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segunda-feira, 25 de junho de 2012 Euro 2012, Inglaterra | 10:54

Dever cumprido

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A eliminação da Inglaterra na Euro 2012 teve um cenário até certo ponto previsível. Apesar do início promissor, a seleção de Roy Hodgson se limitou a travar a Itália e obteve números tímidos: 36% de posse de bola e apenas nove finalizações em 120 minutos, contra 35 dos italianos. O empate por 0 a 0 levou a decisão do semifinalista aos pênaltis. E assim, você sabe, a Inglaterra já havia fracassado nas Copas de 1990, 1998 e 2006 e nas edições da Euro de 1996 e 2004. Por que 2012 seria diferente?

Embora as circunstâncias da eliminação sejam semelhantes às de outros grandes torneios, a seleção inglesa pode lembrar sua campanha sem qualquer constrangimento. A Inglaterra superou os inúmeros desfalques, executou bem sua proposta defensiva e não perdeu. A trajetória na Copa de 2006, por exemplo, também foi invicta, mas aquela equipe não teve sequer uma atuação elogiável: mal contra Paraguai, Trinidad & Tobago, Suécia, Equador e Portugal. O fracasso era anunciado.

Don't worry, be happy

O time de 2012 fez o possível e, fosse competente para manter a vantagem nos pênaltis, estaria nas semifinais. O rótulo de underachiever (aquele estudante que não atinge seu potencial) não cabe à seleção pela primeira vez desde 1998. É claro que as expectativas baixas contribuíram para isso, mas não houve covardia (a despeito da proposta defensiva), desequilíbrio ou negligência com a competição. Os jogadores, ao contrário, desfrutaram o verão no Leste Europeu e realmente se esforçaram por uma boa campanha.

Depois de bastante tempo, a Inglaterra sai de um grande torneio com legado positivo. Contratado há apenas 54 dias, Roy Hodgson terá apoio quase irrestrito da FA e da opinião pública. Ele fez um rápido trabalho de reorganização, venceu os dois amistosos que disputou e extraiu o máximo da equipe na Euro. Não haverá rumores de troca no comando técnico nos próximos meses.

Hodgson tem contrato até 2016. Não se pode esperar dele a formação de um time espetacular: solidez é a palavra-chave sobre o estilo. A novidade que a FA deve exigir é o aproveitamento de jogadores jovens. Logo após a eliminação, o próprio Hodgson citou o exemplo alemão. Vale lembrar que Neuer, Boateng, Hummels, Khedira e Özil foram titulares na vitória por 4 a 0 sobre a Inglaterra na final da Euro sub-21 de 2009. A nova geração inglesa não é tão brilhante, mas tem potencial.

A velha guarda terá espaço à medida que os desempenhos individuais nos clubes sejam satisfatórios. Gerrard, de ótima Euro, já anunciou que pretende continuar como capitão enquanto o quiserem na seleção. No entanto, a capitania não pode virar argumento irrefutável para que ele seja titular absoluto. A política de Hodgson, especialmente com a turma representada por Terry, Cole, Parker, Lampard e Gerrard, tem de ser a meritocracia.

O grupo da Inglaterra nas eliminatórias para a Copa de 2014 tem Montenegro, Ucrânia, Polônia, Moldávia e San Marino. Se a solidez e o compromisso forem próximos aos apresentados na Euro, com mais tempo e menos lesões, não há o que temer.

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segunda-feira, 11 de junho de 2012 Euro 2012, Inglaterra | 16:55

Euro 2012: França 1 x 1 Inglaterra

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França 1 x 1 Inglaterra – Lescott 30′, Nasri 39′

Lescott scores! Duas das três finalizações inglesas foram de defensores

*Em relação à prévia publicada ontem, a única surpresa nas escalações foi Alex Oxlade-Chamberlain. O garoto do Arsenal teve atuação correta, com boas arrancadas, mas sofreu demais para marcar o lateral ofensivo Mathieu Debuchy e recebeu cartão amarelo. No fim das contas, Debuchy atacou mais do que Chamberlain, para reforçar a sugestão de que James Milner deveria atuar à esquerda.

*A ocupação de espaços da Inglaterra foi ótima, com a óbvia exceção do lance do gol da França, em que sete jogadores se concentraram dentro da área e ofereceram liberdade a Samir Nasri, que finalizou muito bem. Toda a defesa foi segura, e Joleon Lescott ainda apareceu no ataque. A seleção de Roy Hodgson desarmou 28 vezes, por enquanto mais do que qualquer outra na primeira rodada.

*Os meias centrais foram muito bem. Além da assistência a Lescott, Steven Gerrard mandou no meio-campo, especialmente para recuperar a bola. Ainda assim, o capitão poderia ter sido um tanto mais preciso nos passes de média distância. Mesmo longe de sua melhor forma, Scott Parker teve grande atuação, disputando todos os lances com intensidade impressionante.

*Danny Welbeck trabalhou pelo time, movimentou-se bastante, recuperou e segurou a bola. No entanto, não finalizou sequer uma vez, ponto relacionado ao fraco desempenho de Ashley Young. Era fundamental que Young fizesse a ligação ao ataque, mas o posicionamento dele, distante do meio-campo, descaracterizou o 4-4-1-1 inglês e limitou a participação do jogador-chave da equipe.

*Os números eram previsíveis. A Inglaterra finalizou apenas três vezes (contra 19 da França, que arriscou demais de longa distância) e, conforme a prévia indicava, teve 40% de posse de bola. Nada saiu do planejado, e o empate foi justo. Para os confrontos com Suécia e Ucrânia, a Inglaterra precisa, sobretudo, finalizar mais. Mas isso é assunto para depois.

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domingo, 10 de junho de 2012 Euro 2012, Inglaterra | 15:25

Euro 2012: França x Inglaterra

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Beckham falhou, e Zidane decidiu: em 2004, a França venceu por 2 a 1

Em Lisboa, há oito anos, a Inglaterra fez 1 a 0 sobre a França, perdeu um pênalti e, nos três minutos finais, sofreu dois gols de Zinedine Zidane. Aquela derrota na estreia da Euro 2004 determinou o cruzamento com os portugueses nas quartas de final e, indiretamente, a eliminação da turma de Sven-Goran Eriksson diante da seleção da casa. Após nem sequer disputar a edição de 2008, a Inglaterra retorna à Euro com a chance de estrear contra o mesmo adversário e apagar a frustração de oito anos atrás.

Amanhã, às 13h de Brasília, Inglaterra e França se enfrentam na Donbass Arena, em Donetsk. Da seleção inglesa de 2004, sobraram Ashley Cole, Gerrard, Terry e Rooney. Lateral-direito titular há oito anos, Gary Neville agora é assistente de Roy Hodgson. Entre os franceses, não há remanescentes. Então, a maior semelhança com a Euro 2004 é mesmo a relevância do confronto. Ninguém tem convicção de que a Inglaterra vai superar Suécia e a anfitriã Ucrânia, os outros adversários no grupo. Além disso, se avançar na segunda posição, a Espanha pode ser a oponente nas quartas.

Por enquanto, é melhor pensar na França. A seleção reativa de Roy Hodgson, que espera o adversário errar para agredi-lo, tem pela frente um time bem mais capaz de controlar a partida. O jogo de amanhã deve, assim, seguir a tendência dos amistosos contra Noruega e Bélgica: posse de bola inglesa em torno de 40%, linhas de marcação rígidas e transição rápida com Ashley Young.

Prováveis formações de França e Inglaterra

A suspensão de Rooney deixa o ataque sem dono. Aquele que melhor se adaptar às condições da partida tende a ganhar a posição. Contra a França, este é Welbeck. A defesa de Laurent Blanc atua bem adiantada, e a dupla formada por Rami e Mexès é muito lenta. Koscielny, do Arsenal, parecia ser uma alternativa interessante para minimizar a questão, mas Blanc prefere os zagueiros de Valencia e Milan. A agilidade de um ataque com Young no suporte a Welbeck pode ser a chave para uma improvável vitória inglesa.

Do meio para frente, em compensação, a França é ótima. Ainda que M’Vila seja provável desfalque para a estreia, Alou Diarra pode substituí-lo em alto nível. Para que o meio-campo francês não sobre, Young precisa incomodar Diarra, deixando Gerrard e Parker livres para o combate a Cabaye e Malouda. No ataque, Nasri à direita e Ribéry à esquerda devem centralizar para criar jogadas. O centroavante Benzema vem de ótima temporada no Real Madrid e exigirá muito de Terry e Lescott.

Os laterais franceses também terão papel decisivo. Os avanços de Debuchy devem obrigar Hodgson a escalar Milner no lado esquerdo do meio-campo. O duelo com Evra (Blanc também poderia optar por Clichy, que foi melhor no Manchester City), de temporada inconstante no Manchester United, é boa oportunidade para Walcott se libertar da má fase e oferecer à Inglaterra uma opção válida de ataque pela ponta direita.

Em Wembley, há quase dois anos, a França venceu um amistoso por 2 a 1, com gols de Benzema, Valbuena e Crouch. A Inglaterra estava bem desfalcada (Gibbs e Henderson foram titulares), e o trabalho de Blanc evoluiu demais de lá para cá. Hoje, a França é melhor e tende a passar pelo Grupo D com mais segurança. Ainda assim, a seleção inglesa tem armas para equilibrar o confronto.

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sexta-feira, 8 de junho de 2012 Euro 2012, Inglaterra | 20:35

Inglaterra na Euro: Defeitos

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Depois das virtudes, aí vão os defeitos da seleção inglesa:

Desfalques. Com algumas improvisações, é possível montar um time bem interessante apenas com jogadores lesionados: Ruddy; Walker, Cahill, Dawson, Smalling; Rodwell, Barry; Cleverley, Lampard, Wilshere; Bent. Ainda tem Ferdinand, excluído em benefício de Terry. Pelo menos Defoe, que perdeu o pai há dois dias, deve retornar à Polônia antes da estreia. As ausências afetam a equipe titular, mas especialmente as opções de banco, outro grave defeito da seleção inglesa.

Reservas limitados. A Inglaterra perde. Roy Hodgson coça a cabeça, olha para os reservas e se depara com Kelly, Henderson e Downing, três dos seis jogadores do Liverpool que ele convocou. Também pelos incontáveis desfalques, o banco inglês é frágil demais. Para que se tenha uma ideia, o melhor game changer (aquele jogador capaz de entrar e mudar a partida) do grupo tem 18 anos. Chamberlain é promissor, mas não deveria carregar tanta responsabilidade agora.

Terry agonizou contra a Alemanha há dois anos

Transição difícil. Enquanto a geração de Terry e Gerrard prepara sua despedida, aparece a de Phil Jones, Chamberlain e Welbeck. E entre elas, na faixa etária que deveria concentrar as referências da seleção, há quem? Não fosse por Rooney e Young, a Inglaterra não teria jogadores confiáveis de 26 a 30 anos. A seleção conta com figuras decadentes, jovens promissores e, com raras exceções, um buraco entre esses grupos.

Terry à direita. A ausência de Gary Cahill é bem relevante. Não apenas por critérios técnicos, mas também por uma peculiaridade da nova parceria, entre Terry e Lescott. Canhoto, o zagueiro do Manchester City tem de jogar à esquerda para se sentir confortável. O problema é que o capitão do Chelsea também se acostumou a atuar por ali. Com Lescott na equipe, ele é deslocado à direita, exatamente onde foi desastroso na derrota por 4 a 1 para a Alemanha em 2010 (Matthew Upson ficou à esquerda). Nesse ponto, a Inglaterra começa a Euro como terminou a Copa.

Falta de criatividade. A Inglaterra não seria criativa nem se estivesse completa, mas a lesão de Lampard agravou a deficiência. Sem ele, Gerrard perde liberdade de se aproximar da área, onde rende mais, porque precisa compor a segunda linha e articular jogadas a partir do próprio campo, o que passa longe de ser sua especialidade. Para piorar, os wingers estão em má fase e não oferecem um escape confiável pelos lados. Tudo isso reforça a dependência de Young, sobretudo durante a suspensão de Rooney.

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quinta-feira, 7 de junho de 2012 Euro 2012, Inglaterra | 20:34

Inglaterra na Euro: Virtudes

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Mesmo sem despertar entusiasmo e confiança, a seleção inglesa, que estreia na Euro 2012 contra a França na próxima segunda-feira, tem suas virtudes*. O blog as relaciona abaixo:

Consciência. Com Sven-Goran Eriksson e Fabio Capello, havia a impressão de que a Inglaterra não sabia o que fazer. Na era Steven McClaren, havia essa certeza. Roy Hodgson, ao menos, tem um plano e provou nos amistosos preparatórios que pode executá-lo. Esta seleção reconhece que não está entre as melhores, não pretende dominar as ações, fecha espaços e contra-ataca rapidamente. A Bélgica teve 59% de posse de bola no sábado, em Wembley? Sim, mas a Inglaterra venceu.

Expectativa muito baixa. Embora seja mais uma vantagem do que uma virtude, pode fazer efeito em campo. O cenário de ceticismo não vai transformar Carroll num atacante habilidoso ou imunizar Terry de atitudes grotescas, mas tende a deixar o grupo à vontade. De acordo com Jamie Carragher, a seleção jogou torneios “com medo”. É melhor não esperar nada. No mínimo, ninguém se decepciona.

Após uma série de peripécias de goleiros questionáveis, Hart impõe respeito

Seleção camaleônica. Apesar da escassez de boas peças de reposição, a Inglaterra pode se adequar a diversas situações. Por exemplo, são três tipos de centroavante: o ganhador de bolas no alto (Carroll), o que se desloca bem (Welbeck) e o finalizador puro (Defoe). Para bloquear laterais adversários, Milner se transforma em ótima opção. Phil Jones é defensor, mas atuará no meio-campo se Hodgson precisar de um volante extra para perseguir um meia adversário – contra a Espanha, há sete meses, ele travou Xavi.

Joe Hart. Em relação a outras grandes competições, é uma melhora inestimável. Depois de tanto agonizar com David James, Paul Robinson e Rob Green, a Inglaterra tem em Hart um goleiro confiável, vencedor em seu clube e de personalidade forte. Acima de Lloris, Pyatov e Isaksson, ele é o melhor da posição no Grupo D e um dos quatro mais respeitados da Euro, a ponto de desafiar Cech, Neuer e Casillas. Tudo isso aos 25 anos.

Ashley Young. Será o jogador-chave nas duas primeiras partidas, para as quais Rooney está suspenso. Ele não ganhou esse status porque joga no Manchester United, mas por conta do alto nível na seleção desde o ano passado. Em suas últimas dez aparições, marcou seis vezes. Os amistosos contra Noruega e Bélgica indicam que os gols ingleses passarão pelo número 11. Com liberdade para atuar entre o meio-campo e o centroavante, Young enfim recebe o selo de protagonista que merece e está pronto para fazer ótimo papel em seu primeiro grande torneio pela Inglaterra.

*Depois das virtudes, virão os defeitos.

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terça-feira, 29 de maio de 2012 Inglaterra | 16:49

Números e titulares

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Gerrard é o número 4 desde 2001; Lampard herdou o 8 de Paul Scholes

A Football Association divulgou hoje os números dos jogadores ingleses para a Euro 2012. As camisas de 1 a 11 estão reservadas a, nesta ordem, Joe Hart, Glen Johnson, Ashley Cole, Steven Gerrard, Gary Cahill, John Terry, Theo Walcott, Frank Lampard, Andy Carroll, Wayne Rooney e Ashley Young. Embora a numeração seja tratada como uma pista de quem será titular, Roy Hodgson jamais deve escalar essa combinação.

Isso porque é impossível prever uma equipe à Sven-Goran Eriksson, com Gerrard e Lampard no centro, dois jogadores abertos e outros dois atacantes. A nova Inglaterra espera o adversário, recusa-se a, para citar Mano Menezes, propor o jogo. Ao menos foi essa a impressão de sábado, na vitória por 1 a 0 sobre a Noruega (Rooney e a turma do Chelsea não jogaram), amistoso que marcou a estreia de Hodgson. Na ocasião, a posse de bola inglesa foi de apenas 44%.

Mesmo longe da melhor forma, Scott Parker, de número 17, certamente será titular. A figura do volante defensivo é indispensável a essa equipe, e as atuações de Parker pela Inglaterra são ótimas. Capitão, Gerrard não sai do time em condições normais. Lampard também é nome quase certo por conta do sucesso como volante, ao lado de Mikel, na trajetória do Chelsea até o topo da Europa. E ele sabe articular contra-ataques – Ramires que o diga.

Para deixar todo mundo confortável no mesmo meio-campo, a tendência é que Gerrard assuma um papel mais ofensivo em relação ao desempenhado contra a Noruega. Foi próximo ao ataque que o novo capitão atingiu o auge individual (temporada 2008-09, com o Liverpool) e, mais importante, teve as melhores atuações pela seleção. A limitação física imposta pelos 32 anos não deve permitir a Gerrard jogar aberto pela esquerda, como em certo momento da era Fabio Capello.

Assim, parece evidente que os jogos de Carroll como titular estão contados e atrelados à suspensão de Rooney, a menos que ele vá muito bem nas duas primeiras partidas da Euro. Ashley Young, que atuou com total liberdade contra a Noruega e foi decisivo outra vez, deve retornar ao lado esquerdo do meio-campo. Walcott normalmente apareceria à direita, mas a temporada irregular e as qualidades defensivas de Milner, que domina todas as posições do meio-campo, podem induzir Hodgson a escolher o reserva do Manchester City contra adversários agressivos pelas pontas.

Hodgson tem predileção pelo 4-4-2 e, há quatro anos, até gravou um vídeo para a UEFA em que enumera vantagens do sistema. Se Gerrard assumir função similar à que Young fez contra a Noruega, ele seguirá essa linha de pensamento, ainda que possamos chamar o esquema de 4-4-1-1, com o capitão na ligação entre o meio e o ataque. Quando Rooney estiver disponível, a escalação tende a ser parecida com esta: Hart; Johnson, Cahill, Terry, Cole; Milner (Walcott), Parker, Lampard, Young; Gerrard; Rooney. O amistoso contra a Bélgica, no sábado, será outra chance para observações.

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quarta-feira, 16 de maio de 2012 Aston Villa, Inglaterra, Liverpool | 12:49

Fator Downing

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Parece piada, mas Downing já ofuscou Ashley Young

A opinião pública diz que a lista da seleção inglesa para a Euro 2012 tem algumas controvérsias e um absurdo. As inclusões de John Terry e Andy Carroll chamam atenção, mas não tanto quanto a presença de Stewart Downing. Na Inglaterra e no Brasil, Roy Hodgson foi muito criticado pela convocação do winger do Liverpool, que, em 36 jogos na Premier League desta temporada, não marcou ou assistiu sequer um gol. Na FA Cup, dois gols e duas assistências em seis partidas.

A temporada de Downing foi uma decepção sem tamanho, pois ele chegou ao Liverpool com status de solução para uma carência evidente do elenco, a de jogadores insinuantes que pudessem atuar pelas laterais. Os £20 milhões investidos foram inegavelmente um exagero, mas o desempenho dele no Aston Villa até justificava a aposta. Em 2010-11, Downing foi eleito o melhor do time pelos torcedores, marcou sete gols e distribuiu oito assistências.

Na última edição da Premier League, já no Liverpool, acertou a trave cinco vezes e fez vários bons cruzamentos não aproveitados pelos atacantes. No entanto, azar não é argumento para quem, bem além dos números lamentáveis, simplesmente jogou mal. Portanto, convocá-lo agora é ignorar a temporada. Downing não é um jogador incapaz e até fez boas partidas pela seleção, mas se tornou viúvo do Aston Villa.

E o Aston Villa é viúvo de Downing
A temporada trágica do Villa, que quase o levou à segunda divisão, termina com uma boa notícia: a demissão de Alex McLeish. O time do escocês jogou um futebol que, de tão feio, deveria ter sido censurado pelo Ministério Público. É hora de o proprietário Randy Lerner contratar um técnico que faça a equipe trocar passes (Roberto Martínez?). A McLeish, deve sobrar um clube do tamanho dele.

Outro ponto é a contratação de jogadores mais comprometidos. Stephen Ireland, que chegou como contrapeso na transferência de Milner para o Manchester City, é um desinteressado de marca maior. Darren Bent foi ao Shopping Center durante um jogo do Villa. Charles N’Zogbia, grande esperança para a temporada, estava “mais interessado em carros do que em futebol” de acordo com McLeish.

Downing contribuiu para a demissão de Kenny Dalglish
O fraco desempenho do winger foi um dos fatores que determinaram uma temporada decepcionante para o Liverpool, apenas o oitavo colocado da Premier League com 52 pontos. A boa campanha nas copas não amenizou a insatisfação dos proprietários com o trabalho de Kenny Dalglish, demitido agora há pouco. A decisão deles é aceitável.

Para o blog, a lista ideal da seleção inglesa seria esta aqui.

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quinta-feira, 10 de maio de 2012 Inglaterra | 21:30

O quebra-cabeça de Hodgson

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A Football Association prometeu para a próxima quarta-feira, 16, a divulgação dos 23 convocados a defender a seleção inglesa na Euro 2012. Embora o time precise ser reorganizado às pressas, a base do grupo que vai a Polônia e Ucrânia é conhecida. A tendência é que Roy Hodgson, de mentalidade conservadora, recorra a soluções tradicionais. No entanto, há impasses que não podem ser ignorados:

Roy Hodgson, todo feliz ao lado dos três leões

Hart e quem mais? Se Hart é o melhor goleiro inglês há três anos, as outras duas vagas exigem mais do treinador. Ruddy, que fez ótima temporada pelo Norwich, e Green, apesar da falha na Copa de 2010, são opções razoáveis. Foster, titular de Hodgson no WBA, também pode reaparecer na seleção caso seja convencido. A presença do preparador Dave Watson, com quem trabalhou no Birmingham, deve ser determinante para que ele aceite voltar.

E a lateral direita? Glen Johnson, Kyle Walker, Micah Richards, Phil Jones… São várias opções, mas Johnson e Richards estão claramente acima dos outros. Jones seria interessante pela versatilidade.

Terry ou Ferdinand? O imbróglio envolvendo Terry e Anton Ferdinand, irmão mais novo de Rio, tirou a capitania do defensor do Chelsea e arranhou o relacionamento entre os zagueiros titulares desde a Euro 2004. A questão é: vale a pena levar os dois e arriscar o ambiente? Não parece, ainda mais com Terry em fase bem questionável e as boas atuações de Cahill, Lescott e Jagielka pela seleção.

Scholes? O retorno dele foi fundamental para a recuperação do Manchester United, mas Scholes está aposentado da seleção há quase oito anos. A meia central, ao contrário do que ocorre em Old Trafford, não é a principal carência. Hodgson pode tentar convencê-lo a voltar, porém não precisa. Além dos prováveis convocados, tem gente boa pedindo passagem, como Leon Britton, do Swansea, estatisticamente um dos melhores passadores do mundo.

Chamberlain? Convocar uma jovem estrela apenas por convocá-la é um equívoco. É só lembrar Walcott na Copa de 2006, quando a Inglaterra precisou substituir Owen, e Eriksson não confiou no então garoto de 17 anos. No entanto, com Chamberlain é diferente. Ele foi muito utilizado no Arsenal e pode ajudar. Mais do que Downing, por exemplo.

Carroll, Holt ou Crouch? Sem Rooney nas duas primeiras partidas, contra França e Suécia, Hodgson não deve perder a chance de chamar um centroavante de referência. Ainda mais ele, que adora lançamentos longos. Três das possibilidades são Carroll, Crouch e Holt, o gordinho artilheiro do Norwich. Pelo bom momento e pela capacidade de evoluir, Carroll merece a chance.

Sugestão para Hodgson:
Goleiros: Joe Hart (Man City), John Ruddy (Norwich) e Rob Green (West Ham);
Defensores: Glen Johnson (Liverpool), Micah Richards (Man City), Gary Cahill (Chelsea), Joleon Lescott (Man City), Phil Jagielka (Everton), Rio Ferdinand (Man Utd), Ashley Cole (Chelsea) e Leighton Baines (Everton);
Meio-campistas: Theo Walcott (Arsenal), Alex Chamberlain (Arsenal), Scott Parker (Tottenham), Steven Gerrard (Liverpool), Frank Lampard (Chelsea), Gareth Barry (Man City), Ashley Young (Man Utd) e James Milner (Man City);
Atacantes: Wayne Rooney (Man Utd), Andy Carroll (Liverpool), Danny Welbeck (Man Utd) e Jermain Defoe (Tottenham).

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terça-feira, 1 de maio de 2012 Inglaterra | 12:07

Fácil de entender, difícil de concordar

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Hodgson nos tempos de Suíça. Depois, fracassou na Inter.

A Football Association ignorou Harry Redknapp e anunciou Roy Hodgson como treinador da seleção inglesa. Hodgson, de 64 anos, chega ao ápice da carreira após um improvável retorno à Inglaterra, onde brilhou no Fulham, falhou no Liverpool e arrumou a casa no West Bromwich. A primeira reação à escolha geralmente é de revolta, de que a FA se rendeu à mediocridade. Pode até ser por aí, mas é preciso tentar entender por que “Woy” (ele não consegue pronunciar a letra R) foi chamado.

Apesar de o contrato ter duração de quatro anos (até a Euro 2016!), o cenário exige impacto imediato, pois a Euro 2012 bate à porta. O inesperado pedido de demissão de Fabio Capello desarticulou uma seleção que já tinha problemas sérios, como a ausência de Wilshere, que seria titular em condições normais, e a suspensão de Rooney, fora dos dois primeiros jogos. Hodgson deve remontar rapidamente um time que oscilou demais no ciclo 2010-12 e, para ser honesto, tem menos opções do que há alguns anos.

No WBA, de certa maneira, ele provou ser capaz de dar respostas rápidas. Quando assumiu o clube, em fevereiro do ano passado, o experiente treinador se viu em situação difícil. Embora o trabalho anterior, de Roberto Di Matteo, tenha sido bom, a equipe havia perdido sete de nove partidas e caminhava para o rebaixamento. Houve críticas severas à demissão do italiano e à opção por Hodgson, que fracassara no Liverpool, mas ele administrou muito bem o grupo e soube reconduzi-lo a uma campanha confortável. Nos seis primeiros jogos, não perdeu. Foi com ele que os Baggies finalmente se estabilizaram na Premier League.

Em relação a Harry Redknapp, Hodgson ainda tem a vantagem da experiência em seleções nacionais, com passagens satisfatórias por Suíça e Finlândia. Na Copa de 94, por exemplo, os suíços foram às oitavas de final sob o comando dele. Pelo ambiente continental de disputa, o excelente segundo lugar do Fulham na Liga Europa há duas temporadas também não deve ser descartado. A tudo isso, soma-se o salário menos pomposo do que seria o de Redknapp e, principalmente, do que era o de Capello.

No entanto, entender a escolha não significa concordar com ela. O primeiro ponto questionável é o tempo de contrato. Sério, FA? Quatro anos? Uma campanha vexatória na Euro, justamente o que se pretende evitar com o convite a Hodgson, motivaria uma pressão imediata pela troca no comando. Para piorar, a passagem de seis meses pelo Liverpool indica que ele não lida bem com alta ambição, estrelas insatisfeitas e rejeição: “jamais fui querido em Anfield”, disse, sob a sombra de Kenny Dalglish.

Outra questão é a excessiva simplicidade do jogo. De Hodgson, adepto do 4-4-2, não devemos esperar mais do que sutis variações. A predileção por bolas longas também não agrada à maioria e, mesmo na comparação com Fabio Capello, aponta um retrocesso. Enfim, Hodgson não é um completo despreparado, e a urgência pode justificar a decisão da FA. Mas não era o melhor nome, longe disso.

City 1 x 0 United
O Manchester City mereceu a vitória e justificou a liderança. Enquanto Roberto Mancini ousou e manteve o padrão das últimas rodadas, Alex Ferguson recorreu à velha guarda e foi excessivamente conservador. A ausência de Valencia e a presença de Park no time titular foram particularmente contestáveis. O campeonato ainda não é do City, mas uma vitória sobre o Newcastle define. O QPR não deve oferecer resistência no jogo final, e o United não parece pronto para tirar oito gols de saldo.

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quarta-feira, 5 de outubro de 2011 Treinadores | 12:23

Sob ameaça

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O Forest teve 112 dias de Steve McClaren. Até que eles foram pacientes

Até na Inglaterra, dirigente de futebol adora pagar de Roberto Justus. A questão é que o uso indiscriminado do “você está demitido” costuma golpear as finanças. A Associação dos Treinadores de Liga (LMA na sigla em inglês) revelou à BBC que, só na temporada passada, os clubes ingleses das quatro primeiras divisões gastaram £99 milhões (cerca de R$290 milhões) em demissões de técnicos.

Se alguns integram um rol de treinadores que sempre conseguem boas posições (isso é bem evidente no Brasil), outros demoram a voltar à cena. Na Inglaterra, o período médio entre a dispensa e o novo emprego é de um ano e oito meses. Mas também existem aqueles que nem sequer retornam. De acordo com a LMA, “quase metade” dos técnicos de primeira viagem não retoma a carreira após a demissão.

Considerando apenas a Premier League, foram dispensados, antes do fim da temporada passada, Chris Hughton (Newcastle), Sam Allardyce (Blackburn), Roy Hodgson (Liverpool), Roberto Di Matteo (West Bromwich) e Avram Grant (West Ham). Por costume, outubro é o mês em que treinadores começam a perder seus empregos, geralmente porque os clubes ainda acreditam na salvação de um ano que começou mal.

É assim que funciona. Steve McClaren já deixou o Nottingham Forest, da segunda divisão, após 112 dias de (péssimo) trabalho. A temporada ainda é uma criança, mas pelo menos três técnicos da elite já balançam. Do mais para o menos ameaçado, veja quem são os “prestigiados” do futebol inglês:

*Com seis pontos em sete jogos e ficha suja de duas temporadas fracas, Steve Bruce não deve durar muito no Sunderland. Niall Quinn, que o segurava no cargo, saiu da presidência. O próprio treinador admitiu trabalhar com “o melhor elenco” desde que chegou ao clube, cobrindo-se de mais pressão – como se precisasse. Os resultados pobres poderiam ser atribuídos às várias mudanças no grupo, mas ele não tem tempo para conduzir um processo de amadurecimento da equipe. As vitórias são para já.

*Era tão previsível… Sem muitas contratações relevantes (a única foi a do zagueiro Scott Dann), os cartolas indianos do Blackburn não deveriam ter o direito de contestar Steve Kean. Mas, para quem demitiu um Sam Allardyce querido pelos jogadores e de boa campanha na temporada passada, quatro pontos em sete rodadas são nada convincentes. O auxiliar John Jensen já rodou.

*Ex-atacante do Bolton e aclamado por fazer um time rústico trocar passes (há controvérsia), Owen Coyle está mal em 2011-12. Não se trata apenas das seis derrotas em sete jogos, cinco para equipes de ponta, mas da facilidade com que seu Bolton concede gols. Meio-campo e laterais frágeis e lesões de jogadores-chave colocam em xeque sua posição. De qualquer forma, ele é competente e ainda tem algum crédito. Só precisa rever um par de conceitos antes que seja tarde.

Pode até haver outros ameaçados, como Roy Hodgson (West Brom), Roberto Martínez (Wigan) e Arsène Wenger (Arsenal). No entanto, o incrível trabalho dos dois primeiros na temporada passada e a história do último devem segurá-los por enquanto. A menos que um desses clubes sinta a necessidade de uma “mudança de impacto”, às vezes cruel, como a que tirou Roberto Di Matteo do West Brom em fevereiro. Façam suas apostas.

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