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Posts com a Tag Everton

sexta-feira, 16 de agosto de 2013 Everton, Norwich, Southampton, Tottenham | 09:49

Eu quero ver

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Na véspera da abertura da Premier League, o blog retorna para tratar dos times que mais despertam curiosidade antes da temporada:

Norwich. Após evitar o rebaixamento na primeira temporada sem Paul Lambert, o Norwich de Chris Hughton pode ir mais longe em 2013-14 por conta dos bons investimentos. Chegaram a Carrow Road cinco potenciais titulares: Martin Olsson, lateral-esquerdo ofensivo para disputar posição com Garrido; Leroy Fer, bom meia central do Twente; Nathan Redmond, winger da seleção sub-21 que evoluiu bastante na última temporada; uma nova dupla de ataque: Gary Hooper e Ricky van Wolfswinkel.

As contratações e o perfil de Chris Hughton indicam o 4-4-2. Os Canaries, que dependiam da truculência de Grant Holt para marcar gols, desta vez podem confiar em dois atacantes que se completam. Talvez você já tenha assistido a este vídeo, em que um garoto relata seu drama como torcedor do Sporting. Entre tantos outros pontos, ele questiona o 4-3-3 adotado pelos portugueses, afirmando que “o Wolfswinkel, lá sozinho, não mete medo a ninguém”. Agora ao lado de Hooper, de ótimos números no Celtic, o bom holandês ficará mais confortável em campo. Também vale prestar atenção a Robert Snodgrass, que deve produzir mais em melhores companhias.

Everton. As alterações no elenco não são tão significativas – foram contratados dois jogadores do Wigan e Gerard Deulofeu por empréstimo, enquanto ninguém saiu –, mas o estilo deve mudar drasticamente. Se David Moyes era um técnico flexível, que se reinventava diante de cada adversário, Roberto Martínez é convicto e ataca todo mundo. O espanhol ensaia reproduzir no Everton o 3-4-3 criado no Wigan, sistema que, por sua ótima execução, foi diretamente responsável por um milagre em 2011-12 e um título da FA Cup em 2012-13, ainda que não tenha evitado o rebaixamento.

Até que ponto Martínez vai arriscar?

O Everton precisa de ajustes para não se perder em meio às modificações, mas até tem recursos para se adaptar. Os alas Coleman e Baines podem desfrutar mais liberdade, Fellaini se adequa perfeitamente a uma função mais defensiva que a da temporada passada, e os pontas – provavelmente Mirallas e Deulofeu – prometem aterrorizar laterais. O problema é a ausência de zagueiros (além de Jagielka) e atacantes centrais confiáveis, com Jelavic inconstante desde 2012-13 e Koné precisando provar que não é meramente um amigo de Bob Martínez, com quem trabalhou no Wigan.

Southampton. Por ora, o mercado trouxe dois novos titulares para fazer enorme diferença: Dejan Lovren, croata do Lyon que deve ser absoluto numa defesa que não transmitia confiança, e Victor Wanyama, queniano que era um monstro no meio-campo do Celtic. O time criado por Nigel Adkins e herdado por Mauricio Pochettino não tem pontos fracos aparentes para quem pretende fazer campanha tranquila. Coletivamente, é moderno, sobe a marcação e deve fazer várias vítimas no St. Mary’s, onde impôs derrotas por 3 a 1 a Liverpool e Manchester City na parte final da última temporada.

Individualmente, destaque para os ótimos laterais jovens – Nath Clyne e Luke Shaw –, meio-campistas completos em Wanyama, Jack Cork e Morgan Schneiderlin (o uruguaio Gaston Ramírez é talentoso, mas pode perder a posição se for tão inconsistente quanto em 12-13) e opções de ataque bem interessantes. Adam Lallana e Rickie Lambert são fundamentais desde a época da terceira divisão e provaram capacidade na Premier League. Jay Rodriguez, pelo desempenho nas últimas rodadas da temporada, também promete para 13-14.

Tottenham. As cartadas do Tottenham no mercado sugerem que André Villas-Boas vai implantar seu esquema predileto, o 4-3-3. No meio-campo, Etienne Capoue disputa posição com Sandro para fazer a proteção à defesa, com Paulinho e Moussa Dembele responsáveis pela transição ao ataque. O meio-campo está bem definido, mas falta um jogador como era João Moutinho no Porto de AVB. Paulinho e Dembele são excelentes, porém muito parecidos, pela intensidade e a capacidade de carregar a bola, exatamente como o colombiano Fredy Guarín no primeiro grande time de Villas-Boas.

A contratação de Roberto Soldado garante aos Spurs o goleador que Emmanuel Adebayor não foi na temporada passada. O belga Nacer Chadli, ex-Twente, também é aposta interessante para fazer o lado esquerdo do ataque, com Aaron Lennon tentando se manter à direita. Hoje, é difícil imaginar onde entraria Lewis Holtby, que ficou bem abaixo do esperado em seu primeiro semestre em Londres. E ainda há certo Gareth Bale no elenco. Está claro que AVB projeta o time sem ele – e parece gastar à vontade, pensando na venda ao Real Madrid –, mas não seria absurda a permanência do galês insatisfeito, ao lado de um elenco menos dependente de seus gols improváveis.

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sexta-feira, 10 de maio de 2013 Everton, Man Utd | 11:03

A sucessão

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A aposentadoria de Sir Alex Ferguson é daqueles eventos em que, antes de acontecer, ninguém acredita – à exceção do Telegraph, primeiro jornal a indicar a saída do manager após quase 27 anos no comando do Manchester United. Como sugeriu o artigo anterior desta coluna, o discurso de Ferguson não sinalizava aposentadoria. Não à toa, as especulações praticamente inexistiam, ou pelo menos eram bem mais leves do que temporadas atrás.

Acredite: Ferguson passou o bastão

No entanto, há aspectos lógicos na decisão. A menos que fosse motivado por um problema de saúde ou algo parecido, ele jamais escolheria sair em um cenário negativo. O 20º título do United no campeonato, 13º de Ferguson, é o melhor encerramento possível do ponto de vista moral, sobretudo por ser um incontestável contra-ataque à conquista do Manchester City em 2011-12. Além disso, quando justificou a aposentadoria, o manager reiterou o bom estado (qualidade e média de idade) do elenco que entregará a seu sucessor.

Aliás, o sucessor escolhido por Ferguson e aprovado pelo clube é a melhor manifestação de que o United não pretende promover alterações drásticas. Se existe alguém capaz de preservar o legado, sem a vaidade de apressar mudanças e deixar sua “assinatura” no clube imediatamente, é o escocês (outro, após Matt Busby e Ferguson) David Moyes, de 50 anos. Há 11 temporadas em Goodison Park, Moyes treinará o Everton nas duas rodadas restantes da Premier League e, em seguida, assumirá o que foi batizado de “trabalho impossível”.

Nem tanto, convenhamos. O contrato de seis anos oferecido pelo United atesta a confiança depositada em Moyes (quase um Alan Pardew, a quem o Newcastle entregou precipitadamente um contrato de oito temporadas), que há muito é um dos treinadores mais respeitados da liga. Respeito adquirido por conta da construção de um Everton sustentável e competitivo, que superou elencos mais caros e sempre foi um adversário difícil para qualquer time em qualquer estádio.

É equivocado afirmar que Moyes nunca gastou ou que sempre montou times contratando free agents, mas é correto vincular esse investimento a vendas importantes. Se um dia o Everton comprou Jagielka, Baines, Fellaini, Pienaar e Mirallas, é porque fez muito mais dinheiro com Rooney, Lescott, Rodwell, Andy Johnson (sim, Moyes o vendeu ao Fulham por £13 milhões) e Arteta. Lembra Simon Kuper, do Financial Times, que o Everton tem apenas a 10ª folha salarial da liga e sempre terminou entre os oito primeiros desde 2007.

Moyes não é um técnico purista como Jürgen Klopp ou Pep Guardiola, de estilos inconfundíveis. O Manchester United certamente não será um time tão intenso e rápido quanto o Dortmund ou um praticante do tiki-taka como o Barcelona 2008-2012. O novo chefe em Old Trafford é bem mais maleável e adapta-se ao que tem à disposição para competir. Há quatro ou cinco anos, as pessoas reclamavam de um Everton sem atacantes – na verdade, com Tim Cahill ocupando o espaço correspondente. Hoje, reclamam dos dois postes à frente, Fellaini e Anichebe.

Apesar da flexibilidade, é possível usar como referência o Everton de 2012-13. Particularmente no início da temporada, quando tinha Pienaar e Jelavic em grande fase, Moyes montou uma equipe empolgante, sobretudo nos jogos em casa. Fellaini dominava partidas, Mirallas era um azougue à direita, Baines avançava no espaço abandonado por Pienaar, e Osman controlava o meio-campo. Se recuperar os wingers e contratar os jogadores certos (enfim, dinheiro não será problema), ele pode reproduzir esse tipo de futebol em Old Trafford, com jogadores mais decisivos e confiáveis.

Uma ressalva que precisa ser feita é a ausência de títulos de elite no currículo de Moyes, campeão apenas da terceira divisão com o Preston North End, em 2000. No Everton, sem troféus há 18 anos, a pressão era minimizada pela consistência da equipe e pelo título imaginário de “terminar a liga acima do Liverpool”, algo que Moyes conseguiu em 2005, 2012 e tem tudo para repetir em 2013.

Apesar disso, é bobagem recorrer a um daqueles clichês, como “Moyes é técnico de time sem ambição”. Faltou a chancela de um título, mas ele cumpriu seu papel no Everton e até excedeu as expectativas. A questão agora é conviver com outro tipo de pressão. No United pós-1990, conquistas vêm de maneira natural e são resultado também da excelente gestão Ferguson, uma raposa em campo e hábil no relacionamento com a diretoria e os jogadores. A ética de trabalho de Moyes o transformou no candidato ideal para continuar esse processo.

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domingo, 6 de janeiro de 2013 Everton | 09:43

Direito de sonhar

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Bill Kenwright, proprietário do Everton: estimulando a criatividade de Moyes há 11 anos

A FA Cup começa para o Everton amanhã, na visita ao Cheltenham, da quarta divisão. O torneio pode representar a última oportunidade para David Moyes conquistar um título no clube, uma vez que seu contrato expira no fim desta temporada, e a renovação estaria condicionada à permanência de jogadores-chave como Baines e Fellaini.

A ponto de completar 11 anos em Goodison Park, Moyes faz trabalho extraordinário não apenas pela estabilidade, mas também pela determinação em competir num cenário desfavorável. Mesmo com o atual abismo financeiro entre os Toffees e pelo menos seis clubes ingleses, ele construiu o melhor time de sua gestão. Desde janeiro de 2012, mês das contratações de Jelavic, Pienaar e Gibson, o Everton se equipara a qualquer adversário em qualquer estádio.

Moyes tem a plataforma pronta para a segunda metade da temporada. O primeiro sorteio da FA Cup foi camarada, e o quinto lugar no campeonato permite lutar efetivamente por vaga na Champions League. Se repetir os resultados das últimas 17 rodadas de 2011-12, o Everton chegará a 67 pontos, dois a menos do que o quarto lugar da temporada passada.

No entanto, para cumprir as metas de 2013, o Everton depende demais da disponibilidade dos titulares, pois as peças de reposição estão simplesmente muito abaixo. As melhores atuações da temporada vieram quando Moyes escalou um 4-4-1-1 fluido, com intenso apoio dos laterais (Coleman e Baines) e liberdade a Pienaar e Mirallas, sem posição fixa quando o Everton tinha a bola e derivando para o centro do campo para criar jogadas.

Mirallas é caso à parte. O belga é capaz de destruir defesas, mas não se mantém saudável. Com data indefinida para o retorno, foi titular em apenas nove partidas de Premier League. Steven Naismith, alternativa imediata a ele e Pienaar, não compromete, mas também não oferece os mesmos dribles que desmontam sistemas defensivos e criam chances para Jelavic, especialista em marcar gols com apenas um toque na bola.

Aliás, o centroavante croata é constantemente cobrado por Moyes, que elogiou a ótima assistência dele a Anichebe, contra o Newcastle, mas fez questão de questionar: “cadê os gols?”. Jelavic, que marcou 11 em 16 jogos (média de 0,69) por todas as competições na temporada passada, caiu para seis em 21 partidas (média de 0,28) em 2012-13. Fellaini tem sido mais prolífico do que ele.

Em janeiro, as prioridades devem ser a manutenção das estrelas e a contratação de um zagueiro que evite a entrada de Heitinga na ausência de Distin ou Jagielka. Se o mercado, o departamento médico e a fase de Jelavic ajudarem, o Everton pode ter um semestre inesquecível. Em condições normais, os automatismos de um time que mantém a estrutura há muito tempo e as boas atuações de Baines, Osman e Fellaini estão garantidos.

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segunda-feira, 10 de dezembro de 2012 Premier League | 12:53

Conclusões da rodada (XVI)

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Consulte os resultados da 16ª rodada da Premier League (Fulham e Newcastle se enfrentam hoje). O blog repercute alguns pontos:

"He scores when he wants"

Eficiência do ataque torna o United favorito ao título. O Manchester United teve atuação à Fluminense para superar o City no Etihad. Suportou a pressão, explorou a velocidade pelos flancos e foi clínico nos contra-ataques. Joe Hart, que sofreu três gols, não fez sequer uma defesa. Se Rooney e van Persie mantiverem esse nível, o United não precisa dominar os adversários – não os ingleses, ao menos – para vencê-los. O ataque compensa a fragilidade da defesa (que se comportou bem melhor ontem) e, mesmo quando o meio-campo não controla os jogos, decide por conta própria. Quem não se lembra da sonolenta vitória sobre o Braga por 3 a 1, em Portugal, pela Champions League? Quando finalmente acelerou o ritmo, o United marcou três gols (Rooney, van Persie e Hernández) nos dez minutos finais.

Phil Neville pode perder espaço no Everton. A lesão de Phil Neville, ainda sem data definida para o retorno, abriu caminho entre os titulares do Everton para Darron Gibson, que também estava no departamento médico até três semanas atrás. O ex-meia do Manchester United foi excelente na vitória por 2 a 1 sobre o Tottenham. David Moyes não deve dispensar a visão de jogo de Gibson e a eficaz parceria entre ele e Osman. Mesmo com a chancela da faixa de capitão, Neville pode perder a posição no meio-campo e precisar disputar a lateral direita com Coleman, que também vive boa fase. Quando tem Coleman, Baines, Mirallas, Osman, Gibson, Pienaar, Fellaini e Jelavic reunidos, o Everton é implacável em Goodison Park. Foram 20 finalizações do agora quarto colocado contra o Tottenham.

Shelvey é um bom “falso 9”. Um dos destaques da vitória do Liverpool sobre o West Ham foi Jonjo Shelvey, sacrificado como centroavante na ausência de Luis Suárez. Ele não marcou, mas incomodou demais a defesa do West Ham e participou dos dois gols que viraram o jogo para os Reds. Na bela jogada que gerou o gol de Joe Cole, por exemplo, juntou-se ao meio-campo para tabelar com Sterling. Ele faz muito bem esse movimento de saída da área, que costuma confundir a marcação, atrair um zagueiro adversário e abrir espaço para a infiltração de um meio-campista. Já havia mostrado essa virtude contra o Young Boys, pela Liga Europa, quando exerceu a mesma função. Além disso, tem ótima presença física e não se intimida diante de zagueiros como James Collins, que, atrapalhado por Shelvey, marcou o gol contra que decidiu a partida.

Benítez não é um caso perdido no Chelsea. Está certo que foi contra um Sunderland à deriva, mas a atuação do Chelsea no sábado deu os primeiros sinais de que Rafa Benítez pode sobreviver nesta temporada. Com uma transição mais rápida da defesa ao ataque (e isso explica a presença de Moses entre os titulares) e pontas mais retraídos, para acompanhar os laterais adversários, o Chelsea começa a parecer um time montado pelo espanhol. Até Fernando Torres funcionou. O atacante que não marcava na Premier League havia mais de 12 horas agora tem quatro gols nos últimos dois jogos por todas as competições.

O Southampton tem uma defesa. Derrubando drasticamente a média de gols sofridos, o Norwich escalou a tabela até a 12ª posição. O Southampton tenta fazer o mesmo. A vitória por 1 a 0 sobre o Reading foi a terceira em cinco partidas. A defesa de Nigel Adkins era uma tragédia nas dez primeiras rodadas, nas quais levou 28 gols. Nas últimas seis, porém, foram apenas quatro gols sofridos. Além dos ajustes coletivos, Adkins trocou o goleiro (o jovem argentino Paulo Gazzaniga* roubou a posição de Kelvin Davis), promoveu o promissor Luke Shaw, de 17 anos, a titular da lateral esquerda e deu sequência a Jack Cork, que estabilizou o meio-campo dos Saints.

*Gazzaniga não atuou na vitória sobre o Reading por conta de uma lesão no ombro.

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segunda-feira, 29 de outubro de 2012 Debates | 12:56

Basta

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Brasil, 27 de outubro.
Em Internacional 2 x 1 Palmeiras, a anulação do gol marcado por Hernán Barcos com a mão, através de uma suposta interferência externa, provocou duas reações. A primeira é de que, mesmo com um possível deslize que contraria a regra do jogo, valeu a pena impedir que a malandragem do atacante argentino se transformasse no gol de empate do Palmeiras, ou seja, evitou-se um equívoco maior, grosseiro. A outra diz respeito à revolta do time “prejudicado”, acostumado aos erros porque a arbitragem não pode recorrer a recursos eletrônicos. O resultado é um cenário caótico, em que o clube cogita solicitar a impugnação da partida porque um gol marcado com a mão não foi validado. Na Inglaterra, a necessidade de admitir a tecnologia no futebol se manifestou de uma maneira diferente:

Inglaterra, 27 e 28 de outubro.
Não houve interferência externa na nona rodada da Premier League. Decisões equivocadas, que distorceram resultados, foram tomadas e mantidas. Em Arsenal 1 x 0 QPR, Arteta estava em posição de impedimento quando marcou. Neste caso, ao menos, a arbitragem seguiu a recomendação de não interferir caso não tenha convicção de que houve irregularidade. Pior foi a atuação do assistente em Everton 2 x 2 Liverpool. No acréscimo do segundo tempo, Suárez estava apto, mas teve o gol anulado.

Em Chelsea 2 x 3 Manchester United, confronto que pode ter sido fundamental para o campeonato, a arbitragem de Mark Clattenburg foi um show de horrores – não que isso seja novidade. Clattenburg, que comete erros para todos os lados em escala industrial, assumiu a posição de protagonista quando expulsou Torres, mostrando-lhe o segundo cartão amarelo. Derrubado por Evans, o espanhol foi acusado de simular a falta. O Chelsea foi reduzido a nove jogadores (Ivanovic havia sido corretamente expulso) e ainda viu Hernández marcar o gol decisivo em posição de impedimento.

Clattenburg, protagonista

Ninguém precisa, sem provas ou indícios, acusar a Football Association de corrupção. Por mais que sejam suspeitos em certas circunstâncias, erros simplesmente acontecem. A FA tem a obrigação de cuidar da qualidade de seus árbitros e marginalizar aqueles que cometem equívocos com mais frequência. Clattenburg, por exemplo. No entanto, a decisão definitiva não vai partir de uma associação nacional.

Como as arbitragens imprecisas são um fenômeno mundial, o problema mais grave passa a ser da FIFA. Este fim de semana foi trágico para quem acompanha futebol e espera que árbitros sejam meros mediadores, com jogos decididos por jogadores. Mas ele pode ser também um marco. Quando, eventualmente, a FIFA deixar a idade da pedra e liberar recursos eletrônicos (a introdução de um chip na bola, novidade do Mundial de Clubes, resolve uma parte mínima da questão) que possam auxiliar na tomada de decisões, todos vão se lembrar de 27 e 28 de outubro, os dias em que a postura jurássica de Sepp Blatter e seus camaradas foi exposta de todas as formas.

Clattenburg ainda é acusado de insultos racistas a Obi Mikel, do Chelsea

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sábado, 27 de outubro de 2012 Chelsea, Everton, Liverpool, Man Utd | 20:05

Azul e vermelho

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Quis a tabela da Premier League que nosso domingo eleitoral fosse repleto de grandes jogos na Inglaterra. São quatro partidas marcadas para amanhã, com direito a clássico de Liverpool e um confronto direto pelo título. O blog prevê os dois embates:

Everton x Liverpool, às 11h30 (BSB).
O confronto impõe aos clubes de Merseyside um cenário bem diferente em relação aos últimos anos. Enquanto este Everton, quarto colocado antes do início da rodada, tem potencial para ser o melhor da era David Moyes (desde 2002), o Liverpool passa por uma temporada de transição, na qual rompe com o “britanismo” de Kenny Dalglish e oferece papéis importantes a garotos. Amanhã, por exemplo, os teenagers Wisdom, Suso e Sterling, que ainda disputavam campeonatos de base no primeiro semestre, podem ser titulares.

Em circunstâncias normais, até pelas ótimas atuações recentes em casa, o Everton seria favorito. Mas a suspensão de Pienaar, que, assim como Mirallas, tem sido fundamental para abastecer os atacantes, deve equilibrar o confronto. O segredo para desestabilizar a defesa do Liverpool, bem mais segura nos últimos jogos, pode ser o apoio de Baines, uma vez que Suso (habitualmente escalado na ponta direita por Brendan Rodgers) tende a centralizar e não vai incomodá-lo tanto. O jogador-chave do Liverpool é Sterling. Qualquer que seja seu marcador (Hibbert ou Coleman), ele é favorito no one-on-one.

Chelsea x Manchester United, às 14h.
É o primeiro encontro entre verdadeiros candidatos ao título. A desvantagem de quatro pontos em relação a seu adversário deixa o United com a obrigação de não perder em Stamford Bridge. Por outro lado, é a oportunidade do Chelsea de preparar o terreno para uma sequência que pode não parecer, mas certamente é bem complicada: Swansea (fora), Liverpool (casa), WBA (f) e Manchester City (c).

Taticamente, a questão fundamental é a possibilidade de Alex Ferguson apostar outra vez na formação “diamante”, que deu tão certo contra o Newcastle, em St. James’ Park, há três semanas. Particularmente em Stamford Bridge, faz sentido o meio-campo em losango (como aparece no campinho ao lado), pois as chances contra o Chelsea passam por tirar a bola dele (o que aconteceu nos primeiros minutos diante do Newcastle) e congestionar as posições centrais, obrigando o deslocamento dos armadores às laterais do campo. No Chelsea, é interessante notar que Lampard e Terry, lesionado e suspenso, não fazem tanta falta quanto em outros tempos.

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segunda-feira, 24 de setembro de 2012 Premier League | 09:36

Conclusões da rodada (V)

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Rótulos. Na Inglaterra, manchetes relativas ao Liverpool costumam falar em poor start e relegation zone. Sim, é verdade que os números são constrangedores e deixam o clube na zona de rebaixamento. Mas a situação é ainda administrável para quem pretende, bem além de atingir determinada posição na tabela, reconstruir-se. Na derrota de ontem para o Manchester United, assim como nos empates com Manchester City e Sunderland, a equipe deu vários sinais de que (embora vá sofrer nesta temporada) está no caminho certo para o longo prazo.

A introdução de garotos como Sterling e Suso é precoce e decorrente do elenco curto, que ainda tem deficiências sérias por conta de um mercado de verão “incompleto”, mas eles têm justificado cada voto de confiança. Na temporada passada, o Liverpool não era nada. Hoje, ao menos, é o time do futuro. Torcedores e diretores precisam ser racionais para não julgar Brendan Rodgers antes da hora. Por enquanto, o trabalho é “ruim” somente para quem prefere repercutir os números a analisar os jogos.

Atenção! Ben Arfa vai criar uma jogada

Arsenal. A ótima atuação no empate fora de casa contra o Manchester City resume perfeitamente o que tem sido a temporada do Arsenal, que aproveitou a saída de van Persie, de quem dependia demais, para se fortalecer coletivamente. A defesa evoluiu com a chegada do assistente Steve Bould, ex-zagueiro do clube, e sofreu apenas dois gols em cinco partidas na liga. Diaby e Cazorla oferecem, respectivamente, força e criatividade a um meio-campo que ainda deve ganhar Wilshere em breve. Jogadores antes inseguros (sobretudo Jenkinson, Gibbs e Gervinho) também subiram seu nível. Quando (se) Giroud engrenar, o Arsenal pode sair da pasmaceira das últimas temporadas.

Ben Arfa. Foi cinematográfica a assistência de Ben Arfa a Demba Ba, no único gol da vitória do Newcastle sobre o Norwich. Com visão e habilidade notáveis, o francês está no mesmo nível dos playmakers dos candidatos ao título. Quando o talento domou o temperamento, na temporada passada, Ben Arfa tornou-se titular absoluto do Newcastle e, desde então, sempre ofereceu gols e assistências, alguns espetaculares.

Everton. Após cinco rodadas, mesmo não sendo o líder, é o time que melhor jogou no campeonato. Não é teoricamente candidato ao título porque devem faltar consistência e opções de elenco em algum ponto da temporada, mas o que comentamos aqui há seis dias confirmou-se no sábado, com a vitória por 3 a 0 sobre o Swansea, fora de casa.

Southampton. A goleada por 4 a 1 sobre o Aston Villa, primeira vitória dos Saints no campeonato, mostrou todo o potencial de ataque do time de Nigel Adkins. As quatro derrotas iniciais não traduziram fielmente o nível da equipe; apenas expuseram os problemas defensivos, graves. O Southampton tem vocação muito ofensiva, com laterais (Clyne, que marcou gol, e Fox) e volantes (Schneiderlin e Davis) que apoiam melhor do que marcam. Enquanto Ramírez e Lambert criam e aproveitam oportunidades, a defesa exposta oferece chances aos adversários. Quer ver gols? Assista a jogos do Southampton.

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terça-feira, 18 de setembro de 2012 Everton, Newcastle | 15:09

Empate?

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O novo e possivelmente melhor Everton de Moyes

Everton e Newcastle empataram por 2 a 2 numa partida fantástica em todos os aspectos. Antes de a bola rolar, o clube de Merseyside prestou uma emocionante homenagem aos 96 de Hillsborough, gesto prontamente agradecido pelo Liverpool. Em campo, o empate foi enganoso, com o Everton bastante prejudicado pela arbitragem (dois gols mal anulados) e dominante em grande parte do confronto.

Os sete pontos conquistados nas quatro primeiras rodadas não traduzem perfeitamente a situação do Everton. É cedo para rótulos, mas a equipe faz jus a todos os elogios que tem recebido. Ao elenco que iniciou (mal) a temporada passada, David Moyes adicionou Mirallas, Pienaar e Jelavic, formando um Everton capaz de sufocar adversários.

À exceção da estreia, quando venceu o Manchester United, o Everton controlou o ritmo de todos os jogos. Contra Aston Villa, WBA e Newcastle, os Toffees tiveram, respectivamente, 61, 56 e 58% de posse de bola. A equipe de Moyes finalizou 71 vezes e permitiu apenas 46 finalizações dos oponentes.

Leon Osman, jogador mais subestimado do futebol inglês, manda no meio-campo ao lado de Phil Neville. Pienaar, que voltou bem demais ao Everton, e Mirallas, que fez sua primeira partida de liga como titular, tornam-se meias abertos na recomposição defensiva, mas trocam de posição e são muito ativos quando o Everton tem a bola. Fellaini se descobriu como meia-atacante e faz temporada primorosa. Jelavic, que ontem saiu lesionado, é o primeiro atacante confiável da era Moyes.

Ba, coadjuvante insatisfeito de Cissé

Autor do primeiro gol do Everton contra o Newcastle, Baines merece parágrafo à parte. Cumpre as responsabilidades defensivas, é fundamental no ataque, faz ótima parceria com Pienaar à esquerda e sempre ameaça em bolas paradas. É o jogador mais sólido de um dos melhores times do campeonato.

Caiu do céu
O Newcastle ainda não reedita o nível da temporada passada. A questão são as atuações individuais, como as de Cabaye, que admitiu não ter começado bem, e Papiss Cissé, impreciso nas finalizações. O agente de Demba Ba, artilheiro do time e relegado ao banco ontem, revelou que ele está insatisfeito desde que foi deslocado à ponta esquerda, há sete meses. O empate com o Everton caiu do céu.

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quarta-feira, 15 de agosto de 2012 Everton, Liverpool, Newcastle, Tottenham | 10:40

Guia da temporada (parte 4)

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A penúltima parte do guia é dedicada a Everton, Newcastle, Liverpool e Tottenham:

Everton. As campanhas do Everton seguem um padrão há pelo menos três anos. O time começa mal e flerta com o rebaixamento até David Moyes conduzi-lo à metade superior da tabela com um segundo turno irretocável. Há quem elogie a reação, há quem critique o início ruim. A boa notícia para os Toffees é que Pienaar e Jelavic, contratados em janeiro deste ano e fundamentais para a recuperação em 2011-12, estão disponíveis já a partir de agosto. Jelavic, aliás, é a grande novidade em relação a outras temporadas, nas quais o centroavante sempre destoava do restante da equipe. Embora preocupem os torcedores, as vendas de Cahill e Rodwell financiam eventuais reforços e não devem afetar tanto o desempenho do conjunto. Previsão para a temporada: 8º.

Newcastle. Os observadores e diretores ainda estão trabalhando para repetir o êxito do último mercado de verão, mas o que mais importa para o Newcastle é a manutenção de tudo que deu certo na temporada passada. Se Krul, Coloccini, Cabaye, Tioté, Ben Arfa, Ba e Cissé reeditarem as atuações de 2011-12, não há o que temer. De qualquer forma, Alan Pardew sabe que a equipe precisa de novas opções pelos flancos (que podem ser Anita e Debuchy, com quem os Magpies negociam) e na defesa para ter chance de ser top five novamente. Mesmo que o time termine abaixo da quinta posição, este tem tudo para ser o ano da consolidação dos Magpies. Previsão para a temporada: 7º.

Rodgers e AVB, representantes do grupo sub-40 de treinadores

Liverpool. A desastrosa campanha na última edição da Premier League formou o novo caráter do Liverpool. O técnico Brendan Rodgers foi contratado como um projeto de longo prazo, para reproduzir em Anfield o estilo agradável e eficiente de futebol que fez tanto sucesso no Swansea. Desta vez, calejada pelas decepções da temporada passada, a diretoria liberou um orçamento menor para transferências e descartou a obrigatoriedade de um retorno imediato à Champions League. A confiança no treinador é total (não à toa, foram contratados Borini e Allen, seus jogadores favoritos), e o Liverpool vai evoluir naturalmente, mas nada é mais importante do que transmitir aos torcedores a sensação de que o clube está, enfim, no rumo certo. Previsão para a temporada: 6º.

Tottenham. Assim como no verão passado, quando contratou Adebayor e Parker e resolveu seus problemas no último dia do mercado, o Tottenham vai esperar até 31 de agosto para descobrir com quem vai disputar o campeonato. Adebayor sempre está muito perto do retorno definitivo, mas não retorna. Modric sempre está próximo de sair, mas não sai. Até que essas negociações se confirmem, André Villas-Boas não pode fechar o time. Pelo menos os reforços já contratados, Vertonghen e Sigurdsson, são ótimos. Ainda que tenha muito mais repertório do que Harry Redknapp, Villas-Boas deve sofrer para superá-lo em seu retorno à Inglaterra. Não é a mesma pressão que ele encontrou no Chelsea, mas apenas a classificação à Champions League será suficiente para agradar a seus empregadores. Previsão para a temporada: 5º.

Fantasy
Nossa liga foi reativada no Fantasy. Para quem quiser participar, o código é 482983-248915.

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sábado, 28 de abril de 2012 Everton | 17:31

Messias

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Com três meses de clube, Nikica Jelavic já é o maior ídolo dos torcedores do Everton. Ele não foi o craque da goleada por 4 a 0 sobre o Fulham (Steven Pienaar, que renasceu no retorno a Goodison Park, deu três assistências), mas acrescentou dois gols a uma marca que já era impressionante para um atacante dos Toffees. Agora são dez em 13 jogos por todas as competições.

Jelavic: Em terra de cegos...

Jelavic, de 26 anos, jamais será world class. Contudo, o ex-atacante do Glasgow Rangers tem todas as características para um casamento perfeito com o Everton: posiciona-se muito bem para receber os cruzamentos de Baines, Pienaar, Coleman, Drenthe, Osman e companhia; é um finalizador consistente; e tem gás para compensar a ausência de um legítimo companheiro de ataque – David Moyes geralmente escala alguém, que pode ser Cahill ou Fellaini, no suporte a ele.

No entanto, a excessiva idolatria pelo croata encontra no passado sua mais convincente explicação. Em uma década de clube, Moyes gastou quase £40 milhões em atacantes e lançou alguns outros da base (inclusive Wayne Rooney), mas apenas o último deles é realmente decisivo. Antes de Jelavic, foram 184 gols de atacantes em 865 atuações individuais, com média de 0,21 por partida. A média de Jelavic é de 0,77. O blog separou uma lista das tentativas de Moyes de resolver o problema crônico do ataque, da mais à menos eficiente:

1 – Nikica Jelavic, contratado por £6 milhões – 10 gols em 13 jogos (0,77 gol por partida)
2 – Brian McBride, por empréstimo – 4 gols em 8 jogos (0,5)
3 – Yakubu, por £14,5 milhões – 33 gols em 107 jogos (0,31)
4 – Andy Johnson, por £9,5 milhões – 22 gols em 74 jogos (0,3)
5 – Louis Saha, sem custos – 35 gols em 135 jogos (0,26)
6 – Jermaine Beckford, sem custos – 10 gols em 40 jogos (0,25)
7 – Wayne Rooney, formado no clube – 17 gols em 77 jogos (0,22)
8 – Jô, por empréstimo – 7 gols em 35 jogos (0,2)
9 – James Beattie, por £8 milhões – 15 gols em 86 jogos (0,17)
10 – Apostolos Vellios, por £300 mil – 3 gols em 18 jogos (0,17)
11 – James Vaughan, formado no clube – 9 gols em 60 jogos (0,15)
12 – Victor Anichebe, formado no clube – 18 gols em 134 jogos (0,14)
13 – Marcus Bent, por £500 mil – 8 gols em 66 jogos (0,12)
14 – Denis Stracqualursi, por empréstimo – 3 gols em 25 jogos (0,12)

Finalmente, o Everton pode reagir a situações muito adversas, como há uma semana, quando perdia por 4 a 2 para o Manchester United em Old Trafford e buscou o empate. Com Jelavic, que já é o artilheiro do time na temporada, o aproveitamento na liga é de 66,6%. Sem ele, de 44%. Pode ser a diferença de que Moyes precisava para decidir ficar em Goodison Park.

Curtas
*Luis Suárez também brilhou hoje. Com direito a gol do meio-campo, marcou um hat-trick na vitória do Liverpool sobre o Norwich por 3 a 0.
*O Wigan destruiu o Newcastle. Venceu por 4 a 0 com todos os gols no primeiro tempo. A vitória não foi exatamente uma surpresa pelo que os Latics têm jogado, mas o placar assusta.
*Depois do Reading, o Southampton garantiu o acesso à Premier League. West Ham x Cardiff e Birmingham x Blackpool são os confrontos dos play-offs pela terceira vaga.

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