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segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013 Premier League | 11:46

Destaques da rodada (XXV)

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Consulte os resultados da 25ª rodada da Premier League. O blog traz os destaques individuais do fim de semana:

Júlio César, QPR. Nas cinco rodadas da Premier League em 2013, o QPR está invicto e sofreu apenas um gol. A postura mais cautelosa sob Harry Redknapp, com a entrada do grisalho Derry para proteger a defesa (que agora conta também com o ótimo e caro Chris Samba), explica muito, mas não tudo. As grandes atuações de Júlio César também ajudaram a garantir quatro clean sheets no ano. No empate por 0 a 0 contra o Norwich, o brasileiro fez mais uma série impressionante de defesas. O problema para o QPR é que a postura defensiva implicou um apagão do ataque, que marcou dois gols na liga em 2013, nenhum nos três jogos em casa.

Sissoko foi contratado por menos de £2 milhões. Valeu a pena?

Jimmy Kebé, Reading. Quando Le Fondre (certamente o reserva mais efetivo da liga) passa em branco, aparece Kebé. No clube há cinco anos, o winger franco-malinês faz parte da velha guarda do Reading, que sempre decide jogos na Premier League e na Championship. Na vitória por 2 a 1 sobre o Sunderland, Kebé marcou os dois gols, um deles a cinco minutos do fim. Esse caráter do Reading, de jamais desistir de buscar o resultado, rendeu dez pontos em quatro rodadas e a saída da zona de rebaixamento.

Moussa Sissoko, Newcastle. Sissoko é um fenômeno na Inglaterra. Em seus dois jogos, duas vitórias, dois gols contra o Chelsea e uma assistência diante do Aston Villa. Números à parte, o incansável francês foi a melhor contratação do Newcastle na temporada porque completa perfeitamente o meio-campo de Alan Pardew. Com a eliminação da Costa do Marfim na Copa Africana de Nações e o retorno de Tioté, os Magpies terão especialistas em marcação (Tioté) e passe (Cabaye), além de um carregador de bola para fazer a transição até o ataque (Sissoko). A menos que haja uma nova crise de lesões, está claro que o Newcastle não precisa temer o rebaixamento.

Gareth Bale, Tottenham. Decisivo na vitória sobre o WBA, o galês foi inicialmente escalado como meia central no 4-2-3-1 dos Spurs, com Dempsey ocupando o lado esquerdo. É importante não perder de vista as chances que Bale cria quando duela com o lateral-direito adversário, pois a associação entre velocidade, técnica e precisão nos cruzamentos o torna um excelente winger. Por outro lado, a utilização dele em posições diversas, ou pelo menos com a liberdade de circular pelo campo, pode render golaços como os marcados nas duas últimas rodadas. Aos 23 anos, perigoso em qualquer setor do ataque e marcando gols regularmente, Bale é a melhor réplica de Cristiano Ronaldo na Premier League desde a transferência do português para o Real Madrid.

Daniel Sturridge, Liverpool. Confiança é tudo. Pela primeira vez desde o empréstimo ao Bolton, há dois anos, Sturridge tem sequência como centroavante – na temporada passada, foi ponta direita no Chelsea de AVB. Bem além dos quatro gols em seis partidas pelo Liverpool, o atacante inglês vai muito bem ao cumprir todas as atribuições em campo. Ele pressiona a defesa adversária quando não tem a bola, aproveita a velocidade para criar oportunidades e faz parceria letal com Suárez, que virou meia-atacante (à exceção da partida contra o Arsenal, quando o uruguaio atuou aberto à esquerda). No empate com o Manchester City, Sturridge foi o melhor em campo.

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sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013 Mercado | 19:28

Janela fechada

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Durante o mercado de inverno, várias contratações foram comentadas por aqui. Outras, que não haviam sido concretizadas ou não se enquadravam aos textos, passaram despercebidas. Logo após o fechamento da janela, o blog trata de algumas dessas transferências:

Danny Graham, do Swansea para o Sunderland por £5 milhões. Graham não jogava sempre no Swansea por conta da transformação de Michu em atacante (é originalmente meia ofensivo; a fase impressionante obrigou Michael Laudrup a avançá-lo), mas era o melhor centroavante “nato” do elenco, bem acima de Shechter, Moore e Donnelly. No Sunderland, embora até possa jogar ao lado de Steven Fletcher eventualmente, a tendência é que seja reserva do escocês, intocável para Martin O’Neill. Com a transferência, o Swansea fica sem reposição adequada a Michu, e o Sunderland ganha uma alternativa bem mais confiável do que Saha, que deixou o clube, e Wickham, ainda imaturo.

Solskjaer afirma que Forren está pronto para a Premier League

Vegard Forren, do Molde para o Southampton por £4,8 milhões. Ótima aposta do Southampton no defensor norueguês de 24 anos. Bicampeão nacional com o Molde, treinado por Ole Gunnar Solskjaer, Forren é canhoto, técnico e confiável no jogo aéreo – por vídeos do YouTube, é inevitável compará-lo a Agger, do Liverpool. Aliás, ele foi convidado pelo Liverpool para uma semana de testes, mas preferiu aceitar a proposta definitiva dos Saints. Faz sentido, pois os zagueiros do Southampton não devem oferecer resistência na disputa por posição. Se tudo der certo, Forren chega para jogar imediatamente.

Jack Butland, do Birmingham para o Stoke por £4 milhões. Butland, de 19 anos, pode ser considerado o segundo melhor goleiro inglês, abaixo apenas de Joe Hart. No entanto, a concorrência no Stoke seria ingrata, uma vez que Begovic foi o melhor da posição no primeiro turno da liga. Não à toa, Butland permanece no Birmingham por empréstimo até o fim da temporada. A interpretação é de que o Stoke se antecipou a uma provável venda de Begovic, garantindo o substituto antes de perdê-lo.

Nacho Monreal, do Málaga para o Arsenal por £8,5 milhões. O que você faz quando descobre que, durante seis semanas (tempo de recuperação de Gibbs, lesionado), seu único lateral-esquerdo será André Santos? Contrata outro, é claro. Em tese, pelo investimento e o nível apresentado no Málaga (ele sabe defender), Monreal será titular mesmo após o retorno de Gibbs, que poderá concluir seu desenvolvimento sem a pressão de precisar jogar sempre. Como Monreal está indisponível para a Champions League, Arsène Wenger pode recorrer a Vermaelen na lateral esquerda contra o Bayern. Ou a André Santos, se estiver com o check-up em dia.

Wilfried Zaha, do Crystal Palace para o Manchester United por £15 milhões. Aos 20 anos, mesmo sem qualquer experiência na Premier League, Zaha já defendeu a seleção inglesa principal. Não é um potencial qualquer, mas dá para questionar o investimento de £15 milhões por um winger que marcou apenas 15 gols em 124 partidas como profissional – Tom Ince, do Blackpool, tem números bem mais expressivos. Por outro lado, é compreensível que Alex Ferguson esteja preocupado em criar novas opções para atuar pelos lados, com Nani desgastado há bastante tempo e Valencia em aparente declínio (nada a ver com idade). Zaha fica no Crystal Palace até o fim da temporada.

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quarta-feira, 30 de janeiro de 2013 Liverpool | 14:17

Coutinho no Liverpool

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Coutinho herda a 10 de Joe Cole, mas precisa jogar muito mais do que o antecessor

O planejamento do Liverpool para o mercado de janeiro incluía a contratação de um número 10 que tornasse a equipe mais criativa. Há menos de duas semanas, o sonho de vários torcedores (e Steven Gerrard) ainda era Wesley Sneijder, que pouco depois acertou sua transferência para o Galatasaray. A um dia do fechamento da janela de inverno, o Liverpool anunciou a chegada de outro ex-interista, o brasileiro Philippe Coutinho, de 20 anos.

Repare no vídeo que, antes de falar sobre Sneijder, Gerrard indica que o time precisava de “um número 10, ou outro jogador de ataque, que pudesse atuar também pelos lados”. Embora a conversa tenha se direcionado ao holandês, a descrição coincide muito mais com Coutinho. A questão é que Brendan Rodgers não pretende formar um time apenas criativo, mas também flexível em suas opções ofensivas. Salário e idade certamente não foram os únicos fatores considerados para não insistir em Sneijder e apostar em Coutinho.

Ao contrário de Sneijder, que se estabilizou há muito como meia-atacante central, Coutinho atua aberto sem problema. Especialmente quando jogou à esquerda do ataque do Espanyol, para onde foi emprestado no primeiro semestre de 2012, rendeu demais, explorando os dribles em velocidade. Aliás, é com o Coutinho da liga espanhola que o Liverpool espera contar. O da Inter fez boas partidas esporádicas, entre uma contusão e outra, um treinador e outro. O do Espanyol brilhou regularmente, enfim mostrou o potencial conhecido desde a base do Vasco e marcou cinco gols em 16 jogos.

Meio-campo e ataque do Liverpool com Coutinho, baseado no sistema adotado na goleada sobre o Norwich

É evidente que este modelo deve sofrer variações de acordo com as circunstâncias, mas a estratégia adotada na vitória por 5 a 0 sobre o Norwich, na rodada passada da Premier League, indica como Coutinho pode ser aproveitado. O Liverpool foi escalado num sistema híbrido, que teve Sturridge como centroavante, Suárez atrás dele (com liberdade quase total para fazer o que bem entendesse em campo), Downing à direita e Henderson variando entre a ponta esquerda e a meia central. Nesse caso, Coutinho poderia perfeitamente ocupar a vaga de Henderson.

Coutinho é muito talentoso, faz o perfil Kaká de bom comportamento e parece ter a inteligência tática (ou, no mínimo, a disposição para aprender) para se adequar à ideia de jogo do Liverpool. Pela faixa de preço especulada (entre £8 e £10 milhões), é um investimento válido, que pode dar enorme retorno.

Por outro lado, o brasileiro tem bastante a provar. Após as oscilações na Inter, a batalha contra as lesões e as exigências físicas da Premier League serão desafios consideráveis. Ainda mais porque ele é contratado na semana da derrota para o Oldham na FA Cup, quando se questiona a capacidade do Liverpool de lidar com a imposição física de certos adversários – enfrentar o Stoke City, por exemplo, é sempre um drama. Para que o talento fale mais alto, Coutinho precisa estar resistente, confiante e jogando regularmente. O trabalho do staff comandado por Brendan Rodgers será essencial.

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sexta-feira, 25 de janeiro de 2013 Newcastle | 19:11

Allez, Newcastle

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“Rumo a Newcastle para fazer exames médicos e assinar contrato por quatro anos”, avisou o winger francês Jimmy Kebé, do Reading, em seu perfil no Twitter. Minutos depois, Kebé, que atuou pela seleção de Mali até 2009, desmentiu: “pensei que, se você é francês e joga futebol, bastaria ir a Newcastle e assinar um contrato. Não há chance de eu sair (do Reading)”. O trote de Kebé serviu para confundir jornalistas e expor a política do Newcastle de contratar apenas franceses (ou quase isso).

Contratado por £4.3 milhões em 2011, Cabaye é imprescindível

Com as contratações de Mathieu Debuchy, Yoan Gouffran, Mapou Yanga-Mbiwa, Massadio Haidara e Moussa Sissoko, todas fechadas em janeiro, o número de franceses em St. James’ Park dobrou. Já são dez compatriotas de Kebé sob o comando de Alan Pardew. Pode parecer absurda essa discriminação dos alvos no mercado por nacionalidade (ou por liga), mas foi a maneira legítima que o Newcastle encontrou para reforçar um elenco carente sem gastar tanto.

Os cinco franceses contratados em janeiro, dos quais três já defenderam a seleção principal, custaram menos de £18 milhões e são a exata demonstração de como trabalha a equipe de olheiros comandada por Graham Carr. As prioridades sempre são a relação custo-benefício favorável e o preenchimento das carências do elenco. O Newcastle investe demais em observação de ligas em que há jogadores dispostos a uma transferência para a Premier League e clubes com menor poder de barganha. Assim, o holandês e o francês, além da segunda divisão inglesa, são os mercados mais explorados.

Como 14 jogadores do elenco têm o francês como língua nativa (Carr descobriu a França há algum tempo), é obviamente mais simples a adaptação de quem vem da Ligue 1. Tudo isso à parte, o Newcastle se reforçou muito bem para garantir a permanência na Premier League – o time, que sofreu demais com lesões de peças-chave durante esta temporada, não repete o excelente desempenho de 2011-12 e está na 16ª posição.

Das cinco capturas de janeiro, a tendência é que quatro sejam titulares imediatamente. Zagueiro campeão francês com o Montpellier, Mbiwa chega para atuar ao lado de Coloccini e resolver um dos grandes problemas de Alan Pardew. Como Steven Taylor raramente fica à disposição, o nível da defesa desabava com a utilização de um dos reservas (Williamson, por exemplo). Na lateral direita, Debuchy já estreou e deve se tornar uma das principais opções de ataque da equipe, contando com boa cobertura e o deslocamento de Ben Arfa à faixa central para lhe abrir o corredor. À esquerda, Haidara tenta tomar a posição de Santon.

O meio-campo ganha bastante com Sissoko, que deixa saudades no Toulouse e deve formar ao lado de Cabaye e Tioté (assim que voltar da Copa Africana de Nações) um trio capaz de recuperar a bola, cobrir os avanços dos laterais e criar jogadas. Gouffran, por sua vez, é ótima opção para compensar a saída de Demba Ba, pois pode atuar pelos lados e permite o retorno de Papiss Cissé ao comando do ataque, fator essencial para que o senegalês marque gols com a mesma frequência do primeiro semestre de 2012. Em condições normais, o novo Newcastle não passará sustos para se manter na elite.

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terça-feira, 22 de janeiro de 2013 Southampton | 11:17

O certo pelo duvidoso

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O Southampton subiu da 22ª posição da terceira divisão à 15ª da Premier League em dois anos e quatro meses. A incrível ascensão de 51 degraus na pirâmide do futebol inglês foi impulsionada pela gestão do banqueiro italiano Nicola Cortese (com o suporte financeiro da família do suíço Markus Liebherr), que tirou o clube das ruínas, mas é facilmente associada a outro nome: Nigel Adkins. O treinador de 47 anos fez trabalho brilhante no St. Mary’s, do primeiro ao último dia.

Adkins entrega a Pochettino um Southampton confiante e em boa fase

Brilhante porque criou rapidamente um grupo competitivo para a terceira divisão, soube reinvestir o dinheiro da venda de Oxlade-Chamberlain ao Arsenal, retornou à elite na primeira tentativa e aprendeu a jogar a Premier League antes que fosse tarde demais. O time inseguro e vulnerável das rodadas iniciais desapareceu. Os Saints são bem mais sólidos desde novembro, saíram da zona de rebaixamento e não perdem há seis partidas. Mas a última delas, ontem, não teve Adkins à beira do campo.

Quem procurou o antigo treinador, demitido por Cortese sem qualquer explicação, encontrou Mauricio Pochettino durante o empate por 0 a 0 com o Everton em casa. Dispensado pelo Espanyol em novembro de 2012, o técnico argentino, de 40 anos e inglês macarrônico, assumiu a cadeira de Adkins.

A lógica de Cortese é indecifrável. O time estava evoluindo e conquistando pontos improváveis, como o do empate por 2 a 2 com o Chelsea em Londres. De repente, a diretoria demitiu o treinador, competente, personagem importante na história do clube e idolatrado por torcedores e jogadores. O substituto, que fazia péssima temporada no Espanyol até novembro, não domina o idioma. Tudo isso no meio da campanha, quando a única tarefa do Southampton para evitar o rebaixamento era manter o nível apresentado nas últimas rodadas, sem precisar de ruptura para “causar impacto” ou qualquer clichê equivalente.

O estádio cantou o nome de Adkins na primeira partida pós-demissão, mas evitou hostilizar Pochettino. A classe dos torcedores é uma bênção para o argentino, pois a reação à saída involuntária de uma lenda do clube, com a contratação imediata de um substituto, poderia ter sido destrutiva. Classe que o próprio Adkins havia demonstrado quando deixou a seus jogadores uma mensagem singela e emocionante. “Continuem sorrindo, tenham a convicção de que estão fazendo a coisa certa e sempre tentem melhorar”, escreveu num bloquinho.

Ninguém entenderá Cortese, mas a impressão é de que existe uma tentativa de reduzir a influência britânica sobre o clube. Ainda em agosto, a surpreendente contratação do uruguaio Gastón Ramírez, que era especulado em vários grandes clubes ingleses e italianos, foi um sinal de que a gestão adotaria um perfil heterodoxo. A chegada de Pochettino, que em algum momento foi considerado um dos nomes promissores da escola espanhola, é outro passo nessa direção.

É válido fugir do óbvio. Quando mergulhou na política de contratar apenas britânicos, o Liverpool foi vítima do mercado interno inflacionado, gastou muito dinheiro e construiu um time incapaz de superar defesas fechadas. Criatividade faz bem, mas especialmente quando acompanhada de bom senso, para manter o que dá certo ou, no mínimo, esperar o fim da temporada para fazer mudanças drásticas e impopulares.

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sexta-feira, 18 de janeiro de 2013 Southampton, Tottenham | 17:44

Lições aprendidas

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“Acho que poderia ter continuado, mas estou completamente convencido de que trocar o técnico era a única maneira de conseguir um impacto imediato em resultados”. Quem diz é André Villas-Boas, em entrevista à France Football, sobre sua saída do Chelsea, há dez meses. O treinador português lidou bem com o fracasso na primeira experiência inglesa e aprendeu lições para aplicá-las no Tottenham.

Sem Modric e van der Vaart, negociados no mercado de verão, o Tottenham se ajustou após um início inconsistente e ocupa a quarta posição da Premier League, com 40 pontos. No domingo, em White Hart Lane, o clube pode completar o double (vitórias nas duas partidas da liga) sobre o Manchester United, o primeiro desde 1989-90 e apenas o quarto em todos os tempos. Associadas a uma bem viável vaga na Champions League, vitórias marcantes, como os 3 a 2 em Old Trafford no primeiro turno, transformariam a temporada num sucesso absoluto.

Sucesso especialmente para AVB, pois o primeiro ano no Tottenham lhe impôs o maior desafio possível para um treinador com fama de geek e convicções bem definidas: abrir mão dos próprios conceitos para se adaptar ao elenco. Claramente, ele cogitou contratar dois tipos que permitiriam um 4-3-3 semelhante ao da época do Porto, seu sistema favorito – um organizador para substituir Modric, como João Moutinho*, e um atacante para jogar aberto, como Hulk.

No confronto contra o QPR de Redknapp, semana passada, o Tottenham de AVB era o time mais ortodoxo

As negociações travaram, e AVB não tentou forjar um 4-3-3 sem ter as peças certas para isso. Pelo contrário. O atual sistema do Tottenham é o mais ortodoxo possível: 4-4-2 com um volante defensivo (Parker deve assumir o lugar de Sandro, fora da temporada), um box-to-box (Dembele, que já é fundamental para o time) e dois wingers bastante agressivos. Mais simples do que a versão da temporada passada, comandada por Harry Redknapp.

O Tottenham é um time corajoso, assim como serão todas as equipes formadas por Villas-Boas. Por exemplo, quando perdeu por 5 a 2 para o Arsenal com um jogador a menos desde o primeiro tempo (Adebayor foi expulso), não abdicou do ataque e acabou pagando caro por isso. Por outro lado, AVB se ajustou às condições do elenco e montou um time que sabe também defender com as linhas retraídas (o que era impensável no Chelsea) e contra-atacar com eficiência, explorando a transição rápida de Dembele e a velocidade de Lennon, Bale e Defoe. Além do que se vê em campo, a relação com o elenco parece bem mais tranquila do que nos tempos de Chelsea.

*Para 2013-14, o Tottenham já garantiu a contratação de Lewis Holtby, do Schalke 04. Pode não ser exatamente um substituto para Modric, mas é um meia-atacante criativo para acrescentar bastante ao time.

Nigel Adkins
Nigel Adkins foi demitido pelo Southampton. Sim, o mesmo técnico que, em 28 meses, levou o clube da 22ª posição da terceira divisão à 15ª da Premier League. A equipe tinha evoluído muito, e os últimos cinco resultados na liga podem ser considerados bons – os Saints vêm de empate contra o Chelsea em Londres. A demissão é uma das mais absurdas em vários anos no futebol inglês, pois não havia necessidade de causar “impacto imediato” ou coisa parecida. O argentino Mauricio Pochettino, ex-treinador do Espanyol, é o substituto.

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quarta-feira, 16 de janeiro de 2013 Debates | 13:11

Liga dos técnicos

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José Mourinho não esquece a Inglaterra. Na gravação em que parabeniza a Football Association pelos 150 anos, divulgada na segunda-feira, o ex-técnico do Chelsea aproveitou para ratificar o desejo de retornar à Premier League. No dia seguinte, Pep Guardiola também expôs a intenção de comandar um clube inglês, por conta do “futebol fascinante” e do apoio incondicional dos torcedores.

Com o vestiário em chamas e uma campanha medíocre na liga espanhola, Mourinho deve deixar o Real Madrid no fim da temporada. Guardiola pode, com raríssimas restrições, escolher seu próximo clube. Esse cenário coincide com um momento em que é impossível garantir a permanência dos treinadores de Chelsea e Manchester City para 2013-14. No Arsenal, Arsène Wenger nunca havia sido tão contestado. No Manchester United, Alex Ferguson se aposenta quando quiser.

Um clube até prepara o terreno para Guardiola. O Manchester City não esconde seu projeto de barcelonização, do qual já fazem parte o diretor-executivo Ferran Soriano e o diretor de futebol Txiki Begiristain, que deixaram o clube catalão em 2008 e 2010, respectivamente. É evidente que o Abu Dhabi United Group pretende reproduzir um modelo de sucesso que vai bem além da contratação de um treinador, mas é também claro que Guardiola se enquadra perfeitamente nesse contexto.

As ambições de Mourinho e Guardiola, associadas ao cenário de incerteza de alguns grandes clubes ingleses, aguçam a imaginação. “Imagine Mou, Pep e Ferguson, todos na Premier League”, escreveu o jornalista Jonathan Stevenson. Seria uma manifestação de força do campeonato e, ao mesmo tempo, um combustível para acompanhar a evolução de outras ligas e resgatar os excelentes desempenhos em competições europeias do fim da década passada.

No entanto, a diversidade de estilos que eles ofereceriam à liga é o aspecto mais empolgante. Imagine uma visita do time de Guardiola ao Britannia Stadium para enfrentar o Stoke de Tony Pulis. Como ele lidaria com os lançamentos longos? Qual seria a porcentagem de posse de bola? Outro confronto interessante seria entre Mourinho e Wenger, de relacionamento difícil e extremamente antagônicos. Em seu ótimo livro “Invertendo a Pirâmide”, Jonathan Wilson escreve: “de um ponto de vista emocional, gosto mais do jogo de passes de Wenger no Arsenal do que do pragmatismo de Mourinho no Chelsea, mas isso é uma preferência pessoal”. Seria fantástico contrastá-los novamente.

Guardiola e Mourinho não bipolarizariam a liga na Inglaterra, como aconteceu na Espanha. Com receitas bem mais equilibradas entre os clubes, haveria outros candidatos ao título e mais jogos imprevisíveis. A tendência é que a dupla de Manchester e o Chelsea estejam sempre fortes. O Arsenal, se quiser, pode lutar contra a inércia dos últimos anos. Tottenham e Liverpool têm projetos consistentes conduzidos por treinadores jovens e competentes. E a Premier League, definitivamente, tem argumentos para ser um bom lugar nas próximas temporadas.

*O artigo é um exercício motivado pelas declarações recentes dos treinadores. Não existe nada certo entre Mourinho, Guardiola e clubes ingleses. O ex-técnico do Barcelona trataria também o Bayern Munique como um destino possível.

*Atualização às 13h55: o timing do texto foi péssimo. Guardiola acaba de ser anunciado como o novo treinador do Bayern, a partir de 2013-14. Mas valeu a reflexão.

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sexta-feira, 11 de janeiro de 2013 Premier League | 21:30

Man Utd x Liverpool; Arsenal x Man City

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A Premier League deixou para domingo as partidas mais chamativas da 22ª rodada. Às 11h30 de Brasília, o Manchester United recebe o Liverpool. Em seguida, às 14h, o Manchester City visita o Arsenal. O blog discute os confrontos:

Man Utd x Liverpool
Rooney ainda será desfalque, garante Alex Ferguson. Hernández, seu substituto nas últimas rodadas, vive ótima fase, mas não é presença certa entre os titulares. Para evitar a desvantagem numérica contra o trio de meias centrais do Liverpool, é possível que Ferguson escale Kagawa. O japonês carregaria a bola até van Persie, liberando o holandês para atuar mais perto da área adversária.

No Liverpool, duas dúvidas importantes. Como José Enrique está lesionado, Brendan Rodgers quebra a cabeça para escolher entre Wisdom (na lateral direita, deslocando Johnson à esquerda) e Downing (na lateral esquerda, com Johnson à direita). Nenhuma das alternativas é exatamente segura para Old Trafford, o que abre espaço até a uma formação diferente, com três zagueiros – Wisdom, Skrtel e Agger – e Johnson e Downing como alas.

Há ainda a expectativa pela presença de Sturridge e, especialmente, pelo link entre ele e Suárez. Em entrevista na semana passada, para a surpresa do colunista, Rodgers afirmou que o uruguaio pode voltar à função que exercia no Ajax, uma espécie de “winger interno” para explorar as diagonais. De qualquer maneira, o técnico valorizou a versatilidade de seus atacantes e ressaltou que o posicionamento depende do adversário e deve mudar durante os jogos.

Arsenal x Man City
As visitas do City ao Emirates têm sido improdutivas. Nas três últimas pela Premier League, não marcou gol e finalizou apenas quatro vezes na direção certa. Na próxima, não terá Agüero, Yaya Touré e Nasri, o que levanta certa desconfiança sobre o comportamento do time. Após o empate por 0 a 0 em 2010-11, Roberto Mancini admitiu que a postura foi defensiva, mas fez a ressalva: “prefiro um ponto e críticas a nenhum ponto e aplausos”. Na temporada seguinte, recebeu as mesmas críticas e perdeu por 1 a 0.

Um problema sério em 2012-13 é a incapacidade de atacar pelas pontas, uma vez que Sinclair, que substituiu Adam Johnson como opção de velocidade do elenco, não convenceu Mancini. Então, vários oponentes congestionam a faixa central e “espremem” os meias e atacantes do City, que geralmente tem Nasri e Silva derivando ao centro para criar jogadas. A tendência é que Milner seja um dos wingers no domingo, mas ele habitualmente acompanha mais do que agride o lateral adversário.

Do outro lado, Arsène Wenger tem de escolher entre Walcott e Giroud para liderar o ataque. No empate por 1 a 1 do Etihad, em setembro, Gervinho foi o centroavante, com Giroud no banco. Se ainda acredita que a velocidade é o melhor expediente contra os zagueiros do City, Wenger deve insistir em seu (muito) ousado projeto de transformar Walcott em Henry. Nesse caso, é fundamental que Cazorla se aproxime dele para não deixá-lo isolado entre Kompany e Nastasic.

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quarta-feira, 9 de janeiro de 2013 Swansea | 23:52

De Wembley a Wembley?

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A vitória por 2 a 0 sobre o Chelsea em Stamford Bridge aproximou demais o Swansea da decisão da Copa da Liga. Desde a temporada passada, as visitas ao Liberty Stadium são penosas para qualquer equipe. Nas duas mais recentes, primeiro com André Villas-Boas e depois com Roberto Di Matteo, o Chelsea não dominou as partidas e empatou por 1 a 1. É ingrata a tarefa do time de Rafael Benítez, que precisa ao menos devolver o resultado em Gales para tentar chegar à final da Capital One Cup.

Laudrup se adaptou facilmente à Premier League

O vencedor do outro confronto, seja Bradford ou Aston Villa, não assusta para uma eventual final em Wembley. Hoje, o Swansea é favorito à Copa da Liga, que seria o primeiro título de elite dos cisnes no futebol inglês. Copas são absolutamente circunstanciais (quem não se lembra do título do Birmingham no ano do rebaixamento?), mas o clube merece o troféu como uma espécie de chancela para o fantástico trabalho executado há várias temporadas.

A partida de Stamford Bridge foi a síntese do Swansea de Michael Laudrup: defesa sólida e precisão para marcar gols. A vitória é reflexo de um mercado de verão impecável, no qual o clube perdeu peças-chave para o êxito na temporada passada (notadamente, Brendan Rodgers, Allen, Sinclair e Sigurdsson, todos devidamente substituídos) e tirou proveito dessas perdas. O Swansea ainda preza pela posse de bola, mas é uma equipe diferente, mais direta (tem, em média, 3% menos posse de bola do que na temporada passada) e eficiente.

A filosofia não muda (ainda que tenham particularidades, os ex-técnicos Roberto Martínez, Paulo Sousa e Brendan Rodgers fazem parte de um mesmo grupo), mas Laudrup fez ajustes cruciais. O time se defende melhor, sem vergonha de retrair suas linhas fora de casa e mais seguro após a chegada de Chico Flores, parceiro confiável para o ótimo Ashley Williams. O Swansea também é fatal quando contra-ataca. Ki é mais vertical do que Allen, Hernández é mais incisivo do que Sinclair, De Guzman é excelente na chamada “última bola”, e Michu não falha diante do gol.

O time da posse de bola aprendeu a jogar melhor sem ela. Não à toa, já ganhou nesta temporada em Anfield, Emirates e Stamford Bridge. Vitórias marcantes e merecidas para a gestão do presidente Huw Jenkins, uma aula de como administrar um clube, com conceitos definidos e sem excentricidades. O Swansea conquistou o acesso à primeira divisão há um ano e meio, quando venceu o Reading no play-off em Wembley. Agora pode voltar ao estádio para consolidar essa história de sucesso.

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domingo, 6 de janeiro de 2013 Everton | 09:43

Direito de sonhar

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Bill Kenwright, proprietário do Everton: estimulando a criatividade de Moyes há 11 anos

A FA Cup começa para o Everton amanhã, na visita ao Cheltenham, da quarta divisão. O torneio pode representar a última oportunidade para David Moyes conquistar um título no clube, uma vez que seu contrato expira no fim desta temporada, e a renovação estaria condicionada à permanência de jogadores-chave como Baines e Fellaini.

A ponto de completar 11 anos em Goodison Park, Moyes faz trabalho extraordinário não apenas pela estabilidade, mas também pela determinação em competir num cenário desfavorável. Mesmo com o atual abismo financeiro entre os Toffees e pelo menos seis clubes ingleses, ele construiu o melhor time de sua gestão. Desde janeiro de 2012, mês das contratações de Jelavic, Pienaar e Gibson, o Everton se equipara a qualquer adversário em qualquer estádio.

Moyes tem a plataforma pronta para a segunda metade da temporada. O primeiro sorteio da FA Cup foi camarada, e o quinto lugar no campeonato permite lutar efetivamente por vaga na Champions League. Se repetir os resultados das últimas 17 rodadas de 2011-12, o Everton chegará a 67 pontos, dois a menos do que o quarto lugar da temporada passada.

No entanto, para cumprir as metas de 2013, o Everton depende demais da disponibilidade dos titulares, pois as peças de reposição estão simplesmente muito abaixo. As melhores atuações da temporada vieram quando Moyes escalou um 4-4-1-1 fluido, com intenso apoio dos laterais (Coleman e Baines) e liberdade a Pienaar e Mirallas, sem posição fixa quando o Everton tinha a bola e derivando para o centro do campo para criar jogadas.

Mirallas é caso à parte. O belga é capaz de destruir defesas, mas não se mantém saudável. Com data indefinida para o retorno, foi titular em apenas nove partidas de Premier League. Steven Naismith, alternativa imediata a ele e Pienaar, não compromete, mas também não oferece os mesmos dribles que desmontam sistemas defensivos e criam chances para Jelavic, especialista em marcar gols com apenas um toque na bola.

Aliás, o centroavante croata é constantemente cobrado por Moyes, que elogiou a ótima assistência dele a Anichebe, contra o Newcastle, mas fez questão de questionar: “cadê os gols?”. Jelavic, que marcou 11 em 16 jogos (média de 0,69) por todas as competições na temporada passada, caiu para seis em 21 partidas (média de 0,28) em 2012-13. Fellaini tem sido mais prolífico do que ele.

Em janeiro, as prioridades devem ser a manutenção das estrelas e a contratação de um zagueiro que evite a entrada de Heitinga na ausência de Distin ou Jagielka. Se o mercado, o departamento médico e a fase de Jelavic ajudarem, o Everton pode ter um semestre inesquecível. Em condições normais, os automatismos de um time que mantém a estrutura há muito tempo e as boas atuações de Baines, Osman e Fellaini estão garantidos.

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