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segunda-feira, 24 de dezembro de 2012 QPR | 12:18

Cemitério inglês de elefantes

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Harry Redknapp chutou o balde. Uma semana depois da primeira vitória do Queens Park Rangers na temporada da Premier League, o técnico atacou a política salarial do clube e, indiretamente, a autoestima do elenco. Irritado pela derrota por 1 a 0 para o Newcastle, que manteve o QPR a cinco pontos da porta de saída da zona de rebaixamento, Redknapp afirmou publicamente que “há vários jogadores que ganham demais por sua capacidade e pelo que oferecem ao time”.

O bode expiatório é o lateral-direito Bosingwa. Multado por recusar a reserva na partida contra o Fulham, há uma semana, o português teve o salário ridicularizado e exposto por Redknapp: £65.000 semanais. É possível que o clima no vestiário fique insustentável, e a temporada, definitivamente comprometida. Por outro lado, a crítica é a oportunidade ideal para o QPR rever conceitos.

Cissé e Bosingwa podem cair abraçados

Bosingwa é o símbolo da fracassada política de atrair jogadores com carreiras consolidadas, longe do auge e sem espaço em seus clubes. O QPR é o lugar perfeito para eles, pois cede a todos os caprichos dos agentes, mantém (ou até melhora) o antigo padrão salarial e oferece a chance de atuar regularmente. Por que Júlio César, Bosingwa e Zamora escolheriam permanecer em Internazionale, Chelsea e Fulham? Não há razão.

O QPR não contrata por necessidade, mas por ocasião. O que explica o acordo com Júlio César um mês após a chegada de Robert Green? Mesmo antes de Tony Fernandes e Mark Hughes assumirem seus cargos, quando não se gastava tanto em Loftus Road, havia decisões estranhas. A contratação de Kieron Dyer, um ano atrás, foi uma delas. O meio-campista agonizava no departamento médico do West Ham, jogou apenas sete minutos pelo QPR na temporada passada e, sem qualquer justificativa, teve o vínculo renovado.

Além de Dyer, o elenco tem outros jogadores propensos a lesões – os chamados injury-prone –, como Andy Johnson, que pode não retornar em 2012-13, e Bobby Zamora, afastado pelo menos até fevereiro. Resultado? O único centroavante disponível é Djibril Cissé, ironicamente outro injury-prone. É curioso, embora não surpreendente, que Joe Cole, ganhando £90.000 semanais e quase sempre lesionado no Liverpool, seja especulado para o mercado de janeiro. Você sabe como é: há mais de uma década, Cole trabalhou com Redknapp no West Ham.

Enquanto isso, Wayne Routledge passa pela melhor fase da carreira no Swansea. Routledge foi emprestado pelo Newcastle ao QPR em 2011 e teve papel fundamental no acesso à primeira divisão, mas os Hoops decidiram não contratá-lo. Talvez o dinheiro já estivesse reservado ao salário de Dyer…

Aliás, é no Swansea, que subiu na mesma temporada e jamais passou sustos na Premier League, que Tony Fernandes deve se inspirar, especialmente pelas contratações que respeitam, acima de qualquer aspecto, as carências do time. Perderam Sigurdsson, Allen e Sinclair? Sem alarde, buscaram Michu, Ki e Pablo e mantiveram intacta a filosofia do clube.

O QPR até agregou qualidade ao elenco, mas criou um modelo de contratações por grife e salários inflacionados que favorece um ambiente de acomodação entre os jogadores. Redknapp sentiu que o choque era necessário para extrair mais do elenco. Resta saber como ele vai reagir.

*Feliz Natal a todos!

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sexta-feira, 16 de novembro de 2012 QPR, Southampton | 10:53

Quem fica em pé?

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O site de apostas Sky Bet retrata precisamente a situação delicada de Mark Hughes e Nigel Adkins, comandantes de Queens Park Rangers e Southampton, 20º e 19º colocados da Premier League. Se você acertar que Mark Hughes será o próximo treinador a perder o cargo na primeira divisão inglesa, o Sky Bet lhe paga apenas £2 para cada libra apostada. No caso de Adkins, o retorno é de £2,75. Por ironia do destino, QPR e Southampton se encontram amanhã em Londres, na partida que pode determinar a primeira demissão de um técnico na temporada.

Possíveis formações de QPR e Southampton

A ameaça a Hughes parece mesmo maior. O QPR tinha expectativas superiores à mera permanência na Premier League, está abaixo até do Southampton na tabela, não venceu nenhum e perdeu sete de seus 11 jogos. O discurso do proprietário Tony Fernandes tem sido de apoio irrestrito ao técnico, mas, logo após a derrota do último sábado para o Stoke, ele deixou clara a obrigatoriedade de uma vitória sobre o Southampton. “Precisamos minimizar erros. Um erro determinou a derrota. Temos de aproveitar nossas chances (…) e vencer a próxima partida (…)”, afirmou via Twitter.

Fernandes é bastante elogiado pela postura racional com que dirige o clube. No entanto, o empreendedor malaio pode cruzar uma linha perigosa e bem estreita, que separa a paciência da inércia. Na temporada passada, por exemplo, os indianos do Blackburn foram passivos demais na condução da crise com o técnico Steve Kean, que definhava no comando do time, era sempre vaiado pelos torcedores e sobrevivia porque a diretoria aderiu à filosofia de Zeca Pagodinho. Até pelo exemplo negativo do Blackburn, que obviamente acabou rebaixado e viu Kean pedir demissão nas primeiras rodadas da segunda divisão, é possível que Fernandes não perdoe um empate em casa contra o Southampton.

Em relação a Adkins, Hughes perde ainda em outro aspecto: ele não tem qualquer relação com o progresso do QPR nos últimos anos. Sparky substituiu Neil Warnock na temporada passada para evitar o rebaixamento, meta atingida, mesmo depois de um produtivo mercado de inverno, com muito sacrifício. Adkins, por sua vez, faz parte de um grupo de treinadores que redimensionaram seus clubes (aí temos, entre outros, Paul Lambert no Norwich e Brendan Rodgers no Swansea). Ele teve o suporte de uma ótima administração, que realmente investiu no clube, mas foi fundamental para os dois acessos consecutivos e o retorno à Premier League após sete anos.

O Southampton não é uma equipe mal treinada, especialmente do ponto de vista ofensivo. Há quase dois meses, derrotou o Aston Villa por 4 a 1 com uma excelente atuação no segundo tempo. Falta competitividade pela ausência de defensores sólidos (culpa também de Adkins, que concentrou £20 milhões do orçamento para transferências em Ramírez e Rodriguez e contratou mal para a defesa). Na rodada passada, por exemplo, o zagueiro japonês Maya Yoshida simplesmente entregou a bola a Nathan Dyer, do Swansea, que empatou um jogo que o Southampton deveria ter vencido. Os Saints sofreram, em 11 rodadas, incríveis 29 gols, pelo menos nove a mais do que qualquer outra equipe.

Apesar da defesa frágil, uma eventual decisão de dispensar Adkins precisa ser muito bem analisada, especialmente porque não há uma verdade absoluta sobre os efeitos da demissão de um técnico ligado ao progresso recente do clube. O West Bromwich se beneficiou da troca de Roberto Di Matteo por Roy Hodgson, em 2011. Mas o Hull City cavou a própria cova quando, há dois anos, mandou embora Phil Brown, responsável pelo primeiro acesso à Premier League da história do clube.

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segunda-feira, 29 de outubro de 2012 Debates | 12:56

Basta

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Brasil, 27 de outubro.
Em Internacional 2 x 1 Palmeiras, a anulação do gol marcado por Hernán Barcos com a mão, através de uma suposta interferência externa, provocou duas reações. A primeira é de que, mesmo com um possível deslize que contraria a regra do jogo, valeu a pena impedir que a malandragem do atacante argentino se transformasse no gol de empate do Palmeiras, ou seja, evitou-se um equívoco maior, grosseiro. A outra diz respeito à revolta do time “prejudicado”, acostumado aos erros porque a arbitragem não pode recorrer a recursos eletrônicos. O resultado é um cenário caótico, em que o clube cogita solicitar a impugnação da partida porque um gol marcado com a mão não foi validado. Na Inglaterra, a necessidade de admitir a tecnologia no futebol se manifestou de uma maneira diferente:

Inglaterra, 27 e 28 de outubro.
Não houve interferência externa na nona rodada da Premier League. Decisões equivocadas, que distorceram resultados, foram tomadas e mantidas. Em Arsenal 1 x 0 QPR, Arteta estava em posição de impedimento quando marcou. Neste caso, ao menos, a arbitragem seguiu a recomendação de não interferir caso não tenha convicção de que houve irregularidade. Pior foi a atuação do assistente em Everton 2 x 2 Liverpool. No acréscimo do segundo tempo, Suárez estava apto, mas teve o gol anulado.

Em Chelsea 2 x 3 Manchester United, confronto que pode ter sido fundamental para o campeonato, a arbitragem de Mark Clattenburg foi um show de horrores – não que isso seja novidade. Clattenburg, que comete erros para todos os lados em escala industrial, assumiu a posição de protagonista quando expulsou Torres, mostrando-lhe o segundo cartão amarelo. Derrubado por Evans, o espanhol foi acusado de simular a falta. O Chelsea foi reduzido a nove jogadores (Ivanovic havia sido corretamente expulso) e ainda viu Hernández marcar o gol decisivo em posição de impedimento.

Clattenburg, protagonista

Ninguém precisa, sem provas ou indícios, acusar a Football Association de corrupção. Por mais que sejam suspeitos em certas circunstâncias, erros simplesmente acontecem. A FA tem a obrigação de cuidar da qualidade de seus árbitros e marginalizar aqueles que cometem equívocos com mais frequência. Clattenburg, por exemplo. No entanto, a decisão definitiva não vai partir de uma associação nacional.

Como as arbitragens imprecisas são um fenômeno mundial, o problema mais grave passa a ser da FIFA. Este fim de semana foi trágico para quem acompanha futebol e espera que árbitros sejam meros mediadores, com jogos decididos por jogadores. Mas ele pode ser também um marco. Quando, eventualmente, a FIFA deixar a idade da pedra e liberar recursos eletrônicos (a introdução de um chip na bola, novidade do Mundial de Clubes, resolve uma parte mínima da questão) que possam auxiliar na tomada de decisões, todos vão se lembrar de 27 e 28 de outubro, os dias em que a postura jurássica de Sepp Blatter e seus camaradas foi exposta de todas as formas.

Clattenburg ainda é acusado de insultos racistas a Obi Mikel, do Chelsea

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segunda-feira, 22 de outubro de 2012 Premier League | 11:49

Conclusões da rodada (VIII)

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Veja aqui os resultados da oitava rodada da Premier League. O blog discute alguns pontos:

Nada substitui o talento. Slogan de um prêmio de publicidade, a afirmação é também o lema de Roberto Di Matteo nesta temporada. Quando o Chelsea perdia por 2 a 1 para o Tottenham, dominante no segundo tempo, entraram em ação os três armadores dos Blues. A sagaz movimentação e a categoria de Mata, Oscar e Hazard transformaram a partida em White Hart Lane e deram ao Chelsea sua segunda vitória consecutiva no norte de Londres – derrotou o Arsenal há três rodadas. Em algum momento, é possível que a equipe acuse dificuldade para segurar um adversário agressivo (a inesperada ausência de Bale pesou demais para o Tottenham) ou mesmo falta de profundidade (por isso, Moses foi contratado). Mas, por enquanto, o 4-2-3-1 com três meias puros é um sucesso.

Sahin e Gerrard podem trocar posições. O Liverpool venceu o Reading em Anfield por 1 a 0, mas jogou melhor quando empatou com o Manchester City e perdeu para o Manchester United no mesmo estádio. Um ponto interessante é o posicionamento de Sahin e Gerrard. Enquanto o capitão é volante, ao lado de Allen, o turco atua adiantado, próximo a Suárez. Considerando todas as competições, Sahin tem ótimos três gols e quatro assistências pelo Liverpool. No entanto, à exceção da partida contra o Norwich, quando o time teve espaço para contra-atacar, ele ainda não esteve bem na Premier League – sábado, foi substituído por Shelvey. A impressão é de que Sahin tem de enxergar e organizar o jogo para render mais, como no Dortmund.

Arsenal: ainda sujeito a apagões. O que foi a atuação do Arsenal contra o Norwich? Provavelmente, uma das piores apresentações na era Wenger, equiparável àquelas do início da temporada passada. O único ponto positivo foi a onipresença de Cazorla no primeiro tempo. No segundo, até ele caiu. Entre tantas outras, a maior decepção fica por conta de Giroud, que havia marcado dois gols importantes nas últimas semanas: seu primeiro pelo Arsenal na Premier League e o de empate da França contra a Espanha. Era para ganhar confiança, mas a participação dele no Carrow Road foi um show de horrores. O Arsenal precisa que Giroud se encontre rapidamente.

Cissé e Ba: pontas de uma gangorra

Senegaleses precisam coexistir no Newcastle. Desde que Papiss Cissé foi contratado pelo Newcastle, em janeiro, ele e Demba Ba nunca estiveram bem ao mesmo tempo. Enquanto Cissé marcou 12 vezes, Ba (deslocado à ponta esquerda) comemorou apenas um gol entre a Copa Africana de Nações e o fim da temporada passada. Em 2012-13, Ba tem seis gols na liga, contra nenhum de seu compatriota. A fase de Cissé é tão ruim, que ele foi reserva de Shola Ameobi no dérbi contra o Sunderland. Alan Pardew até tem tentado formar o time no 4-4-2, para mantê-los perto do gol, mas a dupla de ataque letal que se imaginava depende também de os senegaleses estarem simultaneamente calibrados.

A salvação do QPR passa por Granero e Hoilett. O QPR perdeu a chance de ganhar pela primeira vez no campeonato (empatou com o Everton em casa), mas dá sinais de que pode se recuperar. E isso passa, necessariamente, por Granero e Hoilett. O espanhol toma conta do meio-campo, com a mesma capacidade de organização que mostrou pelo Getafe e fez o Real Madrid recontratá-lo, há três anos. O canadense, autor do gol do QPR ontem, quebrou a defesa do Everton em vários momentos. Ele é rápido, driblador, capaz de marcar gols e dar assistências. Foi um oásis no Blackburn na temporada passada e não pode ser reserva de ninguém em Loftus Road, como aconteceu nas primeiras rodadas.

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quinta-feira, 6 de setembro de 2012 QPR | 19:26

Time virtual

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Não há na Inglaterra clube mais consumista do que o Queens Park Rangers. A qualidade dos produtos nem sempre é prioridade, mas ninguém o supera em quantidade de compras nos últimos meses. Em média, a cada cinco dias do mercado de transferências, o QPR fechou uma contratação. Entre 1º de julho e 31 de agosto, foram 12 apresentações de jogadores em Loftus Road. Por enquanto, o clima de transição é flagrante, com duas derrotas e um empate para a equipe de Mark Hughes na liga.

O QPR não contrata pontualmente, mas aproveita “certas oportunidades”. O caso dos goleiros é bem emblemático. Titular no West Ham até a temporada passada, Rob Green decidiu aceitar a proposta dos Hoops. Bastou uma atuação insegura na estreia para que o brasileiro Júlio César desembarcasse em Loftus Road, certamente para destronar Green. A negociação pelo ex-goleiro da Internazionale foi intermediada por Kia Joorabchian (sim, ele mesmo), também agente de Mark Hughes.

Não é simples prever como será este QPR, mas é certo que Hughes precisa tomar decisões melhores. É, por exemplo, bastante questionável a escalação do par Andy Johnson e Zamora, como ocorreu na derrota para o Manchester City no último sábado, quando você pode diversificar seu ataque com a velocidade e a criatividade de Hoilett. Este, contratado após ótima temporada no Blackburn, mofou no banco durante toda a partida. Enquanto isso, um improdutivo Shaun Wright-Phillips foi titular. Até o inacreditável Kieron Dyer, que vem de um ano no departamento médico, apareceu no segundo tempo.

Possível QPR para 2012-13, com oito recém-contratados e mais fluidez no ataque, mas ainda inspirando cuidados defensivos

Outra incógnita no QPR 2012-13 é o sistema defensivo. O meio-campo, com Faurlín e Granero, promete muito na organização das jogadas, porém pode sofrer para recuperar a bola (Diakité, mais defensivo, é alternativa a eles). Nas laterais, Bosingwa e Fábio abandonam suas posições sem compromisso e são um prato cheio para contragolpes adversários. A entrada de Mbia no centro da defesa pode ajudar, mas a tendência é que Júlio César trabalhe muito. Nos primeiros três jogos da liga, sem o brasileiro, os Hoops levaram nove gols.

Apesar de ter transferido o abacaxi Joey Barton para Marseille, Hughes ainda tem de decidir o que fazer com Taarabt, que em julho ganhou o histórico número 10 do QPR e um contrato válido até 2016. O marroquino foi fantástico há duas temporadas, o que justificou o voto de confiança, porém péssimo em 2011-12. Contra o City, não ficou sequer no banco, de acordo com Mark Hughes, “por razões táticas”. Em tese, a menos que Taarabt desista de si mesmo, vale a pena apostar nele.

Ainda que tenha feito várias contratações aleatórias, o QPR tem material para formar um time interessante, mas que precisa ser bem treinado para resolver suas deficiências. Tem de ressurgir o Hughes do Blackburn, onde o galês passou a impressão de que seria um treinador de ponta.

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segunda-feira, 13 de agosto de 2012 Aston Villa, Fulham, QPR, Sunderland | 14:46

Guia da temporada (parte 3)

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Aston Villa, Queens Park Rangers, Fulham e Sunderland estão na terceira parte do nosso guia:

Aston Villa. A temporada passada do Villa foi uma tragédia. A contratação de Alex McLeish resultou em futebol agonizante e revolta dos torcedores, que não assimilaram a presença de um ex-treinador do Birmingham. É por isso que o novo técnico, Paul Lambert, está em situação confortável. Para superar McLeish, basta a Lambert fazer o time jogar algo parecido com futebol e eliminar rapidamente a possibilidade de rebaixamento. Com um mercado tímido, de contratações baratas, o Aston Villa acredita na evolução de bons jogadores da base, como Clark, Albrighton, Bannan e Weimann, para fazer campanha decente. Previsão para a temporada: 12º.

QPR. O elenco dos Hoops inegavelmente melhorou para a próxima temporada. Você pode questionar a aposta em jogadores experientes (Rob Green, Ryan Nelsen, Park Ji-Sung e Andy Johnson), mas é difícil acreditar em rebaixamento, com todos os setores do grupo bem reforçados. O QPR garantiu ainda duas excelentes capturas de jogadores jovens: o empréstimo de Fábio da Silva, que vai bem nas duas laterais, e a contratação definitiva de Junior Hoilett, um oásis no Blackburn em 2011-12. Além de colocar essa turma em campo, Mark Hughes precisa controlar os ânimos do vestiário, que tem os fios desencapados Barton e Taarabt. Previsão para a temporada: 11º.

Recém-convocado à seleção turca, Kerim Frei é o futuro do Fulham

Fulham. Demorou, mas o processo de renovação enfim chegou a Craven Cottage. Para conduzi-lo, Martin Jol tem uma ótima safra de jovens que podem ganhar mais minutos em 2012-13, com destaque para o suíço Kasami, o sueco Kacaniklic e o turco Kerim Frei, este particularmente promissor. Ainda assim, o clube tem de prestar atenção a outros pontos do elenco. Se não mantiver Dempsey, seu melhor jogador, o Fulham não pode perder Dembele, que se tornou fundamental quando adaptado à função de meia central. O ataque também requer cuidados, pois os reforços Petric e Rodallega e o garoto italiano Marcello Trotta são as únicas opções para o setor, admitindo que Dempsey não deve ficar. Finalmente, o meia Bryan Ruíz, contratado a peso de ouro há um ano, precisa acordar. Previsão para a temporada: 10º.

Sunderland. Não obstante a queda de rendimento na reta final da temporada passada, o técnico Martin O’Neill deve fazer apenas uma extravagância no mercado, para garantir que não lhe falte um bom centroavante. E ele tem ótimos argumentos para convencer um atacante a jogar no Sunderland. Afinal, o meio-campo dos Black Cats tem a intensidade de Cattermole e Gardner, a velocidade de McClean, os lançamentos precisos de Larsson e a criatividade de Sessegnon, elementos que facilitam a vida de um goleador. Apesar do desempenho pobre nos amistosos, O’Neill pode aproveitar bem sua primeira pré-temporada completa no clube e fazer ano consistente. Previsão para a temporada: 9º.

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sexta-feira, 30 de março de 2012 QPR | 11:07

Efervescência

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Joey Barton teme pelo futuro do elenco do Queens Park Rangers, na zona de rebaixamento da Premier League. De acordo com o capitão do QPR, “carreiras estarão em jogo” quando o time enfrentar o Arsenal amanhã, no Loftus Road. Barton talvez tenha exagerado, mas é indiscutível que existem no grupo dos Hoops figuras que deterioram as próprias carreiras. Às vezes, é difícil definir se o histórico (in)disciplinar e a atitude rebelde são causas ou consequências da temporada decepcionante.

Seja como for, você deve se lembrar do Bahia de 2011. O elenco reuniu estrelas controversas como Carlos Alberto, Souza, Ricardinho e Jóbson. O QPR de 2011-12 é mais ou menos assim, com Adel Taarabt, Joey Barton e Djibril Cissé. O Bahia também lutou contra o rebaixamento no Campeonato Brasileiro e precisou de um novo treinador para apagar o incêndio na reta final. O equivalente a Joel Santana no QPR é Mark Hughes, que há quase três meses substituiu Neil Warnock e tem de administrar um vestiário efervescente.

Craque da Championship na temporada passada, Taarabt afirmou durante a semana que os seis cartões vermelhos recebidos pelo QPR na Premier League (um recorde) podem derrubar o time de volta à segunda divisão. Djibril Cissé, contratado em janeiro, engordou as estatísticas. Em seus cinco primeiros jogos, marcou três gols e foi diretamente expulso duas vezes. Em função do estopim curto, perde pelo menos sete das 16 rodadas das quais poderia participar.

Pode acreditar: Taarabt foi capitão do QPR na temporada passada. Barton puxou seu tapete em 2011-12

É irônico que Taarabt tenha adotado discurso moralista. Na temporada passada, o jovem marroquino marcou 19 gols e distribuiu 16 assistências. Nesta, não marcou e deu só dois passes decisivos. É claro que o nível de exigência mudou, mas a atitude mimada contribui para que esta versão de Taarabt seja bem mais próxima daquela que fracassou no Tottenham. Na derrota por 6 a 0 para o Fulham, no primeiro turno, foi substituído no intervalo e decidiu voltar para casa de ônibus bem antes de o dérbi terminar.

O próprio capitão, a gente sabe, não é exemplo para nada. Apesar de um suposto amadurecimento, a temporada de Barton tem seis cartões amarelos, um vermelho, declarações enfáticas que tumultuam o ambiente e fortes emoções a cada tweet. Também pelo Twitter, Federico Macheda, que já retornou ao Manchester United, fez comentários homofóbicos que lhe renderam uma multa de 15 mil libras.

O modelo de contratação do QPR diz muito sobre a filosofia do clube: jogador experiente e encostado ou brigado com o treinador / diretoria do antigo time. Bobby Zamora, Taye Taiwo, Kieron Dyer, Djibril Cissé, Joey Barton e Shaun Wright-Phillips são exemplos. A administração de Tony Fernandes é melhor e bem menos negligente que a do ex-sócio majoritário Bernie Ecclestone, mas ainda precisa aprender muito. É possível que o aprendizado continue na segunda divisão.

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domingo, 26 de fevereiro de 2012 Copas Nacionais, Premier League | 19:28

Recapitulando

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No sábado, o Manchester City chegou a 18 vitórias consecutivas em jogos da Premier League no Etihad Stadium. A turma de Roberto Mancini aprendeu a lição do United, que perdeu apenas dois pontos em casa na temporada passada, e parece até mais soberana. Com Yaya Touré, de volta da Copa Africana de Nações, marcando e articulando à perfeição, as partidas contra equipes frágeis ficam ainda mais simples. A atuação dominante nos 3 a 0 sobre o Blackburn, que por sinal venceu seu compromisso em Old Trafford, explica a liderança do favorito ao título. No domingo, embora o Norwich tenha dominado, o United respondeu vencendo por 2 a 1 com gols de Scholes e Giggs. Sim, em 2012.

O Sunderland desapareceu nesta rodada. Após uma sequência impressionante, o time de Martin O’Neill caiu diante do West Brom: 4 a 0. A recuperação de Odemwingie, autor de dois gols, foi determinante para a vitória dos Baggies, mas o próprio O’Neill assumiu que sua equipe errou demais. Os gatos pretos têm muito para agradecer ao novo treinador, porém apagões como este ainda devem acontecer. O elenco não tem, por exemplo, atacantes realmente bons, o que obriga o deslocamento de Sessegnon para frente. E mesmo o Aston Villa de O’Neill falhava eventualmente, como quando perdeu para o Chelsea de Carlo Ancelotti por 7 a 1.

O sábado foi mágico para o atual, o West Brom, e também para um dos ex-times de Roy Hodgson, o Fulham. Se Woy é ídolo no Craven Cottage, o mesmo não se pode dizer sobre Mark Hughes, que trocou o cargo de técnico no clube por um ano sabático. Antes mesmo de completar esse período, ele aceitou o convite do Queens Park Rangers, vizinho (vizinho mesmo) do Fulham em Londres. A vitória por 1 a 0 dos Cottagers sobre o QPR, no Loftus Road, foi especial ainda porque Bobby Zamora, de relação estremecida com o treinador Martin Jol, migrou para o rival. E quem marcou o gol? Pogrebnyak, contratado justamente para substituir Zamora.

O Liverpool quase reeditou o Arsenal de 2011, mas Gerrard fez o que não fazia há seis anos

E o Arsenal, hein? Todos os setores da equipe – menos o do excepcional único atacante, van Persie – ainda agonizam, mas o time mostrou muito caráter hoje. Virar o placar de 0 a 2 para 5 a 2 contra um Tottenham muito mais confiável (ainda que estranhamente apático no segundo tempo) pode representar um sopro de confiança para o resto da temporada. Mas só para o resto da temporada. Não é possível acreditar que Rosicky, um dos melhores em campo no Emirates, deva comandar o meio-campo do Arsenal em 2012-13.

A final da Carling Cup foi espetacular e pode ser interpretada de várias formas. O título do Liverpool deveria ter sido mais simples, é bem verdade, mas é justo realçar a dedicação defensiva do Cardiff em vez da incapacidade dos Reds de transformar em gols o tradicional bombardeio de bolas paradas, cruzamentos e finalizações. A Copa da Liga, por si só, pode não valer tanto, porém a festa pela conquista após a abstinência de seis anos vale demais. Alguém, depois que Anthony Gerrard perdeu o pênalti, pensou “ah, o Liverpool está na Liga Europa”? Certamente não. Importante, mesmo, é o troféu.

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quarta-feira, 11 de janeiro de 2012 QPR | 20:22

O retorno de Hughes

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A princípio, a mudança de dono fez bem ao Queens Park Rangers. Embora o clube tenha continuado nas mãos de um magnata da Fórmula 1, o mandachuva da Caterham, Tony Fernandes, comprou os 67% pertencentes a Bernie Ecclestone (os outros 33% são do riquíssimo Lakshmi Mittal) e parece mais interessado em fazer o QPR progredir.

O clube se apressou e contratou bastante no fim do mercado de verão. Era o suficiente para escapar do antes provável rebaixamento. Era. Com problemas de ambiente, de campo e de lesões, o QPR conquistou apenas dois dos últimos 24 pontos disputados. O desgaste de Neil Warnock com a cúpula terminou na demissão do experiente treinador, que entrega o time na 17ª posição.

Agora, é com Mark Hughes. Escolhido para tocar o barco, o técnico galês transformou sua temporada sabática em semestre sabático. Ele havia deixado o Fulham porque, de acordo com seu agente, Kia Joorabchian, precisava trabalhar em outra praça para “sustentar suas ambições”. Vale lembrar que o QPR, curiosamente, perdeu para o Fulham por 6 a 0 no dérbi do primeiro turno.

Hughes tem o desafio pessoal de fazer um trabalho estável e abandonar o nomadismo dos últimos anos

Isso à parte, Hughes pode fazer bom trabalho. Primeiro porque, de imediato, terá o direito de gastar £20 milhões para iniciar a reforma que se anuncia no Loftus Road. Além de pensar em médio prazo, o novo manager tem de substituir Alejandro Faurlín, que se lesionou e está fora da temporada, em caráter urgente. Se não atuar rapidamente, Hughes condenará o QPR a um rebaixamento desastroso para quem tem tantos recursos e retornou à elite após 15 temporadas.

Outro ponto é a administração do vestiário. Adel Taarabt deve ser o foco do trabalho psicológico de Hughes, pois a queda dele em relação à temporada passada (mesmo considerando a mudança de nível) e o péssimo comportamento não são normais. E ainda tem Joey Barton, que deve seguir como capitão, mas claramente tem de reconsiderar sua conduta em campo após a infantil expulsão na rodada passada, contra o Norwich. Com alguma sorte, seu recém-nascido primogênito pode lhe oferecer um pouco de juízo.

Hughes também precisa fazer o QPR ganhar em casa. Até agora, a única vitória em dez partidas foi um presente do árbitro Chris Foy, que deixou o Chelsea com nove jogadores ainda no primeiro tempo. Mais uma vez, para avaliar se o galês é capaz, esqueça o trabalho no Manchester City. A referência é o Blackburn, onde ele reconstruiu o elenco com um orçamento bem mais limitado e se estabilizou facilmente na primeira metade da tabela.

Futebol na quarta-feira
Na primeira partida da semifinal da Carling Cup, o Liverpool superou o Manchester City, no Etihad, por 1 a 0. As referências ausentes do City (Kompany, Yaya Touré e Silva) fizeram tanta falta quanto as do Liverpool (Lucas e Suárez). Na Premier League, o Tottenham pagou seu jogo atrasado com vitória sobre o Everton por 2 a 0. Os Spurs chegam aos mesmos 45 pontos do Manchester United, com quem dividem a vice-liderança. A 18 rodadas do fim, a vaga na Champions já está muito bem encaminhada.

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quarta-feira, 27 de julho de 2011 Mercado, QPR | 12:33

Perguntar não ofende

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Dyer? Aquele? Agora vai!

A temporada 2010-11 foi perfeita para o Queens Park Rangers. A campanha irrepreensível na segunda divisão devolveu o clube à elite após 15 anos, e uma vitória nos bastidores impediu que a controversa compra do argentino Alejandro Faurlín, em 2009, barrasse essa promoção. Associado às promessas de investimento e à habilidade do marroquino Adel Taarabt, o ótimo trabalho do técnico Neil Warnock parecia ser a receita para o sucesso na Premier League. Nada podia deter os Rangers.

A menos que o próprio clube estragasse tudo. Proprietário de um terço do QPR, o indiano Lakshmi Mittal tem fortuna comparável à de Mansour Al Nahyan, manda-chuva do Manchester City, mas quase não investe. Contar com os outros sócios é inútil. Bernie Ecclestone e, desde que despachado da presidência, Flavio Briatore não existem para todos os efeitos. Um dos potenciais protagonistas do mercado virou um coadjuvante atrapalhado e sem grife.

Genro de Mittal, Amit Bhatia se demitiu da vice-presidência ainda em maio por não concordar com os rumos do clube. Até Warnock havia perdido força, e o nome de Claudio Ranieri (aquele mesmo) chegou a ser ventilado para substituí-lo. Ecclestone, que não faz nada, recusa-se a vender sua parte no QPR, de 62%. O resultado é um mercado apático, desastroso para um time sólido na segunda divisão, mas que não sobreviverá sem se reforçar direito. Por ora, são três contratações sem custos e certamente ineficazes: Kieron Dyer, Daniel Gabbidon e Jay Bothroyd.

Em quatro anos de West Ham, Dyer esteve quase sempre machucado e, mesmo quando jogou, não justificou seu salário. Gabbidon, também nos Hammers, ratificou o status de defensor limitado e ainda arrumou confusão. Bothroyd começou bem na segunda divisão pelo Cardiff e foi convocado à seleção inglesa por Fabio Capello durante uma crise de lesões entre os atacantes, mas desapareceu. O único alento é a intenção de manter Taarabt. Perguntar não ofende: aonde o QPR acha que vai assim?

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