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quinta-feira, 3 de janeiro de 2013 Premier League | 14:42

Saldo da festa

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Sete rodadas em um mês, quatro em dez dias. A concentração de partidas da Premier League no período festivo sempre rende muitas observações. O blog trata de três aspectos importantes:

Disputa pelo título fica mesmo em Manchester. Two-horse race, dizem os ingleses. A derrota do Chelsea para o QPR praticamente enterrou a possibilidade de o título sair de Manchester. Mesmo que o time de Rafa Benítez flerte com 100% de aproveitamento até o fim da temporada, o que é para lá de improvável, a vantagem real de 11 pontos do United (que curiosamente perdeu 11 em 21 rodadas) não dá margem a outro perseguidor além do Manchester City, sete pontos abaixo. A turma de Robin van Persie é favorita pelo conforto na liderança e pela capacidade do holandês de resolver os jogos em que o United falha do ponto de vista coletivo.

Trabalho de Rodgers é melhor do que parece. A atual oitava posição do Liverpool é a mesma que frustrou os proprietários e resultou na demissão de Kenny Dalglish no fim da temporada passada. No entanto, o significativo enxugamento da folha salarial e a consciência de que resultados importam menos do que o alicerce para os próximos anos dão outra perspectiva à gestão de Rodgers. Já falamos muito da coragem para aproveitar jovens num contexto (elenco curto) que exige isso, mas as últimas rodadas expuseram outras virtudes do trabalho do norte-irlandês.

O Liverpool teve péssima atuação contra o Stoke, no Boxing Day, mas foi não menos do que excelente nas outras partidas festivas, diante de Fulham, QPR e Sunderland. Nesses três jogos, a equipe teve médias de 24 finalizações e 63% de uma posse de bola muito mais produtiva do que no início de 2012-13. Rodgers ainda resgata jogadores que pareciam causas perdidas (Henderson e Downing, que vêm de ótimas atuações) e teve um par de boas notícias no início do mercado de inverno: a chegada de Sturridge, a quem ele perseguia desde agosto (pode não dar certo, mas o Liverpool é o melhor lugar para o atacante de 23 anos), e a saída de Joe Cole para o West Ham.

Nulo na temporada passada, Marveaux virou titular na ausência de Ben Arfa em 2012-13

Departamento médico determina temporada fraca do Newcastle. Os Magpies têm nove derrotas nas últimas 11 partidas. A distância de apenas dois pontos para a zona de rebaixamento representa um anticlímax para quem comemorou tanto a quinta posição da temporada passada. Alan Pardew não se acomodou após ganhar um contrato até 2020, e as contratações de 2011-12 também não deixaram de ser brilhantes. O maior problema reside no péssimo momento físico do elenco.

A equipe que contava demais com Ben Arfa e Cabaye teve Marveaux e Bigirimana em várias das últimas rodadas. Até Jonás Gutiérrez perde jogos por lesão. Steven Taylor, que seria fundamental ao lado de Coloccini para tornar a defesa mais confiável, raramente está saudável. Agora sem Demba Ba para garantir um gol por partida, o Newcastle aposta mais em seus fisiologistas do que em quaisquer outros profissionais para ter uma temporada tranquila. Em meio à ameaça de crise, o lateral ofensivo Mathieu Debuchy é ótimo reforço e serve de alento.

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segunda-feira, 31 de dezembro de 2012 Arsenal | 16:12

Assina, Walcott

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Ao menos no discurso, a resistência de Theo Walcott em assinar um novo contrato com o Arsenal não envolve questões financeiras. Ele está farto de atuar como ponta direita no 4-2-3-1 de Arsène Wenger e quer a garantia de que poderá ficar mais perto do gol. “Fui contratado (aos 16 anos) como atacante e pretendo jogar à frente dos meias”, diz. No sábado, ao marcar três gols contra o Newcastle, Walcott ganhou um argumento para colocar sobre a mesa durante as negociações.

Wenger não pretende perder Walcott justamente após a melhor temporada dele

Por outro lado, a atuação de sábado não indica que Walcott seja necessariamente “o novo Thierry Henry”, como Wenger sugeriu há três dias. Theo jogou 74 minutos como centroavante, marcou um gol em contra-ataque, outro ao aproveitar uma sobra na área e perdeu algumas boas chances. Nos 16 minutos finais, quando a entrada de Giroud o obrigou a retornar à meia direita do 4-2-3-1, Walcott ofereceu dois gols ao centroavante francês e marcou seu terceiro. Todos os lances com a assinatura de um autêntico winger, partindo da ponta.

Os apoiadores da campanha de Walcott podem apontar a evolução dele como finalizador: marcou 14 gols em 2012-13, mais do que em qualquer outra temporada completa. Quando um jogador tem virtudes ofensivas raras para sua posição, sempre alguém sugere uma mudança de função, o que não é obrigatoriamente uma boa ideia. Por exemplo, o fato de Cristiano Ronaldo ser um dos grandes finalizadores das últimas décadas não o transforma num centroavante. Paulo Bento sabe que ele precisa jogar de frente para o gol e escala Hélder Postiga (veja bem) na seleção portuguesa.

O debate se estende a defensores. Laterais que apoiam bem devem ser convertidos em pontas? Não há uma reposta certa. Glen Johnson é um ótimo lateral quando carrega a bola e surpreende sistemas defensivos, mas não um bom winger. Se ainda fosse lateral, Gareth Bale seria muito subutilizado no Tottenham, pois ele é uma ameaça consistente aos marcadores adversários, sem precisar aparecer como surpresa. Alan Pardew, do Newcastle, deve enfrentar esse dilema com o lateral-direito francês Mathieu Debuchy, praticamente certo para a janela de janeiro.

No caso de David Luiz, a transformação em meio-campista pode ser interessante, ainda que tenha sido motivada mais pela carência de volantes no elenco do Chelsea do que por qualquer outro fator. As virtudes do zagueiro David (antecipação, saída de bola qualificada, ótimos lançamentos etc.) seguem válidas, e o tão criticado posicionamento deixa de ser um problema.

Retomando o debate principal, a impressão ainda é de que Walcott tem mais credenciais de winger do que de centroavante, especialmente quando observamos o excelente link entre ele e Giroud nos minutos finais de Arsenal 7 x 3 Newcastle. A tendência é que Wenger trate a hipótese de utilizá-lo à frente como uma alternativa, não como uma solução definitiva. Resta saber se isso e as políticas comparações com Henry serão suficientes para convencê-lo a prorrogar o contrato, que termina já nesta temporada.

*Grande 2013 aos amigos!

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quarta-feira, 26 de dezembro de 2012 Listas | 19:56

50%

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Após um ótimo Boxing Day, a Premier League 2012-13 chegou à metade. Não foi exatamente a conclusão de um turno, pois a tabela não é organizada assim, mas o blog apresenta a seleção da primeira parte do campeonato:

Asmir Begovic, Stoke. O sistema defensivo do Stoke oferece segurança ao goleiro, mas Begovic também é parte fundamental da barreira que tem nove clean sheets e sofreu apenas 14 gols em 19 jogos. Ainda que não faça tantas defesas acrobáticas quanto Michel Vorm, do Swansea, o bósnio de 25 anos merece estar aqui pelas mesmas razões que convenceram Tony Pulis a barrar Thomas Sorensen há duas temporadas.

Pablo Zabaleta, Manchester City. A concorrência com Maicon obrigou Zabaleta a manter o ótimo nível do primeiro semestre de 2012. Definitivamente, não existe mais aquele lateral / volante confuso que trocou o Espanyol pelo Manchester City em 2008. O atual Zabaleta é firme na defesa e contribui ao ataque.

Ryan Shawcross, Stoke. Não à toa, Tony Pulis acaba de lhe oferecer um contrato de seis temporadas. O capitão é um dos principais responsáveis por tornar o Stoke um time tão irritante e duro de ser batido. Marouane Fellaini sabe.

Jan Vertonghen, Tottenham. Forçado a atuar na lateral esquerda em várias partidas por conta da ausência de Assou-Ekotto, o zagueiro belga (que ocupa a lateral também na seleção) não decepcionou em nenhum dos extremos do campo. Quando está em seu território predileto, o centro da defesa, Vertonghen garante segurança e excelência na saída de bola.

Leighton Baines, Everton. Da lateral esquerda vem um dos grandes trunfos ofensivos do Everton. Baines há muito tempo tem um grupo de admiradores, mas nesta temporada é quase unanimidade.

Alex Tettey, Norwich. Quem vai proteger a defesa desta seleção? Tettey, é claro. O volante norueguês (nascido em Gana) fez uma sequência brilhante no primeiro turno. Desde que ganhou a posição, na sétima rodada, o Norwich é outro time, incomparavelmente mais confiável. O ex-jogador do Rennes também sobe ao ataque com lucidez. É um projeto de Yaya Touré 11 centímetros mais baixo.

Luis Suárez, Liverpool. Para aparecer entre os melhores, Suárez precisava aprimorar apenas sua finalização. Dito e feito. Mesmo numa equipe que geralmente sofre muito para chegar ao gol, o uruguaio já marcou 11 vezes, número igual ao da temporada passada inteira.

Na roda-gigante da temporada, Mata está lá em cima

Juan Mata, Chelsea. Com sete gols e sete assistências, Mata é o melhor jogador do Chelsea na Premier League. Se no início da temporada alguém discutiu a titularidade dele, hoje não há contestação. O espanhol está em plena forma e associa a visão de Oscar à verticalidade de Hazard.

Michu, Swansea. O asturiano é versátil (originalmente meia ofensivo, atua também como centroavante no Swansea), um dos artilheiros da liga com 13 gols e foi contratado por £2 milhões. Ninguém é melhor em value for money.

Gareth Bale, Tottenham. O hat-trick contra o Aston Villa levou Bale a nove gols na temporada, marca respeitável para quem tem sido winger num 4-4-2 e perdeu três jogos por lesão. Se for mais consistente, o galês pode fazer pelo Tottenham o que Cristiano Ronaldo fazia pelo United, ainda que essa associação pareça absurda hoje.

Robin van Persie, Manchester United. Nenhuma surpresa. Van Persie reedita em Old Trafford as atuações do Emirates e já é o jogador mais importante do Manchester United.

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segunda-feira, 24 de dezembro de 2012 QPR | 12:18

Cemitério inglês de elefantes

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Harry Redknapp chutou o balde. Uma semana depois da primeira vitória do Queens Park Rangers na temporada da Premier League, o técnico atacou a política salarial do clube e, indiretamente, a autoestima do elenco. Irritado pela derrota por 1 a 0 para o Newcastle, que manteve o QPR a cinco pontos da porta de saída da zona de rebaixamento, Redknapp afirmou publicamente que “há vários jogadores que ganham demais por sua capacidade e pelo que oferecem ao time”.

O bode expiatório é o lateral-direito Bosingwa. Multado por recusar a reserva na partida contra o Fulham, há uma semana, o português teve o salário ridicularizado e exposto por Redknapp: £65.000 semanais. É possível que o clima no vestiário fique insustentável, e a temporada, definitivamente comprometida. Por outro lado, a crítica é a oportunidade ideal para o QPR rever conceitos.

Cissé e Bosingwa podem cair abraçados

Bosingwa é o símbolo da fracassada política de atrair jogadores com carreiras consolidadas, longe do auge e sem espaço em seus clubes. O QPR é o lugar perfeito para eles, pois cede a todos os caprichos dos agentes, mantém (ou até melhora) o antigo padrão salarial e oferece a chance de atuar regularmente. Por que Júlio César, Bosingwa e Zamora escolheriam permanecer em Internazionale, Chelsea e Fulham? Não há razão.

O QPR não contrata por necessidade, mas por ocasião. O que explica o acordo com Júlio César um mês após a chegada de Robert Green? Mesmo antes de Tony Fernandes e Mark Hughes assumirem seus cargos, quando não se gastava tanto em Loftus Road, havia decisões estranhas. A contratação de Kieron Dyer, um ano atrás, foi uma delas. O meio-campista agonizava no departamento médico do West Ham, jogou apenas sete minutos pelo QPR na temporada passada e, sem qualquer justificativa, teve o vínculo renovado.

Além de Dyer, o elenco tem outros jogadores propensos a lesões – os chamados injury-prone –, como Andy Johnson, que pode não retornar em 2012-13, e Bobby Zamora, afastado pelo menos até fevereiro. Resultado? O único centroavante disponível é Djibril Cissé, ironicamente outro injury-prone. É curioso, embora não surpreendente, que Joe Cole, ganhando £90.000 semanais e quase sempre lesionado no Liverpool, seja especulado para o mercado de janeiro. Você sabe como é: há mais de uma década, Cole trabalhou com Redknapp no West Ham.

Enquanto isso, Wayne Routledge passa pela melhor fase da carreira no Swansea. Routledge foi emprestado pelo Newcastle ao QPR em 2011 e teve papel fundamental no acesso à primeira divisão, mas os Hoops decidiram não contratá-lo. Talvez o dinheiro já estivesse reservado ao salário de Dyer…

Aliás, é no Swansea, que subiu na mesma temporada e jamais passou sustos na Premier League, que Tony Fernandes deve se inspirar, especialmente pelas contratações que respeitam, acima de qualquer aspecto, as carências do time. Perderam Sigurdsson, Allen e Sinclair? Sem alarde, buscaram Michu, Ki e Pablo e mantiveram intacta a filosofia do clube.

O QPR até agregou qualidade ao elenco, mas criou um modelo de contratações por grife e salários inflacionados que favorece um ambiente de acomodação entre os jogadores. Redknapp sentiu que o choque era necessário para extrair mais do elenco. Resta saber como ele vai reagir.

*Feliz Natal a todos!

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quarta-feira, 19 de dezembro de 2012 Liverpool | 21:19

Mercado antecipado

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De acordo com o Times e outros veículos confiáveis, o Liverpool deve anunciar nos primeiros dias de 2013 as contratações do atacante Daniel Sturridge, do Chelsea, e do winger Tom Ince, do Blackpool. Sturridge, que perdeu espaço em Stamford Bridge desde a demissão de André Villas-Boas, custaria £12 milhões. Ironicamente revelado na base do Liverpool, Ince seria contratado por £6 milhões. Considerando as necessidades do elenco e o suposto orçamento de £20 milhões disponibilizado a Brendan Rodgers para o mercado de janeiro, são apostas válidas.

Sturridge é um nome que gera mais dúvidas do que certezas. Aos 23 anos, o garoto que surgiu muito bem no Manchester City ainda não se estabilizou e convenceu apenas dois treinadores em sua carreira: Villas-Boas, que aparentemente pretendia levá-lo ao Tottenham, e Owen Coyle, para quem marcou oito gols em 12 jogos de Premier League durante o empréstimo ao Bolton, em 2011. No entanto, há elementos que o tornam um alvo interessante para o Liverpool.

Quando assistimos a uma partida dos Reds, pensamos “se Luis Suárez falhar, quem marcará gols para este time?”. Sturridge não é exatamente um ás das finalizações, mas pode contribuir bastante. Sua excelente movimentação sem a bola e a capacidade de, atuando aberto pela direita, invadir a área e finalizar com o pé esquerdo são características que Rodgers certamente procura para completar o ataque, uma vez que o técnico pretende manter Suárez centralizado.

Desde a estreia na Premier League, ainda aos 17 anos, Sturridge marca um gol a cada 172 minutos em campo, índice superior até ao de Suárez – 203 minutos por gol. Toda vez que ganhou uma sequência de jogos (particularmente em 2011, por Bolton e Chelsea), cumpriu muito bem sua função. Ele tem agilidade para ser ponta direita no 4-3-3, como aconteceu no Chelsea de AVB e deve ser o caso no Liverpool, mas também pode ser alternativa a Suárez como centroavante.

Previsão do Liverpool com Ince e Sturridge

A principal tarefa de Rodgers no desenvolvimento de Sturridge será ajudá-lo na hora de tomar decisões em campo. O instinto de tentar o gol a qualquer custo às vezes impede que ele passe a bola, e isso é quase imperdoável na cartilha purista do treinador. O ego supostamente inflado de Sturridge, que deve disputar posição com o italiano Fabio Borini, é outro ponto a considerar. Ainda assim, o Liverpool pode representar a oportunidade ideal para fazer sua carreira progredir.

Ince Jr.
Tom Ince, de 20 anos, é filho de Paul Ince, jogador do Liverpool entre 1997 e 1999. Criado em Anfield, ele pediu para sair em agosto do ano passado. No Blackpool, que pagou uma irrisória compensação de £250.000 aos Reds, evoluiu demais sob o comando de Ian Holloway, hoje técnico do Crystal Palace. Nesta temporada da Championship, é o terceiro artilheiro com 13 gols e o segundo assistente com nove passes decisivos.

Canhoto, ágil e versátil (atua nas duas pontas e também já jogou centralizado na seleção sub-21), Ince é uma boa aposta para qualquer clube inglês. Entretanto, no caso do Liverpool, fica a inevitável frustração por precisar pagar £6 milhões por um talento que estava no clube há um ano e meio. É óbvio que a oportunidade de jogar regularmente no Blackpool foi fundamental para o crescimento de Ince, mas para isso servem os empréstimos.

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segunda-feira, 17 de dezembro de 2012 Debates | 14:21

Dilemas

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Benteke marcou oito gols pelo Villa, mas sua contribuição não se limita a isso

A disputa por posição entre dois ou mais jogadores costuma ser interessante para elevar o nível do elenco, mas nem sempre é de fácil administração para os técnicos. O blog trata de três casos no futebol inglês:

Benteke x Bent. Quando assumiu o Aston Villa, Paul Lambert sabia que teria uma missão ingrata. O péssimo legado de seu antecessor, Alex McLeish, e as esperanças concentradas nas revelações das categorias de base tornavam o desafio enorme. No último dia do mercado, quando havia uma grande expectativa sobre como o Villa gastaria o orçamento restante para se reforçar, Lambert fechou a contratação do centroavante belga Christian Benteke, do Genk. Todo mundo pensou “por quê?”, se ele já tinha Darren Bent.

Lambert acertou em cheio. No fim de semana, Benteke acabou com o Liverpool: dois gols e uma assistência na vitória por 3 a 1 do Aston Villa em Anfield. Titular de uma das mais promissoras seleções do mundo, o belga não é, ao contrário de Bent, um mero marcador de gols. Além de finalizar bem, ele ganha bolas no alto, está sempre se movimentando e cria jogadas de ataque. A presença de Benteke beneficia a equipe do ponto de vista coletivo e facilita a vida de quem se aproxima dele. O atacante / winger austríaco Andreas Weimann é o melhor exemplo. Lambert sentiu que precisava de alguém como Benteke, bancou a presença do atacante de 22 anos e relegou Bent ao banco. A recuperação do Villa nas últimas semanas passa bastante pela escolha corajosa do treinador, que não se intimidou quando teve de barrar a maior estrela do grupo. Bent pode ser negociado em janeiro.

Oscar x Moses. Essa disputa por posição foi o hit do domingo, com várias críticas a Rafa Benítez pela decisão de escalar o nigeriano na derrota do Chelsea para o Corinthians no Mundial de Clubes. Oscar tentou ser discreto, mas foi inocente na hora de reclamar.

Se tivesse planejado o elenco do Chelsea, Benitez certamente não teria contratado Oscar. Não porque não aprecie as qualidades do brasileiro, mas por conta de suas convicções táticas. O típico time de Benítez tem wingers aplicados na marcação (Kuyt e Riera no Liverpool; Rufete e Vicente no Valencia), não três armadores dinâmicos sem posição fixa. Ainda assim, é para lá de discutível a escolha de deixar no banco com frequência um jogador tão talentoso e já adaptado ao futebol inglês.

Defoe x Adebayor. André Villas-Boas escalou ambos na vitória de ontem do Tottenham sobre o Swansea, mas isso não significa que a situação esteja definida. Sem Bale, lesionado, Dempsey foi deslocado ao lado esquerdo e abriu caminho para a dupla de ataque. No entanto, quando o winger galês retornar, AVB pode reconsiderar a utilização do 4-4-2 (longe de ser seu sistema favorito) e da parceria entre Defoe e Adebayor.

O togolês, que ainda deve boas atuações em 2012-13, perdeu por lesão o início da temporada e por suspensão mais três jogos da 13ª à 15ª rodada. Na Premier League, são nove participações, quatro como titular (três ao lado de Defoe) e cinco como reserva. Enquanto isso, Defoe virou titular, adaptou–se à função de atacante único e passou a finalizar muito bem de todas as formas, a ponto de AVB compará-lo a Falcao García, com quem trabalhou no Porto. Curiosamente, nenhum dos nove gols marcados por Defoe na Premier League aconteceu com Adebayor em campo. É para refletir.

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sexta-feira, 14 de dezembro de 2012 Arsenal | 16:49

Há discussão

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O Bradford City, quarto colocado da quarta divisão inglesa, eliminou o Arsenal da Copa da Liga e reacendeu o debate sobre o futuro de Arsène Wenger. Na verdade, a queda na Capital One Cup é apenas outro pretexto para avaliar o trabalho e questionar se vale a pena insistir nele. Sem troféus há quase oito anos, Wenger se defende com o argumento de que a vaga na Champions League, objetivo que ele sempre alcançou em 15 temporadas completas no Arsenal, “é como um título”.

Hora da despedida? A discussão nunca havia sido tão válida. Nem na temporada passada

Wenger é um técnico brilhante, que mudou a história do clube através do estilo, e um manager que oferece estabilidade financeira. Mas a crença ou mesmo a ambição de que pode conquistar títulos importantes, ele aparentemente perdeu. A última manifestação de resistência do treinador foi a determinação em manter Fàbregas, assediado pelo Barcelona e pelo discurso apelativo de Xavi (“ele está sofrendo na Inglaterra”) desde que se tornou capitão do Arsenal. Em 2011, ele desistiu. No mesmo mercado, vendeu Nasri e Clichy ao Manchester City e, no ano seguinte, Song ao Barcelona e van Persie ao Manchester United.

A tentativa de reconstrução em 2012-13 foi interessante, com as contratações de Podolski, Cazorla e Giroud. No entanto, a lesão de Diaby (que, aliás, passa mais tempo no DM do que à disposição), fundamental para substituir Song e oferecer energia ao meio-campo, interrompeu uma sequência de atuações satisfatórias no início da campanha, especialmente contra Liverpool e Manchester City. A defesa, que tinha evoluído com os treinamentos específicos do auxiliar Steve Bould, voltou a falhar.

Além dos problemas técnicos, o Arsenal parece viver uma crise de confiança. Ninguém mais trata os Gunners como o “time do futuro”. A perspectiva, ao contrário, é de estagnação (ou, para quem vê o copo meio cheio, de estabilidade). Até a linguagem corporal dos atletas revela desânimo em certas situações de jogo. Pela primeira vez em 16 anos de Wenger, é impossível imaginar o Arsenal evoluindo naturalmente, ou seja, o clube precisa de um fato novo para sair da inércia.

Mal comparando, Wenger virou o Jerry Sloan (comandante do Utah Jazz, da NBA, de 1988 a 2011) da Premier League. Sloan criou no Jazz um estilo agradável de basquete e levou dois títulos da Conferência Oeste enquanto tinha John Stockton e Karl Malone. Mas, em algum momento, a estabilidade decorrente da longevidade se transformou em campanhas apenas regulares, inércia, desavença com o craque da franquia (Deron Williams) e no pedido de demissão dele.

Ao menos para manter o status de Champions League, o Arsenal precisa tirar dois pontos de diferença e saltar da sétima à quarta posição. Antes de maio, é improvável que qualquer decisão drástica seja tomada pela diretoria. Wenger é grande demais na história do clube para sair no meio da temporada. Mas o contrato, que expira em 2014, não deve ser automaticamente renovado e pode até ser rompido no próximo verão. Há muito a ponderar.

Guardiola
Bayern, Milan, Manchester United, Manchester City, Chelsea? Não. De acordo com o Goal.com, Pep Guardiola prefere assumir o Arsenal após seu ano sabático. Sem dúvida, é bem mais simples decidir encerrar o ciclo de Wenger quando o melhor treinador dos últimos anos quer trabalhar para você. Guardiola é quase unanimidade como técnico, mas não poderia repetir tantos equívocos no mercado. Nada de Keirrison, Henrique, Hleb, Cáceres, Chygrynskiy ou investimento descomunal em Ibrahimovic.

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quarta-feira, 12 de dezembro de 2012 Chelsea | 15:48

O Mundial do Chelsea

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Campeão mundial e logo depois demitido pela Inter, Benítez tenta repetir no Chelsea a primeira parte dessa história

O Mundial de Clubes interrompe a temporada doméstica do Chelsea logo no mês mais relevante do calendário inglês. Entre 1º de dezembro e 1º de janeiro, a Premier League tem sete rodadas programadas. Associada ao baixo nível técnico da maioria dos participantes, a “inconveniência” do torneio faz a crítica britânica tratá-lo com certo desdém.

Até pela concentração de jogos às vésperas da viagem ao Japão, era natural que o Chelsea não antecipasse a discussão sobre o Mundial, como o Corinthians faz há meses. Também não existe obsessão (não confundir com interesse, vontade) em conquistar um torneio que, tal qual a Copa das Confederações no âmbito de seleções, não serve para medir o real patamar de um clube. Dizer que o Mazembe foi a segunda melhor equipe de 2010 equivale a afirmar que o Taiti (que vem ao Brasil para a Copa das Confederações) está entre as oito grandes seleções do mundo. É desonestidade intelectual.

Ainda assim, o Monterrey não deve enfrentar um Chelsea desinteressado amanhã. Após atuações sonolentas nos três primeiros jogos sob o comando de Rafa Benítez, contra Manchester City, Fulham e West Ham, as vitórias sobre Nordsjaelland e Sunderland mostraram sinais de que o time está se adaptando a um estilo mais direto, com transição rápida da defesa ao ataque. Os jogos no Japão devem ser aproveitados também para que a equipe amadureça nesse aspecto e retorne mais competitiva à Inglaterra, como se o torneio fosse uma intertemporada.

Existem ainda as motivações individuais. Em corrida contra o tempo para satisfazer Roman Abramovich antes do mercado de inverno, Fernando Torres deve abordar o Mundial como uma chance de embalar sua melhor sequência de gols pelo Chelsea – foram quatro nas últimas duas partidas. Azpilicueta, Ivanovic e Cahill lutam por lugares numa defesa que, sem Terry, ainda não tem contornos definitivos para Benítez. Com Romeu fora da temporada, também é importante dar ritmo a Lampard, que retornou de lesão contra o Sunderland. No fim das contas, o Mundial não é assim tão inconveniente.

Além dos argumentos mais pragmáticos, há ainda o caráter inédito do torneio para o Chelsea e os jogadores, aquela rara oportunidade de ser proclamado “campeão mundial”. Não apenas os brasileiros do elenco entendem e valorizam isso. Pelo menos no discurso, todos os entrevistados tentaram passar a mensagem de que a ocasião é, sim, muito relevante para eles e para o clube.

Juan Mata resumiu bem. “Há muitos grandes jogadores que nunca tiveram a chance de participar desse torneio. Agora, por conta do nosso título na Champions League, teremos essa oportunidade e não queremos desperdiçá-la. Você nunca sabe quando jogará a competição de novo!”, escreveu o melhor jogador do Chelsea nas últimas semanas.

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segunda-feira, 10 de dezembro de 2012 Premier League | 12:53

Conclusões da rodada (XVI)

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Consulte os resultados da 16ª rodada da Premier League (Fulham e Newcastle se enfrentam hoje). O blog repercute alguns pontos:

"He scores when he wants"

Eficiência do ataque torna o United favorito ao título. O Manchester United teve atuação à Fluminense para superar o City no Etihad. Suportou a pressão, explorou a velocidade pelos flancos e foi clínico nos contra-ataques. Joe Hart, que sofreu três gols, não fez sequer uma defesa. Se Rooney e van Persie mantiverem esse nível, o United não precisa dominar os adversários – não os ingleses, ao menos – para vencê-los. O ataque compensa a fragilidade da defesa (que se comportou bem melhor ontem) e, mesmo quando o meio-campo não controla os jogos, decide por conta própria. Quem não se lembra da sonolenta vitória sobre o Braga por 3 a 1, em Portugal, pela Champions League? Quando finalmente acelerou o ritmo, o United marcou três gols (Rooney, van Persie e Hernández) nos dez minutos finais.

Phil Neville pode perder espaço no Everton. A lesão de Phil Neville, ainda sem data definida para o retorno, abriu caminho entre os titulares do Everton para Darron Gibson, que também estava no departamento médico até três semanas atrás. O ex-meia do Manchester United foi excelente na vitória por 2 a 1 sobre o Tottenham. David Moyes não deve dispensar a visão de jogo de Gibson e a eficaz parceria entre ele e Osman. Mesmo com a chancela da faixa de capitão, Neville pode perder a posição no meio-campo e precisar disputar a lateral direita com Coleman, que também vive boa fase. Quando tem Coleman, Baines, Mirallas, Osman, Gibson, Pienaar, Fellaini e Jelavic reunidos, o Everton é implacável em Goodison Park. Foram 20 finalizações do agora quarto colocado contra o Tottenham.

Shelvey é um bom “falso 9”. Um dos destaques da vitória do Liverpool sobre o West Ham foi Jonjo Shelvey, sacrificado como centroavante na ausência de Luis Suárez. Ele não marcou, mas incomodou demais a defesa do West Ham e participou dos dois gols que viraram o jogo para os Reds. Na bela jogada que gerou o gol de Joe Cole, por exemplo, juntou-se ao meio-campo para tabelar com Sterling. Ele faz muito bem esse movimento de saída da área, que costuma confundir a marcação, atrair um zagueiro adversário e abrir espaço para a infiltração de um meio-campista. Já havia mostrado essa virtude contra o Young Boys, pela Liga Europa, quando exerceu a mesma função. Além disso, tem ótima presença física e não se intimida diante de zagueiros como James Collins, que, atrapalhado por Shelvey, marcou o gol contra que decidiu a partida.

Benítez não é um caso perdido no Chelsea. Está certo que foi contra um Sunderland à deriva, mas a atuação do Chelsea no sábado deu os primeiros sinais de que Rafa Benítez pode sobreviver nesta temporada. Com uma transição mais rápida da defesa ao ataque (e isso explica a presença de Moses entre os titulares) e pontas mais retraídos, para acompanhar os laterais adversários, o Chelsea começa a parecer um time montado pelo espanhol. Até Fernando Torres funcionou. O atacante que não marcava na Premier League havia mais de 12 horas agora tem quatro gols nos últimos dois jogos por todas as competições.

O Southampton tem uma defesa. Derrubando drasticamente a média de gols sofridos, o Norwich escalou a tabela até a 12ª posição. O Southampton tenta fazer o mesmo. A vitória por 1 a 0 sobre o Reading foi a terceira em cinco partidas. A defesa de Nigel Adkins era uma tragédia nas dez primeiras rodadas, nas quais levou 28 gols. Nas últimas seis, porém, foram apenas quatro gols sofridos. Além dos ajustes coletivos, Adkins trocou o goleiro (o jovem argentino Paulo Gazzaniga* roubou a posição de Kelvin Davis), promoveu o promissor Luke Shaw, de 17 anos, a titular da lateral esquerda e deu sequência a Jack Cork, que estabilizou o meio-campo dos Saints.

*Gazzaniga não atuou na vitória sobre o Reading por conta de uma lesão no ombro.

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sábado, 8 de dezembro de 2012 Man City, Man Utd | 16:53

Imprevisível

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Ferguson e Mancini não parecem ter um plano, mas vão disputar o título de novo

Em confronto direto pelo título, o Manchester City recebe o Manchester United amanhã, às 11h30 de Brasília. Sem recorrer a qualquer clichê, podemos afirmar que o clássico é imprevisível. A pergunta não é “quem vai ganhar?”, mas “a que tipo de jogo vamos assistir?”. Não sabemos. City e United contam com vários dos jogadores mais talentosos da Premier League e por isso devem bipolarizar a disputa pelo título, porém nenhum deles tem exatamente uma identidade. As escalações, os sistemas e as ideias de Roberto Mancini e Alex Ferguson são inconsistentes.

A inconsistência, nesse caso, não pode ser confundida com capacidade de adaptação aos adversários. Mancini, por exemplo, equivocou-se quando escalou três zagueiros em jogos que exigiam mais segurança pelas laterais. Ademais, em função do interminável rodízio promovido pelo italiano, nem sequer conhecemos os atacantes titulares do City.

Do lado vermelho de Manchester, Ferguson recorreu algumas vezes à formação diamante (4-3-1-2), para tentar ganhar a batalha do meio-campo ou simplesmente para reunir o maior número possível de meias e atacantes. O diamante permite que Cleverley, Kagawa, Rooney, van Persie e Hernández joguem ao mesmo tempo, mas, por conta da lesão de Kagawa e do alto número de wingers no elenco, não virou o sistema favorito em Old Trafford.

No dérbi das escalações imprevisíveis, o deslocamento de Rafael ao meio-campo, com Jones na lateral, seria uma resposta à lesão de Valencia e aos problemas defensivos do United. No City, Balotelli e Agüero jogaram apenas meia hora contra o Dortmund, na quarta-feira, e podem aparecer entre os titulares amanhã.

Sem sequência ou estilos definidos, é quase impossível descrever City e United. Como times, na acepção da palavra, a dupla de Manchester tem de evoluir bastante. No dérbi de amanhã, a tendência é que os jogadores sejam muito mais importantes do que os técnicos. Foi assim nos 6 a 1 dos visitantes em Old Trafford na temporada passada, quando Evans foi expulso, e os meias e atacantes do City, sobretudo Silva, aproveitaram os espaços que apareceram naturalmente.

Aliás, as últimas atuações do United no dérbi foram trágicas. Na derrota por 1 a 0 no Etihad, confronto que encaminhou o título do City na temporada passada, o desempenho coletivo talvez tenha sido até pior do que na goleada de Old Trafford. Desde a semifinal da FA Cup de 2010-11, os Red Devils não conseguem lidar com Yaya Touré. Amanhã, terão de lidar também com seus problemas defensivos. Mesmo na liderança da liga, o United foi vazado incríveis 21 vezes em 15 jogos, dez a mais do que o City.

O péssimo histórico recente no clássico, os desfalques (na pior das hipóteses, entre Cleverley, Kagawa, Valencia, Anderson e Vidic, ninguém joga) e a crise defensiva dão a Ferguson o direito de acreditar que uma eventual vitória no Etihad seria uma das melhores de sua carreira. Ainda que Mancini esteja perdido, não será fácil, especialmente se David Silva estiver disponível. O City tem boas chances de vencer e atingir os mesmos 36 pontos do United na liderança.

Consulte a lista de lesões e suspensões da Premier League.

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