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Arquivo da Categoria Treinadores

quarta-feira, 10 de outubro de 2012 Bolton, Treinadores | 15:41

A derrocada de Coyle

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Há 18 meses, Coyle era especulado em grandes clubes. Hoje, precisa repensar seus métodos

Dos três clubes rebaixados à segunda divisão na temporada passada, dois mantiveram seus treinadores. No entanto, como se diz na Itália, nenhum deles comerá o panetone. O desgaste entre Blackburn e Steve Kean, que passou um ano inteiro recebendo vaias dos torcedores, levou a relação a um fim natural, com o pedido de demissão do técnico. Mas curioso mesmo é o caso do Bolton, que ontem dispensou Owen Coyle.

Outrora tratado como uma divindade no Burnley, Coyle correu riscos quando assumiu o Bolton, há três temporadas. Com o campeonato em andamento, ele trocou a estabilidade no clube que reconduziu à primeira divisão depois de 33 anos pela efervescência de um Bolton destruído pelo péssimo trabalho de Gary Megson. Coyle escapou do rebaixamento e, em sua primeira temporada completa, levou o clube à semifinal da FA Cup com menos bolas longas e mais trocas de passes, estilo que lhe rendeu vários elogios. Resta entender como um treinador promissor e cativante caiu tanto em apenas 18 meses.

Na verdade, o auge marcou o início da queda. A semifinal da FA Cup foi trágica para o Bolton, goleado por 5 a 0 pelo Stoke City em Wembley. Coyle, que não contava com o volante Holden para aquela partida, poderia ter feito uma troca simples (Mark Davies, por exemplo), mas decidiu recuar Elmander, seu centroavante, para o meio-campo. O time perdeu a capacidade de recuperar a bola e organizar-se, deixou os atacantes Klasnic e Kevin Davies isolados e sofreu três gols em 19 minutos. O revés abalou demais o Bolton, que terminou 2010-11 com cinco derrotas consecutivas e a 14ª posição na liga.

Na pré-temporada seguinte, o elenco perdeu por lesões gravíssimas o winger sul-coreano Lee Chung-Yong, peça-chave nos dois anos anteriores, e o lateral Mears, recém-contratado. Eles se juntaram a Holden, outro jogador para lá de importante, no departamento médico, onde passaram mais de 90% do ano. Além das contusões, a tabela foi “madrasta”: Manchester City, Liverpool, Manchester United, Arsenal e Chelsea nas sete rodadas iniciais. Sem solidez, o Bolton perdeu 13 dos primeiros 16 jogos, ensaiou uma recuperação no segundo turno, viveu o drama de Muamba e não evitou o rebaixamento.

Sob Coyle, Wilshere foi excepcional no Bolton

O início na segunda divisão também foi titubeante, com cinco derrotas e uma incômoda 18ª posição após dez partidas. A defesa frouxa, que sofreu 16 gols, ainda é o calcanhar de Aquiles (na temporada passada, em 38 jogos, foram 77 gols dos adversários). Desde o colapso na FA Cup, Coyle não conseguia montar um time seguro e parecia não se esforçar para isso. A diretoria, que havia perdoado o rebaixamento, perdeu a paciência e decidiu demiti-lo.

A impressão é de que Coyle precisa de um período sabático para rever conceitos (por exemplo, não existe uma lei que o obrigue a escalar, invariavelmente, dois centroavantes) e recomeçar em grande estilo. Aos 46 anos, ele carrega com orgulho um trabalho brilhante no Burnley e uma mudança de filosofia no Bolton, que deu certo até aquela semifinal da FA Cup. A partir dali, o time perdeu 32 de 54 partidas de liga. Inegavelmente, foi um marco negativo.

Coyle ainda é um dos bons alunos da escola escocesa de treinadores. Ainda é o homem que devolveu o sorriso a Andy Cole, com quem trabalhou no Burnley. “Seu entusiasmo me transformou novamente num garoto de 21 anos”, diz o ex-atacante. Ainda é uma referência para desenvolver jogadores jovens – Chelsea e Arsenal lhe emprestaram Sturridge e Wilshere, respectivamente. Coyle ainda tem salvação.

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quinta-feira, 22 de março de 2012 Treinadores | 16:03

Professores

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Rodgers, que já passou pela base do Chelsea, não pretende “destruir sua carreira” em Stamford Bridge

A 29ª rodada da Premier League, que começou no sábado e terminou ontem*, certamente será lembrada pela goleada do Manchester United sobre o Wolverhampton e a virada do Manchester City contra o Chelsea. Mas houve, entre tantos outros, dois destaques ainda mais especiais: o segundo triunfo consecutivo do Blackburn, por 2 a 0 em cima do Sunderland, e a grande vitória do Swansea por 3 a 0 sobre o Fulham em Craven Cottage.

Com o desempenho recente de seus clubes, Steve Kean, do Blackburn, e Brendan Rodgers, do Swansea, invadem a discussão sobre quem é o técnico da temporada na Inglaterra. Por ter resistido a uma pressão sem precedentes dos torcedores do Blackburn, Kean virou xodó de boa parte da crítica. Os Rovers, que tinham todas as características de time que vai cair, venceram Wolverhampton e Sunderland nas últimas duas rodadas e abriram cinco pontos para a zona de rebaixamento.

Embora Kean mereça mesmo elogios, considerá-lo um dos melhores da temporada já é demais. O elenco do Blackburn foi muito mal planejado, mas tem figuras relevantes. Tanto que o expediente do treinador na recuperação da equipe é o mesmo de Joel Santana no Flamengo: fechar o time para melhorar os números defensivos e jogar toda a responsabilidade para as estrelas do ataque. Tem dado certo. A defesa não leva gol há dois jogos, e a dupla Yakubu (14 gols) e Hoilett (seis gols e seis assistências) tem sido decisiva. O grande mérito, além da resistência à pressão, é a reconstrução sem Samba, Phil Jones, Emerton, Nelsen e Andrews, turma que deixou os Rovers recentemente.

Muito mais impressionante do que ele é Brendan Rodgers. O Swansea sempre jogou bem durante a temporada, embora tenha demorado a acertar o ataque em casa e a defesa fora do Liberty Stadium. Mas o estilo que preza a posse de bola e a forma como o time conquistou seus 39 pontos e o oitavo lugar são ainda mais importantes. A equipe galesa, recém-promovida, é a segunda que mais acerta passes na elite: até agora, foram 13251, apenas 147 a menos que o líder no quesito, Manchester City. Contra o Fulham, foi um show de Joe Allen (olho nele) e Sigurdsson (emprestado pelo Hoffenheim e em fase iluminada) no meio-campo.

Na linha de fazer muito com pouco, Paul Lambert, do Norwich, também merece lugar no debate. Martin O’Neill é impressionante por levar o Sunderland da luta contra o rebaixamento à primeira metade da tabela. Arsène Wenger, por colocar na terceira posição um Arsenal destroçado no início da temporada. E, claro, ainda tem o técnico campeão. Alex Ferguson e Roberto Mancini falharam em todas as outras competições, mas as campanhas no campeonato são elogiáveis mesmo com os recursos à disposição.

Voto do colunista (até a 29ª rodada, pelo menos): Brendan Rodgers.

*Aston Villa x Bolton foi adiado.

Veja a classificação da Premier League.

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segunda-feira, 30 de janeiro de 2012 Mercado, Treinadores | 14:19

O pior fantasma

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José Mourinho não aguenta mais o Real Madrid, o Barcelona e a imprensa espanhola. O Sunday Times sugere, então, que o Special One retornará à Inglaterra já na próxima temporada, quebrando seu vínculo ao Santiago Bernabéu dois anos antes do previsto. A reação óbvia à notícia de que um bicampeão inglês pretende (ou que simplesmente vai) voltar à Premier League é o aumento imediato da pressão sobre os técnicos dos grandes clubes. E aí?

Mourinho substituiu Mancini na Internazionale em 2008

Roberto Mancini, Manchester City. Certamente, é o mais ameaçado por conta do nível de gastos e exigência da diretoria. Nas copas, sua especialidade na carreira de treinador, Mancini já fracassou. Se não ganhar a Premier League, parece bem provável que o polpudo orçamento anual do xeque Mansour seja administrado por outra pessoa a partir da próxima temporada.

Alex Ferguson, Manchester United. Se quiser, aposenta-se. Se não, fim de papo.

Harry Redknapp, Tottenham. Os resultados e o desempenho em campo são ótimos, sem contestação. No entanto, o líder da ascensão dos Spurs tem pendência na justiça e, há dez anos, uma trajetória marcada pelo nomadismo. Além disso, sempre está entre os candidatos para suceder Fabio Capello na seleção inglesa depois da Euro 2012.

André Villas-Boas, Chelsea. O discurso da cúpula é de apoio irrestrito ao discípulo do Special One. Inclinado a contratar jovens, Villas-Boas parece ter carta branca para liderar a reforma do elenco. Assim, imaginando ainda a relação arranhada entre Roman Abramovich e o treinador do Real Madrid, o Chelsea não deve fazer um flashback com Mourinho se puder garantir ao menos um lugar na próxima Champions League. Aliás, um confronto entre os portugueses na Inglaterra seria sensacional.

Arsène Wenger, Arsenal. Com contrato até 2014, Wenger não deve ter sua saída determinada pela direção, que respeita a história do treinador. Em outras palavras, após amenizar muito a crise do início da temporada, o francês sai apenas se quiser, através de um acordo mútuo.

Kenny Dalglish, Liverpool. O contrato de King Kenny também termina em 2014. Para não correr riscos, entretanto, Dalglish precisa tratar de ganhar uma das copas e melhorar o aproveitamento na liga. A vaga na Champions pode até não vir, mas os proprietários são ianques, pragmáticos e querem ter a certeza de que o clube vai progredir, ou seja, exigem evolução em campo.

José Mourinho. Outro ponto é o tamanho do desafio que ele aceitaria assumir. Por exemplo, estaria o bicampeão inglês, acostumado a um Chelsea que não media esforços para lhe oferecer o melhor time, disposto a abraçar um projeto com restrições financeiras, como seriam os de Tottenham, Arsenal ou Liverpool? E se não houver vagas em clubes, Mourinho substituiria Capello na seleção? A conferir.

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quarta-feira, 5 de outubro de 2011 Treinadores | 12:23

Sob ameaça

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O Forest teve 112 dias de Steve McClaren. Até que eles foram pacientes

Até na Inglaterra, dirigente de futebol adora pagar de Roberto Justus. A questão é que o uso indiscriminado do “você está demitido” costuma golpear as finanças. A Associação dos Treinadores de Liga (LMA na sigla em inglês) revelou à BBC que, só na temporada passada, os clubes ingleses das quatro primeiras divisões gastaram £99 milhões (cerca de R$290 milhões) em demissões de técnicos.

Se alguns integram um rol de treinadores que sempre conseguem boas posições (isso é bem evidente no Brasil), outros demoram a voltar à cena. Na Inglaterra, o período médio entre a dispensa e o novo emprego é de um ano e oito meses. Mas também existem aqueles que nem sequer retornam. De acordo com a LMA, “quase metade” dos técnicos de primeira viagem não retoma a carreira após a demissão.

Considerando apenas a Premier League, foram dispensados, antes do fim da temporada passada, Chris Hughton (Newcastle), Sam Allardyce (Blackburn), Roy Hodgson (Liverpool), Roberto Di Matteo (West Bromwich) e Avram Grant (West Ham). Por costume, outubro é o mês em que treinadores começam a perder seus empregos, geralmente porque os clubes ainda acreditam na salvação de um ano que começou mal.

É assim que funciona. Steve McClaren já deixou o Nottingham Forest, da segunda divisão, após 112 dias de (péssimo) trabalho. A temporada ainda é uma criança, mas pelo menos três técnicos da elite já balançam. Do mais para o menos ameaçado, veja quem são os “prestigiados” do futebol inglês:

*Com seis pontos em sete jogos e ficha suja de duas temporadas fracas, Steve Bruce não deve durar muito no Sunderland. Niall Quinn, que o segurava no cargo, saiu da presidência. O próprio treinador admitiu trabalhar com “o melhor elenco” desde que chegou ao clube, cobrindo-se de mais pressão – como se precisasse. Os resultados pobres poderiam ser atribuídos às várias mudanças no grupo, mas ele não tem tempo para conduzir um processo de amadurecimento da equipe. As vitórias são para já.

*Era tão previsível… Sem muitas contratações relevantes (a única foi a do zagueiro Scott Dann), os cartolas indianos do Blackburn não deveriam ter o direito de contestar Steve Kean. Mas, para quem demitiu um Sam Allardyce querido pelos jogadores e de boa campanha na temporada passada, quatro pontos em sete rodadas são nada convincentes. O auxiliar John Jensen já rodou.

*Ex-atacante do Bolton e aclamado por fazer um time rústico trocar passes (há controvérsia), Owen Coyle está mal em 2011-12. Não se trata apenas das seis derrotas em sete jogos, cinco para equipes de ponta, mas da facilidade com que seu Bolton concede gols. Meio-campo e laterais frágeis e lesões de jogadores-chave colocam em xeque sua posição. De qualquer forma, ele é competente e ainda tem algum crédito. Só precisa rever um par de conceitos antes que seja tarde.

Pode até haver outros ameaçados, como Roy Hodgson (West Brom), Roberto Martínez (Wigan) e Arsène Wenger (Arsenal). No entanto, o incrível trabalho dos dois primeiros na temporada passada e a história do último devem segurá-los por enquanto. A menos que um desses clubes sinta a necessidade de uma “mudança de impacto”, às vezes cruel, como a que tirou Roberto Di Matteo do West Brom em fevereiro. Façam suas apostas.

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quinta-feira, 4 de agosto de 2011 Championship, Treinadores | 18:00

O peso do treinador

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Holloway caiu com o Blackpool, mas não vai sair da sua telinha

Está encerrada a longa e sonolenta espera pela nova temporada na Inglaterra. Com direito a transmissão na televisão brasileira*, a Football League Championship, a popular segunda divisão inglesa, começa amanhã. O jogo de abertura, entre Hull City e Blackpool, faz a gente se lembrar de: 1) como é difícil definir os favoritos à promoção e 2) quão importante é a figura do manager.

Mesmo sem despontarem como candidatos sólidos no início de suas temporadas de sucesso, os estreantes de sexta-feira conseguiram acessos recentes à Premier League. O Hull de 2007-08 era comandado por Phil Brown, que assumiu em dezembro de 2006, quando o time estava na zona de rebaixamento à League One. A ascensão do Blackpool em 2009-10 foi inspirada por Ian Holloway, que, com elenco fraco, teve a sensibilidade de arriscar e concentrar as ações nos pés de Charlie Adam, hoje no Liverpool.

Em 2011-12, Brown tenta reconduzir o Preston à segunda divisão, e Holloway segue firme em Bloomfield Road após o rebaixamento com campanha empolgante na Premier League – ele provou que isso é possível. Os dois treinadores excêntricos usam as divisões inferiores também como trampolim, mas não só de vitrine vive a Football League. Em um cenário sem tanta disparidade de investimento, alguns clubes apostam em figuras carimbadas do futebol inglês para se diferenciarem pelo comando técnico.

Depois de frustrante experiência com Avram Grant, o West Ham confia a Sam Allardyce a obrigação de um pronto retorno à elite antes da mudança para o Estádio Olímpico. Big Sam acredita em conhecidos do melhor trabalho da carreira: os reforços Abdoulaye Faye e Kevin Nolan (craque da Championship há dois anos, aliás) jogaram com ele no Bolton. Embora não seja o caso de Matt Taylor, o winger chega do Reebok Stadium. Sammy Lee, que o assistiu por lá, foi especulado para a comissão técnica.

Eriksson e McClaren, ex-treinadores da seleção, estão na Championship. Quem disse que Capello não tem um futuro na Inglaterra?

Se Allardyce ainda é muito respeitado, nem o êxito no holandês Twente afastou a desconfiança sobre Steve McClaren, especialmente após temporada complicada na Alemanha. O ex-técnico da seleção inglesa assume o Nottingham Forest para tentar vencer a difícil barreira dos play-offs. Com dinheiro disponível e reforços importantes (principalmente Kasper Schmeichel, Michael Johnson – conhecidos do técnico – e Sean St Ledger), o Leicester segue a mesma receita com o revigorado Sven-Goran Eriksson.

Allardyce, McClaren e Eriksson fazem parte do grupo com grife, mas outros também podem fazer a diferença. Aos 43 anos, o uruguaio Gus Poyet, ex-jogador de Chelsea e Tottenham, já tem moral alto no recém-promovido Brighton & Hove Albion. O talentoso e ainda mais jovem Simon Grayson, do Leeds, é a principal esperança do time depois de um mercado tímido.

Fato é que poucos dos 24 clubes não podem sonhar com o acesso. Basta observar as campanhas de Norwich (2º), Leeds (7º) e Millwall (9º), então promovidos da League One, na temporada passada. Neil Warnock (QPR), Paul Lambert (Norwich) e Brendan Rodgers (Swansea) merecem todos os créditos pelo sucesso em 2010-11. Amanhã, começa uma nova corrida, com vários novos personagens. O West Ham de Allardyce e o Leicester de Eriksson parecem mais fortes, mas fazer previsão na Championship é flertar com o erro.

*Sexta-feira, às 15h45 – Hull x Blackpool na ESPN
Domingo, às 9h – West Ham x Cardiff na ESPN Brasil

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segunda-feira, 27 de junho de 2011 Sunderland, Treinadores | 13:31

O rei dos paliativos

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Versátil, dedicado e sósia do palmeirense Luan, Elmohamady ganhou um contrato definitivo

Há dois anos no Sunderland, Steve Bruce ainda não emplacou. Com poder de investimento, o clube deixou boa impressão nos estágios iniciais das últimas temporadas, mas perdeu muita força a partir de janeiro. As longas sequências sem vitória costumam ser atribuídas a fatores isolados (lesões de Cattermole, saída de Bent etc.). No entanto, a queda do conjunto nas retas finais é inegável.

O ápice do Sunderland na temporada ocorreu em novembro. No dia 14, o time foi a Stamford Bridge e, sem Bent, derrotou o Chelsea por 3 a 0 em aula de futebol. O lateral-direito Onuoha e o atacante Welbeck marcaram gols e foram os melhores do jogo. Sim, dois jogadores emprestados. Se não consegue achar soluções permanentes, Bruce ao menos é o rei dos paliativos.

Só na temporada passada, o treinador buscou cinco empréstimos que se converteram em peças importantes no elenco: Nedum Onuoha, Danny Welbeck, John Mensah, Sulley Muntari e Ahmed Elmohamady. Bruce trabalhou em três vertentes: jovens de clubes ingleses, jogadores experientes e sem espaço na Europa e aposta de país periférico.

O último caso é o do egípcio Elmohamady, que, emprestado pelo ENPPI, destacou-se na faixa direita do campo. Bruce decidiu comprá-lo por £2 milhões no início do mês. Logo ele, que, quando no Wigan, decepcionou-se com o também egípcio Amr Zaki, cedido pelo Zamalek. Zaki teve início arrasador, mas caiu, abusou e foi rotulado pelo técnico de “o jogador mais antiprofissional” com quem ele já trabalhou.

Decepção à parte, Bruce é, assim como Owen Coyle, atento a oportunidades de empréstimo, quase sempre vantajosas para clubes médios. Agora, tenta comprar também Onuoha e Welbeck. Manchester City e Manchester United podem não aceitar as propostas, porém já ganharam muito com a evolução de seus jovens, titulares no Sunderland. Aliás, ninguém perde com esse tipo de negócio.

Os melhores resultados ainda não vieram em campo (13ª e 10ª posições), mas o presidente Niall Quinn não pode reclamar da perspicácia do treinador no mercado. À sombra de transferências badaladas desta janela, Bruce já contratou sem custos o ótimo Sebastian Larsson, ex-winger do Birmingham, e pagou apenas £2 milhões pela promessa sul-coreana Ji Dong-Won, de excelente Copa da Ásia.

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sábado, 25 de junho de 2011 Aston Villa, Birmingham, Treinadores | 17:16

A unanimidade de Birmingham

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O número 1 exibido pelo novo treinador do Aston Villa, Alex McLeish, representa bem sua posição na segunda metrópole britânica. A deselegância ao se demitir do Birmingham City por e-mail e o sim ao rival Villa o transformaram no sujeito mais odiado da cidade. O trabalho de quatro anos em St Andrew’s começou e terminou com rebaixamentos, mas o saldo é curiosamente positivo.

McLeish rendeu ao Birmingham uma pronta recuperação após a primeira queda, um excelente nono lugar na temporada seguinte e o único título do clube em 48 anos. O surpreendente rebaixamento em 2010-11 não abalou muito de seu prestígio, e o escocês manteve o nome forte no mercado inglês. A questão é mesmo a oportuna mudança para o Villa Park, onde foi muito mal recebido.

O técnico já foi eleito o responsável por todos os problemas dos dois clubes. Ao City, ele deixou o limitado atacante Marlon King como última contratação. Demitido pelo Newcastle em dezembro, Chris Hughton assume seu lugar para as disputas da Championship e da Liga Europa e sabe que não será o principal culpado por eventuais maus resultados. No Villa, uma pressão incompatível o espera.

O perfil do escocês, treinador talentoso que ainda precisa se afirmar na Inglaterra, parece adequado após uma temporada complicada com Gérard Houllier. A dificuldade está no tempo que ele não vai ter e na obscura situação do Villa, de objetivo indefinido. O sucesso de Martin O’Neill e a enganosa nona posição de 2010-11 obrigam McLeish a uma campanha de top 10 com um elenco problemático.

Ninguém queria treinar o Aston Villa. Roberto Martínez, por exemplo, preferiu ficar no Wigan a triplicar o salário. A venda de Ashley Young ao Manchester United e a provável mudança de Stewart Downing para o Liverpool destroem a criatividade do time. A turma da base é boa, mas se revelou imatura no primeiro semestre da última temporada, quando houve uma crise de lesões no elenco.

McLeish é defensivista. Seu Birmingham fez só 37 gols na Premier League, menos do que Cristiano Ronaldo em La Liga. Sem o ótimo goleiro Friedel e com Dunne de volta ao seu normal (o que não é bom), ele vai ter de trabalhar muito para reeditar no Villa a defesa forte do City. A grande vantagem em relação a St Andrew’s é a presença de Darren Bent, o melhor atacante do clube desde Dwight Yorke.

Se há algum bom sinal para McLeish, é o fato de ele ter se destacado justamente quando não havia muitos recursos. Com mais investimento no Birmingham, ele se perdeu. O escocês precisa de definição rápida e repetição do time, chave para seu sucesso há duas temporadas. Reposição mínima das perdas, início forte para contornar a revolta da torcida e sorte com a condição física são obrigatórios.

*McLeish é o segundo a treinar os dois times de Birmingham. O primeiro foi Ron Saunders, campeão inglês pelo Villa em 1981.

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quarta-feira, 22 de junho de 2011 Chelsea, Treinadores | 10:18

Velho conhecido

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Villas-Boas quebrou nove recordes em sua única temporada como treinador do Porto

Por £13,3 milhões, o português André Villas-Boas, de 33 anos, é do Chelsea. A transferência mais cara de um treinador em todos os tempos não parece, à primeira vista, outra loucura financeira de Roman Abramovich. O preço pela tentativa de resgate dos melhores anos em Stamford Bridge é bem razoável.

O aproveitamento de 93% (27 vitórias e três empates) do Porto de Villas-Boas no campeonato nacional contrasta com o grande aborrecimento do Chelsea em 2010-11: a campanha doméstica. Apesar da conhecida obsessão de Abramovich pela Champions, os 71 pontos na Premier League, bem abaixo dos 79 de Claudio Ranieri em sua despedida, condenam Carlo Ancelotti mais do que o fracasso na Europa.

A natural incerteza pela juventude do português e a restrição da experiência como técnico a uma liga mais fraca vai buscar segurança num passado mais distante. Villas-Boas é uma figura familiar para os ingleses. Não exatamente por conta da avó britânica, que o ajudou a dominar o idioma, mas em função do ótimo auxílio a José Mourinho no próprio Chelsea entre 2004 e 2007.

À chegada de Mourinho a Londres, o Independent publicou reportagem sobre aquele que o treinador considerava seus “olhos e ouvidos”. A função de André no Chelsea era dissecar os adversários. Antes mesmo de atuar na Inglaterra, o então observador descreveu suas atividades:

“Meu trabalho permite a José saber exatamente quando um jogador do oponente deve estar em sua melhor ou em sua pior forma. Vou viajar aos centros de treinamento, muitas vezes secretamente, e então observar o estado mental e físico daquela equipe antes de tirar minhas conclusões e apresentar um dossiê completo a José”, resumiu.

A parceria de sete anos com Mourinho passou ainda por Porto e Inter. A maior referência do jovem treinador é o Special One, mas ele também declara admiração por Pep Guardiola e claramente se inspira no catalão. Entre o Chelsea de 2004 a 2006, o Porto da última temporada e esse histórico Barcelona, os Blues de Villas-Boas já anunciam um 4-3-3 mais atrativo do que o implementado por Mourinho em Bridge.

O editor do Zonal Marking, Michael Cox, lembrou à BBC que Villas-Boas “quase se desculpou” pela final sonolenta da Liga Europa contra o Braga, preocupação que certamente não atingiria Mourinho naquelas circunstâncias. Fora do campo, o discípulo, embora também tenha ideias firmes, é bem mais tranquilo e menos sujeito a polêmicas do que o mestre.

Aí estão os olhos e ouvidos de Mourinho, fundamentais para a dominância do Chelsea entre 2004 e 2006

Estilo e postura à parte, Villas-Boas já se habituou a campanhas impressionantes. Os 95 pontos do Chelsea em 2004-05, por exemplo, representam a maior dominância a que a Premier League já assistiu. A facilidade com que venceu o campeonato, a copa e a Liga Europa pelo Porto deixa mais certezas do que dúvidas. A contratação tem o teor de aposta, mas existem elementos de sobra para justificá-la.

Com suas próprias convicções, Villas-Boas segue a rota de Mourinho e se expõe definitivamente a comparações com o treinador do Real Madrid. Haverá pressão por uma temporada de estreia tão vencedora quanto 2004-05, acompanhada da tradicional fixação pela Champions. Entretanto, o momento do clube exige reconstrução e a consciência de que não há fórmula mágica para o título continental.

O inglês fluente e a conhecida habilidade de vestiário, sobre a qual Hulk falou a Juca Kfouri na ESPN, serão cruciais para Villas-Boas, meses mais velho do que Lampard e Drogba. Estabilizar-se entre os caprichos de Abramovich e a excessiva influência dos jogadores é desafio ainda maior do que o trabalho de campo. Se ele souber administrar os problemas e as exigências de um clube que já conhece, fatalmente terá sucesso em médio prazo. O duelo com Sir Alex Ferguson, 36 anos mais experiente, promete muito.

André até queria ser jogador, mas percebeu rapidamente que não era bom o bastante. Então, logo se transformou em um nerd do futebol. O primeiro de quem chamou a atenção, ainda aos 17 anos, foi Sir Bobby Robson, seu vizinho inglês. Robson treinava o Porto e abriu as portas para uma carreira que começa de forma brilhante: em um ano, Villas-Boas vai da Acadêmica de Coimbra ao Chelsea.

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segunda-feira, 13 de junho de 2011 Inglaterra, Nott'm Forest, Treinadores | 14:07

De Clough a McClaren

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Socorrer o time? Os jogadores precisam de um técnico seco no vestiário

Depois de 18 anos com Brian Clough, o Nottingham Forest teve nove treinadores em período equivalente. Nenhum foi muito bem. A saída de Billy Davies, que fracassou em dois play-offs da segunda divisão, fez a diretoria ajustar o foco. O clube transformado por Clough, provavelmente o melhor inglês que nunca treinou a Inglaterra, contratou um dos piores técnicos da história da seleção: Steve McClaren, que terá a missão de reconduzir o bicampeão europeu à elite após 13 anos.

McClaren substituiu Eriksson depois da Copa de 2006. Ficou na seleção por 16 meses, tempo em que construiu o maior vexame da geração: não se classificar à Euro 2008. Empates com Israel e Macedônia e três derrotas para Rússia e Croácia não o deixaram impune. A repulsa ao ex-treinador do Middlesbrough foi tão grande, que ele se viu sem espaço no país e, com algum nome no continente, exilou-se no holandês Twente. Mas onde ele errou?

Steve estava convicto de que precisava marcar uma nova era na Inglaterra. Apesar dos braços cruzados diante da incompatibilidade entre Lampard e Gerrard, ele agiu – e mal: minimizou Beckham quando ainda seria muito útil e chegou a usar uma formação quase inconstitucional na Inglaterra: três zagueiros contra a Croácia em Zagreb. A seleção perdeu com um gol contra bizarro.

Paul Robinson foi punido após errar mais uma vez, e o estabanado Scott Carson virou titular no jogo derradeiro. Em Wembley, os ingleses sofreram dois gols dos croatas nos primeiros 14 minutos. McClaren, que escalou uma defesa com Richards, Campbell, Lescott e Bridge, preferiu se proteger da chuva (foto) a socorrer o time. A Inglaterra empatou no segundo tempo, com Beckham em campo, mas logo sofreu o terceiro gol: 3 a 2 Croácia e fim da linha para ele.

A chance no Twente, onde foi campeão holandês, apareceu pelo que fez no Middlesbrough. McClaren tem o único título de elite da história do Boro (a League Cup em 2004) e um excelente vice na Copa da UEFA em 2005-06. Steve mostrou consistência no Riverside, mas se perde quando tenta se diferenciar de todo mundo. No último trabalho, nem concluiu a (desastrosa) temporada no Wolfsburg. Enquanto o Forest aposta no lado bom dele, resgatamos musicalmente, com Chris Cohen, os erros na seleção:

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domingo, 5 de junho de 2011 Inglaterra, Treinadores | 01:17

Arquiteto dos próprios problemas

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Capello dorme no ponto e ignora o óbvio de novo

O título é, originalmente, um comentário do editor-chefe de futebol da BBC, Phil McNulty, sobre Fabio Capello. A imprensa inglesa decreta: o maior culpado pelo empate por 2 a 2 entre Inglaterra e Suíça em Wembley é o treinador italiano. A prévia da partida de ontem já ressaltava que Ashley Young é o melhor jogador da seleção em 2011. Mesmo assim, ele foi relegado ao banco por Capello, que preferiu James Milner, de temporada fraca.

A mesma BBC qualificou a escolha como um “engano”. O Telegraph falou em “aberração tática”. The Sun e Daily Mirror publicaram matérias completas sobre Young, que, ao mudar o jogo depois do intervalo, provou que deveria ter atuado desde o começo, quando a Suíça foi dominante. O primeiro também fez pouco caso da desculpa de Capello, o calor. O treinador associou o clima ao cansaço de seus atletas, um repeteco adaptado da justificativa para o fracasso na Copa.

Conversa fiada à parte, até parece papo de mau perdedor essa obsessão por Ashley Young. Mas não é. Era claro que, para compensar o meio-campo numeroso e técnico dos suíços, a Inglaterra precisaria da agressividade do principal jogador do Aston Villa, que foi muito bem contra Dinamarca, Gales e Gana, até então os três compromissos do ano. O segundo tempo quase perfeito dele, com direito a golaço, confirmou isso.

Quem acompanha o Manchester City sabe que Milner, que impressionou a Inglaterra quando centralizado no Aston Villa, foi um ponta burocrático na temporada. Ao negar a Young a chance de seguir como titular, Capello mostra que está perdido e ignora o óbvio, como na convocação para a Copa. As inclusões de Wright-Phillips e Heskey e o status de reserva de Hart (falhou ontem, mas é o melhor goleiro inglês há dois anos) eram absurdos bem antes de a Inglaterra cair na África.

É válida a preocupação com a parte física, que faz o técnico pensar em ajustes na preparação para a Euro (se a Inglaterra chegar lá) em relação ao que foi feito no ano passado. Afinal, o time de fato pregou no fim. Mas esconder suas confusas escalações atrás do cômodo argumento de cansaço pega mal para quem não tem crédito há um bom tempo. A Inglaterra não vence em Wembley há quatro jogos, a pior sequência em 30 anos. A imprensa avisa. Desta vez, Montenegro perdoou.

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