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Posts com a Tag Brendan Rodgers

quinta-feira, 21 de junho de 2012 Swansea | 15:19

Grito de liberdade

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As pessoas vão, mas o clube fica. Nos últimos anos, o Swansea City tenta seguir à risca esse princípio. A política da diretoria galesa é a de não depender simplesmente das convicções de seus profissionais. No Liberty Stadium, ao contrário, são os profissionais que se adaptam à filosofia da instituição. A reação à saída do técnico Brendan Rodgers, recém-contratado pelo Liverpool, ratifica essa postura.

Michael Laudrup (à esq.), campeão europeu com o Barcelona há 20 anos

Quando liberou Rodgers para conversar com o Liverpool, o presidente Huw Jenkins foi elegante, agradeceu os serviços prestados pelo norte-irlandês e lhe desejou sucesso. Em seguida, reconheceu que a busca pelo novo treinador seria muito difícil, pois havia poucos nomes que se ajustariam ao Swansea Way. Após duas semanas de buscas e negociações, os galeses acertaram por dois anos com o dinamarquês Michael Laudrup.

A propósito, o que é o Swansea Way? Desde que trocou o Vetch Field pelo Liberty Stadium, em 2005, o Swansea ganhou não apenas nove mil lugares para os torcedores, mas também uma boa dose de ambição. A mudança para o novo estádio coincidiu com o acesso à terceira divisão. O ex-jogador do clube Roberto Martínez assumiu o posto de técnico em fevereiro de 2007 e determinou que, a partir de então, o time jogaria futebol atrativo, zelando pela posse de bola e controlando as partidas. O Swansea se apropriou daquelas ideias e não as largou mais.

Em 2008, os galeses venceram a terceira divisão e se viram a apenas um degrau da Premier League. Martínez se transferiu para o Wigan no ano seguinte, mas o sonho e o estilo de jogo se mantiveram com o português Paulo Sousa, que quase levou a equipe aos play-offs. Sousa, porém, decidiu aceitar uma proposta do Leicester. Por linhas tortas, uma ótima notícia, pois o sucessor Brendan Rodgers carregou o Swansea à Premier League, feito inédito para um galês, e rapidamente se tornou o melhor treinador do clube desde o histórico John Toshack.

De Gales ao mundo: Toshack conquistou La Liga com o Real Madrid em 1990

Esta tecla já foi bastante batida, mas vale relembrar o Swansea de 2011-12, pioneiro na história da Premier League entre clubes com recursos escassos. Trocas contínuas de passes, posse de bola próxima a 60% e jogadores razoáveis exaltados pelo impecável coletivo deram o tom da campanha que levou os cisnes à 11ª posição. Assim que perdeu Rodgers, o presidente Jenkins fez questão de garantir que isso não mudaria.

A manutenção da base do elenco, garantida pela cláusula que impede o Liverpool de comprar jogadores do Swansea durante um ano, e a contratação de Michael Laudrup sinalizam que o presidente está certo. Em relação a Rodgers, Laudrup bebe da mesma fonte e ainda tem o bônus de ter jogado no Barcelona de Johan Cruyff durante cinco temporadas. Não será por incompatibilidade entre filosofias que ele vai fracassar.

Entre as décadas de 70 e 80, o Swansea conseguiu três promoções em quatro temporadas, uma ascensão meteórica que conduziu o clube à elite e a uma expressiva sexta posição logo no primeiro ano. O grande responsável foi o então jovem treinador John Toshack. Desta vez, para não cair à mesma velocidade com que subiu, o Swansea tenta não depender de uma pessoa, mas de um conjunto de ideias que passaram a caracterizar a instituição, a maneira de jogar futebol daquele time. O cisne dá um grito de liberdade.

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sexta-feira, 1 de junho de 2012 Liverpool, Swansea | 08:49

Vale o risco

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Brendan Rodgers é o treinador do Liverpool. A negociação com Roberto Martínez não foi adiante, mas o perfil procurado pelo Fenway Sports Group (FSG), que controla o clube, ficou intacto: um técnico jovem, de mentalidade ofensiva e, na visão deles, capaz de realizar um trabalho em longo prazo para reestruturar o futebol e a filosofia em Anfield. Naturalmente, grande parcela de torcedores e analistas considera o norte-irlandês inexperiente demais para suportar a pressão inerente ao cargo.

Inexperiente, ele é mesmo. São apenas três trabalhos – dois deles curtos e inexpressivos – e 151 jogos como treinador. No entanto, a visão sobre Rodgers é distorcida quando alguém diz que os méritos dele foram, pura e simplesmente, levar o Swansea à primeira divisão e mantê-lo por lá. O também competente Paul Lambert atingiu os mesmos objetivos com o Norwich e não foi sequer cogitado. Tony Pulis converteu o Stoke num sólido time de elite, e ninguém quis levar o princípio das bolas longas a Anfield. Nesse caso, o mais importante não foi o que Rodgers fez, mas como fez.

Antes do Swansea 2011-12, ninguém acreditava que, sem um investidor poderoso, um clube recém-promovido poderia dominar partidas contra qualquer adversário. O caso dos galeses não tem precedente na Premier League. A média de 56% de posse de bola e o aproveitamento de 85% nos passes, o mesmo de Chelsea e Manchester City, dizem muito a respeito do impacto de Rodgers, que transformou até o goleiro (Michel Vorm) em peça fundamental quando a equipe tem a bola. A 11ª colocação foi ótima, mas secundária diante da postura controladora adotada durante toda a temporada. Vale registrar que o Swansea saiu aplaudido de… Anfield.

Influenciado por Johan Cruyff e José Mourinho, com quem trabalhou no Chelsea e de quem sempre recebeu elogios, Rodgers trata seus princípios como uma religião. Em entrevista ao site do Liverpool, ele os descreve como “ser criativo e ofensivo, mas também taticamente disciplinado” – o Swansea teve 14 clean sheets na temporada. Ao Guardian, metodicamente, afirma que “controlar a partida lhe dá 79% de chance de vencê-la”. O reajuste do elenco a esse método e o tempo suficiente para implementá-lo (que, custe o que custar, Rodgers precisa ter) devem criar um Liverpool mais eficiente e agradável aos olhos. Em relação à oitava posição de 2011-12, há muito a melhorar e pouco a perder.

Brendan Rodgers, ex-treinador do "Swanselona"

O Liverpool não poderia atrair um José Mourinho e nada ganharia com um Fabio Capello (que foi especulado) ou qualquer outro treinador que não assumisse compromisso com o futuro. O momento exige reconstrução, paciência e certeza do que precisa ser feito. Em Rodgers, o clube aposta num estilo e num potencial que encantaram a Premier League.

Os proprietários americanos não estão interessados em mais do mesmo. Nesse caso, pouco importa quem o britânico treinou. Mais relevantes são a visão sobre o jogo e a capacidade comprovada de fazê-la funcionar, mesmo com recursos escassos, na elite do futebol inglês. Se ele suportará a pressão, ninguém pode saber. Mas vale o risco.

*A coluna não esqueceu os outros clubes. Em breve, a movimentação do Chelsea no mercado será destaque.

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quinta-feira, 22 de março de 2012 Treinadores | 16:03

Professores

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Rodgers, que já passou pela base do Chelsea, não pretende “destruir sua carreira” em Stamford Bridge

A 29ª rodada da Premier League, que começou no sábado e terminou ontem*, certamente será lembrada pela goleada do Manchester United sobre o Wolverhampton e a virada do Manchester City contra o Chelsea. Mas houve, entre tantos outros, dois destaques ainda mais especiais: o segundo triunfo consecutivo do Blackburn, por 2 a 0 em cima do Sunderland, e a grande vitória do Swansea por 3 a 0 sobre o Fulham em Craven Cottage.

Com o desempenho recente de seus clubes, Steve Kean, do Blackburn, e Brendan Rodgers, do Swansea, invadem a discussão sobre quem é o técnico da temporada na Inglaterra. Por ter resistido a uma pressão sem precedentes dos torcedores do Blackburn, Kean virou xodó de boa parte da crítica. Os Rovers, que tinham todas as características de time que vai cair, venceram Wolverhampton e Sunderland nas últimas duas rodadas e abriram cinco pontos para a zona de rebaixamento.

Embora Kean mereça mesmo elogios, considerá-lo um dos melhores da temporada já é demais. O elenco do Blackburn foi muito mal planejado, mas tem figuras relevantes. Tanto que o expediente do treinador na recuperação da equipe é o mesmo de Joel Santana no Flamengo: fechar o time para melhorar os números defensivos e jogar toda a responsabilidade para as estrelas do ataque. Tem dado certo. A defesa não leva gol há dois jogos, e a dupla Yakubu (14 gols) e Hoilett (seis gols e seis assistências) tem sido decisiva. O grande mérito, além da resistência à pressão, é a reconstrução sem Samba, Phil Jones, Emerton, Nelsen e Andrews, turma que deixou os Rovers recentemente.

Muito mais impressionante do que ele é Brendan Rodgers. O Swansea sempre jogou bem durante a temporada, embora tenha demorado a acertar o ataque em casa e a defesa fora do Liberty Stadium. Mas o estilo que preza a posse de bola e a forma como o time conquistou seus 39 pontos e o oitavo lugar são ainda mais importantes. A equipe galesa, recém-promovida, é a segunda que mais acerta passes na elite: até agora, foram 13251, apenas 147 a menos que o líder no quesito, Manchester City. Contra o Fulham, foi um show de Joe Allen (olho nele) e Sigurdsson (emprestado pelo Hoffenheim e em fase iluminada) no meio-campo.

Na linha de fazer muito com pouco, Paul Lambert, do Norwich, também merece lugar no debate. Martin O’Neill é impressionante por levar o Sunderland da luta contra o rebaixamento à primeira metade da tabela. Arsène Wenger, por colocar na terceira posição um Arsenal destroçado no início da temporada. E, claro, ainda tem o técnico campeão. Alex Ferguson e Roberto Mancini falharam em todas as outras competições, mas as campanhas no campeonato são elogiáveis mesmo com os recursos à disposição.

Voto do colunista (até a 29ª rodada, pelo menos): Brendan Rodgers.

*Aston Villa x Bolton foi adiado.

Veja a classificação da Premier League.

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sexta-feira, 16 de março de 2012 Fulham, Swansea | 19:02

Fulham e Swansea

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Os fãs do futebol inglês sabem que o charme da Premier League não se resume a grandes clássicos. Partidas que não entram na grade de programação da TV brasileira também podem reservar algo especial para quem as acompanha. Amanhã, o carismático Craven Cottage deve receber uma delas. Fulham e Swansea se enfrentam ao meio-dia de Brasília e têm ótimos argumentos para fazerem um jogo bem interessante.

Apesar de ser contestado por uma numerosa ala de torcedores do Fulham, Martin Jol tem, no mínimo, boas intenções. Nas últimas quatro rodadas da Premier League, nas quais os Cottagers acumularam três vitórias, o técnico holandês foi bastante ousado. O habitualmente titular Dickson Etuhu virou reserva, e o capitão Danny Murphy, de toque refinado, tornou-se o maior responsável pela marcação no meio-campo.

Prévia do Guardian: os queridinhos Pogrebnyak e Sigurdsson frente a frente

Por conta da versatilidade do belga Moussa Dembele, cobiçado por Arsenal, Tottenham e Liverpool para o próximo mercado, Jol tem conseguido reunir Murphy, Dempsey, Duff (ou Bryan Ruíz), Andy Johnson, Pogrebnyak e o próprio Dembele na mesma escalação. O Fulham, que há um tempo agonizava com peças estáticas em campo, ao menos agora tenta priorizar a abundância de jogadores capazes do meio para frente.

Contra um Swansea que sempre tenta trocar passes curtos para envolver o adversário, a prévia do Guardian (figura ao lado; sem Johnson e com Ruíz no time) faz muito sentido ao apontar um meio-campo congestionado por opções de ótima qualidade. Ainda assim, em Craven Cottage, a equipe galesa enfrenta o grande desafio de manter o estilo que lhe rendeu a alcunha de Swanselona sem permitir que o forte arsenal ofensivo do Fulham, com um Dempsey e um Pogrebnyak letais na frente do gol, atue à vontade. O inquestionável zagueiro Ashley Williams, como sempre, será fundamental.

Mesmo com problemas para repetir em outros estádios as exibições do Liberty Stadium, o Swansea mostrou contra o Manchester City, na rodada passada, que não precisa temer ninguém. A agressividade do islandês Sigurdsson num meio-campo que trata tão bem a bola foi a cereja no bolo do técnico Brendan Rodgers, e os cisnes têm alguma chance amanhã. No primeiro turno, em Gales, o Swansea venceu bem, por 2 a 0.

Confira a classificação da Premier League.

Atualize seu time no Fantasy.

Premier League e FA Cup na TV.

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segunda-feira, 16 de janeiro de 2012 Swansea | 16:51

Brilho coletivo

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Fabio Capello assistiu in loco à vitória do Swansea sobre o Arsenal por 3 a 2. Dos Gunners, ele observou Walcott, que jogou mal apesar de ter marcado um gol, e Chamberlain, que provavelmente não teria entrado se o Arsenal estivesse bem. Sinal de que presta atenção aos ingleses do Swansea. Eram cinco titulares: Caulker, Britton, Sinclair, Dyer e Graham. Os três últimos decidiram a partida.

Na excelente décima posição da Premier League, a equipe galesa coleciona destaques individuais na temporada. O goleiro Vorm, o zagueiro Williams, o lateral-esquerdo Taylor, o meia Allen, os wingers Dyer e Sinclair e o atacante Graham atraem manchetes elogiosas, especulações ligando seus nomes a outros clubes e, no caso dos ingleses, até um murmúrio de convocação por Capello.

Sinclair, Rodgers e Dyer estão em casa

Para contratar ou para convocar, a observação precisa ser especialmente bem detalhada, pois o Swansea tem um senso coletivo incomum para clubes com baixo orçamento. A média de 56% de posse de bola é a quarta maior da Premier League. Nos passes, apenas Chelsea e Manchester City têm aproveitamento melhor. Antes de perder no Liberty Stadium, Thierry Henry já alertava sobre como o Swansea vai bem coletivamente.

Em outras palavras, brilhar no Swansea pode ser mais simples do que em outros lugares. É como estar em casa, num miniBarcelona (daí a já popular denominação Swanselona) que não investe ou revela o bastante para estar entre os primeiros, mas sabe encantar à sua maneira e domina praticamente todos os jogos em casa. É por isso que Josh McEachran, do Chelsea, deve ser emprestado para o clube certo. A parceria com o galês Joe Allen no meio-campo promete bastante.

Os destaques individuais vêm, portanto, de um brilho coletivo intacto em relação à temporada passada, quando os cisnes estavam na segunda divisão. Assim como Paul Lambert, o norte-irlandês Brendan Rodgers merece todos os créditos por arquitetar esse jeito de jogar, com passes curtos, valorizando a posse de bola e desenvolvendo um trabalho que começou há cinco anos com Roberto Martínez, hoje no Wigan.

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sábado, 29 de outubro de 2011 Swansea | 21:46

Home, sweet home

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O Swansea foi, finalmente, vazado em casa na temporada. Ainda assim, não deixou nenhum jogador do Bolton, derrotado por 3 a 1 no Liberty Stadium, assumir a autoria do gol: o centroavante Danny Graham marcou contra. Além do único gol sofrido, são 11 pontos conquistados nos cinco jogos realizados em Gales, que se somam a um solitário empate na Inglaterra (onde o time levou 14 gols) e põem os cisnes na décima posição da Premier League.

Neste simpático estádio galês, apenas os jogadores do Swansea balançam as redes

Na segunda divisão de 2010-11, o Swansea teve um aproveitamento de 72% como mandante, acumulando 50 de seus 80 pontos na temporada regular. O time de Brendan Rodgers sofreu apenas 11 gols em 23 partidas no Liberty, 20 a menos do que levou longe de casa. Em 2011-12, a campanha caseira pode não impressionar pelos adversários (Wigan, Sunderland, WBA, Stoke e Bolton), mas já mostra que será o carro-chefe da equipe na luta contra o rebaixamento.

Se mantiver o aproveitamento de 73% em casa, mesmo que não pontue como visitante, o Swansea certamente escapará da queda com seus 42, 43 pontos. É claro que os cisnes devem roubar pontos longe de Gales, porém o grande mérito de Rodgers é mesmo a transformação do Liberty num estádio indesejado pelas outras equipes.

O treinador norte-irlandês faz isso, como os números sugerem, a partir de uma defesa sólida, que não admite conceder muitas chances ao adversário em sua casa. Destaque para Ashley Williams, que conseguiu levar sua impressionante consistência da segunda à primeira divisão. No entanto, o ataque demorou a funcionar. Os dois primeiros resultados do Swansea no Liberty, contra Wigan e Sunderland, foram empates por 0 a 0. Para vencer, faltava ao time mais brilho à frente.

Nathan Dyer e Scott Sinclair, grandes referências do clube na temporada passada, estavam aquém do esperado. Assim como Danny Graham, artilheiro da última segunda divisão pelo Watford. Quando eles passaram a dar boas respostas (apesar do gol contra, Graham melhorou demais nas últimas rodadas), o Swansea parou de perder os pontos que fariam falta no fim do campeonato.

E o Chelsea, hein?
Ao contrário de Brendan Rodgers, André Villas-Boas não soube – ou não quis – proteger a defesa do Chelsea em casa. Mérito do Arsenal, que aproveitou os espaços para vencer por 5 a 3, mas é preciso que se diga: se o dérbi foi sensacional como entretenimento, expôs muito mais os defeitos do que as virtudes dos rivais. Não será surpreendente se Ivanovic retornar à lateral direita no lugar de Bosingwa para que os problemas da defesa não superem a qualidade do ataque dos Blues.

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segunda-feira, 4 de julho de 2011 Mercado, Swansea | 15:25

Consciência galesa

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O Swansea mantém a cara, mas troca o material esportivo

“Um clube que não podia pagar a conta de luz há alguns anos acaba de ganhar o jogo de £90 milhões”. A frase do treinador Brendan Rodgers resumiu bem a importância da promoção do Swansea à Premier League, conquistada no play-off final da segunda divisão contra o Reading em maio. O repentino aumento nas receitas é a coroação de um processo de reconstrução que passou pelo trabalho de investidores-torcedores e pela mudança em 2005 para o Liberty Stadium, mais rentável do que o Vetch Field.

Aquela vitória por 4 a 2 em Wembley, com três gols de Scott Sinclair, teve um enorme valor simbólico. Além de causar a inédita presença galesa na Premier League, ela lembrou o calvário de oito anos atrás. Em 2002-03, outro triunfo por 4 a 2 (sobre o Hull City), também com hat-trick (de James Thomas), garantiu o Swansea na quarta divisão. O clube tinha tudo para simplesmente festejar o crescimento, mas o discurso e a postura no mercado sugerem que ninguém no Liberty Stadium olha para trás.

O Swansea, já foi dito aqui, conseguiu associar um futebol atrativo a uma defesa sólida (a segunda melhor da Championship) na temporada passada. Em entrevista à BBC, o galês Ashley Williams (foto) prometeu que isso não vai mudar. O melhor zagueiro do time afirmou que Brendan Rodgers deve manter seu estilo, ousadamente inspirado no Barcelona. O rebaixamento disfarça, mas o Blackpool é um ótimo exemplo de equipe que colheu frutos por não se acovardar na primeira divisão.

A briga do Swansea também será contra o rebaixamento. A questão é de que maneira ela será abordada. Como não há orçamento para uma revolução, a melhor forma é conservar a identidade, o que, por si só, já afasta uma campanha à Derby County de 2007-08, que ganhou uma vez, fez 11 pontos e marcou 20 gols. O time galês, que é melhor do que o Blackpool, parece saber o caminho.

E ele certamente passa por segurar os principais jogadores e dar mais profundidade ao elenco. Rodgers e a diretoria são firmes e mantêm os cobiçados Williams, Taylor e Sinclair. As saídas de Pratley e do goleiro De Vries não estiveram ao alcance do clube, que tentou renovar os contratos. A prevista perda de Borini já foi reposta com Danny Graham, artilheiro da Championship pelo Watford.

As especulações são interessantes. Jonathan Soriano, goleador da segunda divisão espanhola pelo Barcelona B de Luís Enrique, pode chegar. Marcos Senna também está na pauta. A negociação é complicada, mas só a atitude de tentar levá-lo a Gales dá a ideia de que o projeto de permanência é forte no Liberty e que capturas exóticas, comuns para quem acaba de subir, não serão bem-vindas.

No entanto, a prática ainda precisa se igualar ao discurso. O clube não se reforçou tanto quanto o Norwich, por exemplo. Se o Swansea fizer o dever de casa no mercado e não mudar totalmente à primeira derrota, o 4-2-3-1 bem protegido e com Dyer e Sinclair abertos pode dar samba. Aos 38 anos, Brendan Rodgers tem a missão de honrar o apelido do time: Swanselona, agora na Premier League.

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segunda-feira, 30 de maio de 2011 Championship, Premier League, Swansea, Temporada | 14:20

Enfim, acompanhados

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Festa galesa em Wembley: à beira da quinta divisão há oito anos, o Swansea está na Premier League

Inédito: um galês vai disputar a Premier League inglesa, criada em 1992. Para mais de 86 mil pessoas em Wembley, o Swansea derrotou o Reading por 4 a 2 numa espetacular final dos play-offs da segunda divisão e volta à elite após 28 anos. Naquela época, o clube teve um crescimento assombroso sob o técnico John Toshack e terminou 1981-82 na sexta posição, antes de afundar à mesma velocidade com que subiu.

Além de Swansea e Cardiff, que há algum tempo flertavam com a Premier League, quatro galeses estão na pirâmide do futebol inglês: Wrexham, Newport County, Colwyn Bay e Merthyr Town, todos fora da Football League, que engloba as quatro primeiras divisões.

Os seis sempre jogaram na Inglaterra. Em 1992, com a fundação da Liga de Gales, eles recusaram a mudança para o futebol local. Outros cinco aceitaram, pagando o preço da passagem a um sistema infinitamente mais fraco, que não os obriga a disputar divisões inferiores, mas também limita o espaço de crescimento do clube.

Por falar em crescimento, um dos grandes responsáveis pela evolução recente do Swansea é Roberto Martínez, hoje técnico do Wigan. Em dois anos, o espanhol tirou os galeses da terceira divisão para transformá-los em habituais concorrentes ao acesso para a Premier League. O português Paulo Sousa até manteve o nível na temporada passada, mas não conseguiu levar o clube a outro patamar.

O atual treinador, Brendan Rodgers, teve temporada brilhante. Ele associou uma defesa forte, cujo principal pilar é Ashley Williams, a um jogo atrativo. Os três meias de seu 4-2-3-1 (Dyer, Dobbie e Sinclair) mataram o Reading no contra-ataque hoje. Scott Sinclair, aliás, fez três gols, consolidou-se como o grande nome da campanha e expôs o erro do Chelsea, que o vendeu por 500 mil libras.

O que pode fazer o Swansea na Premier League? Isso será assunto para as prévias da próxima temporada. Por enquanto, veja quem cai e quem é que sobe no futebol inglês:

O Southampton, que revelou Bale e Walcott, volta à segunda divisão

Premier League
As informações essenciais estão aqui

Championship
Promovidos: Queens Park Rangers, Norwich e Swansea
Rebaixados: Preston, Sheffield United e Scunthorpe

League One
Promovidos: Brighton, Southampton e Peterborough (ontem, em Old Trafford, Darren Ferguson – filho de Sir Alex – minimizou a tristeza da família ao vencer os play-offs com o Peterborough)
Rebaixados: Dag & Red, Bristol Rovers, Plymouth e Swindon Town

League Two
Promovidos: Chesterfield, Bury, Wycombe e Stevenage
Rebaixados: Lincoln City e Stockport

Conferência Nacional
Promovidos: Crawley Town (aquele) e AFC Wimbledon (o fruto da reação de torcedores locais à mudança do Wimbledon original para Milton Keynes)

Promoções in a row
O Norwich e o Stevenage conseguiram algo sempre improvável: o segundo acesso consecutivo. Nos Canaries, o trabalho de dois anos do técnico Paul Lambert impressiona. O escocês (mais um!) de 41 anos, ex-jogador do Celtic, merece totalmente a chance na Premier League.

O Stevenage, que eliminou o Newcastle na FA Cup, repetiu o Leeds da temporada passada e o Crawley Town desta, capitalizando o sucesso na copa para avançar uma divisão.

Rebaixamentos in a row
Stockport e Plymouth fizeram o caminho contrário e, em dois anos, regrediram duas divisões.

Atenção
A temporada acaba, mas o blog não para. Durante as férias dos clubes, a coluna vai trazer reviews de 2010-11, previews de 2011-12, falar da seleção inglesa principal e da sub-21, abrir espaço a outros assuntos e ficar atenta a especulações, contratações e afins. Acompanhem!

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