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quinta-feira, 2 de maio de 2013 Debates, Man Utd | 19:01

O Bayern inglês

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SAF não diminui o ritmo

A hegemonia do Manchester United na Premier League esteve realmente ameaçada apenas uma vez, quando as três temporadas de 2003 a 2006 foram dominadas pela melhor versão do Arsenal de Wenger e pelo excelente Chelsea de Mourinho. Mas a resposta a esse período foi imediata. Associado a um ótimo desempenho na Europa, o tricampeonato de 2007-08-09 reiterou a soberania do United na era moderna do futebol inglês.

O título de 2012-13, antecipado há bastante tempo e confirmado na semana passada, foi mais uma demonstração da capacidade de Alex Ferguson de preservar o ethos vencedor em Old Trafford, sempre com ajustes pontuais de uma temporada para outra. Por enquanto, houve três elementos capazes de combater o United desde a fundação da Premier League, em 1992: Alan Shearer (título do Blackburn, em 1994-95), Arsène Wenger e o investimento pesado de Chesea e Manchester City. Os Devils sempre contra-atacaram.

Por conta da quantidade de boas e ótimas equipes (ainda superior, por exemplo, à da Bundesliga), a Premier League transmite uma sensação de competividade, mas está claro que o Manchester United é o Bayern Munique da Inglaterra. Candidatos a concorrentes não faltam, mas ele sempre está na corrida pelo título e habitualmente ganha (13 de 21, ou seja, 62% das edições da Premier League).

As mudanças drásticas pelas quais o futebol inglês passou não atingiram Ferguson, que jamais mereceu o rótulo de ultrapassado. Ainda que faça escolhas questionáveis, como relegar Rooney ao banco no jogo da eliminação na Champions League, e mude demais o time durante a temporada, o manager sempre se atualizou como estrategista e manteve total controle sobre o vestiário. Em Old Trafford, ninguém pode ser ou sentir-se maior do que SAF.

O amor recíproco entre Mourinho e Chelsea: que seja infinito enquanto dure

Ferguson é a combinação perfeita entre sagacidade, liderança e imposição de respeito a adversários e arbitragens. Avesso à palavra “aposentadoria” e no comando de um clube que fecha um contrato milionário atrás do outro, ele está na posição ideal para seguir dominando o futebol inglês. A questão é: quem pode minimizar o sucesso do United nos próximos anos?

As respostas mais óbvias são Manchester City e Chelsea, mas o dinheiro precisa ser associado a decisões certas. Para muita gente, os lampejos do City no fim da temporada, como a vitória sobre o United em Old Trafford, justificam um voto de confiança a Roberto Mancini. Outra interpretação é de que o técnico italiano fracassou por não tirar o melhor do time de maneira consistente. O fato é que, apesar do provável título na FA Cup, a temporada é fraca e reflexo de um trabalho confuso, que incluiu contratações que não acrescentaram nada ao elenco.

No caso do Chelsea, a esperança está totalmente depositada no iminente retorno de José Mourinho. A volta do português seria ótima para o clube e para a liga, mas vale lembrar que ele e Roman Abramovich não são propensos a longas parcerias – o período de Mourinho nos Blues (2004-2007) é o máximo que ele permaneceu num clube e também o trabalho mais longo de um treinador sob o comando do russo. Na Premier League, o pós-Mourinho foi decepcionante, com um título e vários anos longe do United.

Entretanto, a conversa não precisa ficar restrita a Manchester City e Chelsea. O notável exemplo do Borussia Dortmund, bicampeão alemão (2011 e 2012) e finalista da atual edição da Champions League, mostra que investimento descomunal não é o único caminho para tornar-se uma potência, embora ele facilite e acelere esse processo. Mas isso é assunto para outro artigo, em breve.

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sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013 Man City | 18:31

O maior pecado de Mancini

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Ainda há temporada em Eastlands. Após a melancólica derrota para o Southampton, na rodada passada da Premier League, o Manchester City recebe o Leeds no domingo pela quinta fase da FA Cup, competição que deu a Roberto Mancini seu primeiro título na Inglaterra.

No entanto, é flagrante o clima de fim de feira. Sem Champions League, 12 pontos abaixo do United e com um aproveitamento bem menor em 2012-13 (na liga, caiu de 78% para 68% em relação à temporada anterior), Mancini criticou publicamente a postura da equipe. “Tenho certeza de que mudaremos, pois mudarei os jogadores. Quero apenas os que estejam prontos para a luta nos últimos 12 jogos (da Premier League). Estou furioso com vários deles”, esbravejou.

A temporada decepcionante é reflexo de alguns aspectos. Há a indolência de que o treinador reclama, a inconsistência tática (Mancini experimentou e insistiu num ineficaz sistema com três zagueiros) e o aproveitamento espetacular do Manchester United, que perdeu apenas 13 pontos em dois terços da campanha. Mas o principal deles é o mercado de verão do Manchester City, que gastou £52 milhões e não melhorou o elenco.

Era evidente que Mancini procurava, sobretudo, três tipos de jogadores: um zagueiro para competir com Lescott, meias centrais para disputar posição com Barry e amenizar o impacto da ausência de Yaya Touré durante a Copa Africana de Nações e um winger que substituísse Adam Johnson, vendido ao Sunderland.

Scott Sinclair: até agora, nada

O defensor escolhido foi o sérvio Matija Nastasic, cedido pela Fiorentina, que recebeu em troca £12 milhões e Stefan Savic, aposta frustrada da temporada passada. Aos 19 anos, Nastasic impressionou pela maturidade, tomou a vaga de Lescott e revelou-se ótima opção para presente e futuro. É a exceção que confirma a regra.

Para o meio-campo, Mancini decidiu buscar Javi García, que pode atuar também como zagueiro, e Jack Rodwell por um valor combinado de £29 milhões. García jogou mal, e Rodwell mal jogou. Embora tenha evoluído no Benfica e chegado a Eastlands com status de provável titular, o espanhol não conseguiu tirar Barry do time, mesmo com o ex-capitão do Aston Villa em temporada oscilante. O inglês, de início promissor no Everton, é investimento para longo prazo, mas deveria ter mostrado mais na primeira temporada. É inevitável pensar que Mancini poderia ter contratado alguém como Song ou Cabaye.

O equívoco mais grave foi o tratamento negligente à necessidade de substituir Adam Johnson, que, embora não fosse exatamente fundamental para o Manchester City, era o único winger legítimo do elenco. Johnson garantia velocidade pelos flancos contra defesas fechadas, agitava os jogos, dava assistências e marcava gols eventualmente, mas nunca convenceu Mancini. O Sunderland ofereceu £12 milhões por ele, e o italiano não hesitou em aceitar.

O problema é que, em vez de contratar um substituto melhor, o Manchester City buscou Scott Sinclair, do Swansea, por £6,2 milhões. Resultado? Sinclair ganha bem, mas não joga. Quando substituiu Nasri (outro que faz temporada pobre, aliás) na partida contra o Southampton, Mancini chamou o burocrático Milner, que está longe de ser um game changer, e Sinclair ficou no banco. Johnson era muito mais produtivo. É impossível absolver o técnico, que conhecia as carências do elenco e investiu mal demais.

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sexta-feira, 11 de janeiro de 2013 Premier League | 21:30

Man Utd x Liverpool; Arsenal x Man City

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A Premier League deixou para domingo as partidas mais chamativas da 22ª rodada. Às 11h30 de Brasília, o Manchester United recebe o Liverpool. Em seguida, às 14h, o Manchester City visita o Arsenal. O blog discute os confrontos:

Man Utd x Liverpool
Rooney ainda será desfalque, garante Alex Ferguson. Hernández, seu substituto nas últimas rodadas, vive ótima fase, mas não é presença certa entre os titulares. Para evitar a desvantagem numérica contra o trio de meias centrais do Liverpool, é possível que Ferguson escale Kagawa. O japonês carregaria a bola até van Persie, liberando o holandês para atuar mais perto da área adversária.

No Liverpool, duas dúvidas importantes. Como José Enrique está lesionado, Brendan Rodgers quebra a cabeça para escolher entre Wisdom (na lateral direita, deslocando Johnson à esquerda) e Downing (na lateral esquerda, com Johnson à direita). Nenhuma das alternativas é exatamente segura para Old Trafford, o que abre espaço até a uma formação diferente, com três zagueiros – Wisdom, Skrtel e Agger – e Johnson e Downing como alas.

Há ainda a expectativa pela presença de Sturridge e, especialmente, pelo link entre ele e Suárez. Em entrevista na semana passada, para a surpresa do colunista, Rodgers afirmou que o uruguaio pode voltar à função que exercia no Ajax, uma espécie de “winger interno” para explorar as diagonais. De qualquer maneira, o técnico valorizou a versatilidade de seus atacantes e ressaltou que o posicionamento depende do adversário e deve mudar durante os jogos.

Arsenal x Man City
As visitas do City ao Emirates têm sido improdutivas. Nas três últimas pela Premier League, não marcou gol e finalizou apenas quatro vezes na direção certa. Na próxima, não terá Agüero, Yaya Touré e Nasri, o que levanta certa desconfiança sobre o comportamento do time. Após o empate por 0 a 0 em 2010-11, Roberto Mancini admitiu que a postura foi defensiva, mas fez a ressalva: “prefiro um ponto e críticas a nenhum ponto e aplausos”. Na temporada seguinte, recebeu as mesmas críticas e perdeu por 1 a 0.

Um problema sério em 2012-13 é a incapacidade de atacar pelas pontas, uma vez que Sinclair, que substituiu Adam Johnson como opção de velocidade do elenco, não convenceu Mancini. Então, vários oponentes congestionam a faixa central e “espremem” os meias e atacantes do City, que geralmente tem Nasri e Silva derivando ao centro para criar jogadas. A tendência é que Milner seja um dos wingers no domingo, mas ele habitualmente acompanha mais do que agride o lateral adversário.

Do outro lado, Arsène Wenger tem de escolher entre Walcott e Giroud para liderar o ataque. No empate por 1 a 1 do Etihad, em setembro, Gervinho foi o centroavante, com Giroud no banco. Se ainda acredita que a velocidade é o melhor expediente contra os zagueiros do City, Wenger deve insistir em seu (muito) ousado projeto de transformar Walcott em Henry. Nesse caso, é fundamental que Cazorla se aproxime dele para não deixá-lo isolado entre Kompany e Nastasic.

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quinta-feira, 3 de janeiro de 2013 Premier League | 14:42

Saldo da festa

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Sete rodadas em um mês, quatro em dez dias. A concentração de partidas da Premier League no período festivo sempre rende muitas observações. O blog trata de três aspectos importantes:

Disputa pelo título fica mesmo em Manchester. Two-horse race, dizem os ingleses. A derrota do Chelsea para o QPR praticamente enterrou a possibilidade de o título sair de Manchester. Mesmo que o time de Rafa Benítez flerte com 100% de aproveitamento até o fim da temporada, o que é para lá de improvável, a vantagem real de 11 pontos do United (que curiosamente perdeu 11 em 21 rodadas) não dá margem a outro perseguidor além do Manchester City, sete pontos abaixo. A turma de Robin van Persie é favorita pelo conforto na liderança e pela capacidade do holandês de resolver os jogos em que o United falha do ponto de vista coletivo.

Trabalho de Rodgers é melhor do que parece. A atual oitava posição do Liverpool é a mesma que frustrou os proprietários e resultou na demissão de Kenny Dalglish no fim da temporada passada. No entanto, o significativo enxugamento da folha salarial e a consciência de que resultados importam menos do que o alicerce para os próximos anos dão outra perspectiva à gestão de Rodgers. Já falamos muito da coragem para aproveitar jovens num contexto (elenco curto) que exige isso, mas as últimas rodadas expuseram outras virtudes do trabalho do norte-irlandês.

O Liverpool teve péssima atuação contra o Stoke, no Boxing Day, mas foi não menos do que excelente nas outras partidas festivas, diante de Fulham, QPR e Sunderland. Nesses três jogos, a equipe teve médias de 24 finalizações e 63% de uma posse de bola muito mais produtiva do que no início de 2012-13. Rodgers ainda resgata jogadores que pareciam causas perdidas (Henderson e Downing, que vêm de ótimas atuações) e teve um par de boas notícias no início do mercado de inverno: a chegada de Sturridge, a quem ele perseguia desde agosto (pode não dar certo, mas o Liverpool é o melhor lugar para o atacante de 23 anos), e a saída de Joe Cole para o West Ham.

Nulo na temporada passada, Marveaux virou titular na ausência de Ben Arfa em 2012-13

Departamento médico determina temporada fraca do Newcastle. Os Magpies têm nove derrotas nas últimas 11 partidas. A distância de apenas dois pontos para a zona de rebaixamento representa um anticlímax para quem comemorou tanto a quinta posição da temporada passada. Alan Pardew não se acomodou após ganhar um contrato até 2020, e as contratações de 2011-12 também não deixaram de ser brilhantes. O maior problema reside no péssimo momento físico do elenco.

A equipe que contava demais com Ben Arfa e Cabaye teve Marveaux e Bigirimana em várias das últimas rodadas. Até Jonás Gutiérrez perde jogos por lesão. Steven Taylor, que seria fundamental ao lado de Coloccini para tornar a defesa mais confiável, raramente está saudável. Agora sem Demba Ba para garantir um gol por partida, o Newcastle aposta mais em seus fisiologistas do que em quaisquer outros profissionais para ter uma temporada tranquila. Em meio à ameaça de crise, o lateral ofensivo Mathieu Debuchy é ótimo reforço e serve de alento.

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segunda-feira, 10 de dezembro de 2012 Premier League | 12:53

Conclusões da rodada (XVI)

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Consulte os resultados da 16ª rodada da Premier League (Fulham e Newcastle se enfrentam hoje). O blog repercute alguns pontos:

"He scores when he wants"

Eficiência do ataque torna o United favorito ao título. O Manchester United teve atuação à Fluminense para superar o City no Etihad. Suportou a pressão, explorou a velocidade pelos flancos e foi clínico nos contra-ataques. Joe Hart, que sofreu três gols, não fez sequer uma defesa. Se Rooney e van Persie mantiverem esse nível, o United não precisa dominar os adversários – não os ingleses, ao menos – para vencê-los. O ataque compensa a fragilidade da defesa (que se comportou bem melhor ontem) e, mesmo quando o meio-campo não controla os jogos, decide por conta própria. Quem não se lembra da sonolenta vitória sobre o Braga por 3 a 1, em Portugal, pela Champions League? Quando finalmente acelerou o ritmo, o United marcou três gols (Rooney, van Persie e Hernández) nos dez minutos finais.

Phil Neville pode perder espaço no Everton. A lesão de Phil Neville, ainda sem data definida para o retorno, abriu caminho entre os titulares do Everton para Darron Gibson, que também estava no departamento médico até três semanas atrás. O ex-meia do Manchester United foi excelente na vitória por 2 a 1 sobre o Tottenham. David Moyes não deve dispensar a visão de jogo de Gibson e a eficaz parceria entre ele e Osman. Mesmo com a chancela da faixa de capitão, Neville pode perder a posição no meio-campo e precisar disputar a lateral direita com Coleman, que também vive boa fase. Quando tem Coleman, Baines, Mirallas, Osman, Gibson, Pienaar, Fellaini e Jelavic reunidos, o Everton é implacável em Goodison Park. Foram 20 finalizações do agora quarto colocado contra o Tottenham.

Shelvey é um bom “falso 9”. Um dos destaques da vitória do Liverpool sobre o West Ham foi Jonjo Shelvey, sacrificado como centroavante na ausência de Luis Suárez. Ele não marcou, mas incomodou demais a defesa do West Ham e participou dos dois gols que viraram o jogo para os Reds. Na bela jogada que gerou o gol de Joe Cole, por exemplo, juntou-se ao meio-campo para tabelar com Sterling. Ele faz muito bem esse movimento de saída da área, que costuma confundir a marcação, atrair um zagueiro adversário e abrir espaço para a infiltração de um meio-campista. Já havia mostrado essa virtude contra o Young Boys, pela Liga Europa, quando exerceu a mesma função. Além disso, tem ótima presença física e não se intimida diante de zagueiros como James Collins, que, atrapalhado por Shelvey, marcou o gol contra que decidiu a partida.

Benítez não é um caso perdido no Chelsea. Está certo que foi contra um Sunderland à deriva, mas a atuação do Chelsea no sábado deu os primeiros sinais de que Rafa Benítez pode sobreviver nesta temporada. Com uma transição mais rápida da defesa ao ataque (e isso explica a presença de Moses entre os titulares) e pontas mais retraídos, para acompanhar os laterais adversários, o Chelsea começa a parecer um time montado pelo espanhol. Até Fernando Torres funcionou. O atacante que não marcava na Premier League havia mais de 12 horas agora tem quatro gols nos últimos dois jogos por todas as competições.

O Southampton tem uma defesa. Derrubando drasticamente a média de gols sofridos, o Norwich escalou a tabela até a 12ª posição. O Southampton tenta fazer o mesmo. A vitória por 1 a 0 sobre o Reading foi a terceira em cinco partidas. A defesa de Nigel Adkins era uma tragédia nas dez primeiras rodadas, nas quais levou 28 gols. Nas últimas seis, porém, foram apenas quatro gols sofridos. Além dos ajustes coletivos, Adkins trocou o goleiro (o jovem argentino Paulo Gazzaniga* roubou a posição de Kelvin Davis), promoveu o promissor Luke Shaw, de 17 anos, a titular da lateral esquerda e deu sequência a Jack Cork, que estabilizou o meio-campo dos Saints.

*Gazzaniga não atuou na vitória sobre o Reading por conta de uma lesão no ombro.

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sábado, 8 de dezembro de 2012 Man City, Man Utd | 16:53

Imprevisível

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Ferguson e Mancini não parecem ter um plano, mas vão disputar o título de novo

Em confronto direto pelo título, o Manchester City recebe o Manchester United amanhã, às 11h30 de Brasília. Sem recorrer a qualquer clichê, podemos afirmar que o clássico é imprevisível. A pergunta não é “quem vai ganhar?”, mas “a que tipo de jogo vamos assistir?”. Não sabemos. City e United contam com vários dos jogadores mais talentosos da Premier League e por isso devem bipolarizar a disputa pelo título, porém nenhum deles tem exatamente uma identidade. As escalações, os sistemas e as ideias de Roberto Mancini e Alex Ferguson são inconsistentes.

A inconsistência, nesse caso, não pode ser confundida com capacidade de adaptação aos adversários. Mancini, por exemplo, equivocou-se quando escalou três zagueiros em jogos que exigiam mais segurança pelas laterais. Ademais, em função do interminável rodízio promovido pelo italiano, nem sequer conhecemos os atacantes titulares do City.

Do lado vermelho de Manchester, Ferguson recorreu algumas vezes à formação diamante (4-3-1-2), para tentar ganhar a batalha do meio-campo ou simplesmente para reunir o maior número possível de meias e atacantes. O diamante permite que Cleverley, Kagawa, Rooney, van Persie e Hernández joguem ao mesmo tempo, mas, por conta da lesão de Kagawa e do alto número de wingers no elenco, não virou o sistema favorito em Old Trafford.

No dérbi das escalações imprevisíveis, o deslocamento de Rafael ao meio-campo, com Jones na lateral, seria uma resposta à lesão de Valencia e aos problemas defensivos do United. No City, Balotelli e Agüero jogaram apenas meia hora contra o Dortmund, na quarta-feira, e podem aparecer entre os titulares amanhã.

Sem sequência ou estilos definidos, é quase impossível descrever City e United. Como times, na acepção da palavra, a dupla de Manchester tem de evoluir bastante. No dérbi de amanhã, a tendência é que os jogadores sejam muito mais importantes do que os técnicos. Foi assim nos 6 a 1 dos visitantes em Old Trafford na temporada passada, quando Evans foi expulso, e os meias e atacantes do City, sobretudo Silva, aproveitaram os espaços que apareceram naturalmente.

Aliás, as últimas atuações do United no dérbi foram trágicas. Na derrota por 1 a 0 no Etihad, confronto que encaminhou o título do City na temporada passada, o desempenho coletivo talvez tenha sido até pior do que na goleada de Old Trafford. Desde a semifinal da FA Cup de 2010-11, os Red Devils não conseguem lidar com Yaya Touré. Amanhã, terão de lidar também com seus problemas defensivos. Mesmo na liderança da liga, o United foi vazado incríveis 21 vezes em 15 jogos, dez a mais do que o City.

O péssimo histórico recente no clássico, os desfalques (na pior das hipóteses, entre Cleverley, Kagawa, Valencia, Anderson e Vidic, ninguém joga) e a crise defensiva dão a Ferguson o direito de acreditar que uma eventual vitória no Etihad seria uma das melhores de sua carreira. Ainda que Mancini esteja perdido, não será fácil, especialmente se David Silva estiver disponível. O City tem boas chances de vencer e atingir os mesmos 36 pontos do United na liderança.

Consulte a lista de lesões e suspensões da Premier League.

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quarta-feira, 5 de dezembro de 2012 Copas Europeias, Debates | 23:59

Europa menos inglesa

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McKayla não está impressionada pelo desempenho inglês na Champions League

Até 1997, a Champions League era disputada apenas por campeões nacionais. Assim, o único representante inglês em 1995-96 foi o Blackburn, que havia conquistado a Premier League na temporada anterior. Foi um desastre. No grupo de Rosenborg, Legia Varsóvia e Spartak Moscou, os Rovers perderam quatro partidas, empataram uma e derrotaram o Rosenborg na última rodada, quando já estavam eliminados. Aquela ficou marcada como a pior campanha inglesa na história da Champions.

O recorde negativo do Blackburn sobreviveu a 16 temporadas. Agora ele é do Manchester City, que encerrou sua participação no Grupo D com deprimentes três pontos. Sistematicamente, empatou os jogos em casa e foi derrotado em todas as visitas, a Real Madrid, Ajax e Dortmund. Roberto Mancini, porém, afirmou que não está envergonhado. Há um mês, quando o cenário já indicava eliminação na primeira fase, o técnico italiano foi intelectualmente desonesto para justificar o fracasso continental.

É assustador que Mancini considere naturais esses vexames. Em menos de dois anos, além das duas eliminações na fase de grupos da Champions, seu time caiu diante de Dynamo Kiev e Sporting na Europa League. Desta vez, apesar da escalação respeitável utilizada ontem, contra o Dortmund, a atitude relapsa dos jogadores passou a impressão de que ninguém ali queria garantir a terceira posição na chave e o direito (interpretado por Mancini como dever) de jogar a Europa League. Com a derrota na Alemanha, a vaga ficou com o Ajax.

Fracasso chama fracasso. Afastado da Europa, o City não melhora seu coeficiente na UEFA, e a tendência é que seja novamente castigado por um grupo difícil na próxima Champions. Entretanto, o exemplo do atual campeão inglês pode não ser o único. É evidente que as campanhas do Manchester City têm sido particularmente desastrosas, mas outros clubes do país também precisam refletir sobre seu desempenho em competições europeias.

Não existe mais aquele domínio de 2007-08, quando Manchester United, Chelsea, Liverpool e um pálido Barcelona foram semifinalistas da Champions. Em 2009-10, não houve ingleses nas semifinais. Nas últimas duas temporadas, apenas dois avançaram à segunda fase – Chelsea e Arsenal em 2011-12 e Manchester United e Arsenal em 2012-13. A eliminação do Chelsea nesta edição é incontestável, pois Juventus e Shakhtar foram simplesmente melhores.

Outplayed by Dortmund, Napoli, Athletic…
A imprensa inglesa adora a expressão outplayed by, que, nesse contexto, significa dominado por. Ela tem sido bastante utilizada para descrever partidas em que times ingleses foram dominados por estrangeiros, não necessariamente no placar, mas sobretudo no volume de jogo. Em 2012-13, o Dortmund controlou o Manchester City nos dois jogos. Shakhtar e Juventus deram aulas ao Chelsea. Na temporada passada, o City foi vítima do Napoli. Mesmo campeão, o Chelsea não foi soberano em nenhuma das eliminatórias, contra Napoli, Benfica, Barcelona e Bayern. O Arsenal sofreu 4 a 0 do Milan na Itália. O Manchester United sucumbiu ao Athletic Bilbao na Europa League.

Não há qualquer indício de enfraquecimento da liga inglesa, que ainda pode ser considerada a melhor do mundo em vários aspectos. No entanto, não se justifica esse sentimento de soberba que os clubes ingleses parecem alimentar. O calendário doméstico desgastante, o choque com outros estilos (os três zagueiros de Napoli e Juventus, o futebol total do Athletic, a postura implacável do Dortmund…) e às vezes a falta de repertório dos treinadores têm atrapalhado as campanhas na Europa. Até a segunda posição no ranking da UEFA já é ameaçada pela Alemanha. Não há que se falar em nova Itália, mas é preciso abrir os olhos.

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terça-feira, 6 de novembro de 2012 Man City | 22:31

Braços cruzados

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“Somos uma grande equipe, mas não estamos preparados para a Champions League. O Chelsea tentou (sem sucesso) vencê-la por dez anos. Eles foram provavelmente os melhores da Europa nesse período e ganharam quando não mereciam”. Em sua entrevista pré-Ajax, na tentativa de tirar a pressão sobre o elenco do Manchester City, Roberto Mancini foi ineficaz e intelectualmente desonesto.

Ineficaz porque a defesa cometeu de novo erros primários, e o Manchester City empatou por 2 a 2 com o Ajax de Poulsen e Babel (aqueles do Liverpool) no Etihad Stadium. Com dois pontos no Grupo D da Champions League, os ingleses precisam alcançar Borussia Dortmund (oito pontos) ou Real Madrid (sete) para avançar à próxima fase. Virtualmente impossível.

Desonesto porque, entre 2003 e 2009, primeiras seis temporadas sob Roman Abramovich, o Chelsea não comemorou o título, mas fez ótimas campanhas continentais. Foi semifinalista em cinco dessas seis edições, perdendo nos pênaltis a vaga na final de 2007 e o título de 2008. Na era Abramovich, o clube jamais foi eliminado por um não-finalista. Sobretudo nos anos de José Mourinho, as quedas de grandes times do Chelsea foram mais circunstanciais do que efeitos de “despreparo”. O fracasso de Mancini não é equivalente à trajetória do Chelsea na década passada, que não pode, portanto, servir de álibi para o treinador italiano.

Certamente houve campeões de ocasião, como o Porto de 2004 e o Liverpool de 2005, mas maximizar as chances de título na UCL passa por adquirir o hábito de disputar fases agudas da competição. O Chelsea faz isso há nove anos. O City, por enquanto, nem sequer sobrevive a seus grupos. As vitórias a fórceps, baseadas mais em talento do que em estratégia, são frequentes na Premier League, porém desaparecem na Champions. Quando visitado pelo Dortmund, na segunda rodada, o time mal viu a bola, ainda que tenha arrancado o empate.

Cruzar os braços, a solução de Mancini para outro desempenho pobre na Champions

No entanto, a campanha na Champions não é o único argumento para questionar o trabalho de Mancini. Mesmo em âmbito doméstico, apesar de disputar as primeiras posições, as atuações são pálidas, bem aquém do que o time pode oferecer. Um rodízio improdutivo de jogadores e a inconsistência tática (que inclui uma estranha aposta na formação com três zagueiros contra equipes agressivas pelas pontas) parecem impedir que o City resgate o ótimo ritmo da primeira parte da temporada passada.

De alguma maneira, a pressão sobre o treinador campeão inglês é também interna. As contratações do chefe-executivo Ferran Soriano e do diretor esportivo Txiki Begiristain, referências do Barcelona na década passada, indicam o modelo que os proprietários pretendem efetivar. A barcelonização da diretoria aponta para um tipo diferente de técnico, que extraia mais do elenco, aproveite o talento à disposição para se impor aos adversários e evitar os sustos que têm se tornado habituais. Enquanto o futebol do City definha em 2012-13, Mancini se torna uma máquina de desculpas esfarrapadas.

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sexta-feira, 28 de setembro de 2012 Man City | 00:01

Nem espetacular, nem confiável

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Ainda está por vir a primeira grande atuação do Manchester City na temporada. Curiosamente, a maior demonstração de força aconteceu na derrota por 3 a 2 para o Real Madrid, estreia na Champions League, quando o time passou a impressão de que será muito competitivo na Europa. Em âmbito doméstico, por outro lado, o desempenho em campo e a campanha estão aquém das expectativas.

Formação mais simples e funcional para o atual Manchester City, com o máximo de jogadores talentosos em campo

Com mais empates do que vitórias no campeonato, os Citizens estão a quatro pontos do Chelsea e a três do Manchester United. Na terça-feira, amargaram ainda a eliminação na Copa da Liga, após derrota em casa para o Aston Villa, na prorrogação. Em oito partidas na temporada, incluindo a da Community Shield, a equipe sofreu inaceitáveis 16 gols, média de dois por jogo. É um time que não empolga, nem transmite segurança.

Por enquanto, o aspecto que mais chama atenção é a inconsistência tática de Roberto Mancini. Nos quatro maiores confrontos da temporada, o treinador italiano usou duas vezes o controverso 3-4-1-2 (Chelsea e Liverpool), uma o 4-2-3-1 (Real Madrid) e outra o 4-4-2 (Arsenal). Associa-se a essas mudanças um rodízio que ainda não permite distinguir claramente titulares de reservas em várias posições.

Apesar da confusa conduta de Mancini, a tendência é que, com todo mundo em forma, a equipe seja montada no modelo que efetivamente funcionou na temporada passada, até pela pressão dos torcedores. Nesse caso, a escalação seria similar à apresentada na figura ao lado, com eventuais ajustes (por exemplo, Maicon para atacar mais pela direita, Sinclair para oferecer mais velocidade, ou ainda Milner para marcar um lateral ofensivo). A alternativa dos três zagueiros, da qual Mancini gosta bastante, não é particularmente popular. Até o garoto Denis Suárez, titular contra o Aston Villa na Copa da Liga, teria questionado o esquema publicamente.

A reação precisa começar sábado, na perigosa visita ao Fulham. Aliás, foi justamente em Craven Cottage que o Manchester City perdeu seus primeiros pontos na temporada passada, com um empate por 2 a 2 na quinta rodada, há pouco mais de um ano. Martin Jol desta vez não tem Dempsey e Dembele, negociados com o Tottenham, mas conta com um ataque experiente e capaz, que não vai perdoar os erros que o campeão inglês se habituou a cometer.

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quinta-feira, 30 de agosto de 2012 Copas Europeias, Man City | 23:36

Flashback

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Balotelli reencontra José Mourinho, seu treinador na Inter, logo na estreia

Mario Balotelli destruiu o Manchester City na Europa League há duas temporadas. O italiano foi expulso contra o Dynamo Kiev e impediu a classificação às quartas de final. Na ocasião, o time de Roberto Mancini buscava não apenas o título, mas também uma escalada no ranking da UEFA, para chegar às edições seguintes da Champions League, o que aconteceria naturalmente, em melhores condições. Nada feito. No sorteio do ano passado, o City ficou no terceiro pote, fez companhia a Bayern, Villarreal e Napoli na fase de grupos e foi eliminado.

Hoje, na definição dos grupos desta temporada da Champions, o City pagou novamente por seus fracassos internacionais. A campanha continental em 2011-12, que terminou com a eliminação para o Sporting nas oitavas de final da Europa League, até foi suficiente para “promover” o clube ao segundo pote, mas não evitou outro sorteio desagradável. No Grupo D, os Citizens enfrentam os campeões nacionais Real Madrid, Borussia Dortmund e Ajax.

Em tese, Madrid, Dortmund e Ajax são, respectivamente, ainda mais perigosos do que Bayern, Napoli e Villarreal. Para superar ao menos dois de seus três oponentes, o City tem o compromisso de ser mais preciso em casa. Não basta reproduzir na Champions as exibições da Premier League, que em 2011-12 renderam uma campanha caseira de 18 vitórias e um empate. Na mesma temporada, uma estreia sonolenta contra o Napoli no Etihad Stadium resultou num ótimo empate para os italianos e foi determinante para a eliminação dos ingleses na UCL.

É necessário entender que a competição, especialmente quando tratamos de uma chave tão apertada, exige mais concentração e uma atmosfera diferente. O grupo tende a não perdoar também o rodízio de titulares, prática que Mancini adotou à exaustão no fiasco de 2011-12, com revezamento de laterais e Agüero relegado ao banco no confronto decisivo, novamente diante do Napoli, no San Paolo.

Desta vez, a pressão será menor na estreia, pois não há a obrigação – embora seja interessante – de tirar pontos do Real Madrid no Santiago Bernabéu. O “Napoli” deste ano é o Dortmund, contra quem o City precisa vencer o confronto direto, admitindo que o Madrid confirme seu status de favorito e o Ajax não surpreenda. Resta saber qual turma vai amadurecer e finalmente superar seu bloqueio na Europa: a de Roberto Mancini ou a de Jürgen Klopp. Vacinado, o campeão inglês parece pronto para o desafio.

Também na Champions
Grupo B: Arsenal, Schalke, Olympiacos e Montpellier
Grupo E: Chelsea, Shakhtar, Juventus e Nordsjaelland
Grupo H: Manchester United, Braga, Galatasaray e Cluj

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