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Posts com a Tag Premier League

quinta-feira, 18 de abril de 2013 Cardiff, Swansea | 22:17

O desafio começa agora

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O acesso do Cardiff à Premier League, confirmado na terça-feira após um empate por 0 a 0 com o Charlton, consolidou o grande momento do futebol galês. Aquele que não é meramente o País de Bale forma outros bons jogadores, tem a segunda melhor seleção do Reino Unido e será, pela primeira vez, representado simultaneamente por Cardiff e Swansea (a propósito, campeão da Copa da Liga) na elite inglesa – para relembrar por que alguns galeses estão na pirâmide do futebol inglês, recomendo o texto de Leonardo Bertozzi.

No entanto, a conquista do Cardiff e a ascensão do Swansea não fazem parte do mesmo processo. Enquanto seu rival progride porque toma decisões certas, norteadas por uma filosofia que inclui sustentabilidade financeira e um tipo característico de futebol, promovido por todos os treinadores que lá estiveram desde Roberto Martínez, o Cardiff sobe especialmente por conta do suporte financeiro.

Apesar de o acesso ter amadurecido nos últimos anos, há mais aspectos que aproximam o Cardiff do Queens Park Rangers, que deve retornar à segunda divisão após dois anos de agonia na Premier League. Por exemplo, o processo de montagem do elenco é bem semelhante ao que levou o QPR à elite. O proprietário do clube galês, o malaio Vincent Tan (compatriota de Tony Fernandes, proprietário do QPR), preferiu construir um grupo experiente, bem comandado pelo técnico Malky Mackay e destinado a dominar a Championship, mas insuficiente para fazer bom papel na próxima temporada.

Não há nada errado em concentrar suas forças para assegurar uma vaga na Premier League, mas o desafio técnico que ela impõe na temporada seguinte, mesmo que o único objetivo seja chegar entre os 17 primeiros, é bem maior. As referências ofensivas do elenco – Bellamy (33 anos), Helguson (35), Whittingham (28) e Campbell (25) – não têm potencial para evoluir. A tendência é que particularmente os dois primeiros percam fôlego na próxima temporada. Importante para garantir o acesso, com seis gols em 11 jogos, Fraizer Campbell mal aparecia no Sunderland até janeiro, quando foi contratado.

É claro que o próprio Swansea apresentou gratas surpresas, como Ashley Williams (hoje com 28 anos) e Leon Britton (30), que conseguiram reproduzir na elite o ótimo nível mostrado em divisões inferiores. Mas essas são exceções à regra. Assim como fez o Southampton no verão passado, o Cardiff precisa investir para ser competitivo em 2013-14, com o cuidado de evitar os erros cometidos pelo QPR. Por exemplo, vale mais apostar em alguém como Jay Rodriguez, antigo destaque do Burnley que amadureceu e faz excepcional fim de temporada no Southampton, do que pagar um salário astronômico a Bobby Zamora, que criou um problema atrás do outro em Loftus Road.

O novo Cardiff tem até slogan: "fire & passion"

Outro aspecto com que o Cardiff precisa se preocupar é a excentricidade de seu proprietário. Há menos de um ano, Tan trocou o azul pelo vermelho como cor principal do clube e promoveu o dragão a mascote mais importante, em detrimento do pássaro azul. Tudo porque o vermelho e o dragão, segundo ele, melhorariam o rendimento do time em campo e tornariam a marca muito mais forte no mercado asiático. Um atentado à identidade da instituição.

Torcedor do Cardiff entre 1975 e 2012, Scott Thomas fez um depoimento ao Guardian em que relata ter desistido de apoiar o clube por conta de Tan. “Não assisto mais aos jogos do Cardiff City. Quando vi Craig Bellamy segurando um cachecol vermelho (após a promoção à Premier League), não doeu tanto quanto eu pensava. Isso confirma que tomei a decisão certa. O Cardiff City não subiu na noite passada. O Cardiff City morreu no último verão”, constatou.

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sexta-feira, 30 de novembro de 2012 Curiosidades | 12:40

Spain United

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Arsenal e Swansea se enfrentam amanhã, pela 15ª rodada da Premier League. É possível que o confronto seja definido por um passe de Arteta, um lampejo de Cazorla, um cruzamento de Pablo Hernández, ou uma finalização precisa de Michu. Se Arsène Wenger e Michael Laudrup mantiverem as escalações da rodada anterior, serão seis espanhóis em campo. Além dos principais candidatos a decidir a partida, o Swansea deve ter o lateral-direito Rangel e o zagueiro Chico Flores.

Michu é um sucesso no Swansea, que foi buscá-lo no Rayo Vallecano

A invasão espanhola a ligas inglesas não se resume a Arsenal e Swansea. É um fenômeno bem consistente. De acordo com o Diário AS, além dos 33 na Premier League, há 16 espanhóis na Championship, a segunda divisão.

Equipes como o Brighton explicam por que a Inglaterra tende a importar tantos jogadores do país que virou modelo de futebol nas últimas temporadas. O treinador uruguaio Gus Poyet, meio-campista de Chelsea e Tottenham entre 1997 e 2004, é uma figura conhecida também na Espanha, sua porta de entrada para a Europa e onde defendeu o Zaragoza por sete anos. Como técnico, a predileção de Poyet por espanhóis é evidente: são cinco no elenco do Brighton, incluindo o ex-Valencia Vicente Rodríguez, bicampeão espanhol sob Rafa Benítez.

Benítez, aliás, é o pai da invasão espanhola. Apenas em seu primeiro ano no Liverpool, contratou Josemi, Nunez, Morientes, Luis García e Xabi Alonso. Os dois últimos foram bem; os três primeiros fracassaram. Outro técnico influente é Roberto Martínez, que espanholizou o Swansea, entre 2007 e 2009, e o Wigan, nas últimas três temporadas. Laudrup, que jogou e treinou na Espanha, retomou esse processo no clube galês.

O caso de Cazorla também chama atenção. O Málaga precisava vendê-lo, mas Santi não teria espaço no Real Madrid e no Barcelona. Então, apareceu uma oferta do Arsenal, o lugar perfeito para ele brilhar. Há ainda vários exemplos de jogadores que, muito jovens, trocam a Espanha pela Inglaterra por conta de boas propostas salariais e da expectativa de serem mais bem aproveitados do que nos clubes formadores. Somente da base do Barcelona, podemos lembrar Cesc Fàbregas, Fran Mérida, Oriol Romeu, Gerard Piqué, Rubén Rochina e Daniel Pacheco.

A seleção espanhola da Premier League é impressionante. A defesa não é brilhante, mas o meio-campo controlaria qualquer adversário. É possível imaginar uma escalação com Pepe Reina (Liverpool); Azpilicueta (Chelsea), Cuéllar (Sunderland), Chico (Swansea), José Enrique (Liverpool); Javi García (Man City), Arteta (Arsenal); Silva (Man City), Cazorla (Arsenal), Mata (Chelsea); Michu (Swansea). Até um time reserva é viável: De Gea (Man Utd); Rangel (Swansea), Ramis (Wigan), Romeu (Chelsea; foi zagueiro na base do Barcelona), Garrido (Norwich); Granero (QPR), Jordi Gómez (Wigan); Pablo (Swansea), Suso (Liverpool), Crusat (Wigan); Torres (Chelsea). Se disputasse a Premier League, do que esse elenco seria capaz?

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segunda-feira, 26 de novembro de 2012 Premier League | 17:02

Números mentem

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Do ponto de vista matemático, o rendimento dos clubes que ocupam as últimas posições da Premier League não apresenta qualquer novidade em relação a outras temporadas. O Southampton, 17º colocado e primeiro time acima da zona de rebaixamento, ganhou 28% dos pontos que disputou. Em 2011-12, 37 pontos, ou 32,5% de aproveitamento, foram suficientes para garantir a permanência do Queens Park Rangers. A tabela passa a impressão de que escapar da queda é simples em 2012-13.

Apenas impressão. Quando acrescentamos aos números uma dose de contexto, fica evidente que não existem muitos candidatos à queda e, na perspectiva de quem tenta evitá-la, esta temporada é muito cruel. Em parte, porque Norwich e Wigan podem contrariar as previsões e afastar precocemente a possibilidade de rebaixamento, aumentando a relação candidato / vaga (na Premier League 2013-14).

Surpresa! Paul Lambert sofre mais sem o Norwich do que o Norwich sem Paul Lambert

Chris Hughton melhorou a defesa do Norwich de maneira inimaginável: nos sete primeiros jogos, a média de gols sofridos era de 2,43; nos últimos seis, caiu para 0,33. O empate por 1 a 1 com o Everton em Liverpool confirmou o grande momento defensivo e deu aos Canários uma vantagem de cinco pontos sobre a zona de rebaixamento. O Wigan abriu quatro ao derrotar o Reading com um improvável hat-trick de Jordi Gómez, que há duas semanas não era sequer titular de Roberto Martínez. Os Latics jogam com uma segurança inédita para esta fase da temporada e não devem ter problemas para conquistar 40 pontos.

Em péssima forma, o Newcastle está entre Norwich e Wigan na tabela, mas tende a subir quando Cabaye retornar, talvez ainda em 2012. Imediatamente abaixo do Wigan, aparece o Sunderland, que sofre de um inesperado bloqueio criativo e perdeu por 4 a 2 para o West Bromwich no sábado. Mesmo com o trabalho de Martin O’Neill em xeque, parece precipitado afirmar que uma equipe tão talentosa, de Adam Johnson, Seb Larsson e Sessegnon, corre algum risco.

Os realmente ameaçados são Reading, Aston Villa, Southampton e QPR. Quatro candidatos por (uma) vaga na Premier League 2013-14. O Reading venceu apenas uma vez, quando foi dominado pelo Everton em boa parte do confronto. O Villa ainda faz os jogos mais sonolentos do campeonato, como o empate por 0 a 0 com o Arsenal, no sábado. O cenário mais animador é o do Southampton, que ontem derrotou o Newcastle por 2 a 0, derrubou a média de gols sofridos e tem Lallana e Ramírez finalmente desequilibrando partidas.

No caso do QPR, é questionada até a hipótese de a equipe efetivamente lutar contra o rebaixamento, após quatro empates, nove derrotas e uma demissão. Harry Redknapp assume o QPR com um déficit de cinco pontos para o Reading, seis para o Aston Villa e sete para o Southampton. Nenhum deles é insuperável, mas a reação tem de ser imediata. Para repetir os 37 pontos da temporada passada, os Hoops precisam obter um aproveitamento de 44% até o fim da liga mais competitiva dos últimos anos.

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domingo, 18 de novembro de 2012 Premier League | 22:05

Conclusões da rodada (XII)

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Veja aqui os resultados da 12ª rodada da Premier League (obviamente, ainda sem o West Ham x Stoke de amanhã). O blog repercute alguns pontos:

Ninguém contratou melhor do que o WBA. Após 12 rodadas, o West Bromwich tem incríveis 64% de aproveitamento e está na zona de classificação à Champions League. Ontem, vitória por 2 a 1 sobre o Chelsea e outra atuação segura no Hawthorns. À medida que Long e Odemwingie marcam gols, o time vence partidas, pois o sistema defensivo é sólido demais. Obra do recém-contratado técnico Steve Clarke, o melhor da temporada até agora. Entre jogadores, a grande captura de 2012-13 também é dos Baggies. Van Persie, Cazorla e Hazard têm sido ótimos, mas ninguém a ponto de superar o volante argentino Claudio Yacob, que estava no Racing de Avellaneda, foi contratado de graça e domina o meio-campo do WBA ao lado de Mulumbu.

Walcott e Giroud impulsionam o Arsenal. É evidente que a vitória por 5 a 2 sobre o Tottenham foi condicionada à expulsão de Adebayor, ainda no primeiro tempo. Mas também ficou claro que, quando Cazorla (que foi brilhante) não precisa fazer tudo sozinho, o Arsenal é um time bem mais perigoso no terço final do campo. Walcott, cujo contrato expira nesta temporada, fez bons jogos nas últimas semanas, recuperou seu lugar na equipe e foi fundamental no dérbi de ontem, com correria, gol e assistência. Assim como Giroud, que compensa a limitação técnica com um trogloditismo à Mario Gomez, baseado em imposição física e oportunismo. Por todas as competições, o ex-centroavante do Montpellier tem sete gols e cinco assistências. Não é, definitivamente, um novo Chamakh.

Chris Hughton acertou a mão no Norwich. Em casa, há sete rodadas, o Norwich levou 5 a 2 do Liverpool. Também no Carrow Road, num intervalo inferior a um mês, venceu Arsenal, Stoke e Manchester United, todos por 1 a 0. Nas últimas cinco rodadas, os Canários sofreram apenas um gol, contra 17 sofridos nas sete primeiras partidas. Chris Hughton acertou a defesa de modo notável e, não menos importante, resgatou ao time titular o irlandês Hoolahan, o melhor criador de jogadas do elenco e ideal para atuar atrás de Holt. Por isso o Norwich é 13º colocado, com 14 pontos.

Finalmente, Fletcher ganhou companhia

Alan Pardew perdeu a mão no Newcastle. A derrota por 2 a 1 para o Swansea foi a segunda consecutiva em St. James’ Park (na semana passada, 1 a 0 para o West Ham). Das referências de 2011-12, ninguém além de Demba Ba manteve o nível. Cabaye (lesionado, não jogou ontem) não é tão dominante, Papiss Cissé (também ausente) simplesmente não marca gols, e Ben Arfa perdeu parte da inspiração. Além disso, Anita, contratado para ser backup na defesa e no meio-campo, sempre entra e nunca vai bem. Pardew ainda não encontrou alternativas para resolver os problemas. Sorte dele é que, quando tudo funcionava muito bem, a diretoria estendeu seu contrato até 2020. Sim, 2020.

Adam Johnson e Sessegnon, fundamentais para o Sunderland. Steven Fletcher marcou novamente e chegou a seis dos dez gols do Sunderland na Premier League. No entanto, a vitória por 3 a 1 sobre o Fulham (que teve Hangeland expulso no primeiro tempo) em Craven Cottage mostrou que o time de Martin O’Neill pode ir além do centroavante escocês. Adam Johnson, que há uma semana marcou seu primeiro gol pelo novo clube, hoje deu duas assistências. Sessegnon, melhor jogador da equipe em 2011-12 e uma negação em 2012-13, ressurgiu das cinzas para decidir a partida com um golaço. Até ontem, o Sunderland mal finalizava e era uma das grandes decepções da temporada. Se Johnson e Sessegnon consolidarem a reação e ajudarem Fletcher, isso deve mudar.

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terça-feira, 30 de outubro de 2012 Debates | 22:48

Número 10

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Treinadores estrangeiros, com abordagens diferentes, impulsionaram a presença do número 10 na Inglaterra

O ex-técnico do Liverpool Rafa Benítez foi o responsável pela estabilização do 4-2-3-1 como um esquema confiável na Europa. Entre 2001 e 2004, o Valencia de Benítez conquistou duas vezes o campeonato espanhol e uma a Copa da UEFA. A formação era bem definida, sempre com três meias (habitualmente Rufete, Aimar e Vicente) atrás do único atacante. O sucesso no Mestalla o levou a Anfield em 2004.

Na Inglaterra, Benítez se converteu ao 4-2-3-1 na temporada 2008-09. Quando desistiu de Robbie Keane, que havia sido contratado para acompanhar Fernando Torres no ataque, ele passou a escalar uma linha que geralmente tinha Kuyt, Gerrard e Riera no suporte a El Niño. O Liverpool fez uma campanha brilhante: 86 pontos e apenas duas derrotas, desempenho que poderia ter sido suficiente para o título.

Desde então, gradativamente, o 4-2-3-1 substitui o 4-4-2 como a formação preferencial na Premier League. Hoje, metade dos treinadores do campeonato escala assim. Entre as consequências desse processo, está o aparecimento da função do número 10, jogador que se posiciona entre as linhas de defesa e meio-campo do time adversário e praticamente inexistia no futebol inglês. A figura do “meia criativo” nem sequer tem um nome na Inglaterra, como o argentino enganche ou o italiano trequartista. Não tem nome, mas ganhou vários representantes em 2012-13.

Esta temporada apresentou um boom de números 10 na Premier League. Foram contratados Oscar (Chelsea), Cazorla (Arsenal), Kagawa (Manchester United), Sahin (Liverpool; adaptado à função), Ramírez (Southampton), Michu (Swansea) e Sigurdsson (Tottenham). São cerebrais (Cazorla), carregadores de bola (Kagawa) e goleadores (Michu). Ainda há os híbridos. Oscar, por exemplo, é criativo, mas também rápido, engenhoso e eficiente até quando não tem a bola.

Curiosamente, Rooney herdou o papel que seria (ou ainda será) de Kagawa no Manchester United. O japonês, que ainda não se adaptou plenamente à Premier League, lesionou-se e deve retornar na segunda quinzena de novembro. A conversão de Rooney à nova função é um exemplo de como o futebol inglês pode se beneficiar. Por enquanto, a necessidade obriga os clubes a importar esses jogadores. Em algum tempo, é provável que a Inglaterra produza seus próprios meias criativos, até pela padronização do 4-2-3-1 em categorias de base de vários clubes.

A Inglaterra forma números 8, como Gerrard, Lampard e Wilshere, em escala industrial. Por essência, o último 10 inglês foi Joe Cole. No entanto, o 4-3-3 de José Mourinho no Chelsea o transformou em ponta direita e, com o tempo, ele mesmo se perdeu. Ele e a seleção inglesa, que se viu obrigada a “estacionar o ônibus” contra França e Itália na Euro porque tinha mais corredores do que pensadores.

Através do intercâmbio com treinadores e jogadores estrangeiros, a maneira de abordar o futebol mudou na Inglaterra, em todos os clubes grandes e em diversos clubes menores. A Premier League não perdeu seus meias centrais dinâmicos, os jogadores de velocidade e os centroavantes, mas ganhou o número 10, um personagem que tornou as partidas melhores do que eram há cinco anos.

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segunda-feira, 20 de agosto de 2012 Debates, Premier League | 22:52

As armadilhas da estreia

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Três meses de férias, elencos renovados e treinadores estreantes. Diante dessas condições, é natural que a primeira rodada de qualquer campeonato europeu receba uma importância desproporcional. Também na Inglaterra, a repercussão dos resultados é enorme, como se uma vitória na estreia resolvesse todos os problemas ou uma derrota causasse danos permanentes. Mas, na prática, não é assim. Vale lembrar que a grande surpresa das primeiras rodadas de 2011-12 foi o Wolverhampton, que acabou rebaixado. Para ir (bem) mais longe, em 1984-85, o Everton perdeu por 4 a 1 para o Tottenham na estreia, em Goodison Park, recuperou-se prontamente e venceu o campeonato.

O caso do QPR é outro bem curioso. No sábado, em Londres, os Hoops foram completamente dominados e goleados por um inspirado Swansea: 5 a 0. A derrota indica “apenas” que Mark Hughes terá bastante trabalho para acertar a equipe, que recebeu oito reforços, mas não o condena ao rebaixamento com tantas (37) rodadas de antecedência. O QPR também foi atropelado em casa na abertura de 2011-12, quando sofreu 4 a 0 do Bolton. Ironicamente, mesmo com inúmeros problemas durante a campanha, o clube londrino escapou da queda, ao contrário de seu algoz na estreia.

O próprio Swansea “enganou” os mais precipitados na temporada passada. Nas primeiras rodadas, foi goleado pelo Manchester City, empatou duas vezes em casa e marcou seu primeiro gol apenas na quinta partida. Em seguida, o clube galês superou o início complicado e, pelo estilo, transformou-se na sensação da Premier League, construindo as fundações para o time que goleou o QPR há dois dias.

Fellaini, imparável contra o Manchester United

Criticados por derrotas na primeira rodada, Tottenham (Newcastle, 2 x 1) e Liverpool (West Brom, 3 x 0) não têm de entrar em pânico. Na estreia oficial de André Villas-Boas, o Tottenham controlou o Newcastle durante o primeiro tempo em St. James’ Park e poderia ter vencido o jogo através de Sigurdsson e Bale. Apesar dos erros defensivos e do resultado assustador, os Reds também começaram bem a partida, completaram 89% dos passes (mais do que em qualquer outro jogo de 2011-12) e perderam várias chances com Suárez. Sob novas direções, ambos precisam de ajustes e paciência – sobretudo o Liverpool, que tem tabela ingrata pela frente –, mas não há razão para tanto alarmismo.

O mesmo vale para o Arsenal, que empatou sem gols com o Sunderland no Emirates. A despeito da ótima atuação do estreante Santi Cazorla, faltou contundência ao ataque. Por outro lado, o time ainda vai evoluir muito, com a adaptação de Giroud ao estilo de jogo, os retornos de Wilshere e Chamberlain e a provável contratação de um substituto para Song. Não custa recordar a melhora substancial do Arsenal durante a temporada passada, que começou de maneira trágica para o clube, com direito a derrota por 8 a 2 para o Manchester United na terceira rodada.

Apesar das goleadas de Swansea e Fulham (Norwich, 5 x 0), a atuação mais notável da rodada foi do Everton, que venceu o Manchester United por 1 a 0 em Liverpool. Além do grande desempenho coletivo, houve destaques individuais, como Fellaini, que dominou a partida como meia ofensivo, e Osman, um dos jogadores mais subestimados da Inglaterra. Resta saber quais primeiras impressões vão sobreviver ao tempo. Como escreveu Paul Tomkins em sua coluna, o campeonato não é uma prova de 100 metros, mas uma maratona. Na Premier League, Stephen Kiprotich supera Usain Bolt.

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segunda-feira, 16 de abril de 2012 Copas Nacionais, Premier League | 09:25

FA Cup e corrida pelo título

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Herói improvável. Embora trabalhe bastante pelo time, Andy Carroll não terá seu esforço reconhecido pela opinião pública enquanto não melhorar sua deprimente média de gols. Mas existe um lado bom nessa história: como ninguém espera mais nada dele, qualquer participação decisiva é surpreendente e, portanto, provoca reações exageradas. O gol que eliminou o Everton e pôs o Liverpool em outra decisão de copa lhe rendeu dois elogios de peso. Jamie Carragher considera, hiperbolicamente, que o gol justificou os £35 milhões investidos nele em janeiro do ano passado. Ídolo dos Reds, Kevin Keegan o qualificou como “o melhor cabeceador dos últimos 20 anos”. Calma, gente.

Chelsea e seu lethal touch. Lethal touch (“toque letal”), para quem não sabe, é a qualidade atribuída àquela equipe que consegue aproveitar bem suas oportunidades de gol. O Chelsea não jogou para golear o Tottenham e ainda contou com ajuda da arbitragem, mas foi eficiente demais na outra semifinal da FA Cup. O time de Roberto Di Matteo teve 49% de posse de bola, finalizou 16 vezes e marcou cinco gols (quatro, na verdade). Fundamental, agora, é repetir isso contra o Barcelona, que não deve conceder muitas chances. A questão é: com Lampard e Drogba, goleadores prolíficos, ou com jogadores em melhores condições físicas?

Cudicini se desespera, e a FIFA preserva o "charme" de um futebol sem tecnologia. Até quando?

Arbitragem. Ainda que haja diferentes graus, não existe time apenas beneficiado ou apenas prejudicado. No entanto, a situação da arbitragem na Inglaterra beira o insustentável. Em seus últimos três jogos, o Manchester United foi ajudado quatro vezes e lesado outras três em lances capitais. Na FA Cup, Juan Mata marcou um gol-fantasma. Existem soluções urgentes de caráter global, da (in)competência da FIFA, mas a Football Association também pode agir. Diretrizes mais claras aos árbitros e testes físicos mais rigorosos (Phil Dowd, 49, sofre para correr) são medidas bem viáveis.

Desespero, parte 1. Para Patrick Vieira, chamar Paul Scholes de volta foi um ato de desespero do Manchester United. Na vitória por 4 a 0 sobre o Aston Villa, Scholes foi novamente preciso, completando 63 de 67 tentativas de passe. São dez vitórias do United em dez partidas dele como titular desde o retorno da aposentadoria. Estas coisas são incalculáveis, mas parece evidente que, se Scholes não tivesse voltado, a corrida pelo título da Premier League teria outro líder. Moral da história: tome decisões movido pelo desespero.

Desespero, parte 2. No caso de Tevez, a quem Alex Ferguson recorreu para responder às declarações de Vieira, havia o risco adicional de danos ao ambiente do clube, mas essa fase já passou. Na vitória do Manchester City por 6 a 1 sobre o Norwich, o rebelde argentino marcou três gols e deu uma assistência a Agüero, com quem faz a melhor parceria possível no ataque do City. Finalmente, o time de Roberto Mancini tem uma sequência de ótimas atuações e dá sinais de que pode ganhar todos os jogos até o fim da temporada. Difícil é acreditar que será suficiente para o título.

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sexta-feira, 23 de março de 2012 Premier League | 17:58

Prévia da 30ª rodada

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Tio Harry e Frank duelam diretamente por vaga na Champions

Chelsea (5º) x Tottenham (4º). O Chelsea está bem melhor. O único ponto favorável ao Tottenham no confronto direto é a iminente visita dos Blues ao Benfica, na terça-feira, pela Champions League. Di Matteo pode, por exemplo, usar sem remorso Sturridge e Drogba, que descansaram contra o Manchester City. Palpite: Chelsea.

Arsenal (3º) x Aston Villa (15º). O Arsenal teve problemas quando recebeu o Villa na FA Cup. Ainda assim, virou o placar e se classificou. Amanhã, sem Darren Bent, o time travado de Alex McLeish tem menos chances contra um Arsenal confiante e que ganha mesmo quando joga mal. Palpite: Arsenal.

Bolton (18º) x Blackburn (16º). No primeiro turno, o Bolton venceu em Ewood Park com uma de suas melhores atuações na temporada. Agora, luta para superar o episódio de Fabrice Muamba e repetir a dose contra um Blackburn em melhor fase. Palpite: empate.

Liverpool (7º) x Wigan (19º). O Wigan tem jogado bem para seus padrões e enfrenta um Liverpool abalado pela vexatória derrota para o QPR, na quarta-feira. A partida pode se complicar para os Reds. Palpite: empate.

Norwich (14º) x Wolves (20º). É a oportunidade do Norwich de afastar definitivamente a chance de rebaixamento. Os canários estão longe de seu melhor momento, mas podem superar o Wolverhampton, que piorou demais com Terry Connor no comando. Palpite: Norwich.

Sessegnon, de quem o Sunderland depende muito, aprontou e perdeu três jogos por suspensão

Sunderland (9º) x QPR (17º). Ainda que tenha vencido o Liverpool de maneira inacreditável há dois dias, o QPR não mostra consistência para passar fora de casa pelo Sunderland, que terá o fundamental retorno de Sessegnon. Palpite: Sunderland.

Swansea (8º) x Everton (10º). Mais interessado na FA Cup, o Everton pode não ver a bola contra o impressionante Swansea de Brendan Rodgers. O zagueiro Ashley Williams deve voltar para oferecer mais segurança aos galeses. Palpite: Swansea.

Stoke (11º) x Man City (2º). “Jogar no Britannia não é fácil” já virou clichê. Mas não é mesmo. O Stoke tem defendido bem nas últimas rodadas e pode antecipar a participação de Tevez, que deve novamente começar no banco. Palpite: Man City.

WBA (13º) x Newcastle (6º). De certa maneira, o Newcastle ainda colhe os frutos do ótimo início, mas não tem feito boas partidas. O time de Woy Hodgson, por sua vez, está na melhor fase da temporada para tentar repetir a vitória por 3 a 2 em St. James’ Park. Palpite: WBA.

Man Utd (1º) x Fulham (12º). O Fulham é de veneta. Às vezes vai muito bem, em outras desaparece. No primeiro turno, num desses apagões, levou 5 a 0 do United em casa. Em Old Trafford, não deve conseguir nada contra o líder. Palpite: Man Utd.

Confira a classificação da Premier League.

Veja na TV.

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terça-feira, 20 de dezembro de 2011 Premier League | 14:06

Premier League: 17ª rodada

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Os jogadores mal descansaram da 16ª rodada, e a 17ª já começa hoje. O blog prevê:

Wolves (17º) x Norwich (9º). Grant Holt marcou três vezes nos últimos dois jogos e deve ser uma ameaça importante à defesa dos Wolves, que teve problemas para lidar com Peter Crouch na rodada passada. Palpite: empate.

Blackburn (19º) x Bolton (20º). Steve Kean e Owen Coyle jogam por seus empregos. O treinador do Bolton descreveu o compromisso como “o maior da temporada” para o clube. Palpite: Blackburn.

Aston Villa (10º) x Arsenal (5º). No Villa, Agbonlahor volta, e Bent, que foi ao shopping durante a partida contra o Liverpool, pode retornar também. Mesmo sem o suspenso Song, o Arsenal está bem melhor. Palpite: Arsenal.

A melhor temporada da carreira de Rooney, 2009-10, teve grande contribuição de Valencia

Man City (1º) x Stoke (8º). Apesar do ótimo momento do Stoke, o Manchester City não deve ter dificuldades se não exagerar no quase obrigatório rodízio durante a maratona de fim de ano. Palpite: Man City.

Newcastle (7º) x West Brom (13º). A vitória sobre o Blackburn foi um alívio para Roy Hodgson. O próximo adversário não tem atuado bem e pode sofrer sem o suspenso Cabaye. Palpite: empate.

Everton (14º) x Swansea (12º). Os recém-promovidos têm feito a festa em Goodison Park: o QPR venceu e, na última rodada, o Norwich passou bem perto. Palpite: empate.

Fulham (11º) x Man Utd (2º). Com Valencia bem, Rooney ganha mais chances de gol. Em Craven Cottage, onde o United sempre tem problemas, ele precisa aproveitá-las. Palpite: Man Utd.

QPR (15º) x Sunderland (16º). O impacto de Martin O’Neill no Sunderland foi imediato. Deve ser suficiente para equilibrar as ações contra quem não consegue engrenar em Londres. Palpite: empate.

Wigan (18º) x Liverpool (6º). Ambos vêm de bons jogos. A dedicação extrema do Wigan pode causar dificuldades ao Liverpool, mas Dalglish tem respostas para elas. Palpite: Liverpool.

Tottenham (3º) x Chelsea (4º). Nas últimas semanas, a distância entre os dois diminuiu em campo e na tabela. Mesmo assim, se quiser levar ponto(s) de White Hart Lane, o Chelsea precisa melhorar em relação ao empate em Wigan. Palpite: empate.

TV
Terça-feira, 18h – Blackburn x Bolton (ESPN Brasil)
Quarta, 17h45 – Man City x Stoke (ESPN)
18h – Fulham x Man Utd (ESPN Brasil)
20h – VT de Aston Villa x Arsenal (ESPN)
Quinta, 18h – Tottenham x Chelsea (RedeTV!, ESPN, ESPN HD)

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sexta-feira, 16 de dezembro de 2011 Premier League | 14:34

Premier League: 16ª rodada

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Sem podcast nesta semana, o blog prevê a 16ª rodada na Inglaterra:

Blackburn (19º) x WBA (15º). Mesmo os brilharecos dos Rovers podem atrapalhar a vida de um West Brom que vem de derrota em casa para o Wigan. Palpite: empate.

Everton (12º) x Norwich (10º). Ainda que o Everton sofra demais quando precisa atacar, é jogo para recuperar o time de David Moyes, todo feliz com o retorno de Donovan. O triunfo dos canários sobre o Newcastle na rodada anterior foi condicionado à defesa improvisada dos Magpies. Palpite: Everton.

Fulham (14º) x Bolton (20º). Depois de uma eliminação incompreensível na Liga Europa, Martin Jol ganha de presente um adversário que perdeu 12 de seus 15 jogos e não consegue se defender pelas laterais. Palpite: Fulham.

Newcastle (7º) x Swansea (11º). O Swansea, fora de casa, tem sido uma peneira: há duas rodadas, levou quatro gols de Yakubu. Mesmo com o DM do Newcastle congestionado, prato cheio para Demba Ba. Palpite: Newcastle.

Downing, que marcou contra o Liverpool na temporada passada, deve ser vaiado em seu retorno a Villa Park

Wolves (17º) x Stoke (8º). Tony Pulis arrumou a defesa dos Potters, que vêm de três vitórias. O desafio será lidar com Steven Fletcher, que, acima de Doyle, tornou-se o principal atacante dos Wolves. Palpite: empate.

Wigan (18º) x Chelsea (3º). Os Latics ainda têm o time mais fraco da liga, mas as últimas rodadas provam que caráter não falta aos pupilos de Roberto Martínez. O problema deste sábado é o adversário. Palpite: Chelsea.

QPR (13º) x Man Utd (2º). Mesmo sem Vidic, o United vai revigorado a Londres após a vitória sobre os Wolves com ótima atuação de Nani, que estava devendo. Os Hoops são imprevisíveis. Palpite: Man Utd.

Aston Villa (9º) x Liverpool (6º). No duelo dos desfalques, Given e Agbonlahor devem fazer tanta falta quanto Lucas e Gerrard. A missão do Liverpool é ser mais preciso para aproveitar as várias chances que sempre cria. Palpite: Liverpool.

Tottenham (4º) x Sunderland (16º). O Tottenham teve um apagão no primeiro tempo contra o Stoke. Para controlar o ímpeto do Sunderland, de grande virada na estreia de Martin O’Neill, precisa repetir a atuação do segundo tempo. Palpite: Tottenham.

Man City (1º) x Arsenal (5º). Enquanto Mancini pergunta a Balotelli “why always you?” após conflito do atacante italiano com Micah Richards durante um treinamento, o Arsenal ainda depende demais de Song e van Persie. Palpite: Man City.

TV
Sábado, 13h – Newcastle x Swansea (ESPN, ESPN HD)
15h30 – Wigan x Chelsea (RedeTV!, ESPN Brasil)
Domingo, 10h – QPR x Man Utd (ESPN)
12h – Aston Villa x Liverpool (ESPN)
14h10 – Man City x Arsenal (ESPN Brasil, ESPN HD)

Não se esqueça de atualizar seu time no Fantasy.

Champions e Europa
Ainda que os sorteios de Champions e Europa League não tenham sido generosos com os ingleses, todos (admitindo, no caso da Europa League, que queiram seguir adiante) teriam boas chances se os confrontos acontecessem hoje. Veja o que fevereiro nos reserva:
Champions – Chelsea x Napoli e Arsenal x Milan
Europa – Man City x Porto, Man Utd x Ajax e Stoke x Valencia

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