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terça-feira, 25 de junho de 2013 Liverpool | 11:00

Além do óbvio

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Depois que Luis Suárez mordeu Branislav Ivanovic e foi suspenso pela Football Association, o Liverpool venceu três partidas, empatou uma e marcou dez gols. Era mesmo necessário minimizar a sensação de dependência, pois o time caminhará sem o uruguaio nos seis primeiros jogos de 2013-14, que completam sua segunda longa punição desde que chegou à Inglaterra. Para piorar, ele vive sugerindo em entrevistas que pretende deixar a liga inglesa, criando uma cortina de fumaça sobre seu simples e direto desejo de jogar no Real Madrid.

Há seis meses, o Liverpool se resumia a Suárez. Ficar sem ele, definitivamente ou não, deveria ser um cenário devastador para quem precisa começar a temporada com um bom aproveitamento – a corrida pelo top four exigirá isso do time, sobretudo porque a tabela não foi “madrasta” como nas primeiras rodadas da temporada passada. Mas não é bem assim. Conforme indicaram as últimas partidas de 2012-13, Coutinho e Sturridge podem perfeitamente tomar conta do ataque.

Lançamento de Coutinho, gol de Sturridge®

O brasileiro é um ótimo condutor de bola e raramente erra o passe decisivo. Sturridge é muito rápido e costuma ganhar duelos individuais. Isso explica por que Brendan Rodgers abriu mão do tiki-taka e apostou mais em transições rápidas no fim da temporada. No entanto, Coutinho e Sturridge não são – e nem poderiam ser – os únicos motivos para o Liverpool marcar gols sem que Suárez tenha de pari-los. Até porque o inglês adora passar uns tempos no departamento médico e pode perder as primeiras rodadas de 2013-14.

A ideia de construir um ataque flexível foi uma das razões pelas quais, entre os dois meias da Internazionale que estavam disponíveis no mercado de inverno, Rodgers contratou Coutinho e deixou Sneijder para o Galatasaray. Sneijder teria de ser o “10”. Coutinho terminou a temporada como “10”, mas começou no Liverpool aberto pela esquerda, marcando lateral e ainda com fôlego para desiquilibrar à frente, numa linha que tinha Suárez por dentro e Downing à direita, todos atrás de Sturridge quando não havia lesionados.

Na parte final da campanha, essa flexibilidade dos jogadores de ataque fez Suárez atuar nas quatro posições ofensivas do 4-2-3-1 habitual de Rodgers. O uruguaio sempre fazia a diferença, mas não tinha mais uma função definida como na metade inicial da temporada, quando ele era a referência. A equipe aprendeu a não jogar necessariamente em função de Suárez. Numa comparação superficial com o Atlético Mineiro de Cuca, os quatro jogadores de ataque assumiam seus compromissos defensivos, mas poderiam “bagunçar” (para citar Ronaldinho) quando tivessem a bola.

Aspas acerta cabeçada em Carlos Marchena. Em algum ponto, ele substitui Suárez

Com ou sem Suárez, esse modelo deve se aperfeiçoar na próxima temporada. Rodgers, que fala castelhano fluente, começou o verão atacando o mercado espanhol. Já estão em Melwood Luis Alberto (20 anos), que passou a última temporada emprestado ao Barcelona B pelo Sevilla, e Iago Aspas (25), maior ídolo recente do Celta de Vigo. Para contratá-los, o Liverpool investiu £14 milhões, menos do que os £15 milhões que o West Ham pagou por Andy Carroll, que jamais se ajustaria à estratégia dos Reds.

Ao site do Liverpool, o jornalista Ben Hayward elogiou a capacidade que Luis Alberto tem de ler o jogo, além de sua versatilidade (foi “falso” centroavante no Barça B, mas ele mesmo afirma que não tem uma posição predileta) e visão para assistências – foram 18 na segunda divisão espanhola. De acordo com Andreas Vou, especialista em La Liga, Aspas tem o estilo de Giuseppe Rossi e o comportamento de Craig Bellamy. Se essas características se confirmarem, Rodgers terá o jogador que tentava contratar: não será um dos melhores da liga, mas é tecnicamente hábil para jogar em todas as posições de ataque e competitivo ao extremo.

Contratar dois jogadores cujos melhores momentos foram na segunda divisão espanhola não é a solução para todos os problemas do Liverpool, mas mostra que o clube deixou de ser preguiçoso na observação de talentos. Rodgers vê muito futebol, em todos os níveis, e não hesita em contratar um jogador que admira, mesmo que ele esteja longe de holofotes. Foi assim com Coutinho e Sturridge, e está sendo assim no mercado de verão. Ainda vale lembrar os jovens. Se o Liverpool não está desesperado atrás de wingers, é porque confia no desenvolvimento dos muito promissores Raheem Sterling e Jordon Ibe. Além deles, o criativo Suso faz ótimo Mundial sub-20 pela Espanha.

Mas o que fazer com Suárez? Tentar mantê-lo, claro. Ele é brilhante, embora seja também uma bomba-relógio, e tem mais quatro temporadas de um contrato assinado há menos de um ano. No entanto, se não houver acordo com o uruguaio, o clube não precisa mais ser refém dele. O único cuidado é não deixar a venda para as últimas horas da janela para transferências. Rodgers tem na manga uma lista de jogadores para reinvestir o dinheiro, entre os quais está o meia armênio Henrikh Mkhitaryan, do Shakhtar. O Liverpool foge do óbvio e está pronto para, com ou sem Suárez, melhorar o elenco.

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sábado, 18 de maio de 2013 Liverpool | 16:04

A temporada possível

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Rodgers sempre menciona as tradições e os valores do Liverpool. Mais do que um clube de futebol, é um modo de vida, diz

A temporada do Liverpool foi ruim ou boa, dependendo de quem a interpreta. Na perspectiva mais pessimista, o clube subiu apenas uma posição em relação a 2011-12 – de 8º a 7º na Premier League – e fracassou de maneira retumbante nas copas. Os otimistas podem buscar números menos importantes, mas que ajudam a traçar o novo perfil do time. Por exemplo, o saldo positivo de 27 gols, inferior apenas aos dos quatro primeiros colocados da liga, ou os 38 gols marcados fora de casa, um recorde neste campeonato.

O Liverpool, que encerra sua campanha contra o Queens Park Rangers amanhã em Anfield, perdeu nove partidas na liga, seis nas últimas 32 rodadas. Nada impressionante, mas indica um time menos frágil e previsível que o da temporada passada, derrotado 14 vezes no campeonato porque sangrava para marcar gols – foram 47 contra 70 (mais os que provavelmente serão marcados diante do QPR) de 2012-13.

Entretanto, números não definem precisamente a temporada do Liverpool, sobretudo porque o Fenway Sports Group, administrador do clube, escolheu a mudança no verão passado. Quando demitiu Kenny Dalglish, entregou o time a Brendan Rodgers e recusou-se a reforçar o elenco com jogadores para curto prazo (Clint Dempsey foi um exemplo), mesmo que isso tenha limitado demais as alternativas do treinador, o FSG bancou um projeto e desistiu da temporada.

O ano seria apenas um intervalo de tempo no qual Rodgers desenvolveria uma ideia de ruptura com o britanismo de Kenny Dalglish, ajustaria o elenco e tentaria provar, com alguns resultados e jogos marcantes, que está no caminho certo. Admitindo isso, Rodgers fez bom ano de estreia, com o bônus de ter desenvolvido garotos da base como Suso, Sterling e Wisdom e ainda recuperado jogadores que pareciam casos perdidos.

Henderson fez grande segunda metade de temporada, após um péssimo 2011-12, e Downing trabalhou até virar titular, ainda que deva perder a posição a partir de agosto, com novos reforços. Além deles, um Gerrard praticamente livre de problemas físicos se redescobriu como uma espécie de deep-lyng playmaker, trabalhando mais na organização do time do que na finalização de jogadas.

A falta de criatividade no primeiro mercado de transferências de Rodgers, que contratou os antigos conhecidos Allen e Borini, foi compensada pela sagacidade na janela de inverno, quando o Liverpool começou a resolver problemas de fato. As capturas de Sturridge e Coutinho em janeiro não foram golpes de sorte, mas a confirmação de que, com tempo para avaliar o próprio elenco, Rodgers sabia exatamente o que estava fazendo e de que tipo de jogador precisava.

Entrevistas de diretores e do próprio Rodgers indicam que o próximo mercado seguirá o mesmo modelo. A ideia é contratar jogadores jovens, talentosos, ainda não tratados como fenômenos (por isso mais baratos) e que possam se desenvolver no clube. Tudo sem preconceitos ou clichês.

Sturridge, que teve algumas atuações espetaculares, mostrou que nem todo inglês contratado pelo Liverpool é superestimado. A nacionalidade nada tem a ver com seu talento, mal explorado pelo Chelsea. Outro grande exemplo é Philippe Coutinho, incrível durante o empréstimo ao Espanyol, subavaliado pela Internazionale, que cometeu um enorme equívoco ao vendê-lo por apenas £8,5 milhões, e considerado precipitadamente uma promessa frustrada – ele tem só 20 anos! O brasileiro é o melhor jogador do Liverpool desde que foi contratado.

Ídolo precoce, Coutinho já virou até peça de Lego

No próximo verão, seguindo a lógica de contratar para setores carentes, o Liverpool deve acrescentar ao elenco um zagueiro para substituir Carragher, que está se aposentando, um lateral-esquerdo para competir com José Enrique, um meia versátil e criativo (outro Coutinho) e um winger mais eficiente do que Downing. Manter Suárez é parte importante do projeto, mas uma eventual saída não é o apocalipse, desde que haja reinvestimento. Nas vitórias enfáticas sobre Newcastle (6 x 0) e Fulham (3 x 1), o Liverpool provou que a ausência de seu melhor jogador não pesa tanto quanto há cinco meses.

Sagaz no mercado, Rodgers também evoluiu do ponto de vista tático. No início da temporada, ele vivia falando em “matar (adversários) pela posse de bola”. Contudo, para se tornar menos previsível, o Liverpool incorporou outros estilos a seu jogo de controle e marcação adiantada. Contra Newcastle e Fulham, média de apenas 49% de posse de bola e vários gols marcados em transições rápidas, aproveitando a criatividade de Coutinho e a velocidade de Sturridge.

O principal obstáculo a Rodgers será a exigência natural de resultados, que aumenta à medida que a mudança de patamar se confirma. Em 2012-13, a avaliação não passará somente pela “sensação de progresso”, mas também pelo “progresso de fato”, aquele dos números e objetivos alcançados. Não se trata de atrelar a manutenção do emprego do norte-irlandês à classificação para a Champions League 2014-15, porém o Liverpool tem de flertar com os 70 pontos.

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sábado, 9 de março de 2013 Liverpool, Tottenham | 16:42

Bale x Suárez

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Nos primeiros meses da temporada, Gareth Bale e Luis Suárez eram criticados por conta dos excessivos “mergulhos”, que ocupavam mais páginas de jornal do que o talento deles. A dupla não perdeu repentinamente o hábito de tentar ganhar faltas, mas a discussão agora é bem mais relevante. Com a queda recente de Robin van Persie, que precisa descansar (não participou de apenas duas partidas da liga até agora), a sensação é de que o galês e o uruguaio disputam, sem outros rivais, o prêmio de Jogador do Ano na Inglaterra.

Pedigree galês

Disputam o prêmio e têm “confronto direto” amanhã, às 13h de Brasília, quando o Liverpool receberá o Tottenham. O melhor cabo eleitoral de Bale, que levou o prêmio há dois anos, é a brilhante campanha dos Spurs, na terceira posição e em curva ascendente. O time de AVB só melhora, e a influência do galês sobre essa evolução é inegável. Bale marcou 10 dos últimos 15 gols do Tottenham e resgatou a fase do segundo semestre de 2010, com direito a números melhores e sequências mais consistentes de ótimas atuações.

No entanto, é injusta a referência ao Tottenham como one-man team. Além dos outros destaques individuais (Vertonghen e Dembele, por exemplo, foram excelentes contratações), as virtudes coletivas ajudam Bale a brilhar. Não é coincidência que o melhor momento dele seja simultâneo ao amadurecimento do trabalho de AVB. O galês de fato decide jogos, mas a equipe permite que isso aconteça mais frequentemente.

Como escreve Jonathan Wilson, a formação mais compacta dos Spurs beneficia o número 11, que sempre tem diversas opções de passe. Geralmente, essas opções ocupam os defensores adversários, e o galês ganha espaço para decidir por conta própria. Não por acaso, Bale marca tantos gols, mas tem apenas uma assistência no campeonato. Vale lembrar que o Tottenham passou por uma crise no ataque enquanto Adebayor estava na Copa Africana de Nações, e Defoe tinha problemas físicos. Bale resolveu.

El Pistolero

Há algum tempo, o craque de 21 gols na temporada era tratado como possível moeda de troca para contratar Stewart Downing e, acredite, defensor flop. Mas, quando falamos de progresso, não podemos esquecer Suárez. A genialidade do uruguaio é conhecida desde a época de Ajax, porém esta é a primeira temporada da Premier League em que ele consegue associá-la a uma eficiência espantosa. O número 7 do Liverpool, impreciso até o ano passado, já ganhou dois troféus de artilharia em 2012-13: foi o primeiro a marcar 10 e 20 gols (foto ao lado). Hoje, é o goleador da liga com 21 (são 28 por todas as competições).

Suárez é perfeito para o sistema de Brendan Rodgers, mas as condições oferecidas a ele não eram as ideais na primeira metade da temporada. Mais adaptado a circular pelo campo com liberdade, o uruguaio foi o único atacante saudável do Liverpool de setembro a janeiro e teve de ser referência. Em algumas rodadas, o 4-3-3 (às vezes 4-2-3-1) de Rodgers tinha nas pontas Sterling e Suso, dois talentos, mas que estavam na academia de formação dos Reds até o ano passado. Suárez assumiu a responsabilidade e atingiu um status que, entre jogadores não formados em Anfield, é incomparável nas últimas duas décadas.

Agora é diferente. Com as contratações de Coutinho e Sturridge, Suárez atua como “número 10”, pode explorar sua criatividade sem deixar de finalizar e sempre tem opções de passe que dão sequência a suas jogadas. Não à toa, o Liverpool melhorou. Mesmo que, em situação mais favorável, ele tenha sido brilhante nas últimas rodadas, é impossível afirmar que este é o melhor momento do uruguaio. Não há melhor momento: a temporada inteira é fantástica. Em relação a Bale, no campeonato, Suárez marcou mais gols (21 x 16), tem mais assistências (6 x 1) e criou mais chances (78 x 57). Por enquanto, é o Jogador do Ano.

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quarta-feira, 30 de janeiro de 2013 Liverpool | 14:17

Coutinho no Liverpool

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Coutinho herda a 10 de Joe Cole, mas precisa jogar muito mais do que o antecessor

O planejamento do Liverpool para o mercado de janeiro incluía a contratação de um número 10 que tornasse a equipe mais criativa. Há menos de duas semanas, o sonho de vários torcedores (e Steven Gerrard) ainda era Wesley Sneijder, que pouco depois acertou sua transferência para o Galatasaray. A um dia do fechamento da janela de inverno, o Liverpool anunciou a chegada de outro ex-interista, o brasileiro Philippe Coutinho, de 20 anos.

Repare no vídeo que, antes de falar sobre Sneijder, Gerrard indica que o time precisava de “um número 10, ou outro jogador de ataque, que pudesse atuar também pelos lados”. Embora a conversa tenha se direcionado ao holandês, a descrição coincide muito mais com Coutinho. A questão é que Brendan Rodgers não pretende formar um time apenas criativo, mas também flexível em suas opções ofensivas. Salário e idade certamente não foram os únicos fatores considerados para não insistir em Sneijder e apostar em Coutinho.

Ao contrário de Sneijder, que se estabilizou há muito como meia-atacante central, Coutinho atua aberto sem problema. Especialmente quando jogou à esquerda do ataque do Espanyol, para onde foi emprestado no primeiro semestre de 2012, rendeu demais, explorando os dribles em velocidade. Aliás, é com o Coutinho da liga espanhola que o Liverpool espera contar. O da Inter fez boas partidas esporádicas, entre uma contusão e outra, um treinador e outro. O do Espanyol brilhou regularmente, enfim mostrou o potencial conhecido desde a base do Vasco e marcou cinco gols em 16 jogos.

Meio-campo e ataque do Liverpool com Coutinho, baseado no sistema adotado na goleada sobre o Norwich

É evidente que este modelo deve sofrer variações de acordo com as circunstâncias, mas a estratégia adotada na vitória por 5 a 0 sobre o Norwich, na rodada passada da Premier League, indica como Coutinho pode ser aproveitado. O Liverpool foi escalado num sistema híbrido, que teve Sturridge como centroavante, Suárez atrás dele (com liberdade quase total para fazer o que bem entendesse em campo), Downing à direita e Henderson variando entre a ponta esquerda e a meia central. Nesse caso, Coutinho poderia perfeitamente ocupar a vaga de Henderson.

Coutinho é muito talentoso, faz o perfil Kaká de bom comportamento e parece ter a inteligência tática (ou, no mínimo, a disposição para aprender) para se adequar à ideia de jogo do Liverpool. Pela faixa de preço especulada (entre £8 e £10 milhões), é um investimento válido, que pode dar enorme retorno.

Por outro lado, o brasileiro tem bastante a provar. Após as oscilações na Inter, a batalha contra as lesões e as exigências físicas da Premier League serão desafios consideráveis. Ainda mais porque ele é contratado na semana da derrota para o Oldham na FA Cup, quando se questiona a capacidade do Liverpool de lidar com a imposição física de certos adversários – enfrentar o Stoke City, por exemplo, é sempre um drama. Para que o talento fale mais alto, Coutinho precisa estar resistente, confiante e jogando regularmente. O trabalho do staff comandado por Brendan Rodgers será essencial.

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sexta-feira, 11 de janeiro de 2013 Premier League | 21:30

Man Utd x Liverpool; Arsenal x Man City

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A Premier League deixou para domingo as partidas mais chamativas da 22ª rodada. Às 11h30 de Brasília, o Manchester United recebe o Liverpool. Em seguida, às 14h, o Manchester City visita o Arsenal. O blog discute os confrontos:

Man Utd x Liverpool
Rooney ainda será desfalque, garante Alex Ferguson. Hernández, seu substituto nas últimas rodadas, vive ótima fase, mas não é presença certa entre os titulares. Para evitar a desvantagem numérica contra o trio de meias centrais do Liverpool, é possível que Ferguson escale Kagawa. O japonês carregaria a bola até van Persie, liberando o holandês para atuar mais perto da área adversária.

No Liverpool, duas dúvidas importantes. Como José Enrique está lesionado, Brendan Rodgers quebra a cabeça para escolher entre Wisdom (na lateral direita, deslocando Johnson à esquerda) e Downing (na lateral esquerda, com Johnson à direita). Nenhuma das alternativas é exatamente segura para Old Trafford, o que abre espaço até a uma formação diferente, com três zagueiros – Wisdom, Skrtel e Agger – e Johnson e Downing como alas.

Há ainda a expectativa pela presença de Sturridge e, especialmente, pelo link entre ele e Suárez. Em entrevista na semana passada, para a surpresa do colunista, Rodgers afirmou que o uruguaio pode voltar à função que exercia no Ajax, uma espécie de “winger interno” para explorar as diagonais. De qualquer maneira, o técnico valorizou a versatilidade de seus atacantes e ressaltou que o posicionamento depende do adversário e deve mudar durante os jogos.

Arsenal x Man City
As visitas do City ao Emirates têm sido improdutivas. Nas três últimas pela Premier League, não marcou gol e finalizou apenas quatro vezes na direção certa. Na próxima, não terá Agüero, Yaya Touré e Nasri, o que levanta certa desconfiança sobre o comportamento do time. Após o empate por 0 a 0 em 2010-11, Roberto Mancini admitiu que a postura foi defensiva, mas fez a ressalva: “prefiro um ponto e críticas a nenhum ponto e aplausos”. Na temporada seguinte, recebeu as mesmas críticas e perdeu por 1 a 0.

Um problema sério em 2012-13 é a incapacidade de atacar pelas pontas, uma vez que Sinclair, que substituiu Adam Johnson como opção de velocidade do elenco, não convenceu Mancini. Então, vários oponentes congestionam a faixa central e “espremem” os meias e atacantes do City, que geralmente tem Nasri e Silva derivando ao centro para criar jogadas. A tendência é que Milner seja um dos wingers no domingo, mas ele habitualmente acompanha mais do que agride o lateral adversário.

Do outro lado, Arsène Wenger tem de escolher entre Walcott e Giroud para liderar o ataque. No empate por 1 a 1 do Etihad, em setembro, Gervinho foi o centroavante, com Giroud no banco. Se ainda acredita que a velocidade é o melhor expediente contra os zagueiros do City, Wenger deve insistir em seu (muito) ousado projeto de transformar Walcott em Henry. Nesse caso, é fundamental que Cazorla se aproxime dele para não deixá-lo isolado entre Kompany e Nastasic.

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quinta-feira, 3 de janeiro de 2013 Premier League | 14:42

Saldo da festa

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Sete rodadas em um mês, quatro em dez dias. A concentração de partidas da Premier League no período festivo sempre rende muitas observações. O blog trata de três aspectos importantes:

Disputa pelo título fica mesmo em Manchester. Two-horse race, dizem os ingleses. A derrota do Chelsea para o QPR praticamente enterrou a possibilidade de o título sair de Manchester. Mesmo que o time de Rafa Benítez flerte com 100% de aproveitamento até o fim da temporada, o que é para lá de improvável, a vantagem real de 11 pontos do United (que curiosamente perdeu 11 em 21 rodadas) não dá margem a outro perseguidor além do Manchester City, sete pontos abaixo. A turma de Robin van Persie é favorita pelo conforto na liderança e pela capacidade do holandês de resolver os jogos em que o United falha do ponto de vista coletivo.

Trabalho de Rodgers é melhor do que parece. A atual oitava posição do Liverpool é a mesma que frustrou os proprietários e resultou na demissão de Kenny Dalglish no fim da temporada passada. No entanto, o significativo enxugamento da folha salarial e a consciência de que resultados importam menos do que o alicerce para os próximos anos dão outra perspectiva à gestão de Rodgers. Já falamos muito da coragem para aproveitar jovens num contexto (elenco curto) que exige isso, mas as últimas rodadas expuseram outras virtudes do trabalho do norte-irlandês.

O Liverpool teve péssima atuação contra o Stoke, no Boxing Day, mas foi não menos do que excelente nas outras partidas festivas, diante de Fulham, QPR e Sunderland. Nesses três jogos, a equipe teve médias de 24 finalizações e 63% de uma posse de bola muito mais produtiva do que no início de 2012-13. Rodgers ainda resgata jogadores que pareciam causas perdidas (Henderson e Downing, que vêm de ótimas atuações) e teve um par de boas notícias no início do mercado de inverno: a chegada de Sturridge, a quem ele perseguia desde agosto (pode não dar certo, mas o Liverpool é o melhor lugar para o atacante de 23 anos), e a saída de Joe Cole para o West Ham.

Nulo na temporada passada, Marveaux virou titular na ausência de Ben Arfa em 2012-13

Departamento médico determina temporada fraca do Newcastle. Os Magpies têm nove derrotas nas últimas 11 partidas. A distância de apenas dois pontos para a zona de rebaixamento representa um anticlímax para quem comemorou tanto a quinta posição da temporada passada. Alan Pardew não se acomodou após ganhar um contrato até 2020, e as contratações de 2011-12 também não deixaram de ser brilhantes. O maior problema reside no péssimo momento físico do elenco.

A equipe que contava demais com Ben Arfa e Cabaye teve Marveaux e Bigirimana em várias das últimas rodadas. Até Jonás Gutiérrez perde jogos por lesão. Steven Taylor, que seria fundamental ao lado de Coloccini para tornar a defesa mais confiável, raramente está saudável. Agora sem Demba Ba para garantir um gol por partida, o Newcastle aposta mais em seus fisiologistas do que em quaisquer outros profissionais para ter uma temporada tranquila. Em meio à ameaça de crise, o lateral ofensivo Mathieu Debuchy é ótimo reforço e serve de alento.

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quarta-feira, 19 de dezembro de 2012 Liverpool | 21:19

Mercado antecipado

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De acordo com o Times e outros veículos confiáveis, o Liverpool deve anunciar nos primeiros dias de 2013 as contratações do atacante Daniel Sturridge, do Chelsea, e do winger Tom Ince, do Blackpool. Sturridge, que perdeu espaço em Stamford Bridge desde a demissão de André Villas-Boas, custaria £12 milhões. Ironicamente revelado na base do Liverpool, Ince seria contratado por £6 milhões. Considerando as necessidades do elenco e o suposto orçamento de £20 milhões disponibilizado a Brendan Rodgers para o mercado de janeiro, são apostas válidas.

Sturridge é um nome que gera mais dúvidas do que certezas. Aos 23 anos, o garoto que surgiu muito bem no Manchester City ainda não se estabilizou e convenceu apenas dois treinadores em sua carreira: Villas-Boas, que aparentemente pretendia levá-lo ao Tottenham, e Owen Coyle, para quem marcou oito gols em 12 jogos de Premier League durante o empréstimo ao Bolton, em 2011. No entanto, há elementos que o tornam um alvo interessante para o Liverpool.

Quando assistimos a uma partida dos Reds, pensamos “se Luis Suárez falhar, quem marcará gols para este time?”. Sturridge não é exatamente um ás das finalizações, mas pode contribuir bastante. Sua excelente movimentação sem a bola e a capacidade de, atuando aberto pela direita, invadir a área e finalizar com o pé esquerdo são características que Rodgers certamente procura para completar o ataque, uma vez que o técnico pretende manter Suárez centralizado.

Desde a estreia na Premier League, ainda aos 17 anos, Sturridge marca um gol a cada 172 minutos em campo, índice superior até ao de Suárez – 203 minutos por gol. Toda vez que ganhou uma sequência de jogos (particularmente em 2011, por Bolton e Chelsea), cumpriu muito bem sua função. Ele tem agilidade para ser ponta direita no 4-3-3, como aconteceu no Chelsea de AVB e deve ser o caso no Liverpool, mas também pode ser alternativa a Suárez como centroavante.

Previsão do Liverpool com Ince e Sturridge

A principal tarefa de Rodgers no desenvolvimento de Sturridge será ajudá-lo na hora de tomar decisões em campo. O instinto de tentar o gol a qualquer custo às vezes impede que ele passe a bola, e isso é quase imperdoável na cartilha purista do treinador. O ego supostamente inflado de Sturridge, que deve disputar posição com o italiano Fabio Borini, é outro ponto a considerar. Ainda assim, o Liverpool pode representar a oportunidade ideal para fazer sua carreira progredir.

Ince Jr.
Tom Ince, de 20 anos, é filho de Paul Ince, jogador do Liverpool entre 1997 e 1999. Criado em Anfield, ele pediu para sair em agosto do ano passado. No Blackpool, que pagou uma irrisória compensação de £250.000 aos Reds, evoluiu demais sob o comando de Ian Holloway, hoje técnico do Crystal Palace. Nesta temporada da Championship, é o terceiro artilheiro com 13 gols e o segundo assistente com nove passes decisivos.

Canhoto, ágil e versátil (atua nas duas pontas e também já jogou centralizado na seleção sub-21), Ince é uma boa aposta para qualquer clube inglês. Entretanto, no caso do Liverpool, fica a inevitável frustração por precisar pagar £6 milhões por um talento que estava no clube há um ano e meio. É óbvio que a oportunidade de jogar regularmente no Blackpool foi fundamental para o crescimento de Ince, mas para isso servem os empréstimos.

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segunda-feira, 10 de dezembro de 2012 Premier League | 12:53

Conclusões da rodada (XVI)

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Consulte os resultados da 16ª rodada da Premier League (Fulham e Newcastle se enfrentam hoje). O blog repercute alguns pontos:

"He scores when he wants"

Eficiência do ataque torna o United favorito ao título. O Manchester United teve atuação à Fluminense para superar o City no Etihad. Suportou a pressão, explorou a velocidade pelos flancos e foi clínico nos contra-ataques. Joe Hart, que sofreu três gols, não fez sequer uma defesa. Se Rooney e van Persie mantiverem esse nível, o United não precisa dominar os adversários – não os ingleses, ao menos – para vencê-los. O ataque compensa a fragilidade da defesa (que se comportou bem melhor ontem) e, mesmo quando o meio-campo não controla os jogos, decide por conta própria. Quem não se lembra da sonolenta vitória sobre o Braga por 3 a 1, em Portugal, pela Champions League? Quando finalmente acelerou o ritmo, o United marcou três gols (Rooney, van Persie e Hernández) nos dez minutos finais.

Phil Neville pode perder espaço no Everton. A lesão de Phil Neville, ainda sem data definida para o retorno, abriu caminho entre os titulares do Everton para Darron Gibson, que também estava no departamento médico até três semanas atrás. O ex-meia do Manchester United foi excelente na vitória por 2 a 1 sobre o Tottenham. David Moyes não deve dispensar a visão de jogo de Gibson e a eficaz parceria entre ele e Osman. Mesmo com a chancela da faixa de capitão, Neville pode perder a posição no meio-campo e precisar disputar a lateral direita com Coleman, que também vive boa fase. Quando tem Coleman, Baines, Mirallas, Osman, Gibson, Pienaar, Fellaini e Jelavic reunidos, o Everton é implacável em Goodison Park. Foram 20 finalizações do agora quarto colocado contra o Tottenham.

Shelvey é um bom “falso 9”. Um dos destaques da vitória do Liverpool sobre o West Ham foi Jonjo Shelvey, sacrificado como centroavante na ausência de Luis Suárez. Ele não marcou, mas incomodou demais a defesa do West Ham e participou dos dois gols que viraram o jogo para os Reds. Na bela jogada que gerou o gol de Joe Cole, por exemplo, juntou-se ao meio-campo para tabelar com Sterling. Ele faz muito bem esse movimento de saída da área, que costuma confundir a marcação, atrair um zagueiro adversário e abrir espaço para a infiltração de um meio-campista. Já havia mostrado essa virtude contra o Young Boys, pela Liga Europa, quando exerceu a mesma função. Além disso, tem ótima presença física e não se intimida diante de zagueiros como James Collins, que, atrapalhado por Shelvey, marcou o gol contra que decidiu a partida.

Benítez não é um caso perdido no Chelsea. Está certo que foi contra um Sunderland à deriva, mas a atuação do Chelsea no sábado deu os primeiros sinais de que Rafa Benítez pode sobreviver nesta temporada. Com uma transição mais rápida da defesa ao ataque (e isso explica a presença de Moses entre os titulares) e pontas mais retraídos, para acompanhar os laterais adversários, o Chelsea começa a parecer um time montado pelo espanhol. Até Fernando Torres funcionou. O atacante que não marcava na Premier League havia mais de 12 horas agora tem quatro gols nos últimos dois jogos por todas as competições.

O Southampton tem uma defesa. Derrubando drasticamente a média de gols sofridos, o Norwich escalou a tabela até a 12ª posição. O Southampton tenta fazer o mesmo. A vitória por 1 a 0 sobre o Reading foi a terceira em cinco partidas. A defesa de Nigel Adkins era uma tragédia nas dez primeiras rodadas, nas quais levou 28 gols. Nas últimas seis, porém, foram apenas quatro gols sofridos. Além dos ajustes coletivos, Adkins trocou o goleiro (o jovem argentino Paulo Gazzaniga* roubou a posição de Kelvin Davis), promoveu o promissor Luke Shaw, de 17 anos, a titular da lateral esquerda e deu sequência a Jack Cork, que estabilizou o meio-campo dos Saints.

*Gazzaniga não atuou na vitória sobre o Reading por conta de uma lesão no ombro.

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quarta-feira, 28 de novembro de 2012 Liverpool, Tottenham | 11:40

Estágios diferentes

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André Villas-Boas e Brendan Rodgers se conhecem há oito anos. Em 2004, José Mourinho assumiu o Chelsea e convidou a dupla para fazer parte de seu staff. Por escrever relatórios detalhados dos adversários, AVB representava “os olhos e ouvidos” de Mourinho, como o próprio manager definiu. Rodgers, o menos britânico dos técnicos britânicos, juntou-se às categorias de base. Ainda antes da passagem por Stamford Bridge, o norte-irlandês viajou pela Europa, aprendeu a língua espanhola e absorveu diferentes métodos sobre como treinar uma equipe.

Hoje, às 17h45 de Brasília, o Tottenham de Villas-Boas recebe o Liverpool de Rodgers. Em sua entrevista pré-jogo, AVB comentou a trajetória do antigo colega e elogiou seu trabalho em Anfield, ainda que o Liverpool esteja na 11ª posição, com 16 pontos. Há, sem dúvida, uma empatia entre os técnicos. A idade (AVB tem 35 anos; Rodgers, 39), a cruzada por um estilo de futebol menos britânico e a pressão que enfrentam em clubes ambiciosos os aproximam.

No entanto, há diferenças consideráveis entre as atuais condições de trabalho. Villas-Boas pode ser mais cobrado nesta temporada. Na sétima posição com 20 pontos, o Tottenham encerrou uma sequência de três derrotas na liga quando venceu o West Ham por 3 a 1 na última rodada. Era inevitável a sensação de que o emprego de AVB estava em xeque, embora este Tottenham ainda não tenha, por falta de peças, as características que o técnico português mais aprecia.

A saída de Modric, o fracasso da negociação com João Moutinho e ausência de um jogador como Hulk (ou mesmo Sturridge) impossibilitam o 4-3-3 com foco em posse de bola e pressão implacável sobre o adversário, como o que fez tanto sucesso há duas temporadas no Porto. Os Spurs foram montados no 4-2-3-1, com uma proposta de jogo muito mais direta.

A peça mais importante do meio-campo é o recém-contratado Dembele, que ainda está invicto no Tottenham e deve retornar ao time titular contra o Liverpool. Atacante transformado em meia central por Martin Jol no Fulham, o belga é onipresente em campo, ataca e defende com intensidade, mas não é exatamente um substituto direto para Modric. Este seria Moutinho. Mesmo assim, AVB tem Defoe marcando gols, Bale e Lennon correndo pelos flancos e Dempsey (que interessava ao Liverpool) como número 10. Não são o time e o estilo que ele planejava, porém os recursos estão lá.

Rodgers e AVB na temporada passada

Em Anfield, Rodgers busca soluções criativas para compensar o elenco curto. Com as lesões de Borini e Lucas (este volta em breve), não há disponíveis um “primeiro volante” e uma alternativa a Suárez. Allen tem sido o meio-campista mais recuado. Na Europa League, quando geralmente preserva o atacante uruguaio, Rodgers escalou Shelvey como falso centroavante. Até Joe Cole reapareceu.

As soluções táticas não param por aí. A carência de jogadores capazes de marcar gols transformou José Enrique em ponta esquerda. Rodgers identificou o lateral espanhol como uma possível fonte de gols e o empurrou para perto de Suárez nas últimas três rodadas. No empate contra o Swansea, o Liverpool teve uma escalação inusitada, com Enrique na ponta e Downing na lateral. Uma sacada (que, neste caso, fez sentido) de fazer inveja a Adílson Batista.

Rodgers está invicto há oito jogos na liga. Empatou cinco, é verdade, mas também tornou a equipe mais sólida e recuperou-se do início desastroso no que diz respeito a resultados. Por enquanto, a coragem para promover garotos e a perspicácia tática para superar a coleção de problemas definem o trabalho de Rodgers melhor do que a incômoda 11ª posição. Não à toa, o emprego dele parece mais seguro.

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quinta-feira, 22 de novembro de 2012 Chelsea | 13:57

Benítez, interino

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Benítez derrubou Juventus, Chelsea e Milan na Champions League em 2005

Ainda que tenha assinado um contrato de 18 meses, como garante Tony Barrett (Times), Rafa Benítez foi oficialmente anunciado como “treinador interino” do Chelsea. Ou Roman Abramovich tentou expressar seu desejo de contar em breve com Pep Guardiola, ou finalmente admitiu que a interinidade é uma condição inerente a qualquer técnico dos Blues.

Afastado do futebol há dois anos, desde que foi dispensado pela Internazionale, o novo treinador enfrenta resistência dos torcedores. É impossível ignorar as várias batalhas contra o Liverpool, especialmente intensas entre 2005 e 2009, quando Benítez trabalhava em Anfield e encontrou o Chelsea dez vezes na Champions League. A desconfiança passa também pelo melancólico último ano do espanhol na Inglaterra e as contratações questionáveis enquanto manager do Liverpool.

Entretanto, ele é inegavelmente vencedor. Ninguém ganha por acaso duas ligas nacionais com o Valencia e uma Champions League com uma versão limitada do Liverpool. Benítez perdeu apenas dois dos 38 jogos da Premier League em 2008-09. Em seis anos de Anfield, Rafa virou ídolo dos torcedores porque tornou o time competitivo em qualquer cenário, como na semana em que venceu Real Madrid por 4 a 0 e Manchester United por 4 a 1, em março de 2009.

O Chelsea de Benítez deve ser mais consistente

Benítez faz radiografias de seus adversários, estuda-os detalhadamente antes de cada partida, característica que o torna tão eficiente em copas, sobretudo as europeias. O sistema do Chelsea não deve mudar, pois Rafa é um adepto convicto do 4-2-3-1. No entanto, a depender do oponente, a estratégia será diferente. É possível, por exemplo, que um dos armadores dê lugar a Ramires na linha dos meias, por conta do péssimo momento defensivo do Chelsea e da predileção do espanhol por equipes mais consistentes.

E Fernando Torres? Há quem interprete a aposta em Benítez como uma espécie de cartada final para que o centroavante se recupere. Até pela falta de alternativas confiáveis, é provável que Rafa dê nova chance a Torres, de quem ele extraiu o máximo durante sua passagem pelo Liverpool. Contudo, a crise do ex-artilheiro engloba vários aspectos: é física, técnica e de confiança. Assim, Benítez precisa incluir um atacante (além de um ou mais volantes para aprimorar o 4-2-3-1) em sua lista de compras para o mercado de janeiro.

Aliás, as futuras aventuras de Benítez no mercado realmente preocupam os torcedores. Mas, apesar dos inúmeros flops (N’Gog, Babel, Morientes, González, Keane, Aquilani e por aí vai), ele ainda é o técnico que contratou Skrtel, Agger, Mascherano, Alonso, Torres, Suso e Sterling. E também não sabemos até que ponto Abramovich lhe dará autonomia para tomar decisões estratégicas. De qualquer maneira, para aceitar ser chamado de “interino”, Rafa certamente estava muito determinado em retornar à Inglaterra. A rejeição da torcida, a excentricidade do proprietário, o vestiário e o passado tornam o desafio ingrato. Motivado, Benítez tem capacidade para enfrentá-lo.

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