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terça-feira, 25 de junho de 2013 Liverpool | 11:00

Além do óbvio

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Depois que Luis Suárez mordeu Branislav Ivanovic e foi suspenso pela Football Association, o Liverpool venceu três partidas, empatou uma e marcou dez gols. Era mesmo necessário minimizar a sensação de dependência, pois o time caminhará sem o uruguaio nos seis primeiros jogos de 2013-14, que completam sua segunda longa punição desde que chegou à Inglaterra. Para piorar, ele vive sugerindo em entrevistas que pretende deixar a liga inglesa, criando uma cortina de fumaça sobre seu simples e direto desejo de jogar no Real Madrid.

Há seis meses, o Liverpool se resumia a Suárez. Ficar sem ele, definitivamente ou não, deveria ser um cenário devastador para quem precisa começar a temporada com um bom aproveitamento – a corrida pelo top four exigirá isso do time, sobretudo porque a tabela não foi “madrasta” como nas primeiras rodadas da temporada passada. Mas não é bem assim. Conforme indicaram as últimas partidas de 2012-13, Coutinho e Sturridge podem perfeitamente tomar conta do ataque.

Lançamento de Coutinho, gol de Sturridge®

O brasileiro é um ótimo condutor de bola e raramente erra o passe decisivo. Sturridge é muito rápido e costuma ganhar duelos individuais. Isso explica por que Brendan Rodgers abriu mão do tiki-taka e apostou mais em transições rápidas no fim da temporada. No entanto, Coutinho e Sturridge não são – e nem poderiam ser – os únicos motivos para o Liverpool marcar gols sem que Suárez tenha de pari-los. Até porque o inglês adora passar uns tempos no departamento médico e pode perder as primeiras rodadas de 2013-14.

A ideia de construir um ataque flexível foi uma das razões pelas quais, entre os dois meias da Internazionale que estavam disponíveis no mercado de inverno, Rodgers contratou Coutinho e deixou Sneijder para o Galatasaray. Sneijder teria de ser o “10”. Coutinho terminou a temporada como “10”, mas começou no Liverpool aberto pela esquerda, marcando lateral e ainda com fôlego para desiquilibrar à frente, numa linha que tinha Suárez por dentro e Downing à direita, todos atrás de Sturridge quando não havia lesionados.

Na parte final da campanha, essa flexibilidade dos jogadores de ataque fez Suárez atuar nas quatro posições ofensivas do 4-2-3-1 habitual de Rodgers. O uruguaio sempre fazia a diferença, mas não tinha mais uma função definida como na metade inicial da temporada, quando ele era a referência. A equipe aprendeu a não jogar necessariamente em função de Suárez. Numa comparação superficial com o Atlético Mineiro de Cuca, os quatro jogadores de ataque assumiam seus compromissos defensivos, mas poderiam “bagunçar” (para citar Ronaldinho) quando tivessem a bola.

Aspas acerta cabeçada em Carlos Marchena. Em algum ponto, ele substitui Suárez

Com ou sem Suárez, esse modelo deve se aperfeiçoar na próxima temporada. Rodgers, que fala castelhano fluente, começou o verão atacando o mercado espanhol. Já estão em Melwood Luis Alberto (20 anos), que passou a última temporada emprestado ao Barcelona B pelo Sevilla, e Iago Aspas (25), maior ídolo recente do Celta de Vigo. Para contratá-los, o Liverpool investiu £14 milhões, menos do que os £15 milhões que o West Ham pagou por Andy Carroll, que jamais se ajustaria à estratégia dos Reds.

Ao site do Liverpool, o jornalista Ben Hayward elogiou a capacidade que Luis Alberto tem de ler o jogo, além de sua versatilidade (foi “falso” centroavante no Barça B, mas ele mesmo afirma que não tem uma posição predileta) e visão para assistências – foram 18 na segunda divisão espanhola. De acordo com Andreas Vou, especialista em La Liga, Aspas tem o estilo de Giuseppe Rossi e o comportamento de Craig Bellamy. Se essas características se confirmarem, Rodgers terá o jogador que tentava contratar: não será um dos melhores da liga, mas é tecnicamente hábil para jogar em todas as posições de ataque e competitivo ao extremo.

Contratar dois jogadores cujos melhores momentos foram na segunda divisão espanhola não é a solução para todos os problemas do Liverpool, mas mostra que o clube deixou de ser preguiçoso na observação de talentos. Rodgers vê muito futebol, em todos os níveis, e não hesita em contratar um jogador que admira, mesmo que ele esteja longe de holofotes. Foi assim com Coutinho e Sturridge, e está sendo assim no mercado de verão. Ainda vale lembrar os jovens. Se o Liverpool não está desesperado atrás de wingers, é porque confia no desenvolvimento dos muito promissores Raheem Sterling e Jordon Ibe. Além deles, o criativo Suso faz ótimo Mundial sub-20 pela Espanha.

Mas o que fazer com Suárez? Tentar mantê-lo, claro. Ele é brilhante, embora seja também uma bomba-relógio, e tem mais quatro temporadas de um contrato assinado há menos de um ano. No entanto, se não houver acordo com o uruguaio, o clube não precisa mais ser refém dele. O único cuidado é não deixar a venda para as últimas horas da janela para transferências. Rodgers tem na manga uma lista de jogadores para reinvestir o dinheiro, entre os quais está o meia armênio Henrikh Mkhitaryan, do Shakhtar. O Liverpool foge do óbvio e está pronto para, com ou sem Suárez, melhorar o elenco.

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