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sábado, 17 de setembro de 2011 Bolton, Premier League | 20:08

Dados malditos

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"Zonal Whoever", Coyle? Francamente...

Você conhece o Zonal Marking? Se não, fica a dica de mais um espaço interessante para quem gosta de tática em futebol. Apesar de ser referência na Inglaterra, o trabalho independente de Michael Cox não é muito popular no Reebok Stadium. Talvez seja porque, ao fim de 2010-11, ele tentou rebater, com um estudo detalhado, a ideia de que “o Bolton jogou um futebol atrativo sob Owen Coyle”.

Os Trotters tiveram baixos índices de posse de bola, passes completados e passes curtos, além de recorrerem com frequência a bolas longas e altas e serem o time mais faltoso da liga. Está tudo aqui. Em entrevista à revista FourFourTwo, o técnico Owen Coyle desmentiu o artigo sem nenhuma sutileza (veja ao lado). Ele tinha o direito e até a razão em dizer que “nada supera o olho nu no futebol”, mas esqueceu a polidez ao chamar o espaço de Cox de Zonal Whoever e, depois, Zonal Whatever.

O Zonal Marking conclui o texto da discórdia assumindo que havia exibido “gráficos crus” e “a satisfação dos torcedores é mais importante”, como pensa Coyle, que não deve ter lido o artigo. Apesar da 14ª posição no fim, o Bolton pôde sorrir pelo que fez. Coyle conseguiu resultados melhores que os de Gary Megson, seu antecessor, e a bola foi mais bem tratada. Isso se deve muito a atuações dos wingers Lee e Petrov e a emprestados como Wilshere e Sturridge. O puro futebolton não lhes servia mais, só que as peças-chave se revelaram mais relevantes do que a mudança de estilo, que às vezes esbarra em limitações.

Em seus últimos dez jogos na Premier League (cinco em 2010-11), o Bolton perdeu nove. Tem três pontos em 2011-12, os da goleada sobre o QPR. O time agonizou sem Stuart Holden no fim da temporada passada e coleciona problemas nesta: Ricketts, Mears (reforço), Lee (importantíssimo para quebrar defesas), Holden, Gardner, Sean Davis e Marcos Alonso, todos fora. Hoje, a derrota que quebrou o mito da tabela difícil. Após perder para City, Liverpool e United, o Bolton caiu em casa para o Norwich por 2 a 1. O líder da primeira rodada pode começar a semana na zona de rebaixamento.

O próprio blog já elogiou muito Coyle e mantém tudo isso. Só o fato de ele encorajar, com sucesso, a equipe a abandonar o futebol inglês de 40 anos atrás já justifica aplausos. No entanto, um pé no chão, como o que faltou na FA Cup da temporada passada, cairia bem. Afinal, o Bolton sofreu 13 gols nos últimos quatro jogos. Os números do Zonal Marking não dizem tudo sobre o time, mas lembram que, ainda mais sem tanta gente importante, ele não pode simplesmente confiar em São Gary Cahill e só pensar em atacar (o que explica Muamba no banco?). É hora de parar e refletir.

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sexta-feira, 16 de setembro de 2011 Áudio, Championship, Premier League | 18:40

Podcast: 5ª rodada

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Nesta semana, com o nobre Léo Macario, falamos dos detalhes da quinta rodada da Premier League, do clássico do leste de Londres entre Millwall e West Ham (que já começou há muito tempo) pela segunda divisão e de boas apostas para seu time no Fantasy. Acompanhe:

Você também pode fazer o download do podcast.

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quinta-feira, 15 de setembro de 2011 Copas Europeias, Tottenham | 19:21

O risco do Tottenham

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Harry, boquiaberto com o poder do Tottenham C na Liga Europa

É oficial: Harry Redknapp não se importa com a Liga Europa. Não que tenha sido surpreendente, mas o Tottenham que foi a Tessalônica para enfrentar o PAOK abusou da garotada (Townsend, Falqué, Carroll, Kane…) e, mesmo assim, arrancou um bom empate por 0 a 0. Os gregos perderam um pênalti e deixaram claro que, apesar do aparente desprezo pela segunda competição continental, os Spurs podem pagar um tributo a Renato Gaúcho, brincar na Liga Europa e ainda seguir em frente.

O Rubin Kazan é favorito a vencer o grupo, mas o Shamrock Rovers não deve oferecer resistência mesmo a um Tottenham que só quer saber de Premier League – e do Liverpool, no próximo domingo. Se levar as duas dos irlandeses, é só vencer o PAOK em casa e partir para o abraço. Redknapp, que se referiu ao confronto de estreia como um “estorvo” e depois recuou diplomaticamente, pode ainda estar na Europa em fevereiro com aqueles jogos de quinta-feira que, na visão dele, só servem para atrapalhar a campanha doméstica.

Mas atrapalham mesmo? Não desse jeito. Além de observar a garotada, Redknapp pode usar esses “estorvos” para dar ritmo a quem não joga regularmente e até encontrar novos titulares. Se Lennon não tem jogado nada, por que não observar com atenção Giovani dos Santos? Não são da mesma posição, mas o mexicano teve um bom verão com a seleção e vem de um empréstimo positivo ao Racing Santander. Flopar, Adel Taarabt também flopou em White Hart Lane. Hoje, a estrela do QPR é bem valorizada.

Harry ainda aproveita e manda um recado a gente como Gomes e Pavlyuchenko. Reserva de Friedel na Premier League, o brasileiro agora é também reserva de Cudicini na Europa. O russo, por sua vez, apareceu na escalação contra o PAOK e foi definitivamente relegado ao posto de reserva do reserva, com Adebayor estreando bem e Defoe querendo voltar à boa forma. A Liga Europa é uma diversão para Redknapp. O risco é que, de tão pobre, a primeira fase pode mantê-lo na competição e tentá-lo a investir nesse problema a partir de fevereiro.

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quarta-feira, 14 de setembro de 2011 Copas Europeias, Man City | 19:35

O fator De Jong

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O Man City com De Jong: sem o Sky Blue disponível, vai o rubro-negro mesmo

Na sexta-feira passada, um dos breves assuntos do podcast foi a presença ou não do volante holandês Nigel De Jong, hoje lesionado, no time titular do Manchester City. Agora há pouco, no Etihad Stadium, a dúvida começou a ser desfeita. Em sua estreia na Champions League moderna, o City apenas empatou por 1 a 1 com um valente Napoli. Péssimo resultado para quem ainda tem de brigar com o Bayern no grupo. Claramente e com trocadilho, De Jong, um dos melhores marcadores do mundo, fez falta.

O elenco à disposição de Roberto Mancini é fantástico, mas lhe impõe alguns desafios. Por exemplo, há muita gente boa com a bola e nem tão boa sem ela. Talvez por isso, Mancio tanto buscou um volante defensivo no fim do mercado de verão – está de olho em Sergio Busquets para janeiro, dizem – e acabou tentado a oferecer um contrato ao free agent e duvidoso Owen Hargreaves.

Mesmo desconsiderando Hargreaves, De Jong não é o único que pode fazer o trabalho sujo. Normalmente utilizados em outras funções, Zabaleta, Yaya Touré e até Kompany podem servir a Mancini numa emergência. No entanto, o início empolgante de temporada, a goleada sobre o Tottenham e a ótima forma de Barry minimizaram o problema. O pé lesionado do holandês, que deve voltar no fim do mês, deu lugar a pés mais talentosos e a um vistoso 4-4-2.

Deu muito certo no começo, com Barry e Yaya na dupla função de combater e municiar os armadores Silva e Nasri, que atuam abertos. De Jong não é o melhor amigo da bola, seria difícil para ele entrar nessa rotação e nesse esquema. A questão é que o Napoli lembrou a Mancini (quem diria?) que sua defesa tem problemas. Os contra-ataques puxados por Lavezzi e Hamsik renderam três chances claras e o gol de Cavani aos napolitanos. O City também produziu bastante, mas correu riscos além da conta e dependeu de um gol de falta de Kolarov para escapar de uma desastrosa derrota.

É o fim do 4-4-2 moleque, do toco y me voy, do sonho de ser o Barcelona inglês? É claro que não. Mas o resultado e a liberdade que o Napoli desfrutou devem fazer Mancini repensar a formação em pelo menos alguns grandes jogos. Mesmo que Barry siga bem, promover De Jong e reposicionar Nasri para não perder tanta qualidade pelo centro podem ser boas soluções. E atenção a Adam Johnson, o único winger do elenco. Ele entrou bem e deve ganhar espaço num time que centraliza muito as jogadas.

Rapidamente, sobre o Manchester United: o empate por 1 a 1 com o Benfica em Lisboa foi esclarecedor. Com Basel e Otelul Galati no grupo, o time já sabe se vai terminar a fase com 15, 16 ou 18 pontos. Resposta: 16.

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terça-feira, 13 de setembro de 2011 Arsenal, Copas Europeias | 19:03

O Henry dos pobres

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De Henry a van Persie: faixa de capitão, posição e responsabilidade estão com o holandês. Só que o elenco de apoio...

Dominado pelo Borussia Dortmund, o Arsenal teve sorte ao empatar por 1 a 1 na abertura do Grupo F da Liga dos Campeões. O golaço do croata Ivan Perisic a dois minutos do fim fez o mínimo de justiça ao campeão alemão. Nos Gunners, Song era a única figura combativa de um meio-campo repleto de meias leves e técnicos – Benayoun, Gervinho e o recuado Arteta. Enquanto a defesa agonizou contra um Dortmund bem menos brilhante que o da temporada passada, o ataque dependeu completamente de Robin van Persie.

Eterno atacante único de Arsène Wenger, o holandês roubou a bola, entregou a Walcott e recebeu de volta para marcar o gol inglês, ainda no primeiro tempo. E vai ser sempre assim. Para o Arsenal atingir algum sucesso na temporada, o novo capitão tem de, no mínimo, repetir o grande primeiro semestre de 2011 – terminou a temporada com 18 gols em 25 jogos de liga.

Os padrões de Wenger não aliviam a pressão. O fantástico Arsenal de 2001 a 2004 era um conjunto muito forte, mas, acima de tudo, tinha um atacante genial. A temporada 2003-04, a do título invicto, é a mais famosa, porém os números de Henry em 2002-03 são ainda mais absurdos e nos revelam o que ele representava em Highbury: só na Premier League, em 37 jogos, foram 24 gols e 23 assistências.

A concepção de futebol do manager não mudou, mas o time de hoje é muito pior. Tem talento em Gervinho, velocidade em Walcott e alguma capacidade de organização em Arteta, porém van Persie é a grande referência e precisa liderar de todas as formas. A faixa de capitão não é um mero presente a quem está lá há um bom tempo, mas uma atribuição de responsabilidade. A liderança é principalmente técnica. Como era a de Fàbregas, aliás.

Assim como Henry, o holandês era jogador de lado do campo e foi moldado centroavante por Wenger. Não à toa. A posição é crucial no 4-2-3-1 (ou coisa muito parecida) do treinador, demanda força física, assistências e gols em profusão. Para bater o escanteio e cabecear, van Persie ainda precisa se livrar das habituais lesões. Só assim esse Arsenal desmontado aos poucos e remontado às pressas pode dar certo.

Fantasy da Premier League
Brenda (Leo Tasca) e Smiths FC (Nelson Oliveira) avançaram muito, mas não roubaram a liderança do FC United of Santana (Claudio Roberto). Veja a classificação da nossa liga após quatro rodadas.

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segunda-feira, 12 de setembro de 2011 Chelsea | 14:58

Fernando e André

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Lento, ele? Torres mexeu com quem estava quieto

Um tem 27 anos, histórico goleador na Inglaterra, a grife de uma transferência de £50 milhões e um grupo acolhedor e paciente diante de seu fracasso inicial. O outro, 33 anos, a pressão de comandar o time de um proprietário imediatista e obcecado e um vestiário difícil de administrar. E aí, qual deles se complicou? Enquanto André Villas-Boas se vira e começa bem no Chelsea, Fernando Torres consegue se destruir também fora de campo.

Com um gol em 22 jogos pelo (nem tão) novo clube, o espanhol parece ter decidido se queimar de vez. Na semana passada, ele concedeu ao site da liga espanhola uma entrevista em que qualificava Juan Mata, meia que ele mesmo ajudou a levar do Valencia para o Chelsea, como uma “contratação necessária”. O motivo? Torres explicou que “os jogadores mais velhos” do time são “muito lentos”.

A declaração até faz sentido, pois ele se referia mais a um estilo do que a um defeito. Só que, quando está sem moral, você não pode alfinetar gente como Terry, Lampard e Drogba com termos tão marcantes – velhos e lentos. Torres, que publicou a entrevista em inglês no próprio site, alegou erros de tradução. As palavras repercutem mal no clube, que pede explicações. Villas-Boas já disse que a entrevista será dissecada para que se chegue a uma conclusão.

Se Torres transfere a responsabilidade pela fase difícil (que, de tão duradoura, pode perder o status de “fase”), Villas-Boas chega muito bem à semana mais importante de seu trabalho no Chelsea até agora. Às vésperas da estreia na Champions, a menina dos olhos de Roman Abramovich, e de um confronto importante para marcar território contra o Manchester United, o português começa a impor voz e estilo em Stamford Bridge.

A própria condução do problema Torres é perfeita. No início da temporada, deu sucessivas chances a ele, fez aposta irrestrita no homem de £50 milhões como um expresso voto de confiança. Como não houve boas respostas em campo e ao microfone, cortou a sequência de jogos do espanhol e abriu, também no ataque, espaço ao que pode impulsionar a temporada do Chelsea: as novidades. Na vitória de sábado sobre o Sunderland, por exemplo, Daniel Sturridge fez um golaço de calcanhar.

Sturridge já era do Chelsea, mas, como volta revigorado do empréstimo ao Bolton, faz parte de um tripé de reforços fundamentais que ainda tem Raul Meireles e Juan Mata. Com os três, Villas-Boas viu o time fazer no Stadium of Light seu melhor jogo na temporada. É assim, Torres, que se faz gestão de grupo: não colocando os líderes na berlinda e, discretamente, ajustando a estrutura de uma equipe que precisava mesmo se renovar.

Caminhos opostos: o português é o ibérico mais confiável

Velho conhecido dos capitães (trabalhava para Mourinho) e publicamente aprovado pelo grupo, Villas-Boas começa a assinar esse time. A clara política de rejuvenescimento do elenco sem desprezar as antigas referências é a melhor que ele poderia fazer. Amanhã, o teste é o Bayer Leverkusen. No domingo, o Manchester United. Hora de o multicampeão pelo Porto se revelar candidato aos dois títulos. Até que se prove o contrário, ele está no páreo.

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domingo, 11 de setembro de 2011 Stoke City | 18:42

Defesa que ninguém passa

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Pete sabe das coisas: feiura no jogo, beleza no amor

Quando olhamos para as estatísticas do Stoke 1-0 Liverpool de ontem, custamos a acreditar no resultado. Foi um domínio inútil dos visitantes no Britannia Stadium: 59% de posse de bola, 20 a 3 em finalizações (11 a 2 em certas) e 12 a 2 em escanteios. O técnico Tony Pulis reclamou do desempenho dos Potters com a bola, mas a verdade é que, no vestiário, ele deve ter aberto um champanhe para Rory Delap e seus amigos.

A alegria de Pulis não vem apenas da quarta posição na Premier League, passageira, mas especialmente do sucesso de suas decisões em campo e no mercado. Sem falar dos ótimos resultados na Liga Europa, o início doméstico chama a atenção por alguns aspectos. Antigo calcanhar de Aquiles, a campanha fora de casa começa bem: quatro pontos em dois jogos. O foco na defesa também é recompensado, com um gol sofrido em quatro partidas.

Além do resultado de ontem, o Stoke pode celebrar o empate da estreia contra o Chelsea e a vitória diante do West Brom no sempre complicado Hawthorns. Rebaixamento não é mais uma preocupação no Britannia. Temporada a temporada, o time só evolui na proposta de jogo físico, baseada em lançamentos para a área. Há três anos na elite e com mais dinheiro para gastar, Pulis não muda essa identidade, mas cria condições para aprimorá-la.

Não por acaso a defesa é a melhor da liga. Com as contratações dos bons Upson e Woodgate (um deles acompanha o capitão Shawcross), o alemão Huth é liberado para a lateral direita, com o também zagueiro Wilson ocupando o outro lado. Não surpreende o insucesso do Liverpool na área adversária, pois eles chegavam, mas sempre encontravam uma barreira de gigantes e um incrível Begovic no gol.

A captura de Palacios também é importante, uma vez que o hondurenho oferece mais qualidade ao centro do meio-campo e prepara a aposentadoria de Delap, o arremessador. No ataque, o mesmo de sempre. Pennant e Etherington armam pelos flancos, agora com Crouch na referência e Walters um pouco atrás do marido de Abbey Clancy. E, acredite, o elenco está bem mais forte. Olha o banco de ontem: Sorensen, Wilkinson, Shotton, Whelan, Palacios, K. Jones e Jerome.

Ninguém lá liga muito para a bola. O antibarcelonismo de Pulis levou o time a 115 jogos consecutivos (desde que chegou à Premier League) com menos posse do que o adversário, sequência quebrada há duas rodadas, com os 53% contra o Norwich. Desse jeito, com uma bola parada infalível e uma defesa de gladiadores, o Stoke virou candidato à cobiçada sétima posição e promete fazer bom papel na Liga Europa. Cada um sabe no que pode acreditar e investir.

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sexta-feira, 9 de setembro de 2011 Áudio | 18:04

Podcast: 4ª rodada

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Novamente com a participação do sócio Léo Macario, aí vai a prévia da quarta rodada da Premier League:

Se preferir, faça o download.

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quinta-feira, 8 de setembro de 2011 Inglaterra, Liverpool | 13:55

Lei seca à italiana

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Flagra! Carroll também não faz questão de esconder

Se Fabio Capello fosse psicólogo, você marcaria uma consulta com ele? Olha, não deveria. O italiano pode até ser um bom conselheiro, mas desconcerta o paciente ao expor a conversa para todo mundo. Pela segunda vez em seis meses, o treinador da Inglaterra tornou público o suposto problema do atacante Andy Carroll, do Liverpool, com o consumo excessivo de álcool. Kenny Dalglish, seu técnico no clube, rebateu o italiano hoje, deixando claro que não reprova o estilo de vida do centroavante. Nos compromissos recentes da seleção, Carroll não ficou sequer no banco contra a Bulgária e entrou nos minutos finais diante do País de Gales.

Carroll tem 22 anos. Há três, estava emprestado ao Preston North End. Há dois, ganhava um lugar no time titular do Newcastle, rebaixado à segunda divisão. Há um, começava a impressionar a Premier League. Em janeiro, o Liverpool pagou £35 milhões por ele. O que exatamente o clube comprava? Sim, um substituto direto para Fernando Torres (Luis Suárez havia chegado para jogar ao lado do espanhol) e um atacante de 11 gols e seis assistências em um turno. Mas, acima de tudo, comprava um potencial.

O primeiro semestre em Anfield foi difícil. Enquanto o parceiro uruguaio se tornava o principal nome do elenco, Carroll sofria com um joelho baleado e a obrigação de dar respostas imediatas. Boa atuação, mesmo, só na vitória por 3 a 0 sobre o Manchester City, quando ele marcou dois gols, por enquanto os únicos pelo clube na liga. Naquele tempo, viu Capello expor pela primeira vez sua suposta bebedeira, a imprensa cobrar o retorno imediato dos £35 milhões e a pressão só afrouxar por conta do pífio início de Torres no Chelsea.

Agora é diferente, Carroll está fisicamente bem na avaliação de Dalglish. Marcou três gols na pré-temporada, um contra o Exeter City pela Carling Cup e iniciou dois jogos de liga. Foi reserva diante do Bolton aparentemente em função de um rodízio que o Liverpool enfim pode fazer. É cedo demais para avaliar sua temporada e ainda mais para anunciar que o clube errou ao contratá-lo ou que ele nunca será titular da seleção (tem um gol em três jogos pela Inglaterra).

Carroll, reiterando, é mais futuro do que presente. É a hora de receber dicas de profissionais experientes. Mas passar isso ao domínio público, de forma que seu comportamento (que nem é comprovadamente inadequado) vire o carro-chefe de cadernos de Esportes, só vai sobrevalorizar a pressão sobre um jovem inflacionado pelo mercado interno e que ainda deve dar certo. O jogo do sábado, contra o Stoke, é uma boa chance para começar a responder. Sem pressa ou rótulo. Menos a Capello e mais a Dalglish, que certamente sabe dar um conselho sem espetacularizá-lo.

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terça-feira, 6 de setembro de 2011 Aston Villa, Inglaterra | 19:26

Villa das lamentações

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Não torce pela Inglaterra? Então, não assista a jogos dela realizados em Wembley. Só paixão ou compromisso para fazer aguentar a seleção de Fabio Capello em Londres, onde ela quase sempre decepciona. Hoje, com sorte no segundo tempo, venceu País de Gales por 1 a 0 e se aproximou muito da classificação à Euro 2012. Precisa de um empate contra Montenegro para se garantir, mas ainda poderia contar com a Suíça na última rodada ou até ser a melhor segunda colocada das Eliminatórias.

Se a Inglaterra chegar a Polônia e Ucrânia, deverá muito a uma classe: a dos ex-jogadores do Aston Villa. Gary Cahill, James Milner, Gareth Barry, Stewart Downing (1 assistência) e Ashley Young (1 gol) atuaram contra Gales. Ainda no Villa Park, Darren Bent, que marcou dois gols na competição, também teria sido aproveitado se não estivesse lesionado. Orgulho dos Villans? Não, está mais para lamentação.

Tudo bem que o dinheiro de Milner foi gasto em Bent, mas Agbonlahor também cairia bem por ali

Desse grupo, o único revelado lá é Gary Cahill. Curiosamente, o zagueiro do Bolton foi também o único a deixar os Lions pela porta dos fundos, por não ter convencido Martin O’Neill. Após empréstimos a Burnley e Sheffield United, ele deu um pulo em Birmingham só para arrumar as malas rumo ao Reebok Stadium. Um dos raros erros de avaliação do treinador norte-irlandês.

Os outros quatro foram boas capturas do clube. À exceção de Barry, que chegou da base do Brighton & Hove Albion, todos eram bem conhecidos (Young se destacava no Watford), mas ainda precisavam provar muito. Do ponto de vista econômico, o Villa deu um show. Pagou £34 milhões para tê-los e recebeu £74 milhões para liberá-los. Isso sem falar nos ótimos serviços prestados. Ainda mais por Barry, que ficou 12 anos lá.

O problema é que, se o proprietário Randy Lerner abriu o sorriso com o lucro de £40 milhões, Martin O’Neill foi embora porque via seu projeto se despedaçando. O campeão europeu de 1982 tinha virado um clube vendedor, não passou da sexta posição e mal reinvestia (Arsenal, alguém?). É claro que a diretoria precisava administrar a vontade dos jogadores, mas a imagem do time que o Villa poderia ser (no campinho) é perturbadora.

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