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sexta-feira, 16 de agosto de 2013 Everton, Norwich, Southampton, Tottenham | 09:49

Eu quero ver

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Na véspera da abertura da Premier League, o blog retorna para tratar dos times que mais despertam curiosidade antes da temporada:

Norwich. Após evitar o rebaixamento na primeira temporada sem Paul Lambert, o Norwich de Chris Hughton pode ir mais longe em 2013-14 por conta dos bons investimentos. Chegaram a Carrow Road cinco potenciais titulares: Martin Olsson, lateral-esquerdo ofensivo para disputar posição com Garrido; Leroy Fer, bom meia central do Twente; Nathan Redmond, winger da seleção sub-21 que evoluiu bastante na última temporada; uma nova dupla de ataque: Gary Hooper e Ricky van Wolfswinkel.

As contratações e o perfil de Chris Hughton indicam o 4-4-2. Os Canaries, que dependiam da truculência de Grant Holt para marcar gols, desta vez podem confiar em dois atacantes que se completam. Talvez você já tenha assistido a este vídeo, em que um garoto relata seu drama como torcedor do Sporting. Entre tantos outros pontos, ele questiona o 4-3-3 adotado pelos portugueses, afirmando que “o Wolfswinkel, lá sozinho, não mete medo a ninguém”. Agora ao lado de Hooper, de ótimos números no Celtic, o bom holandês ficará mais confortável em campo. Também vale prestar atenção a Robert Snodgrass, que deve produzir mais em melhores companhias.

Everton. As alterações no elenco não são tão significativas – foram contratados dois jogadores do Wigan e Gerard Deulofeu por empréstimo, enquanto ninguém saiu –, mas o estilo deve mudar drasticamente. Se David Moyes era um técnico flexível, que se reinventava diante de cada adversário, Roberto Martínez é convicto e ataca todo mundo. O espanhol ensaia reproduzir no Everton o 3-4-3 criado no Wigan, sistema que, por sua ótima execução, foi diretamente responsável por um milagre em 2011-12 e um título da FA Cup em 2012-13, ainda que não tenha evitado o rebaixamento.

Até que ponto Martínez vai arriscar?

O Everton precisa de ajustes para não se perder em meio às modificações, mas até tem recursos para se adaptar. Os alas Coleman e Baines podem desfrutar mais liberdade, Fellaini se adequa perfeitamente a uma função mais defensiva que a da temporada passada, e os pontas – provavelmente Mirallas e Deulofeu – prometem aterrorizar laterais. O problema é a ausência de zagueiros (além de Jagielka) e atacantes centrais confiáveis, com Jelavic inconstante desde 2012-13 e Koné precisando provar que não é meramente um amigo de Bob Martínez, com quem trabalhou no Wigan.

Southampton. Por ora, o mercado trouxe dois novos titulares para fazer enorme diferença: Dejan Lovren, croata do Lyon que deve ser absoluto numa defesa que não transmitia confiança, e Victor Wanyama, queniano que era um monstro no meio-campo do Celtic. O time criado por Nigel Adkins e herdado por Mauricio Pochettino não tem pontos fracos aparentes para quem pretende fazer campanha tranquila. Coletivamente, é moderno, sobe a marcação e deve fazer várias vítimas no St. Mary’s, onde impôs derrotas por 3 a 1 a Liverpool e Manchester City na parte final da última temporada.

Individualmente, destaque para os ótimos laterais jovens – Nath Clyne e Luke Shaw –, meio-campistas completos em Wanyama, Jack Cork e Morgan Schneiderlin (o uruguaio Gaston Ramírez é talentoso, mas pode perder a posição se for tão inconsistente quanto em 12-13) e opções de ataque bem interessantes. Adam Lallana e Rickie Lambert são fundamentais desde a época da terceira divisão e provaram capacidade na Premier League. Jay Rodriguez, pelo desempenho nas últimas rodadas da temporada, também promete para 13-14.

Tottenham. As cartadas do Tottenham no mercado sugerem que André Villas-Boas vai implantar seu esquema predileto, o 4-3-3. No meio-campo, Etienne Capoue disputa posição com Sandro para fazer a proteção à defesa, com Paulinho e Moussa Dembele responsáveis pela transição ao ataque. O meio-campo está bem definido, mas falta um jogador como era João Moutinho no Porto de AVB. Paulinho e Dembele são excelentes, porém muito parecidos, pela intensidade e a capacidade de carregar a bola, exatamente como o colombiano Fredy Guarín no primeiro grande time de Villas-Boas.

A contratação de Roberto Soldado garante aos Spurs o goleador que Emmanuel Adebayor não foi na temporada passada. O belga Nacer Chadli, ex-Twente, também é aposta interessante para fazer o lado esquerdo do ataque, com Aaron Lennon tentando se manter à direita. Hoje, é difícil imaginar onde entraria Lewis Holtby, que ficou bem abaixo do esperado em seu primeiro semestre em Londres. E ainda há certo Gareth Bale no elenco. Está claro que AVB projeta o time sem ele – e parece gastar à vontade, pensando na venda ao Real Madrid –, mas não seria absurda a permanência do galês insatisfeito, ao lado de um elenco menos dependente de seus gols improváveis.

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segunda-feira, 18 de março de 2013 Debates | 20:27

O mito da tabela fácil

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“A tabela do (insira clube aqui) é fácil”. No quarto final da temporada, quando os objetivos das equipes já estão bem definidos, são comuns as projeções baseadas nos adversários até a última rodada. Entretanto, a Premier League costuma desmentir essas previsões quando elas consideram apenas a posição que o time ocupa. O Wigan de 2011-12 escapou do rebaixamento porque venceu sete das últimas nove partidas e frustrou, por exemplo, o Manchester United na luta pelo título.

A oito rodadas do fim do campeonato, está de volta a armadilha da “tabela fácil”. O Wigan de Roberto Martínez, embora seja o 18º colocado, é novamente um dos adversários mais traiçoeiros neste período da temporada. A estrutura do time é muito semelhante à que chocou a Inglaterra no ano passado, no 3-4-3. A maior diferença certamente é a presença de Arouna Koné em vez de Victor Moses. A equipe perdeu velocidade e disciplina tática no lado direito, mas ganhou poder de finalização. Koné marcou o gol da fundamental vitória de ontem sobre o Newcastle e traduziu o espírito destemido dos Latics: “eu não tinha chuteiras até os 12 anos, então não me preocupo com rebaixamento”.

Outro adversário perigoso nas rodadas finais é o 16º colocado Southampton, que derrotou o Liverpool por 3 a 1 no sábado. Foi incontestável o domínio dos Saints contra um dos melhores times de 2013 na Premier League. É preciso reconhecer que Mauricio Pochettino não quis inventar a roda e faz trabalho correto, mas o Southampton já jogava com essa intensidade nas últimas semanas de Nigel Adkins no clube. O 4-2-3-1, com Rodriguez, Ramírez e Lallana no suporte a Lambert, tem sido capaz de pressionar e obter ótimos resultados contra equipes poderosas. A também categórica vitória por 3 a 1 sobre o Manchester City, há pouco mais de um mês, é outro exemplo de atuação dominante.

Berbatov tem a aparência e a autoconfiança de Sheldon Cooper, de "The Big Bang Theory"

Na chamada “tabela de forma” da Premier League, para a qual contam os seis resultados mais recentes, o Fulham está na quarta posição. Apático em outros momentos da temporada, o time de Martin Jol enfim compensa as perdas no meio-campo (Murphy, Dembele e Dempsey, que também jogava avançado) com solidez defensiva e precisão no ataque. O desempenho na vitória por 1 a 0 sobre o Tottenham no norte de Londres resumiu o Fulham de 2013: parou Bale e matou o jogo com Berbatov, que marcou em três partidas consecutivas e ajudou a levar os Cottagers à décima posição.

Ao contrário do que sugere a tabela, o adversário mais simples que alguém pode enfrentar não é o Queens Park Rangers, ainda na lanterna da liga. Tem sido bem pior o nível apresentado pelo Sunderland, provavelmente a grande decepção do ano por conta da alta expectativa sobre a primeira temporada completa de Martin O’Neill no clube. A formação com Adam Johnson, Sessegnon, Graham e Fletcher é incrivelmente travada – contra o Norwich, foram 60 minutos com um jogador a mais para marcar apenas um gol, de pênalti, e não sair do empate em casa. Com quatro derrotas e dois empates nas últimas seis rodadas, o Sunderland está em 15º, mas é o pior time da liga exatamente agora.

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terça-feira, 22 de janeiro de 2013 Southampton | 11:17

O certo pelo duvidoso

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O Southampton subiu da 22ª posição da terceira divisão à 15ª da Premier League em dois anos e quatro meses. A incrível ascensão de 51 degraus na pirâmide do futebol inglês foi impulsionada pela gestão do banqueiro italiano Nicola Cortese (com o suporte financeiro da família do suíço Markus Liebherr), que tirou o clube das ruínas, mas é facilmente associada a outro nome: Nigel Adkins. O treinador de 47 anos fez trabalho brilhante no St. Mary’s, do primeiro ao último dia.

Adkins entrega a Pochettino um Southampton confiante e em boa fase

Brilhante porque criou rapidamente um grupo competitivo para a terceira divisão, soube reinvestir o dinheiro da venda de Oxlade-Chamberlain ao Arsenal, retornou à elite na primeira tentativa e aprendeu a jogar a Premier League antes que fosse tarde demais. O time inseguro e vulnerável das rodadas iniciais desapareceu. Os Saints são bem mais sólidos desde novembro, saíram da zona de rebaixamento e não perdem há seis partidas. Mas a última delas, ontem, não teve Adkins à beira do campo.

Quem procurou o antigo treinador, demitido por Cortese sem qualquer explicação, encontrou Mauricio Pochettino durante o empate por 0 a 0 com o Everton em casa. Dispensado pelo Espanyol em novembro de 2012, o técnico argentino, de 40 anos e inglês macarrônico, assumiu a cadeira de Adkins.

A lógica de Cortese é indecifrável. O time estava evoluindo e conquistando pontos improváveis, como o do empate por 2 a 2 com o Chelsea em Londres. De repente, a diretoria demitiu o treinador, competente, personagem importante na história do clube e idolatrado por torcedores e jogadores. O substituto, que fazia péssima temporada no Espanyol até novembro, não domina o idioma. Tudo isso no meio da campanha, quando a única tarefa do Southampton para evitar o rebaixamento era manter o nível apresentado nas últimas rodadas, sem precisar de ruptura para “causar impacto” ou qualquer clichê equivalente.

O estádio cantou o nome de Adkins na primeira partida pós-demissão, mas evitou hostilizar Pochettino. A classe dos torcedores é uma bênção para o argentino, pois a reação à saída involuntária de uma lenda do clube, com a contratação imediata de um substituto, poderia ter sido destrutiva. Classe que o próprio Adkins havia demonstrado quando deixou a seus jogadores uma mensagem singela e emocionante. “Continuem sorrindo, tenham a convicção de que estão fazendo a coisa certa e sempre tentem melhorar”, escreveu num bloquinho.

Ninguém entenderá Cortese, mas a impressão é de que existe uma tentativa de reduzir a influência britânica sobre o clube. Ainda em agosto, a surpreendente contratação do uruguaio Gastón Ramírez, que era especulado em vários grandes clubes ingleses e italianos, foi um sinal de que a gestão adotaria um perfil heterodoxo. A chegada de Pochettino, que em algum momento foi considerado um dos nomes promissores da escola espanhola, é outro passo nessa direção.

É válido fugir do óbvio. Quando mergulhou na política de contratar apenas britânicos, o Liverpool foi vítima do mercado interno inflacionado, gastou muito dinheiro e construiu um time incapaz de superar defesas fechadas. Criatividade faz bem, mas especialmente quando acompanhada de bom senso, para manter o que dá certo ou, no mínimo, esperar o fim da temporada para fazer mudanças drásticas e impopulares.

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segunda-feira, 10 de dezembro de 2012 Premier League | 12:53

Conclusões da rodada (XVI)

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Consulte os resultados da 16ª rodada da Premier League (Fulham e Newcastle se enfrentam hoje). O blog repercute alguns pontos:

"He scores when he wants"

Eficiência do ataque torna o United favorito ao título. O Manchester United teve atuação à Fluminense para superar o City no Etihad. Suportou a pressão, explorou a velocidade pelos flancos e foi clínico nos contra-ataques. Joe Hart, que sofreu três gols, não fez sequer uma defesa. Se Rooney e van Persie mantiverem esse nível, o United não precisa dominar os adversários – não os ingleses, ao menos – para vencê-los. O ataque compensa a fragilidade da defesa (que se comportou bem melhor ontem) e, mesmo quando o meio-campo não controla os jogos, decide por conta própria. Quem não se lembra da sonolenta vitória sobre o Braga por 3 a 1, em Portugal, pela Champions League? Quando finalmente acelerou o ritmo, o United marcou três gols (Rooney, van Persie e Hernández) nos dez minutos finais.

Phil Neville pode perder espaço no Everton. A lesão de Phil Neville, ainda sem data definida para o retorno, abriu caminho entre os titulares do Everton para Darron Gibson, que também estava no departamento médico até três semanas atrás. O ex-meia do Manchester United foi excelente na vitória por 2 a 1 sobre o Tottenham. David Moyes não deve dispensar a visão de jogo de Gibson e a eficaz parceria entre ele e Osman. Mesmo com a chancela da faixa de capitão, Neville pode perder a posição no meio-campo e precisar disputar a lateral direita com Coleman, que também vive boa fase. Quando tem Coleman, Baines, Mirallas, Osman, Gibson, Pienaar, Fellaini e Jelavic reunidos, o Everton é implacável em Goodison Park. Foram 20 finalizações do agora quarto colocado contra o Tottenham.

Shelvey é um bom “falso 9”. Um dos destaques da vitória do Liverpool sobre o West Ham foi Jonjo Shelvey, sacrificado como centroavante na ausência de Luis Suárez. Ele não marcou, mas incomodou demais a defesa do West Ham e participou dos dois gols que viraram o jogo para os Reds. Na bela jogada que gerou o gol de Joe Cole, por exemplo, juntou-se ao meio-campo para tabelar com Sterling. Ele faz muito bem esse movimento de saída da área, que costuma confundir a marcação, atrair um zagueiro adversário e abrir espaço para a infiltração de um meio-campista. Já havia mostrado essa virtude contra o Young Boys, pela Liga Europa, quando exerceu a mesma função. Além disso, tem ótima presença física e não se intimida diante de zagueiros como James Collins, que, atrapalhado por Shelvey, marcou o gol contra que decidiu a partida.

Benítez não é um caso perdido no Chelsea. Está certo que foi contra um Sunderland à deriva, mas a atuação do Chelsea no sábado deu os primeiros sinais de que Rafa Benítez pode sobreviver nesta temporada. Com uma transição mais rápida da defesa ao ataque (e isso explica a presença de Moses entre os titulares) e pontas mais retraídos, para acompanhar os laterais adversários, o Chelsea começa a parecer um time montado pelo espanhol. Até Fernando Torres funcionou. O atacante que não marcava na Premier League havia mais de 12 horas agora tem quatro gols nos últimos dois jogos por todas as competições.

O Southampton tem uma defesa. Derrubando drasticamente a média de gols sofridos, o Norwich escalou a tabela até a 12ª posição. O Southampton tenta fazer o mesmo. A vitória por 1 a 0 sobre o Reading foi a terceira em cinco partidas. A defesa de Nigel Adkins era uma tragédia nas dez primeiras rodadas, nas quais levou 28 gols. Nas últimas seis, porém, foram apenas quatro gols sofridos. Além dos ajustes coletivos, Adkins trocou o goleiro (o jovem argentino Paulo Gazzaniga* roubou a posição de Kelvin Davis), promoveu o promissor Luke Shaw, de 17 anos, a titular da lateral esquerda e deu sequência a Jack Cork, que estabilizou o meio-campo dos Saints.

*Gazzaniga não atuou na vitória sobre o Reading por conta de uma lesão no ombro.

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sexta-feira, 16 de novembro de 2012 QPR, Southampton | 10:53

Quem fica em pé?

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O site de apostas Sky Bet retrata precisamente a situação delicada de Mark Hughes e Nigel Adkins, comandantes de Queens Park Rangers e Southampton, 20º e 19º colocados da Premier League. Se você acertar que Mark Hughes será o próximo treinador a perder o cargo na primeira divisão inglesa, o Sky Bet lhe paga apenas £2 para cada libra apostada. No caso de Adkins, o retorno é de £2,75. Por ironia do destino, QPR e Southampton se encontram amanhã em Londres, na partida que pode determinar a primeira demissão de um técnico na temporada.

Possíveis formações de QPR e Southampton

A ameaça a Hughes parece mesmo maior. O QPR tinha expectativas superiores à mera permanência na Premier League, está abaixo até do Southampton na tabela, não venceu nenhum e perdeu sete de seus 11 jogos. O discurso do proprietário Tony Fernandes tem sido de apoio irrestrito ao técnico, mas, logo após a derrota do último sábado para o Stoke, ele deixou clara a obrigatoriedade de uma vitória sobre o Southampton. “Precisamos minimizar erros. Um erro determinou a derrota. Temos de aproveitar nossas chances (…) e vencer a próxima partida (…)”, afirmou via Twitter.

Fernandes é bastante elogiado pela postura racional com que dirige o clube. No entanto, o empreendedor malaio pode cruzar uma linha perigosa e bem estreita, que separa a paciência da inércia. Na temporada passada, por exemplo, os indianos do Blackburn foram passivos demais na condução da crise com o técnico Steve Kean, que definhava no comando do time, era sempre vaiado pelos torcedores e sobrevivia porque a diretoria aderiu à filosofia de Zeca Pagodinho. Até pelo exemplo negativo do Blackburn, que obviamente acabou rebaixado e viu Kean pedir demissão nas primeiras rodadas da segunda divisão, é possível que Fernandes não perdoe um empate em casa contra o Southampton.

Em relação a Adkins, Hughes perde ainda em outro aspecto: ele não tem qualquer relação com o progresso do QPR nos últimos anos. Sparky substituiu Neil Warnock na temporada passada para evitar o rebaixamento, meta atingida, mesmo depois de um produtivo mercado de inverno, com muito sacrifício. Adkins, por sua vez, faz parte de um grupo de treinadores que redimensionaram seus clubes (aí temos, entre outros, Paul Lambert no Norwich e Brendan Rodgers no Swansea). Ele teve o suporte de uma ótima administração, que realmente investiu no clube, mas foi fundamental para os dois acessos consecutivos e o retorno à Premier League após sete anos.

O Southampton não é uma equipe mal treinada, especialmente do ponto de vista ofensivo. Há quase dois meses, derrotou o Aston Villa por 4 a 1 com uma excelente atuação no segundo tempo. Falta competitividade pela ausência de defensores sólidos (culpa também de Adkins, que concentrou £20 milhões do orçamento para transferências em Ramírez e Rodriguez e contratou mal para a defesa). Na rodada passada, por exemplo, o zagueiro japonês Maya Yoshida simplesmente entregou a bola a Nathan Dyer, do Swansea, que empatou um jogo que o Southampton deveria ter vencido. Os Saints sofreram, em 11 rodadas, incríveis 29 gols, pelo menos nove a mais do que qualquer outra equipe.

Apesar da defesa frágil, uma eventual decisão de dispensar Adkins precisa ser muito bem analisada, especialmente porque não há uma verdade absoluta sobre os efeitos da demissão de um técnico ligado ao progresso recente do clube. O West Bromwich se beneficiou da troca de Roberto Di Matteo por Roy Hodgson, em 2011. Mas o Hull City cavou a própria cova quando, há dois anos, mandou embora Phil Brown, responsável pelo primeiro acesso à Premier League da história do clube.

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segunda-feira, 24 de setembro de 2012 Premier League | 09:36

Conclusões da rodada (V)

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Rótulos. Na Inglaterra, manchetes relativas ao Liverpool costumam falar em poor start e relegation zone. Sim, é verdade que os números são constrangedores e deixam o clube na zona de rebaixamento. Mas a situação é ainda administrável para quem pretende, bem além de atingir determinada posição na tabela, reconstruir-se. Na derrota de ontem para o Manchester United, assim como nos empates com Manchester City e Sunderland, a equipe deu vários sinais de que (embora vá sofrer nesta temporada) está no caminho certo para o longo prazo.

A introdução de garotos como Sterling e Suso é precoce e decorrente do elenco curto, que ainda tem deficiências sérias por conta de um mercado de verão “incompleto”, mas eles têm justificado cada voto de confiança. Na temporada passada, o Liverpool não era nada. Hoje, ao menos, é o time do futuro. Torcedores e diretores precisam ser racionais para não julgar Brendan Rodgers antes da hora. Por enquanto, o trabalho é “ruim” somente para quem prefere repercutir os números a analisar os jogos.

Atenção! Ben Arfa vai criar uma jogada

Arsenal. A ótima atuação no empate fora de casa contra o Manchester City resume perfeitamente o que tem sido a temporada do Arsenal, que aproveitou a saída de van Persie, de quem dependia demais, para se fortalecer coletivamente. A defesa evoluiu com a chegada do assistente Steve Bould, ex-zagueiro do clube, e sofreu apenas dois gols em cinco partidas na liga. Diaby e Cazorla oferecem, respectivamente, força e criatividade a um meio-campo que ainda deve ganhar Wilshere em breve. Jogadores antes inseguros (sobretudo Jenkinson, Gibbs e Gervinho) também subiram seu nível. Quando (se) Giroud engrenar, o Arsenal pode sair da pasmaceira das últimas temporadas.

Ben Arfa. Foi cinematográfica a assistência de Ben Arfa a Demba Ba, no único gol da vitória do Newcastle sobre o Norwich. Com visão e habilidade notáveis, o francês está no mesmo nível dos playmakers dos candidatos ao título. Quando o talento domou o temperamento, na temporada passada, Ben Arfa tornou-se titular absoluto do Newcastle e, desde então, sempre ofereceu gols e assistências, alguns espetaculares.

Everton. Após cinco rodadas, mesmo não sendo o líder, é o time que melhor jogou no campeonato. Não é teoricamente candidato ao título porque devem faltar consistência e opções de elenco em algum ponto da temporada, mas o que comentamos aqui há seis dias confirmou-se no sábado, com a vitória por 3 a 0 sobre o Swansea, fora de casa.

Southampton. A goleada por 4 a 1 sobre o Aston Villa, primeira vitória dos Saints no campeonato, mostrou todo o potencial de ataque do time de Nigel Adkins. As quatro derrotas iniciais não traduziram fielmente o nível da equipe; apenas expuseram os problemas defensivos, graves. O Southampton tem vocação muito ofensiva, com laterais (Clyne, que marcou gol, e Fox) e volantes (Schneiderlin e Davis) que apoiam melhor do que marcam. Enquanto Ramírez e Lambert criam e aproveitam oportunidades, a defesa exposta oferece chances aos adversários. Quer ver gols? Assista a jogos do Southampton.

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quarta-feira, 12 de setembro de 2012 Southampton | 14:55

A aposta em Ramírez

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Ramírez e Southampton: grande risco para ambos

Reforço do Southampton, o meio-campista uruguaio Gastón Ramírez foi a contratação mais curiosa do mercado inglês de verão. Após duas temporadas pelo Bologna, Ramírez atraiu o interesse de boa parte da Europa, inclusive de grandes clubes italianos que tentaram mantê-lo na Serie A. Particularmente na Inglaterra, o uruguaio de 21 anos foi especulado com mais ênfase em Liverpool e Manchester City. Ainda assim, fechou por quatro anos com um candidato ao rebaixamento, o que, entre tantos outros aspectos, pode ser interpretado como uma demonstração de força da Premier League.

A transferência de Ramírez ao St Mary’s foi inegavelmente positiva para a liga, mas até que ponto jogador e clube saem ganhando? O Southampton pagou £12 milhões para contar com o trequartista, um investimento que põe pressão sobre o reforço. Claramente, o clube recém-promovido vê o uruguaio como uma espécie de “vantagem” em relação a outros candidatos à queda, alguém que justificasse um sacrifício financeiro. Apesar da ótima experiência na Itália, Ramírez pode não estar pronto para tanto.

Na seleção uruguaia, ele ainda não se consolidou, mesmo que tenha características únicas. Entre os volantes fundamentalmente marcadores (Pérez, Arévalo, Gargano) e os atacantes (Forlán, Suárez, Cavani), Ramírez é um contraste interessante, para oferecer criatividade, encontrar espaços. Ontem, contra o Equador pelas Eliminatórias para a Copa, até foi titular, mas não jogou bem. Mesmo no fracasso olímpico do Uruguai, viveu de lampejos, em velocidade mais lenta do que as partidas exigiam.

Justamente a dinâmica de Ramírez é a maior preocupação, considerando que não são raros os exemplos de jogadores que sofrem na adaptação ao frenético ritmo da Premier League. Sobretudo o uruguaio, que oscilou até num torneio sub-23, gera certa desconfiança, pois não deve haver paciência para uma temporada de transição, à qual ele teria direito em outros clubes. Nos Saints, Ramírez tem de ser imediatamente protagonista, talvez já em sua estreia, sábado, contra o Arsenal no Emirates.

Possível Southampton em 2012-13

Apesar de ter feito boas partidas, o Southampton perdeu todos os três jogos na liga e não pode esperar. De qualquer maneira, não é pertinente duvidar do talento, abundante no pé esquerdo de Ramírez, ótimo cobrador de faltas (marcou um gol assim nos Jogos de Londres, contra os Emirados Árabes) e autor de oito gols na Serie A em 2011-12.

O desafio do técnico Nigel Adkins é montar um time ofensivo e eficiente, que utilize bem os principais reforços (além de Ramírez, Jay Rodriguez) e as antigas referências (Lallana e Lambert). Guardadas as devidas proporções, a esperança é de que Adkins ofereça ao artilheiro Rickie Lambert condições semelhantes às que o Chelsea dá a Fernando Torres nesta temporada, para que ele renda mais. Torres conta com a preciosa ajuda dos meias Hazard, Mata e Ramires. Lambert, que tem sido um finalizador mais preciso do que o espanhol, pode ter Lallana, Rodriguez e o Ramírez uruguaio.

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sexta-feira, 10 de agosto de 2012 Norwich, Reading, Southampton, Wigan | 15:40

Guia da temporada (parte 1)

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Roberto Martínez: pronto para mais um milagre?

Faltam apenas oito dias para o início da Premier League 2012-13, razão pela qual a coluna publica a primeira parte do guia da temporada. As previsões não são científicas, mas baseadas em impressões. Começamos com Norwich, Wigan, Reading e Southampton:

Norwich. Chris Hughton, novo treinador dos Canaries, pretende provar que o clube pode sobreviver sem Paul Lambert, responsável por tirar o Norwich da terceira divisão e levá-lo até a 12ª posição da primeira. Lambert montou quase todo o elenco e conhece profundamente suas limitações e virtudes. Hughton tem o compromisso de alterar o mínimo possível em relação à temporada passada, manter o artilheiro Holt satisfeito e fazer o time evoluir gradativamente. Seu principal reforço é Snodgrass, ex-meia do Leeds United. Snod, que era ídolo em Elland Road, pode aproveitar o entrosamento de longa data com Howson, seu companheiro durante quase quatro anos em Leeds. Previsão para a temporada: 20º.

Wigan. Os Latics assombraram a Inglaterra com uma sequência de ótimos resultados e atuações na reta final da temporada passada, porém o cenário não é exatamente animador. O Wigan ainda não perdeu titulares no mercado, mas Diamé e Rodallega, contratados por West Ham e Fulham, eram nomes relevantes no grupo. Moses, jogador mais valioso do elenco, também pode sair. A boa notícia é a permanência de Roberto Martínez, que flertava com Liverpool e Tottenham há algumas semanas. No entanto, a quarta temporada do técnico espanhol no DW Stadium deve ser a mais difícil. Embora não seja prudente apostar contra o Wigan, a equipe terá de trabalhar muito para não sucumbir à maior competitividade de 2012-13. Previsão para a temporada: 19º.

Reading. O campeão da segunda divisão adotou um modelo sagaz de contratações, gastando pouco nas transferências e muito nos salários. Guthrie e Pogrebnyak são os principais reforços, mas é preciso destacar também o fortalecimento da defesa. Shorey (que retorna ao Reading), Mariappa e Gunter (nomes confiáveis na Championship que merecem a chance na Premier League) oferecem segurança e profundidade. De qualquer maneira, para escapar do rebaixamento, o Reading depende demais da consistência do trabalho de Brian McDermott, que soube administrar o elenco mesmo nos momentos em que o clube arrecadava bem mais em vendas do que investia em compras. O time, porém, tem enfrentado muitos problemas nos amistosos. Previsão para a temporada: 18º.

Southampton. O desempenho dos Saints beirou a perfeição no último biênio, com dois acessos diretos consecutivos. A administração segura do proprietário Nicola Cortese e o trabalho irretocável do técnico Nigel Adkins dão confiança para enfrentar a Premier League, assim como fez o Norwich na temporada passada. A grande expectativa fica em torno do desempenho de nomes como Adam Lallana, Rickie Lambert e o brasileiro Guly do Prado, que foram dominantes em divisões inferiores e agora precisam competir em outro nível. Eles têm o apoio de Steven Davis e Jay Rodriguez, dois ótimos reforços. Previsão para a temporada: 17º.

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quarta-feira, 28 de março de 2012 Championship, Southampton | 09:16

Venda ambiciosa

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O atacante Billy Sharp, do Southampton, já traçou a meta do clube para o resto da temporada: conquistar a Championship. O time está bem há tanto tempo, que o acesso à elite deixou de ser objetivo para se transformar em certeza. Os Saints, que subiram da terceira divisão em 2010-11, têm todos os argumentos para repetirem o feito do Norwich, que foi da League One à Premier League num intervalo de dois anos. Nas últimas nove rodadas, o Southampton somou sete vitórias e dois empates. A sete jogos do fim do campeonato, são seis pontos de vantagem para o terceiro colocado.

Enquanto o West Ham agoniza e o Reading desperta tardiamente na tabela, o Southampton mantém a consistência da primeira parte da temporada, quando o blog elogiou o trabalho do técnico Nigel Adkins, e se vê confortável na liderança. Mas como isso é possível para um clube que acaba de chegar da terceira divisão? Além do ótimo trabalho em campo, o zelo com as categorias de base e a boa vontade da diretoria são fatores determinantes.

Mesmo longe do St. Mary's, Chamberlain é decisivo para a temporada do Southampton

Para quem não se lembra, o Southampton foi a primeira casa de Gareth Bale e Theo Walcott. A terceira das grandes revelações recentes, Alex Oxlade-Chamberlain, despertou no início da temporada o interesse do Arsenal. A cúpula dos Saints não cedeu facilmente, e Arsène Wenger teve de oferecer £12 milhões fixos e mais £3 milhões em bônus para tirar do St. Mary’s o winger de 18 anos. O presidente Nicola Cortese não relaxou com o negócio e reinvestiu o dinheiro da maior venda da história do clube.

Pense no Southampton que, na última rodada, venceu o Doncaster por 2 a 0. Cinco jogadores contratados com o dinheiro de Chamberlain foram titulares: o ex-Chelsea Jack Cork, o belga Steve De Ridder, o ótimo lateral escocês Danny Fox, o zagueiro holandês Jos Hooiveld e o atacante Billy Sharp, aquele do início do artigo. Vale registrar que a diretoria agiu também no mercado de inverno, quando as vitórias eram raras, para fechar três contratações. Não por acaso, o time não perde na liga desde janeiro.

A decisão de vender Chamberlain foi certeira também porque Adam Lallana, outra boa revelação do Southampton, ganhou mais espaço para brilhar. Outro que já estava lá e garante vários pontos é o artilheiro Rickie Lambert, que segue fazendo pelos Saints o que Grant Holt fez pelo Norwich nas divisões de acesso. Ainda assim, entre recém-contratados e velhos conhecidos, ninguém pode se esquecer de Chamberlain, importante para o Arsenal e, mesmo sem defendê-lo, para o Southampton.

Sobre terça-feira
– Champions: Em atuação soberba de David Luiz, o Chelsea cozinhou o Benfica na Luz. Di Matteo escalou um time mais corredor, com Ramires novamente aberto pela direita, Raul Meireles, Fernando Torres e Kalou titulares. As decisões foram para lá de discutíveis (Paulo Ferreira também atuou…), mas deram certo pela vitória por 1 a 0. Ainda que os encarnados possam fazer 2 a 1 em Stamford Bridge, é improvável que o Chelsea não avance às semifinais para enfrentar Barcelona ou Milan.

– FA Cup: Haverá dois dérbis em Wembley. Ontem, grande vitória do Everton sobre o Sunderland por 2 a 0, no Stadium of Light. O croata Nikica Jelavic, que marcou um dos gols, segue passando a impressão de que resolveu o problema crônico do ataque dos Toffees. A semifinal contra o Liverpool não tem favorito. O Tottenham, por sua vez, superou o Bolton e também deve fazer semifinal equilibrada com o Chelsea.

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segunda-feira, 12 de dezembro de 2011 Championship | 15:43

Quem é que sobe?

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Com a temporada perto da metade, a Football League Championship, a popular segunda divisão inglesa, está longe de apresentar contornos definitivos. Apesar de o Southampton liderar há muito tempo, não existe uma equipe claramente acima das outras, como se revelaram Queens Park Rangers e Newcastle nos últimos anos. A corrida pelo acesso direto ou mesmo por uma vaga nos play-offs (da terceira à sexta posição) é, mais uma vez, bastante acirrada.

O Leeds se esforçou para segurar Snodgrass e pode voltar à Premier League por conta dele

O sucesso do Southampton de Nigel Adkins, recém-promovido da League One, já foi discutido em setembro. A equipe segue em alta, mas os últimos resultados e a queda de rendimento do craque do time, Adam Lallana, acendem a luz amarela. O improvável artilheiro Rickie Lambert, porém, não sente a mudança de nível (é a primeira vez que ele joga a segunda divisão) e, com 13 gols, mantém a boa forma. O brasileiro Guilherme Guly do Prado, que o apoia no ataque, também faz temporada especial pelos Saints.

Entre os clubes que mais gastaram e os mais tradicionais, boas campanhas e decepções. Ao contrário do Leicester, que já dispensou Sven-Goran Eriksson, o West Ham de Sam Allardyce convive bem com a obrigação de retornar à Premier League e continua namorando a liderança. Enquanto o Nottingham Forest, que desistiu de Steve McClaren já em outubro, está imerso na zona da degola, o Leeds assumiu seu lugar na faixa dos play-offs. Na equipe do competente Simon Grayson, quem dá as cartas é o escocês Robert Snodgrass, um dos craques da liga com oito gols e nove assistências.

Apesar dos Hammers, a temporada dos recém-rebaixados da Premier League não é exatamente um sucesso. O Birmingham, com jogos a mais para fazer por conta da participação na Liga Europa, ainda sofre com Chris Hughton. O Blackpool belisca alguns resultados interessantes, mas sente falta de pés mais brilhantes. Hoje, esses pés estão no Liverpool: Charlie Adam, vendido após a queda à segunda divisão, e Jonjo Shelvey, que arrebentou no empréstimo aos Tangerines e foi chamado de volta pelos Reds depois da lesão de Lucas.

Se a Championship terminasse hoje, os relegados à League One seriam, além do Forest, o Doncaster e o Coventry. Destes, apesar das cinco derrotas nas últimas seis partidas, só o bicampeão europeu parece ter alguma força para escapar. Com Southampton e West Ham nas posições de acesso direto, os play-offs pela terceira vaga na elite teriam Cardiff x Leeds e Middlesbrough x Hull. É bem cedo para antecipar, mas a tendência é que a Premier League receba velhos conhecidos na próxima temporada.

Veja a classificação da Championship.

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