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Posts com a Tag Fernando Torres

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013 Debates | 21:32

A lenda do mercado interno

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O mercado interno inglês costuma punir severamente quem comete erros de avaliação. Quando, em vez de observar outras ligas, um clube se rende ao comodismo de contratar um jogador consolidado na Premier League, o preço é geralmente inflacionado, o que gera expectativa e obrigação de retorno imediato. Entre outros fatores, isso acontece por conta de um consenso enganoso: se alguém dá certo em determinado time, necessariamente manterá o nível em outra equipe da mesma liga, pois está habituado ao futebol daquele país. É como se não houvesse risco de fracasso.

Há pouco mais de dois anos, o Liverpool vendeu Fernando Torres ao Chelsea por £50 milhões, entrou em pânico e, no mesmo dia, reinvestiu £35 milhões em Andy Carroll. Esse é o caso mais conhecido de supervalorização, mas existem outros. Entre 2009 e 2011, o Aston Villa vendeu um meio-campo completo – Downing, Barry, Milner e Young – por cerca de £80 milhões. O mesmo Villa que, em janeiro de 2011, pagou £24 milhões por Darren Bent, hoje reserva no time de garotos de Paul Lambert. Nenhum desses jogadores é exatamente um sucesso após a transferência.

Falta a muitos clubes bom senso na hora de definir os alvos. Por exemplo, Milner foi aclamado pela crítica quando, ainda no Aston Villa, passou a atuar como meia central para suprir a ausência de Barry. Repentinamente, um winger mediano se transformou em alguém comparável a Steven Gerrard e atraiu o interesse de outros clubes. No Manchester City, que pagou por ele £20 milhões e ainda cedeu Ireland ao Villa, Milner raramente foi utilizado na faixa central, voltou a ser o winger mediano e fez a transferência parecer um péssimo negócio.

Mesmo para quem está acostumado ao futebol inglês, existem circunstâncias que impactam o desempenho do jogador. Personagens da triangulação de 2011 entre Chelsea, Liverpool e Newcastle, Torres e Carroll têm sido constrangedores. Enquanto o caso do espanhol parece envolver aspectos físicos e psicológicos, o do inglês é um pouco mais claro. Em St. James’ Park, beneficiado pelas bolas longas e a precisão de Joey Barton, Carroll tinha enorme influência sobre os jogos, com gols e assistências de cabeça. O centroavante emprestado ao West Ham é refém de um modelo de jogo e precisa, necessariamente, de um bom provedor de bolas altas.

No Liverpool, até a dança de Sturridge é mais natural (mentira)

Dois anos depois, outra triangulação entre Chelsea, Liverpool e Newcastle ajuda a sustentar a tese (óbvia) de que certos jogadores rendem mais em certos contextos. O Chelsea fez uma “troca” muito celebrada: vendeu Daniel Sturridge ao Liverpool por £12 milhões e ativou a cláusula de rescisão de Demba Ba no Newcastle, de £7 milhões. Com £5 milhões de lucro, era o negócio do ano.

Era mesmo? Sturridge, que nada produzia em Stamford Bridge desde a saída de André Villas-Boas, tem 23 anos, talento comprovado (embora mal explorado no Chelsea) e já é fundamental em Anfield – a parceria entre ele e Suárez virou quase um requisito para o Liverpool ganhar jogos. O ataque flexível de Brendan Rodgers beneficia Sturridge, que troca de posição a toda hora e abusa do drible e da velocidade. No Chelsea, Ba reveza com Torres e está bem longe de reeditar as atuações do Newcastle.

Clint Dempsey foi excelente no Fulham e tem sido apenas razoável no Tottenham. Samir Nasri terminou bem no Arsenal e está mal no Manchester City. Steven Pienaar arrebentava no Everton, foi péssimo no Tottenham (ele funciona melhor à esquerda do meio-campo, onde joga Gareth Bale) e resgatou seu melhor jogo quando retornou ao Everton. Provas de que um bom currículo ajuda, mas não garante o sucesso de uma contratação.

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quarta-feira, 24 de outubro de 2012 Chelsea, Copas Europeias | 11:41

Tic-tac

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Torres ganha um título atrás do outro e até marca gols, mas simplesmente não convence

A merecida derrota para o Shakhtar Donetsk deixa o Chelsea sob pressão na Champions League. Diante da campanha impecável dos ucranianos, o atual campeão europeu está obrigado a superar a Juventus – e ainda há confronto direto em Turim – para evitar o vexame de uma eliminação na primeira fase. O fato é que, com apenas uma vitória em quatro partidas continentais, a equipe de Roberto Di Matteo não reproduz na Europa as boas atuações domésticas. Único centroavante puro do elenco, Fernando Torres não marcou gol na Supercopa e na Champions e tem sido responsabilizado pelo pobre desempenho.

O Torres de 2012-13 pode ser interpretado de formas distintas. Os seis gols em 13 jogos sugerem que ele evoluiu, mas a prática desmente. Até a temporada passada, de alguma maneira, era possível rebater os números, argumentando que sua movimentação contribuía bastante, o estilo de jogo não o favorecia, ou mesmo que a sombra de Drogba o travava. Mas esses fatores não existem mais.

Contra o Shakhtar, por exemplo, Torres matou uma série de jogadas do Chelsea, até esgotar a paciência do treinador e ser trocado por Sturridge. Aliás, Sturridge é quem mais se aproxima de uma alternativa ao espanhol no elenco, pois Di Matteo perdeu Drogba, emprestou Lukaku e não repôs as saídas. Em síntese, intencionalmente ou não, fez tudo para que Torres se sentisse confortável. Ainda contratou Hazard e Oscar e montou um trio de armadores para abastecê-lo. O número de gols aumentou, assim como a sensação de que ele destoa da equipe.

Frequentemente incapaz de manter a bola sob controle, Torres tem até janeiro para eliminar sua crise de confiança. Parece claro que, com o mercado de inverno batendo à porta, o Chelsea planeja contratar alguém que acompanhe o ritmo dos armadores e defina melhor os lances de ataque – não necessariamente Falcao García. Pode ser uma questão de sobrevivência na temporada. O tempo está acabando para o atacante de £50 milhões e 0,22 gol por partida.

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domingo, 5 de fevereiro de 2012 Chelsea, Sunderland | 22:40

Fernando Torres e James McClean

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Com dois gols e duas assistências na liga, McClean já virou ídolo no Stadium of Light

Há um ano, Fernando Torres se transformou no jogador mais caro da história do futebol inglês. Também há um ano, James McClean era destaque do Derry City, que participa da primeira divisão irlandesa. Torres não marca no campeonato há 19 horas e tem mais cartões amarelos (quatro) do que gols (três) em um ano de Premier League pelo Chelsea. McClean, por sua vez, tem nove jogos pelo Sunderland e decidiu a vitória por 1 a 0 sobre o Stoke, no sábado.

Torres foi razoável no empate por 3 a 3 contra o Manchester United, com destaque para a precisa assistência ao golaço de Mata. Mas, como quase sempre desde que se transferiu a Stamford Bridge, hesitou na hora de marcar seu próprio gol. O espanhol parece fisicamente bem e conta com apoio irrestrito de elenco, técnico e torcedores. Por enquanto, contudo, tem a autoconfiança de um Keirrison depois de 2009. Nem o conforto pela ausência de Drogba, na Copa Africana de Nações, ajuda.

McClean ignorou a neve do Britannia Stadium e, como autêntico left winger que é, costurou o lado direito da defesa do Stoke. Este norte-irlandês que ninguém conhecia até há pouco foi contratado em agosto, ainda com Steve Bruce no comando, por £350 mil. Se Bruce não o aproveitou, Martin O’Neill identificou nele um dos caminhos para resgatar o Sunderland, que ganhou 22 de 30 pontos possíveis desde que o novo treinador assumiu o barco. O craque é Sessegnon, mas o achado é McClean.

O’Neill disse que a ascensão dele poupou ao menos £10 milhões dos cofres do Sunderland. É só mais uma prova de como a observação (aí, é mérito da equipe de Bruce), mesmo a ligas periféricas como a irlandesa, pode garantir bons resultados. Enquanto isso, lá em Bridge, Torres tenta se encontrar. Para quem custou 143 vezes o preço de McClean, o tempo urge.

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segunda-feira, 12 de setembro de 2011 Chelsea | 14:58

Fernando e André

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Lento, ele? Torres mexeu com quem estava quieto

Um tem 27 anos, histórico goleador na Inglaterra, a grife de uma transferência de £50 milhões e um grupo acolhedor e paciente diante de seu fracasso inicial. O outro, 33 anos, a pressão de comandar o time de um proprietário imediatista e obcecado e um vestiário difícil de administrar. E aí, qual deles se complicou? Enquanto André Villas-Boas se vira e começa bem no Chelsea, Fernando Torres consegue se destruir também fora de campo.

Com um gol em 22 jogos pelo (nem tão) novo clube, o espanhol parece ter decidido se queimar de vez. Na semana passada, ele concedeu ao site da liga espanhola uma entrevista em que qualificava Juan Mata, meia que ele mesmo ajudou a levar do Valencia para o Chelsea, como uma “contratação necessária”. O motivo? Torres explicou que “os jogadores mais velhos” do time são “muito lentos”.

A declaração até faz sentido, pois ele se referia mais a um estilo do que a um defeito. Só que, quando está sem moral, você não pode alfinetar gente como Terry, Lampard e Drogba com termos tão marcantes – velhos e lentos. Torres, que publicou a entrevista em inglês no próprio site, alegou erros de tradução. As palavras repercutem mal no clube, que pede explicações. Villas-Boas já disse que a entrevista será dissecada para que se chegue a uma conclusão.

Se Torres transfere a responsabilidade pela fase difícil (que, de tão duradoura, pode perder o status de “fase”), Villas-Boas chega muito bem à semana mais importante de seu trabalho no Chelsea até agora. Às vésperas da estreia na Champions, a menina dos olhos de Roman Abramovich, e de um confronto importante para marcar território contra o Manchester United, o português começa a impor voz e estilo em Stamford Bridge.

A própria condução do problema Torres é perfeita. No início da temporada, deu sucessivas chances a ele, fez aposta irrestrita no homem de £50 milhões como um expresso voto de confiança. Como não houve boas respostas em campo e ao microfone, cortou a sequência de jogos do espanhol e abriu, também no ataque, espaço ao que pode impulsionar a temporada do Chelsea: as novidades. Na vitória de sábado sobre o Sunderland, por exemplo, Daniel Sturridge fez um golaço de calcanhar.

Sturridge já era do Chelsea, mas, como volta revigorado do empréstimo ao Bolton, faz parte de um tripé de reforços fundamentais que ainda tem Raul Meireles e Juan Mata. Com os três, Villas-Boas viu o time fazer no Stadium of Light seu melhor jogo na temporada. É assim, Torres, que se faz gestão de grupo: não colocando os líderes na berlinda e, discretamente, ajustando a estrutura de uma equipe que precisava mesmo se renovar.

Caminhos opostos: o português é o ibérico mais confiável

Velho conhecido dos capitães (trabalhava para Mourinho) e publicamente aprovado pelo grupo, Villas-Boas começa a assinar esse time. A clara política de rejuvenescimento do elenco sem desprezar as antigas referências é a melhor que ele poderia fazer. Amanhã, o teste é o Bayer Leverkusen. No domingo, o Manchester United. Hora de o multicampeão pelo Porto se revelar candidato aos dois títulos. Até que se prove o contrário, ele está no páreo.

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terça-feira, 14 de junho de 2011 Listas, Review | 17:56

A temporada: As piores contratações

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Contagioso: no Wolfsburg, Steve McClaren transmite seu espírito vencedor a Dzeko

Após as melhores contratações, fique com a lista dos piores negócios da temporada inglesa:

7) Edin Dzeko, do Wolfsburg para o Manchester City por £27 milhões em janeiro. A ideia foi perfeita. Dzeko era bom demais para brigar contra o rebaixamento na Bundesliga, e o City precisava de complemento e alternativa a Tevez. Só que ele não jogou nada. Foram seis gols por todas as competições, mas apenas dois em 15 jogos na Premier League. Será mais cobrado em 2011-12. Ocupa o lugar que seria de Balotelli.

6) Aliaksandr Hleb, do Barcelona para o Birmingham por empréstimo. O bielorrusso era o cara a oferecer fantasia a um time ajustado, de padrão bem definido, porém muito previsível. Com a piora do Birmingham em relação à temporada passada, o ex-meia do Arsenal preferiu se esconder e argumentar que “o estilo de jogo não o favorecia” a assumir responsabilidade. Um pouco por conta de lesões, nem titular absoluto foi. É símbolo do rebaixamento.

5) Mauro Boselli, do Estudiantes para o Wigan por £6,5 milhões. A política do clube de contratar latino-americanos dá certo: Figueroa, Palacios, Valencia e Rodallega são os melhores exemplos. No entanto, o argentino, artilheiro e campeão da Libertadores pelo Estudiantes em 2009, foi um autêntico flop. Marcou só contra o Swansea, pela Carling Cup. Na Premier League, passou em branco e perdeu até pênalti, defendido por Rob Green. Foi emprestado ao Genoa em janeiro.

4) Stephen Ireland, do Manchester City para o Aston Villa. A transferência de Milner não foi um grande negócio, mas até que, para se livrar de Ireland, ela serviu. O irlandês foi o melhor jogador do Manchester City em 2008-09. Depois, a carreira desandou. O desinteresse à Balotelli não estimulou Gérard Houllier, que não confiou nele nem quando o Villa passou por uma crise terrível de lesões na meia central. O empréstimo ao Newcastle fez Ireland criar notável intimidade com os médicos de lá.

3) Bébé, do Vitória de Guimarães para o Manchester United por £7 milhões. A ascensão do português, um dia sem-teto, é bem legal: de torneios de rua a Old Trafford. O futebol na temporada de estreia é que foi fraco. Bébé até marcou um gol na Champions, contra o Bursaspor, mas não chegou a justificar a aposta. Ferguson, que nunca o tinha visto jogar, foi apresentado a um winger atrapalhado e tímido até diante do Crawley Town, da quinta divisão, pela FA Cup.

Sem traquejo: Fernando Torres e Bébé

2) A turma do Liverpool. Tem de ser assim, coletivo. Individualizados, eles dominariam a lista. Paul Konchesky (Fulham, £3,5 milhões), Christian Poulsen (Juventus, £4,5 milhões), Milan Jovanovic (última herança de Benítez, livre do Standard Liège) e Joe Cole (livre do Chelsea) chegaram para jogar e fracassaram. Konchesky até foi titular na primeira parte da temporada, o que só expôs o erro. O lateral foi emprestado ao Nottingham Forest.

1) Fernando Torres, do Liverpool para o Chelsea por £50 milhões em janeiro. Três temporadas prolíficas em Anfield, mercado interno e desespero dos Blues inflacionaram o preço do espanhol. A contratação era discutível, mas a má fase dos atacantes em Bridge fez muita gente interpretá-la como um passo tardio de reconstrução, que também teve a chegada de David Luiz. O problema é que um Torres travado viveu o pior semestre de sua carreira e fez um negócio aceitável parecer totalmente bizarro. Foram 18 jogos e um gol. Não tem jeito: o Chelsea tem de manter a aposta.

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terça-feira, 17 de maio de 2011 Chelsea, Curiosidades | 15:01

Stefan 1 x 1 Torres

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Até uma inocente apresentação do filho do defensor sérvio Branislav Ivanovic, do Chelsea, é pretexto para piadas com Fernando Torres. Mesmo depois de marcar seu primeiro gol pelo clube em 23 de abril, contra o West Ham, o espanhol não se livrou das brincadeiras. Pudera: são 17 jogos e só um gol para o homem de £50 milhões, que fez 65 em 102 partidas de liga pelo Liverpool (81 em 142 no geral).

Após Chelsea 2 x 2 Newcastle, no domingo, o pequeno Stefan Ivanovic, de dois anos, foi o único motivo de alegria em Stamford Bridge. Sem título e sem vencer seu último jogo em casa, o clube pelo menos ganhou a perspectiva de um craque para o futuro, alguém melhor que Torres de acordo com publicações locais. Ivanovic, o pai, pensou na óbvia consequência do gol de seu filho?

Dica do Francisco De Laurentiis

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quarta-feira, 20 de abril de 2011 Chelsea, Premier League | 09:13

É hoje, Torres?

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Hoje, às 15h45 de Brasília, o Chelsea recebe o Birmingham, vazado apenas duas vezes nos últimos três jogos. O confronto, da 28ª rodada da Premier League, é a 13ª chance para Fernando Torres fazer seu primeiro gol em azul. Em 12 partidas ou 701 minutos, nada de comemorar. Ancelotti parece ter razão: apesar da péssima forma, ele não perdeu definitivamente o rumo e deve marcar em breve.

Enquanto o gol não vem, as gozações se proliferam. A mais famosa é o site que responde a uma simples pergunta: “Torres já marcou pelo Chelsea?”. Um torcedor do Liverpool mostra “todos os gols” de El Niño pelos Blues. Chris Cohen, que foi tema no blog, não consegue imaginar o espanhol balançando as redes. Até em leilão ele foi envolvido.

A agonia do atacante, pressionado pelos 50 milhões de libras investidos nele, o fracasso do Chelsea na temporada e o sarcasmo de Liverpool têm atrapalhado. Torres, que pode começar no banco mais uma vez, tem sido o Herrera ibérico, o quase-gol de Stamford Bridge:

*Acrescentando seus últimos momentos no Liverpool à seca no Chelsea, Torres não marca há 792 minutos

*O Liverpool, aliás, viveu situação parecida há pouco. Em 2005-06, Peter Crouch precisou de 20 jogos para fazer seu primeiro gol pelo clube. Crouch, vale lembrar, não é um goalscorer como Torres

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domingo, 6 de março de 2011 Liverpool, Premier League | 22:10

Com a bênção do artilheiro

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Rush observa Suárez e Carroll, o ataque mais promissor do Liverpool desde Fowler e Owen

Há um mês, o árbitro Phil Dowd deixou o abusado Joey Barton (fazer) deitar e rolar no confronto entre Newcastle e Arsenal. A permissividade com Carragher não surpreendeu. Na grande vitória sobre o Manchester United, novidade, mesmo, foi a presença da nova dupla de ataque do Liverpool. Suárez foi tão fantástico, que ofuscou o hat-trick de Kuyt, escalado ao lado do uruguaio por Kenny Dalglish. A Carroll, que começou no banco, sobraram os holofotes da estreia e o status de britânico mais caro da história.

Das bancadas, um discreto Ian Rush observava tudo. Trata-se do maior artilheiro da história do clube. Seus 346 gols em 660 jogos o transformaram numa espécie de consultor para a mídia quando o assunto é ataque. O eterno camisa 9 é o padrinho de uma linha de sucessores. Fowler, Owen e Torres foram apoiados por ele e sempre apareciam ao lado do ex-bigodão. Assim que os Reds perderam Torres e ganharam Carroll e Suárez, o ex-atacante galês foi convocado a falar. “São duas contratações sensacionais. Agora, é um time mais completo”, diz ele.

O show de Suárez ainda não havia terminado quando Carroll foi chamado para o jogo. Quem as câmeras buscaram? Rush, é claro. Ele aplaudiu a entrada e esfregou as mãos. Certamente, não apenas pelo herdeiro da 9. A dupla é o que mais o entusiasma. Um pivô goleador e um dos mais completos atacantes do mundo podem ser a base para a reconstrução de um time ainda instável, mas que tem resgatado sua grandeza.

Seleção do fim de semana: Mignolet (Sunderland); Mensah (Sunderland), Jagielka (Everton), Gary Cahill (Bolton), Baines (Everton); Duff (Fulham), Parker (West Ham), Modric (Tottenham), Kuyt (Liverpool); Suárez (Liverpool), Defoe (Tottenham).

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terça-feira, 15 de fevereiro de 2011 Chelsea, Premier League | 00:03

A Liga Europa é logo ali

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O empate por 0 a 0 no Craven Cottage ratificou a boa fase do Fulham e a possibilidade de o Chelsea não chegar à próxima Liga dos Campeões. A dois pontos do Tottenham, os Blues estão na quinta posição e veem ameaçada uma vaga de que não abrem mão desde antes da chegada de Roman Abramovich. Em 2002-03, o Chelsea de Terry, Lampard, Desailly, Zola e Hasselbaink facilitou a vida do investidor russo, oferecendo-lhe de bandeja a oportunidade de disputar a Champions em sua primeira temporada. O de Ancelotti, antes favorito incontestável ao título, dá a Abramovich seu pior momento na Inglaterra.

Torres joga como prefere, e os torcedores "plagiaram" a música que ele ouvia no Liverpool. Mesmo assim, não está à vontade

Há duas temporadas, Felipão, sempre vinculado a um período terrível para o clube, deixou o time a sete pontos do então líder Manchester United. Hoje, o Chelsea está a doze. O aproveitamento que foi de 75% em 2009-10 desabou para 57% após 26 rodadas em 2010-11. O desespero da cúpula, sintetizado pela estranha demissão do auxiliar Ray Wilkins, culminou em contratações pesadas num mercado habitualmente utilizado para reparos.

Apesar do desespero sinalizado, o elenco precisava mesmo de injeções. David Luiz e Fernando Torres já jogam regularmente. A despeito do suposto pênalti em Dempsey (eu não marcaria), desperdiçado pelo ianque, o zagueiro brasileiro causou impacto positivo na Inglaterra. David é firme nos desarmes, participa também das ações ofensivas e, em que pese a péssima experiência no Benfica, mostra a Ancelotti que pode ser deslocado a uma lateral quando necessário. Torres, ao contrário, não parece confiante e, após pouco mais de duas horas de futebol insosso, motiva questionamentos sobre o investimento nele. É muito cedo, mas o começo foi decepcionante para quem não precisou fazer nenhum sacrifício tático.

Aliás, Ancelotti parece mesmo inclinado ao 4-3-1-2. No Cottage, Drogba foi relegado ao banco, e Malouda fez a ligação na maior parte do jogo. A formação não foi suficiente para superar um Fulham mais sólido e confiante do que há um par de meses. Sem marcar nas últimas duas rodadas, o Chelsea, mais leve, até melhorou em relação à derrota para o Liverpool. Mas nem o retorno aos trilhos garante a quarta posição. A disputa por duas vagas na Champions com Manchester City e Tottenham tende a ser dura. Os Blues ainda enfrentam Manchester United (duas vezes), Manchester City, Tottenham e Everton. Mesmo longe de ser simples, a missão precisa ser cumprida. O prejuízo embutido em uma eventual ausência na Champions é incalculável.

Seleção da rodada
Ben Foster (Birmingham); Micah Richards (Manchester City), David Luiz (Chelsea), Michael Dawson (Tottenham), Carlos Salcido (Fulham); Nani (Manchester United), Stuart Holden (Bolton), Jack Wilshere (Arsenal), Niko Kranjcar (Tottenham); Demba Ba (West Ham), Wayne Rooney (Manchester United).

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domingo, 6 de fevereiro de 2011 Chelsea, Liverpool, Premier League | 21:33

Dalglish venceu o Chelsea

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Mesmo em sua posição natural, Torres foi tímido e perdeu o duelo contra os três zagueiros do Liverpool. Foto: EFE

O segundo estágio de Kenny Dalglish no Liverpool começou em 2009. Rafa Benítez o convidou a assumir a coordenação das categorias de base e o posto de embaixador do clube. Ele nunca perdeu Anfield de vista, mas passou a frequentar mais o estádio desde o retorno. Dalglish, que também vivia o cotidiano dos Reds, acumulava observações e as guardava consigo. Quando se viu treinador, tinha moral histórica e conhecimento de causa para propor mudanças.

O time inovador a que assistimos em Stamford Bridge já havia ensaiado. O deslocamento de Johnson à esquerda, para cobrir uma posição sem dono e abrir espaço a Kelly na direita, aconteceu logo no segundo jogo de Dalglish, contra o Blackpool. Avançar Raul Meireles também era uma necessidade imediata na visão do novo manager, e ele não demorou a fazê-lo. Na quarta-feira, quando recebeu o Stoke, o Liverpool foi armado com três zagueiros, a mesma estratégia que travou o Chelsea.

Solução conveniente. Ainda sem Suárez totalmente integrado e o lesionado Carroll, Dalglish sabia que precisaria de Gerrard e Meireles trabalhando próximos a Kuyt, isolado à frente. Os três zagueiros permitiriam isso sem afetar o equilíbrio do time. Do outro lado, Ancelotti voltava a armar o meio-campo do Chelsea em losango para viabilizar a estreia de Fernando Torres, a quem preferiu não oferecer a ponta direita. Era um 4-3-1-2, com Mikel protegendo a defesa, Essien e Lampard na meia central e Anelka na ligação.

Os Blues tinham uma artilharia pesada, mas não eram fortes pelos flancos. Dalglish reagiu com um sagaz 3-4-2-1, concentrando suas peças na faixa central, com Meireles e Gerrard à frente de Maxi e Lucas, e dando as alas a Kelly e Johnson. Em atuação monstruosa dos zagueiros do Liverpool e de seus protetores, Torres e Drogba mal tocaram a bola. Quando a defesa do Chelsea falhou (aliás, que jornada para os amigos Cech e Ivanovic, hein?), o avançado Meireles estava lá para marcar seu quarto gol na temporada, todos nos últimos cinco jogos. Além do português, Carragher e Lucas foram particularmente impressionantes. Tachado de ultrapassado até duas semanas atrás, Dalglish venceu o Chelsea do hoje sonolento Fernando Torres.

A propósito, depois de quatro vitórias seguidas (com quatro clean sheets), já podemos dizer que King Kenny fica para a próxima temporada? “A decisão é dos proprietários. Ele é um herói para mim e Gerrard. Se você me pergunta, posso dizer que quero muito que ele permaneça”, disse Jamie Carragher ao site do Liverpool.

O imediatismo venceu o West Bromwich

Roberto Di Matteo foi demitido. O West Bromwich perdeu 13 dos últimos 18 jogos. Desfazer-se do treinador italiano pareceu conveniente ao presidente Jeremy Peace, que alegou buscar a melhor forma de evitar a queda ao Championship. No entanto, quem assiste a um jogo dos Baggies certamente identifica um time bem armado, insinuante (com um Brunt em grande temporada) e capaz de encher a paciência dos grandes.

Di Matteo sempre manteve o WBA fora da zona de rebaixamento e o entrega à beira dela, na 17ª posição. O Blackpool, que só perde há cinco rodadas, não pensa em dispensar Ian Holloway. Peace, ao contrário, copia a fórmula do rebaixado Hull City, que resolveu demitir Phil Brown a dois meses do fim da temporada passada. Uma reedição também do resultado não será surpresa.

Seleção da rodada: Hennesey (Wolves); Walker (Aston Villa), Carragher (Liverpool), Agger (Liverpool), Elokobi (Wolves); McCarthy (Wigan), Lucas (Liverpool), Meireles (Liverpool), Barton (Newcastle); Tévez (Manchester City), Saha (Everton).

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