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segunda-feira, 13 de maio de 2013 Wigan | 14:58

Copo meio cheio

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Na Premier League, a semana do Wigan foi bem negativa. De uma inesperada derrota para o Swansea na terça-feira a uma combinação de resultados que garantiu a permanência na elite a Norwich, Newcastle, Southampton e Fulham, a possibilidade de rebaixamento cresceu bastante. O Wigan ainda depende dos próprios resultados para sustentar o rótulo de incaível, mas precisa vencer o Arsenal amanhã no Emirates (aconteceu na arrancada espetacular da temporada passada) para levar a decisão ao confronto direto com o Aston Villa, na última rodada.

Ainda assim, foi ironicamente a melhor semana da história dos Latics. A inédita conquista da FA Cup, acompanhada de uma categórica vitória por 1 a 0 sobre o Manchester City no sábado, é inesquecível. Além da discrepância entre os níveis de investimento, o City não tinha problemas no elenco – enquanto Roberto Martínez não contava com três titulares – nem desgaste mental comparável ao de um Wigan que perdeu toda a margem de erro a que tinha direito para permanecer na Premier League.

Implacável pelos lados, o 3-4-3 de Martínez aprontou de novo

Os Latics, que tiveram expressivos 48% de posse de bola e finalizaram 14 vezes, mereceram vencer. Martínez foi criativo para superar os desfalques na defesa, anulou os pontos fortes do City (muito mais ligados à qualidade individual do que à estratégia mal-acabada de Roberto Mancini) e não estacionou o ônibus. Ao contrário, decidiu que a melhor maneira de manter o adversário distante de seu gol era brigar pelo controle do jogo em vez de entregá-lo ao Manchester City.

Titular da ala direita durante a temporada, Boyce foi um dos três zagueiros, ao lado de Alcaraz e Scharner, que ocupou o espaço do lesionado Figueroa. Como o reserva de Boyce na ala, Stam, está fora da temporada, Martínez improvisou no setor o volante McArthur, que protegeu o corredor e deixou ao abusado McManaman a tarefa de atacar Clichy. À esquerda, no lugar do também lesionado Beausejour, o treinador espanhol escalou Espinoza, fundamental para oferecer profundidade com Maloney deslocado à faixa central para criar jogadas.

Enquanto o City agonizava, os Latics exploravam o ataque pelas pontas e só não venceram com facilidade por conta da desvantagem técnica em relação ao adversário, pois a execução da estratégia de Martínez se aproximou da perfeição. O Wigan, que costuma ser divertido para quem assiste, mas tem problemas sérios para se defender, desta vez foi preciso e contrariou o clássico roteiro das vitórias de times menores sobre gigantes, sem tantos milagres do goleiro Robles (que foi muito bem quando exigido) e ameaçando Hart em vários momentos.

Amigos para sempre

O Wigan não tem o direito de reclamar dos sorteios da FA Cup, que lhe reservaram apenas dois confrontos contra equipes da Premier League, mas as vitórias na decisão e nas quartas de final, por 3 a 0 sobre o Everton em Liverpool, não deixam dúvidas. O provável rebaixamento colocaria em xeque o futuro do clube, que pode perder Martínez e jogadores-chave (McManaman, McCarthy e os mais experientes Koné e Maloney têm mercado), mas não deve ser tratado como uma tragédia. É, na verdade, o caminho natural para quem investe tão pouco no elenco mesmo em relação a recém-promovidos, como West Ham e Southampton, que contratou Rodriguez e Ramírez no verão e competiu com o Liverpool por Philippe Coutinho em janeiro.

O proprietário Dave Whelan tem mais motivos para festejar. A conquista foi a realização de um sonho que parecia impossível, rendeu uma vaga na próxima Europa League e reforçou os laços entre ele e Martínez, que foi meio-campista do Wigan de Whelan entre 1995 e 2001 e retornou ao clube como treinador há quatro anos. Mesmo que o último capítulo dessa história seja o rebaixamento, que pode deixar o clube em situação difícil, às vezes é preciso valorizar mais as experiências do que o fluxo de caixa. E o que Martínez fez pelo Wigan não tem preço.

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segunda-feira, 17 de outubro de 2011 Wigan | 13:18

Caso quase perdido

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O jogador Roberto Martínez chegou ao Wigan há 16 anos. Pode virar uma autêntica história de início, meio e fim de um sonho

Filho de uma cidade mais ligada ao rúgbi do que ao futebol, o Wigan Athletic se sustenta na Premier League há sete temporadas. A promissora décima posição do primeiro ano contrasta com as salvações milagrosas dos seguintes. Este Wigan de Roberto Martínez, por exemplo, pouca gente entende como se mantém na elite. Ainda assim, a resposta pode ser óbvia e definitiva para o destino do clube.

À oitava rodada de 2009-10, o Wigan já havia acumulado nove pontos, que seriam 13 duas semanas depois. No ano passado, mesmo com uma tabela ingrata, o time repetiu a campanha dos oito primeiros jogos. Desta vez, os Latics agonizam na penúltima posição com os cinco pontos conquistados nas três rodadas iniciais, quando os recém-promovidos Norwich, Swansea e Queens Park Rangers (todos acima do Wigan hoje) foram os adversários.

O Wigan vem, portanto, de cinco derrotas consecutivas. A última delas, no sábado, foi um desastre. Em casa, a equipe de Martínez precisava vencer um desesperado e concorrente Bolton, que tinha seis reveses seguidos. Perdeu por 3 a 1, foi ultrapassado e agora vê apenas o risível Blackburn no retrovisor. Sem aqueles pontos de que ninguém se lembra nos últimos dias da temporada, o Wigan dificilmente permanecerá na elite.

Quem é a referência deste time, que já teve Jimmy Bullard, Leighton Baines, Antonio Valencia, Charles N’Zogbia e, vamos lá, Emile Heskey? Não há. Com Rodallega assíduo ao departamento médico e um tanto insatisfeito, o Wigan depende de Franco Di Santo, um atacante que marcou mais gols em 2011-12 do que em suas três primeiras temporadas na Inglaterra: três a dois.

Hoje, os pés mais brilhantes do elenco são os do versátil Victor Moses, que, aberto pelos flancos, faz bom campeonato. O garoto de 20 anos, ex-Crystal Palace, recebeu de Martínez a responsabilidade de calçar as chuteiras de N’Zogbia. Por enquanto, é o maior driblador da temporada, mas não basta para tirar a equipe do buraco. Sem Cleverley e N’Zogbia ao lado, ele não marcou ou assistiu sequer um gol em 2011-12.

O problema que se alojava numa defesa que levou 9 a 1 do Tottenham há duas temporadas passou também ao ataque, que marcou seis gols nas oito rodadas. Neste ritmo, o sonho do proprietário Dave Whelan, que comprou um clube de quarta divisão há 16 anos, aproxima-se de um baque. Ao rejeitar o Aston Villa no verão, o técnico Roberto Martínez abraçou a causa. Deve morrer abraçado a ela.

Seleção da rodada
David De Gea (Man Utd); Micah Richards (Man City), Jonas Olsson (West Brom), Christopher Samba (Blackburn), Ashley Cole (Chelsea); Cheik Tioté (Newcastle), James Milner (Man City); Adam Johnson (Man City), Juan Mata (Chelsea), Anthony Pilkington (Norwich); Robin van Persie (Arsenal).

Fantasy
Três pontos separam o quinto colocado do líder da liga God Save the Ball. Com oito rodadas, Brenda (Leo Tasca) assumiu a ponta. Veja a classificação atualizada.

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