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quinta-feira, 3 de janeiro de 2013 Premier League | 14:42

Saldo da festa

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Sete rodadas em um mês, quatro em dez dias. A concentração de partidas da Premier League no período festivo sempre rende muitas observações. O blog trata de três aspectos importantes:

Disputa pelo título fica mesmo em Manchester. Two-horse race, dizem os ingleses. A derrota do Chelsea para o QPR praticamente enterrou a possibilidade de o título sair de Manchester. Mesmo que o time de Rafa Benítez flerte com 100% de aproveitamento até o fim da temporada, o que é para lá de improvável, a vantagem real de 11 pontos do United (que curiosamente perdeu 11 em 21 rodadas) não dá margem a outro perseguidor além do Manchester City, sete pontos abaixo. A turma de Robin van Persie é favorita pelo conforto na liderança e pela capacidade do holandês de resolver os jogos em que o United falha do ponto de vista coletivo.

Trabalho de Rodgers é melhor do que parece. A atual oitava posição do Liverpool é a mesma que frustrou os proprietários e resultou na demissão de Kenny Dalglish no fim da temporada passada. No entanto, o significativo enxugamento da folha salarial e a consciência de que resultados importam menos do que o alicerce para os próximos anos dão outra perspectiva à gestão de Rodgers. Já falamos muito da coragem para aproveitar jovens num contexto (elenco curto) que exige isso, mas as últimas rodadas expuseram outras virtudes do trabalho do norte-irlandês.

O Liverpool teve péssima atuação contra o Stoke, no Boxing Day, mas foi não menos do que excelente nas outras partidas festivas, diante de Fulham, QPR e Sunderland. Nesses três jogos, a equipe teve médias de 24 finalizações e 63% de uma posse de bola muito mais produtiva do que no início de 2012-13. Rodgers ainda resgata jogadores que pareciam causas perdidas (Henderson e Downing, que vêm de ótimas atuações) e teve um par de boas notícias no início do mercado de inverno: a chegada de Sturridge, a quem ele perseguia desde agosto (pode não dar certo, mas o Liverpool é o melhor lugar para o atacante de 23 anos), e a saída de Joe Cole para o West Ham.

Nulo na temporada passada, Marveaux virou titular na ausência de Ben Arfa em 2012-13

Departamento médico determina temporada fraca do Newcastle. Os Magpies têm nove derrotas nas últimas 11 partidas. A distância de apenas dois pontos para a zona de rebaixamento representa um anticlímax para quem comemorou tanto a quinta posição da temporada passada. Alan Pardew não se acomodou após ganhar um contrato até 2020, e as contratações de 2011-12 também não deixaram de ser brilhantes. O maior problema reside no péssimo momento físico do elenco.

A equipe que contava demais com Ben Arfa e Cabaye teve Marveaux e Bigirimana em várias das últimas rodadas. Até Jonás Gutiérrez perde jogos por lesão. Steven Taylor, que seria fundamental ao lado de Coloccini para tornar a defesa mais confiável, raramente está saudável. Agora sem Demba Ba para garantir um gol por partida, o Newcastle aposta mais em seus fisiologistas do que em quaisquer outros profissionais para ter uma temporada tranquila. Em meio à ameaça de crise, o lateral ofensivo Mathieu Debuchy é ótimo reforço e serve de alento.

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segunda-feira, 22 de outubro de 2012 Premier League | 11:49

Conclusões da rodada (VIII)

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Veja aqui os resultados da oitava rodada da Premier League. O blog discute alguns pontos:

Nada substitui o talento. Slogan de um prêmio de publicidade, a afirmação é também o lema de Roberto Di Matteo nesta temporada. Quando o Chelsea perdia por 2 a 1 para o Tottenham, dominante no segundo tempo, entraram em ação os três armadores dos Blues. A sagaz movimentação e a categoria de Mata, Oscar e Hazard transformaram a partida em White Hart Lane e deram ao Chelsea sua segunda vitória consecutiva no norte de Londres – derrotou o Arsenal há três rodadas. Em algum momento, é possível que a equipe acuse dificuldade para segurar um adversário agressivo (a inesperada ausência de Bale pesou demais para o Tottenham) ou mesmo falta de profundidade (por isso, Moses foi contratado). Mas, por enquanto, o 4-2-3-1 com três meias puros é um sucesso.

Sahin e Gerrard podem trocar posições. O Liverpool venceu o Reading em Anfield por 1 a 0, mas jogou melhor quando empatou com o Manchester City e perdeu para o Manchester United no mesmo estádio. Um ponto interessante é o posicionamento de Sahin e Gerrard. Enquanto o capitão é volante, ao lado de Allen, o turco atua adiantado, próximo a Suárez. Considerando todas as competições, Sahin tem ótimos três gols e quatro assistências pelo Liverpool. No entanto, à exceção da partida contra o Norwich, quando o time teve espaço para contra-atacar, ele ainda não esteve bem na Premier League – sábado, foi substituído por Shelvey. A impressão é de que Sahin tem de enxergar e organizar o jogo para render mais, como no Dortmund.

Arsenal: ainda sujeito a apagões. O que foi a atuação do Arsenal contra o Norwich? Provavelmente, uma das piores apresentações na era Wenger, equiparável àquelas do início da temporada passada. O único ponto positivo foi a onipresença de Cazorla no primeiro tempo. No segundo, até ele caiu. Entre tantas outras, a maior decepção fica por conta de Giroud, que havia marcado dois gols importantes nas últimas semanas: seu primeiro pelo Arsenal na Premier League e o de empate da França contra a Espanha. Era para ganhar confiança, mas a participação dele no Carrow Road foi um show de horrores. O Arsenal precisa que Giroud se encontre rapidamente.

Cissé e Ba: pontas de uma gangorra

Senegaleses precisam coexistir no Newcastle. Desde que Papiss Cissé foi contratado pelo Newcastle, em janeiro, ele e Demba Ba nunca estiveram bem ao mesmo tempo. Enquanto Cissé marcou 12 vezes, Ba (deslocado à ponta esquerda) comemorou apenas um gol entre a Copa Africana de Nações e o fim da temporada passada. Em 2012-13, Ba tem seis gols na liga, contra nenhum de seu compatriota. A fase de Cissé é tão ruim, que ele foi reserva de Shola Ameobi no dérbi contra o Sunderland. Alan Pardew até tem tentado formar o time no 4-4-2, para mantê-los perto do gol, mas a dupla de ataque letal que se imaginava depende também de os senegaleses estarem simultaneamente calibrados.

A salvação do QPR passa por Granero e Hoilett. O QPR perdeu a chance de ganhar pela primeira vez no campeonato (empatou com o Everton em casa), mas dá sinais de que pode se recuperar. E isso passa, necessariamente, por Granero e Hoilett. O espanhol toma conta do meio-campo, com a mesma capacidade de organização que mostrou pelo Getafe e fez o Real Madrid recontratá-lo, há três anos. O canadense, autor do gol do QPR ontem, quebrou a defesa do Everton em vários momentos. Ele é rápido, driblador, capaz de marcar gols e dar assistências. Foi um oásis no Blackburn na temporada passada e não pode ser reserva de ninguém em Loftus Road, como aconteceu nas primeiras rodadas.

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sexta-feira, 19 de outubro de 2012 Chelsea, Newcastle, Sunderland, Tottenham | 13:51

Razões para acordar cedo amanhã

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Tottenham e Chelsea se enfrentam amanhã, às 8h45 de Brasília, em White Hart Lane. É o grande jogo da oitava rodada da Premier League, aquele que você não deve perder. O blog apresenta os motivos:

Possíveis formações de Tottenham e Chelsea. Lampard retorna de lesão e pode ficar no banco

AVB x Chelsea. O reencontro entre Villas-Boas e Chelsea não terá valor de revanche, garante o técnico do Tottenham. No entanto, nada que ele diga vai amenizar a sensação de rivalidade no confronto, entre treinadores e equipes. Seu ex-auxiliar e sucessor Di Matteo, comandante dos títulos da FA Cup e da Champions League, rompeu com a filosofia e os métodos que ele tentava implementar em Stamford Bridge, além de estabelecer uma relação bem mais amigável com os jogadores. À demissão traumática, somou-se o fato de AVB ter assumido o Tottenham, clube que perdeu a vaga na Champions League por conta do título europeu do Chelsea.

Destino do Tottenham na temporada. O Chelsea tem problemas claros na montagem do elenco (a saber: número limitado de volantes e centroavantes), mas, com campanha quase perfeita até agora, indica que vai mesmo lutar pelo título. A impressão é de que a partida importa mais para o Tottenham, quinto colocado, a cinco pontos da liderança. Uma vitória sobre o Chelsea seria a quinta consecutiva no campeonato e outra para marcar positivamente o início de trabalho de AVB, que já derrotou o Manchester United em Old Trafford. Se acumular bons resultados em jogos-chave, o Tottenham, mesmo sem Modric, pode pensar além da vaga na Champions League.

Sandro x Oscar. Em entrevista ao site da Premier League, o ex-defensor Lee Dixon apontou o Chelsea como favorito e elogiou, particularmente, Oscar. Não é segredo que o número 10 da Seleção teve impacto imediato em Stamford Bridge, mas seu provável marcador (imaginando que as formações habituais sejam mantidas) neste sábado também faz ótima temporada até agora. Sandro aproveita bem a ausência de Parker por lesão e tem sido o ponto de equilíbrio do time, papel que, em trabalhos anteriores de AVB, o também brasileiro Fernando exerceu no Porto e Obi Mikel não conseguiu fazer no Chelsea. Sandro x Oscar promete (identifique outros prováveis duelos no campinho).

Possíveis formações de Sunderland e Newcastle

Teste para os três armadores do Chelsea. Se Di Matteo mantiver o trio de armadores (Mata, Oscar e Hazard) contra o Tottenham, será o melhor teste para esta formação, pois a equipe de AVB ataca demais pelas laterais. A medida mais conservadora seria substituir Mata por um volante e abrir Ramires à direita, para assessorar Ivanovic no combate a Bale. Mas o técnico italiano parece acreditar no esquema com três meias criativos, uma vez que escalou todos eles contra o Arsenal, no Emirates, há duas rodadas. Vale ver.

Domingo também!
No domingo, às 10h30, outro dérbi importante: Sunderland x Newcastle, no Stadium of Light. Na temporada passada, eles se encontraram neste estádio na segunda rodada, com vitória do Newcastle por 1 a 0, resultado que abasteceu o ótimo início de campanha dos Magpies.

O Sunderland ainda deve aos torcedores uma grande atuação em 2012-13 e precisa diversificar seus gols – Steven Fletcher marcou todos os cinco do time no campeonato. No Newcastle, alívio pelo provável retorno de três defensores titulares: Krul, Coloccini e Steven Taylor. O Sunderland está na 13ª posição, com sete pontos em seis jogos. O Newcastle é o décimo, com nove pontos em sete partidas.

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segunda-feira, 8 de outubro de 2012 Man Utd, Newcastle | 15:22

À italiana

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Formações iniciais em Newcastle 0 x 3 MU

A vitória por 3 a 0 sobre o Newcastle, em St. James’ Park, marcou a melhor atuação do Manchester United na temporada. O conjunto de Alex Ferguson contou com dois gols a partir de escanteios para decidir o confronto, mas o placar foi mais um prêmio à pressão exercida nos primeiros minutos do que uma casualidade. No início da partida, o United flertou com 80% de posse de bola.

Ferguson buscava exatamente isso quando montou o time no 4-3-1-2, com um losango (ou diamante) à italiana no meio-campo. Foi a primeira vez que o United atuou assim no campeonato, mas a formação já havia sido testada nos confrontos contra Newcastle, na Capital One Cup, e Cluj, na Champions League. Ao site do clube, o treinador apontou a possibilidade de o diamante ser utilizado com alguma frequência nesta temporada.

O 4-3-1-2 dá certo no United, mas vale sempre lembrar que uma formação é “melhor” do que outra apenas em determinados contextos. O losango no meio-campo passa a ser uma alternativa em Old Trafford porque permite a Ferguson escalar Kagawa, Rooney, van Persie e, quando for o caso, um atacante extra ao mesmo tempo. Além disso, a falta dos pontas tem sido compensada pelos avanços do lateral-direito Rafael, que, apesar das peripécias nos Jogos Olímpicos, começou muito bem a temporada.

RvP e Kagawa oferecem novas opções

Ainda assim, há outros pontos a considerar. A opção pelo diamante tem a ver também com a trágica atuação em St. James’ Park na temporada passada, quando o United foi derrotado por 3 a 0 numa partida completamente dominada por Tioté e Cabaye. Desta vez, o United mandou prender e soltar no centro do meio-campo e correu riscos pelas laterais, de onde vários cruzamentos abasteceram Ba e Cissé, sobretudo no início do segundo tempo.

O sucesso no jogo de ontem também está relacionado à fragilidade do Newcastle, que teve Harper, Santon, Perch, Williamson e Ferguson, ou seja, quatro reservas na defesa, um enorme prejuízo para Alan Pardew. Além disso, os pontas dos Magpies, Ben Arfa e Gutiérrez na formação inicial, não costumam atacar tanto os laterais adversários. Pontas mais agressivos causariam mais danos. Há menos de uma semana, houve uma partida em que o time que explorou as laterais dominou aquele que concentrou seus jogadores na faixa central: Porto 1 x 0 PSG.

As atuações recentes incentivam Ferguson a utilizar o losango outras vezes, mas essa opção certamente não é definitiva. Por exemplo, uma peça fundamental para o United nas últimas temporadas não se adapta tão bem a esse esquema: Antonio Valencia, em tese, precisa jogar pela faixa direita do campo. Muito além de apenas uma formação, a capacidade de variar seu estilo de jogo passa a ser a grande arma do Manchester United.

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terça-feira, 18 de setembro de 2012 Everton, Newcastle | 15:09

Empate?

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O novo e possivelmente melhor Everton de Moyes

Everton e Newcastle empataram por 2 a 2 numa partida fantástica em todos os aspectos. Antes de a bola rolar, o clube de Merseyside prestou uma emocionante homenagem aos 96 de Hillsborough, gesto prontamente agradecido pelo Liverpool. Em campo, o empate foi enganoso, com o Everton bastante prejudicado pela arbitragem (dois gols mal anulados) e dominante em grande parte do confronto.

Os sete pontos conquistados nas quatro primeiras rodadas não traduzem perfeitamente a situação do Everton. É cedo para rótulos, mas a equipe faz jus a todos os elogios que tem recebido. Ao elenco que iniciou (mal) a temporada passada, David Moyes adicionou Mirallas, Pienaar e Jelavic, formando um Everton capaz de sufocar adversários.

À exceção da estreia, quando venceu o Manchester United, o Everton controlou o ritmo de todos os jogos. Contra Aston Villa, WBA e Newcastle, os Toffees tiveram, respectivamente, 61, 56 e 58% de posse de bola. A equipe de Moyes finalizou 71 vezes e permitiu apenas 46 finalizações dos oponentes.

Leon Osman, jogador mais subestimado do futebol inglês, manda no meio-campo ao lado de Phil Neville. Pienaar, que voltou bem demais ao Everton, e Mirallas, que fez sua primeira partida de liga como titular, tornam-se meias abertos na recomposição defensiva, mas trocam de posição e são muito ativos quando o Everton tem a bola. Fellaini se descobriu como meia-atacante e faz temporada primorosa. Jelavic, que ontem saiu lesionado, é o primeiro atacante confiável da era Moyes.

Ba, coadjuvante insatisfeito de Cissé

Autor do primeiro gol do Everton contra o Newcastle, Baines merece parágrafo à parte. Cumpre as responsabilidades defensivas, é fundamental no ataque, faz ótima parceria com Pienaar à esquerda e sempre ameaça em bolas paradas. É o jogador mais sólido de um dos melhores times do campeonato.

Caiu do céu
O Newcastle ainda não reedita o nível da temporada passada. A questão são as atuações individuais, como as de Cabaye, que admitiu não ter começado bem, e Papiss Cissé, impreciso nas finalizações. O agente de Demba Ba, artilheiro do time e relegado ao banco ontem, revelou que ele está insatisfeito desde que foi deslocado à ponta esquerda, há sete meses. O empate com o Everton caiu do céu.

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quarta-feira, 15 de agosto de 2012 Everton, Liverpool, Newcastle, Tottenham | 10:40

Guia da temporada (parte 4)

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A penúltima parte do guia é dedicada a Everton, Newcastle, Liverpool e Tottenham:

Everton. As campanhas do Everton seguem um padrão há pelo menos três anos. O time começa mal e flerta com o rebaixamento até David Moyes conduzi-lo à metade superior da tabela com um segundo turno irretocável. Há quem elogie a reação, há quem critique o início ruim. A boa notícia para os Toffees é que Pienaar e Jelavic, contratados em janeiro deste ano e fundamentais para a recuperação em 2011-12, estão disponíveis já a partir de agosto. Jelavic, aliás, é a grande novidade em relação a outras temporadas, nas quais o centroavante sempre destoava do restante da equipe. Embora preocupem os torcedores, as vendas de Cahill e Rodwell financiam eventuais reforços e não devem afetar tanto o desempenho do conjunto. Previsão para a temporada: 8º.

Newcastle. Os observadores e diretores ainda estão trabalhando para repetir o êxito do último mercado de verão, mas o que mais importa para o Newcastle é a manutenção de tudo que deu certo na temporada passada. Se Krul, Coloccini, Cabaye, Tioté, Ben Arfa, Ba e Cissé reeditarem as atuações de 2011-12, não há o que temer. De qualquer forma, Alan Pardew sabe que a equipe precisa de novas opções pelos flancos (que podem ser Anita e Debuchy, com quem os Magpies negociam) e na defesa para ter chance de ser top five novamente. Mesmo que o time termine abaixo da quinta posição, este tem tudo para ser o ano da consolidação dos Magpies. Previsão para a temporada: 7º.

Rodgers e AVB, representantes do grupo sub-40 de treinadores

Liverpool. A desastrosa campanha na última edição da Premier League formou o novo caráter do Liverpool. O técnico Brendan Rodgers foi contratado como um projeto de longo prazo, para reproduzir em Anfield o estilo agradável e eficiente de futebol que fez tanto sucesso no Swansea. Desta vez, calejada pelas decepções da temporada passada, a diretoria liberou um orçamento menor para transferências e descartou a obrigatoriedade de um retorno imediato à Champions League. A confiança no treinador é total (não à toa, foram contratados Borini e Allen, seus jogadores favoritos), e o Liverpool vai evoluir naturalmente, mas nada é mais importante do que transmitir aos torcedores a sensação de que o clube está, enfim, no rumo certo. Previsão para a temporada: 6º.

Tottenham. Assim como no verão passado, quando contratou Adebayor e Parker e resolveu seus problemas no último dia do mercado, o Tottenham vai esperar até 31 de agosto para descobrir com quem vai disputar o campeonato. Adebayor sempre está muito perto do retorno definitivo, mas não retorna. Modric sempre está próximo de sair, mas não sai. Até que essas negociações se confirmem, André Villas-Boas não pode fechar o time. Pelo menos os reforços já contratados, Vertonghen e Sigurdsson, são ótimos. Ainda que tenha muito mais repertório do que Harry Redknapp, Villas-Boas deve sofrer para superá-lo em seu retorno à Inglaterra. Não é a mesma pressão que ele encontrou no Chelsea, mas apenas a classificação à Champions League será suficiente para agradar a seus empregadores. Previsão para a temporada: 5º.

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terça-feira, 17 de julho de 2012 Newcastle | 21:39

Graham Carr, o ascensorista

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Nada de treinador, presidente ou jogadores. O olheiro Graham Carr é o principal responsável pela maior ascensão de um clube inglês nos últimos dois anos, acima até de Norwich e Southampton. Após carreiras discretas como jogador e técnico, Carr assumiu a equipe de observadores do Newcastle em fevereiro de 2010, quando o time era líder da segunda divisão. O caminho entre a Championship e o quinto lugar da Premier League, que põe os Magpies numa competição continental depois de cinco temporadas, foi percorrido rapidamente, mas exigiu um ótimo índice de acertos na formação do grupo.

Desde a chegada de Carr, o Newcastle arrecadou £50,8 milhões (mais de £40 milhões provenientes do Liverpool, que comprou Andy Carroll e José Enrique) e gastou £34,6 milhões em transferências. A balança comercial favorável, com saldo de £16,2 milhões, não impediu a evolução do elenco. Ao contrário do que os números poderiam sugerir, o Newcastle é muito mais competitivo agora.

O segredo de Carr é a fidelidade à própria linha de trabalho. O Newcastle está sempre atento a oportunidades de negócio (um exemplo é Demba Ba) e jogadores subestimados (Yohan Cabaye). Por isso, o clube praticamente ignora o mercado interno e define a França como um paraíso de possíveis reforços. Na era Carr, foram contratados quatro jogadores da Ligue 1: Ben Arfa, Cabaye, Marveaux e Amalfitano. Outros quatro têm o francês como idioma nativo: Tioté, Ba, Cissé e Obertan.

A melhor medida do sucesso da Revolução Francesa em St. James’ Park é a valorização dessa turma. Para capturar os oito jogadores mencionados, o Newcastle gastou apenas £26 milhões, lembrando que as transferências de Marveaux, Ba e do recém-contratado Amalfitano não implicaram custos imediatos. Hoje, de acordo com o portal Transfer Market, eles valem £73,5 milhões. Em um ano de Premier League, Cabaye se valorizou 230%. Em dois, Tioté ficou 255% mais caro.

Premiado pelo sucesso de sua revolução no Newcastle, Graham Carr acaba de assinar um contrato de oito temporadas, que o garante no clube até os 75 anos de idade

Além de acertar em grande parte dos relatórios apresentados à comissão técnica (às vezes dá errado – com Marveaux e Obertan, por exemplo), Carr tem direcionado o Newcastle a contratações cirúrgicas, de acordo com a exata necessidade do elenco. A tendência deve se manter neste mercado, com as possíveis capturas do lateral francês Mathieu Debuchy, do Lille, e do zagueiro brasileiro / holandês Douglas, do Twente.

Eventual alternativa a Simpson na lateral direita, o ótimo Debuchy também pode atuar aberto na linha de meio-campo, posição que, no início da temporada passada, foi ocupada por Obertan. Douglas, por sua vez, disputaria posição com Steven Taylor. Faz sentido, pois o treinador Alan Pardew conviveu em 2011-12 com um elenco curto de zagueiros e se viu obrigado a escalar Simpson e Perch no centro da defesa em partida contra o Norwich. Foi um desastre.

Não existe uma fórmula universal para o sucesso, mas o trabalho de Carr se aproxima da perfeição no contexto do Newcastle, com excelentes resultados em campo e para a saúde financeira do clube. É por isso que, quando o retorno de Andy Carroll é especulado por uma proposta de £20 milhões, é bem difícil acreditar. Ainda que represente um lucro de £15 milhões em relação à transferência para o Liverpool, a eventual contratação não respeita a política que rendeu tanto em apenas dois anos.

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domingo, 22 de abril de 2012 Newcastle | 14:17

O voo dos Magpies

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A temporada do Newcastle pode ser dividida em três partes: os primeiros 11 jogos, nos quais somou 25 pontos e não perdeu; as 17 partidas seguintes, quando foi irregular demais e limitou-se a 19 pontos; e as últimas seis rodadas, com 100% de aproveitamento. O início foi brilhante porque ninguém esperava um Newcastle tão competitivo, mas a reação na reta final é o fator que pode levar os Magpies a uma antes impensável vaga na Champions League.

Cissé está em um relacionamento sério com o gol

O calendário até o fim da temporada é bem complicado – Wigan (f), Chelsea (f), Manchester City (c) e Everton (f) –, mas a chance de voltar à Champions após uma década de ausência é real. Afinal, o Newcastle já é o quarto colocado, o Tottenham está mal demais, e o Chelsea tem um elenco bem desgastado.

O técnico Alan Pardew teve participação decisiva na surpreendente recuperação de um time que, marcando 13 gols e sofrendo apenas um, superou Norwich, West Brom, Liverpool, Swansea, Bolton e Stoke em sequência. O blog separou quatro novidades fundamentais para que o Newcastle deixasse a Inglaterra boquiaberta outra vez:

Papiss Demba Cissé. Contratado em janeiro, o senegalês Cissé é ainda mais artilheiro do que seu compatriota Demba Ba. Em dez jogos, foram onze gols a partir de um vasto repertório de finalizações. O ex-atacante do Freiburg comanda o ataque no 4-3-3 de Pardew e aproveita muito bem a criatividade de Ben Arfa e Cabaye. A embaixada do Senegal no Reino Unido precisa se mudar para Newcastle.

Assim, no 4-3-3, o Newcastle dominou o Stoke ontem

Hatem Ben Arfa. O talentoso francês sofria para conquistar um lugar no time, pois Pardew era adepto do 4-4-2 ortodoxo com dois centroavantes – na primeira metade da temporada, Demba Ba e Leon Best. No entanto, um suposto amadurecimento e uma sequência de ótimas atuações incentivaram o técnico a encontrar um espaço para ele. Canhoto, rápido, driblador e criativo, Ben Arfa foi decisivo em várias das últimas vitórias do Newcastle, marcou um golaço contra o Bolton e, sem exagero, poderia reaparecer na seleção francesa.

Compromisso tático. Demba Ba e Jonás Gutiérrez têm sido sacrificados para que Cissé jogue dentro da área e Ben Arfa atue com liberdade a partir da faixa direita do campo. Ba é deslocado à ponta esquerda e, até por isso, sua média de gols desabou. Jonás é naturalmente winger, mas ontem fez parte de um trivote ao lado de Cabaye e Tioté na ótima vitória sobre o Stoke. Mesmo fora de suas posições prediletas, ambos trabalham bem pelo time e são importantes nesta nova fase.

Defesa. A defesa, que havia perdido o bom ritmo do começo da temporada, passa confiança novamente, mesmo sem Steven Taylor. A parceria entre Coloccini e Williamson é estável, Simpson é consistente na lateral direita, e Santon ganhou mesmo a posição de Ryan Taylor na esquerda. R. Taylor quebrou um belo galho por ali quando Pardew precisou, mas é jogador para atuar no lado direito do meio-campo. A troca pelo italiano deixa o Newcastle mais seguro. O desempenho defensivo contra o Swansea, mencionado aqui há três dias, merece destaque.

*Vamos falar ainda da corrida pelo título, agora completamente aberta.

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terça-feira, 6 de março de 2012 Newcastle, Sunderland | 14:44

Dérbi à parte

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Expulsão no Tyne-Wear derby não é exatamente uma surpresa

Não à toa, o Tyne-Wear derby do domingo foi especialmente disputado. Empatados por 1 a 1 no St. James’ Park, Newcastle e Sunderland podem, pela primeira vez desde a distante temporada 1954-55, terminar juntos na metade superior da tabela. O Newcastle está dez pontos e seis posições acima, mas parece claro que essa não é a diferença real entre os times. Tanto que, curiosamente, o saldo de gols do Sunderland é melhor (4-0). A coluna, então, tenta descobrir quem de fato leva vantagem no Nordeste da Inglaterra:

Apesar do momento favorável, os plantéis de Newcastle e Sunderland não são exatamente primorosos. O primeiro agonizou quando perdeu Tioté por lesões e para a Copa Africana. Na defesa, há um problema sério de reposição. Uma derrota em dezembro por 4 a 2 para o Norwich, que construiu todos os gols pelo alto, foi consequência de uma terrível dupla central formada por Simpson e Perch, que nem zagueiros são.

O Sunderland jamais chegou a esse ponto, mas tem um ataque deficiente, uma vez que o baixinho Sessegnon, um criador de jogadas na essência, foi isolado algumas vezes na frente. Se Bendtner, emprestado pelo Arsenal, se mantiver saudável e humilde (difícil), a questão é parcialmente resolvida. No frigir dos ovos, o time titular* do Newcastle é ligeiramente melhor por contar com mais jogadores de primeira classe (Tioté, Cabaye, Ba e Cissé), embora o Sunderland tenha mais peças de reposição.

Você deve ter reparado que todas as estrelas dos Magpies são contratações recentes. Se a administração de Mike Ashley é contestável, ao menos a equipe de observadores de Graham Carr é ótima e já poupou muito dinheiro do clube. No Sunderland, que trocou os comandos técnico e administrativo há pouco tempo, as contratações também costumam ser sagazes. Vale lembrar que Onuoha, Henderson, Bent, Welbeck e Gyan, todos fundamentais na temporada passada, foram embora, o que obrigou uma rápida remontagem. Ainda que tenha falhado em campo, Steve Bruce foi bem nesse aspecto, sempre gastando menos do que qualquer outro que estivesse em sua posição.

De técnico, aliás, ninguém pode reclamar. Martin O’Neill, torcedor de infância do Sunderland, causou impacto imediato ao substituir Bruce: foram conquistados 22 dos primeiros 30 pontos em disputa. O’Neill perde apenas para Alex Ferguson entre os treinadores britânicos e deve fazer no Stadium of Light o que fez no Villa Park: colocar o clube entre os oito melhores do país. No Newcastle, Alan Pardew realiza trabalho notável. Seu estilo mais direto de futebol, quase sempre com dois centroavantes, não é lá muito popular, mas tem saído melhor que a encomenda.

Com boa capacidade de investimento, o Sunderland pavimenta um futuro até mais promissor que o do Newcastle. Se O’Neill ficar no clube, além de contratar, ele ainda poderá assistir à evolução de gente como James McClean, Ji Dong-Won e Connor Wickham, todos garimpados pelo clube no início desta temporada. O Newcastle, por sua vez, deve continuar investindo na observação detalhada de talentos subestimados para evitar um fiasco como o da geração de Owen, Duff e Geremi, que culminou em rebaixamento.

Se a pergunta fosse “quem tem mais chances de superar o rival na próxima temporada?”, a resposta seria “Sunderland”.

*Time atual do Newcastle: Krul; Simpson, Steven Taylor, Coloccini, Santon; Ryan Taylor, Tioté, Cabaye, Jonás; Ba, Cissé.

Time atual do Sunderland: Mignolet; Bardsley, Brown, O’Shea, Richardson; Larsson, Cattermole, Gardner, McClean; Sessegnon; Bendtner.

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quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012 Debates, Newcastle | 17:12

Dueto

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Kenny Dalglish comandou Shearer e Sutton, autores de 49 gols pelo Blackburn campeão inglês de 1994-95

Demba Ba não poderia estar mais feliz na Inglaterra. Em um ano de Premier League, o senegalês marcou sete gols pelo West Ham e 16 pelo Newcastle, é o protagonista de uma campanha com a qual os Magpies nem sequer sonhavam, despertou a cobiça dos grandes clubes do país e, de quebra, ainda ganhou um ótimo compatriota para atuar a seu lado.

Além da nacionalidade e de um nome em comum, Papiss Demba Cissé tem, muito além de Leon Best e Shola Ameobi, a habilidade para ser o complemento perfeito a Ba. Tanto que, já na estreia, a ex-estrela do Freiburg marcou um golaço para definir a vitória do Newcastle sobre o Aston Villa. Se resistir ao assédio, a parceria entre os senegaleses tem carisma e futebol para ser uma das mais sensacionais da história da Premier League.

Até porque, com o avanço de esquemas como o 4-2-3-1 e o 4-3-3, tem sido mais difícil encontrar, em sua essência, duplas de ataque na elite inglesa. Treinadores como Alan Pardew, que apreciam um estilo mais direto e às vezes até sacrificam a posse de bola em troca de poder de fogo na frente, são os que ainda conservam esse expediente. Até Owen Coyle, que adorava fazer isso no Bolton, agora escala apenas N’Gog. No Norwich, não é sempre que Paul Lambert usa Morison e Holt juntos. O crescimento de Fletcher nos Wolves obrigou Mick McCarthy a relegar Doyle ao banco. E por aí vai.

No mundo encantado dos clubes poderosos, o Manchester City às vezes conta com Agüero e Dzeko, por exemplo. United e Tottenham até lançam mão da dupla ofensiva, mas um dos atacantes (Rooney e van der Vaart) habitualmente se transforma num 10, buscando bem mais o jogo e caracterizando um 4-4-1-1, como no histórico Arsenal de Bergkamp e Henry. Hoje, o próprio Arsenal tem dois pontas e deixa os gols para van Persie.

Parcerias entre goleadores propriamente ditos, como Andy Cole e Yorke no Manchester United ou Shearer e Sutton no Blackburn, não estão lá muito populares. Mesmo combinações entre um atacante trabalhador e outro goleador, como Heskey e Owen no Liverpool, são raras. Ba e Cissé têm a chance de contrariar essa tendência. Admitindo, é claro, que Pardew resista à tentação de escalar Ben Arfa no lugar de um deles.

Fabio Capello
É, ele pediu demissão, e a FA aceitou. O blog volta em breve ao assunto. De qualquer forma, a saída de Capello e a liberdade a Harry Redknapp acontecem no mesmo dia. No mínimo, conveniente.

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