hodgson, que estabilizaram o clube na primeira divisão, a diretoria do WBA decidiu arriscar e oferecer uma chance a Steve Clarke, ex-assistente de Kenny Dalglish no Liverpool. Clarke costuma armar defesas fortes e tem ótimo currículo como técnico de campo, mas não sabemos o que ele pode produzir como manager. O time, porém, não deve mudar muito. A principal diferença será a competição acirrada por vagas no ataque. Antes absolutos, Odemwingie e Long já são ameaçados pelas contratações de Lukaku e Markus Rosenberg. O garçom Chris Brunt terá mais gente para servir. Previsão para a temporada: 16º.

Swansea. Assim como o Norwich, o Swansea perdeu o treinador, parcela fundamental da fórmula de sucesso da temporada passada. No entanto, os galeses têm uma vantagem importante. A filosofia do clube, a ideia de como o time deve jogar, é algo permanente, e não uma exclusividade do ex-técnico Brendan Rodgers. Por isso, a diretoria contratou o dinamarquês Michael Laudrup, outro entusiasta da posse de bola e da troca de passes. O mercado também determinou as saídas de Caulker, Sigurdsson e Joe Allen, perdas consideráveis. O espanhol Michu, que fez grande temporada pelo Rayo Vallecano, é ótima e barata reposição para o meio-campo, mas o Swansea ainda pode reinvestir parte dos £15 milhões arrecadados com a venda de Allen ao Liverpool. Previsão para a temporada: 15º.

Stoke. Antes da temporada, a impressão é de que a evolução do Stoke estagnou. A ausência crônica de um meio-campista criativo deve continuar travando a equipe, a menos que Tony Pulis faça alguma contratação de impacto até o fim de agosto. Com um repertório limitado, o time fica dependente dos lançamentos longos para Crouch. É a fórmula que deu certo nos últimos anos, mas ela tem um limite, especialmente numa temporada que tende a ser mais competitiva. Pulis sabe como não passar sustos, porém não deve ir muito além da 14ª colocação de 2011-12. Previsão para a temporada: 14º.

West Ham. O Swansea mostrou na temporada passada que o terceiro colocado da segunda divisão não é, necessariamente, o pior dos recém-promovidos. Neste ano, o West Ham pode repetir a dose. A equipe é fisicamente forte (o que dizer de um meio-campo com Diamé, Nolan e Alou Diarra?) e tem várias semelhanças com o antigo Bolton de Sam Allardyce. O poder de fogo deve melhorar em relação a 2011-12, com a contratação do atacante malinês Maiga. Não espere um West Ham encantador, mas competitivo e chato para os adversários, sobretudo em casa. Previsão para a temporada: 13º.

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quinta-feira, 21 de junho de 2012 Swansea | 15:19

Grito de liberdade

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As pessoas vão, mas o clube fica. Nos últimos anos, o Swansea City tenta seguir à risca esse princípio. A política da diretoria galesa é a de não depender simplesmente das convicções de seus profissionais. No Liberty Stadium, ao contrário, são os profissionais que se adaptam à filosofia da instituição. A reação à saída do técnico Brendan Rodgers, recém-contratado pelo Liverpool, ratifica essa postura.

Michael Laudrup (à esq.), campeão europeu com o Barcelona há 20 anos

Quando liberou Rodgers para conversar com o Liverpool, o presidente Huw Jenkins foi elegante, agradeceu os serviços prestados pelo norte-irlandês e lhe desejou sucesso. Em seguida, reconheceu que a busca pelo novo treinador seria muito difícil, pois havia poucos nomes que se ajustariam ao Swansea Way. Após duas semanas de buscas e negociações, os galeses acertaram por dois anos com o dinamarquês Michael Laudrup.

A propósito, o que é o Swansea Way? Desde que trocou o Vetch Field pelo Liberty Stadium, em 2005, o Swansea ganhou não apenas nove mil lugares para os torcedores, mas também uma boa dose de ambição. A mudança para o novo estádio coincidiu com o acesso à terceira divisão. O ex-jogador do clube Roberto Martínez assumiu o posto de técnico em fevereiro de 2007 e determinou que, a partir de então, o time jogaria futebol atrativo, zelando pela posse de bola e controlando as partidas. O Swansea se apropriou daquelas ideias e não as largou mais.

Em 2008, os galeses venceram a terceira divisão e se viram a apenas um degrau da Premier League. Martínez se transferiu para o Wigan no ano seguinte, mas o sonho e o estilo de jogo se mantiveram com o português Paulo Sousa, que quase levou a equipe aos play-offs. Sousa, porém, decidiu aceitar uma proposta do Leicester. Por linhas tortas, uma ótima notícia, pois o sucessor Brendan Rodgers carregou o Swansea à Premier League, feito inédito para um galês, e rapidamente se tornou o melhor treinador do clube desde o histórico John Toshack.

De Gales ao mundo: Toshack conquistou La Liga com o Real Madrid em 1990

Esta tecla já foi bastante batida, mas vale relembrar o Swansea de 2011-12, pioneiro na história da Premier League entre clubes com recursos escassos. Trocas contínuas de passes, posse de bola próxima a 60% e jogadores razoáveis exaltados pelo impecável coletivo deram o tom da campanha que levou os cisnes à 11ª posição. Assim que perdeu Rodgers, o presidente Jenkins fez questão de garantir que isso não mudaria.

A manutenção da base do elenco, garantida pela cláusula que impede o Liverpool de comprar jogadores do Swansea durante um ano, e a contratação de Michael Laudrup sinalizam que o presidente está certo. Em relação a Rodgers, Laudrup bebe da mesma fonte e ainda tem o bônus de ter jogado no Barcelona de Johan Cruyff durante cinco temporadas. Não será por incompatibilidade entre filosofias que ele vai fracassar.

Entre as décadas de 70 e 80, o Swansea conseguiu três promoções em quatro temporadas, uma ascensão meteórica que conduziu o clube à elite e a uma expressiva sexta posição logo no primeiro ano. O grande responsável foi o então jovem treinador John Toshack. Desta vez, para não cair à mesma velocidade com que subiu, o Swansea tenta não depender de uma pessoa, mas de um conjunto de ideias que passaram a caracterizar a instituição, a maneira de jogar futebol daquele time. O cisne dá um grito de liberdade.

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sexta-feira, 1 de junho de 2012 Liverpool, Swansea | 08:49

Vale o risco

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Brendan Rodgers é o treinador do Liverpool. A negociação com Roberto Martínez não foi adiante, mas o perfil procurado pelo Fenway Sports Group (FSG), que controla o clube, ficou intacto: um técnico jovem, de mentalidade ofensiva e, na visão deles, capaz de realizar um trabalho em longo prazo para reestruturar o futebol e a filosofia em Anfield. Naturalmente, grande parcela de torcedores e analistas considera o norte-irlandês inexperiente demais para suportar a pressão inerente ao cargo.

Inexperiente, ele é mesmo. São apenas três trabalhos – dois deles curtos e inexpressivos – e 151 jogos como treinador. No entanto, a visão sobre Rodgers é distorcida quando alguém diz que os méritos dele foram, pura e simplesmente, levar o Swansea à primeira divisão e mantê-lo por lá. O também competente Paul Lambert atingiu os mesmos objetivos com o Norwich e não foi sequer cogitado. Tony Pulis converteu o Stoke num sólido time de elite, e ninguém quis levar o princípio das bolas longas a Anfield. Nesse caso, o mais importante não foi o que Rodgers fez, mas como fez.

Antes do Swansea 2011-12, ninguém acreditava que, sem um investidor poderoso, um clube recém-promovido poderia dominar partidas contra qualquer adversário. O caso dos galeses não tem precedente na Premier League. A média de 56% de posse de bola e o aproveitamento de 85% nos passes, o mesmo de Chelsea e Manchester City, dizem muito a respeito do impacto de Rodgers, que transformou até o goleiro (Michel Vorm) em peça fundamental quando a equipe tem a bola. A 11ª colocação foi ótima, mas secundária diante da postura controladora adotada durante toda a temporada. Vale registrar que o Swansea saiu aplaudido de… Anfield.

Influenciado por Johan Cruyff e José Mourinho, com quem trabalhou no Chelsea e de quem sempre recebeu elogios, Rodgers trata seus princípios como uma religião. Em entrevista ao site do Liverpool, ele os descreve como “ser criativo e ofensivo, mas também taticamente disciplinado” – o Swansea teve 14 clean sheets na temporada. Ao Guardian, metodicamente, afirma que “controlar a partida lhe dá 79% de chance de vencê-la”. O reajuste do elenco a esse método e o tempo suficiente para implementá-lo (que, custe o que custar, Rodgers precisa ter) devem criar um Liverpool mais eficiente e agradável aos olhos. Em relação à oitava posição de 2011-12, há muito a melhorar e pouco a perder.

Brendan Rodgers, ex-treinador do "Swanselona"

O Liverpool não poderia atrair um José Mourinho e nada ganharia com um Fabio Capello (que foi especulado) ou qualquer outro treinador que não assumisse compromisso com o futuro. O momento exige reconstrução, paciência e certeza do que precisa ser feito. Em Rodgers, o clube aposta num estilo e num potencial que encantaram a Premier League.

Os proprietários americanos não estão interessados em mais do mesmo. Nesse caso, pouco importa quem o britânico treinou. Mais relevantes são a visão sobre o jogo e a capacidade comprovada de fazê-la funcionar, mesmo com recursos escassos, na elite do futebol inglês. Se ele suportará a pressão, ninguém pode saber. Mas vale o risco.

*A coluna não esqueceu os outros clubes. Em breve, a movimentação do Chelsea no mercado será destaque.

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quinta-feira, 26 de abril de 2012 Newcastle, Swansea | 18:51

Mãos holandesas

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Cech, Hart, Reina, Given… Não, nada de arqueiros consagrados na Inglaterra. No dia do goleiro, os homenageados por aqui são os holandeses Tim Krul, do Newcastle, e Michel Vorm, do Swansea, sucessores de Edwin van der Sar que estão entre os melhores da posição na temporada inglesa.

A lacuna deixada por van der Sar na seleção foi ocupada por Maarten Stekelenburg, da Roma. David De Gea indica que será o herdeiro dele em Old Trafford. A Krul e Vorm, cabe a responsabilidade de representar a classe de goleiros holandeses na Premier League, que teve Sander Westerveld no Liverpool, passou por Ed De Goey no Chelsea e chegou ao topo com van der Sar em Fulham e United.

O Man Utd acertou a meta de Krul 19 vezes na temporada, mas marcou só um gol

Krul, que chegou a St. James’ Park aos 17 anos, há seis temporadas, não demorou a transformar-se na terceira opção para o gol do Newcastle, atrás do excepcional Shay Given e do experiente Steve Harper. Com a saída de Given, saturado de salvar um time problemático, ele virou reserva imediato após dois empréstimos. Na temporada passada, ganhou a posição de Harper. Em 2011-12, com 14 clean sheets (jogos sem sofrer gols), é um dos pilares da grande campanha dos Magpies.

O goleiro de 1,93m esteve no Serra Dourada em junho do ano passado, quando garantiu outro clean sheet no amistoso sem gols entre Holanda e Brasil. Era um cartão de visita para sua primeira temporada completa como titular na Inglaterra. Aos 24 anos, Krul passa a ser opção natural para qualquer time de ponta que precise de goleiro. No entanto, se o Newcastle consolidar seu crescimento e lhe der uma defesa um pouco mais segura, ele pode guardar a meta de St. James’ Park por mais uma década e meia.

Vorm, pequeno grande goleiro

Se a evolução de Krul foi até certo ponto natural, a rápida ascensão de Michel Vorm, de 28 anos, ao status de um dos principais goleiros da liga surpreendeu. Embora já fosse figurinha carimbada na seleção holandesa, Vorm causava certa desconfiança pela baixa estatura – 1,83m, dois centímetros a menos do que o corintiano Júlio César. Mas Brendan Rodgers não ligou e pagou £1,5 milhão ao Utrecht para substituir o também holandês Dorus De Vries, que não renovou contrato com o Swansea para ser reserva no Wolverhampton.

Foi um tiro certeiro. Por enquanto, são impressionantes 13 clean sheets e 124 defesas (74% das bolas que vão em direção a seu gol) na meta de um time recém-promovido. Um show de agilidade para compensar os 14 centímetros a menos em relação a van der Sar. Vorm, também conhecido como penalty killer, já parou cobranças de Ben Watson, do Wigan, e Clint Dempsey, do Fulham, nesta temporada. Abaixo apenas de Joe Hart, o holandês é o segundo melhor goleiro de 2011-12 no Fantasy da Premier League, com 148 pontos. Uma ótima representação da realidade.

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sexta-feira, 16 de março de 2012 Fulham, Swansea | 19:02

Fulham e Swansea

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Os fãs do futebol inglês sabem que o charme da Premier League não se resume a grandes clássicos. Partidas que não entram na grade de programação da TV brasileira também podem reservar algo especial para quem as acompanha. Amanhã, o carismático Craven Cottage deve receber uma delas. Fulham e Swansea se enfrentam ao meio-dia de Brasília e têm ótimos argumentos para fazerem um jogo bem interessante.

Apesar de ser contestado por uma numerosa ala de torcedores do Fulham, Martin Jol tem, no mínimo, boas intenções. Nas últimas quatro rodadas da Premier League, nas quais os Cottagers acumularam três vitórias, o técnico holandês foi bastante ousado. O habitualmente titular Dickson Etuhu virou reserva, e o capitão Danny Murphy, de toque refinado, tornou-se o maior responsável pela marcação no meio-campo.

Prévia do Guardian: os queridinhos Pogrebnyak e Sigurdsson frente a frente

Por conta da versatilidade do belga Moussa Dembele, cobiçado por Arsenal, Tottenham e Liverpool para o próximo mercado, Jol tem conseguido reunir Murphy, Dempsey, Duff (ou Bryan Ruíz), Andy Johnson, Pogrebnyak e o próprio Dembele na mesma escalação. O Fulham, que há um tempo agonizava com peças estáticas em campo, ao menos agora tenta priorizar a abundância de jogadores capazes do meio para frente.

Contra um Swansea que sempre tenta trocar passes curtos para envolver o adversário, a prévia do Guardian (figura ao lado; sem Johnson e com Ruíz no time) faz muito sentido ao apontar um meio-campo congestionado por opções de ótima qualidade. Ainda assim, em Craven Cottage, a equipe galesa enfrenta o grande desafio de manter o estilo que lhe rendeu a alcunha de Swanselona sem permitir que o forte arsenal ofensivo do Fulham, com um Dempsey e um Pogrebnyak letais na frente do gol, atue à vontade. O inquestionável zagueiro Ashley Williams, como sempre, será fundamental.

Mesmo com problemas para repetir em outros estádios as exibições do Liberty Stadium, o Swansea mostrou contra o Manchester City, na rodada passada, que não precisa temer ninguém. A agressividade do islandês Sigurdsson num meio-campo que trata tão bem a bola foi a cereja no bolo do técnico Brendan Rodgers, e os cisnes têm alguma chance amanhã. No primeiro turno, em Gales, o Swansea venceu bem, por 2 a 0.

Confira a classificação da Premier League.

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segunda-feira, 16 de janeiro de 2012 Swansea | 16:51

Brilho coletivo

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Fabio Capello assistiu in loco à vitória do Swansea sobre o Arsenal por 3 a 2. Dos Gunners, ele observou Walcott, que jogou mal apesar de ter marcado um gol, e Chamberlain, que provavelmente não teria entrado se o Arsenal estivesse bem. Sinal de que presta atenção aos ingleses do Swansea. Eram cinco titulares: Caulker, Britton, Sinclair, Dyer e Graham. Os três últimos decidiram a partida.

Na excelente décima posição da Premier League, a equipe galesa coleciona destaques individuais na temporada. O goleiro Vorm, o zagueiro Williams, o lateral-esquerdo Taylor, o meia Allen, os wingers Dyer e Sinclair e o atacante Graham atraem manchetes elogiosas, especulações ligando seus nomes a outros clubes e, no caso dos ingleses, até um murmúrio de convocação por Capello.

Sinclair, Rodgers e Dyer estão em casa

Para contratar ou para convocar, a observação precisa ser especialmente bem detalhada, pois o Swansea tem um senso coletivo incomum para clubes com baixo orçamento. A média de 56% de posse de bola é a quarta maior da Premier League. Nos passes, apenas Chelsea e Manchester City têm aproveitamento melhor. Antes de perder no Liberty Stadium, Thierry Henry já alertava sobre como o Swansea vai bem coletivamente.

Em outras palavras, brilhar no Swansea pode ser mais simples do que em outros lugares. É como estar em casa, num miniBarcelona (daí a já popular denominação Swanselona) que não investe ou revela o bastante para estar entre os primeiros, mas sabe encantar à sua maneira e domina praticamente todos os jogos em casa. É por isso que Josh McEachran, do Chelsea, deve ser emprestado para o clube certo. A parceria com o galês Joe Allen no meio-campo promete bastante.

Os destaques individuais vêm, portanto, de um brilho coletivo intacto em relação à temporada passada, quando os cisnes estavam na segunda divisão. Assim como Paul Lambert, o norte-irlandês Brendan Rodgers merece todos os créditos por arquitetar esse jeito de jogar, com passes curtos, valorizando a posse de bola e desenvolvendo um trabalho que começou há cinco anos com Roberto Martínez, hoje no Wigan.

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