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sábado, 18 de maio de 2013 Liverpool | 16:04

A temporada possível

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Rodgers sempre menciona as tradições e os valores do Liverpool. Mais do que um clube de futebol, é um modo de vida, diz

A temporada do Liverpool foi ruim ou boa, dependendo de quem a interpreta. Na perspectiva mais pessimista, o clube subiu apenas uma posição em relação a 2011-12 – de 8º a 7º na Premier League – e fracassou de maneira retumbante nas copas. Os otimistas podem buscar números menos importantes, mas que ajudam a traçar o novo perfil do time. Por exemplo, o saldo positivo de 27 gols, inferior apenas aos dos quatro primeiros colocados da liga, ou os 38 gols marcados fora de casa, um recorde neste campeonato.

O Liverpool, que encerra sua campanha contra o Queens Park Rangers amanhã em Anfield, perdeu nove partidas na liga, seis nas últimas 32 rodadas. Nada impressionante, mas indica um time menos frágil e previsível que o da temporada passada, derrotado 14 vezes no campeonato porque sangrava para marcar gols – foram 47 contra 70 (mais os que provavelmente serão marcados diante do QPR) de 2012-13.

Entretanto, números não definem precisamente a temporada do Liverpool, sobretudo porque o Fenway Sports Group, administrador do clube, escolheu a mudança no verão passado. Quando demitiu Kenny Dalglish, entregou o time a Brendan Rodgers e recusou-se a reforçar o elenco com jogadores para curto prazo (Clint Dempsey foi um exemplo), mesmo que isso tenha limitado demais as alternativas do treinador, o FSG bancou um projeto e desistiu da temporada.

O ano seria apenas um intervalo de tempo no qual Rodgers desenvolveria uma ideia de ruptura com o britanismo de Kenny Dalglish, ajustaria o elenco e tentaria provar, com alguns resultados e jogos marcantes, que está no caminho certo. Admitindo isso, Rodgers fez bom ano de estreia, com o bônus de ter desenvolvido garotos da base como Suso, Sterling e Wisdom e ainda recuperado jogadores que pareciam casos perdidos.

Henderson fez grande segunda metade de temporada, após um péssimo 2011-12, e Downing trabalhou até virar titular, ainda que deva perder a posição a partir de agosto, com novos reforços. Além deles, um Gerrard praticamente livre de problemas físicos se redescobriu como uma espécie de deep-lyng playmaker, trabalhando mais na organização do time do que na finalização de jogadas.

A falta de criatividade no primeiro mercado de transferências de Rodgers, que contratou os antigos conhecidos Allen e Borini, foi compensada pela sagacidade na janela de inverno, quando o Liverpool começou a resolver problemas de fato. As capturas de Sturridge e Coutinho em janeiro não foram golpes de sorte, mas a confirmação de que, com tempo para avaliar o próprio elenco, Rodgers sabia exatamente o que estava fazendo e de que tipo de jogador precisava.

Entrevistas de diretores e do próprio Rodgers indicam que o próximo mercado seguirá o mesmo modelo. A ideia é contratar jogadores jovens, talentosos, ainda não tratados como fenômenos (por isso mais baratos) e que possam se desenvolver no clube. Tudo sem preconceitos ou clichês.

Sturridge, que teve algumas atuações espetaculares, mostrou que nem todo inglês contratado pelo Liverpool é superestimado. A nacionalidade nada tem a ver com seu talento, mal explorado pelo Chelsea. Outro grande exemplo é Philippe Coutinho, incrível durante o empréstimo ao Espanyol, subavaliado pela Internazionale, que cometeu um enorme equívoco ao vendê-lo por apenas £8,5 milhões, e considerado precipitadamente uma promessa frustrada – ele tem só 20 anos! O brasileiro é o melhor jogador do Liverpool desde que foi contratado.

Ídolo precoce, Coutinho já virou até peça de Lego

No próximo verão, seguindo a lógica de contratar para setores carentes, o Liverpool deve acrescentar ao elenco um zagueiro para substituir Carragher, que está se aposentando, um lateral-esquerdo para competir com José Enrique, um meia versátil e criativo (outro Coutinho) e um winger mais eficiente do que Downing. Manter Suárez é parte importante do projeto, mas uma eventual saída não é o apocalipse, desde que haja reinvestimento. Nas vitórias enfáticas sobre Newcastle (6 x 0) e Fulham (3 x 1), o Liverpool provou que a ausência de seu melhor jogador não pesa tanto quanto há cinco meses.

Sagaz no mercado, Rodgers também evoluiu do ponto de vista tático. No início da temporada, ele vivia falando em “matar (adversários) pela posse de bola”. Contudo, para se tornar menos previsível, o Liverpool incorporou outros estilos a seu jogo de controle e marcação adiantada. Contra Newcastle e Fulham, média de apenas 49% de posse de bola e vários gols marcados em transições rápidas, aproveitando a criatividade de Coutinho e a velocidade de Sturridge.

O principal obstáculo a Rodgers será a exigência natural de resultados, que aumenta à medida que a mudança de patamar se confirma. Em 2012-13, a avaliação não passará somente pela “sensação de progresso”, mas também pelo “progresso de fato”, aquele dos números e objetivos alcançados. Não se trata de atrelar a manutenção do emprego do norte-irlandês à classificação para a Champions League 2014-15, porém o Liverpool tem de flertar com os 70 pontos.

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quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013 Debates | 21:32

A lenda do mercado interno

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O mercado interno inglês costuma punir severamente quem comete erros de avaliação. Quando, em vez de observar outras ligas, um clube se rende ao comodismo de contratar um jogador consolidado na Premier League, o preço é geralmente inflacionado, o que gera expectativa e obrigação de retorno imediato. Entre outros fatores, isso acontece por conta de um consenso enganoso: se alguém dá certo em determinado time, necessariamente manterá o nível em outra equipe da mesma liga, pois está habituado ao futebol daquele país. É como se não houvesse risco de fracasso.

Há pouco mais de dois anos, o Liverpool vendeu Fernando Torres ao Chelsea por £50 milhões, entrou em pânico e, no mesmo dia, reinvestiu £35 milhões em Andy Carroll. Esse é o caso mais conhecido de supervalorização, mas existem outros. Entre 2009 e 2011, o Aston Villa vendeu um meio-campo completo – Downing, Barry, Milner e Young – por cerca de £80 milhões. O mesmo Villa que, em janeiro de 2011, pagou £24 milhões por Darren Bent, hoje reserva no time de garotos de Paul Lambert. Nenhum desses jogadores é exatamente um sucesso após a transferência.

Falta a muitos clubes bom senso na hora de definir os alvos. Por exemplo, Milner foi aclamado pela crítica quando, ainda no Aston Villa, passou a atuar como meia central para suprir a ausência de Barry. Repentinamente, um winger mediano se transformou em alguém comparável a Steven Gerrard e atraiu o interesse de outros clubes. No Manchester City, que pagou por ele £20 milhões e ainda cedeu Ireland ao Villa, Milner raramente foi utilizado na faixa central, voltou a ser o winger mediano e fez a transferência parecer um péssimo negócio.

Mesmo para quem está acostumado ao futebol inglês, existem circunstâncias que impactam o desempenho do jogador. Personagens da triangulação de 2011 entre Chelsea, Liverpool e Newcastle, Torres e Carroll têm sido constrangedores. Enquanto o caso do espanhol parece envolver aspectos físicos e psicológicos, o do inglês é um pouco mais claro. Em St. James’ Park, beneficiado pelas bolas longas e a precisão de Joey Barton, Carroll tinha enorme influência sobre os jogos, com gols e assistências de cabeça. O centroavante emprestado ao West Ham é refém de um modelo de jogo e precisa, necessariamente, de um bom provedor de bolas altas.

No Liverpool, até a dança de Sturridge é mais natural (mentira)

Dois anos depois, outra triangulação entre Chelsea, Liverpool e Newcastle ajuda a sustentar a tese (óbvia) de que certos jogadores rendem mais em certos contextos. O Chelsea fez uma “troca” muito celebrada: vendeu Daniel Sturridge ao Liverpool por £12 milhões e ativou a cláusula de rescisão de Demba Ba no Newcastle, de £7 milhões. Com £5 milhões de lucro, era o negócio do ano.

Era mesmo? Sturridge, que nada produzia em Stamford Bridge desde a saída de André Villas-Boas, tem 23 anos, talento comprovado (embora mal explorado no Chelsea) e já é fundamental em Anfield – a parceria entre ele e Suárez virou quase um requisito para o Liverpool ganhar jogos. O ataque flexível de Brendan Rodgers beneficia Sturridge, que troca de posição a toda hora e abusa do drible e da velocidade. No Chelsea, Ba reveza com Torres e está bem longe de reeditar as atuações do Newcastle.

Clint Dempsey foi excelente no Fulham e tem sido apenas razoável no Tottenham. Samir Nasri terminou bem no Arsenal e está mal no Manchester City. Steven Pienaar arrebentava no Everton, foi péssimo no Tottenham (ele funciona melhor à esquerda do meio-campo, onde joga Gareth Bale) e resgatou seu melhor jogo quando retornou ao Everton. Provas de que um bom currículo ajuda, mas não garante o sucesso de uma contratação.

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segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013 Premier League | 11:46

Destaques da rodada (XXV)

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Consulte os resultados da 25ª rodada da Premier League. O blog traz os destaques individuais do fim de semana:

Júlio César, QPR. Nas cinco rodadas da Premier League em 2013, o QPR está invicto e sofreu apenas um gol. A postura mais cautelosa sob Harry Redknapp, com a entrada do grisalho Derry para proteger a defesa (que agora conta também com o ótimo e caro Chris Samba), explica muito, mas não tudo. As grandes atuações de Júlio César também ajudaram a garantir quatro clean sheets no ano. No empate por 0 a 0 contra o Norwich, o brasileiro fez mais uma série impressionante de defesas. O problema para o QPR é que a postura defensiva implicou um apagão do ataque, que marcou dois gols na liga em 2013, nenhum nos três jogos em casa.

Sissoko foi contratado por menos de £2 milhões. Valeu a pena?

Jimmy Kebé, Reading. Quando Le Fondre (certamente o reserva mais efetivo da liga) passa em branco, aparece Kebé. No clube há cinco anos, o winger franco-malinês faz parte da velha guarda do Reading, que sempre decide jogos na Premier League e na Championship. Na vitória por 2 a 1 sobre o Sunderland, Kebé marcou os dois gols, um deles a cinco minutos do fim. Esse caráter do Reading, de jamais desistir de buscar o resultado, rendeu dez pontos em quatro rodadas e a saída da zona de rebaixamento.

Moussa Sissoko, Newcastle. Sissoko é um fenômeno na Inglaterra. Em seus dois jogos, duas vitórias, dois gols contra o Chelsea e uma assistência diante do Aston Villa. Números à parte, o incansável francês foi a melhor contratação do Newcastle na temporada porque completa perfeitamente o meio-campo de Alan Pardew. Com a eliminação da Costa do Marfim na Copa Africana de Nações e o retorno de Tioté, os Magpies terão especialistas em marcação (Tioté) e passe (Cabaye), além de um carregador de bola para fazer a transição até o ataque (Sissoko). A menos que haja uma nova crise de lesões, está claro que o Newcastle não precisa temer o rebaixamento.

Gareth Bale, Tottenham. Decisivo na vitória sobre o WBA, o galês foi inicialmente escalado como meia central no 4-2-3-1 dos Spurs, com Dempsey ocupando o lado esquerdo. É importante não perder de vista as chances que Bale cria quando duela com o lateral-direito adversário, pois a associação entre velocidade, técnica e precisão nos cruzamentos o torna um excelente winger. Por outro lado, a utilização dele em posições diversas, ou pelo menos com a liberdade de circular pelo campo, pode render golaços como os marcados nas duas últimas rodadas. Aos 23 anos, perigoso em qualquer setor do ataque e marcando gols regularmente, Bale é a melhor réplica de Cristiano Ronaldo na Premier League desde a transferência do português para o Real Madrid.

Daniel Sturridge, Liverpool. Confiança é tudo. Pela primeira vez desde o empréstimo ao Bolton, há dois anos, Sturridge tem sequência como centroavante – na temporada passada, foi ponta direita no Chelsea de AVB. Bem além dos quatro gols em seis partidas pelo Liverpool, o atacante inglês vai muito bem ao cumprir todas as atribuições em campo. Ele pressiona a defesa adversária quando não tem a bola, aproveita a velocidade para criar oportunidades e faz parceria letal com Suárez, que virou meia-atacante (à exceção da partida contra o Arsenal, quando o uruguaio atuou aberto à esquerda). No empate com o Manchester City, Sturridge foi o melhor em campo.

O blog agora tem página no Facebook. Veja aqui.

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quarta-feira, 19 de dezembro de 2012 Liverpool | 21:19

Mercado antecipado

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De acordo com o Times e outros veículos confiáveis, o Liverpool deve anunciar nos primeiros dias de 2013 as contratações do atacante Daniel Sturridge, do Chelsea, e do winger Tom Ince, do Blackpool. Sturridge, que perdeu espaço em Stamford Bridge desde a demissão de André Villas-Boas, custaria £12 milhões. Ironicamente revelado na base do Liverpool, Ince seria contratado por £6 milhões. Considerando as necessidades do elenco e o suposto orçamento de £20 milhões disponibilizado a Brendan Rodgers para o mercado de janeiro, são apostas válidas.

Sturridge é um nome que gera mais dúvidas do que certezas. Aos 23 anos, o garoto que surgiu muito bem no Manchester City ainda não se estabilizou e convenceu apenas dois treinadores em sua carreira: Villas-Boas, que aparentemente pretendia levá-lo ao Tottenham, e Owen Coyle, para quem marcou oito gols em 12 jogos de Premier League durante o empréstimo ao Bolton, em 2011. No entanto, há elementos que o tornam um alvo interessante para o Liverpool.

Quando assistimos a uma partida dos Reds, pensamos “se Luis Suárez falhar, quem marcará gols para este time?”. Sturridge não é exatamente um ás das finalizações, mas pode contribuir bastante. Sua excelente movimentação sem a bola e a capacidade de, atuando aberto pela direita, invadir a área e finalizar com o pé esquerdo são características que Rodgers certamente procura para completar o ataque, uma vez que o técnico pretende manter Suárez centralizado.

Desde a estreia na Premier League, ainda aos 17 anos, Sturridge marca um gol a cada 172 minutos em campo, índice superior até ao de Suárez – 203 minutos por gol. Toda vez que ganhou uma sequência de jogos (particularmente em 2011, por Bolton e Chelsea), cumpriu muito bem sua função. Ele tem agilidade para ser ponta direita no 4-3-3, como aconteceu no Chelsea de AVB e deve ser o caso no Liverpool, mas também pode ser alternativa a Suárez como centroavante.

Previsão do Liverpool com Ince e Sturridge

A principal tarefa de Rodgers no desenvolvimento de Sturridge será ajudá-lo na hora de tomar decisões em campo. O instinto de tentar o gol a qualquer custo às vezes impede que ele passe a bola, e isso é quase imperdoável na cartilha purista do treinador. O ego supostamente inflado de Sturridge, que deve disputar posição com o italiano Fabio Borini, é outro ponto a considerar. Ainda assim, o Liverpool pode representar a oportunidade ideal para fazer sua carreira progredir.

Ince Jr.
Tom Ince, de 20 anos, é filho de Paul Ince, jogador do Liverpool entre 1997 e 1999. Criado em Anfield, ele pediu para sair em agosto do ano passado. No Blackpool, que pagou uma irrisória compensação de £250.000 aos Reds, evoluiu demais sob o comando de Ian Holloway, hoje técnico do Crystal Palace. Nesta temporada da Championship, é o terceiro artilheiro com 13 gols e o segundo assistente com nove passes decisivos.

Canhoto, ágil e versátil (atua nas duas pontas e também já jogou centralizado na seleção sub-21), Ince é uma boa aposta para qualquer clube inglês. Entretanto, no caso do Liverpool, fica a inevitável frustração por precisar pagar £6 milhões por um talento que estava no clube há um ano e meio. É óbvio que a oportunidade de jogar regularmente no Blackpool foi fundamental para o crescimento de Ince, mas para isso servem os empréstimos.

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terça-feira, 13 de dezembro de 2011 Chelsea | 10:53

Em paz

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Guus Hiddink pode assinar em paz com o Anzhi Makhachkala. Os últimos resultados do Chelsea reduzem a pó a chance de André Villas-Boas ser demitido nas próximas semanas. Durante e após a vitória de ontem sobre o Manchester City, o Chelsea mostrou que está com o treinador português ao correr demais pelos três pontos e, sobretudo, ao celebrá-los com direito a corrente no gramado de Stamford Bridge.

Entre eles, um ano de idade

As recentes extravagâncias de Villas-Boas, que incluem uma “bofetada” moral nos críticos e um pedido aos jogadores que comemorassem gols coletivamente, não tiveram efeito negativo sobre o elenco. A melhor representação disso é Frank Lampard. A conduta do vice-capitão, hoje mais reserva do que titular, foi exemplar do banco em que se sentou por 73 minutos à bola que decidiu a partida. Mesmo que não entenda por que está afastado da escalação, ele não permitiu que isso contaminasse seu jogo ou o ambiente.

Embora Villas-Boas tenha ido da água ao vinho em dezembro, nem tudo é alegria. As merecidas vitórias sobre Valencia, Newcastle e Manchester City enterram o mito do vestiário avesso ao treinador e recolocam os Blues na corrida pelos títulos nacional e continental, mas não podem simplesmente camuflar os problemas do time.

Você deve se lembrar do esforço que o Chelsea fez para contratar Luka Modric no mercado de verão. O “não” do Tottenham determinou a chegada de Raul Meireles, que foi importante, mas não resolveu a questão.

Sem contar com Lampard como titular absoluto, Villas-Boas tem a verticalidade em Ramires e enfim achou a segurança em Oriol Romeu, porém ainda carece de um pensador. O time disfarça a deficiência porque Juan Mata sai a toda hora da ponta esquerda para compensá-la.

No ataque, verdade seja dita, Drogba só ressurgiu porque Fernando Torres não aproveitou o embalo do ótimo jogo que fez contra o Manchester United (em que pese aquela chance perdida) e resgatou a apatia da temporada passada. Mas dá para contar, sem qualquer restrição, com um atacante instável de 33 anos que também fazia temporada fraca até duas semanas atrás?

Ainda há questões como o baixo número de zagueiros no elenco após a dispensa de Alex (Anelka, o outro liberado, estava sobrando mesmo), a excessiva responsabilidade sobre Oriol Romeu, que não tem sequer um reserva à altura, e a eterna nuvem de problemas imaginários que paira sobre Stamford Bridge a ponto de criar um mal-estar entre grupo e técnico que, aparentemente, jamais existiu de fato.

Villas-Boas pode ser criticado por vários aspectos, mas não por medo de mudar. Apostou em Sturridge como o Hulk do Chelsea, trocou um ineficaz Obi Mikel por Romeu (de 20 anos), recuou uma linha defensiva que expunha os zagueiros e não parava de levar gol e tirou de Lampard o lugar cativo. Por método tentativa-e-erro ou não, o Chelsea ensaia, atrasado, o que se esperava dele nesta temporada.

Seleção da rodada
Michel Vorm (Swansea); Martin Skrtel (Liverpool), John Terry (Chelsea), Ryan Shawcross (Stoke); Daniel Sturridge (Chelsea), Ramires (Chelsea), Charlie Adam (Liverpool), Victor Moses (Wigan); Nani (Man Utd); Grant Holt (Norwich), Robin van Persie (Arsenal).

Fantasy
Após algum tempo afastado da liderança, o Corinthian-Casuals (Carlos Pinheiro) está de volta ao topo da liga God Save the Ball. Veja a classificação.

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quarta-feira, 8 de junho de 2011 Jovens, Listas, Review | 16:17

A temporada: Revelações

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Goleador na equipe B, Fábio abriu a contagem no primeiro time contra Wigan e Arsenal

A temporada foi produtiva. Brasileiro, surpresas e até protagonistas deste mercado de transferências estão entre as revelações de 2010-11 na Inglaterra. O blog separou sete:

7) Fábio, Manchester United. Criado lateral-esquerdo, foi deslocado à direita no terço final da temporada. Agradou tanto, que Ferguson não hesitou em escalá-lo nos grandes jogos. Fábio ainda não fez 21 anos, mas o sucesso precoce do irmão Rafael e a escassez de chances contra Evra colocavam sua carreira no United em xeque. Bobagem: ele é ótimo e joga em qualquer uma das quatro posições laterais.

6) Phil Jones, Blackburn. Ainda com 18 anos, foi deslocado ao meio-campo por Sam Allardyce. É zagueiro de origem, posição em que funciona melhor e onde mais se destacou no Blackburn. Hoje aos 19, Jones forma com Smalling dupla defensiva muito promissora na Inglaterra sub-21. O Manchester United está próximo de contratá-lo por £17 milhões.

5) Jordan Henderson, Sunderland. O Liverpool chegou a acordo com o Sunderland para levá-lo a Anfield. Seriam £13 milhões mais N’Gog. Se for isso mesmo, os Reds aproveitam a carência ofensiva dos Black Cats e fazem um ótimo negócio. O meia central de 20 anos, que se consolidou em 2010-11, é o organizador da Inglaterra sub-21 e tem notável visão de jogo. Sua origem como winger também pode oferecer opção interessante a Dalglish. Henderson já jogou ao lado de Gerrard: contra a França pela seleção principal, para a qual mereceu a convocação.

4) Daniel Sturridge, Bolton. Galvão Bueno não diria: “Robinho é famoso, mas quem joga é Sturridge, amigo”. Ainda muito novo, em 2008-09, o atacante inglês acumulou atuações mais interessantes que as da estrela brasileira no Manchester City. No entanto, a transferência para o Chelsea lhe fez mal. Em uma temporada e meia, jogou pouco e, quando entrou, foi tímido. O empréstimo ao Bolton em janeiro mudou sua carreira: oito gols em 12 jogos. Ali estava um atacante dinâmico, de finalização letal e que, de repente, pode ser importante em Stamford Bridge. Tem 21 anos.

Wilshere é titular da seleção inglesa e o inglês mais absoluto do Arsenal

3) Séamus Coleman, Everton. O jovem de 22 anos foi uma grata surpresa. Captura de Moyes em 2009, Coleman atuava no Sligo Rovers, de sua Irlanda. Na temporada passada, fez bons jogos no Everton e durante empréstimo ao Blackpool. Previa-se que pudesse resolver o problema da lateral direita nos Toffees, que teve uma década com o limitado Tony Hibbert. Mas foi como right winger que ele brilhou. O Bale destro fez seis gols e foi indicado ao prêmio da PFA de melhor jovem do ano.

2) Javier Hernández, Manchester United. O mexicano pode aparecer em várias listas. Mesmo depois dos ótimos números no Chivas e dois gols na Copa, quando chegou a ser reserva de Guille Franco (alguém se lembra dele no West Ham?), não se esperava uma temporada de estreia tão prolífica quanto a de Solskjaer em 1996-97. Chicharito, de 23 anos, virou titular, marcou 20 gols e se notabilizou por finalização e senso de colocação impressionantes.

1) Jack Wilshere, Arsenal. Incontestável. O empréstimo ao Bolton na temporada passada sinalizava que Wilshere poderia ter algum impacto no Arsenal. Mas titular absoluto como volante dos Gunners e da seleção inglesa? O meio-campista de 19 anos é ótimo em posicionamento, passe e marcação e joga como se tivesse uma década de profissional. Se aprender a marcar gols, vai marcar época também.

Havia mais opções, é claro. Acha que faltou alguém?

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domingo, 24 de abril de 2011 Bolton, Treinadores | 18:17

Empreste ao Bolton…

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Owen Coyle, que já ajudou o Arsenal, vai presentear o Chelsea com um Sturridge bem mais confiante

…Pelo menos enquanto Owen Coyle estiver lá. O ótimo treinador sabe trabalhar com jovens. Na vitória sobre o Arsenal, Coyle repetiu a postura suicida da tragédia na FA Cup, inclusive com Elmander no meio. Mas teve uma diferença: em vez de Klasnic, foi Sturridge quem acompanhou Davies no ataque, deixando o time bem mais leve.

Ou simplesmente melhor. Emprestado pelo Chelsea, o atacante de 21 anos só não é mais importante que o grande zagueiro Gary Cahill. Em Stamford Bridge, ele parecia sem confiança. Daí a necessidade desses seis meses longe de uma concorrência pesada. No Bolton, são sete gols em nove jogos. Coyle transformou o patinho feio no atacante dos Blues em melhor fase.

Em 2009-10, o técnico contribuiu muito para o desenvolvimento do eslovaco Weiss, do Manchester City, e de Wilshere, cedidos ao Bolton nos mesmos moldes de Sturridge. Weiss estava emprestado ao Rangers e fazia boa temporada. Wilshere, aplaudido no Reebok Stadium, é titular da seleção inglesa e o melhor jovem do ano.

Coyle tem um quê de Wenger. No fim de 2009, quando ainda comandava o Burnley, já tentava articular o empréstimo de Wilshere. E foi trabalhando com vários garotos que o escocês levou esse clube à Premier League. Jay Rodriguez, de ascendência espanhola, é a melhor herança que ele deixou no Turf Moor. O winger de 21 anos pode reconduzir os Clarets à elite ainda em 2011.

No entanto, ele não exclui os mais experientes de sua pauta. Por exemplo, teve dois ótimos anos com o quase quarentão Graham Alexander, especialista em cobranças de pênaltis que chegou a 1000 jogos como profissional em abril. Tanto é que, por empréstimo, Coyle recebeu até Andy Cole no Burnley em 2007-08. O ex-atacante fez mais gols com ele do que com qualquer outro em suas últimas temporadas.

Portanto, se for necessário desenvolver ou recuperar um jogador, não hesite: empreste ao Bolton.

Sábado insano
O Sunderland venceu pela primeira vez desde 22 de janeiro. Com o placar marcando 1 a 1 contra o Wigan, Welbeck e Gyan já tinham saído por lesão. Como não havia atacantes no banco (Fraizer Campbell está fora da temporada), Sessegnon e o ótimo Henderson tiveram de resolver: 4 a 2, com três gols em 11 minutos e sem ataque. E houve muito mais: gols de Joe Cole e Lovenkrands, Torres provocando edição de site e hat-trick de Maxi Rodríguez

Seleção do fim de semana
Howard (Everton); Simpson (Newcastle), Cahill (Bolton), Jagielka (Everton), Cole (Chelsea); Valencia (Man Utd), Henderson (Sunderland), Lampard (Chelsea), Maxi (Liverpool); Suárez (Liverpool), Chicharito (Man Utd)

*Bacana demais, a homenagem de Tamir Cohen ao pai Avi na comemoração do gol da vitória do Bolton. O zagueiro Avi Cohen foi o primeiro israelense a atuar na Inglaterra (Liverpool, 1979-81) e, há quatro meses, faleceu após acidente de moto

*Excelente Páscoa aos leitores!

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