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Posts com a Tag País de Gales

quinta-feira, 18 de abril de 2013 Cardiff, Swansea | 22:17

O desafio começa agora

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O acesso do Cardiff à Premier League, confirmado na terça-feira após um empate por 0 a 0 com o Charlton, consolidou o grande momento do futebol galês. Aquele que não é meramente o País de Bale forma outros bons jogadores, tem a segunda melhor seleção do Reino Unido e será, pela primeira vez, representado simultaneamente por Cardiff e Swansea (a propósito, campeão da Copa da Liga) na elite inglesa – para relembrar por que alguns galeses estão na pirâmide do futebol inglês, recomendo o texto de Leonardo Bertozzi.

No entanto, a conquista do Cardiff e a ascensão do Swansea não fazem parte do mesmo processo. Enquanto seu rival progride porque toma decisões certas, norteadas por uma filosofia que inclui sustentabilidade financeira e um tipo característico de futebol, promovido por todos os treinadores que lá estiveram desde Roberto Martínez, o Cardiff sobe especialmente por conta do suporte financeiro.

Apesar de o acesso ter amadurecido nos últimos anos, há mais aspectos que aproximam o Cardiff do Queens Park Rangers, que deve retornar à segunda divisão após dois anos de agonia na Premier League. Por exemplo, o processo de montagem do elenco é bem semelhante ao que levou o QPR à elite. O proprietário do clube galês, o malaio Vincent Tan (compatriota de Tony Fernandes, proprietário do QPR), preferiu construir um grupo experiente, bem comandado pelo técnico Malky Mackay e destinado a dominar a Championship, mas insuficiente para fazer bom papel na próxima temporada.

Não há nada errado em concentrar suas forças para assegurar uma vaga na Premier League, mas o desafio técnico que ela impõe na temporada seguinte, mesmo que o único objetivo seja chegar entre os 17 primeiros, é bem maior. As referências ofensivas do elenco – Bellamy (33 anos), Helguson (35), Whittingham (28) e Campbell (25) – não têm potencial para evoluir. A tendência é que particularmente os dois primeiros percam fôlego na próxima temporada. Importante para garantir o acesso, com seis gols em 11 jogos, Fraizer Campbell mal aparecia no Sunderland até janeiro, quando foi contratado.

É claro que o próprio Swansea apresentou gratas surpresas, como Ashley Williams (hoje com 28 anos) e Leon Britton (30), que conseguiram reproduzir na elite o ótimo nível mostrado em divisões inferiores. Mas essas são exceções à regra. Assim como fez o Southampton no verão passado, o Cardiff precisa investir para ser competitivo em 2013-14, com o cuidado de evitar os erros cometidos pelo QPR. Por exemplo, vale mais apostar em alguém como Jay Rodriguez, antigo destaque do Burnley que amadureceu e faz excepcional fim de temporada no Southampton, do que pagar um salário astronômico a Bobby Zamora, que criou um problema atrás do outro em Loftus Road.

O novo Cardiff tem até slogan: "fire & passion"

Outro aspecto com que o Cardiff precisa se preocupar é a excentricidade de seu proprietário. Há menos de um ano, Tan trocou o azul pelo vermelho como cor principal do clube e promoveu o dragão a mascote mais importante, em detrimento do pássaro azul. Tudo porque o vermelho e o dragão, segundo ele, melhorariam o rendimento do time em campo e tornariam a marca muito mais forte no mercado asiático. Um atentado à identidade da instituição.

Torcedor do Cardiff entre 1975 e 2012, Scott Thomas fez um depoimento ao Guardian em que relata ter desistido de apoiar o clube por conta de Tan. “Não assisto mais aos jogos do Cardiff City. Quando vi Craig Bellamy segurando um cachecol vermelho (após a promoção à Premier League), não doeu tanto quanto eu pensava. Isso confirma que tomei a decisão certa. O Cardiff City não subiu na noite passada. O Cardiff City morreu no último verão”, constatou.

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segunda-feira, 5 de setembro de 2011 Home Nations | 19:16

Reino desunido

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Kenny Miller espera alguém para jogar com ele. Não vai rolar...

Faz 13 anos que o Reino Unido não leva pelo menos duas seleções a uma grande competição. O torcedor brasileiro certamente se lembra da participação da Escócia na Copa de 98, quando os Tartan Terriers perderam por 2 a 1 para o time de Zagallo e caíram na primeira fase. Desde então, só a Inglaterra vai a Copas e Euros, com a mancha da vexatória ausência continental de 2008. São tempos difíceis para as Home Nations.

Amanhã, a Inglaterra testa um de seus vizinhos nas Eliminatórias para a Euro 2012. Às 15h45 de Brasília, recebe o País de Gales, que vem de grande vitória sobre Montenegro. No primeiro turno do Grupo G, os ingleses passaram facilmente pela seleção de Gary Speed: 2 a 0 em Cardiff. Os galeses estão 113 posições abaixo dos rivais desta terça-feira no ranking da FIFA e têm apenas uma vitória em Wembley, conquistada em 1977.

O abismo entre os ingleses e os outros é mais do que natural. Enquanto a Inglaterra tem 52 milhões de habitantes, Escócia (5,5), Gales (3) e Irlanda do Norte (1,7) somam pouco mais de 10 milhões. Por outro lado, está claro que essa disparidade já foi menor. Nesse ritmo, é preciso se esforçar muito para pensar num grupo em que as pequenas nações teriam boas possibilidades.

No sábado, por exemplo, a Escócia fracassou com estilo. Uma vitória sobre a República Tcheca na fantástica atmosfera do Hampden Park teria deixado a seleção de Craig Levein em posição razoável para tentar chegar à Euro via repescagem. No entanto, o árbitro holandês Kevin Blom tomou duas grandes decisões (um pênalti aos tchecos e um não-pênalti aos escoceses) erradas nos últimos minutos que determinaram o empate por 2 a 2.

Levein se perde pelo excessivo apego à defesa. O time depende, assim, de três peças-chave: Charlie Adam, à frente dos zagueiros, o capitão Darren Fletcher, onipresente no meio-campo, e o eterno atacante único Kenny Miller. Às vezes, quando está num dia legal, o lateral Alan Hutton é boa opção ofensiva pela direita. Mas é só. Adam, lesionado, e Miller, suspenso, estão fora do compromisso de amanhã contra a Lituânia.

Bale e Ramsey têm uma década em alto nível pela frente. É hora de os galeses tentarem para valer

A Escócia já não depende dela, só que, cá entre nós, mesmo que dependesse, seria difícil acreditar. Outro virtualmente eliminado é o País de Gales. Ninguém faz festa com os três pontos em cinco jogos, mas Speed pode tirar proveito das Eliminatórias. Afinal, foi nesse período que Aaron Ramsey virou uma liderança e Gareth Bale se tornou sensação na Europa. Com boas referências defensivas, cabe ao técnico montar o time em torno das jovens estrelas e pagar para ver.

Quem mais surpreende nas Eliminatórias é a Irlanda do Norte, ainda com chances de repescagem. Com a dupla do Fulham – Hughes e Baird – e Jonny Evans segurando lá atrás, a seleção sofreu só quatro gols em sete jogos. A campanha de nove pontos pode não levá-la a lugar algum, mas os confrontos equilibrados contra Eslovênia, Itália e Sérvia ratificam o bom trabalho do técnico Nigel Worthington, que ainda conta com a classe de Chris Brunt, do West Bromwich. O adversário da decisão de amanhã é a Estônia.

É difícil prever quando acontecerá ou mesmo quem acompanhará a Inglaterra numa edição de Copa ou Euro. As restrições naturais na formação de jogadores sempre atribuem à sorte um papel importante nessa história. Depende também da próxima geração a reunir dois ou três craques, como Mark Hughes e Ian Rush, de Gales, ou Kenny Dalglish e Denis Law, da Escócia. O ensaio galês com Ramsey e Bale é o mais promissor. Brasil 2014? Seria muito cedo, mas dá para sonhar.

Veja a classificação das Eliminatórias para a Euro.

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quarta-feira, 30 de março de 2011 Inglaterra | 01:03

Tempo de mudança

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Se beber da fonte certa, Carroll deve ser titular

Diante de fantásticos 20 mil torcedores africanos, Inglaterra e Gana empataram por 1 a 1 em Wembley. O ótimo teste foi marcado pelas sete ausências inglesas e as estreias de Jarvis e Welbeck. Aliás, o último tem ascendência ganesa e chegou a flertar com a seleção africana. A sequência, que começou no sábado com a vitória sobre País de Gales pelas Eliminatórias da Euro, rendeu à seleção um novo esquema, pelo menos um novo titular e a exposição de problemas.

4-3-3. Capello tem falhado, mas ainda sabe acertar. A temporada de Wilshere e Parker pedia um setor mais povoado. O 4-3-3 dos dois jogos deixa o conjunto mais forte e não desperdiça Rooney. À esquerda, Shrek sacrifica os números, mas cansa o lateral-direito adversário e aproveita melhor a visão de jogo, o que parece bem razoável numa temporada de poucos gols. Após sete jogos seguidos sem Gerrard e Lampard juntos, já parece viável que só um deles seja titular.

Ashley Young ganhou a posição. Há um ano e meio, com Lennon on fire e Gerrard deslocado à esquerda, os wingers eram bem definidos. Depois, Walcott, Adam Johnson, Milner e até o decadente Wright-Phillips passaram por ali sem que houvesse claramente dois titulares. Hoje, o lado esquerdo é de Rooney. Mesmo ignorado na Copa e atuando como atacante no Aston Villa, Young arrebentou contra Gales, foi bem ontem (à esquerda) e deve se estabilizar na outra ponta do 4-3-3. Walcott é seu principal concorrente.

Ups and downs. A vitória em Gales e, até pelos sete desfalques, o empate contra Gana deixam a sensação de saldo positivo. No entanto, a Inglaterra continua muito sujeita a altos e baixos. A superioridade em Cardiff era tão grande, que o esboço de reação dos galeses, mesmo à base de empolgação, poderia ter sido evitado. Ontem, o gol de Gyan no fim escancarou a dificuldade em conservar o resultado num jogo difícil. Falta manter o ritmo.

Andy Carroll em pauta. Capello avisou: beba menos. Se ele tem exagerado no consumo de álcool, a recomendação é obviamente muito válida. Poderia não ter saído do vestiário, mas a informação em domínio público deve servir até para encorajar o atacante a uma resposta rápida. Em campo, ontem, o titular Carroll novamente acusou a falta de ritmo, mas marcou um golaço e foi mais um a desfrutar o 4-3-3. O homem de área do Liverpool, de 22 anos, parece ser receptivo a conselhos e tem salvação.

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sábado, 26 de março de 2011 Inglaterra | 15:03

Soberania em Cardiff

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Coisas que Scott Parker faz por você

Em 15 minutos, a Inglaterra venceu o País de Gales por 2 a 0 em Cardiff. O tranquilo resultado alinhou os ingleses a Montenegro na liderança de um grupo em que apenas os dois parecem lutar por vaga direta na Euro 2012. Gales, por sua vez, continua sem pontuar.

Capello inovou ao escalar um meio-campo forte e cerebral, com Parker, Wilshere e Lampard. À frente, jogaram Young e Rooney abertos e Bent como referência. Um 4-3-3, que, com o avanço de Wishere e Lampard, virava um sufocante 4-1-4-1.

Premiado por conta da incrível temporada, Parker (foto: Wales Online) lidou com o capitão Ramsey e os raros ataques galeses e permitiu que todos os outros se adiantassem para marcar a saída de um adversário sem saída. Era a chave para a vitória e para um segundo tempo mais sonolento, apenas para administrar o resultado. Eis as notas inglesas:

Hart, 6 – Quase sem precisar intervir, passou no teste de concentração
Glen Johnson, 7 – Foi sólido e fez um lançamento espetacular para Ashley Young criar o segundo gol
Dawson, 6.5 – Um escorregão foi a única mancha numa exibição tranquila
Terry – 7.5 – Ótimo jogo do novo velho capitão. Sua ousadia foi fundamental na abertura do placar
Ashley Cole, 7 – Bem nas arrancadas ao ataque e sem problemas na defesa
Parker, 8 – Segurou tudo atrás, viabilizou a marcação sufocante e ainda participou de ações ofensivas
Wilshere, 8 – Mais um jogo notável dele. Mesmo com todo mundo em forma, tem de ser titular
Lampard, 6.5 – Foi frio no pênalti e no jogo. Atuação correta, mas nada que tenha impressionado
Ashley Young, 8.5 – Man of the Match. Arrumou o pênalti, criou o segundo gol e atazanou o pobre Danny Collins
Bent, 7 – Fez seu trabalho. O terceiro gol nos últimos três jogos com a seleção solidifica seu lugar cativo no grupo. A briga com Carroll, ainda fora de forma, promete
Rooney, 6.5 – Sacrificado na ponta esquerda, correu bastante, recebeu cartão e está fora contra a Suíça em junho
Milner, 5.5 – Entrou na vaga de Rooney a 20 minutos do fim e nada acrescentou
Downing, 6.5 – Em dez minutos, quase transformou uma grande jogada no terceiro gol
Jagielka (entrou aos 88′), sem nota

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