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Posts com a Tag André Villas-Boas

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013 Southampton, Tottenham | 17:44

Lições aprendidas

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“Acho que poderia ter continuado, mas estou completamente convencido de que trocar o técnico era a única maneira de conseguir um impacto imediato em resultados”. Quem diz é André Villas-Boas, em entrevista à France Football, sobre sua saída do Chelsea, há dez meses. O treinador português lidou bem com o fracasso na primeira experiência inglesa e aprendeu lições para aplicá-las no Tottenham.

Sem Modric e van der Vaart, negociados no mercado de verão, o Tottenham se ajustou após um início inconsistente e ocupa a quarta posição da Premier League, com 40 pontos. No domingo, em White Hart Lane, o clube pode completar o double (vitórias nas duas partidas da liga) sobre o Manchester United, o primeiro desde 1989-90 e apenas o quarto em todos os tempos. Associadas a uma bem viável vaga na Champions League, vitórias marcantes, como os 3 a 2 em Old Trafford no primeiro turno, transformariam a temporada num sucesso absoluto.

Sucesso especialmente para AVB, pois o primeiro ano no Tottenham lhe impôs o maior desafio possível para um treinador com fama de geek e convicções bem definidas: abrir mão dos próprios conceitos para se adaptar ao elenco. Claramente, ele cogitou contratar dois tipos que permitiriam um 4-3-3 semelhante ao da época do Porto, seu sistema favorito – um organizador para substituir Modric, como João Moutinho*, e um atacante para jogar aberto, como Hulk.

No confronto contra o QPR de Redknapp, semana passada, o Tottenham de AVB era o time mais ortodoxo

As negociações travaram, e AVB não tentou forjar um 4-3-3 sem ter as peças certas para isso. Pelo contrário. O atual sistema do Tottenham é o mais ortodoxo possível: 4-4-2 com um volante defensivo (Parker deve assumir o lugar de Sandro, fora da temporada), um box-to-box (Dembele, que já é fundamental para o time) e dois wingers bastante agressivos. Mais simples do que a versão da temporada passada, comandada por Harry Redknapp.

O Tottenham é um time corajoso, assim como serão todas as equipes formadas por Villas-Boas. Por exemplo, quando perdeu por 5 a 2 para o Arsenal com um jogador a menos desde o primeiro tempo (Adebayor foi expulso), não abdicou do ataque e acabou pagando caro por isso. Por outro lado, AVB se ajustou às condições do elenco e montou um time que sabe também defender com as linhas retraídas (o que era impensável no Chelsea) e contra-atacar com eficiência, explorando a transição rápida de Dembele e a velocidade de Lennon, Bale e Defoe. Além do que se vê em campo, a relação com o elenco parece bem mais tranquila do que nos tempos de Chelsea.

*Para 2013-14, o Tottenham já garantiu a contratação de Lewis Holtby, do Schalke 04. Pode não ser exatamente um substituto para Modric, mas é um meia-atacante criativo para acrescentar bastante ao time.

Nigel Adkins
Nigel Adkins foi demitido pelo Southampton. Sim, o mesmo técnico que, em 28 meses, levou o clube da 22ª posição da terceira divisão à 15ª da Premier League. A equipe tinha evoluído muito, e os últimos cinco resultados na liga podem ser considerados bons – os Saints vêm de empate contra o Chelsea em Londres. A demissão é uma das mais absurdas em vários anos no futebol inglês, pois não havia necessidade de causar “impacto imediato” ou coisa parecida. O argentino Mauricio Pochettino, ex-treinador do Espanyol, é o substituto.

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quarta-feira, 28 de novembro de 2012 Liverpool, Tottenham | 11:40

Estágios diferentes

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André Villas-Boas e Brendan Rodgers se conhecem há oito anos. Em 2004, José Mourinho assumiu o Chelsea e convidou a dupla para fazer parte de seu staff. Por escrever relatórios detalhados dos adversários, AVB representava “os olhos e ouvidos” de Mourinho, como o próprio manager definiu. Rodgers, o menos britânico dos técnicos britânicos, juntou-se às categorias de base. Ainda antes da passagem por Stamford Bridge, o norte-irlandês viajou pela Europa, aprendeu a língua espanhola e absorveu diferentes métodos sobre como treinar uma equipe.

Hoje, às 17h45 de Brasília, o Tottenham de Villas-Boas recebe o Liverpool de Rodgers. Em sua entrevista pré-jogo, AVB comentou a trajetória do antigo colega e elogiou seu trabalho em Anfield, ainda que o Liverpool esteja na 11ª posição, com 16 pontos. Há, sem dúvida, uma empatia entre os técnicos. A idade (AVB tem 35 anos; Rodgers, 39), a cruzada por um estilo de futebol menos britânico e a pressão que enfrentam em clubes ambiciosos os aproximam.

No entanto, há diferenças consideráveis entre as atuais condições de trabalho. Villas-Boas pode ser mais cobrado nesta temporada. Na sétima posição com 20 pontos, o Tottenham encerrou uma sequência de três derrotas na liga quando venceu o West Ham por 3 a 1 na última rodada. Era inevitável a sensação de que o emprego de AVB estava em xeque, embora este Tottenham ainda não tenha, por falta de peças, as características que o técnico português mais aprecia.

A saída de Modric, o fracasso da negociação com João Moutinho e ausência de um jogador como Hulk (ou mesmo Sturridge) impossibilitam o 4-3-3 com foco em posse de bola e pressão implacável sobre o adversário, como o que fez tanto sucesso há duas temporadas no Porto. Os Spurs foram montados no 4-2-3-1, com uma proposta de jogo muito mais direta.

A peça mais importante do meio-campo é o recém-contratado Dembele, que ainda está invicto no Tottenham e deve retornar ao time titular contra o Liverpool. Atacante transformado em meia central por Martin Jol no Fulham, o belga é onipresente em campo, ataca e defende com intensidade, mas não é exatamente um substituto direto para Modric. Este seria Moutinho. Mesmo assim, AVB tem Defoe marcando gols, Bale e Lennon correndo pelos flancos e Dempsey (que interessava ao Liverpool) como número 10. Não são o time e o estilo que ele planejava, porém os recursos estão lá.

Rodgers e AVB na temporada passada

Em Anfield, Rodgers busca soluções criativas para compensar o elenco curto. Com as lesões de Borini e Lucas (este volta em breve), não há disponíveis um “primeiro volante” e uma alternativa a Suárez. Allen tem sido o meio-campista mais recuado. Na Europa League, quando geralmente preserva o atacante uruguaio, Rodgers escalou Shelvey como falso centroavante. Até Joe Cole reapareceu.

As soluções táticas não param por aí. A carência de jogadores capazes de marcar gols transformou José Enrique em ponta esquerda. Rodgers identificou o lateral espanhol como uma possível fonte de gols e o empurrou para perto de Suárez nas últimas três rodadas. No empate contra o Swansea, o Liverpool teve uma escalação inusitada, com Enrique na ponta e Downing na lateral. Uma sacada (que, neste caso, fez sentido) de fazer inveja a Adílson Batista.

Rodgers está invicto há oito jogos na liga. Empatou cinco, é verdade, mas também tornou a equipe mais sólida e recuperou-se do início desastroso no que diz respeito a resultados. Por enquanto, a coragem para promover garotos e a perspicácia tática para superar a coleção de problemas definem o trabalho de Rodgers melhor do que a incômoda 11ª posição. Não à toa, o emprego dele parece mais seguro.

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segunda-feira, 1 de outubro de 2012 Tottenham | 16:37

Divisor de águas

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Quando Gary Lineker marcou este gol, Gareth Bale tinha apenas cinco meses de idade. O lance em questão é de dezembro de 1989 e definiu uma das raras vitórias do Tottenham sobre o Manchester United em Old Trafford. Foram necessários 23 anos para que os Spurs vencessem novamente – com gol de Bale – no Teatro dos Sonhos, um dos motivos pelos quais o treinador André Villas-Boas celebrou de maneira tão efusiva o triunfo por 3 a 2, no sábado.

No entanto, o viés histórico explica somente uma parte da alegria de Villas-Boas. A vitória em Manchester teve também um quê de resposta aos críticos, uma espécie de batismo do técnico português na Inglaterra. Seu malsucedido trabalho no Chelsea não inibiu o Tottenham de contratá-lo, mas causou tanta desconfiança, que seu cargo esteve prematuramente ameaçado (ao menos nas manchetes dos jornais) com os fracassos das três primeiras rodadas.

Dempsey pode virar símbolo do Tottenham de AVB: enérgico, contundente e goleador

Há oito anos, seu tutor José Mourinho protagonizou outra famosa comemoração em Old Trafford. Um gol marcado por Costinha aos 45 minutos do segundo tempo classificou seu Porto às quartas de final da Champions League. Mourinho ignorou o protocolo e disparou pela lateral do campo, para celebrar com seus jogadores. Mais tarde, o gol virou título europeu e transformou para sempre a carreira do atual treinador do Real Madrid.

Não se sabe até que ponto a vitória em Manchester será relevante para a carreira de AVB, mas é evidente que, em todas as esferas, cresce demais a confiança no trabalho dele. Sobretudo porque o Tottenham de fato mereceu ganhar, respondendo a todas as exigências da partida.

No primeiro tempo, os ataques foram contundentes e executados à perfeição, com arrancadas de Vertonghen e Bale e ótima movimentação de Defoe nos lances decisivos. Apesar do fundamental gol de Dempsey, o aspecto mais positivo do Tottenham na segunda etapa foi a dedicação na defesa, que resistiu bravamente à pressão. Nos 45 minutos finais, o Manchester United completou 392 passes, contra apenas 35 de um Tottenham totalmente retraído para anular espaços. Mesmo assim, não marcou gol depois dos oito minutos do segundo tempo.

AVB ainda precisa evoluir como administrador de grupo. Prova disso é a polêmica mal dirigida com o goleiro francês Lloris, por enquanto condenado à reserva de Friedel. Contudo, está claro que, ao contrário de seu Chelsea em 2011-12, o Tottenham sabe se adaptar às condições da partida, ou pelo menos tem melhorado bastante nesse quesito. Guardadas as devidas proporções, o Villas-Boas de 2012 pode ser o Mourinho de 2004.

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terça-feira, 28 de agosto de 2012 Tottenham | 15:55

Depois de Modric

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O Tottenham sempre soube que perderia Modric e, até por isso, precisa estar preparado para viver sem ele

A venda de Luka Modric ao Real Madrid, por £33 milhões, foi concluída a quatro dias do fechamento do mercado de transferências. Até sexta-feira, o Tottenham tem de contratar um substituto para o croata, ex-craque do time. Há quem considere Gareth Bale mais espetacular, mas Modric era mais importante, o dínamo que articulava as jogadas, tomava as decisões e definia o estilo da equipe.

O novo multifuncional de José Mourinho – pode exercer os papéis de Khedira, Alonso e Özil – está longe de ser superestimado. O croata não tem números impressionantes em gols e assistências (é um equívoco compará-lo, por exemplo, a Cesc Fàbregas, que joga bem mais próximo ao gol), mas o redimensionamento dos Spurs nos últimos anos passou diretamente por ele. De qualquer maneira, o Tottenham vendeu Modric no momento certo, após segurá-lo por quatro anos, dobrar seu valor de mercado e, sobretudo, evitar uma transferência a outro clube inglês, resistindo a várias propostas.

Entretanto, um ponto da transferência é no mínimo intrigante: a “parceria” fechada entre Tottenham e Real Madrid. Se existe realmente um acordo de reciprocidade entre os clubes, por que os Spurs não envolveram Nuri Sahin (emprestado ao Liverpool na semana passada) na negociação, que se arrastava há bastante tempo? O teuto-turco, que mal jogou em Madrid, seria o substituto ideal.

Nas primeiras partidas da temporada, armado no 4-2-3-1 e ainda sem o lesionado Scott Parker, o Tottenham teve Sandro e Livermore como volantes, o que empobreceu demais a capacidade de articulação da equipe. Não há no elenco outro deep-lying playmaker (aquele que organiza o time a partir da própria intermediária). Villas-Boas conta com outros perfis de meias, alguns mais marcadores e outros mais agressivos, nenhum deles, pelo menos em tese, capaz de substituir Modric diretamente.

Encontrar um novo Modric é fundamental também para garantir que o Tottenham se mantenha perigoso pelos flancos, uma das principais virtudes da equipe nos últimos anos. Quanto mais bolas Bale receber em condição de duelar com o lateral-direito adversário, mais ele será decisivo. E, convenhamos, não será Sandro (ou Parker, ou Livermore) a fazer este trabalho de abastecimento.

Outro ponto é a limitação tática que ainda impede Villas-Boas de montar o Tottenham no 4-3-3, esquema que ele adotou em Porto e Chelsea. Não existe um meia equivalente a Modric para organizar a transição da defesa ao ataque, assim como não há um atacante lateral agressivo, nos moldes de Hulk e Sturridge. Até sexta, AVB deve tentar pelo menos dois reforços para preencher essas lacunas.

*De última hora: Duncan Castles afirma que o Tottenham chegou a um acordo com o Fulham pela contratação de Moussa Dembele. Caso se concretize, será bom reforço.

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terça-feira, 3 de julho de 2012 Tottenham | 22:33

O retorno de AVB

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Quanto tempo você gasta para ir de Stamford Bridge a White Hart Lane? André Villas-Boas levou quatro meses. Demitido do Chelsea em março, o treinador português foi anunciado hoje como o substituto de Harry Redknapp no Tottenham. Villas-Boas se sustenta em boa posição no mercado inglês ainda por conta do brilhante trabalho que fez no Porto, há duas temporadas, e da convicção de que enfrentou obstáculos atípicos no Chelsea. Para ter sucesso no Tottenham, AVB precisa:

Manter ou substituir Modric. Villas-Boas tentou levar Luka Modric ao Chelsea de todas as formas. O meia queria ir e, como não foi liberado, acusou o presidente Daniel Levy de quebrar um “acordo de cavalheiros”. Tudo estaria certo para AVB, que encontra Modric com um ano de atraso, se o Tottenham tivesse garantido vaga na Champions League. Fora da coqueluche do futebol europeu, porém, os Spurs não têm argumentos para segurar o croata, que está bem perto do Real Madrid.

A reposição, nesse caso, é fundamental. Encostado em Madrid, Nuri Sahin, que seria envolvido no negócio, não pretende jogar no Tottenham. Mas João Moutinho, que vem de ótima Euro, é uma alternativa bem viável. Moutinho foi peça essencial no Porto de Villas-Boas, que sempre busca três tipos de meio-campistas no time titular: o de contenção (no Porto, Fernando), o de chegada ao ataque (Fredy Guarín) e o organizador (Moutinho). No Tottenham, eles podem ser, respectivamente, Scott Parker, o quase contratado Gylfi Sigurdsson e o eventual substituto de Modric.

AVB, bem à vontade na nova casa

Resolver a questão do centroavante. Emmanuel Adebayor foi um dos principais jogadores do Tottenham em 2011-12, com 17 gols e 11 assistências na liga. A permanência do togolês, que ainda pertence ao Manchester City, não é simples, pois ele tem outros dois anos de contrato, está valorizado e certamente exige um salário alto. O ideal seria mantê-lo, mas o clube pode se ver obrigado a apostar, por exemplo, em Leandro Damião. É um risco para quem não deve errar.

Impor ao time seu estilo? Sim, mas não a qualquer custo. De Redknapp a Villas-Boas, há uma distância considerável em concepção de futebol. O inglês é simplista e costuma armar o time no 4-4-2 ortodoxo, que variou para 4-4-1-1 após a contratação de Rafael van der Vaart (que, por sinal, pode ser deslocado por AVB à ponta direita). O português é heterodoxo, adepto do 4-3-3 e gosta de tomar as rédeas das partidas, atuando com a defesa bem adiantada.

Villas-Boas pode e deve montar o novo Tottenham à sua maneira, mas não precisa fazer um choque de gestão assim que assumir a equipe. Conquistar o vestiário, fazer mudanças gradualmente e priorizar os resultados sobre o estilo no início do trabalho são lições que ele leva do fracasso no Chelsea. Ainda que a pressão seja menor em White Hart Lane, a diretoria não aceitará nada abaixo do quarto lugar. Após anos estáveis com Redknapp, o nível de exigência do Tottenham aumentou demais.

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domingo, 20 de maio de 2012 Chelsea, Copas Europeias | 13:45

Putsch de Munique

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Londres, Roman Abramovich e os senadores do elenco do Chelsea. Toda essa turma, enfim, conquistou a Europa. Em outra atuação disciplinada e baseada num sistema defensivo sólido, o sexto colocado da Inglaterra derrubou o Bayern em Munique, levou a Champions, garantiu vaga na próxima edição e relegou o Tottenham à Europa League. Petr Cech e Didier Drogba brilharam durante o empate por 1 a 1 e na disputa por pênaltis.

O Chelsea reeditou o Liverpool de 1984 e levantou a taça na casa do adversário

A caminhada até o título foi espetacular. Houve pelo menos três momentos em que tudo parecia perdido: a derrota por 3 a 1 para o Napoli no San Paolo, a expulsão de John Terry no Camp Nou e o gol de Thomas Müller na Allianz Arena. A dramática conquista é um prêmio à geração de Terry, Lampard e Drogba, que viveu o auge logo no início, em 2004-05 com José Mourinho, mas que também sobreviveu ao tempo, rejeitou André Villas-Boas e possivelmente aproveitou sua última chance de glória continental.

Tudo muito legal, mas o calendário indica que a próxima temporada começa daqui a menos de três meses. Portanto, o Chelsea não pode ignorar seus problemas. Arquiteto do título europeu, Roberto Di Matteo tem todos os argumentos para reivindicar sua efetivação como treinador. No entanto, precisaria fazer um trabalho completamente distinto do que levou o clube às conquistas da FA Cup e, especialmente, da Champions League.

Di Matteo mostrou habilidade tática ao travar Barcelona e Bayern e habilidade administrativa ao reanimar o elenco, mas jamais teve – e, diante de seu status de interino, nem deveria ter – compromisso com o futuro. Com a demissão de Villas-Boas, o processo de reforma do Chelsea foi adiado por um ano em benefício da possibilidade de, com a velha guarda no comando, salvar uma temporada que se anunciava desastrosa. Agora, o clube tem de voltar ao trilho certo.

Roman Abramovich já pode dormir em paz

Embora tenha ganhado confrontos impensáveis, o Chelsea foi mal na liga doméstica, mesmo com Di Matteo, que venceu cinco jogos, empatou três e perdeu outros três, aproveitamento pior que o de Villas-Boas. Ainda que a concentração na Champions fosse natural, é errado dizer que os Blues abriram mão da Premier League. As derrotas para Newcastle e Manchester City e até os empates com Tottenham e Fulham foram indigestos para quem tentava atingir a quarta posição. O Chelsea simplesmente falhou.

Para gerir a urgente reconstrução do elenco, Di Matteo tem uma vantagem e uma desvantagem em relação a qualquer outro nome. A ótima relação com a velha guarda pode lhe dar a liberdade que ninguém mais teria para renovar, mas também o excessivo apego aos senadores que impediria a reforma. Não é preciso eliminar Terry, Lampard ou Drogba. Necessário é alterar o paradigma de “jogadores no controle” e, no momento certo, redimensionar o papel deles no grupo.

Como disse Alan Pardew, técnico do Newcastle, em março, esse modelo “fez a Inglaterra perder um grande técnico jovem”. Não foi só o modelo, pois Villas-Boas também errou, mas a sexta posição na liga é um alerta e tanto para a necessidade de mudar. Se não abrir os olhos, o Chelsea repetirá a Internazionale, campeã europeia há dois anos e agonizante nas últimas duas temporadas.

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segunda-feira, 5 de março de 2012 Chelsea | 10:59

Junta técnica

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Villas-Boas, ator coadjuvante, fotografado durante o "Oscar do Esporte"

O jornalista e torcedor do Fulham Felipe Marra Mendonça, morador de Londres, fez uma sugestão interessante a Roman Abramovich. Em vez de contratar outro treinador ou mesmo ceder o lugar interinamente a Roberto Di Matteo, por que não criar uma espécie de junta técnica com John Terry e Frank Lampard no comando?

Em algum momento do finado trabalho de André Villas-Boas, houve a ilusão de que o Chelsea mudaria seu paradigma de subserviência do manager em relação aos jogadores. O português bateu de frente com Lampard ao transformá-lo em peça de rodízio do elenco e silenciá-lo temporariamente, passando a impressão de que o Super Frankie, que aos quase 34 anos perdeu seus poderes especiais, aceitaria o novo status.

No entanto, o decadente meia rapidamente rompeu o silêncio e adotou um discurso apelativo, de que “só queria jogar” e “o técnico não explicou por que o barrava”. A relação de Lampard e Terry (que também não faz um bom ambiente) com os torcedores é muito emocional, pois, desde José Mourinho, eles são as únicas referências que já estavam no clube antes da chegada de Abramovich. Ou seja, mexeu com eles, mexeu conosco.

Contraditoriamente, a dupla é muito próxima a Abramovich, que, como Luiz Felipe Scolari evidenciou hoje, mantém há bastante tempo um relacionamento íntimo com um grupo de atletas que joga para escanteio qualquer treinador que ameace a oligarquia. Enquanto isso, Villas-Boas foi deteriorado pela panelinha, e o Chelsea perdeu um manager promissor que, na opinião do colunista, claramente sabia o que estava fazendo.

Como Abramovich se recusa a dispensar suas referências problemáticas e sempre prefere a cabeça do manager, a sugestão do início do texto é perfeita: saia do armário, Roman, e assuma de vez quem manda em Stamford Bridge. Terry-Lampard não seria exatamente uma nova era, mas a formalização do que é, há muito, a realidade deste Chelsea.

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terça-feira, 21 de fevereiro de 2012 Chelsea, Copas Europeias | 23:48

Mata + 10

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A montagem do Guardian não precisa de legenda

Juan Mata é o jogador mais importante do Chelsea. Na derrota por 3 a 1 para o Napoli, pelas oitavas de final da Champions League, o espanhol motivou as mudanças promovidas por André Villas-Boas. O 4-2-3-1, sem o tradicional tripé do meio-campo e com Ramires e Raul Meireles desprotegendo a defesa, foi adotado para que a bola passasse mais pelos pés de Mata, centralizado na linha dos três meias em vez de aberto na ponta esquerda, onde esteve na maior parte da temporada.

A medida funcionou até certo ponto, mas os erros primários da defesa contra um Cavani e um Lavezzi inspirados determinaram outra derrota do, certamente, pior Chelsea do século XXI. A péssima fase individual de mais da metade do elenco transformou o time num cobertor curto: ou cria, ou defende-se.

Villas-Boas precisa de um Mata mais participativo para explorar ao máximo seu único jogador realmente criativo. O preço é a defesa exposta, que, quando exigida, falha invariavelmente. Para vencer o Napoli por 2 a 0 em Stamford Bridge, a 14 de março, ele terá de priorizar novamente a posse de bola para controlar o jogo e criar chances (leia-se: Mata organiza tudo), mas também conta com:

– David Luiz e Gary Cahill mais seguros. Enquanto eles hesitarem tanto, o Chelsea não passará sequer um jogo sem levar gol. Terry, lesionado, segue fora.

– Michael Essien protegendo a defesa e articulando a saída de bola com eficiência. Raul Meireles, um desastre hoje, está suspenso.

– Didier Drogba minimamente inspirado. Fala-se, com razão, em Fernando Torres, mas a temporada de Drogba também é lamentável, com seis gols em 18 jogos e brilharecos esporádicos. O Chelsea depende quase completamente de Sturridge e Mata. Sem um centroavante para converter as chances, fica complicado.

Vale lembrar que o Chelsea é a Inglaterra na Champions, o que não parece bom.

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sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012 Chelsea | 15:34

A hierarquia de Villas-Boas

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A fase do Chelsea é periclitante, a pior na temporada. Dos últimos dez jogos na Premier League, os Blues venceram apenas dois, ambos por diferença de um gol. Quando as coisas vão especialmente mal em Stamford Bridge, a tendência é que sejam causa ou consequência de um problema interno. Após a derrota contra o Everton, pela qual André Villas-Boas assumiu plena responsabilidade, ele apareceu. Vazou esta semana a insatisfação de um grupo de jogadores com o trabalho do português.

"I don't care" ou, em bom português, "tô nem aí"

Ontem, Villas-Boas reagiu de forma ousada ao confirmar que não é unanimidade no elenco. “Eles (os jogadores) não precisam apoiar meu projeto. É o proprietário quem apoia”, afirmou em entrevista coletiva. Para manter todo mundo interessado, o treinador aposta na competição por um lugar na equipe titular. A postura gélida revela desinteresse em recuperar um dos mais importantes fatores para um técnico no Chelsea, o bendito vestiário favorável.

Se, agindo assim, Villas-Boas se sustentar no cargo, teremos uma nova era em Bridge. Não porque ele pôs Frank Lampard no banco a certa altura da temporada, mas porque não justifica nada a ninguém além de Roman Abramovich. Em outros tempos, essa combinação entre péssimos resultados e referências insatisfeitas já teria derrubado qualquer treinador.

Abramovich tem aparecido com certa frequência nos treinamentos, mas o discurso e a impressão que ele passa são de total confiança no técnico. Não custa lembrar que, sob Villas-Boas, apenas duas das 11 contratações fechadas foram de jogadores com mais de 23 anos: Gary Cahill e Raul Meireles. O foco do trabalho é o futuro, como mostra o excelente time sub-23 do Chelsea: Courtois; Kalas, Hutchinson, Bruma, Bertrand; Romeu, McEachran; Sturridge, Mata, Piazon; Lukaku. E ainda tem Kevin De Bruyne, winger de 20 anos do Genk, já contratado para a próxima temporada.

Ainda que Abramovich possa revelar seu lado menos imediatista, está claro que a equipe precisa jogar muito mais. E é aí que Villas-Boas pode ter errado. Se não quiser comprometer o presente antes de chegar ao futuro, ele precisa dos jogadores a seu lado. A faxina no Chelsea vai continuar, mas, para que AVB a conduza, o time não pode fazer papelão contra o Napoli na Champions e acomodar-se na quinta posição doméstica. Uma vitória sobre o Birmingham, amanhã pela FA Cup, tornou-se obrigação.

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segunda-feira, 30 de janeiro de 2012 Mercado, Treinadores | 14:19

O pior fantasma

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José Mourinho não aguenta mais o Real Madrid, o Barcelona e a imprensa espanhola. O Sunday Times sugere, então, que o Special One retornará à Inglaterra já na próxima temporada, quebrando seu vínculo ao Santiago Bernabéu dois anos antes do previsto. A reação óbvia à notícia de que um bicampeão inglês pretende (ou que simplesmente vai) voltar à Premier League é o aumento imediato da pressão sobre os técnicos dos grandes clubes. E aí?

Mourinho substituiu Mancini na Internazionale em 2008

Roberto Mancini, Manchester City. Certamente, é o mais ameaçado por conta do nível de gastos e exigência da diretoria. Nas copas, sua especialidade na carreira de treinador, Mancini já fracassou. Se não ganhar a Premier League, parece bem provável que o polpudo orçamento anual do xeque Mansour seja administrado por outra pessoa a partir da próxima temporada.

Alex Ferguson, Manchester United. Se quiser, aposenta-se. Se não, fim de papo.

Harry Redknapp, Tottenham. Os resultados e o desempenho em campo são ótimos, sem contestação. No entanto, o líder da ascensão dos Spurs tem pendência na justiça e, há dez anos, uma trajetória marcada pelo nomadismo. Além disso, sempre está entre os candidatos para suceder Fabio Capello na seleção inglesa depois da Euro 2012.

André Villas-Boas, Chelsea. O discurso da cúpula é de apoio irrestrito ao discípulo do Special One. Inclinado a contratar jovens, Villas-Boas parece ter carta branca para liderar a reforma do elenco. Assim, imaginando ainda a relação arranhada entre Roman Abramovich e o treinador do Real Madrid, o Chelsea não deve fazer um flashback com Mourinho se puder garantir ao menos um lugar na próxima Champions League. Aliás, um confronto entre os portugueses na Inglaterra seria sensacional.

Arsène Wenger, Arsenal. Com contrato até 2014, Wenger não deve ter sua saída determinada pela direção, que respeita a história do treinador. Em outras palavras, após amenizar muito a crise do início da temporada, o francês sai apenas se quiser, através de um acordo mútuo.

Kenny Dalglish, Liverpool. O contrato de King Kenny também termina em 2014. Para não correr riscos, entretanto, Dalglish precisa tratar de ganhar uma das copas e melhorar o aproveitamento na liga. A vaga na Champions pode até não vir, mas os proprietários são ianques, pragmáticos e querem ter a certeza de que o clube vai progredir, ou seja, exigem evolução em campo.

José Mourinho. Outro ponto é o tamanho do desafio que ele aceitaria assumir. Por exemplo, estaria o bicampeão inglês, acostumado a um Chelsea que não media esforços para lhe oferecer o melhor time, disposto a abraçar um projeto com restrições financeiras, como seriam os de Tottenham, Arsenal ou Liverpool? E se não houver vagas em clubes, Mourinho substituiria Capello na seleção? A conferir.

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