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quinta-feira, 2 de maio de 2013 Debates, Man Utd | 19:01

O Bayern inglês

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SAF não diminui o ritmo

A hegemonia do Manchester United na Premier League esteve realmente ameaçada apenas uma vez, quando as três temporadas de 2003 a 2006 foram dominadas pela melhor versão do Arsenal de Wenger e pelo excelente Chelsea de Mourinho. Mas a resposta a esse período foi imediata. Associado a um ótimo desempenho na Europa, o tricampeonato de 2007-08-09 reiterou a soberania do United na era moderna do futebol inglês.

O título de 2012-13, antecipado há bastante tempo e confirmado na semana passada, foi mais uma demonstração da capacidade de Alex Ferguson de preservar o ethos vencedor em Old Trafford, sempre com ajustes pontuais de uma temporada para outra. Por enquanto, houve três elementos capazes de combater o United desde a fundação da Premier League, em 1992: Alan Shearer (título do Blackburn, em 1994-95), Arsène Wenger e o investimento pesado de Chesea e Manchester City. Os Devils sempre contra-atacaram.

Por conta da quantidade de boas e ótimas equipes (ainda superior, por exemplo, à da Bundesliga), a Premier League transmite uma sensação de competividade, mas está claro que o Manchester United é o Bayern Munique da Inglaterra. Candidatos a concorrentes não faltam, mas ele sempre está na corrida pelo título e habitualmente ganha (13 de 21, ou seja, 62% das edições da Premier League).

As mudanças drásticas pelas quais o futebol inglês passou não atingiram Ferguson, que jamais mereceu o rótulo de ultrapassado. Ainda que faça escolhas questionáveis, como relegar Rooney ao banco no jogo da eliminação na Champions League, e mude demais o time durante a temporada, o manager sempre se atualizou como estrategista e manteve total controle sobre o vestiário. Em Old Trafford, ninguém pode ser ou sentir-se maior do que SAF.

O amor recíproco entre Mourinho e Chelsea: que seja infinito enquanto dure

Ferguson é a combinação perfeita entre sagacidade, liderança e imposição de respeito a adversários e arbitragens. Avesso à palavra “aposentadoria” e no comando de um clube que fecha um contrato milionário atrás do outro, ele está na posição ideal para seguir dominando o futebol inglês. A questão é: quem pode minimizar o sucesso do United nos próximos anos?

As respostas mais óbvias são Manchester City e Chelsea, mas o dinheiro precisa ser associado a decisões certas. Para muita gente, os lampejos do City no fim da temporada, como a vitória sobre o United em Old Trafford, justificam um voto de confiança a Roberto Mancini. Outra interpretação é de que o técnico italiano fracassou por não tirar o melhor do time de maneira consistente. O fato é que, apesar do provável título na FA Cup, a temporada é fraca e reflexo de um trabalho confuso, que incluiu contratações que não acrescentaram nada ao elenco.

No caso do Chelsea, a esperança está totalmente depositada no iminente retorno de José Mourinho. A volta do português seria ótima para o clube e para a liga, mas vale lembrar que ele e Roman Abramovich não são propensos a longas parcerias – o período de Mourinho nos Blues (2004-2007) é o máximo que ele permaneceu num clube e também o trabalho mais longo de um treinador sob o comando do russo. Na Premier League, o pós-Mourinho foi decepcionante, com um título e vários anos longe do United.

Entretanto, a conversa não precisa ficar restrita a Manchester City e Chelsea. O notável exemplo do Borussia Dortmund, bicampeão alemão (2011 e 2012) e finalista da atual edição da Champions League, mostra que investimento descomunal não é o único caminho para tornar-se uma potência, embora ele facilite e acelere esse processo. Mas isso é assunto para outro artigo, em breve.

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quarta-feira, 12 de dezembro de 2012 Chelsea | 15:48

O Mundial do Chelsea

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Campeão mundial e logo depois demitido pela Inter, Benítez tenta repetir no Chelsea a primeira parte dessa história

O Mundial de Clubes interrompe a temporada doméstica do Chelsea logo no mês mais relevante do calendário inglês. Entre 1º de dezembro e 1º de janeiro, a Premier League tem sete rodadas programadas. Associada ao baixo nível técnico da maioria dos participantes, a “inconveniência” do torneio faz a crítica britânica tratá-lo com certo desdém.

Até pela concentração de jogos às vésperas da viagem ao Japão, era natural que o Chelsea não antecipasse a discussão sobre o Mundial, como o Corinthians faz há meses. Também não existe obsessão (não confundir com interesse, vontade) em conquistar um torneio que, tal qual a Copa das Confederações no âmbito de seleções, não serve para medir o real patamar de um clube. Dizer que o Mazembe foi a segunda melhor equipe de 2010 equivale a afirmar que o Taiti (que vem ao Brasil para a Copa das Confederações) está entre as oito grandes seleções do mundo. É desonestidade intelectual.

Ainda assim, o Monterrey não deve enfrentar um Chelsea desinteressado amanhã. Após atuações sonolentas nos três primeiros jogos sob o comando de Rafa Benítez, contra Manchester City, Fulham e West Ham, as vitórias sobre Nordsjaelland e Sunderland mostraram sinais de que o time está se adaptando a um estilo mais direto, com transição rápida da defesa ao ataque. Os jogos no Japão devem ser aproveitados também para que a equipe amadureça nesse aspecto e retorne mais competitiva à Inglaterra, como se o torneio fosse uma intertemporada.

Existem ainda as motivações individuais. Em corrida contra o tempo para satisfazer Roman Abramovich antes do mercado de inverno, Fernando Torres deve abordar o Mundial como uma chance de embalar sua melhor sequência de gols pelo Chelsea – foram quatro nas últimas duas partidas. Azpilicueta, Ivanovic e Cahill lutam por lugares numa defesa que, sem Terry, ainda não tem contornos definitivos para Benítez. Com Romeu fora da temporada, também é importante dar ritmo a Lampard, que retornou de lesão contra o Sunderland. No fim das contas, o Mundial não é assim tão inconveniente.

Além dos argumentos mais pragmáticos, há ainda o caráter inédito do torneio para o Chelsea e os jogadores, aquela rara oportunidade de ser proclamado “campeão mundial”. Não apenas os brasileiros do elenco entendem e valorizam isso. Pelo menos no discurso, todos os entrevistados tentaram passar a mensagem de que a ocasião é, sim, muito relevante para eles e para o clube.

Juan Mata resumiu bem. “Há muitos grandes jogadores que nunca tiveram a chance de participar desse torneio. Agora, por conta do nosso título na Champions League, teremos essa oportunidade e não queremos desperdiçá-la. Você nunca sabe quando jogará a competição de novo!”, escreveu o melhor jogador do Chelsea nas últimas semanas.

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segunda-feira, 10 de dezembro de 2012 Premier League | 12:53

Conclusões da rodada (XVI)

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Consulte os resultados da 16ª rodada da Premier League (Fulham e Newcastle se enfrentam hoje). O blog repercute alguns pontos:

"He scores when he wants"

Eficiência do ataque torna o United favorito ao título. O Manchester United teve atuação à Fluminense para superar o City no Etihad. Suportou a pressão, explorou a velocidade pelos flancos e foi clínico nos contra-ataques. Joe Hart, que sofreu três gols, não fez sequer uma defesa. Se Rooney e van Persie mantiverem esse nível, o United não precisa dominar os adversários – não os ingleses, ao menos – para vencê-los. O ataque compensa a fragilidade da defesa (que se comportou bem melhor ontem) e, mesmo quando o meio-campo não controla os jogos, decide por conta própria. Quem não se lembra da sonolenta vitória sobre o Braga por 3 a 1, em Portugal, pela Champions League? Quando finalmente acelerou o ritmo, o United marcou três gols (Rooney, van Persie e Hernández) nos dez minutos finais.

Phil Neville pode perder espaço no Everton. A lesão de Phil Neville, ainda sem data definida para o retorno, abriu caminho entre os titulares do Everton para Darron Gibson, que também estava no departamento médico até três semanas atrás. O ex-meia do Manchester United foi excelente na vitória por 2 a 1 sobre o Tottenham. David Moyes não deve dispensar a visão de jogo de Gibson e a eficaz parceria entre ele e Osman. Mesmo com a chancela da faixa de capitão, Neville pode perder a posição no meio-campo e precisar disputar a lateral direita com Coleman, que também vive boa fase. Quando tem Coleman, Baines, Mirallas, Osman, Gibson, Pienaar, Fellaini e Jelavic reunidos, o Everton é implacável em Goodison Park. Foram 20 finalizações do agora quarto colocado contra o Tottenham.

Shelvey é um bom “falso 9”. Um dos destaques da vitória do Liverpool sobre o West Ham foi Jonjo Shelvey, sacrificado como centroavante na ausência de Luis Suárez. Ele não marcou, mas incomodou demais a defesa do West Ham e participou dos dois gols que viraram o jogo para os Reds. Na bela jogada que gerou o gol de Joe Cole, por exemplo, juntou-se ao meio-campo para tabelar com Sterling. Ele faz muito bem esse movimento de saída da área, que costuma confundir a marcação, atrair um zagueiro adversário e abrir espaço para a infiltração de um meio-campista. Já havia mostrado essa virtude contra o Young Boys, pela Liga Europa, quando exerceu a mesma função. Além disso, tem ótima presença física e não se intimida diante de zagueiros como James Collins, que, atrapalhado por Shelvey, marcou o gol contra que decidiu a partida.

Benítez não é um caso perdido no Chelsea. Está certo que foi contra um Sunderland à deriva, mas a atuação do Chelsea no sábado deu os primeiros sinais de que Rafa Benítez pode sobreviver nesta temporada. Com uma transição mais rápida da defesa ao ataque (e isso explica a presença de Moses entre os titulares) e pontas mais retraídos, para acompanhar os laterais adversários, o Chelsea começa a parecer um time montado pelo espanhol. Até Fernando Torres funcionou. O atacante que não marcava na Premier League havia mais de 12 horas agora tem quatro gols nos últimos dois jogos por todas as competições.

O Southampton tem uma defesa. Derrubando drasticamente a média de gols sofridos, o Norwich escalou a tabela até a 12ª posição. O Southampton tenta fazer o mesmo. A vitória por 1 a 0 sobre o Reading foi a terceira em cinco partidas. A defesa de Nigel Adkins era uma tragédia nas dez primeiras rodadas, nas quais levou 28 gols. Nas últimas seis, porém, foram apenas quatro gols sofridos. Além dos ajustes coletivos, Adkins trocou o goleiro (o jovem argentino Paulo Gazzaniga* roubou a posição de Kelvin Davis), promoveu o promissor Luke Shaw, de 17 anos, a titular da lateral esquerda e deu sequência a Jack Cork, que estabilizou o meio-campo dos Saints.

*Gazzaniga não atuou na vitória sobre o Reading por conta de uma lesão no ombro.

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quarta-feira, 5 de dezembro de 2012 Copas Europeias, Debates | 23:59

Europa menos inglesa

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McKayla não está impressionada pelo desempenho inglês na Champions League

Até 1997, a Champions League era disputada apenas por campeões nacionais. Assim, o único representante inglês em 1995-96 foi o Blackburn, que havia conquistado a Premier League na temporada anterior. Foi um desastre. No grupo de Rosenborg, Legia Varsóvia e Spartak Moscou, os Rovers perderam quatro partidas, empataram uma e derrotaram o Rosenborg na última rodada, quando já estavam eliminados. Aquela ficou marcada como a pior campanha inglesa na história da Champions.

O recorde negativo do Blackburn sobreviveu a 16 temporadas. Agora ele é do Manchester City, que encerrou sua participação no Grupo D com deprimentes três pontos. Sistematicamente, empatou os jogos em casa e foi derrotado em todas as visitas, a Real Madrid, Ajax e Dortmund. Roberto Mancini, porém, afirmou que não está envergonhado. Há um mês, quando o cenário já indicava eliminação na primeira fase, o técnico italiano foi intelectualmente desonesto para justificar o fracasso continental.

É assustador que Mancini considere naturais esses vexames. Em menos de dois anos, além das duas eliminações na fase de grupos da Champions, seu time caiu diante de Dynamo Kiev e Sporting na Europa League. Desta vez, apesar da escalação respeitável utilizada ontem, contra o Dortmund, a atitude relapsa dos jogadores passou a impressão de que ninguém ali queria garantir a terceira posição na chave e o direito (interpretado por Mancini como dever) de jogar a Europa League. Com a derrota na Alemanha, a vaga ficou com o Ajax.

Fracasso chama fracasso. Afastado da Europa, o City não melhora seu coeficiente na UEFA, e a tendência é que seja novamente castigado por um grupo difícil na próxima Champions. Entretanto, o exemplo do atual campeão inglês pode não ser o único. É evidente que as campanhas do Manchester City têm sido particularmente desastrosas, mas outros clubes do país também precisam refletir sobre seu desempenho em competições europeias.

Não existe mais aquele domínio de 2007-08, quando Manchester United, Chelsea, Liverpool e um pálido Barcelona foram semifinalistas da Champions. Em 2009-10, não houve ingleses nas semifinais. Nas últimas duas temporadas, apenas dois avançaram à segunda fase – Chelsea e Arsenal em 2011-12 e Manchester United e Arsenal em 2012-13. A eliminação do Chelsea nesta edição é incontestável, pois Juventus e Shakhtar foram simplesmente melhores.

Outplayed by Dortmund, Napoli, Athletic…
A imprensa inglesa adora a expressão outplayed by, que, nesse contexto, significa dominado por. Ela tem sido bastante utilizada para descrever partidas em que times ingleses foram dominados por estrangeiros, não necessariamente no placar, mas sobretudo no volume de jogo. Em 2012-13, o Dortmund controlou o Manchester City nos dois jogos. Shakhtar e Juventus deram aulas ao Chelsea. Na temporada passada, o City foi vítima do Napoli. Mesmo campeão, o Chelsea não foi soberano em nenhuma das eliminatórias, contra Napoli, Benfica, Barcelona e Bayern. O Arsenal sofreu 4 a 0 do Milan na Itália. O Manchester United sucumbiu ao Athletic Bilbao na Europa League.

Não há qualquer indício de enfraquecimento da liga inglesa, que ainda pode ser considerada a melhor do mundo em vários aspectos. No entanto, não se justifica esse sentimento de soberba que os clubes ingleses parecem alimentar. O calendário doméstico desgastante, o choque com outros estilos (os três zagueiros de Napoli e Juventus, o futebol total do Athletic, a postura implacável do Dortmund…) e às vezes a falta de repertório dos treinadores têm atrapalhado as campanhas na Europa. Até a segunda posição no ranking da UEFA já é ameaçada pela Alemanha. Não há que se falar em nova Itália, mas é preciso abrir os olhos.

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quinta-feira, 22 de novembro de 2012 Chelsea | 13:57

Benítez, interino

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Benítez derrubou Juventus, Chelsea e Milan na Champions League em 2005

Ainda que tenha assinado um contrato de 18 meses, como garante Tony Barrett (Times), Rafa Benítez foi oficialmente anunciado como “treinador interino” do Chelsea. Ou Roman Abramovich tentou expressar seu desejo de contar em breve com Pep Guardiola, ou finalmente admitiu que a interinidade é uma condição inerente a qualquer técnico dos Blues.

Afastado do futebol há dois anos, desde que foi dispensado pela Internazionale, o novo treinador enfrenta resistência dos torcedores. É impossível ignorar as várias batalhas contra o Liverpool, especialmente intensas entre 2005 e 2009, quando Benítez trabalhava em Anfield e encontrou o Chelsea dez vezes na Champions League. A desconfiança passa também pelo melancólico último ano do espanhol na Inglaterra e as contratações questionáveis enquanto manager do Liverpool.

Entretanto, ele é inegavelmente vencedor. Ninguém ganha por acaso duas ligas nacionais com o Valencia e uma Champions League com uma versão limitada do Liverpool. Benítez perdeu apenas dois dos 38 jogos da Premier League em 2008-09. Em seis anos de Anfield, Rafa virou ídolo dos torcedores porque tornou o time competitivo em qualquer cenário, como na semana em que venceu Real Madrid por 4 a 0 e Manchester United por 4 a 1, em março de 2009.

O Chelsea de Benítez deve ser mais consistente

Benítez faz radiografias de seus adversários, estuda-os detalhadamente antes de cada partida, característica que o torna tão eficiente em copas, sobretudo as europeias. O sistema do Chelsea não deve mudar, pois Rafa é um adepto convicto do 4-2-3-1. No entanto, a depender do oponente, a estratégia será diferente. É possível, por exemplo, que um dos armadores dê lugar a Ramires na linha dos meias, por conta do péssimo momento defensivo do Chelsea e da predileção do espanhol por equipes mais consistentes.

E Fernando Torres? Há quem interprete a aposta em Benítez como uma espécie de cartada final para que o centroavante se recupere. Até pela falta de alternativas confiáveis, é provável que Rafa dê nova chance a Torres, de quem ele extraiu o máximo durante sua passagem pelo Liverpool. Contudo, a crise do ex-artilheiro engloba vários aspectos: é física, técnica e de confiança. Assim, Benítez precisa incluir um atacante (além de um ou mais volantes para aprimorar o 4-2-3-1) em sua lista de compras para o mercado de janeiro.

Aliás, as futuras aventuras de Benítez no mercado realmente preocupam os torcedores. Mas, apesar dos inúmeros flops (N’Gog, Babel, Morientes, González, Keane, Aquilani e por aí vai), ele ainda é o técnico que contratou Skrtel, Agger, Mascherano, Alonso, Torres, Suso e Sterling. E também não sabemos até que ponto Abramovich lhe dará autonomia para tomar decisões estratégicas. De qualquer maneira, para aceitar ser chamado de “interino”, Rafa certamente estava muito determinado em retornar à Inglaterra. A rejeição da torcida, a excentricidade do proprietário, o vestiário e o passado tornam o desafio ingrato. Motivado, Benítez tem capacidade para enfrentá-lo.

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terça-feira, 20 de novembro de 2012 Chelsea | 22:22

Panetone ameaçado

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Ontem à noite, eu conversava com uma amiga no Twitter: “Di Matteo ganha o panetone?*”, ela me perguntou. Respondi que sim, sem tanta convicção. Hoje, minha resposta seria ainda menos convicta. A derrota incontestável para a Juventus em Turim deixa o Chelsea em apuros na Champions League. Além de superar o Nordsjaelland na última rodada, o atual campeão precisa de uma vitória do Shakhtar sobre a Juve para avançar às oitavas de final. Caso contrário, será o primeiro defensor de título eliminado na fase de grupos da Champions.

À beira do fracasso na Europa, o Chelsea falha também na Premier League. Sem vencer há quatro partidas, o time de Roberto Di Matteo caiu para a terceira posição. Na próxima rodada, quando o Manchester City visitar Stamford Bridge, repare como a transmissão deve cortar várias vezes para Di Matteo e, em seguida, Roman Abramovich, esparramado no camarote. Mas foi a derrota para a Juventus que expôs, em menos de duas horas, todos os problemas de uma temporada mal planejada.

RDM e sua expressão indecifrável

Di Matteo desistiu de Torres, inventou Hazard como centroavante e abriu o lateral Azpilicueta à direita, na linha de três meias. Para quem gastou £75 milhões no verão, é inacreditável que não haja sequer uma alternativa confiável a um atacante que não marca gols regularmente há mais de dois anos. Em Turim, o Chelsea contra-atacava, especialmente com Oscar, e não finalizava com precisão. Hazard e Mata tentaram, mas a bola parecia procurar os pés ausentes e agora chineses de Didier Drogba.

Outro erro imperdoável do mercado foi a negligência com a proteção à defesa. Mikel, Romeu, Lampard e Ramires (estes dois adaptados a funções mais defensivas) são os únicos “volantes” do elenco. Na temporada passada, Mikel funcionou enquanto a equipe era um exército de defensores, mas sofreu entre agosto e março, quando André Villas-Boas deixava o time mais exposto. Sem catenaccio, a defesa de Di Matteo é uma peneira em 2012-13: levou nove gols em cinco jogos na Champions. Não faltam torcedores saudosos de Claude Makelele.

Não há mais Drogba e Makelele, nem quem possa substituí-los. Entre o título da Champions e o anúncio de Di Matteo como treinador permanente do Chelsea, houve um intervalo de dois meses. É inevitável a impressão de que Abramovich conduziu o mercado do Chelsea a seu bel-prazer, simplesmente para tornar o time mais “agradável”. É por isso que ele não deveria, mas pode demitir Di Matteo. Você duvida?

*Expressão que indica a permanência de um treinador no cargo até o fim do ano

Atualização, às 9h10 de quarta-feira. Di Matteo foi demitido após a derrota para a Juventus. Até para Abramovich, cedo demais.

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segunda-feira, 29 de outubro de 2012 Debates | 12:56

Basta

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Brasil, 27 de outubro.
Em Internacional 2 x 1 Palmeiras, a anulação do gol marcado por Hernán Barcos com a mão, através de uma suposta interferência externa, provocou duas reações. A primeira é de que, mesmo com um possível deslize que contraria a regra do jogo, valeu a pena impedir que a malandragem do atacante argentino se transformasse no gol de empate do Palmeiras, ou seja, evitou-se um equívoco maior, grosseiro. A outra diz respeito à revolta do time “prejudicado”, acostumado aos erros porque a arbitragem não pode recorrer a recursos eletrônicos. O resultado é um cenário caótico, em que o clube cogita solicitar a impugnação da partida porque um gol marcado com a mão não foi validado. Na Inglaterra, a necessidade de admitir a tecnologia no futebol se manifestou de uma maneira diferente:

Inglaterra, 27 e 28 de outubro.
Não houve interferência externa na nona rodada da Premier League. Decisões equivocadas, que distorceram resultados, foram tomadas e mantidas. Em Arsenal 1 x 0 QPR, Arteta estava em posição de impedimento quando marcou. Neste caso, ao menos, a arbitragem seguiu a recomendação de não interferir caso não tenha convicção de que houve irregularidade. Pior foi a atuação do assistente em Everton 2 x 2 Liverpool. No acréscimo do segundo tempo, Suárez estava apto, mas teve o gol anulado.

Em Chelsea 2 x 3 Manchester United, confronto que pode ter sido fundamental para o campeonato, a arbitragem de Mark Clattenburg foi um show de horrores – não que isso seja novidade. Clattenburg, que comete erros para todos os lados em escala industrial, assumiu a posição de protagonista quando expulsou Torres, mostrando-lhe o segundo cartão amarelo. Derrubado por Evans, o espanhol foi acusado de simular a falta. O Chelsea foi reduzido a nove jogadores (Ivanovic havia sido corretamente expulso) e ainda viu Hernández marcar o gol decisivo em posição de impedimento.

Clattenburg, protagonista

Ninguém precisa, sem provas ou indícios, acusar a Football Association de corrupção. Por mais que sejam suspeitos em certas circunstâncias, erros simplesmente acontecem. A FA tem a obrigação de cuidar da qualidade de seus árbitros e marginalizar aqueles que cometem equívocos com mais frequência. Clattenburg, por exemplo. No entanto, a decisão definitiva não vai partir de uma associação nacional.

Como as arbitragens imprecisas são um fenômeno mundial, o problema mais grave passa a ser da FIFA. Este fim de semana foi trágico para quem acompanha futebol e espera que árbitros sejam meros mediadores, com jogos decididos por jogadores. Mas ele pode ser também um marco. Quando, eventualmente, a FIFA deixar a idade da pedra e liberar recursos eletrônicos (a introdução de um chip na bola, novidade do Mundial de Clubes, resolve uma parte mínima da questão) que possam auxiliar na tomada de decisões, todos vão se lembrar de 27 e 28 de outubro, os dias em que a postura jurássica de Sepp Blatter e seus camaradas foi exposta de todas as formas.

Clattenburg ainda é acusado de insultos racistas a Obi Mikel, do Chelsea

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sábado, 27 de outubro de 2012 Chelsea, Everton, Liverpool, Man Utd | 20:05

Azul e vermelho

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Quis a tabela da Premier League que nosso domingo eleitoral fosse repleto de grandes jogos na Inglaterra. São quatro partidas marcadas para amanhã, com direito a clássico de Liverpool e um confronto direto pelo título. O blog prevê os dois embates:

Everton x Liverpool, às 11h30 (BSB).
O confronto impõe aos clubes de Merseyside um cenário bem diferente em relação aos últimos anos. Enquanto este Everton, quarto colocado antes do início da rodada, tem potencial para ser o melhor da era David Moyes (desde 2002), o Liverpool passa por uma temporada de transição, na qual rompe com o “britanismo” de Kenny Dalglish e oferece papéis importantes a garotos. Amanhã, por exemplo, os teenagers Wisdom, Suso e Sterling, que ainda disputavam campeonatos de base no primeiro semestre, podem ser titulares.

Em circunstâncias normais, até pelas ótimas atuações recentes em casa, o Everton seria favorito. Mas a suspensão de Pienaar, que, assim como Mirallas, tem sido fundamental para abastecer os atacantes, deve equilibrar o confronto. O segredo para desestabilizar a defesa do Liverpool, bem mais segura nos últimos jogos, pode ser o apoio de Baines, uma vez que Suso (habitualmente escalado na ponta direita por Brendan Rodgers) tende a centralizar e não vai incomodá-lo tanto. O jogador-chave do Liverpool é Sterling. Qualquer que seja seu marcador (Hibbert ou Coleman), ele é favorito no one-on-one.

Chelsea x Manchester United, às 14h.
É o primeiro encontro entre verdadeiros candidatos ao título. A desvantagem de quatro pontos em relação a seu adversário deixa o United com a obrigação de não perder em Stamford Bridge. Por outro lado, é a oportunidade do Chelsea de preparar o terreno para uma sequência que pode não parecer, mas certamente é bem complicada: Swansea (fora), Liverpool (casa), WBA (f) e Manchester City (c).

Taticamente, a questão fundamental é a possibilidade de Alex Ferguson apostar outra vez na formação “diamante”, que deu tão certo contra o Newcastle, em St. James’ Park, há três semanas. Particularmente em Stamford Bridge, faz sentido o meio-campo em losango (como aparece no campinho ao lado), pois as chances contra o Chelsea passam por tirar a bola dele (o que aconteceu nos primeiros minutos diante do Newcastle) e congestionar as posições centrais, obrigando o deslocamento dos armadores às laterais do campo. No Chelsea, é interessante notar que Lampard e Terry, lesionado e suspenso, não fazem tanta falta quanto em outros tempos.

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quarta-feira, 24 de outubro de 2012 Chelsea, Copas Europeias | 11:41

Tic-tac

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Torres ganha um título atrás do outro e até marca gols, mas simplesmente não convence

A merecida derrota para o Shakhtar Donetsk deixa o Chelsea sob pressão na Champions League. Diante da campanha impecável dos ucranianos, o atual campeão europeu está obrigado a superar a Juventus – e ainda há confronto direto em Turim – para evitar o vexame de uma eliminação na primeira fase. O fato é que, com apenas uma vitória em quatro partidas continentais, a equipe de Roberto Di Matteo não reproduz na Europa as boas atuações domésticas. Único centroavante puro do elenco, Fernando Torres não marcou gol na Supercopa e na Champions e tem sido responsabilizado pelo pobre desempenho.

O Torres de 2012-13 pode ser interpretado de formas distintas. Os seis gols em 13 jogos sugerem que ele evoluiu, mas a prática desmente. Até a temporada passada, de alguma maneira, era possível rebater os números, argumentando que sua movimentação contribuía bastante, o estilo de jogo não o favorecia, ou mesmo que a sombra de Drogba o travava. Mas esses fatores não existem mais.

Contra o Shakhtar, por exemplo, Torres matou uma série de jogadas do Chelsea, até esgotar a paciência do treinador e ser trocado por Sturridge. Aliás, Sturridge é quem mais se aproxima de uma alternativa ao espanhol no elenco, pois Di Matteo perdeu Drogba, emprestou Lukaku e não repôs as saídas. Em síntese, intencionalmente ou não, fez tudo para que Torres se sentisse confortável. Ainda contratou Hazard e Oscar e montou um trio de armadores para abastecê-lo. O número de gols aumentou, assim como a sensação de que ele destoa da equipe.

Frequentemente incapaz de manter a bola sob controle, Torres tem até janeiro para eliminar sua crise de confiança. Parece claro que, com o mercado de inverno batendo à porta, o Chelsea planeja contratar alguém que acompanhe o ritmo dos armadores e defina melhor os lances de ataque – não necessariamente Falcao García. Pode ser uma questão de sobrevivência na temporada. O tempo está acabando para o atacante de £50 milhões e 0,22 gol por partida.

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segunda-feira, 22 de outubro de 2012 Premier League | 11:49

Conclusões da rodada (VIII)

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Veja aqui os resultados da oitava rodada da Premier League. O blog discute alguns pontos:

Nada substitui o talento. Slogan de um prêmio de publicidade, a afirmação é também o lema de Roberto Di Matteo nesta temporada. Quando o Chelsea perdia por 2 a 1 para o Tottenham, dominante no segundo tempo, entraram em ação os três armadores dos Blues. A sagaz movimentação e a categoria de Mata, Oscar e Hazard transformaram a partida em White Hart Lane e deram ao Chelsea sua segunda vitória consecutiva no norte de Londres – derrotou o Arsenal há três rodadas. Em algum momento, é possível que a equipe acuse dificuldade para segurar um adversário agressivo (a inesperada ausência de Bale pesou demais para o Tottenham) ou mesmo falta de profundidade (por isso, Moses foi contratado). Mas, por enquanto, o 4-2-3-1 com três meias puros é um sucesso.

Sahin e Gerrard podem trocar posições. O Liverpool venceu o Reading em Anfield por 1 a 0, mas jogou melhor quando empatou com o Manchester City e perdeu para o Manchester United no mesmo estádio. Um ponto interessante é o posicionamento de Sahin e Gerrard. Enquanto o capitão é volante, ao lado de Allen, o turco atua adiantado, próximo a Suárez. Considerando todas as competições, Sahin tem ótimos três gols e quatro assistências pelo Liverpool. No entanto, à exceção da partida contra o Norwich, quando o time teve espaço para contra-atacar, ele ainda não esteve bem na Premier League – sábado, foi substituído por Shelvey. A impressão é de que Sahin tem de enxergar e organizar o jogo para render mais, como no Dortmund.

Arsenal: ainda sujeito a apagões. O que foi a atuação do Arsenal contra o Norwich? Provavelmente, uma das piores apresentações na era Wenger, equiparável àquelas do início da temporada passada. O único ponto positivo foi a onipresença de Cazorla no primeiro tempo. No segundo, até ele caiu. Entre tantas outras, a maior decepção fica por conta de Giroud, que havia marcado dois gols importantes nas últimas semanas: seu primeiro pelo Arsenal na Premier League e o de empate da França contra a Espanha. Era para ganhar confiança, mas a participação dele no Carrow Road foi um show de horrores. O Arsenal precisa que Giroud se encontre rapidamente.

Cissé e Ba: pontas de uma gangorra

Senegaleses precisam coexistir no Newcastle. Desde que Papiss Cissé foi contratado pelo Newcastle, em janeiro, ele e Demba Ba nunca estiveram bem ao mesmo tempo. Enquanto Cissé marcou 12 vezes, Ba (deslocado à ponta esquerda) comemorou apenas um gol entre a Copa Africana de Nações e o fim da temporada passada. Em 2012-13, Ba tem seis gols na liga, contra nenhum de seu compatriota. A fase de Cissé é tão ruim, que ele foi reserva de Shola Ameobi no dérbi contra o Sunderland. Alan Pardew até tem tentado formar o time no 4-4-2, para mantê-los perto do gol, mas a dupla de ataque letal que se imaginava depende também de os senegaleses estarem simultaneamente calibrados.

A salvação do QPR passa por Granero e Hoilett. O QPR perdeu a chance de ganhar pela primeira vez no campeonato (empatou com o Everton em casa), mas dá sinais de que pode se recuperar. E isso passa, necessariamente, por Granero e Hoilett. O espanhol toma conta do meio-campo, com a mesma capacidade de organização que mostrou pelo Getafe e fez o Real Madrid recontratá-lo, há três anos. O canadense, autor do gol do QPR ontem, quebrou a defesa do Everton em vários momentos. Ele é rápido, driblador, capaz de marcar gols e dar assistências. Foi um oásis no Blackburn na temporada passada e não pode ser reserva de ninguém em Loftus Road, como aconteceu nas primeiras rodadas.

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