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sexta-feira, 10 de maio de 2013 Everton, Man Utd | 11:03

A sucessão

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A aposentadoria de Sir Alex Ferguson é daqueles eventos em que, antes de acontecer, ninguém acredita – à exceção do Telegraph, primeiro jornal a indicar a saída do manager após quase 27 anos no comando do Manchester United. Como sugeriu o artigo anterior desta coluna, o discurso de Ferguson não sinalizava aposentadoria. Não à toa, as especulações praticamente inexistiam, ou pelo menos eram bem mais leves do que temporadas atrás.

Acredite: Ferguson passou o bastão

No entanto, há aspectos lógicos na decisão. A menos que fosse motivado por um problema de saúde ou algo parecido, ele jamais escolheria sair em um cenário negativo. O 20º título do United no campeonato, 13º de Ferguson, é o melhor encerramento possível do ponto de vista moral, sobretudo por ser um incontestável contra-ataque à conquista do Manchester City em 2011-12. Além disso, quando justificou a aposentadoria, o manager reiterou o bom estado (qualidade e média de idade) do elenco que entregará a seu sucessor.

Aliás, o sucessor escolhido por Ferguson e aprovado pelo clube é a melhor manifestação de que o United não pretende promover alterações drásticas. Se existe alguém capaz de preservar o legado, sem a vaidade de apressar mudanças e deixar sua “assinatura” no clube imediatamente, é o escocês (outro, após Matt Busby e Ferguson) David Moyes, de 50 anos. Há 11 temporadas em Goodison Park, Moyes treinará o Everton nas duas rodadas restantes da Premier League e, em seguida, assumirá o que foi batizado de “trabalho impossível”.

Nem tanto, convenhamos. O contrato de seis anos oferecido pelo United atesta a confiança depositada em Moyes (quase um Alan Pardew, a quem o Newcastle entregou precipitadamente um contrato de oito temporadas), que há muito é um dos treinadores mais respeitados da liga. Respeito adquirido por conta da construção de um Everton sustentável e competitivo, que superou elencos mais caros e sempre foi um adversário difícil para qualquer time em qualquer estádio.

É equivocado afirmar que Moyes nunca gastou ou que sempre montou times contratando free agents, mas é correto vincular esse investimento a vendas importantes. Se um dia o Everton comprou Jagielka, Baines, Fellaini, Pienaar e Mirallas, é porque fez muito mais dinheiro com Rooney, Lescott, Rodwell, Andy Johnson (sim, Moyes o vendeu ao Fulham por £13 milhões) e Arteta. Lembra Simon Kuper, do Financial Times, que o Everton tem apenas a 10ª folha salarial da liga e sempre terminou entre os oito primeiros desde 2007.

Moyes não é um técnico purista como Jürgen Klopp ou Pep Guardiola, de estilos inconfundíveis. O Manchester United certamente não será um time tão intenso e rápido quanto o Dortmund ou um praticante do tiki-taka como o Barcelona 2008-2012. O novo chefe em Old Trafford é bem mais maleável e adapta-se ao que tem à disposição para competir. Há quatro ou cinco anos, as pessoas reclamavam de um Everton sem atacantes – na verdade, com Tim Cahill ocupando o espaço correspondente. Hoje, reclamam dos dois postes à frente, Fellaini e Anichebe.

Apesar da flexibilidade, é possível usar como referência o Everton de 2012-13. Particularmente no início da temporada, quando tinha Pienaar e Jelavic em grande fase, Moyes montou uma equipe empolgante, sobretudo nos jogos em casa. Fellaini dominava partidas, Mirallas era um azougue à direita, Baines avançava no espaço abandonado por Pienaar, e Osman controlava o meio-campo. Se recuperar os wingers e contratar os jogadores certos (enfim, dinheiro não será problema), ele pode reproduzir esse tipo de futebol em Old Trafford, com jogadores mais decisivos e confiáveis.

Uma ressalva que precisa ser feita é a ausência de títulos de elite no currículo de Moyes, campeão apenas da terceira divisão com o Preston North End, em 2000. No Everton, sem troféus há 18 anos, a pressão era minimizada pela consistência da equipe e pelo título imaginário de “terminar a liga acima do Liverpool”, algo que Moyes conseguiu em 2005, 2012 e tem tudo para repetir em 2013.

Apesar disso, é bobagem recorrer a um daqueles clichês, como “Moyes é técnico de time sem ambição”. Faltou a chancela de um título, mas ele cumpriu seu papel no Everton e até excedeu as expectativas. A questão agora é conviver com outro tipo de pressão. No United pós-1990, conquistas vêm de maneira natural e são resultado também da excelente gestão Ferguson, uma raposa em campo e hábil no relacionamento com a diretoria e os jogadores. A ética de trabalho de Moyes o transformou no candidato ideal para continuar esse processo.

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quinta-feira, 2 de maio de 2013 Debates, Man Utd | 19:01

O Bayern inglês

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SAF não diminui o ritmo

A hegemonia do Manchester United na Premier League esteve realmente ameaçada apenas uma vez, quando as três temporadas de 2003 a 2006 foram dominadas pela melhor versão do Arsenal de Wenger e pelo excelente Chelsea de Mourinho. Mas a resposta a esse período foi imediata. Associado a um ótimo desempenho na Europa, o tricampeonato de 2007-08-09 reiterou a soberania do United na era moderna do futebol inglês.

O título de 2012-13, antecipado há bastante tempo e confirmado na semana passada, foi mais uma demonstração da capacidade de Alex Ferguson de preservar o ethos vencedor em Old Trafford, sempre com ajustes pontuais de uma temporada para outra. Por enquanto, houve três elementos capazes de combater o United desde a fundação da Premier League, em 1992: Alan Shearer (título do Blackburn, em 1994-95), Arsène Wenger e o investimento pesado de Chesea e Manchester City. Os Devils sempre contra-atacaram.

Por conta da quantidade de boas e ótimas equipes (ainda superior, por exemplo, à da Bundesliga), a Premier League transmite uma sensação de competividade, mas está claro que o Manchester United é o Bayern Munique da Inglaterra. Candidatos a concorrentes não faltam, mas ele sempre está na corrida pelo título e habitualmente ganha (13 de 21, ou seja, 62% das edições da Premier League).

As mudanças drásticas pelas quais o futebol inglês passou não atingiram Ferguson, que jamais mereceu o rótulo de ultrapassado. Ainda que faça escolhas questionáveis, como relegar Rooney ao banco no jogo da eliminação na Champions League, e mude demais o time durante a temporada, o manager sempre se atualizou como estrategista e manteve total controle sobre o vestiário. Em Old Trafford, ninguém pode ser ou sentir-se maior do que SAF.

O amor recíproco entre Mourinho e Chelsea: que seja infinito enquanto dure

Ferguson é a combinação perfeita entre sagacidade, liderança e imposição de respeito a adversários e arbitragens. Avesso à palavra “aposentadoria” e no comando de um clube que fecha um contrato milionário atrás do outro, ele está na posição ideal para seguir dominando o futebol inglês. A questão é: quem pode minimizar o sucesso do United nos próximos anos?

As respostas mais óbvias são Manchester City e Chelsea, mas o dinheiro precisa ser associado a decisões certas. Para muita gente, os lampejos do City no fim da temporada, como a vitória sobre o United em Old Trafford, justificam um voto de confiança a Roberto Mancini. Outra interpretação é de que o técnico italiano fracassou por não tirar o melhor do time de maneira consistente. O fato é que, apesar do provável título na FA Cup, a temporada é fraca e reflexo de um trabalho confuso, que incluiu contratações que não acrescentaram nada ao elenco.

No caso do Chelsea, a esperança está totalmente depositada no iminente retorno de José Mourinho. A volta do português seria ótima para o clube e para a liga, mas vale lembrar que ele e Roman Abramovich não são propensos a longas parcerias – o período de Mourinho nos Blues (2004-2007) é o máximo que ele permaneceu num clube e também o trabalho mais longo de um treinador sob o comando do russo. Na Premier League, o pós-Mourinho foi decepcionante, com um título e vários anos longe do United.

Entretanto, a conversa não precisa ficar restrita a Manchester City e Chelsea. O notável exemplo do Borussia Dortmund, bicampeão alemão (2011 e 2012) e finalista da atual edição da Champions League, mostra que investimento descomunal não é o único caminho para tornar-se uma potência, embora ele facilite e acelere esse processo. Mas isso é assunto para outro artigo, em breve.

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quarta-feira, 6 de março de 2013 Copas Europeias, Man Utd | 08:57

Do kung-fu a Modric

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Acabou para o Manchester United. E está acabando para a Inglaterra, que, na Champions League, deve ter apenas a despedida do Arsenal em Munique e a honra de sediar a decisão. A provável ausência de representantes ingleses nas quartas de final é a sequência natural do que foi discutido no blog em dezembro do ano passado. No entanto, como até José Mourinho admitiu (“o melhor time perdeu”), os Red Devils poderiam ter derrubado o Real Madrid. O blog enumera cinco episódios que determinaram a derrota por 2 a 1 e a eliminação do United em Old Trafford:

Ferguson dispensou a entrevista coletiva após o jogo. Não é difícil entender por quê

A expulsão de Nani. O lance capital do confronto, mais do que qualquer um dos cinco gols. Sem intenção, Nani aplicou em Arbeloa um golpe de kung-fu e foi expulso pelo árbitro Cuneyt Cakir, que, enquanto o português estava deitado, teve alguns segundos para pensar no que faria. Um cartão amarelo teria punido Nani com correção, condenando a imprudência sem ignorar o caráter acidental do lance. Até a expulsão, o United controlava bem o jogo e não dava sinais de que sofreria gols.

A ausência de Jones. O quebra-galho do elenco, que perdeu por lesão a partida decisiva, teria sido importante demais. Não apenas para assessorar Rafael no combate a Ronaldo, sua principal função no jogo de Madrid, mas especialmente para fechar espaços e oferecer mais energia depois da expulsão de Nani. Alonso, Modric, Özil e Kaká circulavam à vontade contra meio-campistas desgastados e sem a força de Jones, que, como Sam Allardyce descobriu há duas temporadas no Blackburn, é capaz de proteger muito bem a área.

A apatia de van Persie. Ainda que a fase não seja brilhante, o holandês poderia ter feito mais no confronto. Na primeira partida, faltou a precisão habitual quando ele perdeu uma oportunidade clara diante de Diego López. Na segunda, faltou tudo a van Persie, que se aproximou bastante de sua versão pálida da Euro 2012.

A decisão de Ferguson. Ferguson relegou Rooney ao banco com o argumento de que Welbeck seria mais eficiente em atrapalhar Xabi Alonso. De fato, Welbeck foi enérgico sem a bola e limitou a passes burocráticos o articulador do Real Madrid, que costuma ser letal nos lançamentos. Mas Rooney vive ótima fase técnica e, embora não tenha o fôlego de Welbeck, também está habituado a cumprir papéis defensivos que contrariem sua “natureza”. Teria sido mais simples perseguir Alonso do que fechar o lado direito, como no primeiro jogo. É inevitável pensar na falta que Rooney fez nos momentos em que o United dominava. Não aproveitar Kagawa, que vinha de hat-trick no sábado, foi outra opção questionável.

A entrada de Modric. O ex-dínamo do Tottenham ainda não encontrou espaço no sistema de Mourinho, que mantém Khedira e Özil nas posições que ele poderia ocupar. Mas a atmosfera de um estádio inglês fez bem ao croata, um dos grandes da Premier League até a temporada passada. Chamado logo após a expulsão de Nani, Modric mostrou seu repertório em meia hora. Além do gol que pôs o Real Madrid em situação favorável, os passes precisos e a excelente movimentação minaram o sistema defensivo do United. Foi o melhor do jogo.

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terça-feira, 12 de fevereiro de 2013 Copas Europeias, Man Utd | 15:59

Real Madrid x Manchester United

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O confronto entre Manchester United e Real Madrid é a típica ironia de sorteio da UEFA Champions League. Segundo colocado no grupo do United, o Galatasaray enfrenta nas oitavas de final um Schalke 04 em péssima fase. A Alex Ferguson, as bolinhas reservaram José Mourinho e Cristiano Ronaldo. Mesmo que a liderança da chave não tenha sido recompensada com um adversário simples, ninguém reclamou da sorte. Certamente é a partida que todos querem jogar, ainda que precocemente.

É improvável que a crise de vestiário do Real Madrid facilite o confronto. À parte algumas atuações tétricas na liga espanhola, as últimas semanas mostraram que, quando concentrado, o time de Mourinho pode destruir bons oponentes. Ainda em janeiro, o Valencia levou 5 a 0 em casa, com todos os gols no primeiro tempo. No sábado, um brilhante Cristiano Ronaldo garantiu 4 a 1 sobre o Sevilla.

Embora a temporada do United indique que o ataque sempre compensa as falhas da defesa, o caminho para sair vivo do Santiago Bernabéu passa por esperar e não oferecer espaço para as transições rápidas do Real Madrid. O quarto gol contra o Sevilla foi a perfeita demonstração de como o contra-ataque madridista é letal e não deve ser permitido. O time da Andaluzia cobrou falta no campo de ataque e, exatamente 15 segundos depois, sofreu o gol. Ronaldo iniciou e concluiu a jogada.

Possíveis escalações. Base do United é a formação utilizada contra o Tottenham, em 20 de janeiro, com Rooney no lugar de Kagawa

Aliás, Ronaldo não pode ser marcado apenas por Rafael. Ferguson teve esse cuidado quando enfrentou Bale, na visita ao Tottenham há três semanas. Para evitar a exposição do lateral brasileiro às arrancadas do galês, Phil Jones, o quebra-galho do elenco, foi escalado no meio-campo e dobrou a marcação sobre Bale. A tendência é que ele repita o expediente em Madrid. Não à toa, havia certa apreensão sobre a condição física de Jones, substituído por precaução na última rodada da Premier League. Contra o Tottenham, deu certo. Na quarta-feira, pode sobrar espaço para outros jogadores decisivos – daí a importância, por exemplo, de Carrick no combate a Özil.

Outra peça-chave para o United é Rooney, que deve ligar contra-ataques, abastecer van Persie e eventualmente finalizar. A versatilidade do número 10 oferece flexibilidade à equipe. Ferguson pode orientá-lo a incomodar Xabi Alonso, sua função habitual, ou mesmo a fechar o lado esquerdo, como aconteceu no fim de semana contra o Everton. No entanto, sem esquecer a necessidade de marcar gols em Madrid, é fundamental que Rooney sempre se aproxime da área quando o United tiver a bola.

Como o Real Madrid contra-ataca sem piedade, é praticamente questão de sobrevivência para o United um placar aceitável no Santiago Bernabéu. A eliminação de dez anos atrás (vitórias do Real por 3 a 1 em Madrid e do United por 4 a 3 em Manchester, com hat-trick de Ronaldo Fenômeno), mesmo com personagens diferentes, serve de lição: quando você tem de correr atrás do resultado, sempre haverá um Ronaldo do outro lado para derrubá-lo.

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sexta-feira, 11 de janeiro de 2013 Premier League | 21:30

Man Utd x Liverpool; Arsenal x Man City

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A Premier League deixou para domingo as partidas mais chamativas da 22ª rodada. Às 11h30 de Brasília, o Manchester United recebe o Liverpool. Em seguida, às 14h, o Manchester City visita o Arsenal. O blog discute os confrontos:

Man Utd x Liverpool
Rooney ainda será desfalque, garante Alex Ferguson. Hernández, seu substituto nas últimas rodadas, vive ótima fase, mas não é presença certa entre os titulares. Para evitar a desvantagem numérica contra o trio de meias centrais do Liverpool, é possível que Ferguson escale Kagawa. O japonês carregaria a bola até van Persie, liberando o holandês para atuar mais perto da área adversária.

No Liverpool, duas dúvidas importantes. Como José Enrique está lesionado, Brendan Rodgers quebra a cabeça para escolher entre Wisdom (na lateral direita, deslocando Johnson à esquerda) e Downing (na lateral esquerda, com Johnson à direita). Nenhuma das alternativas é exatamente segura para Old Trafford, o que abre espaço até a uma formação diferente, com três zagueiros – Wisdom, Skrtel e Agger – e Johnson e Downing como alas.

Há ainda a expectativa pela presença de Sturridge e, especialmente, pelo link entre ele e Suárez. Em entrevista na semana passada, para a surpresa do colunista, Rodgers afirmou que o uruguaio pode voltar à função que exercia no Ajax, uma espécie de “winger interno” para explorar as diagonais. De qualquer maneira, o técnico valorizou a versatilidade de seus atacantes e ressaltou que o posicionamento depende do adversário e deve mudar durante os jogos.

Arsenal x Man City
As visitas do City ao Emirates têm sido improdutivas. Nas três últimas pela Premier League, não marcou gol e finalizou apenas quatro vezes na direção certa. Na próxima, não terá Agüero, Yaya Touré e Nasri, o que levanta certa desconfiança sobre o comportamento do time. Após o empate por 0 a 0 em 2010-11, Roberto Mancini admitiu que a postura foi defensiva, mas fez a ressalva: “prefiro um ponto e críticas a nenhum ponto e aplausos”. Na temporada seguinte, recebeu as mesmas críticas e perdeu por 1 a 0.

Um problema sério em 2012-13 é a incapacidade de atacar pelas pontas, uma vez que Sinclair, que substituiu Adam Johnson como opção de velocidade do elenco, não convenceu Mancini. Então, vários oponentes congestionam a faixa central e “espremem” os meias e atacantes do City, que geralmente tem Nasri e Silva derivando ao centro para criar jogadas. A tendência é que Milner seja um dos wingers no domingo, mas ele habitualmente acompanha mais do que agride o lateral adversário.

Do outro lado, Arsène Wenger tem de escolher entre Walcott e Giroud para liderar o ataque. No empate por 1 a 1 do Etihad, em setembro, Gervinho foi o centroavante, com Giroud no banco. Se ainda acredita que a velocidade é o melhor expediente contra os zagueiros do City, Wenger deve insistir em seu (muito) ousado projeto de transformar Walcott em Henry. Nesse caso, é fundamental que Cazorla se aproxime dele para não deixá-lo isolado entre Kompany e Nastasic.

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quinta-feira, 3 de janeiro de 2013 Premier League | 14:42

Saldo da festa

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Sete rodadas em um mês, quatro em dez dias. A concentração de partidas da Premier League no período festivo sempre rende muitas observações. O blog trata de três aspectos importantes:

Disputa pelo título fica mesmo em Manchester. Two-horse race, dizem os ingleses. A derrota do Chelsea para o QPR praticamente enterrou a possibilidade de o título sair de Manchester. Mesmo que o time de Rafa Benítez flerte com 100% de aproveitamento até o fim da temporada, o que é para lá de improvável, a vantagem real de 11 pontos do United (que curiosamente perdeu 11 em 21 rodadas) não dá margem a outro perseguidor além do Manchester City, sete pontos abaixo. A turma de Robin van Persie é favorita pelo conforto na liderança e pela capacidade do holandês de resolver os jogos em que o United falha do ponto de vista coletivo.

Trabalho de Rodgers é melhor do que parece. A atual oitava posição do Liverpool é a mesma que frustrou os proprietários e resultou na demissão de Kenny Dalglish no fim da temporada passada. No entanto, o significativo enxugamento da folha salarial e a consciência de que resultados importam menos do que o alicerce para os próximos anos dão outra perspectiva à gestão de Rodgers. Já falamos muito da coragem para aproveitar jovens num contexto (elenco curto) que exige isso, mas as últimas rodadas expuseram outras virtudes do trabalho do norte-irlandês.

O Liverpool teve péssima atuação contra o Stoke, no Boxing Day, mas foi não menos do que excelente nas outras partidas festivas, diante de Fulham, QPR e Sunderland. Nesses três jogos, a equipe teve médias de 24 finalizações e 63% de uma posse de bola muito mais produtiva do que no início de 2012-13. Rodgers ainda resgata jogadores que pareciam causas perdidas (Henderson e Downing, que vêm de ótimas atuações) e teve um par de boas notícias no início do mercado de inverno: a chegada de Sturridge, a quem ele perseguia desde agosto (pode não dar certo, mas o Liverpool é o melhor lugar para o atacante de 23 anos), e a saída de Joe Cole para o West Ham.

Nulo na temporada passada, Marveaux virou titular na ausência de Ben Arfa em 2012-13

Departamento médico determina temporada fraca do Newcastle. Os Magpies têm nove derrotas nas últimas 11 partidas. A distância de apenas dois pontos para a zona de rebaixamento representa um anticlímax para quem comemorou tanto a quinta posição da temporada passada. Alan Pardew não se acomodou após ganhar um contrato até 2020, e as contratações de 2011-12 também não deixaram de ser brilhantes. O maior problema reside no péssimo momento físico do elenco.

A equipe que contava demais com Ben Arfa e Cabaye teve Marveaux e Bigirimana em várias das últimas rodadas. Até Jonás Gutiérrez perde jogos por lesão. Steven Taylor, que seria fundamental ao lado de Coloccini para tornar a defesa mais confiável, raramente está saudável. Agora sem Demba Ba para garantir um gol por partida, o Newcastle aposta mais em seus fisiologistas do que em quaisquer outros profissionais para ter uma temporada tranquila. Em meio à ameaça de crise, o lateral ofensivo Mathieu Debuchy é ótimo reforço e serve de alento.

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segunda-feira, 10 de dezembro de 2012 Premier League | 12:53

Conclusões da rodada (XVI)

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Consulte os resultados da 16ª rodada da Premier League (Fulham e Newcastle se enfrentam hoje). O blog repercute alguns pontos:

"He scores when he wants"

Eficiência do ataque torna o United favorito ao título. O Manchester United teve atuação à Fluminense para superar o City no Etihad. Suportou a pressão, explorou a velocidade pelos flancos e foi clínico nos contra-ataques. Joe Hart, que sofreu três gols, não fez sequer uma defesa. Se Rooney e van Persie mantiverem esse nível, o United não precisa dominar os adversários – não os ingleses, ao menos – para vencê-los. O ataque compensa a fragilidade da defesa (que se comportou bem melhor ontem) e, mesmo quando o meio-campo não controla os jogos, decide por conta própria. Quem não se lembra da sonolenta vitória sobre o Braga por 3 a 1, em Portugal, pela Champions League? Quando finalmente acelerou o ritmo, o United marcou três gols (Rooney, van Persie e Hernández) nos dez minutos finais.

Phil Neville pode perder espaço no Everton. A lesão de Phil Neville, ainda sem data definida para o retorno, abriu caminho entre os titulares do Everton para Darron Gibson, que também estava no departamento médico até três semanas atrás. O ex-meia do Manchester United foi excelente na vitória por 2 a 1 sobre o Tottenham. David Moyes não deve dispensar a visão de jogo de Gibson e a eficaz parceria entre ele e Osman. Mesmo com a chancela da faixa de capitão, Neville pode perder a posição no meio-campo e precisar disputar a lateral direita com Coleman, que também vive boa fase. Quando tem Coleman, Baines, Mirallas, Osman, Gibson, Pienaar, Fellaini e Jelavic reunidos, o Everton é implacável em Goodison Park. Foram 20 finalizações do agora quarto colocado contra o Tottenham.

Shelvey é um bom “falso 9”. Um dos destaques da vitória do Liverpool sobre o West Ham foi Jonjo Shelvey, sacrificado como centroavante na ausência de Luis Suárez. Ele não marcou, mas incomodou demais a defesa do West Ham e participou dos dois gols que viraram o jogo para os Reds. Na bela jogada que gerou o gol de Joe Cole, por exemplo, juntou-se ao meio-campo para tabelar com Sterling. Ele faz muito bem esse movimento de saída da área, que costuma confundir a marcação, atrair um zagueiro adversário e abrir espaço para a infiltração de um meio-campista. Já havia mostrado essa virtude contra o Young Boys, pela Liga Europa, quando exerceu a mesma função. Além disso, tem ótima presença física e não se intimida diante de zagueiros como James Collins, que, atrapalhado por Shelvey, marcou o gol contra que decidiu a partida.

Benítez não é um caso perdido no Chelsea. Está certo que foi contra um Sunderland à deriva, mas a atuação do Chelsea no sábado deu os primeiros sinais de que Rafa Benítez pode sobreviver nesta temporada. Com uma transição mais rápida da defesa ao ataque (e isso explica a presença de Moses entre os titulares) e pontas mais retraídos, para acompanhar os laterais adversários, o Chelsea começa a parecer um time montado pelo espanhol. Até Fernando Torres funcionou. O atacante que não marcava na Premier League havia mais de 12 horas agora tem quatro gols nos últimos dois jogos por todas as competições.

O Southampton tem uma defesa. Derrubando drasticamente a média de gols sofridos, o Norwich escalou a tabela até a 12ª posição. O Southampton tenta fazer o mesmo. A vitória por 1 a 0 sobre o Reading foi a terceira em cinco partidas. A defesa de Nigel Adkins era uma tragédia nas dez primeiras rodadas, nas quais levou 28 gols. Nas últimas seis, porém, foram apenas quatro gols sofridos. Além dos ajustes coletivos, Adkins trocou o goleiro (o jovem argentino Paulo Gazzaniga* roubou a posição de Kelvin Davis), promoveu o promissor Luke Shaw, de 17 anos, a titular da lateral esquerda e deu sequência a Jack Cork, que estabilizou o meio-campo dos Saints.

*Gazzaniga não atuou na vitória sobre o Reading por conta de uma lesão no ombro.

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quarta-feira, 5 de dezembro de 2012 Copas Europeias, Debates | 23:59

Europa menos inglesa

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McKayla não está impressionada pelo desempenho inglês na Champions League

Até 1997, a Champions League era disputada apenas por campeões nacionais. Assim, o único representante inglês em 1995-96 foi o Blackburn, que havia conquistado a Premier League na temporada anterior. Foi um desastre. No grupo de Rosenborg, Legia Varsóvia e Spartak Moscou, os Rovers perderam quatro partidas, empataram uma e derrotaram o Rosenborg na última rodada, quando já estavam eliminados. Aquela ficou marcada como a pior campanha inglesa na história da Champions.

O recorde negativo do Blackburn sobreviveu a 16 temporadas. Agora ele é do Manchester City, que encerrou sua participação no Grupo D com deprimentes três pontos. Sistematicamente, empatou os jogos em casa e foi derrotado em todas as visitas, a Real Madrid, Ajax e Dortmund. Roberto Mancini, porém, afirmou que não está envergonhado. Há um mês, quando o cenário já indicava eliminação na primeira fase, o técnico italiano foi intelectualmente desonesto para justificar o fracasso continental.

É assustador que Mancini considere naturais esses vexames. Em menos de dois anos, além das duas eliminações na fase de grupos da Champions, seu time caiu diante de Dynamo Kiev e Sporting na Europa League. Desta vez, apesar da escalação respeitável utilizada ontem, contra o Dortmund, a atitude relapsa dos jogadores passou a impressão de que ninguém ali queria garantir a terceira posição na chave e o direito (interpretado por Mancini como dever) de jogar a Europa League. Com a derrota na Alemanha, a vaga ficou com o Ajax.

Fracasso chama fracasso. Afastado da Europa, o City não melhora seu coeficiente na UEFA, e a tendência é que seja novamente castigado por um grupo difícil na próxima Champions. Entretanto, o exemplo do atual campeão inglês pode não ser o único. É evidente que as campanhas do Manchester City têm sido particularmente desastrosas, mas outros clubes do país também precisam refletir sobre seu desempenho em competições europeias.

Não existe mais aquele domínio de 2007-08, quando Manchester United, Chelsea, Liverpool e um pálido Barcelona foram semifinalistas da Champions. Em 2009-10, não houve ingleses nas semifinais. Nas últimas duas temporadas, apenas dois avançaram à segunda fase – Chelsea e Arsenal em 2011-12 e Manchester United e Arsenal em 2012-13. A eliminação do Chelsea nesta edição é incontestável, pois Juventus e Shakhtar foram simplesmente melhores.

Outplayed by Dortmund, Napoli, Athletic…
A imprensa inglesa adora a expressão outplayed by, que, nesse contexto, significa dominado por. Ela tem sido bastante utilizada para descrever partidas em que times ingleses foram dominados por estrangeiros, não necessariamente no placar, mas sobretudo no volume de jogo. Em 2012-13, o Dortmund controlou o Manchester City nos dois jogos. Shakhtar e Juventus deram aulas ao Chelsea. Na temporada passada, o City foi vítima do Napoli. Mesmo campeão, o Chelsea não foi soberano em nenhuma das eliminatórias, contra Napoli, Benfica, Barcelona e Bayern. O Arsenal sofreu 4 a 0 do Milan na Itália. O Manchester United sucumbiu ao Athletic Bilbao na Europa League.

Não há qualquer indício de enfraquecimento da liga inglesa, que ainda pode ser considerada a melhor do mundo em vários aspectos. No entanto, não se justifica esse sentimento de soberba que os clubes ingleses parecem alimentar. O calendário doméstico desgastante, o choque com outros estilos (os três zagueiros de Napoli e Juventus, o futebol total do Athletic, a postura implacável do Dortmund…) e às vezes a falta de repertório dos treinadores têm atrapalhado as campanhas na Europa. Até a segunda posição no ranking da UEFA já é ameaçada pela Alemanha. Não há que se falar em nova Itália, mas é preciso abrir os olhos.

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segunda-feira, 5 de novembro de 2012 Liverpool, Man Utd | 13:07

Robin e Luis

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Semana após semana, Robin van Persie e Luis Suárez se consolidam como os melhores atacantes da Premier League. No sábado, o holandês do Manchester United assumiu a artilharia isolada, com oito gols, ao marcar (e não comemorar) contra o Arsenal. Ontem, o uruguaio chegou a sete num lance de rara beleza, que deixou a crítica a seus pés e garantiu o empate do Liverpool com o Newcastle.

Agora contra André Santos, van Persie se divertiu em Old Trafford

Com participação direta em 42% dos gols do United, van Persie é fundamental para o novo clube, ainda que esteja em Old Trafford há menos de três meses. A contratação foi perfeita, pois acrescentou ao sistema um atacante quase infalível, no auge da carreira e aparentemente livre da tendência a lesões.

O gol marcado contra os ex-patrões foi um símbolo do que ele representa para o United. Embora seja excelente também fora da área, van Persie não precisa, a toda hora, buscar o jogo e criar suas próprias oportunidades. A bola se oferece com mais frequência para o artilheiro finalizar, geralmente com precisão cirúrgica. Ele é a cereja do cupcake.

No Arsenal, van Persie era bem mais do que a cereja. Sua influência sobre os gols dos Gunners na temporada passada foi de 58%. É inevitável pensar que, não fosse por ele, o Arsenal teria fracassado na busca por uma vaga na Champions League pela primeira vez na era Wenger. Houve outras peças importantes, como Alex Song (outro que deixou o Emirates), principal assistente de van Persie, mas o holandês, com seus 30 gols e 13 assistências em 38 partidas, era incomparável.

Sterling, 17, é o melhor coadjuvante de Suárez

Situação parecida vive Suárez. De acordo com a Opta, se os gols marcados e assistidos pelo uruguaio fossem excluídos, o Liverpool seria o último colocado da Premier League, com apenas dois pontos. Ele participou diretamente de nove dos 13 gols do time, ou seja, 69%. Pudera! Suárez é o único atacante com mais de 20 anos disponível no elenco. Borini, de 21, começou mal em Anfield e está lesionado.

É evidente que a excessiva concentração dos gols em Suárez tem mais contras do que prós. A tabela, que mostra o Liverpool em 12º, está aí para comprovar. Por outro lado, também parece claro que o time de Brendan Rodgers pode melhorar demais caso tenha um mercado produtivo em janeiro, o que é bem provável pelo discurso do treinador.

Suárez amadureceu e está pronto para liderar o Liverpool. O compromisso do clube é construir seu ataque em torno do uruguaio, com opções além dos ótimos teenagers Suso e Sterling. É o caminho inverso do percorrido pelo Manchester United, que inseriu um atacante fantástico numa engrenagem que já funcionava antes dele.

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segunda-feira, 29 de outubro de 2012 Debates | 12:56

Basta

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Brasil, 27 de outubro.
Em Internacional 2 x 1 Palmeiras, a anulação do gol marcado por Hernán Barcos com a mão, através de uma suposta interferência externa, provocou duas reações. A primeira é de que, mesmo com um possível deslize que contraria a regra do jogo, valeu a pena impedir que a malandragem do atacante argentino se transformasse no gol de empate do Palmeiras, ou seja, evitou-se um equívoco maior, grosseiro. A outra diz respeito à revolta do time “prejudicado”, acostumado aos erros porque a arbitragem não pode recorrer a recursos eletrônicos. O resultado é um cenário caótico, em que o clube cogita solicitar a impugnação da partida porque um gol marcado com a mão não foi validado. Na Inglaterra, a necessidade de admitir a tecnologia no futebol se manifestou de uma maneira diferente:

Inglaterra, 27 e 28 de outubro.
Não houve interferência externa na nona rodada da Premier League. Decisões equivocadas, que distorceram resultados, foram tomadas e mantidas. Em Arsenal 1 x 0 QPR, Arteta estava em posição de impedimento quando marcou. Neste caso, ao menos, a arbitragem seguiu a recomendação de não interferir caso não tenha convicção de que houve irregularidade. Pior foi a atuação do assistente em Everton 2 x 2 Liverpool. No acréscimo do segundo tempo, Suárez estava apto, mas teve o gol anulado.

Em Chelsea 2 x 3 Manchester United, confronto que pode ter sido fundamental para o campeonato, a arbitragem de Mark Clattenburg foi um show de horrores – não que isso seja novidade. Clattenburg, que comete erros para todos os lados em escala industrial, assumiu a posição de protagonista quando expulsou Torres, mostrando-lhe o segundo cartão amarelo. Derrubado por Evans, o espanhol foi acusado de simular a falta. O Chelsea foi reduzido a nove jogadores (Ivanovic havia sido corretamente expulso) e ainda viu Hernández marcar o gol decisivo em posição de impedimento.

Clattenburg, protagonista

Ninguém precisa, sem provas ou indícios, acusar a Football Association de corrupção. Por mais que sejam suspeitos em certas circunstâncias, erros simplesmente acontecem. A FA tem a obrigação de cuidar da qualidade de seus árbitros e marginalizar aqueles que cometem equívocos com mais frequência. Clattenburg, por exemplo. No entanto, a decisão definitiva não vai partir de uma associação nacional.

Como as arbitragens imprecisas são um fenômeno mundial, o problema mais grave passa a ser da FIFA. Este fim de semana foi trágico para quem acompanha futebol e espera que árbitros sejam meros mediadores, com jogos decididos por jogadores. Mas ele pode ser também um marco. Quando, eventualmente, a FIFA deixar a idade da pedra e liberar recursos eletrônicos (a introdução de um chip na bola, novidade do Mundial de Clubes, resolve uma parte mínima da questão) que possam auxiliar na tomada de decisões, todos vão se lembrar de 27 e 28 de outubro, os dias em que a postura jurássica de Sepp Blatter e seus camaradas foi exposta de todas as formas.

Clattenburg ainda é acusado de insultos racistas a Obi Mikel, do Chelsea

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