Publicidade

Posts com a Tag Andy Carroll

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013 Debates | 21:32

A lenda do mercado interno

Compartilhe: Twitter

O mercado interno inglês costuma punir severamente quem comete erros de avaliação. Quando, em vez de observar outras ligas, um clube se rende ao comodismo de contratar um jogador consolidado na Premier League, o preço é geralmente inflacionado, o que gera expectativa e obrigação de retorno imediato. Entre outros fatores, isso acontece por conta de um consenso enganoso: se alguém dá certo em determinado time, necessariamente manterá o nível em outra equipe da mesma liga, pois está habituado ao futebol daquele país. É como se não houvesse risco de fracasso.

Há pouco mais de dois anos, o Liverpool vendeu Fernando Torres ao Chelsea por £50 milhões, entrou em pânico e, no mesmo dia, reinvestiu £35 milhões em Andy Carroll. Esse é o caso mais conhecido de supervalorização, mas existem outros. Entre 2009 e 2011, o Aston Villa vendeu um meio-campo completo – Downing, Barry, Milner e Young – por cerca de £80 milhões. O mesmo Villa que, em janeiro de 2011, pagou £24 milhões por Darren Bent, hoje reserva no time de garotos de Paul Lambert. Nenhum desses jogadores é exatamente um sucesso após a transferência.

Falta a muitos clubes bom senso na hora de definir os alvos. Por exemplo, Milner foi aclamado pela crítica quando, ainda no Aston Villa, passou a atuar como meia central para suprir a ausência de Barry. Repentinamente, um winger mediano se transformou em alguém comparável a Steven Gerrard e atraiu o interesse de outros clubes. No Manchester City, que pagou por ele £20 milhões e ainda cedeu Ireland ao Villa, Milner raramente foi utilizado na faixa central, voltou a ser o winger mediano e fez a transferência parecer um péssimo negócio.

Mesmo para quem está acostumado ao futebol inglês, existem circunstâncias que impactam o desempenho do jogador. Personagens da triangulação de 2011 entre Chelsea, Liverpool e Newcastle, Torres e Carroll têm sido constrangedores. Enquanto o caso do espanhol parece envolver aspectos físicos e psicológicos, o do inglês é um pouco mais claro. Em St. James’ Park, beneficiado pelas bolas longas e a precisão de Joey Barton, Carroll tinha enorme influência sobre os jogos, com gols e assistências de cabeça. O centroavante emprestado ao West Ham é refém de um modelo de jogo e precisa, necessariamente, de um bom provedor de bolas altas.

No Liverpool, até a dança de Sturridge é mais natural (mentira)

Dois anos depois, outra triangulação entre Chelsea, Liverpool e Newcastle ajuda a sustentar a tese (óbvia) de que certos jogadores rendem mais em certos contextos. O Chelsea fez uma “troca” muito celebrada: vendeu Daniel Sturridge ao Liverpool por £12 milhões e ativou a cláusula de rescisão de Demba Ba no Newcastle, de £7 milhões. Com £5 milhões de lucro, era o negócio do ano.

Era mesmo? Sturridge, que nada produzia em Stamford Bridge desde a saída de André Villas-Boas, tem 23 anos, talento comprovado (embora mal explorado no Chelsea) e já é fundamental em Anfield – a parceria entre ele e Suárez virou quase um requisito para o Liverpool ganhar jogos. O ataque flexível de Brendan Rodgers beneficia Sturridge, que troca de posição a toda hora e abusa do drible e da velocidade. No Chelsea, Ba reveza com Torres e está bem longe de reeditar as atuações do Newcastle.

Clint Dempsey foi excelente no Fulham e tem sido apenas razoável no Tottenham. Samir Nasri terminou bem no Arsenal e está mal no Manchester City. Steven Pienaar arrebentava no Everton, foi péssimo no Tottenham (ele funciona melhor à esquerda do meio-campo, onde joga Gareth Bale) e resgatou seu melhor jogo quando retornou ao Everton. Provas de que um bom currículo ajuda, mas não garante o sucesso de uma contratação.

Página do blog no Facebook

Autor: Tags: , , , , , , , ,

quinta-feira, 12 de julho de 2012 Fulham, Liverpool | 23:58

No máximo, plano B

Compartilhe: Twitter

Após £35 milhões e 18 meses, Andy Carroll é um projeto sem futuro no Liverpool. Em parte, por conta de atuações constrangedoras, brilhos apenas esporádicos e tímidos 11 gols em 56 jogos. A outra razão é o estilo do qual o técnico Brendan Rodgers não abre mão. Bolas longas e chuveirinhos desnecessários já estão proibidos em Anfield. Assim, o planejamento da equipe não passa pela presença de um centroavante mais aéreo do que terrestre, caso de Carroll.

O desafio do Liverpool é decidir o que fazer com ele. Se o Guardian estiver certo, o Fulham pode ajudar. Embora tenham contratado o colombiano Hugo Rodallega, os Cottagers ainda precisam criar opções ofensivas depois das saídas de Andy Johnson e Pavel Pogrebnyak. De acordo com a publicação, Martin Jol está disposto a oferecer £9 milhões mais Clint Dempsey por Carroll, explorando o conhecido interesse do Liverpool no norte-americano.

Carroll vestiu o novo uniforme, mas pode não jogar com ele

Oferta sobre a mesa, Rodgers tende a aceitar. O novo treinador, que não tem responsabilidade sobre o investimento de £35 milhões realizado há um ano e meio, deve interpretar a possível proposta do Fulham como um presente, dos mais convenientes. Ao mesmo tempo, ele teria um ótimo reforço, resolveria o problema em que Carroll se transformou e ainda financiaria outra contratação com o lucro da transferência.

Além do Fulham, estariam interessados Aston Villa, West Ham e o Milan do imortal Silvio Berlusconi. O surto de especulações foi motivado por uma entrevista em que Rodgers aprova um eventual empréstimo do centroavante. A verdade é que ele suavizou a afirmação de que Carroll não faz parte de seus planos.

Tanto não faz, que a remodelagem do Liverpool começou pelo ataque. O clube chegou a um acordo com a Roma pela contratação de Fabio Borini, que trabalhou com Rodgers na base do Chelsea e quando emprestado ao Swansea. Borini, que evoluiu demais desde que aparecia esporadicamente no banco dos Blues de Carlo Ancelotti, é o centroavante moldado para o novo Liverpool. O italiano tem agilidade e contribui para a troca de passes, sem ignorar o fundamento da finalização. Praticamente um anti-Carroll.

Mesmo que os boatos não se confirmem, Carroll não deve ser mais do que um plano B, um reserva de £35 milhões. Não é apenas uma punição ao fraco desempenho, até porque ele terminou bem a temporada passada. É uma questão de estilo. Carroll não serve a quem pretende trocar passes até a morte, controlar partidas e usar infiltrações para abrir espaços na defesa adversária. Como afirmou Loco Abreu antes de deixar o Botafogo, um jogador não pode “brigar contra uma tática”.

Autor: Tags: , , , , ,

quarta-feira, 4 de abril de 2012 Debates | 09:38

Baby boom

Compartilhe: Twitter

David De Gea defende 79% das bolas que chegam a ele na Premier League, mais do que qualquer outro goleiro. No começo da temporada, porém, o espanhol do Manchester United era motivo de piada. Não apenas porque saiu de uma mercearia sem pagar as rosquinhas que levava consigo, mas também porque falhava constantemente. Na segunda-feira, De Gea fez três ótimas defesas contra o Blackburn e foi tão fundamental quanto Antonio Valencia para que o United abrisse cinco pontos de vantagem sobre o Manchester City.

De Gea: de novo Massimo Taibi a novo Peter Schmeichel?

A recuperação de De Gea, hoje consolidado como titular, é um processo tão natural quanto o começo titubeante. Aos 21 anos, ele sucede Edwin van der Sar sob uma das metas mais cobiçadas do futebol mundial. A responsabilidade, que já seria grande, fica ainda maior quando pensamos nos £18 milhões que Alex Ferguson pagou por ele ao Atlético Madrid e no rótulo de “herdeiro de Iker Casillas” na seleção espanhola. As altas expectativas levam a um comportamento imediatista dos juízes de plantão (inclusive nós, jornalistas), que por vezes esquecem que o jogador deixou de ser um teenager há muito pouco tempo. De Gea precisava aprender o idioma, adaptar-se ao país e, sobretudo, amadurecer.

Em época de adequação ao fair-play financeiro da UEFA, os jovens são o que há no mercado. Um valor bem investido hoje significa uma década sem preocupações na posição do garoto contratado. E aí está a ambiguidade: a justificativa para a contratação está no longo prazo, mas a sociedade exige respostas rápidas, bem antes de o atleta completar seu desenvolvimento. Os clubes eventualmente são culpados, é bom que se diga. Está claro, por exemplo, que Andy Carroll não podia assumir o papel de protagonista que o Liverpool lhe ofereceu.

Com 22 anos, Carroll já tinha explodido no Newcastle, fracassado no Liverpool e, por conta da indiscrição de Fabio Capello, virado um símbolo do debate sobre alcoolismo no futebol inglês. É tudo muito rápido, muito precoce e, pelo descontrole emocional dele, pode ser determinante para uma sequência melancólica de carreira. Seu colega Jordan Henderson, de 20 anos, também já é tachado de flop por parte da crítica. Tudo bem que a temporada dele não é um primor, mas o garoto foi bem demais no Sunderland e, mesmo que irregular, já se mostrou capaz quando escalado na meia central do Liverpool. Paciência…

Um bom exemplo de gestão é Alex Chamberlain, que foi introduzido gradualmente ao primeiro time do Arsenal e teve sequência quando ganhou confiança. Já é evidente que Arsène Wenger pode aproveitá-lo melhor e que ele vai, em algum tempo, tornar-se peça-chave no elenco. E, como no caso de Chamberlain, nem sempre uma transferência cara implica cobrança imediata. O Chelsea pagou £18 milhões ao Anderlecht por Romelu Lukaku, que jogou só dez vezes e, enquanto Torres e Drogba tentam retornar à boa forma, pode evoluir em paz.

Ontem, acredite, Jonathan Evans foi eleito o melhor jogador de março no Manchester United. O norte-irlandês de 24 anos não é um zagueiro brilhante e pode ainda estar sujeito a chuvas e trovoadas, mas claramente teve um desenvolvimento tardio que começa a pagar a fé que Alex Ferguson sempre teve nele, a ponto de contrariar parte da torcida. Ferguson também administra bem a temporada de Phil Jones e soube utilizar o goleiro reserva Anders Lindegaard quando foi necessário proteger De Gea, nosso personagem principal e prova de que as primeiras impressões não são definitivas.

Autor: Tags: , , , , ,

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012 Liverpool | 18:19

A obrigação de tentar

Compartilhe: Twitter

A última participação do Liverpool na Champions League, em 2009-10, foi trágica. O time de Rafa Benítez, que acabava de perder Xabi Alonso e agonizava para se adaptar a Aquilani, caiu ainda na primeira fase num grupo com Lyon, Fiorentina e Debrecen. Desde então, os Reds não passaram nem perto de retornar à Europa pela porta da frente. Curiosamente, um 2011-12 medíocre oferece ao clube a melhor chance de voltar a uma competição que se confunde com sua história.

Com pobres 39 pontos em 25 jogos, o Liverpool coleciona empates em casa (oito de doze possíveis) e atuações preguiçosas que levam o time ao sétimo lugar da Premier League. Mas Newcastle, Chelsea e Arsenal, os outros concorrentes à quarta posição, não estão tão distantes na tabela quanto poderiam. As últimas semanas, aliás, serviram para expor a fragilidade dos postulantes à vaga na Champions.

Primeiro, no campeonato, o Newcastle foi atropelado pelo Tottenham: 5 a 0 em Londres. Em seguida, o Arsenal levou seis gols e marcou nenhum nas derrotas para Milan e Sunderland em Champions e FA Cup, respectivamente. E, também na Copa da Inglaterra, o Chelsea foi forçado a um improvável replay contra o Birmingham após sonolento empate por 1 a 1 em casa.

Enquanto Downing e Carroll fracassarem, o Liverpool não deve ter sucesso

Enquanto isso, o Liverpool contou com o fogo amigo da defesa do Brighton para vencê-lo por 6 a 1 em Anfield. A atuação não foi fantástica (o primeiro tempo mostrou aqueles antigos problemas de criação e conversão de chances), mas deixou a receita para o time melhorar seu aproveitamento: foi a primeira vez que Downing e Carroll jogaram bem ao mesmo tempo, cenário mais do que fundamental para este Liverpool funcionar.

Downing, que no domingo finalmente conseguiu sua primeira assistência pelo Liverpool, é o único winger do elenco e ainda não foi metade daquele jogador que superou até Ashley Young no Aston Villa da temporada passada. A importância e o potencial dele são óbvios. Falta é confiança para passar pelo lateral adversário, acertar o cruzamento e arriscar alguma coisa diferente que, embora não pareça, ele sabe fazer.

Com Carroll minimamente bem, Suárez também ganha muito. Ora aberto pela direita, ora como segundo atacante, ele jogou demais contra o Brighton. Sim, era o Brighton, mas o segundo tempo serve de modelo para ainda tentar uma vaga que já foi mais difícil. Se o Liverpool tomar vergonha, pode ir além de uma boa temporada nas copas e uma provável classificação para a Europa League, que será garantida em caso de vitória sobre o Cardiff no próximo domingo.

Autor: Tags: , ,

sábado, 21 de janeiro de 2012 Liverpool | 23:06

A fúria de Dalglish

Compartilhe: Twitter

Até ontem, jogar no Liverpool era garantia de uma vida sem estresse. Ainda que houvesse pressão externa, o treinador tratava de absorver todas as críticas e protegia seus atletas com unhas e dentes vorazes. “Andy (Carroll) tem sido fantástico” e “Stewart (Downing) é melhor do que eu pensava” são frases recentes de Kenny Dalglish que atentam contra a inteligência do torcedor. Mas, hoje, a ternura ficou bem de lado.

Dalglish enojado, cena rara que denuncia a qualidade da atuação do time

A derrota por 3 a 1 para o Bolton foi a pior atuação de um Liverpool que já colecionava exibições preguiçosas e complacentes contra equipes supostamente mais fracas. Até Dalglish, ferrenho defensor de um ambiente leve no vestiário, percebeu que seus jogadores haviam cruzado o limite entre lapsos naturais de um time em formação e total falta de atitude diante de um adversário faminto.

Quem cobre futebol na Inglaterra garante que nunca havia visto um Dalglish tão revoltado, sem interesse em defender seus jogadores, como na entrevista depois da partida. Abaixo, alguns trechos que confirmam a tese:

Atuando assim, alguns jogadores não vão vestir a camisa vermelha por muito tempo.

Este clube sempre respeitou as outras pessoas e teve a filosofia de que o próximo jogo é o mais importante – não os que vêm depois (em clara referência à semifinal da Carling Cup, contra o Manchester City, e à quarta fase da FA Cup, contra o Manchester United, compromissos do Liverpool na próxima semana).

Não estávamos preparados para o jogo.

Se eles (jogadores) pensam que podem conquistar o resultado de qualquer maneira, sem igualarem o esforço e o comprometimento do adversário, então tiveram uma lição hoje.

Esta não é a forma correta de representar este clube de futebol.

Palavras de quem conhece o clube. O Liverpool precisa de muito mais – de outras contratações (de preferência do mercado externo) em janeiro e do retorno de Suárez – para retomar o trilho certo, mas o fim da camaradagem que criava uma perigosa zona de conforto já é um primeiro passo. Dalglish, que tem errado em campo, finalmente acertou fora dele.

Autor: Tags: , , ,

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011 Liverpool | 20:59

Máquina de empates

Compartilhe: Twitter

De Newcastle a Liverpool, nível de Andy Carroll cai cerca de 80%, apontaria estudo

O Liverpool é a grande decepção de um surpreendente Boxing Day. A campanha em Anfield já provocava certa desconfiança, mas seu pior capítulo aconteceu hoje, no 1 a 1 contra o Blackburn, último colocado da liga. Foi o sexto empate dos Reds em nove jogos em casa. Além dos Rovers, os também azarões Sunderland, Norwich e Swansea voltaram de lá sorrindo à toa.

A maioria dos tropeços tem um componente em comum: o time domina, cria inúmeras chances e esbarra na imprecisão dos atacantes ou em atuações brilhantes dos goleiros adversários. Ruddy, Vorm e Bunn (reserva de Robinson no Blackburn), por exemplo, saíram consagrados de Anfield. De qualquer maneira, o Liverpool precisa se investigar para tentar resolver o problema antes que a corrida pela Champions fique inviável.

Por enquanto, não é correto atribuir a Kenny Dalglish e Steve Clarke o pobre aproveitamento de 55% em Anfield. Vale lembrar que a mesma dupla revitalizou a equipe na temporada passada através de atuações empolgantes em casa, com destaque para as enfáticas vitórias sobre Manchester United, Manchester City, Birmingham e Newcastle.

A grande questão é o fracasso de algumas apostas desta temporada. Recuperado da sequência de lesões que o atormentava, Carroll deixou de ser titular absoluto e, quando joga, não é sequer sombra do centroavante que dominava a área pelo Newcastle. Melhor jogador do Aston Villa na temporada passada, Downing oscila demais e ainda não tem gols ou assistências com a camisa vermelha. Na hora de finalizar, até Suárez vai mal.

A reforma dos Reds precisa ir além. A temporada prova que a contratação de Downing passa longe de satisfazer plenamente a maior carência do elenco: jogadores de lado de campo. Portanto, o mercado de janeiro tem de levar a Anfield, no mínimo, velocidade para criar chances ainda mais claras e frieza nas finalizações. O Liverpool, melhor defesa da Premier League, marcou apenas cinco gols a mais do que Robin van Persie. E o holandês ainda vai jogar na 18ª rodada, em casa, contra o Wolverhampton.

Autor: Tags: , , , , ,

domingo, 2 de outubro de 2011 Chelsea, Fulham, Liverpool, Man City | 22:25

Para lavar a alma

Compartilhe: Twitter

Elogiá-lo é um perigo, mas Balotelli tem sido um "role model" perto de Tevez

Na sétima rodada da Premier League, eles sacudiram a poeira e deram a volta por cima. É precipitado falar em recuperação definitiva, mas um grupo de jogadores criticados não esquecerá tão cedo este fim de semana:

Andy Carroll, Liverpool. Ainda que o big fella, como diria Dalglish, não tenha sido brilhante no dérbi de Merseyside, o sábado foi bem produtivo para ele. Afinal, o centroavante precisava até mais do que o Liverpool daquele gol aos 71 minutos. Carroll foi irrepreensível contra o Wolverhampton na semana passada, mas ninguém deu bola. Marcar no Everton – e pela primeira vez na liga – significou muito para o, segundo Capello, jovem de vida desregrada.

Mario Balotelli, Manchester City. Para quem manteve Tevez e contratou Agüero, o City precisa demais de Balotelli. De repente, o problemático atacante, que começou a temporada irritando Mancini e como quarta opção ofensiva, ganha um novo status e (é isto mesmo) vira expoente de bom comportamento perto de alguns de seus companheiros. A titularidade, o gol e a boa atuação contra o Blackburn se somam à participação decisiva diante do Everton há uma semana, quando ele veio do banco. A corrida por um lugar no time com o também rebelde Dzeko se equilibrou.

Frank Lampard, Chelsea. Tudo bem que o adversário era um Bolton desfalcado, irresponsável na defesa e fraco em sua essência – Paul Robinson na lateral é dose para leão. Mesmo assim, o hat-trick de Lampard é o maior sinal de que ele pode se recuperar. Após entrar na rotação de Villas-Boas e passar boa parte do tempo no banco, o meia de 33 anos marca em dois jogos seguidos, resgata seu poder de chegada à área e mostra que está vivo. Por dispensá-lo em algumas ocasiões, o Chelsea tem reduzido a dependência dele. É aí que Lamps pode fazer diferença nos momentos certos.

Andy Johnson, Fulham. Depois de quatro temporadas fracas, ele está de volta. Recordista em gols de pênalti em uma só edição da Premier League (oito em 2004-05, pelo Crystal Palace), Johnson agora é o primeiro jogador do Fulham a marcar um hat-trick no campeonato remodelado. E foi logo nos expressivos 6 a 0 sobre o arquirrival QPR, a primeira vitória dos Cottagers na liga. Se ele continuar assim, Martin Jol não tem do que se queixar: ganha concorrência no ataque para acordar Bryan Ruiz e um goleador além de Zamora. O carequinha tem feito bom trabalho também na Liga Europa.

Seleção da rodada
Tim Krul (Newcastle); Kyle Walker (Tottenham), Ashley Williams (Swansea), Phil Jones (Man Utd), José Enrique (Liverpool); Lucas Leiva (Liverpool), Samir Nasri (Man City), Frank Lampard (Chelsea); Daniel Sturridge (Chelsea), Andy Johnson (Fulham), Gabriel Agbonlahor (Aston Villa)

Fantasy
Após quatro rodadas, a liga God Save the Ball tem novo líder: o Corinthian Casuals (Carlos Pinheiro). Veja a classificação atualizada.

Autor: Tags: , , , , , , ,

quinta-feira, 8 de setembro de 2011 Inglaterra, Liverpool | 13:55

Lei seca à italiana

Compartilhe: Twitter

Flagra! Carroll também não faz questão de esconder

Se Fabio Capello fosse psicólogo, você marcaria uma consulta com ele? Olha, não deveria. O italiano pode até ser um bom conselheiro, mas desconcerta o paciente ao expor a conversa para todo mundo. Pela segunda vez em seis meses, o treinador da Inglaterra tornou público o suposto problema do atacante Andy Carroll, do Liverpool, com o consumo excessivo de álcool. Kenny Dalglish, seu técnico no clube, rebateu o italiano hoje, deixando claro que não reprova o estilo de vida do centroavante. Nos compromissos recentes da seleção, Carroll não ficou sequer no banco contra a Bulgária e entrou nos minutos finais diante do País de Gales.

Carroll tem 22 anos. Há três, estava emprestado ao Preston North End. Há dois, ganhava um lugar no time titular do Newcastle, rebaixado à segunda divisão. Há um, começava a impressionar a Premier League. Em janeiro, o Liverpool pagou £35 milhões por ele. O que exatamente o clube comprava? Sim, um substituto direto para Fernando Torres (Luis Suárez havia chegado para jogar ao lado do espanhol) e um atacante de 11 gols e seis assistências em um turno. Mas, acima de tudo, comprava um potencial.

O primeiro semestre em Anfield foi difícil. Enquanto o parceiro uruguaio se tornava o principal nome do elenco, Carroll sofria com um joelho baleado e a obrigação de dar respostas imediatas. Boa atuação, mesmo, só na vitória por 3 a 0 sobre o Manchester City, quando ele marcou dois gols, por enquanto os únicos pelo clube na liga. Naquele tempo, viu Capello expor pela primeira vez sua suposta bebedeira, a imprensa cobrar o retorno imediato dos £35 milhões e a pressão só afrouxar por conta do pífio início de Torres no Chelsea.

Agora é diferente, Carroll está fisicamente bem na avaliação de Dalglish. Marcou três gols na pré-temporada, um contra o Exeter City pela Carling Cup e iniciou dois jogos de liga. Foi reserva diante do Bolton aparentemente em função de um rodízio que o Liverpool enfim pode fazer. É cedo demais para avaliar sua temporada e ainda mais para anunciar que o clube errou ao contratá-lo ou que ele nunca será titular da seleção (tem um gol em três jogos pela Inglaterra).

Carroll, reiterando, é mais futuro do que presente. É a hora de receber dicas de profissionais experientes. Mas passar isso ao domínio público, de forma que seu comportamento (que nem é comprovadamente inadequado) vire o carro-chefe de cadernos de Esportes, só vai sobrevalorizar a pressão sobre um jovem inflacionado pelo mercado interno e que ainda deve dar certo. O jogo do sábado, contra o Stoke, é uma boa chance para começar a responder. Sem pressa ou rótulo. Menos a Capello e mais a Dalglish, que certamente sabe dar um conselho sem espetacularizá-lo.

Autor: Tags: , , , ,

segunda-feira, 22 de agosto de 2011 Jovens, Premier League | 20:28

Renovou

Compartilhe: Twitter

Te cuida, Chicharito!

Os dois jogos mais chamativos da segunda rodada da Premier League revelaram uma tendência importante. Com o Fair Play financeiro da UEFA batendo à porta e a regra que impõe o mínimo de oito jogadores formados na Inglaterra por elenco, as promessas locais apareceram. Em Arsenal 0 x 2 Liverpool, no sábado, e Manchester United 3 x 0 Tottenham, agora há pouco, 12 ingleses sub-23 foram titulares. Mais de um time.

O Arsenal teve o lateral Carl Jenkinson, o volante Emmanuel Frimpong e o winger Theo Walcott. Jenkinson já atuou em seleções finlandesas de base, e Frimpong nasceu em Gana, porém ambos são potenciais jogadores da Inglaterra. Dos três, apenas Walcott é titular, ainda que a debandada no Emirates possa mudar isso rapidamente. No segundo tempo, entrou mais um sub-23: Henri Lansbury.

O trio do Liverpool que atuou no sábado tem papéis mais importantes. Martin Kelly mostra tanta segurança, que fica complicado afirmar que ele é reserva de Glen Johnson. Fabio Capello, que assistia à partida, elogiou o ótimo lateral. Jordan Henderson, que esteve na seleção principal, tem sido titular durante a ausência de Gerrard. Andy Carroll, por sua vez, carrega uma responsabilidade do tamanho dele. A gente até se esquece de que o ex-atacante do Newcastle tem somente 22 anos.

No Manchester United, foram quatro jovens ingleses: Chris Smalling na lateral direita, Phil Jones na zaga, Tom Cleverley na meia central e Danny Welbeck no ataque. Este, com um gol (após passe de Cleverley) e uma assistência, foi o melhor em campo. O mais impressionante é que o time não sente o impacto dessa renovação. Com média de 23 anos, o United acertou incríveis 21 finalizações contra o Tottenham do lateral Kyle Walker e do volante Jake Livermore.

Uma forma de sustentar o modelo é recorrer a empréstimos. Por exemplo, para botar fé em Cleverley e Welbeck em compromissos difíceis, Alex Ferguson primeiro os cedeu a Wigan e Sunderland, onde eles se desenvolveram demais. Os jovens retornam confiantes e dão respostas imediatas ao clube e a essa ideia. O fenômeno deve ajudar também a seleção nos próximos anos.

Autor: Tags: , , , , , , , , , , ,

segunda-feira, 11 de abril de 2011 Championship, Curiosidades | 18:48

Maldita herança

Compartilhe: Twitter

No cinema, Michael Sheen foi brilhante no papel de Brian Clough

Ofuscada pela decisão entre Manchester United e Chelsea na Champions, a 41ª rodada da segunda divisão inglesa reserva um encontro interessante a amanhã. Sem muito para fazer na temporada, o Derby County recebe o Leeds United, que tenta garantir vaga nos play-offs. A rivalidade é familiar para quem assistiu ao filme The Damned United (Maldito Futebol Clube).

Derby e Leeds se separam por 98 quilômetros, mas a distância entre os clubes era bem maior ao fim dos anos 60. O então técnico do Derby, Brian Clough, fez o clube crescer assustadoramente enquanto nutria uma obsessão doentia pelo Leeds do antagonista Don Revie, à época o grande time do país.

Ironicamente, Clough foi parar no Leeds em 1974. A passagem dele por Elland Road durou ridículos 44 dias. Culpa de uma maldita herança de Revie, que, mesmo na seleção inglesa, ainda era adorado pelo elenco. Depois, todo mundo sabe o que aconteceu. Clough foi bicampeão europeu com o Nottingham Forest e é reconhecido como um dos maiores técnicos britânicos em todos os tempos.

Nigel e Darren, solidários (na alegria e) na tristeza

Hoje, tem mais gente convivendo com uma maldita herança. O garotinho que aparece no vídeo fazendo pouco caso de uma goleada sofrida em 1973 pelo Brighton de Brian Clough, pai dele, é hoje o técnico do Derby. Desde 2009, o ex-atacante Nigel Clough tem a missão de reconduzir os Rams a seus melhores dias. Os tempos são outros, mas Nigel sabe que os maus resultados e o 19º lugar na segunda divisão fazem todo mundo sentir saudade do já falecido pai.

Filho de Sir Alex, Darren Ferguson também lida com a pressão para seguir os passos do pai, que tentou ajudar, mas acabou atrapalhando. Em 2009-10, ele já havia presenteado o pupilo com o empréstimo de Welbeck ao Preston, então treinado por Darren. No ano passado, o pai mandou três jogadores do Manchester United para lá. Quando o filho foi demitido, chamou todo mundo de volta. Mimo seguido de pirraça, péssimos para a imagem de Darren, que voltou às origens: o Peterborough, da terceira divisão.

A estreia de Carroll
No banho do Liverpool sobre o Manchester City, Andy Carroll mostrou todo o seu repertório. Os dois gols tranquilizam quem tanto investiu nele, mas também reforçam uma necessidade: fortalecer as pontas. O segundo gol, por exemplo, só saiu porque Meireles, fora de posição, fez ótimo cruzamento pela esquerda.

O elenco do Liverpool não tem grandes opções para as laterais e para as “asas” do meio-campo. Na ausência de Johnson e Kelly, o jovem Flanagan, de 18 anos, assumiu a lateral-direita. No meio, Babel foi embora, Jovanovic fracassa, e Maxi não convence ninguém. Por isso e por Carroll, o Liverpool corre atrás de Ashley Young, Jarvis, Downing, Lennon…

Seleção da rodada
Al-Habsi (Wigan); Eboué (Arsenal), David Luiz (Chelsea), Carragher (Liverpool), Evra (Man Utd); Neville (Everton), Spearing (Liverpool), Fàbregas (Arsenal); Valencia (Man Utd), Carroll (Liverpool), Sturridge (Bolton).

Autor: Tags: , , , , , , , , , , , , , ,

  1. Primeira
  2. 1
  3. 2
  4. Última