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Posts com a Tag Luis Suárez

terça-feira, 25 de junho de 2013 Liverpool | 11:00

Além do óbvio

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Depois que Luis Suárez mordeu Branislav Ivanovic e foi suspenso pela Football Association, o Liverpool venceu três partidas, empatou uma e marcou dez gols. Era mesmo necessário minimizar a sensação de dependência, pois o time caminhará sem o uruguaio nos seis primeiros jogos de 2013-14, que completam sua segunda longa punição desde que chegou à Inglaterra. Para piorar, ele vive sugerindo em entrevistas que pretende deixar a liga inglesa, criando uma cortina de fumaça sobre seu simples e direto desejo de jogar no Real Madrid.

Há seis meses, o Liverpool se resumia a Suárez. Ficar sem ele, definitivamente ou não, deveria ser um cenário devastador para quem precisa começar a temporada com um bom aproveitamento – a corrida pelo top four exigirá isso do time, sobretudo porque a tabela não foi “madrasta” como nas primeiras rodadas da temporada passada. Mas não é bem assim. Conforme indicaram as últimas partidas de 2012-13, Coutinho e Sturridge podem perfeitamente tomar conta do ataque.

Lançamento de Coutinho, gol de Sturridge®

O brasileiro é um ótimo condutor de bola e raramente erra o passe decisivo. Sturridge é muito rápido e costuma ganhar duelos individuais. Isso explica por que Brendan Rodgers abriu mão do tiki-taka e apostou mais em transições rápidas no fim da temporada. No entanto, Coutinho e Sturridge não são – e nem poderiam ser – os únicos motivos para o Liverpool marcar gols sem que Suárez tenha de pari-los. Até porque o inglês adora passar uns tempos no departamento médico e pode perder as primeiras rodadas de 2013-14.

A ideia de construir um ataque flexível foi uma das razões pelas quais, entre os dois meias da Internazionale que estavam disponíveis no mercado de inverno, Rodgers contratou Coutinho e deixou Sneijder para o Galatasaray. Sneijder teria de ser o “10”. Coutinho terminou a temporada como “10”, mas começou no Liverpool aberto pela esquerda, marcando lateral e ainda com fôlego para desiquilibrar à frente, numa linha que tinha Suárez por dentro e Downing à direita, todos atrás de Sturridge quando não havia lesionados.

Na parte final da campanha, essa flexibilidade dos jogadores de ataque fez Suárez atuar nas quatro posições ofensivas do 4-2-3-1 habitual de Rodgers. O uruguaio sempre fazia a diferença, mas não tinha mais uma função definida como na metade inicial da temporada, quando ele era a referência. A equipe aprendeu a não jogar necessariamente em função de Suárez. Numa comparação superficial com o Atlético Mineiro de Cuca, os quatro jogadores de ataque assumiam seus compromissos defensivos, mas poderiam “bagunçar” (para citar Ronaldinho) quando tivessem a bola.

Aspas acerta cabeçada em Carlos Marchena. Em algum ponto, ele substitui Suárez

Com ou sem Suárez, esse modelo deve se aperfeiçoar na próxima temporada. Rodgers, que fala castelhano fluente, começou o verão atacando o mercado espanhol. Já estão em Melwood Luis Alberto (20 anos), que passou a última temporada emprestado ao Barcelona B pelo Sevilla, e Iago Aspas (25), maior ídolo recente do Celta de Vigo. Para contratá-los, o Liverpool investiu £14 milhões, menos do que os £15 milhões que o West Ham pagou por Andy Carroll, que jamais se ajustaria à estratégia dos Reds.

Ao site do Liverpool, o jornalista Ben Hayward elogiou a capacidade que Luis Alberto tem de ler o jogo, além de sua versatilidade (foi “falso” centroavante no Barça B, mas ele mesmo afirma que não tem uma posição predileta) e visão para assistências – foram 18 na segunda divisão espanhola. De acordo com Andreas Vou, especialista em La Liga, Aspas tem o estilo de Giuseppe Rossi e o comportamento de Craig Bellamy. Se essas características se confirmarem, Rodgers terá o jogador que tentava contratar: não será um dos melhores da liga, mas é tecnicamente hábil para jogar em todas as posições de ataque e competitivo ao extremo.

Contratar dois jogadores cujos melhores momentos foram na segunda divisão espanhola não é a solução para todos os problemas do Liverpool, mas mostra que o clube deixou de ser preguiçoso na observação de talentos. Rodgers vê muito futebol, em todos os níveis, e não hesita em contratar um jogador que admira, mesmo que ele esteja longe de holofotes. Foi assim com Coutinho e Sturridge, e está sendo assim no mercado de verão. Ainda vale lembrar os jovens. Se o Liverpool não está desesperado atrás de wingers, é porque confia no desenvolvimento dos muito promissores Raheem Sterling e Jordon Ibe. Além deles, o criativo Suso faz ótimo Mundial sub-20 pela Espanha.

Mas o que fazer com Suárez? Tentar mantê-lo, claro. Ele é brilhante, embora seja também uma bomba-relógio, e tem mais quatro temporadas de um contrato assinado há menos de um ano. No entanto, se não houver acordo com o uruguaio, o clube não precisa mais ser refém dele. O único cuidado é não deixar a venda para as últimas horas da janela para transferências. Rodgers tem na manga uma lista de jogadores para reinvestir o dinheiro, entre os quais está o meia armênio Henrikh Mkhitaryan, do Shakhtar. O Liverpool foge do óbvio e está pronto para, com ou sem Suárez, melhorar o elenco.

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sábado, 9 de março de 2013 Liverpool, Tottenham | 16:42

Bale x Suárez

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Nos primeiros meses da temporada, Gareth Bale e Luis Suárez eram criticados por conta dos excessivos “mergulhos”, que ocupavam mais páginas de jornal do que o talento deles. A dupla não perdeu repentinamente o hábito de tentar ganhar faltas, mas a discussão agora é bem mais relevante. Com a queda recente de Robin van Persie, que precisa descansar (não participou de apenas duas partidas da liga até agora), a sensação é de que o galês e o uruguaio disputam, sem outros rivais, o prêmio de Jogador do Ano na Inglaterra.

Pedigree galês

Disputam o prêmio e têm “confronto direto” amanhã, às 13h de Brasília, quando o Liverpool receberá o Tottenham. O melhor cabo eleitoral de Bale, que levou o prêmio há dois anos, é a brilhante campanha dos Spurs, na terceira posição e em curva ascendente. O time de AVB só melhora, e a influência do galês sobre essa evolução é inegável. Bale marcou 10 dos últimos 15 gols do Tottenham e resgatou a fase do segundo semestre de 2010, com direito a números melhores e sequências mais consistentes de ótimas atuações.

No entanto, é injusta a referência ao Tottenham como one-man team. Além dos outros destaques individuais (Vertonghen e Dembele, por exemplo, foram excelentes contratações), as virtudes coletivas ajudam Bale a brilhar. Não é coincidência que o melhor momento dele seja simultâneo ao amadurecimento do trabalho de AVB. O galês de fato decide jogos, mas a equipe permite que isso aconteça mais frequentemente.

Como escreve Jonathan Wilson, a formação mais compacta dos Spurs beneficia o número 11, que sempre tem diversas opções de passe. Geralmente, essas opções ocupam os defensores adversários, e o galês ganha espaço para decidir por conta própria. Não por acaso, Bale marca tantos gols, mas tem apenas uma assistência no campeonato. Vale lembrar que o Tottenham passou por uma crise no ataque enquanto Adebayor estava na Copa Africana de Nações, e Defoe tinha problemas físicos. Bale resolveu.

El Pistolero

Há algum tempo, o craque de 21 gols na temporada era tratado como possível moeda de troca para contratar Stewart Downing e, acredite, defensor flop. Mas, quando falamos de progresso, não podemos esquecer Suárez. A genialidade do uruguaio é conhecida desde a época de Ajax, porém esta é a primeira temporada da Premier League em que ele consegue associá-la a uma eficiência espantosa. O número 7 do Liverpool, impreciso até o ano passado, já ganhou dois troféus de artilharia em 2012-13: foi o primeiro a marcar 10 e 20 gols (foto ao lado). Hoje, é o goleador da liga com 21 (são 28 por todas as competições).

Suárez é perfeito para o sistema de Brendan Rodgers, mas as condições oferecidas a ele não eram as ideais na primeira metade da temporada. Mais adaptado a circular pelo campo com liberdade, o uruguaio foi o único atacante saudável do Liverpool de setembro a janeiro e teve de ser referência. Em algumas rodadas, o 4-3-3 (às vezes 4-2-3-1) de Rodgers tinha nas pontas Sterling e Suso, dois talentos, mas que estavam na academia de formação dos Reds até o ano passado. Suárez assumiu a responsabilidade e atingiu um status que, entre jogadores não formados em Anfield, é incomparável nas últimas duas décadas.

Agora é diferente. Com as contratações de Coutinho e Sturridge, Suárez atua como “número 10”, pode explorar sua criatividade sem deixar de finalizar e sempre tem opções de passe que dão sequência a suas jogadas. Não à toa, o Liverpool melhorou. Mesmo que, em situação mais favorável, ele tenha sido brilhante nas últimas rodadas, é impossível afirmar que este é o melhor momento do uruguaio. Não há melhor momento: a temporada inteira é fantástica. Em relação a Bale, no campeonato, Suárez marcou mais gols (21 x 16), tem mais assistências (6 x 1) e criou mais chances (78 x 57). Por enquanto, é o Jogador do Ano.

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quarta-feira, 26 de dezembro de 2012 Listas | 19:56

50%

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Após um ótimo Boxing Day, a Premier League 2012-13 chegou à metade. Não foi exatamente a conclusão de um turno, pois a tabela não é organizada assim, mas o blog apresenta a seleção da primeira parte do campeonato:

Asmir Begovic, Stoke. O sistema defensivo do Stoke oferece segurança ao goleiro, mas Begovic também é parte fundamental da barreira que tem nove clean sheets e sofreu apenas 14 gols em 19 jogos. Ainda que não faça tantas defesas acrobáticas quanto Michel Vorm, do Swansea, o bósnio de 25 anos merece estar aqui pelas mesmas razões que convenceram Tony Pulis a barrar Thomas Sorensen há duas temporadas.

Pablo Zabaleta, Manchester City. A concorrência com Maicon obrigou Zabaleta a manter o ótimo nível do primeiro semestre de 2012. Definitivamente, não existe mais aquele lateral / volante confuso que trocou o Espanyol pelo Manchester City em 2008. O atual Zabaleta é firme na defesa e contribui ao ataque.

Ryan Shawcross, Stoke. Não à toa, Tony Pulis acaba de lhe oferecer um contrato de seis temporadas. O capitão é um dos principais responsáveis por tornar o Stoke um time tão irritante e duro de ser batido. Marouane Fellaini sabe.

Jan Vertonghen, Tottenham. Forçado a atuar na lateral esquerda em várias partidas por conta da ausência de Assou-Ekotto, o zagueiro belga (que ocupa a lateral também na seleção) não decepcionou em nenhum dos extremos do campo. Quando está em seu território predileto, o centro da defesa, Vertonghen garante segurança e excelência na saída de bola.

Leighton Baines, Everton. Da lateral esquerda vem um dos grandes trunfos ofensivos do Everton. Baines há muito tempo tem um grupo de admiradores, mas nesta temporada é quase unanimidade.

Alex Tettey, Norwich. Quem vai proteger a defesa desta seleção? Tettey, é claro. O volante norueguês (nascido em Gana) fez uma sequência brilhante no primeiro turno. Desde que ganhou a posição, na sétima rodada, o Norwich é outro time, incomparavelmente mais confiável. O ex-jogador do Rennes também sobe ao ataque com lucidez. É um projeto de Yaya Touré 11 centímetros mais baixo.

Luis Suárez, Liverpool. Para aparecer entre os melhores, Suárez precisava aprimorar apenas sua finalização. Dito e feito. Mesmo numa equipe que geralmente sofre muito para chegar ao gol, o uruguaio já marcou 11 vezes, número igual ao da temporada passada inteira.

Na roda-gigante da temporada, Mata está lá em cima

Juan Mata, Chelsea. Com sete gols e sete assistências, Mata é o melhor jogador do Chelsea na Premier League. Se no início da temporada alguém discutiu a titularidade dele, hoje não há contestação. O espanhol está em plena forma e associa a visão de Oscar à verticalidade de Hazard.

Michu, Swansea. O asturiano é versátil (originalmente meia ofensivo, atua também como centroavante no Swansea), um dos artilheiros da liga com 13 gols e foi contratado por £2 milhões. Ninguém é melhor em value for money.

Gareth Bale, Tottenham. O hat-trick contra o Aston Villa levou Bale a nove gols na temporada, marca respeitável para quem tem sido winger num 4-4-2 e perdeu três jogos por lesão. Se for mais consistente, o galês pode fazer pelo Tottenham o que Cristiano Ronaldo fazia pelo United, ainda que essa associação pareça absurda hoje.

Robin van Persie, Manchester United. Nenhuma surpresa. Van Persie reedita em Old Trafford as atuações do Emirates e já é o jogador mais importante do Manchester United.

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segunda-feira, 5 de novembro de 2012 Liverpool, Man Utd | 13:07

Robin e Luis

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Semana após semana, Robin van Persie e Luis Suárez se consolidam como os melhores atacantes da Premier League. No sábado, o holandês do Manchester United assumiu a artilharia isolada, com oito gols, ao marcar (e não comemorar) contra o Arsenal. Ontem, o uruguaio chegou a sete num lance de rara beleza, que deixou a crítica a seus pés e garantiu o empate do Liverpool com o Newcastle.

Agora contra André Santos, van Persie se divertiu em Old Trafford

Com participação direta em 42% dos gols do United, van Persie é fundamental para o novo clube, ainda que esteja em Old Trafford há menos de três meses. A contratação foi perfeita, pois acrescentou ao sistema um atacante quase infalível, no auge da carreira e aparentemente livre da tendência a lesões.

O gol marcado contra os ex-patrões foi um símbolo do que ele representa para o United. Embora seja excelente também fora da área, van Persie não precisa, a toda hora, buscar o jogo e criar suas próprias oportunidades. A bola se oferece com mais frequência para o artilheiro finalizar, geralmente com precisão cirúrgica. Ele é a cereja do cupcake.

No Arsenal, van Persie era bem mais do que a cereja. Sua influência sobre os gols dos Gunners na temporada passada foi de 58%. É inevitável pensar que, não fosse por ele, o Arsenal teria fracassado na busca por uma vaga na Champions League pela primeira vez na era Wenger. Houve outras peças importantes, como Alex Song (outro que deixou o Emirates), principal assistente de van Persie, mas o holandês, com seus 30 gols e 13 assistências em 38 partidas, era incomparável.

Sterling, 17, é o melhor coadjuvante de Suárez

Situação parecida vive Suárez. De acordo com a Opta, se os gols marcados e assistidos pelo uruguaio fossem excluídos, o Liverpool seria o último colocado da Premier League, com apenas dois pontos. Ele participou diretamente de nove dos 13 gols do time, ou seja, 69%. Pudera! Suárez é o único atacante com mais de 20 anos disponível no elenco. Borini, de 21, começou mal em Anfield e está lesionado.

É evidente que a excessiva concentração dos gols em Suárez tem mais contras do que prós. A tabela, que mostra o Liverpool em 12º, está aí para comprovar. Por outro lado, também parece claro que o time de Brendan Rodgers pode melhorar demais caso tenha um mercado produtivo em janeiro, o que é bem provável pelo discurso do treinador.

Suárez amadureceu e está pronto para liderar o Liverpool. O compromisso do clube é construir seu ataque em torno do uruguaio, com opções além dos ótimos teenagers Suso e Sterling. É o caminho inverso do percorrido pelo Manchester United, que inseriu um atacante fantástico numa engrenagem que já funcionava antes dele.

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sexta-feira, 26 de outubro de 2012 Curiosidades | 00:30

Um homem, uma câmera

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A lenda, o mito Emile Heskey recentemente assinou contrato com o Newcastle Jets, da liga australiana. Pode soar estranho para quem o acompanhava na Inglaterra, mas na Austrália ele é uma estrela. Hoje, na partida entre Jets e Melbourne Victory, uma das câmeras da Fox Sports local vai registrar todos os movimentos de Heskey. Sim, os telespectadores têm a alternativa de ignorar os demais 21 jogadores e seguir apenas as reações do ex-atacante da seleção inglesa durante o confronto. A Fox já fez essa experiência com Alessandro Del Piero e Shinji Ono, outras estrelas estrangeiras da A-League. O blog resolveu aderir à brincadeira e sugerir câmeras exclusivas para alguns jogadores da Premier League:

Mario Balotelli, Manchester City. Por motivos óbvios, ele precisa ser o primeiro da lista. Balotelli pode ter reações tranquilas, como suas tradicionais comemorações fúnebres (afinal, um carteiro comemora quando entrega uma carta?), ou explosivas, como quando é expulso por uma falta estúpida no meio-campo. Genialmente imprevisível, o Super Mario seria um sucesso no One man, one camera.

Luis Suárez, Liverpool. Suárez realmente é um grande mergulhador, assim como Gareth Bale e Ashley Young, mas sua reputação exageradamente arranhada torna as coisas piores. A relação do uruguaio com a arbitragem virou o sitcom favorito de muita gente. Luisito não desiste de simular, e os árbitros, vacinados e pilhados pela má fama do atacante, ignoram até lances claramente faltosos. Quando ele enfim “ganha” uma falta, costuma aplaudir ironicamente, e a torcida do Liverpool comemora como se fosse um gol. Além disso, a bola sempre passa por Suárez, que tem atuado como referência no ataque. Ora constrói uma jogada fantástica, ora entrega a bola ao defensor. Entre caras, bocas, dribles e tropeços, não faltaria conteúdo à câmera exclusiva.

Gareth Bale, Tottenham. Uma câmera atenta a Bale seria perfeita para os fãs de filmes de ação. A melhor versão do galês é capaz de fazer dez ou mais arrancadas para cima do lateral-direito adversário – quem não se lembra do clássico Taxi for Maicon, que a torcida do Tottenham cantou para o então lateral da Internazionale, em 2010? E Bale não se trata apenas de correria. Na temporada passada, ninguém completou mais do que 122 dribles, marca atingida pelo número 11 dos Spurs.

Grant Holt, Norwich. Holt é um centroavante com pouca habilidade e muito peso. Não à toa, está sempre atracado a algum zagueiro, recebendo ou (geralmente) cometendo uma falta. Com 80 infrações, foi o segundo jogador mais faltoso da temporada passada. Mas Holt também marca gols. Sua movimentação é inteligente, de forma a encontrar espaços vazios e aproveitar cruzamentos e rebotes, como na rodada passada, contra o Arsenal. É por isso que, mesmo aparentemente longe da forma ideal, ele marcou 18 vezes em 44 jogos desde que chegou à Premier League. A câmera mostraria vários momentos-chave das partidas, como choques, gols e domínios da canela.

Cheik Tioté, Newcastle. Considerando somente os jogadores com mais de 20 partidas na Premier League, Tioté é quem mais recebe cartões em média. É isso mesmo: desde 1992, ninguém é advertido com mais frequência do que o marfinense. São 27 amarelos e um vermelho (mostrado no último domingo, contra o Sunderland) em apenas 55 jogos, ou 0.51 por confronto, número impressionante para o futebol inglês. Uma câmera exclusivamente dedicada a Tioté registraria como o volante é fundamental para o sistema defensivo do Newcastle, mas também suas demonstrações de “sutileza”.

Atualização às 8h43: Com dois “gols fantásticos” de Heskey, o Newcastle Jets venceu o Melbourne Victory por 2 a 1. Pode acreditar.

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segunda-feira, 30 de julho de 2012 Team GB | 13:30

Britânicos e futebol olímpico

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Especialmente para os britânicos, a experiência de receber o futebol olímpico é um capítulo à parte dos Jogos. A modalidade não está em sintonia com as outras, é sediada por seis cidades, e a seleção local, a Grã-Bretanha, simplesmente inexiste nas demais competições. Durante esse curioso torneio, os torcedores podem:

Discutir a identidade nacional. Tudo causa polêmica quando tratamos da relação entre ingleses e outros cidadãos britânicos (Andy Murray não nos deixa mentir). Desta vez é o comportamento dos galeses Ryan Giggs e Craig Bellamy, que não cantam o God Save the Queen antes dos jogos. No futebol, é realmente estranho assistir a ingleses e galeses competindo sob a mesma bandeira e enfileirados para o mesmo hino, mas vale lembrar que, após duas partidas (empate com Senegal e vitória sobre Emirados Árabes), Giggs e Bellamy são os melhores jogadores da Grã-Bretanha.

Reverenciar o ídolo. Crises nacionalistas à parte, Giggs é ídolo dos britânicos. Em qualquer estádio, toda demonstração de classe do capitão é aplaudida. O gol dele contra os Emirados Árabes, que o transformou no jogador mais velho (38 anos e 243 dias) a marcar em Jogos Olímpicos, foi muito comemorado. Ainda mais do que o embaixador David Beckham, que se internacionalizou quando deixou a Inglaterra, Giggs é um legítimo representante da Grã-Bretanha.

Transformar o estádio em sambódromo. O público que acompanha as partidas da Grã-Bretanha é alternativo demais, repleto de famílias e pessoas que não têm hábito de frequentar estádios. Diante de uma seleção formada apenas para competir em Londres-2012, os torcedores não sabem direito o que cantar para apoiá-la. Como bem definiu Paul Fletcher, na BBC, é “clima de carnaval”, sem tensão, sem criar um ambiente hostil para os adversários e com muita festa por receber os Jogos Olímpicos.

GB x Uruguai, na quarta-feira: mais vaias a Suárez

Vaiar desafetos. O público pode ser alternativo, mas não deixa de ser crítico em relação a certos comportamentos. Mesmo atuando em excelente nível, Neymar é vaiado por cair mais do que os ginastas brasileiros. Outro perseguido é Luis Suárez, punido pela FA na temporada passada por atitudes supostamente racistas contra Patrice Evra. Ontem, na derrota do Uruguai para o Senegal, os torcedores tinham tanta determinação em vaiá-lo, que o confundiram com Nicolás Lodeiro em vários momentos.

Admirar ou desmascarar estrelas. Sem dúvida, um ótimo entretenimento para quem acompanha o futebol olímpico. Assistindo ao Brasil, os torcedores do Chelsea descobrem que Oscar é tudo aquilo mesmo, enquanto os do Manchester United desconfiam de Lucas Moura, que atuou (mal) em apenas sete de 180 minutos possíveis nos Jogos. Aliás, se havia clubes ingleses interessados em PH Ganso, não há mais.

Apoiar o time feminino. Entre as mulheres, a Grã-Bretanha está garantida nas quartas de final e luta com o Brasil, amanhã, pelo primeiro lugar do grupo. Nas vitórias sobre Camarões e Nova Zelândia, a líder do time foi a volante Jill Scott, assunto da coluna durante a Copa do Mundo do ano passado.

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domingo, 15 de julho de 2012 Debates | 20:35

Punição necessária

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A absolvição de John Terry das acusações de ofensas racistas a Anton Ferdinand é prejudicial ao futebol inglês. O resultado do julgamento, levado à Justiça Comum porque Ferdinand prestou queixa à polícia, representa negligência em relação ao tema, exatamente o oposto da imagem que a Football Association pretende transmitir. Na esfera esportiva, há sete meses, Luis Suárez foi suspenso por oito partidas domésticas depois de uma discussão bem mais controversa com Patrice Evra.

Terry ainda pode ser punido pela FA

Em outubro do ano passado, quando o Queens Park Rangers recebeu o Chelsea, Terry teria dito a Ferdinand, com o perdão do vocabulário, “fuck off, fuck off… fucking black cunt, fucking nobhead”. O capitão do Chelsea admitiu ter utilizado exatamente essas palavras, porém com uma “exclamação sarcástica”.

Em síntese, o zagueiro da seleção inglesa se defendeu com a velha máxima de que, no calor de uma partida, trocas de ofensas não devem ser levadas a sério. É como se ele reportasse ao juiz que agiu como racista naquele momento, mas não é, realmente, racista. Na esteira de Terry, o promotor Duncan Perry argumentou que, se os árbitros punissem os atletas por linguagem abusiva, todas as partidas terminariam aos dez minutos.

Ao colocar a discriminação étnica no mesmo grupo das habituais trocas de farpas entre jogadores, o julgamento arranha a imagem do futebol, inibe denúncias de atos racistas e cria uma perigosa sensação de impunidade. A Ferdinand, a verdadeira vítima dessa história, sobra o constrangimento. A Terry, a convicção de que não fez nada errado.

É para reparar isso que a FA precisa agir, bem além da destituição de Terry como capitão da seleção. Após o zagueiro sair triunfante da Corte, a esfera esportiva deve tomar as rédeas da situação e não permitir que um caso tão emblemático e com tantas evidências acabe em pizza. Nada impede que Terry seja investigado e punido pelo tribunal da FA. Será assim, ou todas as campanhas de combate ao racismo, aquelas vinculadas ao futebol inglês, perderão credibilidade.

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sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012 Liverpool, Man Utd | 15:21

Prova de maturidade

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Patrice Evra administrou bem apenas até certo ponto as vaias que recebeu em Anfield há duas semanas. No decisivo confronto contra o Liverpool pela FA Cup, um lapso do lateral francês determinou a derrota do Manchester United. Amanhã, a Premier League nos reserva o outro lado desta história. Luis Suárez, que cumpriu suspensão de oito partidas por ofensas interpretadas como racistas a Evra, vai a Old Trafford pela primeira vez na carreira.

O desafio do uruguaio é um tanto diferente. Se Evra precisava manter a concentração para não oferecer chances ao Liverpool, Suárez terá de controlar seu temperamento, que já é explosivo em qualquer circunstância, diante de mais de 70 mil vozes vorazmente contrárias a ele. O discurso dEl Pistolero é de que as vaias vão, na verdade, ajudá-lo. Seu compromisso é canalizar o sangue quente para correr ainda mais, e não para se envolver em disputas como a que nocauteou Scott Parker há quatro dias, no sonolento Liverpool x Tottenham.

As câmeras não vão dar paz a Evra e Suárez

Suárez tem outra razão para pisar no freio. Phil Dowd, árbitro de United x Liverpool, é uma espécie de Marcelo de Lima Henrique inglês. Ele mostrou 95 cartões amarelos em 24 jogos na temporada, quase quatro por partida. Caso passe no teste e não se transforme na quarta expulsão de Dowd em 2011-12, o atacante pode dar um passo à frente na carreira, provando que suas inesperadas férias serviram para uma reflexão de como ele é muito importante com a cabeça no lugar.

O equilíbrio mental ainda tem de reservar espaço a um Suárez decisivo, como o da vitória em Anfield na temporada passada. O jogo é fundamental para o Liverpool, que depende dos três pontos para não se afastar perigosamente da quarta posição. Mas o favorito é o United, que, em circunstâncias normais, perderá o clássico apenas com uma atuação de gala dos visitantes, o que passa quase necessariamente pelo irritadiço uruguaio.

Confira os jogos da 25ª rodada e a classificação da Premier League. Para a programação na TV, consulte o Papo de Bola, do incansável Edu Cesar.

Não se esqueça de atualizar seu time no Fantasy.

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segunda-feira, 26 de dezembro de 2011 Liverpool | 20:59

Máquina de empates

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De Newcastle a Liverpool, nível de Andy Carroll cai cerca de 80%, apontaria estudo

O Liverpool é a grande decepção de um surpreendente Boxing Day. A campanha em Anfield já provocava certa desconfiança, mas seu pior capítulo aconteceu hoje, no 1 a 1 contra o Blackburn, último colocado da liga. Foi o sexto empate dos Reds em nove jogos em casa. Além dos Rovers, os também azarões Sunderland, Norwich e Swansea voltaram de lá sorrindo à toa.

A maioria dos tropeços tem um componente em comum: o time domina, cria inúmeras chances e esbarra na imprecisão dos atacantes ou em atuações brilhantes dos goleiros adversários. Ruddy, Vorm e Bunn (reserva de Robinson no Blackburn), por exemplo, saíram consagrados de Anfield. De qualquer maneira, o Liverpool precisa se investigar para tentar resolver o problema antes que a corrida pela Champions fique inviável.

Por enquanto, não é correto atribuir a Kenny Dalglish e Steve Clarke o pobre aproveitamento de 55% em Anfield. Vale lembrar que a mesma dupla revitalizou a equipe na temporada passada através de atuações empolgantes em casa, com destaque para as enfáticas vitórias sobre Manchester United, Manchester City, Birmingham e Newcastle.

A grande questão é o fracasso de algumas apostas desta temporada. Recuperado da sequência de lesões que o atormentava, Carroll deixou de ser titular absoluto e, quando joga, não é sequer sombra do centroavante que dominava a área pelo Newcastle. Melhor jogador do Aston Villa na temporada passada, Downing oscila demais e ainda não tem gols ou assistências com a camisa vermelha. Na hora de finalizar, até Suárez vai mal.

A reforma dos Reds precisa ir além. A temporada prova que a contratação de Downing passa longe de satisfazer plenamente a maior carência do elenco: jogadores de lado de campo. Portanto, o mercado de janeiro tem de levar a Anfield, no mínimo, velocidade para criar chances ainda mais claras e frieza nas finalizações. O Liverpool, melhor defesa da Premier League, marcou apenas cinco gols a mais do que Robin van Persie. E o holandês ainda vai jogar na 18ª rodada, em casa, contra o Wolverhampton.

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quarta-feira, 21 de dezembro de 2011 Liverpool | 13:50

Suco de maracujá

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Certa vez, Luis Suárez disse que Marco van Basten, seu ex-treinador no Ajax, foi o responsável por transformá-lo em um jogador muito mais coletivo e, portanto, pronto para dar um salto (sem trocadilho com a cidade natal do uruguaio) na carreira. Agora, o futebol inglês lhe impõe um novo desafio. A suspensão de oito jogos e a multa de 40 mil libras pelas supostas ofensas racistas a Patrice Evra são uma punição pesada, mas devem ser vistas também como uma oportunidade para rever conceitos.

Rei do "quase" na Premier League, Suárez chutou outras duas bolas na trave no último domingo

Pouca gente crê que o atacante seja, de fato, racista. Nem sequer Evra pensa assim, como manifestou na acusação ao uruguaio. A defesa do Liverpool tenta reforçar essa tendência ao mencionar que um avô de Suárez era negro, que ele é colega de vários jogadores negros na seleção e capitaneava um time do Ajax com perfil “multicultural”. O comunicado é falho pela argumentação pobre e também porque nada disso pesa sobre o que houve, particularmente, naquele Liverpool 1 x 1 Manchester United.

O próprio Suárez explicou que o uso da palavra negrito (o termo da discórdia entre Evra e o uruguaio) não faz, em Língua Espanhola, qualquer referência a discriminação por cor de pele. Mas aí mora o problema: o fato de ele precisar explicar. No mínimo, Suárez dá sopa para o azar ao “interagir” dessa maneira com o lateral francês, assim como o fez quando dirigiu gestos supostamente obscenos a torcedores do Fulham há pouco mais de duas semanas ou nos frequentes chiliques contra a arbitragem.

Seria, assim, bastante discutível qualquer medida de punição ou absolvição que viesse da FA – e ele ainda pode pagar pelo incidente em Craven Cottage. De qualquer maneira, o camisa 7 vive flertando com a imprudência. E não apenas na Inglaterra. A chegada de Suárez a Anfield aconteceu apenas dois meses depois de ele literalmente morder Otman Bakkal, do PSV. O Liverpool sabia que estava contratando um jogador de potencial fantástico, mas também que seu temperamento precisava ser administrado ou mesmo corrigido.

Um ano depois, Suárez passar janeiro na geladeira (o Liverpool tem duas semanas para recorrer) será péssimo no curto prazo para o clube, que depende muito dele, mas pode ser surpreendentemente bom para o uruguaio. Ele terá um tempo para descansar (vem de duas “férias” preenchidas por Copa do Mundo e Copa América), refletir sobre sua postura e até seu jogo, que deve ser mais produtivo para o Liverpool sem as constantes crises nervosas e com mais concentração no momento de marcar um gol.

Vale lembrar que Suárez pode jogar contra o Wigan hoje à noite.

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